Mônica Moura está solta, e o PT e Dilma estão em pânico (REINALDO AZEVEDO COMENTA)

Publicado em 01/08/2016 11:08 e atualizado em 01/08/2016 20:28
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É evidente que o juiz Sergio Moro só mandou soltar a mulher de João Santana porque suas informações foram consideradas úteis ao avanço da investigação (no blog de Reinaldo Azevedo, em VEJA.COM)

Quem não deve estar nada satisfeita é Dilma Rousseff, a virtual presidente impichada e real ex-presidente do Brasil. O juiz Sergio Moro mandou soltar Mônica Moura, mulher do publicitário João Santana, mediante pagamento de uma fiança de R$ 28 milhões. Segundo seu advogado, Fabio Tofic Simantob, Moro entendeu que não existem mais motivos para manter a prisão preventiva.

Bem, vamos botar os pingos nos is.

Segundo o Artigo 312 do Código de Processo Penal, há quatro razões para manter alguém em cana preventivamente:
a: para garantir a ordem pública;
b: para garantir a ordem econômica;
c: por conveniência da instrução criminal;
d: para assegurar o cumprimento da lei penal.

Traduzamos os itens “a” e “b”: a pessoa é mantida presa porque se reconhece a existência de evidências de que reúne todas as condições de cometer novos crimes e, dado o conjunto da obra, vai fazê-lo.

O item “d” significa, na prática, risco de fuga. Ora, o casal estava em viagem e voltou ao Brasil sabendo que a Polícia Federal aguardava a dupla. Então não é o caso.

E o item “c” quer dizer risco de comprometer provas ou intimidar testemunhas. Ministério Público e PF já haviam reunido sobre o casal material suficiente.

O que isso tudo quer dizer? Só uma coisa: Mônica ficou no xadrez à espera de que a ficha caísse. Só conseguiria deixar a cela se decidisse colaborar, se fizesse o acordo de delação premiada. Se, agora, está solta, então é porque as revelações que fez foram consideradas importantes e úteis ao andamento da investigação.

Isso implica ainda outro desdobramento: é sinal de que a delação de Santana também sairá em breve.

Ora, o que é que se sabe sobre as aventuras do casal? A dupla guarda os arcanos das duas campanhas de Dilma Rousseff e da segunda campanha de Luiz Inácio Lula de Silva à Presidência. Tudo parece indicar que a dupla não se limitou a receber recursos de campanha pelo caixa dois. Há a suspeita fundada de que tenha atuado como um caixa paralelo do partido.

Seja como for, Moro não teria mandado Mônica Moura para casa se ela não tivesse sido bastante convincente nos dados que revelou. E, por óbvio, espera-se que João Santana faça o mesmo. Afinal, a delação dela sem a dele não faria muito sentido, porque poderia ser apenas uma maneira de esconder outros crimes.

Vai se jogar ainda mais luz nos porões do PT.

Paulo Bernardo é denunciado; vai-se a última nau de Dilma ao sol aziago

Marido de Gleisi Hoffmann, que pretende liderar a resistência pró-Dilma, é um das 20 pessoas denunciadas pelo Ministério Público Federal na Operação Custo Brasil

Na reta final do julgamento do impeachment, mais um duro golpe contra o PT e Dilma Rousseff. Não! Não se trata de um golpe político, desses que o partido vive falsamente denunciando. Estamos a falar do golpe da realidade.

O Ministério Público denunciou o ex-ministro Paulo Bernardo e mais 19 pessoas em razão das investigações da Operação Custo Brasil, um dos desdobramentos da Lava Jato. Segundo a força-tarefa, o ex-ministro do Planejamento e das Comunicações chefiou um esquema milionário de desvios de recursos envolvendo empréstimos consignados a servidores. O centro da operação era o Planejamento, por intermédio da empresa Consist.

Bernardo chegou a ser preso, mas liminar concedida pelo Supremo mandou libertá-lo. Segundo a investigação, Paulo Bernardo foi pessoalmente beneficiado com R$ 7 milhões oriundos da sujeira.

O ex-ministro é marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ela também ex-ministra da Dilma (Casa Civil) e membro mais ativo da turma que ainda tenta resistir ao impeachment.

Como diria o poeta, com o naufrágio de Paulo Bernardo, vai-se a última nau de Dilma ao sol aziago. Acabou, né?

A queda de Paulo Bernardo não deixou de surpreender até mesmo os adversários do PT. Não que ele fosse considerado imune àquelas que sabemos práticas habituais do partido. O que causa certo espanto e o seu grau de comprometimento com a lambança, a estarem certas as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Bernardo era tido como uma espécie de reserva ética do PT, de homem comprometido com a causa pública, ainda que se pudesse discordar dele.

