O triplex de Lula no Guarujá: recompensa justa por ajudar os mais pobres!

Publicado em 07/12/2014 16:46 e atualizado em 09/12/2014 14:08 3935 exibições
por Rodrigo Constantino, de veja.com

O triplex de Lula no Guarujá: recompensa justa por ajudar os mais pobres!

O “homem do povo” descansando pelo trabalho em prol dos pobres

Conversava outro dia com um amigo sobre a ironia, e ele me dizia que o brasileiro não é capaz de compreender textos irônicos, em geral. Discordei dele, e disse que, para provar meu ponto, escreveria um texto com muita ironia que seria amplamente compreendido. Ele poderá alegar, depois, que um parágrafo introdutório alertando que se trata de ironia não vale, significa roubar no jogo. E ele estará errado, claro! Mas vamos em frente…

Leio hoje a reportagem sobre o apartamento triplex do ex-presidente Lula, que finalmente ficou pronto no Guarujá. A construtora foi a OAS, aquela acima de quaisquer suspeitas cujo sócio chegou ao ranking de bilionários da Forbes de forma meteórica por puro mérito e competência. Obras como a reforma do Maracanã, que por acaso custavam dois estádios novinhos em folha, ajudaram, mas tudo pela eficiência da empresa.

Outro envolvido na construção do prédio em que Lula poderá desfrutar de sua cobertura triplex foi João Vaccari Neto, atualmente tesoureiro do PT. Ele era, à época do contrato, o presidente da cooperativa Bancoop, a responsável pela empreitada. Teve problemas na Justiça por conta dessa cooperativa, e hoje está no epicentro do furacão no esquema do petrolão, acusado de desviar 3% dos investimentos da estatal para seu partido. Tudo intriga da oposição, claro.

Quando juntamos Lula, Vaccari e OAS, claro que teremos só coisa boa. Ninguém tem motivo algum para desconfiar da honestidade dos envolvidos. Por pura sorte, portanto, o prédio com o triplex de Lula ficou pronto, enquanto três mil pessoas aguardam na fila por suas unidades compradas pela Bancoop. O fator sorte sempre foi preponderante na vida de Lula, e é absurdo desconfiar de qualquer favorecimento.

O triplex de Lula está avaliado entre R$ 1,5 e 1,8 milhão, segundo imobiliária especialista na região. Não é a casa oficial do ex-presidente, e sim seu apartamento de veraneio, para degustar das férias e do verão paulista. Justo. Um homem do povo que sempre combateu a ganância alheia, que lutou com afinco para enfrentar o grande capital e distribuir riqueza, um ícone da esquerda igualitária, enfim, tem todo o direito de gozar de seu cantinho humilde agora, como recompensa por seus esforços altruístas.

Gananciosos são os outros! E aqui não serei covarde de me excluir da lista. Mea culpa! Eu trabalhei no mercado financeiro por muitos anos, ambiente extremamente competitivo e ambicioso. Abandonei-o e com isso a chance de ganhar milhões ainda jovem, para fazer o que gosto mais, que é escrever e defender o liberalismo, o capitalismo, a virtude da ganância alheia.

Sim, é verdade que ganho, hoje, bem menos. Mas como não me ver como um ganancioso insensível, quase um porco capitalista? Não tenho um triplex no Guarujá, é verdade. Mas perto de Lula, homem de esquerda, camarada de Fidel Castro (amém!), sinto-me até envergonhado por toda a minha ambição insensível…

Outra coisa que chama a atenção na direita, ou seja, todos que criticam o PT, é o ódio. “O João Vaccari Neto, que está sendo processado por estelionato, é o responsável por esse pesadelo dos associados da cooperativa dos bancários. O mínimo que pode lhe acontecer é a cadeia”, diz Marcos Sérgio Migliaccio, presidente da Associação das Vítimas da Bancoop, que esta semana entregou ao Ministério Público Federal (MPF) um documento relacionando o caso Bancoop com a Lava-Jato.

