Copom sobe juro para 11,75%: mais estelionato eleitoral

Publicado em 04/12/2014 09:19 409 exibições
por Rodrigo Constantino, de veja.com

Copom sobe juro para 11,75%: mais estelionato eleitoral

Alexandre Tombini, presidente do BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros (Selic) de 11,25% ao ano para 11,75% ao ano. Foi a segunda alta seguida dos juros. A primeira elevação foi feita somente três dias após à reeleição da presidente Dilma.

A nova alta era esperada pelo mercado. O BC teve de apertar a política contra a inflação pela persistência da alta de preços. O índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 6,59%, acima do teto da meta estabelecida pela própria equipe econômica.

O que o governo está fazendo agora é “correr atrás da curva”, pois deixou a inflação atingir patamares desconfortáveis e por lá permanecer por tempo demais. A medida comprova que o BC de Dilma é politizado, pois deixa claro que não havia independência para agir antes, por conta do processo eleitoral. Alexandre Tombini, presidente do BC, deveria explicar por que não subiu a taxa de juros antes, uma vez que a inflação já estava bem acima da meta.

Trata-se de mais uma evidência do estelionato eleitoral em curso. Após a vitória de Dilma nas urnas eletrônicas, seu governo começa a agir de forma diametralmente oposta àquela vendida na campanha eleitoral para os mais leigos. Alta de juros foi algo associado aos tucanos, que seriam ligados aos banqueiros e insensíveis para com os pobres.

A medida do Copom é acertada do ponto de vista técnico, e chega inclusive tarde demais, pois vários economistas apontavam tal necessidade antes. Mas fica exposta a falácia da campanha de Dilma, que deseduca a população mais ignorante.

O barato sai caro. O governo Dilma manteve a taxa de juros artificialmente reduzida por tempo demais, de olho apenas nas eleições e também por equívocos ideológicos dos desenvolvimentistas. Agora precisa jogar a taxa para cima, colocar o Brasil na liderança das maiores taxas de juros do mundo, enquanto em termos de crescimento estamos na rabeira do ranking.

Não resta mais a menor sombra de dúvida: a “nova matriz macroeconômica” foi um completo fracasso, os nacional-desenvolvimentistas produziram apenas estagflação (estagnação econômica com alta inflação), e isso nada tem a ver com o resto do mundo. A candidata Dilma mentiu, e muito. A presidente Dilma terá de arcar com os custos dessas mentiras. E o povo também, com crédito mais caro e atividade econômica menor.

Rodrigo Constantino

 

 

Indicado pelo PT, superintendente regional do Incra é preso e exonerado do cargo

Fonte: GLOBO

Uma enxadada, uma “minhoca” (quando se trata do PT, está mais para sucuri, algo que ocorre no país todo, como disse Paulo Roberto Costa). Mas não é porque o petrolão fez todos os demais escândalos parecerem adequados para os tribunais de pequenas causas que vamos ignorar os roubos menores. Os petistas estão desviando recursos públicos em tudo que é lugar!

O mais recente escândalo envolveu Antônio César Carneiro de Souza, o superintendente regional do Maranhão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que fora indicado pelo PT e nomeado pelo governo de Roseana Sarney. O Diário Oficial da União publicou hoje sua exoneração do cargo, após ter sido preso com outras 22 pessoas na Operação Ferro e Fogo. Funcionários do Ibama também estavam entre os presos.

Segundo a PF, Antônio César é suspeito de comandar um grupo de servidores públicos da área ambiental do estado que arrecadava cerca de R$ 2,5 milhões por mês em propina paga por madeireiros ilegais que atuam no corte clandestino de madeira das reservas indígenas do Alto Turiaçu, Awa-Guaja e Caru, onde ainda há aldeias isoladas. A quadrilha também atuava na Reserva Biológica do Gurupi, que vem sofrendo uma grande devastação ao ponto de só contar atualmente com 20% de sua área de floresta primária.

Os casos de corrupção envolvendo o Incra, o Ibama ou a Funai não são novidade, e deveriam servir como alerta contra o atual modelo de simplesmente distribuir enormes quantidades de terras aos “índios” e proibir o desmatamento. Pelo visto, o método está servindo apenas para enriquecer uma cadeia de corruptos no processo, desde madeireiros ilegais, passando por funcionários públicos e chegando até às próprias lideranças “indígenas”.

