A bolha dos caminhões: uma crise gerada em Brasília (RICARDO GALLO)

Publicado em 05/03/2015 15:07 1896 exibições
por GERALDO SAMOR, de veja.com + blogs de veja.com.br

A bolha dos caminhões: uma crise gerada em Brasília

Ricardo GalloA insatisfação dos caminhoneiros com o Governo, que tem aumentado a temperatura política e levado a bloqueios de estradas, não tem a ver só com o diesel mais caro.

A origem do mau humor na boleia é o filho indesejado de um erro de política econômica do Governo Dilma 1, que criou uma bolha de oferta no frete ao financiar caminhões novinhos a preços de carrinho de brinquedo.

O engenheiro Ricardo Gallo, que trabalhou 19 anos no BankBoston e hoje é um gestor independente, se debruçou sobre os números do setor. Ele comparou a expansão na oferta de caminhões com o aumento do PIB do setor de transportes nos últimos anos.

A conclusão: o crédito barato do BNDES gerou um excesso de oferta de quase 300 mil caminhões — 288 mil, para ser preciso, o que equivale ao número total de caminhões licenciados no País a cada dois anos.

Foi uma brincadeira cara. Foi um negócio grosseiro.

Através de um programa de crédito barato chamado PSI, lançado em 2009, o BNDES financiava 100% do valor de um caminhão e cobrava juros fixos de 7% ao ano, a serem pagos em oito anos.

Como a inflação, na época, rodava a 5,5%, o juro real que o banco cobrava — 1,5% — era um convite ao crime, incentivando os caminhoneiros (e até quem estava fora do mercado) a fazer o investimento.

A história econômica mostra que sempre que um banco central ou Governo faz o custo do dinheiro ser artificialmente barato, ele estimula investimentos que não teriam sido feitos sob circunstâncias normais, frequentemente causando bolhas.

Entre o final de 2002 e o de 2014, a frota brasileira de caminhões cresceu de 1,54 milhão de unidades para 2,588 milhões, ou 4,4% ao ano.

No período entre 2008 e 2014, ajudado pelo PSI, o crescimento foi ainda mais impressionante: 4,9% ao ano.

Mas enquanto o Governo pisava no acelerador do crédito barato, a economia pisava no freio.

O PIB do setor de transportes cresceu só 2,4% ao ano entre 2008 e 2014, em grande parte porque tanto a agricultura quanto a indústria, as maiores demandadoras de frete, sofriam os efeitos da crise de 2008.

Se a frota nacional de caminhões tivesse crescido apenas em linha com a desaceleração do PIB do setor ocorrida a partir de 2008 (ou seja, se o Governo não tivesse oferecido o ‘anabolizante’), Gallo estima que a expansão da frota teria sido de apenas 3% ao ano, e não os 4,9% observados.

Em outras palavras: se o Governo tivesse deixado as coisas como estavam, o País provavelmente teria hoje 2,3 milhões de caminhões, em vez dos 2,588 milhões atuais.

Essa oferta só será absorvida quando a economia voltar a crescer.

Considerando os níveis atuais de licenciamento e sucateamento da frota, Gallo projeta que o excesso ainda será de 250 mil caminhões no fim de 2016, ou seja, o excesso vai cair só 38 mil caminhões ao longo de dois anos.

O caso da bolha do frete mostra uma verdade com a qual os economistas lidam no dia a dia, mas que muitos brasileiros ainda desconhecem.

Para continuar pedalando a economia e bancar o discurso de que a crise global de 2008 seria apenas uma ‘marolinha’ no Brasil, o Governo criou uma bolha que saiu cara para o contribuinte e caríssima para os caminhoneiros, agora que a ‘marolinha’ deu lugar à enchente de caminhões.

“Essa mentalidade de que o Estado consegue controlar a economia — seja via preço ou via imposto — sempre dá nisso,” diz Gallo. “Não há capacidade de planejamento que substitua o planejamento do mercado.”

“A máquina estatal pode ser uma Ferrari, mas o Governo sempre vai fazer barbeiragem. E há pouca diferença entre os partidos. Pode ser que na mão do PT a Ferrari capote mais vezes, e que talvez o PSDB só jogue o carro na árvore. Mas a solução é diminuir o tamanho do Estado: em vez de botar uma Ferrari na mão dos políticos, dá pra eles um Cinquecento! Assim, o PT vai até tentar, mas não vai conseguir capotar, e se o PSDB meter o carro na árvore, fica barato consertar.”

