Petrolão: Transações suspeitas superam R$ 20 bilhões! E Collor caiu por um Fiat Elba…

Publicado em 19/11/2014 10:38 3041 exibições
por Rodrigo Constantino, de veja.com

Transações suspeitas de mais de R$ 20 bilhões! E Collor caiu por um Fiat Elba…

Renato Duque, ao lado de Dilma, em 2004

A população brasileira está “estarrecida”, como diria Dilma. Nunca antes na história deste país se viu somas tão vultuosas desviadas em um esquema de corrupção. Ninguém sabe ao certo quanto a quadrilha que operava na Petrobras roubou, mas o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)informa que foram movimentados, em valor bruto, ao menos R$ 23,7 bilhões entre 2011 e 2014 de forma suspeita por pessoas físicas ou jurídicas supostamente envolvidas no Petrolão. Só em espécie foram quase R$ 1 bilhão:

Nos relatórios do Coaf aparecem os nomes de 4.322 pessoas e 4.298 empresas que, de alguma forma, participaram da movimentação da montanha de dinheiro, parte dele de origem ilegal, vinculados a negócios da Petrobras. O Coaf deixa claro, no entanto, que os números não são valores absolutos. Em algumas situações nomes de pessoas e empresas são mencionados várias vezes. A soma total envolve saques e depósitos. Mas, ainda assim, as cifras são consideradas estratosféricas até mesmo para autoridades acostumadas a lidar com dados expressivos.

Quando lembramos dos “anões do orçamento”, ou então do motivo pelo qual o ex-presidente Collor sofreu impeachment – a compra de um Fiat Elba – é realmente de cair o queixo. Aquela turma de antes era aprendiz perto da máfia hoje no poder. Eram ladrões de galinha! O PT conseguiu banalizar a corrupção no Brasil. Não a inventou, claro, mas a levou a patamares inacreditáveis, e tudo feito na maior tranquilidade, certos da impunidade.

A maior evidência até agora de que os montantes desafiam qualquer limite do imaginável está no compromisso firmado pelo gerente Pedro Barusco, que era subalterno do diretor Renato Duque, homem indicado por José Dirceu na estatal. Para sua delação premiada, Barusco aceitou devolver US$ 100 milhões. Isso mesmo: cem milhões de dólares! Quanto será que Duque desviou? E quanto foi parar nas contas de petistas na Suíça?

Os responsáveis pelas investigações necessitam de todo apoio possível da sociedade. Enfrentam uma quadrilha muito poderosa, e ainda precisam encarar uma “opinião pública” anestesiada, sonolenta, hipnotizada pela campanha mentirosa do PT, de que “todos são iguais”, de que “todos roubam”, e de que ao menos esse governo fez muito pelo “social”. Quem cai nessa ladainha é muito inocente mesmo, ou cúmplice da máfia.

Não importa que outros partidos e governos também tenham roubado. Não importa que o PT distribuiu esmolas para os mais pobres. O que está em jogo é o futuro de nossa democracia e de nossos valores. Que mensagem queremos transmitir para nossos filhos e netos? Que tudo bem desviar bilhões dos recursos públicos, desde que dê o Bolsa Família para cada vez mais gente? É isso mesmo que o leitor quer repetir para os filhos?

Quem ainda tem vergonha na cara e um pingo de juízo está chocado com a ousadia dos canalhas, indignado com a pilhagem que a quadrilha fez em nossas empresas, e quer justiça, punição severa, para combater a impunidade e fortalecer nossas instituições democráticas. Já quem busca relativizar ou minimizar tudo isso que está acontecendo abandonou qualquer resquício de ética e debandou para o lado de lá, daqueles que acham normal roubar, desde que deixe algumas migalhas no caminho para os mais pobres…

Rodrigo Constantino

 

 

Pato manco: cenário otimista para Dilma é boiar sem afundar

Dilma ganha o troféu “Pato Manco” mundial

A que ponto chegamos? Quando analisamos o atual cenário político-econômico do país, ficamos com a clara sensação de que, na melhor das hipóteses, a presidente Dilma pode torcer para permanecer boiando, sem afundar. É um quadro desolador para quem mantinha alguma esperança no futuro do Brasil.