Pois é… PT e ética, tudo indica, são como água e óleo. Não há risco de haver mistura homogênea.

Logo Lula vai dizer que processo contra ele é um crime contra a humanidade

A sua decisão de recorrer à ONU é ridícula, mas isso não me impede de recomendar mais prudência a Sérgio Moro e aos procuradores

Ainda estava em férias quando a defesa de Luiz Inácio Lula da Silva resolveu tomar a especiosa decisão de, Santo Deus!, recorrer ao Comitê de Direitos Humanos na ONU, nada menos!!!, contra o juiz Sérgio Moro. Acusação: ele estaria violando direitos fundamentais de Lula…

Se há coisa que considero sagrada na democracia é o direito de defesa, como sabem meus leitores. Isso já me custou algumas porradas, mal-entendidos e correntes difamatórias na Internet. Fazer o quê?

Obviamente, tomo o cuidado de distinguir do ridículo este pilar do regime democrático.

Não é segredo para ninguém que já fiz, sim, críticas a um comportamento ou outro de Sérgio Moro e dos procuradores. Fiz, não me arrependo e sustento. A minha tarefa é pensar e dizer o que penso, não torcer, embora jamais tenha escondido as minhas convicções, que acabam me colocando, sim, num determinado lugar da porfia. Mas pretendo que assim seja sem perder a objetividade.

Revelo o meu ponto de vista e exponho as convicções que norteiam a minha análise porque acho que é uma questão de honestidade intelectual com o leitor.

Estive entre aqueles que consideraram, por exemplo, desnecessária a condução coercitiva de Lula. E não mudei de ideia. Cabe, no entanto, a pergunta: aquele ato em particular e todos os outros que disseram respeito ao ex-presidente feriram seus direitos fundamentais, a ponto de se ver caracterizada uma agressão aos direitos humanos?

A questão é de um ridículo sem par. Trata-se, como observou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo, nesta segunda, de uma ação meramente política. É só um recurso extremo para tentar colar em toda a investigação a pecha de perseguição política. Até porque tal comitê não tem influência nenhuma na questão.

Como lembrou Mendes e como sabemos todos, as ações do juiz Sérgio Moro estão submetidas a outras instâncias da Justiça. Ele não é a última palavra, como resta evidente. Se, e falo apenas por hipótese, os demais fóruns da Justiça estão se deixando intimidar, então Lula e seus advogados estão pondo sob suspeição o próprio Poder Judiciário.

Bem, numa das conversas telefônicas de Lula, que vieram a público, todos ouvimos o petista dizer que, a seu juízo, o Poder está acovardado. Não se acovardar, parece, corresponde a atender às demandas do PT.

Lula decidiu contratar até um escritório britânico, especializado em direitos humanos. O advogado Geoffrey Robertson aponta como um das evidências da falta de isenção de Moro o fato de o juiz ter comparecido ao lançamento de um livro sobre a Lava-Jato.

É claro que se trata de um absurdo exagero, embora eu me veja aqui compelido a sugerir a Moro que se prive de tais eventos, o que só serve para conferir verossimilhança à farsa de que tudo o que aí está não passa de uma conspiração contra o PT.

Faço, adicionalmente, uma recomendação aos procuradores, em especial a Deltan Dallagnol: esqueçam a política — e não me refiro a política partidária, é bom deixar claro! — e se dediquem a exercer plenamente as prerrogativas de que dispõe o Ministério Público, que já não são pequenas. Certas saliências que vejo por aí só servem para dar ouro aos bandidos.

É claro que a ONU não pode fazer nada por Lula, e o Babalorixá de Banânia sabe disso. O que ele tenta é provocar barulho mundo afora, colocando-se no papel de um perseguido político, o que é falso como nota de R$ 3. A gente sabe, no entanto, como são esses organismos da ONU, a maior ONG esquerdista do mundo. Para sair a qualquer momento um texto exortando a Justiça brasileira a ser isenta… E o PT, claro!, sairá por aí batendo bumbo.

Evidentemente, Lula não teve seus direitos agredidos. Isso é patacoada. Mas tal constatação não me impede de recomendar a juiz e procuradores — especialmente a estes — que busquem menos os holofotes.

Afinal, Lula está preparado para dizer ao mundo que o processo contra ele é um crime de lesa humanidade.

REINALDO AZEVEDO COMENTA OS PROTESTOS -- Os verdadeiros derrotados deste domingo

Gosto que lembrem o que escrevi em tempos em que a biruta de analistas varia conforme o calor ou clamor deste ou daquele grupos. No dia 13 de abril do ano passado, escrevi aqui um post sobre a cobertura que parte da imprensa fez do megaprotesto pró-impeachment havido no dia anterior.