Por Geraldo Samor

 

Orçamento cortado

Fies: em crise

Fies: em crise

Em meio à crise do Fies, o Ministério da Educação cortou o orçamento da área responsável pelo credenciamento das faculdades que participam do programa. Tem faltado dinheiro para que os técnicos do MEC viajem aos estados e renovarem as credenciais dos cursos.

Por Lauro Jardim

 

Três piadas que resumem a Venezuela atual

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“Na verdade vesti o que tinha de mais luxuoso.”

 

Nos anos 80, cidadãos da União Soviética desenvolveram um costume prolífico de piadas sobre o comunismo. Ao ridicularizar o desabastecimento, a falta de democracia e a demora dos serviços públicos, as piadas ajudaram a dar fim ao regime comunista. Agora, como percebeu o jornalista e analista financeiro Daniel Lansberg-Rodríguez, que viveu na República Checa e hoje mora em Caracas, a mesma cultura de rir da própria desgraça se espalha pela Venezuela. Algumas das piadas que circulam entre os venezuelanos são as mesmas que os soviéticos contavam, adaptadas aos personagens locais:

 

Um inglês e um francês estão no museu, admirando uma pintura de Adão e Eva no Jardim do Éden. O inglês observa que se trata de uma paisagem tipicamente britânica, pois Adão divide a maçã com a esposa. O francês, por outro lado, a cena é claramente francesa, já que Adão e Eva estão nus. Um venezuelano que ouviu a conversa resolve se manifestar: “Desculpem a intromissão, caballeros, mas é claro que eles são da Venezuela. Não têm nada pra vestir, praticamente nada para comer e supostamente estão no Paraíso”.

*

Um garoto venezuelano chega da escola faminto e pergunta para a mãe:
- Mãe, o que tem pra comer?
- Nada, filho.
O menino olha para o papagaio e pergunta:
- Então por que não comemos o louro com arroz?
- Porque não tem arroz, diz a mãe.
- E o louro ao forno?
- Não tem gás.
- E o louro no forno elétrico?
- Não tem energia elétrica.
- E o louro frito?
- Não tem azeite.
O papagaio enche o peito e canta contente:
- Viva Chávez!

 *

Dois homens estão há horas na fila do supermercado. De repente, um deles se irrita e sai da fila. “Cansei”, diz. “Cansei disso tudo. Estou indo dar um tiro em Nicolás Maduro.” O homem vai embora, mas volta uma hora depois. “E aí, deu um tiro nele?”, pergunta o amigo. “Não. A fila para matar o Maduro está maior que esta”.

(por Leandro Narloch @lnarloch)

 

Carlos Alberto Sardenberg: ‘Nem um pedido de desculpas?’

Publicado no Globo

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

Três ministros do governo japonês caíram nos últimos quatro meses, envolvidos em denúncias de mau uso do dinheiro de campanha. A sequencia chegou agora ao primeiro-ministro Shinzo Abe, acusado de receber doações irregulares de duas companhias privadas.

Montante das doações: a espantosa cifra de R$ 14 mil. A ilegalidade apontada: as empresas doadoras haviam recebido subsídios do governo.

Se essa regra existisse no Brasil, nenhuma das empresas envolvidas na Lava-Jato poderia ter feito doações. Todas recebem financiamentos subsidiados do BNDES.

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Nova lista do Janot

Janot nova lista

Janot nova lista

Além da lista dos 54 nomes que seguiu anteontem para o STF, há uma outra relação de políticos, ex-políticos e outros personagens que têm com o que se preocupar.

Na semana que vem, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, envia ao STJ  uma outra lista de encrencados com a Lava-Jato. Desta vez, entram nela governadores (cujo foro é no STJ), ex-governadores, ex-deputados e ex-senadores; e enrolados de todos os matizes.

CUT em campanha

CUT contra o ajuste

CUT contra o ajuste

A CUT espalhou galhardetes pela Esplanada contra as medidas de ajuste fiscal de Dilma, pedindo que não se mexa nos direitos trabalhistas e pedindo mais e melhores empregos.