Nossos “índios” já possuem algo como 13% de todo o território nacional. Criou-se uma fábrica de corrupção com essas reservas indígenas, por meio de um mecanismo perverso de incentivos, enquanto a maioria dos “índios” vive na miséria. Essas “favelas rurais” com nomes indígenas podem servir para acalentar os corações românticos e expiar a “culpa” da elite branca nos centros urbanos, mas não resolvem o problema da pobreza desses cidadãos brasileiros, enquanto alimentam essa corrupção toda.

Vale a pena? São como “zoológicos humanos”, que servem para o regozijo da elite culpada, que encara os “índios” como seus mascotes, como seres inferiores que precisam da tutela estatal e devem se manter afastados da civilização, para não acabarem “contaminados” pela cultura do “homem branco malvado e capitalista”. Eis o resultado prático de tanta ladainha rousseauniana: um rastro de violência, pobreza e corrupção.

E a farra dos petistas no poder, claro, pois são sempre os mais corruptos de todos…

Rodrigo Constantino

 

 

Cai a máscara: PT não quer participação popular coisa alguma!

Até as pedras já sabiam, mas não alguns “intelectuais”, naturalmente. Falo dos que votaram no PT e repetem por aí que o partido foca no “social” e deseja maior “participação popular”. São aqueles que defendem os “soviets”, os “conselhos populares”. São os que acham que Cuba tem um “governo popular”, não um senhor feudal com 11 milhões de escravos. E eles acreditaram que a “democracia direta” era uma boa ideia para superar o fisiologismo do Congresso, para descartar o PMDB, por acaso aliado do PT.

Aquilo que as pedras sabiam e os “intelectuais” ignoravam ficou evidente demais nesta terça. Algumas pessoas foram protestar no Congresso com toda a legitimidade de cidadãos que são, contra a tentativa de o governo rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal e oficializar o calote, ignorando que não cumpriu os limites orçamentários. Era gente do povo brasileiro, trabalhadores se manifestando contra um absurdo completo do governo, mais um.

E o que aconteceu? Renan Calheiros, presidente do Senado e cacique do PMDB, aquele que precisa ser “superado” pela “democracia direta”, incorporou o autoritarismo típico dos tiranos adorados pelo PT e pelos “intelectuais” e partiu para a grosseria e truculência. Aquela gente teria de sair de lá imediatamente, seria expulsa. Onde já se viu protesto na Câmera? Onde já se viu… participação popular?!

Eis a imagem de uma senhora que fazia parte dos protestos sendo levada pelos seguranças da “casa do povo”:

Senhora expulsa Congresso

Será que ela não é do povo? O que fica claro, ao menos para quem tem olhos para enxergar e cérebro para raciocinar, é que todo o discurso petista de maior “participação popular” é um total engodo, uma mentira, uma empulhação. Como ocorre na Venezuela, e como foi o “orçamento participativo” de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul, logo dominado pelos próprios petistas. O povo acaba afastado das decisões, pois é um conceito seletivo.

Para o PT, povo é apenas aquela parte do povo que concorda com suas práticas, que se veste de vermelho, que chama bandido mensaleiro de herói injustiçado, que recebe soldo de sindicatos ou ONGs ligadas ao governo. O restante é “elite branca golpista”. Temos 51 milhões de membros da tal “elite branca golpista” no país!

Não, meus caros “intelectuais”, o PT não quer saber de maior “participação popular” coisa alguma. O PT quer a hegemonia do poder, driblando a necessidade de negociar com e fazer concessões aos demais partidos no Congresso. Quer isso manipulando as massas ignorantes, comprando votos e usando seu exército de soldados pagos, os militantes dos “movimentos sociais”, que chama de povo.