Como a manifestação havia sido menor do que aquela que a antecedera, a de 15 de março, então ficou estabelecido que havia sido um parcial insucesso. Discordei da leitura e observei: “Assim, fica estabelecido, dada essa leitura estúpida, que um protesto político só é bem-sucedido se consegue, a cada vez, superar a si mesmo. Isso é de uma tolice espantosa, na hipótese de não ser má-fé. O título do post era bastante eloquente: “MUITOS MILHARES VÃO ÀS RUAS, NO BRASIL INTEIRO, CONTRA O GOVERNO DILMA, O PT E AS ESQUERDAS. CONSTA QUE PLANALTO SUSPIRA ALIVIADO. ENTÃO É MAIS BURRO DO QUE PARECE!”.

Por que isso? Neste domingo, houve manifestações em favor do impeachment e contra. Fosse o caso de tomar como medida do sucesso o número de pessoas nas ruas e se esse número expressasse a vontade da população, teríamos de concluir, junto com os doidos, que caíram tanto a adesão ao impeachment como o número de pessoas que querem que Dilma fique. Seríamos, então, governados pelos anjos. Ou por Satanás. Acontece que nem sempre o número de pessoas nas ruas é um recorte que resume a história — ou melhor: pode até resumir, mas é preciso saber ler.

Se é o caso de falar em derrota, então essa palavra cabe às esquerdas. E assim é por um motivo óbvio: de fato, Dilma está fora da Presidência. Quem carrega o furor militante de contestação, hoje em dia, são os vermelhos. Se a leitura que os esquerdistas fazem da realidade guardasse intimidade com o que sente a esmagadora maioria da população, é claro que, então, eles teriam feito o maior de todos os seus protestos. E sabemos que isso não aconteceu.

Sim, é verdade! Os que marcharam pedindo também o impeachment de Dilma — a pauta principal, pareceu-me, era a apologia do Ministério Público Federal e do juiz Sergio Moro — arregimentaram bem menos pessoas do que em jornadas anteriores. Nesse caso, não cabe a palavra “derrota” porque, convenham, a vitória já aconteceu: na prática, Dilma está fora da Presidência. Ainda que não seja tarefa corriqueira conseguir os 54 votos no Senado para selar seu destino, poucos duvidam dessa possibilidade. E por bons motivos.

De algum modo, a manifestação deste domingo, que teve o Vem Pra Rua como o principal promotor, entra na categoria dos “protestos a favor”. E isso, meus caros, é difícil de realizar em qualquer lugar do mundo. Não vi estimativas confiáveis sobre o número de pessoas nas ruas. Achei que se reuniu mais gente até do que o esperado.

Além de haver esse aspecto de ato pró-statu quo, há elementos conjunturais que explicam a adesão muito menor. A data da manifestação, observei aqui faz tempo, era infeliz: último dia das férias escolares, quando rodoviárias, estradas e aeroportos é que costumam reunir muitos milhares. Quando se marcou a data, imaginava-se que o julgamento fosse acontecer na semana próxima. Já se sabe há algum tempo que ocorrerá só no fim de agosto — a data provável do início é 29.

A manifestação de agora não teve entre seus organizadores movimentos como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o NasRuas, entre outros, que atuaram ativamente em jornadas passadas. Segundo li — estava fora do Brasil —, consideraram que a data havia se tornado inoportuna em razão do calendário do impeachment. Esses movimentos defendem um protesto mais próximo do julgamento.

O que eu faria
Este blog defendeu e defende o impeachment, mas pertence ao MBSMR, que é o Movimento dos Blogs sem Movimento de Rua. Se o que escrevo tem alguma utilidade aos que se mobilizam, ótimo! Se não tem, ótimo também. Não tenho vocação pra aiatolá nem digo “o que deve ser feito”. No máximo, torno público o que penso.

E eu penso que não se deve marcar meganifestação nenhuma. Não creio que o dia 21, por exemplo, seja uma boa data. É o encerramento da Olimpíada. Não será um eventual ato no dia 28, na véspera do início do julgamento, que vai mudar o voto dos senadores. Na verdade, protesto a favor tem outro nome: celebração. Que os movimentos de rua convoquem a população para comemorar o impeachment, aí sim! Digamos que o próximo passo sensato, agora, é a festa, que antecede outras lutas árduas.

PROTESTOS 2 – Divisão dos movimentos pró-impeachment faz bem à democracia

Recorrendo à simples comparação, o que não me parece um bom critério, foi baixa a adesão tanto aos atos em favor do impeachment de Dilma como àqueles contra a sua saída. As razões mais objetivas e imediatas estão apontadas no post anterior. Quero aqui tratar de um outro aspecto que me parece relevante.