Por que tanta raiva no coração? Desejar a cadeia como destino de alguém? O PT não é assim. Os petistas querem apenas o bem dos demais, especialmente dos pobres, e por isso acham normal Lula ter conseguido seu triplex enquanto milhares aguardam na fila. É porque Lula é o representante dos pobres. Ele receber seu imóvel significa milhões de pobres recebendo imóveis!

A “cooperativa habitacional dos companheiros do PT”, como a Bancoop é chamada por adversários, foi fundada em 1996 tendo o ministro das Relações Institucionais do governo Dilma Rousseff, Ricardo Berzoini, como diretor técnico, e João Vaccari Neto como diretor do conselho fiscal. Nos anos 2000, passou a ter oito mil associados, dos quais três mil ainda não receberam seus apartamentos. Isso levou João Vaccari Neto a ser denunciado por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Novamente: tudo intriga das elites insensíveis.

O ex-presidente Lula fez até um espaço gourmet em seu triplex, que conta também com elevador privativo só para a família. Posso imaginar Lula comendo moluscos e bebericando um Romanée-conti, vinho fino que não sai por menos de R$ 7 mil a garrafa, diante da praia do Guarujá, ponto nobre de São Paulo. Tudo isso enquanto reflete sobre sua importância no combate às desigualdades. Lula merece ser reconhecido como um homem do povo.

A ganância que merece condenação é a dos outros, a daqueles capitalistas insensíveis que criam riqueza e empregos com seus negócios ambiciosos em vez de entrarem para a política para distribuir o dinheiro dos pagadores de impostos. O que seria dos pobres sem Lula? Talvez, no caso desses três mil, pessoas com um imóvel. Mas e os outros milhões todos? Não adianta: quem critica Lula pela suposta contradição entre discurso e prática é um invejoso, um pé-rapado que gostaria de ter um triplex na praia para curtir o verão e não tem. Enfim, um ícone da elite branca insensível.

E com isso encerro meu texto, cuja ironia sem dúvida foi compreendida por todos sem necessidade alguma de alerta. Talvez alguns petistas não tenham entendido, e com isso chegaram a vibrar de emoção por terem “até aquele liberal da Veja” concordando com seu ponto de vista. Não é que os petistas sejam menos inteligentes, claro. É apenas que sua inteligência está num patamar diferente. Mas, por via das dúvidas, ainda marquei lá em cima o texto como “humor”, para garantir.

PS: Não deixem Guilherme Boulos, o líder do MTST, saber desse triplex de Lula, pois lá cabem várias famílias “sem-teto” e o rapaz pode ter ideias igualitárias chocantes que deixariam Lula estarrecido…

Rodrigo Constantino

 

 

O Foro de São Paulo vem aí! E em nome da democracia…

Dilma ao lado do bolivariano Rafael Corrêa, do Equador

Sei que escrevo o texto num sábado à noite, ou seja, “lá vem aquele liberal chato atrapalhar minha diversão”, você pensa, e com todo direito. Mas o que posso fazer se leio certas notícias que precisam ser comentadas? Melhor falar logo do assunto, pois você ainda encontra um pretexto para tomar aquela “birita” e afogar as mágoas.

Os países emergentes vivem uma leve crise, como alguns sabem. Na verdade, alguns países, especialmente aqueles que dependem mais de petróleo ou que gastaram por conta na era da bonança, sob governos populistas. E rolou nos últimos dias, como o leitor talvez saiba também, a reunião da Unasul, aquele grupo que congrega os países membros do Foro de São Paulo.

Nossa ilustre “presidenta” foi lá, claro, e levou uma mensagem de esperança – para os tiranos e populistas, que fique claro. Dilma propõe que esses países se unam para enfrentar a “crise internacional”, que os países asiáticos ou mesmo os Estados Unidos não tomaram ainda conhecimento.

