PESQUISA: 87,5% dos mineiros reprovam Dilma, e 64,5% são favoráveis ao impeachment. Em Brasília, segue a OPERAÇÃO ARRANJÃO!!!

Publicado em 13/08/2015 05:50 e atualizado em 13/08/2015 06:49 487 exibições
por REINALDO AZEVEDO, de VEJA.COM

PESQUISA: 87,5% dos mineiros reprovam Dilma, e 64,5% são favoráveis ao impeachment

Minas aprova reprova 1

A petista Dilma Rousseff venceu o tucano Aécio Neves em Minas, o que, convenham, surpreendeu muita gente. A presidente está no oitavo mês de seu novo mandato. A decepção dos mineiros com o seu governo é fabulosa, a exemplo do que acontece em boa parte do país, segundo levantamento feito entre os dias 4 e 9 deste mês pelo Instituto Paraná Pesquisas, que ouviu 2.230 eleitores em 95 municípios.

Minas aprova reprova 2

Aprovam o governo da presidente 11,8% dos entrevistados, contra 85,9% que o desaprovam. As mulheres são mais duras do que os homens: 87,5% de reprovação, contra 84,2%. As pessoas entre 25 e 34 anos são as mais severas com a presidente: a reprovação atinge 89,6%. A taxa mais baixa ainda é altíssima: 78% entre as pessoas com mais de 60 anos. A rejeição nas classes A e B é maior, com 87,9%, mas não muito distante da existente na D e E: 81,5%.  Indagados sobre o impeachment, dizem-se favoráveis 64,5%; são contrários  27,5%.

Minas aprova reprova 3

Minas impeachment

Se a eleição fosse hoje, desta feita, os mineiros optariam em massa por Aécio (PSDB): ele teria 45,7% dos votos na pesquisa estimulada, contra 18,45% de Lula (PT), 16,9% de Marina (Rede); 2,8% de Eduardo Cunha (PMDB), 2,7% de Jair Bolsonaro (PP) e 1,1% de Ronaldo Caiado (DEM). Quando Geraldo Alckmin aparece como o nome tucano, fica tecnicamente empatado com Marina: 24,9% a 26,8%. Nessa hipótese, Lula fica em terceiro, com 21,2%; Cunha, com 4,6%,  Bolsonaro, com 3,5%, e Caiado, com 1,6%.

Parece que a ficha de Minas caiu. Melhor assim.

Por Reinaldo Azevedo

CONTRA O ARRANJÃO – Alô, Movimento Brasil Livre! Alô, Revoltados Online! Alô, Vem Pra Rua! Alô, decentes! É hora de cobrar Janot, Renan e ministros do TCU

É na hora de a onça beber água que se testam as convicções, inclusive a de falsas vestais que conseguem se esconder em biombos de moralidade de ocasião. Se há quem ainda não tenha entendido, então sou mais claro: ESTÁ EM CURSO UMA MEGA-ARMAÇÃO EM BRASÍLIA PARA LIVRAR A CARA DOS VERDADEIROS RESPONSÁVEIS PELO PETROLÃO E CULPAR OS SUSPEITOS DE SEMPRE E OS INIMIGOS DE ESTIMAÇÃO DA IMPRENSA.

A armação é gigantesca, bem urdida e nem sempre fácil de entender. Mas os passos estão sendo dados. Contei aqui de manhã um dos sonhos de impunidade que se desenham em Brasília:
1: Rodrigo Janot livraria a cara de Renan Calheiros, não oferecendo denúncia contra o presidente do Senado — também se safariam os senadores petistas Humberto Costa (PE) e Gleisi Hoffmann (PR);

2: Renan faria valer a sua influência no Senado para aprovar a recondução de Janot ao cargo — e alguns imbecis diriam que a troca vale a pena. Como é mesmo? Tudo pela moralidade da Lava Jato!

3: Mas não só! Renan precisa se livrar da Lava Jato porque é a nova âncora de estabilidade escolhida pelo Planalto. De quebra, ele “influenciaria” três votos no TCU, antes contrários a Dilma: Bruno Dantas, Raimundo Carreiro e Vital do Rêgo.

O primeiro passo do sonho já começa a ser realidade. O TCU já anunciou o adiamento da votação do relatório. Em tese, o governo ganhará mais tempo para dar resposta a suas dúvidas. De fato, esse é o tempo necessário da cooptação. Também se espera um abrandamento da fervura.