A democracia política está em plena vigência no Brasil, felizmente. E, observem mundo afora, nos regimes democráticos, a, deixem-me ver como chamar, “desmobilização do povo” é muito mais um sinal virtuoso do que vicioso. Nem todo regime autoritário mantém a população permanentemente mobilizada, mas só regimes autoritários assim procedem. Tome-se agora, e já há muito tempo, o caso da Turquia. À medida que Recep Erdogan ia avançando no seu neofascismo islâmico, os turcos iam sendo progressivamente chamados a atuar. Uma horda de seguidores do ditador espancando soldados envolvidos com aquela tentativa sui generis de golpe fala por si mesma. Se quiserem um exemplo mais próximo, olhem para a Venezuela.

Creio eu que os movimentos de rua que estão na raiz do impeachment de Dilma precisam entender que o espaço do confronto de ideias e leituras sobre o Brasil está mais nas instituições — sim, senhores, o Congresso, por exemplo — do que nas ruas. As batalhas políticas têm fases específicas. E cada uma delas pede a arma adequada. Só as esquerdas doidivanas e os movimentos fascistoides contam manter seus soldados berrando nas praças em tempos de paz. A razão é simples: a eles só a guerra interessa. Os indivíduos têm mais o que fazer. Felizmente!

“Mas como, Reinaldo? E os quase quatro milhões de pessoas que cobraram o impeachment de Dilma no dia 31 de março? O Brasil não era uma democracia política?” Era, sim, mas vivendo sob uma ordem que se percebeu anômala. Amplos setores da população se deram conta de que mensalão e petrolão foram mais do que a ação de uma quadrilha para assaltar os cofres públicos. Os bandidos que foram pegos com a boca na botija eram também ladrões da institucionalidade.

Gostem ou não do ainda muito curto governo Temer, o fato inegável é que ele resgatou certo sentido de normalidade que havia se perdido. Os brasileiros se deram conta de que a permanência de Dilma ameaçava até mesmo a ordem democrática. Não que houvesse a iminência de golpe: o regime estava sendo esgarçado pela falta de funcionalidade. A então “presidenta” já não governava; apenas lutava para não cair.

Notem: onde muitos estão vendo um problema — a chamada “divisão” dos movimentos que pediram a saída de Dilma —, vejo o desdobramento natural da política. E, se querem saber, acho tal divisão virtuosa. Retomada a normalidade — e o impeachment de Dilma já foi incorporado como dado de realidade —, as pautas se multiplicam e tendem mesmo a romper com o sentido da ordem unida. O que há de errado com isso, além de nada?

Neste domingo, por exemplo, a pauta pró-impeachment me pareceu apenas uma face publicitária das tais 10 medidas contra a corrupção elaboradas por Deltan Dallagnol e que estão no Congresso na forma de um projeto de lei. É evidente que o apoio àquele conjunto de coisas é bem menor do que a defesa do impedimento de Dilma. E por que é menor? Porque se pode entender, também por boas razões, que nem todas elas são aceitáveis. Ainda voltarei ao tema: há no conjunto de medidas, por exemplo, um teste aleatório de honestidade que se parece mais com uma polícia religiosa… É inconstitucional.

Os grupos favoráveis ao impeachment tendem a se dividir, ainda, em questões como Previdência, privatizações, reforma política, corte de gastos etc. Não descarto, obviamente, que esses temas todos possam conduzir a manifestações de rua e a ações mais, digamos, crispadas mesmo entre os que defenderam a saída de Dilma. As esquerdas certamente vão se mobilizar, com os seus barulhentos gatos-pingados.

Mas eis aí: o próprio das democracias é justamente haver essa fragmentação da pauta e das manifestações, quando se perde em número o que se ganha em clareza das propostas. Convenham: a saída de Dilma é uma pauta rasa demais no que concerne à definição de uma postura política e, não tenho receio do termo, ideológica. A partir de determinado ponto, cobrar o impeachment era apenas uma questão de pragmatismo: o país precisava sair do imobilismo.

Tão logo essa questão esteja resolvida, então começam as batalhas de mais longo prazo. Elas até podem, sim, em proporções muito mais modestas, ganhar as ruas. Mas seu espaço privilegiado estará mesmo nas instituições. A política não é a pólis. A política é a pólis articulada. Um povo falando em coro, em uníssono, é uma fantasia totalitária.

Este domingo demonstrou que não será assim. Ainda bem!

Texto publicado originalmente à 1h40

 

Temer precisa descobrir quem são os sabotadores que já debatem sua candidatura à reeleição

O presidente Michel Temer precisa descobrir rapidamente os respectivos nomes dos sabotadores de seu governo que, em conversa com repórteres da Folha, trataram da possibilidade de ele se candidatar à reeleição em 2018.