Os trabalhadores que pagam pesados impostos e vão voluntariamente protestar no Congresso contra um calote fiscal indecente, esses não são parte do povo, e merecem ser calados, expulsos. E claro, no mundo ideal deles, aquele existente em Cuba, sob o regime que aplaudem, seriam logo presos ou fuzilados, que é para não encherem muito o saco dos representantes do povo…

Rodrigo Constantino

 

 

“A ideia do governo é jogar a responsabilidade fiscal no lixo”, diz manifestante expulso do Congresso

Chego ao aeroporto de Confins hoje cedo e vou direto à livraria, ver os jornais. Deparo então com meu colega Adolfo Sachsida, velho conhecido do movimento liberal, estampado bem na capa da Folha, sendo arrastado por seguranças.

Fonte: Folha

Fonte: Folha

Sachsida é doutor em Economia, trabalha no Ipea e foi candidato a deputado distrital nessas eleições. Abaixo, segue a entrevista que ele gentilmente concedeu ao blog:

Por que o protesto? Como economista, você considera a aprovação desta LDO um golpe político, um calote fiscal?

O protesto tem como objetivo evitar a aprovação do PLN 36/2014. Na prática a ideia do governo é jogar a responsabilidade fiscal no lixo. Isto é, o governo quer jogar no colo de nossos filhos a conta por sua irresponsabilidade fiscal. A aprovação de uma nova lei de orçamento para 2014, no ÚLTIMO mês de 2014, é uma imoralidade. O governo gastou demais, e agora quer mudar a lei para dizer que cumpriu a lei. Além disso, existe um efeito cascata: se o governo federal pode fazer isso, então estados e municípios também podem. Resumindo: será a irresponsabilidade fiscal em todos os níveis de governo. Quanto a questão política, existem implicações legais decorrentes do descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Uma dessas sanções é a improbidade administrativa, que pode ter séries implicações para um futuro governo Dilma.

Como ocorreu sua expulsão do Plenário? Houve uso de agressão?

Estava com uma mordaça vermelha na boca, numa referência ao PT querer calar a população. Então os seguranças se aproximaram de onde estávamos e mandaram que todos se retirassem, ninguém poderia permanecer mais nas galerias do Congresso Nacional. Eu me recusei. Disse que era meu direito permanecer na casa do povo. Estava sentado e perguntaram novamente: você irá se retirar? Novamente respondi que não. Afinal, era meu direito constitucional permanecer. Nesse momento vários seguranças vieram para cima de mim, que ainda permanecia sentado, e pegando cada um uma parte de meu corpo me levaram para fora. Importante ressaltar que em momento algum reagi. Em momento algum agredi, permaneci parado enquanto me conduziam para fora. Nesse momento surgiu outro problema: não havia como me levarem para fora sem passar por cima de outros que estavam lá protestando. Ocorreu empurra-empurra, mas ressalto uma vez mais que permaneci imóvel e sem reagir enquanto me levavam para fora. Nesse momento recebi um choque nas costas. Quando finalmente me tiraram da galeria fui conduzido à saída, e lá pediram que esperasse. Nesse momento ocorreu algo chato: o segurança que me conduziu disse que eu seria detido por desacato. Respeitosamente disse que não tinha desacatado ninguém, e o segurança de maneira grosseria mandou que me calasse. Repeti que não havia cometido delito algum, e o segurança perguntou se alguém tinha falado comigo, que era melhor eu ficar calado. Outro segurança, muito mais calmo, gentilmente pediu que eu sentasse no sofá e aguardasse. Esperei lá por uns 20 ou 30 minutos, após isso fui liberado. Perguntei se gostaria de anotar meu nome e telefone, pois não sou bandido e não estava fugindo de nada. Fui informado que isso não era necessário, mas que deveria me retirar das dependências do Congresso. Por fim, ressalto que cheguei a pedir por socorro para Maria do Rosário…. aparentemente ela não me ouviu.

Isso significa que o PT perdeu o monopólio dos protestos e que a oposição finalmente acordou?

Ontem foi um dia histórico, um dia em que o PT proibiu o povo de participar de forma democrática do Congresso Nacional. Renan Calheiros foi apenas o instrumento, mas não nos enganemos, quem proíbe o povo de entrar no Congresso Nacional é o PT. O PT quer calar o Brasil, mas não conseguirá!

Não era o próprio PT que dizia defender maior “participação popular” na democracia? Você é parte do povo? A máscara do PT caiu, deixando transparecer sua face autoritária?