Leio hoje no Painel da Folha que o terrível Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que deve ser, de fato, o homem mais poderoso do Brasil, teria orientado seus seguidores a pôr Renan Calheiros na mira das manifestações. Vai ver também faço parte dessa nova conspiração… Sim, é preciso pôr Renan na mira das manifestações porque é evidente que o “arranjão Fica-Dilma” passa por ele.

Que peninha! Não combinei antes com o deputado. Não falo com ele ou com qualquer assessor seu desde o dia 13 de julho, quando concedeu uma entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan — antes ainda de Julio Camargo tê-lo acusado de ter recebido US$ 5 milhões de propina. Coisas assim são sempre comprováveis porque parto do princípio de que não existe mais sigilo telefônico (ou de qualquer naturezas) no país.

Mas não é só Renan, não! Também Rodrigo Janot deve ser alvo do interesse dos movimentos de rua que cobram a saída de Dilma. O acordão que está em curso depende também da sua participação. Ah, sim, se quiserem, merecem atenção alguns ministros do Supremo: sabem como é… São eles que aceitam ou rejeitam as denúncias oferecidas pela Procuradoria.

O jogo que se trava em Brasília é por demais óbvio, não é mesmo? Sim, claro!, podemos considerar mera coincidência que Lula estivesse discursando para as ditas “margaridas”, nesta terça, em patuscada financiada por estatais, enquanto Dilma discursava em jantar para Janot, cinco ministros do Supremo, três ministros de estado e presidentes de demais tribunais superiores.

No dia seguinte, nesta quarta, a Câmara dos Deputados foi cercada pelas ditas margaridas, como direi?, “PTeladas”, que pedem, ora vejam, a cabeça de Eduardo Cunha. Fosse porque ele está na Operação Lava Jato, também cobrariam a de Renan, Vaccari e outros. Mas não! Não estão contra ele por seus eventuais e supostos crimes, mas porque ele é, afinal, um adversário do governo.

É preciso, sim, que as ruas passem a cobrar também o procurador-geral da República. Por que não? Como sabe qualquer um que se ocupe da Constituição e da jurisprudência do Supremo, a presidente Dilma pode, sim, no mínimo, ser investigada em inquérito. Quanto ao oferecimento de denúncia, há uma controvérsia, a meu ver, sobre o nada — e bastaria, para tanto, ler o que está na Carta. Em vez disso, Janot está indo jantar com Dilma para comemorar o Dia do Advogado… Tenham paciência!

O “Arranjão” já está combinado. É preciso ver, agora, se as ruas, ao denunciar a farsa, conseguem desfazê-lo. Não é fácil. A máquina, como se nota, é poderosa e opera em várias frentes: no Legislativo, no Judiciário, no Ministério Público, no TCU, nos ditos movimentos sociais, na imprensa. Enfrentar a hegemonia que as esquerdas firmaram nesses anos não é tarefa simples.

E só para arrematar. Há muito tempo vislumbro um acordão sendo desenhado — afinal, a um analista cabe ir além do calor da hora e da simples torcida. Idiotas gritam aqui e ali. Se não o fizessem, idiotas não seriam. O tempo está se encarregando de esclarecer as coisas. No dia 22 de fevereiro, escrevi aqui:

(…)
Muito bem! O Brasil está de olho em Rodrigo Janot, procurador-geral da República. E espera-se que Rodrigo Janot esteja de olho no Brasil, mais preocupado em dar a resposta necessária à impressionante sucessão de descalabros na Petrobras do que em, digamos, “administrar” a denúncia para amenizar a crise política. Esse é, afinal, um papel que cabe aos… políticos. Sim, é preciso que a gente acompanhe com lupa o trabalho do Ministério Público Federal.

Janot andou a pensar alto por aí. E este blog revela um desses pensamentos, prestem atenção: “Passei a régua e, felizmente, Lula e Dilma estão limpos”. É? Então é hora de voltar à prancheta.
(…)
Um dos interlocutores frequentes de Cardozo, diga-se, tem sido justamente Janot. E isso não é bom. É evidente que um procurador-geral deve manter relações institucionais com o ministro da Justiça. E só! Em dias como os que vivemos, conversas cordiais entre quem investiga e porta-vozes informais de investigados não parecem constituir atitude muito prudente.
(…)
A hipótese de que o petrolão chegue à fase de julgamento como mero esquema de assalto aos cofres do país, protagonizado por empreiteiros que decidiram corromper agentes públicos, é coisa ainda mais grave do que uma mentira: É UMA CORRUPÇÃO DA VERDADE. Tal leitura busca absolver o PT de seu crime principal: O ASSALTO À INSTITUCIONALIDADE.