Vejamos: a economia continua estagnada, com a inflação bem acima da meta. O governo fala em mudar a meta de superávit fiscal, agora renomeada para “meta de resultado”, para permitir déficit fiscal também. Os investidores ficam cada vez mais ariscos, tensos, e se recusam a tirar projetos de investimento da gaveta até melhor definição do que vem por aí.

O sinal que Dilma poderia dar é mexer radicalmente na equipe econômica, colocando um nome forte e independente no comando da Fazenda. O fato de ela até agora não ter indicado quem será o substituto de Guido Mantega apenas reforça a expectativa de que será “mais do mesmo”. Falam cada vez mais em Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central, o que seria uma ducha de água fria para o mercado.

editorial do GLOBO de hoje clama por mudanças, lembrando da dificuldade da situação econômica do país e do desejo da maioria da população. Menciona os desafios fiscais, o desgaste com a Petrobras, o caos no setor elétrico, a tragédia industrial, e conclui: “A própria presidente falou em mudanças. Em quadro como este, defender a simples continuidade seria um absurdo”.

Mas como acreditar realmente que as necessárias mudanças virão, partindo da própria presidente Dilma? O Petrolão, apelido dado à Operação Lava-Jato que expôs os desvios bilionários na maior estatal brasileira, continuará como uma espada pendurada sobre a cabeça de Dilma por um bom tempo. Não apenas economicamente, mas também politicamente seu governo novo nascerá velho e desgastado.

Dilma é um lame duck, como dizem os americanos, um “pato manco”. A expressão foi usada recentemente para definir os próximos dois anos de Obama, uma vez que os Republicanos lhe deram uma sova nas urnas e tomaram o Senado e a Câmara. Mas Obama só tem mais dois anos de mandato. Dilma nem começou seus quatro anos extras, concedidos pelas urnas eletrônicas. O que fazer?

De volta ao começo: a aposta otimista parece ser a completa mediocridade. Se ela conseguir atravessar a tormenta e preservar a cabeça, já será uma vitória, de seu ponto de vista. E para o Brasil? Ora, Dilma pode ser o “pato manco”, mas o país é que paga o pato. Um pouco mais de inflação, um pouco menos de crescimento, um pouco mais de desemprego, e um marasmo total, um clima de apatia, o futuro usurpado, mais uma oportunidade perdida.

Isso, nunca é demais lembrar, no cenário otimista. A alternativa é muito pior, ao som do tango argentino. Se Dilma não sofrer um impeachment antes, claro…

Rodrigo Constantino

 

 

A morte do superávit fiscal e a nova matriz aritmética

aritmetica

Aritmética petista

Depois de mais de três horas de discussão e numa vitória-relâmpago do Palácio do Planalto, a Comissão de Mista de Orçamento (CMO) aprovou, na noite desta terça-feira, a proposta que permite ao governo eliminar a meta de superávit primário de 2014. O governo usou o chamado “rolo compressor” para garantir a aprovação do parecer do senador Romero Jucá (PMDB-RR), favorável ao projeto do governo.

A aprovação foi tumultuada e ocorreu em meio a um intenso bate-boca, gritos e dedos em riste de parlamentares. Depois de três horas e meia de discussão, a proposta foi aprovada em segundos, em votação simbólica. Agora, a proposta fica pronta para ser votada no Plenário do Congresso. A base conseguiu atropelar todos os prazos: o parecer foi apresentado ontem mesmo e, horas depois, foi aprovado. A oposição ficou atônita e disse que vai tentar recorrer à Justiça. Já os governistas comemoraram, com aplausos a vitória do governo.

A substituição da expressão “meta de superávit” por “meta de resultado” não é apenas uma questão semântica; é a senha para o assassinato da Lei de Responsabilidade Fiscal, uma das mais importantes conquistas da era FHC. Seu legado, sua “herança benigna”, vai sendo destruído passo a passo pelo governo petista. Um governo perdulário e irresponsável agora conta com o aval da lei para ignorar o bom senso econômico.