Segundo a reportagem, o tema foi tratado por três ministros graúdos. Se graúdos, que passem, então, a ser miúdos, levando o bilhete azul. As minhas suspeitas recaem sobre dois perfis: ou isso é coisa de puxa-saco ou é coisa de pretendente à cadeira, já ocupado em aplicar uma espécie de vacina. Em qualquer dos dois casos, são pessoas que só colaboram com a causa do “inimigo”.

Que sentido faz debater esse assunto agora, faltando ainda um mês para o início do julgamento de Dilma Rousseff no Senado? Então a Afastada ainda nem é causa totalmente passada, e o presidente em exercício já estaria mexendo os pauzinhos para romper a palavra empenhada com alguns aliados? Não posso crer.

A reportagem da Folha traz, claro!, condicionantes. Há um monte de “ses” que teriam de ser cumpridos antes que tal possibilidade se anunciasse. Um deles: o governo teria de ser bem-sucedido. Pois é…

Dado o quadro atual, há chance de esse governo ser bem-sucedido nas urnas e bem-sucedido no terreno técnico? Um Temer que estivesse ocupado com a reeleição reuniria condições de fazer ao menos parte do que tem de ser feito?

Para ser claro, nem mesmo a chamada “possibilidade Henrique Meirelles” me agrada. Acho uma estupidez debater tal assunto. A razão? A óbvia! Ou bem o ministro da Fazenda trata de “jogar para a galera” e deixa de fazer o que tem de ser feito, ou bem executa o seu trabalho, o que pode torná-lo um candidato pouco palatável. Vamos ser claros? Até agora não se viu, por exemplo, o Meirelles Mão de Tesoura, certo? O que se tem de concreto é o alargamento do teto do déficit.

Outro que mandou muito mal nesse particular foi Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, ao afirmar em entrevista ao Estadão que “Temer será o candidato do nosso campo, quer queira, quer não”. A frase é infeliz na forma e no conteúdo. Ninguém é candidato ou presidente só porque quer. Ninguém é candidato ou presidente se não quiser.

Temer teve de soltar uma nota para tentar matar a conversa, mas é claro que a suspeita está lançada. Fico muito impressionado por uma razão em particular: não há um só efeito positivo dela derivado. Nada!!!

“Ah, Reinaldo, não seja ingênuo! Isso foi plantado pelo Palácio; o próprio Temer está por trás da operação; é para testar reações.” Tendo a pensar que não. Acho o presidente um pouco mais sofisticado do que isso. Liquidada a fatura do impeachment, vá lá que surgisse esse boato. Seria até natural. Que venha a público agora? Não! Reitero: ou é coisa de puxa-saco ou é conversa de quem antevê tal possibilidade como dado do jogo e já procura tomar uma medida preventiva. Parta de onde partir, uma coisa é certa: não ajuda o governo.

Reforma política
A melhor coisa que Temer pode fazer pelo Brasil na área política se divide, na verdade, em dois movimentos: 1) deixar claro, definitivamente, que candidato não será, desautorizando qualquer especulação em sentido contrário; 2) aproveitar a excepcional janela que se abre para encaminhar, com as bênçãos do governo e da maioria dos partidos da base aliada, a emenda parlamentarista.

Até nos Estados Unidos, único país verdadeiramente relevante a manter o presidencialismo, o sistema exibe evidentes sinais de esclerose — e olhem que a votação indireta ainda lhe confere certos laivos de parlamentarismo. Que grande partido, exceção feita ao decadente PT, iria se mobilizar contra a mudança. O PMDB não teria por que se opor.  O PSDB é o único partido brasileiro que se diz programaticamente parlamentarista. Esse sistema de governo está gravado em letra impressa no batismo da legenda.

“Ah, não há tempo para fazer isso já para 2018…” Discordo! Há tempo, sim. De toda sorte, o que interessa é lançar as bases dessa necessária mudança, ainda que fique para 2022. Se aprovada para agora, haveria ainda um efeito positivo colateral: desmancharia desde já a fila de presidenciáveis.

Temer tem a chance de entrar para a história como aquele que tirou o país da beira do abismo. Para tanto, não pode se deixar encantar por feitiçarias contraproducentes.

Empresas multinacionais já veem crise brasileira mais perto do fim

Por Joana Cunha e Álvaro Fagundes, na Folha:
As multinacionais que atuam no Brasil começam a desenhar um cenário menos pessimista para o país. As queixas sobre economia fraca, aperto no crédito, inflação e câmbio, até pouco tempo constantes, começam a ceder espaço para os primeiros brotos de otimismo.

Levantamento feito a partir de teleconferências com analistas de cem multinacionais com operações no Brasil registrou comentários positivos por parte dos executivos em 52% dos casos. Pesquisa similar no início de 2015 mostrava que, na época, apenas 22% das empresas viam boas oportunidades no país.