Por Reinaldo Azevedo

Dilma e a entrevista do SBT: erro de matemática, erro de gramática, erro factual, erro de lógica, erro de edição…

Quer uma entrevista com a Dilma, leitor? Ligue lá no Palácio. Ela concede. Ela está doida pra falar. É a orientação que deve ter recebido de sua assessoria de comunicação.

Ontem, sem previsão na agenda — de surpresa, é mais gostoso! —, ela concedeu uma entrevista ao “Jornal do SBT”. Houve muitos momentos de humor involuntário. Os vídeos estão no Youtube. Mas há um que merece transcrição para, como se diz, entrar nos anais…

As falas seguem em vermelho. Comento em azul.

ENTREVISTADOR – O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, votou, em regime de urgência, contas de outros governos que estavam paradas havia 20 anos. Claramente, está abrindo caminho para tentar analisar as contas da senhora do ano passado. Já deixou correr prazo para pedidos de abertura de processo de impeachment. Na semana passada, na quarta-feira, quando se votou uma Proposta de Emenda Constitucional, 445 votaram a favor. Até o PT não votou com o governo. Para se abrir um eventual processo de impeachment, é preciso o apoio de dois terços dos 513 deputados, 342. Para evitar, precisa de um terço, 171 deputados. O governo tem força hoje, presidente, caso prospere essa manobra do Eduardo Cunha, para barrar uma votação de um eventual processo de impeachment contra a senhora?

DILMA – Olha, você faz vinte perguntas numa só…

ENTREVISTADOR - E peço para a senhora responder rapidinho…

DILMA – Ah, é… E pede pra mim responder rapidinho. Desigual isso…

O erro de matemática
Vamos começar corrigindo a matemática. De fato, para que se aceite a denúncia contra a presidente — ainda não é o processo de impeachment, o que é votado pelo Senado —, são necessários dois terços dos 513 deputados: 342 votos. Mas está errada a informação de que bastam 171 para barrá-lo. Obtidos os dois terços de “sim”, ainda que todos os outros 171 digam “não”, a presidente será afastada. O número seguro para Dilma é de 172 para cima.

O erro factual
Pode-se gostar ou não de Cunha, mas não houve manobra nenhuma para votar o que quer que seja. Houve apenas cumprimento do Regimento. De resto, é notório que ele segue a pauta definida pelo Colégio de Líderes. Adiante.

O erro de gramática
“Pedir pra mim responder” é, assim, um português um tanto bárbaro. Mas tudo bem. A partir de agora, nada mais vai fazer sentido mesmo. Vamos ver o que respondeu Dilma.

DILMA - Eu queria te dizer o seguinte: olha, se você olhar para o Congresso, tá?, sempre tem algumas pautas extremamente atraentes. E é compreensível porque o Congresso representa a sociedade…

NESSE PONTO, HÁ UM CORTE NA EDIÇÃO. E VOLTA O ENTREVISTADOR

REPÓRTER - Ou seja: a senhora tem força para a barrar o processo de impeachment?

É um diálogo de surdos. É provável que Dilma estivesse tentando dizer que a “pauta atraente” é aquela que concede aumentos de salário pra galera. Dado o contexto, no entanto, ficou parecendo que a governanta considera que atraente é o impeachment. O que veio depois, sabe-se lá… A resposta deve ter sido de tal sorte incompreensível ou atrapalhada que foi cortada. A pedido de quem? Também é mistério.

O fato é que, quando o entrevistador retoma, a sua fala não se encaixa no diálogo: “Ou seja: a senhora tem força para a barrar o processo de impeachment?” De onde terá tirado tal conclusão? Não dá para entender. A gente emprega um “ou seja” quando vai dizer de outro modo algo que já foi dito, para tornar a expressão mais clara. Releiam a resposta de Dilma… A ilação que faz o seu interlocutor é um absoluto despropósito, dada a omissão de parte da resposta. Adiante.

DILMA – Não! Eu não vou responder isso [se tem ou não força para barrar um processo de impeachment].

ENTREVISTADOR – Por quê?

DILMA – Eu não vou responder isso porque, quando ocorrer, se ocorrer, a gente conversa sobre. Eu não antecipo situações.