Não à toa, está difícil para o governo tentar convencer a bancada do PT. Ontem à noite, Aloizio Mercadante e Pepe Vargas gastaram saliva com os deputados.

 

O que os petistas fazem com Temer para afastar a ideia de impeachment

(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O vice Michel Temer, do PMDB, com Dilma em sua segunda posse: petistas esgrimem como argumento contra a ideia de um impeachment o fato de que ele seria o presidente (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O QUE OS PETISTAS FAZEM COM TEMER PARA EVITAR O IMPEACHMENT

Artigo de Paulo Moura*

O debate sobre o impeachment de Dilma chegou para ficar nas páginas da imprensa e nas redes sociais e no meio.

Inicialmente tratado com reservas quando emergiu nas manifestações de rua posteriores à vitória de Dilma, hoje o debate é visto com naturalidade. Juristas, analistas políticos, jornalistas e lideranças políticas opinam a favor ou contra, construindo o ambiente necessário para a consumação do impedimento da presidente no momento em que as condições políticas estiverem maduras para isso.

A primeira reação dos petistas e de seus porta-vozes na mídia foi primária: “é golpe!”, bradavam eles, esquecendo muito rapidamente que defenderam o impeachment do ex-presidente FHC, logo após sua reeleição e a desvalorização do Real em janeiro de 1999. Mas os defensores do impeachment nas redes sociais não perdoam.

As declarações de Lula, Tarso Genro e demais próceres do PT a favor do impedimento de FHC circulam implacavelmente pelas mídias sociais, deixando os MAV (Militância em Ambientes Virtuais) do PT sem argumentos.

No entanto, petistas nunca dão o braço a torcer. Rapidamente sofisticaram seus argumentos para dissuadir os defensores do impeachment nas mídias sociais, repercutidos na grande imprensa por ninguém menos que Luis Fernando Verissimo em artigo recente noEstadão e em O Globo.

Se os líderes do PMDB quiserem conferir a pérola do principal argumento petista contra o impeachment de Dilma, basta confirmarem presença nas centenas de páginas do Facebook que convocam pessoas para as manifestações de 15 de março.

O argumento central que o PT vem plantando na internet há cerca de duas semanas é o de que “se Dilma for impedida, Temer será presidente”. Isso mesmo, senhores peemedebistas, os petistas estão tentando convencer o povo brasileiro de que é melhor deixar Dilma no cargo, pois se ela for cassada, algo pior pode acontecer: Temer será presidente e o PMDB comandará o Brasil.

Já constatei em conversas nos meus círculos de relacionamento que o argumento tem certo apelo junto a expectadores leigos da política, que também compraram o argumento de Lula, de que a corrupção sempre existiu na política brasileira, que os petistas apenas agem como outros e que, portanto, o PT é igual aos outros. Não é verdade!

A corrupção sempre existiu e mesmo na Petrobras existia antes do governo do PT, é fato. No entanto, essa corrupção era, em parte, dirigida para bolsos privados, em parte, para financiamento eleitoral. Mesmo essa segunda finalidade dos desvios; presente em toda a máquina pública brasileira, não tinha duas características exclusivas da “corrupção petista”:

a) Ela tornou-se sistêmica; isto é, não é mais praticada pontualmente por indivíduos a serviço de interesses privados ou de partidos, mas sim, como estratégia de conquista e preservação no poder por um partido a partir de sua direção central; e,

b) A finalidade dessa corrupção não é apenas financiamento eleitoral ocasional ou a compra eventual e pontual de votos no parlamento, mas sim, a compra regular e permanente de uma maioria parlamentar a partir de uma estratégia gradual de perpetuação do poder, usando as instituições democráticas para destruí-las.

Antes de o PT chegar ao poder, o financiamento eleitoral funcionava de outra maneira, não menos imoral ou ilegal do que a atual, mas qualitativamente diferente. Ou seja, os partidos procuravam os fornecedores do setor público em busca de patrocínio na véspera dos pleitos e pediam contribuição sugerindo garantia de resultados em novas licitações.