Surgem agora demonstrações de confiança em uma possível retomada, registros de altas nas vendas, benefícios derivados da maior previsibilidade no câmbio e a esperança de que o fundo do poço está mais próximo.
Companhias como Apple, Philip Morris, Coca-Cola e Shell são algumas das que apostam na melhora brasileira ou já notam sinais positivos (as vendas de iPhone cresceram ao menos 10% no segundo trimestre), segundo o levantamento que analisou empresas com receitas somadas de US$ 2,7 trilhões -maior que o PIB britânico, o quinto maior do mundo.

“Ainda muito longe, como uma luz no fim do túnel, temos sinais de que a produção industrial pode melhorar. É a primeira vez em muito tempo que temos essa indicação no Brasil”, diz Michael Barry, presidente da indústria química Quaker Chemical.

A melhora também é sentida em alguns indicadores da economia, como a confiança da indústria e dos consumidores, que vêm melhorando, mas ainda estão em um patamar baixo. A previsão de analistas para a contração do PIB neste ano também perdeu força, mas ainda é de queda acentuada: 3,3%.

Impeachment
Os executivos de algumas empresas fizeram referência explícita à mudança de governo, com o afastamento de Dilma Rousseff e a entrada de Michel Temer. “Existe um impulso positivo no país com a transição do comando e com o retorno que recebemos de nossos clientes e revendedores”, diz Ronald E. Armstrong, presidente da empresa de caminhões Paccar.

Para Matthew J. White, diretor da multinacional de gases industriais Praxair, a situação política possibilitou melhoria nos mercados financeiros e no câmbio. Jim Herbert, presidente da empresa de segurança alimentar Neogen, que em abril comprou o laboratório Deoxi no Brasil, projeta crescimento de suas operações no país no próximo ano e ressalta que o real desvalorizado oferece oportunidades de aquisições baratas de empresas.
(…)

Legalização do jogo conduzirá ao fortalecimento do crime organizado

Acho sempre encantadoras esses teses que pretendem botar ordem no bordel. Remetem, sei lá, ao livro “Filosofia na Alcova”, de Marquês de Sade. A sacanagem do livro é da pesada, mas o autor é de um rigor burocrático que chega a ser enfadonho. Cada safadeza é devidamente detalhada, com regras de decoro. Não pensem que é só tirar a roupa e enfiar o pé na jaca! Nada disso! Há que seguir uma espécie de manual.

Por que essa introdução heterodoxa? Tramita no Senado a proposta de legalização do jogo, de qualquer jogo. O relator é Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que deve aquiescer com ela, mas sugerindo mudanças: a fiscalização, por exemplo, não seria feita pelos Estados, como está no projeto original, mas pela União, por intermédio da Caixa Econômica Federal. Bezerra Coelho deve sugerir também que parte da arrecadação dos impostos seja dirigida à modernização da Polícia Federal.

Sou contra a legalização da jogatina, ainda que eu saiba que existem mesas clandestinas de jogos em operação e que muitos brasileiros saiam de vez em quando do país para jogar logo adiante, no Uruguai, por exemplo.

“Ah, que liberal estranho é você, Reinaldo, que quer o Estado proibindo até jogo…” Pois é. Eu não me importo de ser ou de parecer estranho. Em “O Ópio dos Intelectuais”, o conservador Raymond Aron, em meados da década de 50, já não fazia questão de pertencer a um figurino ideológico. Preferia debater as ações que funcionavam e as que não funcionavam, em vez de prestar tributo a uma “doutrina” — um das taras exemplares das esquerdas.

É evidente que, tão logo legalizado, o jogo se tornará o caminho natural da lavagem de dinheiro, por mais eficientes e duras que sejam a legislação e a fiscalização. Sem contar que nada impede que o jogo legalizado, devidamente tributado, seja apenas o caminho mais curto para que se amplie o jogo clandestino.

Não é preciso ser bidu para constatar, por exemplo, que o jogo em Las Vegas, nos Estados Unidos, é comandando pelo crime organizado, cujo tripé é formado ainda pela prostituição e pelo tráfico de drogas. E não se pode acusar a legislação daquele país de leniente. Esse negócio de reservar uma parcela da arrecadação para a Polícia Federal é só um mimo da hipocrisia, um tributo que o vício, literalmente, presta à virtude.

Ora, que se aproveite o momento, então, para aumentar a demagogia: que tal reservar uma parcela às criancinhas pobres e outra à Saúde? Criancinhas e velhinhos doentes sempre são uma excelente desculpa para a bandalheira.

É impressionante! O Brasil não conseguiu, até agora, nem está em vias de conseguir, pôr fim ao PCC, que é, por tudo o que se sabe, um verdadeiro Partido do Crime. Franjas da organização investem em negócios legais, como postos de gasolina e transporte público. Por que diabos ela não se meteria também, por intermédio de laranjas, no jogo legalizado?