Encerro
É isso aí. Não era para fazer sentido mesmo. O negócio é ocupar espaço na imprensa, especialmente nas TVs, para espalhar a falsa informação de que um eventual processo de impedimento é golpe e rompimento das regras democráticas.

A quem Dilma convence? Dada a frouxidão da fala, nem a si mesma.

Ou seja…

Por Reinaldo Azevedo

Marcha das Margaridas – Dilma e o PT estão convictos de que os males da ilegalidade se enfrentam com mais ilegalidade

A presidente Dilma Rousseff faria um bem enorme ao Brasil e até à sua própria biografia se parasse de usar o dinheiro público para promover baixa política — já dispõe dos instrumentos institucionais de defesa — e para defender o seu partido. Tenho a impressão de que ela anda um tanto alheia à realidade e está confundindo os conciliábulos de Brasília com a vontade da população.

Voltou a passar dos limites nesta quarta. Numa solenidade de formatura de diplomatas, aludindo à possibilidade do impeachment, diz que o Brasil só será respeitado se respeitar o resultado das urnas.

É um primado óbvio, verdadeiro em si, para uma questão falsa. Vamos adaptar o bom princípio à realidade em curso: o Brasil só será respeitado se respeitar as leis democraticamente pactuadas. Entre estas, estão aquelas que depõem a presidente da República caso ela cometa uma ou mais de uma série de transgressões. Elas estão previstas na Lei 1.079 e no Código Penal e têm prescrição constitucional.

Assim, minha cara presidente, no caso em tela, a depender do que se queira dizer, respeitar o resultado das urnas pode significar fazer um pacto com a ilegalidade. Sou mais claro caso o sentido lhe pareça obscuro: caso se considere que a senhora cometeu crime de responsabilidade — eu, por exemplo, acho isso evidente —, respeitar a vontade das urnas (uma vontade que já não existe mais, diga-se) corresponde a respeitar o espírito das leis que abriga essas urnas. E a senhora tem de ser afastada. Caso fique claro que cometeu crime eleitoral, sua diplomação será cassada, com a consequente perda de mandato.

Urna não é tribunal de absolvição e não dá o direito ao governante de fazer qualquer coisa. GOVERNOS SÃO ELEITOS, MINHA SENHORA, NA DEMOCRACIA, PARA RESPEITAR AS LEIS.

Verga, mas não quebra
Dilma, a ex-seguidora de Lênin, compareceu à Marcha das Margaridas “PTeladas”, uma patuscada de esquerda, realizada com dinheiro público: R$ 400 mil da CEF, R$ 400 mil do BNDES e R$ 55 mil da Itaipu Binacional.

Não citou Lênin, embora o espírito, digamos, armado se fizesse ali presente. Preferiu citar o cantor e compositor Lenine e declamou: “Em noite assim como esta / eu cantando numa festa / ergo o meu copo e celebro / Os bons momentos da vida / e nos maus tempos da lida / eu envergo mas não quebro”.

Eu sempre fico muito constrangido em momentos assim; sinto a tal vergonha alheia. Dilma deveria é ter senso de limite e se poupar, e nos poupar, de comparecer a um evento claramente manipulado, com financiamento oficial. Na prática, os cofres púbicos financiam um ato de propaganda política e pessoal da presidente. É o petrolão por outras vias, com menos dinheiro.

Ora, Dilma foi fazer proselitismo entre as tais “Margaridas” no dia seguinte à intervenção de Lula, depois de as ditas “agricultoras” terem pedido a cabeça de Eduardo Cunha (PMDB-RS), o que fizeram, também isso!!!, com dinheiro da população. Cadê o Ministério Público Federal? Respondo: tinha sido jantado na noite anterior pela própria presidente, na figura de Rodrigo Janot, que participou do beija-mão palaciano.

Não percamos isto de vista: sob o pretexto de combater golpismo e ilegalidade, Dilma cometeu uma ilegalidade com vistas a um golpe: impedir o livre e claro exercício da Constituição e das leis.

É claro que um é acinte Dilma comparecer a um evento com as características que teve a tal marcha. Tocqueville dizia que os males da liberdade se combatem com mais democracia. Dilma e o PT estão convictos de que os males da ilegalidade que eles cometem se enfrentam com mais ilegalidades.

Por Reinaldo Azevedo

A diferença entre a Marcha das Margaridas e o petrolão é só de valor, não de essência

Em que outra democracia do mundo, pergunto, dinheiro de empresas públicas financiaram um ato cujo propósito é pedir a cabeça do presidente da Câmara dos Deputados, o segundo na linha sucessória, presidente à parte?