E por falar em bom senso na economia, ou falta dele, o ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, em sua coluna de hoje na Folha, apelou para a ironia para descrever as mudanças que o governo vem adotando na “matriz econômica”. Afinal, “Um governo verdadeiramente comprometido com as causas populares não pode se sujeitar às restrições impostas pelas forças conservadoras, neoliberais, feias, bobas e cara de tacho”.

Se a lei diz que o governo deve produzir um superávit de R$ 116 bilhões, mas ele pretende entregar apenas R$ 49 bilhões (ladeira abaixo), então basta dizer que a diferença (R$ 67 bilhões) foi utilizada para “fins nobres”. Algo como um devedor alegar ao banco que não tem como pagar a dívida, mas que ao menos usou o empréstimo para garantir o leite das crianças e investir em reformas na casa. Compreende, chefia?

Pausa para reflexão: se o governo admite que uma parte de seus gastos tem “fins nobres” e, por isso, não deveria ser incluída na meta orçamentária, então isso quer dizer que ele admite que o restante é inútil, desnecessário e nada nobre? Por que, então, o governo não gasta só a parte nobre? Por que não adota prioridades, como todos nós, reles mortais?

De volta ao hilário texto de Schwartsman: só nos resta mesmo o humor para suportar tanto absurdo. “Não contávamos, contudo, com a má vontade dos países desenvolvidos, que -certamente com o objetivo de impedir os avanços populares no Brasil- se recusam a crescer”, diz ele. Descobrimos que até a matemática não passa de uma conspiração imperialista para nos prejudicar!

Quando os dados incomodam, basta quebrar os termômetros, pela lógica petista. Vamos rasgando as conquistas anteriores e destruindo os pilares de nossa economia, como se fosse possível ignorar impunemente as leis econômicas. E, diante de todas as evidências contrárias, ainda há quem pense que o governo Dilma fará as mudanças necessárias para recolocar o Brasil nos trilhos…

Rodrigo Constantino

 

O impeachment da Presidente parece ser questão de tempo

Por Bernardo Santoro, publicado no Instituto Liberal

A Operação Lava-Jato, feita pela Polícia Federal, cada vez mais se parece com a Operação Mãos Limpas, feita na Itália na década de 90 contra a máfia lá instalada, que resultou em uma profunda reforma política e a extinção de vários grandes partidos italianos.

Vários pequenos operadores da Petrobras já chegaram a acordos de delação premiada que resultarão na devolução de quase meio bilhão de reais aos cofres públicos. Além deles, outros dois ex-funcionários já fizeram acordos parecidos. Paulo Roberto Costa devolverá 70 milhões de reais e Pedro Barusco inacreditáveis 250 milhões de reais. Já está provada a implicação de mais de 100 políticos no esquema, dentre três partidos da base governista: PT, PP e PMDB. A maior parte desses negócios foi feita sob a tutela da Presidente Dilma Rousseff, seja no próprio cargo executivo máximo da república, seja como Presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Com o fim das investigações e sua publicização, restará evidente que o impeachment da Presidente Dilma não será uma questão de “se”, mas de “quando”. E o “quando”, adianto, não será agora. O colunista do Globo, Merval Pereira, escreveu no Globo que tem essa mesma sensação, e que as manifestações pelo impeachment não são um golpismo, e sim apenas um movimento deslocado no tempo. Daqui a três ou seis meses essas passeatas realmente terão significado, especialmente quando soubermos a extensão da implicação do Palácio do Planalto nas operações.

Com a Presidente afastada e o Vice-Presidente Michel Temer assumindo, fica a seguinte pergunta: e daí, o que muda de fato?

Essa é uma pergunta pertinente, pois ainda não sabemos que tipo de força política vai emergir dessa ruptura política. Na Itália, ascendeu ao poder um representante pervertido e estatista do empresariado, Silvio Berlusconi. Quem vai assumir a dianteira do processo político?