O PT não defende maior participação popular. O que o PT defende é que os movimentos sociais que ele controla tenham mais força. O PT não suporta o fato de que movimentos legítimos da sociedade, e indivíduos independentes, tenham vontade própria. Uma coisa eu sei por certeza: eu sou cidadão brasileiro, e o PT não me representa.

Renan Calheiros, aliado do PT, insinuou que os manifestantes fossem “assalariados”, ou seja, que estivessem ali a soldo do PSDB. Você recebeu algum dinheiro para protestar?

Não recebi e nem aceitaria dinheiro algum. Mas recebi um dos maiores pagamentos que um homem pode receber, a consciência tranquila do homem honesto que lutou pelo que acredita.

Você é economista e trabalha no Ipea, que vem sendo alvo de crescente influência política. Houve algum tipo de retaliação por lá, por suas posturas políticas e ideológicas?

Fui convidado pela comissão de ética do instituto a dar explicações sobre duas declarações minhas. A primeira referente às críticas que fiz em relação a pesquisa incorreta do IPEA sobre estupro. E a segunda referente à minha declaração de que manter uma sede na Venezuela equivalia a legitimar uma ditadura. Por algum motivo o convite a explicações virou algo mais, e acabei recebendo uma censura, pequena, é verdade, mas ainda assim uma censura da comissão de ética. Por fim, fui exonerado do cargo que mantinha (mas como sou funcionário público concursado mantive o emprego). Cabe ressaltar que minha exoneração foi anterior ao convite para prestar esclarecimentos na comissão de ética.

Você foi candidato nas últimas eleições a deputado distrital. Ainda pensa em entrar para a política? Quais são seus planos?

As eleições acabaram, e confesso que não sei se quero passar por outro pleito. Sou um técnico, tenho doutorado e fui professor de economia nos Estados Unidos. Não tenho o treino de um político, meu treino é em economia e métodos quantitativos. Hoje meu objetivo é garantir que minhas filhas não terão que pagar a conta da irresponsabilidade fiscal do governo atual. Tenho com elas o compromisso que meus pais tiveram comigo: entregar a elas um pais melhor do que recebi.

Rodrigo Constantino

 

 

O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente

Lord Acton

“A liberdade não é um meio para um fim político mais elevado; ela é em si mesma o mais elevado fim político.” (Lord Acton)

Muitos conhecem o famoso ditado “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”, mas poucos conhecem mais sobre as idéias de seu autor, o historiador católico e liberal John E. E. Dalberg Acton, ou simplesmente Lord Acton. No livro The History of Freedom foram reunidos vários de seus escritos, e sua análise sobre a liberdade na antiguidade, logo no começo da obra, tem inestimável valor. Importantes lições podem ser extraídas através da experiência dos povos antigos, tais como os judeus, atenienses e romanos. O que Lord Acton faz é justamente filtrar essas preciosas lições.

Para Acton, em todos os tempos o progresso da liberdade enfrentou seus inimigos naturais, pela ignorância e superstição, pela sede de conquista, pelo desejo de poder etc. Lord Acton conclui que em todos os tempos os amigos sinceros da liberdade foram raros, e que seus triunfos foram devidos a minorias, que teriam obtido sucesso se associando a aliados cujos objetivos freqüentemente diferiram dos seus próprios. Mas Acton reconhece que tais associações são sempre perigosas, e algumas vezes desastrosas para a própria liberdade. Ainda assim, o historiador entende que os interesses hostis à liberdade causaram menos ferimentos a ela do que as falsas idéias. As instituições que tentam preservar a liberdade acabam dependendo das idéias que as produzem e do espírito que as preserva. Por isso a preocupação com os pensamentos dos homens é crucial. A causa da liberdade, segundo Acton, deve mais a Cícero e Sêneca, por exemplo, do que às leis de Licurgo.