Ah, mas os nossos queridos colunistas “progressistas” se dedicam a transformar Eduardo Cunha na besta-fera do país. Porque ele foi acusado de envolvimento com a lambança? Não! Fosse assim, também pediriam a cabeça de Dilma, não é mesmo?

A Marcha das Margaridas se transformou num ato industriado contra o deputado Eduardo Cunha e, como Lula deixou evidente na noite de ontem, trata-se apenas de um dos braços do petismo operando.

E, vocês poderão constatar, quase não haverá protesto de ninguém. Menos ainda na imprensa. Afinal, querem coisa mais natural do que braços do Executivo financiarem um movimento que cerca o Congresso e pede a cabeça de um dos dois comandantes do outro Poder? Não pediram a de Renan. Curioso…

Sabem a diferença entre a roubalheira do petrolão e o financiamento oficial das Marcha das Margaridas? É só de grau, é só de valor, é só de grana. Do ponto de vista moral, o lixo é o mesmo: é o dinheiro público financiando uma máquina partidária.

Por Reinaldo Azevedo

 

Ora vejam! De ferrenho opositor da recondução de Janot à Procuradoria, Renan passa a entusiasta. O que mudou?

Opa! “Parem as máquinas”, como se dizia antigamente! Por que eu realmente não estou surpreso, e igualmente não estão os leitores deste blog? Então o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que, até outro dia, estava inclinado a criar embaraços para pôr em votação a recondução de Rodrigo Janot à Procuradoria-Geral da República, decidiu, agora, acelerar o processo?

Eita!

Nesta quarta, também ficamos sabendo que o TCU resolveu dar mais um prazo para a votação das contas de Dilma. A manobra nasceu justamente no Senado. Um parlamentar da base, do PSD, partido do ministro Gilberto Kassab, resolveu que tinha duas outas dúvidas sobre as contas… O esforço oficial é empurrar essa votação com a barriga o máximo possível.

Noticiei ontem aqui o sonho de impunidade que se sonha em Brasília. Segundo a narrativa, Rodrigo Janot não oferece denúncia contra Renan Calheiros — ou oferece uma bem fraquinha, do tipo que não pode ser aceita pelo Supremo —, e o agora novo condestável da República fica livre do peso do petrolão, à diferença de seu congênere na Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cada vez mais hostilizado pelo governo.

Agora, até a Caixa Econômica Federal, o BNDES e Itaipu financiam protestos contra o deputado.

Renan está tão confiante no futuro que se ofereceu para ser uma espécie de primeiro-ministro, com uma tal pauta da governabilidade e de retomada dos investimentos. Joaquim Levy fingindo ontem que se trata de algo realmente importante chegou a ser patético. É só espuma mesmo, como definiu Cunha. Mas, como vimos, faz barulho. Renan parece vislumbrar uma longa estrada adiante.

O presidente do Senado tem alguns trunfos que a muitos interessa. Exerce inequívoca liderança na Casa e pode, sim, ser definidor na aprovação ou reprovação do nome de Janot. Também é ouvido com carinho por pelo menos três ministros do TCU que tendiam a votar contra as contas de Dilma: Raimundo Carreiro, Bruno Dantas e Vital do Rêgo. Todos já entenderam a natureza do jogo, não? Se o TCU recusar o relatório de Augusto Nardes e recomendar, então, a aprovação das contas de Dilma, é evidente que o impeachment fica um pouquinho mais distante.

Vejam como são as coisas. Escrevi aqui ontem de manhã que se sonhava em Brasília o tal sonho da impunidade, com as características dadas. De lá pra cá:
a: TCU adiou a votação do relatório de Nardes;
b: Renan passou de opositor a entusiasta da recondução de Rodrigo Janot à Procuradoria-Geral da República.

Janot é aquele procurador-geral que, em vez de denunciar Dilma (sim, ele pode!) ou, ao menos, pedir a abertura de inquérito, conforme autoriza jurisprudência do Supremo, prefere ir jantar com a presidente para comemorar o “Dia do Advogado”.

Sem contar, não é?, que a oposição aguarda desde o dia 26 de maio, há quase três meses, que ele responda ao pedido de abertura de uma ação contra Dilma com base no Artigo 359 do Código Penal.

O que falta ao procurador? Tempo? Mão de obra? Disposição?