Se liberais e conservadores tomarem posse dessa liderança e estabelecerem a agenda política brasileira com redução do aparelho estatal, desburocratização, responsabilidade fiscal e redução da carga tributária, haverá uma real mudança. Mas tanto o movimento liberal quanto o conservador são bastante restritos no campo político ainda, embora estejam crescendo com vigor. O movimento psolista também cresce a olhos vistos, mas não tem presença política nacional relevante.

Por isso, a ordem natural do processo político será a substituição de um grupo político autoritário e patrimonialista por outro com mesma identidade ideológica e sem compromisso com reais mudanças institucionais no país. É bem possível que, neste momento, a direita que está indo às ruas para ser humilhada por jornalistas venais esteja, na verdade, fazendo o jogo de pessoas sem compromisso com um Brasil sustentável e livre. Mas isso não pode nos impedir de continuar a lutar pelo que é certo. O impeachment será muito bom quando for atingido, mas a verdadeira revolução está no dia-a-dia dos movimentos pela liberdade, seja no próprio campo político, como no acadêmico e no econômico.

E 2018 já é logo ali.

 

 

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Fonte:
Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

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5 comentários

  • JURANDIR MONTANHER NOVA LONDRINA - PR

    ISSO E O QUE CHEGOU A IMPRENSA, MAIS SERÁ SÓ ISSO MESMO?

    CADE CÁ O PRÉ SAL, O CANAL DO RIO SÃO FRANCISCO, AS BOLSAS FAMÍLIA DO NORDESTE, E POR AI VAI.

    SERÁ MESMO QUE VAMOS VER ALGUÉM CAPAZ DE COBRAR NA JUSTIÇA O FIM DA CORRUPÇÃO, OU VAMOS VER TUDO ACABAR EM MÃOS DADO PELA ORDEM E A PAZ DO PAIS?

    OS PARTIDOS NÃO ALIADO TERÁ CARÁTER DE PEDIR JUSTIÇA PELO POVO E POR ESSA ROUBALHEIRA, ESTE DINHEIRO SÃO OS IMPOSTO QUE PAGAMOS PARA ESTE POLÍTICOS FAZER TÃO COISA.

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  • antonio carlos pereira Jaboticabal - SP

    Como tem tanta gente inocente, eu não tenho partido, quero apenas fazer uma análise; quando Lula no pode e agora Dima, as pessoas precisa saber ou ter obrigação de saber que essas GRANDES EMPRESAS já eram grandes, como essas Empresas ficaram Milionárias no governo FHC ? Da onde saiu tantas grandes Empresas, Porque jogar todas essas grandes empresas em cima da Dilma ? Essas Empresas não são de agora. E o BANESTADO no governo FHC que tinha mais 200 envolvidos, porque não abril tudo isso, porque esconderam, tão com medo do que ? Eu não estou tomando lado de partido, tem que apurar tudo, vamos ver de onde saiu todo essa grana que essas empresas ficaram milionárias. Não estou aqui ofendendo ninguém, cabe ao Rodrigo Constantino ir a fundo e trazer aqui para os leitores ficar informado, ou ele só escreve o que ela quer ou ele tem rabo preso.

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Quando lembramos dos “anões do orçamento”, ou então do motivo pelo qual o ex-presidente Collor sofreu impeachment – a compra de um Fiat Elba com as sobras da Campanha Eleitoral – é realmente de cair o queixo. Aquela turma de antes era aprendiz perto da máfia hoje no poder. Eram ladrões de galinha! O PT conseguiu banalizar a corrupção no Brasil. Não a inventou, claro, mas a levou a patamares inacreditáveis, e tudo feito na maior tranquilidade, certos da impunidade

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  • Eduardo Basílio Uberlândia - MG

    Talvez a diferença maior entre a época da Fiat Elba e a de agora do Petrolão seja a de que naquela época, as oposições eram mais oposição. As de hoje são muito frouxas, infelizmente.

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  • Breno Barbosa Villas Boas Palmas - TO

    Não há momento político mais propício para uma reaproximação PSDB e PMDB, com o estabelecimento de uma agenda mínima...Será que já ocorre ou é otimismo ingênuo ?

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