Esses países deveriam criar projetos comuns de infraestrutura e preservação da estabilidade democrática na região. Isso mesmo, o leitor leu certo. Dilma, do PT, em Quito, no Equador, falando ao lado de governantes de países como Venezuela e Argentina, recomenda esforços conjuntos para preservar a democracia na América Latina. Os bajuladores de Fidel Castro!

Dilma propôs uma Unasul “renovada, fortalecida e atuante”, com o objetivo de consolidar a América do Sul como “exemplo de paz, de união, em um mundo cada vez mais conturbado pelas incertezas de ordem política e econômica”. Perguntar não ofende: a “paz” venezuelana seria algum tipo de benchmark para o grupo?

Isso, não custa lembrar, após Dilma chegar ao Equador sob acusações de ter perdido o interesse pela Unasul, criada pelo próprio Brasil do PT. Imagina se Dilma e o PT ainda tivessem interesse nesse grupo de bolivarianos! Que tipo de discurso faria a presidente?

Ao final de sua fala, Dilma, mesmo “sem interesse”, fez referência à metáfora futebolística do secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, que quando esteve no Brasil disse que se sente “jugando de local” (jogando em casa, em português) quando visita o país. “E quando viajamos pelo continente, como é o caso de hoje, sempre ‘jugamos de local’”. concluiu. Estava no Equador, só para constar.

O ex-presidente Lula esteve lá também discursando, e ligou a metralhadora giratória contra os Estados Unidos, o vilão preferido dos idiotas latino-americanos. “Alguns países precisaram ser refundados”, declarou Lula, valendo-se de um termo caro aos líderes alinhados ao bolivarianismo – além de Chávez, o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa.

Lula sugeriu a criação de tribunais internacionais regionais que resolvam questões do subcontinente: “Não faz sentido que, em pleno século 21, um conflito entre dois países da América do Sul seja dirimido em um tribunal de Haia e que tenha que recorrer à OEA”, afirmou.

“A integração não é um problema e sim parte da solução”, frisou Lula. Ele acrescentou que quanto mais os países se integram “melhores serão as condições para se enfrentar e superar as crises”. Por isso, reivindicou que parlamentos criem mecanismos especiais mais ágeis para concretizar os acordos internacionais.

Apertando a tecla SAP para os mais desatentos: o Brasil, sob o comando do PT, segue na trajetória definida pelo Foro de São Paulo, de fortalecer os laços com os regimes opressores chavistas, criando um grande bloco bolivariano no continente. É de tirar o sono dos legítimos democratas, não é mesmo?

Agora pode curtir seu sábado à noite em paz, caro leitor…

Rodrigo Constantino

 

 

Lugar de Sininho é atrás das grades

A “ativista” Elisa Quadros, mais conhecida como Sininho, está foragida. Seu mandado de prisão foi expedido após ficar claro que havia desrespeitado a medida cautelar que a proibia de participar de novos protestos. A paixão revolucionária falou mais alto. A inclinação à delinquência foi forte demais.

O desembargador Siro Darlan vai avaliar agora o novo pedido de habeas corpus, e enviou um pedido de explicações ao juiz titular da 27ª Vara Criminal, Flávio Itabaiana, antes de julgá-lo. De acordo com a investigação da Polícia Civil, no dia 15 de outubro, Sininho e seus comparsas estiveram em um protesto na Cinelândia, em frente à Câmara de Vereadores. A reportagem do GLOBO refresca nossa memória:

Quando deixou o presídio em Gericinó, no dia 24 de julho deste ano, Sininho e outros ativistas agrediram jornalistas. Ela estava presa juntamente com Camila Jourdan, coordenadora do programa de pós-graduação em filosofia da Uerj, e Igor D’Icarahy no complexo penitenciário. Na ocasião, cerca de 30 manifestantes que aguardavam do lado de fora atacaram repórteres que cobriam a saída dos ativistas. Houve reação, e uma briga generalizada tomou conta da rua em frente ao presídio. A situação só se acalmou quando os três acusados foram embora.