Por Reinaldo Azevedo

 

PT NA LAMA – Deputado que é Secretário de Comunicação do partido pede cabeça de jornalista a seu patrão e ataca até a aparência física de quem o contesta

José Américo

Há coisas realmente espantosas. O jornalista Fábio Pannunzio, da Band, tem um blog. É dele, não está nem mesmo hospedado nas páginas da emissora. No dia 6, escreveu um post anunciando o óbvio: o panelaço que certamente serviria de trilha sonora, como serviu, ao programa do PT no horário político.

Pois não é que o deputado estadual petista José Américo (foto) resolveu, acreditem!!!, denunciar Pannunzio à Rede Bandeirantes, pedindo, sabe-se lá com base em quê, a sua cabeça? Isto mesmo, leitor: este nobre parlamentar, UM EX-JORNALISTA, pede ao patrão a cabeça de um trabalhador! A abjeção a que chegou esta legenda e seus próceres não tem fundo. Só fundos.

No Facebook, muita gente protestou contra a atitude fascistoide de Zé Américo. Sabem o que ele fez? Saiu xingando todo mundo de um modo realmente espantoso. A um interlocutor, que se identifica como “Stefano di Pastena”, ele escreve, com desdém:
“Alguém já te disse que você tem características físicas curiosas. Bem, não vou falar pois não quero me associar a preconceitos… Mas você… rs…

E lê a seguinte resposta:
“Características físicas, a gente não escolhe, você sabe, mas ser petista, mau-caráter, defensor de bandidos é uma escolha de vagabundos da sua laia”.

Ah, sim: José Américo é Secretário Nacional de Comunicação do PT. Ocupa o cargo que já foi do atual presidiário André Vargas, que costumava ter idêntica delicadeza com jornalistas dos quais não gostava. Abaixo, imagem das baixarias de Zé Américo e, na sequência, o post que Pannunzio publicou em seu blog.

*

Pannunzio blog

Pannunzio blog imagem 2

O secretário nacional de comunicação do PT definitivamente pirou. Desde ontem, o deputado Zé Américo se dedica a xingar, afrontar e maldizer todos aqueles que criticaram sua tentativa de intimidar o editor destas linhas com um sugestivo pedido de corte de cabeça feito via Facebook.

“Babaca”, “retardado” e “analfabeto” são algumas das aleivosias que o parlamentar tem postado em seu perfil em resposta aos comentários de leitores de sua própria página que censuraram seu gesto.

O problema começou no último dia 6, quando Zé Américo decidiu ‘dedurar’ para a direção da Rede Bandeirantes que eu estava “convocando” o panelaço no Blog do Pannunzio. O blog é meu espaço de manifestação pessoal, assim como minhas páginas no Facebook, e os conteúdos que produzo para essas plataformas nada têm a ver com minhas funções dentro da Band.

Não houve convocação alguma — apenas a predição de que o panelaço fatalmente ocorreria porque o partido ocupou uma rede nacional de televisão para não dizer absolutamente nada de novo sobre os assaltos praticados por colegas de legenda de Zé Améico. A mensagem petista foi veiculada no mesmo espaço em que fiz minhas observações.

Denunciei a empreitada macartista. Não transijo com gente que dedura jornalistas a seus chefes na expectativa de com isso neutralizar críticas. É o caso desse deputado Zé Américo — curiosamente, ele próprio um ex-jornalista que achou mais fácil ganhar a vida como político do que como repórter ou redator.

Deve ser mais fácil mesmo. Mas eu tenho que defender a escola dos filhos e o supermercado do mês numa redação, e não respeito quem quer me roubar o sustento ganho dura e honestamente.

O post dedo-duro recebeu dezenas de comentários condenando o comportamento head-hunter de Zé Américo. Na manhã desta quarta-feira, cada um dos leitores de sua página que criticaram seu comportamento execrável recebeu um descompostura. Os termos bem poderiam ser enquadrados como  pornográficos caso não revelassem o fascismo encarnado no chefe da comunicação social petista.

Perante o leitor Stéfano di Pastena, Zé Américo assume seu lado lombrosiano: “Não quero criticar suas características físicas”, vitupera o nada nobre parlamentar, aparentemente sem atentar para o fascismo de sua canhestra observação.

O deputado segue destilando o ódio contra a jornalista Paula Azzar, cuja afinidade com a língua pátria é questionada num texto cheio de problemas de pontuação: “Aprenda a escrever… Colocar vírgulas se aprende no ensino fundamental… Com estas limitações, duvido que você consiga realizar algo no jornalismo… Aprenda a escrever….“, respondeu o deputado, que aparentemente não sabe quando o uso de reticências é correto ou não.