Se o partido estava no governo, liberava pagamentos de serviços já licitados, recebendo percentuais em troca. O detentor de mandato executivo sempre concorria em vantagem pelas contribuições devido à vantagem competitiva de posse da caneta que assina “os cheques”. Mas, por precaução dos patrocinadores, a oposição sempre recebia sua parte. Com o tempo esse custo foi embutido nos preços das contratações do setor público na forma de um sobrepreço, convertendo-se em “normalidade”.

Depois que o PT chegou ao poder, tudo indica que se introduziu uma mudança de modelo, especialmente após a tentativa amadora e fracassada de comprar políticos com malas de dinheiro vivo (mensalão).

Assim, os fornecedores do setor público e tomadores de crédito dos bancos oficiais, notadamente grandes empreiteiras e os escolhidos como “campeões nacionais” abençoados com financiamentos a juro subsidiado pelo BNDES, teriam sido procurados para montar um esquema de institucionalização do sistema.

Ou seja, os tradicionais financiadores de campanhas, para serem abençoados com os resultados das licitações deveriam se organizar em cartéis para distribuir entre si as obras públicas de todo o país, e, somente venceriam as licitações se garantissem, por antecipação, o pagamento regular e periódico de “mesadas” para o PT e partidos alugados.

Igualmente, os grandes tomadores de crédito dos bancos públicos somente teriam seus financiamentos liberados mediante a garantia do pagamento dessas mesmas “mesadas”, em percentuais abatidos dos créditos superfaturados recebidos.

*Paulo Moura, professor universitário, é cientista social, consultor de comunicação e marketing político em campanhas eleitorais e analista político e de pesquisas de opinião e de mercado

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(blog de Ricardo Setti)

 

Em queda, Dilma apela ao Dia da Mulher na TV. Que tal uma grande vaia pelas janelas do Brasil?

Dilma TV

Helloooo, telespectadoras

O patriotismo é o último refúgio dos canalhas, dizia o inglês Samuel Johnson lá em 1775.

O Dia da Mulher é o último refúgio da presidente Dilma Rousseff.

Para tentar diminuir a rejeição ao seu governo, Dilma fará um pronunciamento em rede nacional de TV neste domingo, 8 de março, usando mais um repertório de embustes (como o do seu discurso na Bahia que comentei aqui). Adianto o conteúdo:

1) A expectativa de retração do PIB, segundo o boletim Focus do Banco Central, passou de 0,5% para 0,58% em uma semana, o que seria a pior recessão dos últimos 25 anos, mas Dilma prometerá um novo ciclo de desenvolvimento, com o emprego e a renda que ela foi incapaz de gerar em 4 anos.

2) O PT roubou pelo menos 640 milhões de reais da Petrobras, mas a presidente que sabia de tudo e nada fez para interromper a roubalheira defenderá um pacote anticorrupção, como se a culpa fosse das leis brasileiras e não dos ladrões que ela manteve na Petrobras.

3) O setor público fechou 2014 com saldo negativo de 32,5 bilhões de reais, mas Dilma defenderá o ajuste fiscal para reequilibrar as contas que ela mesma estourou, mostrando a importância de aumentar impostos para que o povo pague pela incompetência de seu governo.

4) Dilma afirmou em campanha que não mexeria nos direitos trabalhistas nem que a vaca tossisse, mas tentará enganar mais uma vez o povo fingindo que as mudanças nas regras de concessão de abono salarial, seguro-desemprego, seguro-defeso, pensão por morte e auxílio de doença não são a tosse a vaca (que poupará aos cofres do governo 18 bilhões de reais).

5) Por falta de dinheiro, Dilma suspendeu o programa “Minha Casa, Melhor”, destinado à compra de móveis e eletrodomésticos por parte dos consumidores do “andar de baixo”, mas a presidente exaltará as políticas sociais dirigidas para o público feminino, como se as mulheres vivessem no mundo à parte da presidente e da propaganda petista, imunes a toda a crise econômica.

Se o pronunciamento for gravado, imagino que Dilma não espancará o idioma dessa vez - só a moral, os fatos, a verdade e a história, como é costume no PT. Recomendo apenas não atirar pipoca na televisão porque, como sabem as donas de casa, o milho está muito caro.

Mas uma grande vaia pelas janelas é muito bem-vinda.

Felipe Moura Brasil ⎯ https://www.veja.com/felipemourabrasil

 

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Blogs de veja.com.br

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