Na mesma noite em que deixou a prisão, Sininho voltou a se envolver num caso de polícia. Ela e uma amiga, identificada como Camila, que seria advogada, foram acusadas de terem agredido fisicamente Joia Sangenis, de 58 anos. A confusão aconteceu quando um grupo, em que estava Sininho, comemorava a libertação num restaurante na Cinelândia. Joia, que registrou queixa de lesão corporal na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), no Centro, contou que, ao chegar ao local foi acusada de delatora, o que deu início, de acordo com ela, a agressões.

Ou seja, trata-se claramente de alguém que não consegue se manter longe de confusões e respeitar as leis. Sininho já se mostrou reincidente, incapaz de agir conforme uma cidadã ordeira. Julga-se acima das leis, acha que sua “revolução” lhe concede um direito de ignorar as regras da sociedade. Delinquiu, e delinquirá novamente se permanecer solta, isso está claro. Seu lugar é na prisão, para garantir mais paz e ordem aos trabalhadores deste país e para proteger nosso patrimônio público.

PS: Um amigo e leitor, que é advogado, mandou email argumentando que mantê-la presa poderia, sim, ser visto como afronta ao estado de direito, e que não existe prisão antes de sentença condenatória transitada em julgado, salvo por razões cautelares (ex: evitar que a pessoa venha a delinquir novamente, intimidar testemunhas, seja linchada, etc). Lembra, ainda, que existem outras medidas cautelares diversas da prisão e eficazes, sendo menos invasivas à liberdade das pessoas. Pode ser, e não sou da área jurídica. Meu texto focou mais no que julgo ser o lugar ideal para esta “ativista”, que já deixou claro não ter apreço pelas leis, mas claro que defendo isso com base, antes, em todo o devido processo legal a que todos devem ter direito. 

Rodrigo Constantino

 

 

“Se quiser, mato um por dia”, diz gerente do tráfico da favela da Maré

Fonte: Veja

Fonte: Veja

A Veja desta semana traz uma reportagem de Leslie Leitão importante, pois mostra como estamos distantes de uma vitória sobre o tráfico nas favelas cariocas, e que o termo “pacificação”, por enquanto, não passa de uma doce ilusão. As UPPs são apenas o primeiro passo, e não falo no sentido  de que precisamos, agora, da “UPP social”, e sim que ainda falta muito nesse primeiro estágio, que é a simples retomada do território pelo estado.

Escrevi ontem um texto com base na entrevista do prefeito Eduardo Paes na CBN, aplaudindo seu discurso de que não podemos simplificar atos terroristas contra policiais, como se fossem consequência de males sociais e de pobreza. Ninguém pega um fuzil e dispara contra policiais porque é pobre, mentalidade que representa uma afronta aos pobres do Brasil, cuja maioria é formada por gente séria e honesta.

A ousadia dos traficantes, ainda os “donos do pedaço” mesmo com a presença policial, demonstra que essa guerra ainda está no começo, infelizmente. Pela quantidade de baixas policiais, claramente há confrontos e a polícia está fazendo sua parte. Mata menos, inclusive, mas morre em maior quantidade. Quase 300 foram vítimas de balas este ano, sendo que mais de 100 morreram.

Esses policiais precisam de apoio da população, pois estão colocando suas vidas em alto risco para tentar ocupar o território e garantir alguma paz e ordem nesses locais. Fazem isso ganhando baixos salários e com armamento precário em relação ao poder dos traficantes. E ainda precisam escutar parte da elite defendendo o bandido, como se fosse “vítima da sociedade”, e acusando a própria polícia de “fascista”.