Para Marina Villas Bôas, o veneno do preconceito falou mais alto do que recomendaria o decoro parlamentar. “Você tem limitações mentais ou estudou pouco?”, escreveu o deputado, relacionando crítica política com supostos problemas mentais, no melhor estilo do regime stalisnista, que mandava os opositores para hospícios e gulags.

Pior ainda foi a tréplica à crítica do leitor Márcio Leal. “Sua cara é de retardado. Você ja fez exame de QI? Faça um. Eu duvido que você atinja o nivel da normalidade”, cuspiu Zé Américo, numa frase chula e sem acentos.

Os destemperos do chefe da comunicação petista podem ser vistos em sua página no Facebook. Basta clicar aqui para conferir. Não se assuste com a baixaria. O que está escrito ali e assinado pelo deputado é apenas a essência do que vai dentro da cabeça desse aberrante parlamentar, que não tem a mínima ideia do que é respeitar seus contendores e se comportar em espaço públicos.

Agora, sou eu quem diz: eleitores desse crápula, vejam bem quem vocês mandaram para o parlamento e… Cortem sua cabeça na próxima eleição!

Por Reinaldo Azevedo

 

TCU acusa sobrepreço de 114% em parte da obra tocada pela Camargo Corrêa em Abreu e Lima

Leiam o que informa a VEJA.com. Volto no próximo post.
O Tribunal de Contas da União (TCU) detectou sobrepreço de 673 milhões de reais nas obras das unidades de coqueamento retardado da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, tocadas por um consórcio integrado pela empreiteira Camargo Corrêa, investigada na Operação Lava Jato, e a CNEC Engenharia.

Os auditores do tribunal analisaram itens que custaram 1,4 bilhão de reais à Petrobras. O valor inflado irregularmente corresponde, portanto, a quase a metade dos componentes, que poderiam ter saído a 785 milhões de reais para a estatal. O contrato e seus 16 aditivos alcançaram, no total, 3,8 bilhões de reais.

Conforme o grupo de componentes analisado, o tribunal detectou que o sobrepreço chegou a até 174%. Em seu voto, o ministro Benjamin Zymler destacou que os porcentuais excedem – e muito – os valores por ora apurados na investigação do esquema de corrupção da Petrobras.

“Na Lava Jato, é dito e repetido que as propinas corresponderam a 1%, 2%, 3% dos contratos. Estamos falando de 114%. Os números são muito maiores que esses absurdos números que nos causam perplexidade. Muito provavelmente vão superar a casa de dezenas milhões de reais”, comentou.

A auditoria do TCU foi possível a partir do compartilhamento de informações da 13ª Vara da Justiça Federal no Paraná, que conduz as ações da Lava Jato na primeira instância. O tribunal analisou os contratos e cruzou informações com as notas fiscais apresentadas pelas empresas.

Em decisão aprovada nesta quarta-feira, o TCU instaurou uma Tomada de Contas Especial (TCE), procedimento legal que permite ao setor público identificar responsáveis por danos ao erário e buscar o ressarcimento.

Por Reinaldo Azevedo

 

Empreiteiras saem de Angra 3 – Ou: O “cartel” e a forma como opera uma estatal

Ai, ai… Vamos lá. A Odebrecht, a Queiroz Galvão e a Camargo Corrêa anunciaram que estão fora do Angramon, o consórcio que toca a usina nuclear de Angra 3. Motivo: falta de pagamento. Pertencem ainda ao Angramon a Andrade Gutierrez, a UTC Engenharia, EBE e Techint, todas elas, as que saem e as que ficam, investigadas na Operação Lava Jato. Também a estatal Eletronuclear está na mira.

Bem, já se viu muita coisa acontecer, mas costuma ser raro que uma empreiteira trabalhe sem receber, não é mesmo? Dada a forma como se desenvolve a apuração, não há como manter projetos dessa natureza. Essa e outras obras tendem a parar. “Ah, então, vamos acabar com a Lava-Jato…” Quem disse? Não precisa. Talvez seja o caso de buscar uma saída que preserve o interesse do país e, ao mesmo tempo, não condescenda com lambanças. No ritmo em que as coisas vão, a paralisia é certa.

Esse caso, aliás, é emblemático do que está em curso e também de alguns equívocos influentes. Dois consórcios chegaram ao fim do certame: o Una 3 — formado por Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa e UTC — e o Angra 3, composto por Queiroz Galvão, EBE e Techint.