Por liberdade, Lord Acton entendia a garantia de que todo homem deve ser protegido ao fazer aquilo que ele acredita ser seu dever contra a influência da autoridade e maiorias, costumes e opinião. Portanto, o teste mais certeiro pelo qual podemos julgar se um país é realmente livre seria a quantidade de segurança desfrutada pelas minorias. Como um dos primeiros exemplos usados para ilustrar o que tinha em mente, Acton usou a história do “povo escolhido”. O governo dos israelitas era uma Federação, unida sem uma autoridade política, por acordo voluntário. O princípio de autogoverno estava bastante presente em cada grupo e, pelo que afirma Acton, não havia privilégios nem desigualdade perante a lei. Lord Acton respeita o fato de que uma constituição cresce de suas raízes, por um processo de desenvolvimento, e não por uma mudança essencial. Essas características estariam presentes nas origens do povo judeu, segundo Acton.

Um segundo caso mencionado por Acton é o de Atenas, na Grécia Antiga. Acton cita mais especificamente Sólon, o “mais sábio de Atenas”, assim como um “gênio político da antiguidade”. As reformas introduzidas por Sólon foram fundamentais para a ampliação da liberdade na região. As classes mais pobres eram excluídas, e Sólon as deu voz política ao garantir a eleição de magistrados. Isso introduziu a idéia de que o homem deve ter direito a uma voz ao selecionar aqueles aos quais irá confiar seu futuro e sua vida. O governo pelo consentimento acima do governo compulsório. Era admitido o elemento de democracia no Estado. O único recurso conhecido contra as desordens políticas era a concentração de poder, e Sólon escolheu o caminho contrário, da descentralização. Na essência da democracia estaria obedecer nenhum mestre além da lei. A liberdade individual tinha em Sólon um grande amigo.*

A democracia, porém, não pode ser vista jamais como simples ditadura da maioria. Para Lord Acton, se é ruim ser oprimido pela minoria, é ainda pior ser oprimido pela maioria. Afinal, existe uma reserva latente de poder nas massas a qual, caso seja despertada, a minoria raramente consegue resistir. A lição que se pode tirar das experiências passadas a este respeito é que o governo da classe mais numerosa e poderosa representa um mal da mesma natureza que uma monarquia. Pelos mesmos motivos, portanto, exige instituições que servem para proteger o governo dele mesmo, na tentativa de permitir o reino permanente da lei contra revoluções arbitrárias de opinião.

Lord Acton considerava que não era alguma classe específica que seria inadequada para governar, mas sim que todas as classes eram inadequadas. O poder deve ser descentralizado, e por esse motivo Acton defendia o Federalismo. Se a distribuição de poder entre as várias partes do Estado é o meio mais eficiente de restringir uma monarquia, a distribuição de poder entre vários Estados é o melhor caminho na democracia. Multiplicando os centros de governo ele promove a difusão do conhecimento político e a manutenção da opinião independente. Afinal de contas, o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente!

* O economista Sérgio Werlang trata da importância do legado de Sólon em seu livro A Descoberta da Liberdade. Em 594 a.C., com um grande conflito de interesses em Atenas, os cidadãos chamaram Sólon para arbitrar a questão. A escravidão por dívida, uma herança da influência mesopotâmica, era o cerne do problema. Sólon tomou seis medidas que foram muito importantes no que tange os direitos individuais. Ele, em primeiro lugar, perdoou as dívidas e aboliu a possibilidade da escravidão servir como garantia real. Depois, permitiu que todo cidadão ingressasse em juízo, caso se sentisse prejudicado. Deu também o direito a recorrer de uma decisão numa instância superior. Introduziu um sistema de votações por meio do qual poderiam ter acesso aos principais cargos públicos os cidadãos que tinham posses, mas não pertenciam a famílias aristocráticas. Estabeleceu um conselho de 400 integrantes, que foi posteriormente aumentado para 500. Permitiu, por fim, legar bens em testamento. Plutarco, sobre essa última medida, afirmou que Sólon “fez a propriedade de qualquer homem verdadeiramente dele”.

Texto presente em “Uma luz na escuridão”, minha coletânea de resenhas de 2008.

Liberalismo: dogmático ou pragmático?

Palestra (editada) que fiz para os membros do IFL-BH sobre liberalismo, confrontando duas vertentes distintas, uma mais dogmática e outra mais consequencialista.