As UPPs despertaram esperança na população carioca, e até a esquerda mais radical logo percebeu que era suicídio político condená-las. No começo fizeram exatamente isso, mas a eleição para governador mostrou que esse passo está sedimentado e ninguém poderá recuar impunemente. Mas as UPPs são muito pouco ainda. Não prendem os bandidos, não conseguem ocupar para valer esses territórios, muito menos “pacificá-los”. Como mostra a reportagem:

UPP2

A declaração ousada é um símbolo do quanto o estado ainda precisa avançar para tomar de vez esses territórios. Foram décadas e mais décadas de blindagem, de isolamento, que permitiram a criação de verdadeiras fortalezas do crime. Tudo começou com Brizola, e desde então o tráfico teve toda a paz do mundo para se armar e controlar as favelas.

O momento é delicado, de teste para a política de segurança no Rio. À frente, um Secretário de Segurança que parece realmente imbuído do desejo de melhorar as coisas. José Mariano Beltrame tem se mostrado alguém diferenciado, sem ambições políticas, disposto a fazer seu trabalho com competência.

Mas a batalha está longe de ser vencida. Do outro lado, os inimigos não vão desistir facilmente do poder, e são muitos milhões de reais que fluem do tráfico de drogas, e armas pesadas que entram pelas fronteiras porosas de nosso país. A afirmação do gerente do tráfico comprova como ainda se sentem – e são – os “donos do local”.

As UPPs precisam avançar, prendendo mais marginais. Ou isso, ou “morrem na praia”, como mais uma utopia para acabar com o domínio dos traficantes nas comunidades carentes.

Rodrigo Constantino

 

 

O cientista do PT

Todos lembram da celeuma em torno do tetraplégico que daria o chute inicial na Copa do Brasil. Milhões foram gastos nas pesquisas e na divulgação, e seria um feito e tanto da medicina e da ciência, aguardado por milhões de espectadores. Mas tudo não passou de um constrangedor momento sem brilho, apagado, no canto do estádio, ao custo de R$ 33 milhões do “contribuinte”.

Por trás do espetáculo, estava o neurocientista Miguel Nicolelis. Ele tem despertado a revolta da comunidade científica ao conseguir verbas de pesquisa muito acima dos seus pares, montantes que chegam a representar metade do custo total das verbas para pesquisa do CNPq. É o que mostra uma reportagem na Veja desta semana, de Leonardo Coutinho.

Uma ONG comandada por Nicolelis arrancou do Ministério da Educação quase R$ 250 milhões com o objetivo de construir e equipar um centro de pesquisas no Rio Grande do Norte. O montante representa mais de um terço do que custou o fenomenal robô que pousou em um cometa há um mês e espantou o mundo. Coutinho conclui:

Nicolelis

Uma das marcas registradas do lulopetismo é justamente esse favorecimento dos “amigos do rei”, em detrimento ao mérito objetivo. Uma postura típica do tribalismo ou das máfias, que ajudam os seus independentemente dos resultados obtidos. Clientelismo e patrimonialismo são os termos técnicos que definem esses privilégios indevidos, em contraponto à meritocracia do livre mercado.

Nesse ambiente, mais vale ser um cientista bem relacionado, com as amizades certas, do que produzir mais resultados, ter textos mais citados nas revistas especializadas, etc. Nicolelis, nesse sentido, poderia ser visto como um “cientista do PT”, nos moldes dos já conhecidos “empresários do PT”.

Malu Gaspar, em Tudo ou nada, o livro-reportagem sobre a história do grupo X de Eike Batista, mostra como o empresário ficou obcecado com essa ideia de ser um dos “empresários do PT”, pois sabia como isso poderia lhe ajudar. Conseguiu, foi agraciado com bilhões subsidiados do BNDES, licenças mais rápidas e outros “favores”, em perfeita simbiose com o governo.

Mas Eike, como mostra Malu, também abandonou o conceito objetivo do mérito em seu conglomerado, para se cercar cada vez mais de bajuladores, de gente que o encantava por motivos banais que nada tinham a ver com o talento e o resultado nas empresas. O excêntrico chefe foi eliminando os melhores funcionários e dando mais e mais poder aos seus “camaradas”.