“Ah, mesmo proibido, o jogo existe…” Bem, eu me nego a raciocinar nesses termos, porque se trata de uma ruminação. Eu me recuso a debater um disciplinamento do homicídio, já que, afinal, embora crime, continue a existir. Não acho que descriminar o crime seja um bom caminho para a ordem democrática.

Também não considero que “jogar” componha o capítulo dos direitos individuais ou naturais. Trata-se de uma atividade de caráter social. Se a experiência demonstra, e demonstra, que os Estados nacionais não conseguem manter a atividade longe das organizações criminosas, que sentido há em fazer tal opção? O aumento da arrecadação certamente não cobrirá o prejuízo decorrente do fortalecimento das máfias.

Consta que o governo Temer vê a coisa com bons olhos. Se assim for, lamento! Então está a fazer a pior escolha.

“Ah, joga quem quer…” Claro, claro… Mas a sociedade tem o direito de não querer ampliar o poder de que os bandidos já dispõem hoje em dia.

Na forma como está, o debate me parece absolutamente indecoroso.

 

Letícia Sabatella poderia ter em informação e ética o que tem em beleza! Seria esse texto machista? Leiam!

Acho detestável que pessoas sejam hostilizadas em restaurantes, ruas, shoppings etc. Não me importa o que pensem. Mas também não reconheço a ninguém o direito de se comportar como agente provocador

A atriz Letícia Sabatella faz muito mal em se comportar como uma agente provocadora. Já chego lá. Antes, algumas considerações.

Procurem o que escrevi neste blog ao longo do tempo. Oponho-me a manifestações agressivas contra quem pensa de modo diferente. Acho detestável que pessoas sejam hostilizadas em restaurantes, ruas, shoppings etc. Não me importa o que pensem. Mesmo o mais detestável dos políticos deve ser combatido na praça adequada. Não vejo razão para que, muitas vezes em companhia da família, seja constrangido. Há caminhos para punir corruptos.

E, é claro, pens ser igualmente detestável que esquerdistas intimidem os ditos “coxinhas”, como eles gostam de dizer. Isso nada tem a ver com divergência política. É só falta de educação. É só intolerância.

Dito isso, sigamos. Considero descabido que venham me fazer cobranças, na rua ou em qualquer ambiente público, em razão das minhas escolhas ideológicas. É incivilizado. É pouco democrático. Mas eu compreenderia a eventual hostilidade se eu decidisse me meter numa manifestação de esquerdistas “contra o golpe”. A razão é simples: todos sabem o que penso, e isso lhes pareceria uma provocação. Aliás, estivesse eu lá, é bem provável que fosse isso mesmo. Mas não vai acontecer porque abomino ações dessa natureza.

Letícia reclama que foi hostilizada, xingada e ameaçada em Curitiba, no domingo, por manifestantes em favor do impeachment. Ao ler o relato da própria atriz, fica claro que ele decidiu se meter, de forma deliberada, num protesto contra Dilma. Vale dizer: foi em busca de uma reação que ela sabia certa. E aconteceu o óbvio. Bem-sucedida, ela pode, agora, fazer seu proselitismo mixuruca.

Não! Estivesse eu lá, não a teria xingado, não a teria hostilizado, não teria dito nada. Nas vezes em que vi esta senhora se manifestar sobre política, o seu primitivismo chega a ser cômico. Ela é dotada daquela ingenuidade agressiva que exaspera os que pensam com um mínimo de lógica. Querem ver? Falando à imprensa, afirmou:
“Não fui provocar ninguém, passava pela praça antes de começar a manifestação e parei para conversar com uma senhora. Meu erro. Preocupa esta falta de democracia no nosso Brasil. Eles não sabem o que fazem”.

Não há falta de democracia no Brasil. Ao contrário: o regime é plenamente democrático. Aliás, no domingo, inclusive em Curitiba, havia manifestações em favor de Dilma, que Letícia defende com unhas, dentes e, infelizmente, bem pouca informação. Por que não estava junto aos seus?

“Ah, Reinaldo está endossando a hostilidade!” Não! Não estou. Mesmo! Mas também não vou ignorar que Letícia queria justamente aquilo que obteve. Ora, leiam ali: segundo ela, “eles” — os que pensam de modo diferente — “não sabem o que fazem”. É mesmo? E quem sabe? Os que se organizaram numa quadrilha para assaltar os cofres públicos? Os que chamam de “golpe” o triunfo da Constituição e das leis? Os que usaram o seu poder para assaltar as instituições?

Infelizmente, Letícia usou da pior maneira o seu talento de atriz. Triste, tristíssimo mesmo!, é ver que essa moça se candidata a ser uma pensadora da política, embora a sua ignorância consiga ser ligeiramente superior à sua grande beleza.