Rodrigo Constantino

 

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Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

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3 comentários

  • cllaudio heleno cassol Santa Maria - RS

    CLLAUDIO HELENO CASSOL Santa Maria - RS 08/12/2014 14:38

    Santa Maria rgs. Quanto aos Emplacamentos é uma usurpação ou extorsão legalizada, pela Atual Ditadura Civil Pública, a qual devemos Todos Nós Democratas, lutarmos diariamente, pois a Um Regime Democrático, precisa que lutemos, todos os Momentos para Dissiparmos, os DITADORES DE PLANTÃO. A Democracia que é a Única Via Pública que Podemos Interagir e PARTICIPARMOS ATIVAMENTE, é certo, que Nela precisamos manter, a ETERNA VIGILÂNCIA, e, RESPEITO as LEIS. Sem assaltarmos, aos Contribuintes e quanto, instituirmos mais taxas, impostos ou contribuições, que, sejam módicos e apenas necessários, a manutenção da Nossa Administração, Civil Públicas. E, com Mandatos Aprazados e Finitos. No caso das MÁQUINAS AGRÍCOLAS, se o Objetivo é Cadastrá-las, não para isto, necessário, Instituir-se taxa, impostos ou Outra valia, de Valoração que, assim fosse. Vamos sermos corretos e Honestos, nas nossas Ações e Atos, praticados, dentro e fora, dos Executivos e Legislativos. Inclusive, dentro, dos Poderes judiciários. Na manutenção e vigilâncias, contra os ATOS ARBITRÁRIOS. Texto de adv. claudio heleno cassol. para contra ponto.

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  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    A toda ação existe uma reação. Esta é uma máxima que tem regido a convivência entre os humanos e, os interesses em jogo é que dita os resultados.

    Na régua do poder a indústria bélica é a mais poderosa, em seguida vem a automobilística e em terceiro lugar vem, pasmem: A CORRUPÇÃO!

    Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), calcula que, se a corrupção fosse uma indústria, seria a terceira do mundo, correspondendo a cerca de 5% da economia mundial; trocando em miúdos, algo em torno de US$ 3,5 trilhões ao ano, pois o PIB Mundial gira em torno de US$ 70 trilhões. Só para ter uma ideia o PIB brasileiro está em torno de US$2,3 trilhões.

    Uma coisa é certa: NÓS VAMOS NOS ENOJAR MUITAS VEZES !!!

    Esta indústria vai nos “triturar” ainda, por décadas! Está na hora de começarmos a desmontá-la, quem sabe os nossos filhos ou netos estarão livres deste “câncer viral” que assola a humanidade.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Amigos, hoje Rodrigo Costantino está inspirado. Para os que leram meu comentário anterior, aquela citação está no artigo em destaque, no fim da página, aqui no Noticias Agricolas. Neste reproduzo um texto em que Rodrigo Constantino fala claramente a linguagem e expressa com perfeição o pensamento dos produtores rurais de nosso Brasil. “Os casos de corrupção envolvendo o Incra, o Ibama ou a Funai não são novidade, e deveriam servir como alerta contra o atual modelo de simplesmente distribuir enormes quantidades de terras aos “índios” e proibir o desmatamento. Pelo visto, o método está servindo apenas para enriquecer uma cadeia de corruptos no processo, desde madeireiros ilegais, passando por funcionários públicos e chegando até às próprias lideranças “indígenas”.

    Nossos “índios” já possuem algo como 13% de todo o território nacional. Criou-se uma fábrica de corrupção com essas reservas indígenas, por meio de um mecanismo perverso de incentivos, enquanto a maioria dos “índios” vive na miséria. Essas “favelas rurais” com nomes indígenas podem servir para acalentar os corações românticos e expiar a “culpa” da elite branca nos centros urbanos, mas não resolvem o problema da pobreza desses cidadãos brasileiros, enquanto alimentam essa corrupção toda.

    Vale a pena? São como “zoológicos humanos”, que servem para o regozijo da elite culpada, que encara os “índios” como seus mascotes, como seres inferiores que precisam da tutela estatal e devem se manter afastados da civilização, para não acabarem “contaminados” pela cultura do “homem branco malvado e capitalista”. Eis o resultado prático de tanta ladainha rousseauniana: um rastro de violência, pobreza e corrupção.

    E a farra dos petistas no poder, claro, pois são sempre os mais corruptos de todos…”

    Vale a pena ler também “O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

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