Por enquanto, nem vou entrar no mérito se houve ilegalidade ou não. Comecemos pela informação objetiva: os dois consórcios de juntaram num só, o Angramon — e notem que as três empreiteiras que anunciaram a desistência não estavam no mesmo grupo original.

Segundo um delator da Camargo Correa, as empresas combinaram que o Una 3 apresentaria um preço menor, mas depois abriria mão de um dos dois lotes de obras em favor do grupo adversário. Por isso, todas elas estão também sendo investigadas no Cade por suposta formação de cartel.

Então tá bom! Digamos que assim tenha sido mesmo; digamos que elas tenham se articulado para combinar e fraudar preços e para distribuir a obra entre os integrantes dos dois grupos. Se assim foi, cabe a pergunta: por que a Eletronuclar aceitou o jogo? Foi vítima de um tal “cartel” ou parceira e promotora, então, de uma partida que poderia ser de cartas marcadas?

Será que os dois grupos meteram o pé na porta da Eletronuclear e disseram: “Viemos aqui pagar propina. Ou vocês aceitam ou nós os denunciaremos como honestos”? Não parece que tenha acontecido assim, não é?

O fato ocorrido em Angra 3 evidencia a forma como opera o pantagruélico estado brasileiro. Algo assim não aconteceria na inciativa privada. É simples. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Lava-Jato tem de contratar assessoria técnica para não correr o risco de premiar bandidos que merecem punição extra por mentir à Justiça

Pois é… O TCU anuncia uma coisa preocupante. Escandalosamente preocupante. Capaz de reordenar, a ser verdade e a se tomar como medida das coisas, o que se sabe do petrolão até aqui. A ser como diz o TCU, as próprias delações premiadas teriam de sofrer, vamos dizer assim, ao menos uma correção de valores. A que me refiro?

O tribunal detectou um sobrepreço de 114% em obras nas unidades de coqueamento retardado da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tocadas pela Camargo Corrêa. Este nome esquisito, leitor — “coqueamento retardado” —, indica uma das etapas de tratamento de resíduos do refino de petróleo. Se vocês quiser saber mais a respeito, clique aqui.

No lote de preços analisados, o que deveria ter custado, segundo o tribunal, R$ 785 milhões acabou saindo por R$ 1,4 bilhão. O contrato total e seus 16 aditivos custaram R$ 3,6 bilhões. Abreu e Lima, como todos sabem, é uma evidência do desastre de administração, de planejamento, de ética, de vergonha na cara — e o que mais quiserem — que marcou a gestão petista. A obra, orçada inicialmente em US$ 2,5 bilhões, já custou mais de US$ 20 bilhões. Se o TCU estiver certo, a gente pode entender por quê.

A fala do ministro Benjamin Zymler é eloquente e vai ao ponto: “Na Lava-Jato, é dito e repetido que as propinas corresponderam a 1%, 2%, 3% dos contratos. Estamos falando de 114%. Os números são muito maiores que esses absurdos números que nos causam perplexidade. Muito provavelmente, vão superar a casa de dezenas milhões de reais”.

Sim, com alguma frequência, estamos tomando as palavras e as cifras reveladas por criminosos, tornados delatores premiados, como se fossem a última expressão da verdade. Só que pode não ser bem assim, não é mesmo? Vejam o conjunto da Abreu e Lima como exemplo. Se o TCU não cometeu nenhum erro grosseiro de conta, calculem a quanto chegou a roubalheira.

Pois é… Um dos chefões no processo de construção de Abreu e Lima foi o delator premiadíssimo Paulo Roberto Costa. A informação original dos tais 1%, 2% ou 3% de sobrepreço, que depois virariam propina, é dele. Será isso mesmo?

Embora ocupasse, tudo indica, na estrutura criminosa um papel muito mais importante do que Pedro Barusco — mero gerente — há uma gigantesca desproporção entre o que cada um desses dois bandidos premiados vai devolver aos cofres públicos: Costa, apenas R$ 70 milhões; Barusco, US$  97 milhões. Vocês atentaram, não é?, para a diferença das moedas.

Parece-me que a Operação Lava-Jato deveria contratar assessoria técnica para refazer algumas contas. Ou vai acabar premiando bandidos que merecem punição extra por mentir à Justiça em busca de benefícios.

Por Reinaldo Azevedo

Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo, veja.com

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.

0 comentário