“Que é? O machista Reinaldo vai dizer agora que não se pode ser bonita e informada ao mesmo tempo?” Claro que sim! E ainda há quem junte a essas duas coisas dinheiro, talento e boa sorte. O mundo nem sempre é justo, rsss.

Mas há, obviamente, aqueles que têm um dom apenas, ou dois… Letícia é bonita. Poderia se instruir um pouco mais. Inclusive no terreno da ética.

Para não se entregar a patuscadas como a de domingo.

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Fonte Blog Reinaldo Azevedo, veja.com

1 comentário

  • Fernando Verneck Rio de Janeiro - RJ

    Olá! Reinaldo Azevedo escreve muito bem e transborda divertida cultura,...parabéns! Entretanto, falou de forma pobre sobre Letícia Sabatella... Chegando ao ponto de ser mentiroso e rude, o que deu um desfecho imaturo e de mente pequena a um texto com alguns pontos eloquentes, mesmo que errôneos sobre outras questões anteriores ao caso Sabatella.
    Ela mesma disse que estava de passagem e parou pra conversar antes da manifestação aparecer. Logo, ela não foi se meter no meio de uma manifestação pra provocar ninguém. Sabemos muito bem como o povo burro se comporta: "gente! A Letícia tá lá!! Vamos lá xingar aquela #=$%&#@##!!". Todos sabemos que é assim! Seja homem de não usar a internet pra criticar injusta e burramente uma mulher!

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    • FERNANDO VERNECKRIO DE JANEIRO - RJ

      Alguns de meus colegas me envergonham um pouco por serem burros com diploma, e o amigo Reinaldo, que escreveu estas inverdades, demonstra cultura, mas demonstra pouca inteligência, o que não lhe qualifica a insultar linda, culta e inteligente atriz.

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    • ALBA VALéRIACARPINA - PE

      Realmente um erro não justifica o outro, houve outra manifestação na qual a Letícia defende com unhas e dentes e o local mas apropriado, parece-me, de a mesma estar seria junto com os que possuem a mesma ideologia da mesma. No entanto, mesmo que eu estivesse, lado-a-lado a mesma, jamais a xingaria. A ignoraria, pois ela e qualquer um de nós tem o direito de estar onde queiramos, e precisamos ser respeitados. Não estava no local, então, sinceramente não sei se houve uma reação a alguma ação da mesma ou não, mesmo assim um grupo contra apenas uma pessoa não é racional, é covardia. Acho que a mesma ultrapassa o ridículo com alguns comentários, acho, um bom exemplo é pedir doação para a presidente afastada, porque supostamente a mesma estaria passando fome. Assim, ou é mal informada ou tem má fé e usa de sua liberdade na mídia para polemizar.

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    • ALBA VALéRIACARPINA - PE

      Realmente um erro não justifica o outro, houve outra manifestação na qual a Letícia defende com unhas e dentes e o local mas apropriado de a mesma estar seria junto com os que possuem a mesma ideologia dela, parece-me. No entanto, embora eu estivesse, lado-a-lado a ela, jamais a xingaria. A ignoraria e continuaria com meu protesto, não gastaria minha energia com quem defende a corrupção e as maracutaias para manter larápios livres do poder, defendendo-os com a alegação de que não são presos comuns, ou buscando dar-lhes foro privilegiado, pois ela e qualquer um de nós tem o direito de estar onde queiramos, e precisamos ser respeitados em nossas escolhas. Não estava no local, então, sinceramente não sei se houve uma reação a alguma ação da mesma ou não, mesmo assim um grupo contra apenas uma pessoa não é racional, é covardia. Acho que a mesma ultrapassa o ridículo com alguns comentários, um bom exemplo disso foi pedir doação para a presidente afastada, porque supostamente a mesma estaria passando fome. Assim, ou é mal informada ou tem má fé e usa de sua liberdade na mídia para polemizar.

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    • DALZIR VITORIAUBERLÂNDIA - MG

      Na verdade o mundo é livre...mas muitos atores da globo se acham no direito de imaginar que o o povo é idiota e devemos engoli-los por serem atores...e os mesmos adoram pisar na classe rural e aqueles fanáticos em ideologias não sabem separar trabalho com demais situações políticos partidarias..reclamam de ministerio da cultura porque este mantem a TETA farta enquanto o povo paga os pecados...criminalizam o produtor por poluir..desmatar..etc...e muitas inverdades e TODA a poluiçao..falo de cocÔ mesmo que eles produzem é jogADO AO MAR..E QUEREM SER exemplo...dia destes o bonner do jornal nacional e mais uns neófitos reclamaram da mortalidade de pintinhos por a atividade estar dando prejuizo..ora que levem para suas casas e cuidem..depois reclamem...o povo não mais burro...por ser ator ou atriz não encurta orelha deles..

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