Agiu como um típico petista, enfim. Inclusive chegou a colocar numa diretoria um ex-funcionário público ligado ao PT, amigo de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras que foi preso e fez acordo de delação premiada para entregar o esquema de corrupção na estatal. Deu no que deu: o grupo X veio à lona. É o que se espera quando o mérito é substituído pelo tribalismo.

Rodrigo Constantino

 

 

As absurdas concessões de FHC à “presidenta”

FHC com Dilma: amiguinhos?

Em sua coluna de hoje no GLOBO, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreve logo no começo: “A reeleita possivelmente saboreie o êxito com certo amargor. É indiscutível a legalidade da vitória, mas discutível sua legitimidade. O que foi dito durante a campanha eleitoral não se compaginava com a realidade”.

Não dá para compreender esse tipo de concessão à presidente Dilma. Como FHC pode afirmar que a vitória foi legal e que isso é indiscutível, quando o povo brasileiro ainda aguarda o resultado da auditoria nas urnas eletrônicas, sob suspeita? Aliás, em que pé isso está, já que ninguém mais fala do assunto?

Como FHC pode garantir que o resultado foi legal e que isso é indiscutível, se há denúncias que apontam uso de propina no financiamento de campanha? Caso fiquem comprovadas, isso não anula a legalidade do pleito e abre inclusive espaço para um eventual impeachment?

Será que Fernando Henrique não soube do que os Correios fizeram em Minas Gerais, atuando como braço partidário do PT? E isso não coloca em xeque a legalidade da vitória? Por que, então, FHC banca o juiz de forma precipitada e oferece seu aval de que não há espaço para discussão sobre a legalidade da vitória?

Em seguida, confundindo novamente ser um cavalheiro com fazer concessões indevidas, Fernando Henrique diz que a legitimidade sim, pode ser discutida. Não pode! Aqui não há margem para dúvidas: a vitória não goza de legitimidade coisa alguma!

Afinal, que legitimidade pode ter uma vitória cuja campanha foi a mais sórdida da história, fazendo terrorismo eleitoral com os mais ignorantes e carentes, mostrando vídeos em que a comida desaparecia do prato caso os “banqueiros” fossem eleitos, espalhando os rumores de que o Bolsa Família iria acabar se o PT não vencesse?

A vitória de Dilma foi claramente ilegítima, pelo abuso da máquina estatal, pela campanha difamatória abjeta, pela compra escancarada de votos, pelo estelionato eleitoral agora evidente. Não é algo passível de discussão, ao contrário do que sugere Fernando Henrique.

Por fim, FHC aderiu de vez ao “presidenta”, algo incompreensível, e ainda afirma que Dilma é sincera, enquanto o povo brasileiro responsabiliza a presidente diretamente pelo escândalo da Petrobras, como mostra o Datafolha. Escreve o ex-presidente tucano:

“A presidenta Dilma, mulher sincera, ciosa de suas opiniões, terá condições para se transmutar em andorinha da mensagem execrada por ela e sua grei? A nova equipe econômica terá esse perfil ou se isolará no tecnicismo?”

“Mulher sincera”, diz FHC. Com base em quê? Dilma foi sincera na campanha, por acaso? Foi sincera quando tentou passar a ideia aos leigos de que era ela quem estava investigando os “malfeitos” na Petrobras? Dilma foi sincera quando respondeu com o silêncio à pergunta sobre o que achava do julgamento do mensalão? Que sinceridade toda é essa que FHC capta em Dilma?

Se é algum tipo de ironia fina do ex-presidente, acho que errou feio o alvo. Por essas e outras os tucanos são acusados por alguns de oposição covarde. Nunca vão aceitar que perderam o posto de partido de esquerda, apesar de serem exatamente isso? Vão sempre tentar ficar “bem na foto” com os petistas, que jogam sujo e fazem o “diabo” para vencer? Por que tantas concessões absurdas a quem quer te destruir?

Rodrigo Constantino

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Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

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