A LAVA JATO ESTÁ SOB RISCO, Luan Sperandio (Inst. Liberal)

Publicado em 13/07/2018 06:38 e atualizado em 15/07/2018 15:50
749 exibições
Por Luan Sperandio, publicado pelo Instituto Liberal

A Operação Mãos Limpas, na Itália, nos dá uma aprendizagem sobre o que pode acontecer nos próximos meses aqui no Brasil.

Naquele país a luta contra a corrupção viveu 2 momentos distintos. Inicialmente o apoio às investigações era unânime. “Somos todos contra a corrupção”. Ao ponto de alguns dos condenados que firmavam acordo de delação premiada vestissem camisas favoráveis às investigações para demonstrarem seu apoio.

Os políticos alvos, porém, criaram a narrativa de que a Operação Mãos Limpas não se tratava de uma investigação de esquemas de corrupção para punir infrações penais. Eles difundiram nos jornais a ideia de que se tratava de uma operação política, não jurídica: tudo não passava de perseguição à inocentes por questões políticas. Os investigadores e juízes eram ideológicos.

Essa campanha difamatória na Itália durou algum tempo e o apoio à operação gradativamente acabou caindo entre a população.

Não obstante, os políticos conseguiram a aprovação de legislações que enfraqueceram o poder de investigação do Ministério Público e que minaram a autoridade dos juízes perante os políticos, sepultando à operação.

Ao menos a primeira parte desse roteiro está acontecendo no Brasil: basta lembrar que durante a campanha eleitoral, em 2014, todos os presidenciáveis defendiam incondicionalmente a Lava Jato.

4 anos passados, todavia, após centenas de condenações e prisões, a campanha difamatória sobre Sérgio Moro e à Lava Jato está fazendo efeito.

Segundo levantamento do Instituto Ipsos, nos últimos 11 meses a popularidade de Sérgio Moro está despencando, já sendo menor que a de Lula, o ex-presidente condenado.

A narrativa petista, de que a Lava Jato é ideológica e que persegue o ex-presidente, está sendo eficiente no debate público.

É nesse contexto de desaprovação com Sérgio Moro que a 2ª turma do STF se sentiu confortável para impor uma série de derrotas sobre a Lava Jato há algumas semanas. E, para piorar, ministros acenam para rever a questão da prisão em 2ª instância, uma das grandes evoluções jurisprudenciais dos últimos anos, e que está ajudando no combate à impunidade.

Vale ressaltar que isso não significa que a Lava Jato esteja imune à críticas. Juízes e investigadores, como humanos que são, cometem erros também. Várias das denúncias apresentadas pelo MPF no início da Lava Jato careceram de provas e foram sustentadas apenas em delações – algumas contraditórias – como em denúncia recente arquivada de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo – ou o acordo de delação firmado com o Joesley – que Marcelo Miller está respondendo criminalmente.

A campanha eleitoral em 2018 terá diversos presidenciáveis e políticos disputando cargos no legislativo com discursos contrários à Lava Jato, e isso vai influenciar ainda mais o debate público.

Eventos como o do desembargador Favretto colaboram para essa narrativa. Não se trata de discurso apenas para “convertidos” da esquerda. Há uma camada do eleitorado que, mesmo sem militar pelo PT, acredita que Lula está preso tão somente em virtude de liderar pesquisas e estar próximo às eleições. Uma parte do eleitorado que se pergunta o porquê de nomes de outros partidos não estarem presos também – ignorando os privilégios sobre o foro privilegiado ou mesmo a prisão de Eduardo Cunha, um dos principais nomes do MDB.

Vale lembrar que a própria denúncia do Mensalão não teria sido aceita no STF não fosse pressão da mídia e popular, como mostrou Vera Magalhãesem reportagem premiada à época. Diante dessa perda de popularidade, é possível que coloquem em pauta novamente projetos como o de Abuso de Autoridade para minar o poder dos juízes como forma de atacar à Lava Jato. Por conseguinte, demonstrações de apoio à continuidade das investigações são fundamentais para evitar movimentos de seus opositores para miná-la.

AS RAZÕES DA MISÉRIA E A MORTE DO GRILO FALANTE (Por Percival Puggina)

Por Percival Puggina

Você sabe por que o Brasil não consegue solucionar o problema da miséria? Porque, de um lado, deixamos de agir sobre os fatores que lhe dão causa, e, de outro, nos empenhamos em constranger e coibir a geração de riqueza sem a qual não há como resolvê-la. Os fanáticos da política, os profetas de megafone, os “padres de passeata”, para dizer como Nelson Rodrigues (ao tempo dele não existiam as Romarias da Terra), escrutinando os fatos com as lentes do marxismo, proclamam que os pobres no Brasil têm pai e mãe conhecidos: o capitalismo e a ganância dos empresários. Em outras palavras, a pobreza nacional seria causada justamente por aqueles que criam riqueza e postos de trabalho em atividades desenvolvidas sob as regras do mercado.

Estranho, muito estranho. Eu sempre pensei que as causas da pobreza fossem determinadas por um modelo institucional todo errado (em 2017, o 109º pior entre 137 países, segundo o World Economic Forum (WEF). Pelo jeito, enganava-me de novo quando incluía entre as causas da pobreza uma Educação que prepara semianalfabetos e nos coloca em 59º lugar no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), entre 70 países. Sempre pensei que havia relação entre pobreza e atraso tecnológico e que nosso país não iria longe enquanto ocupasse o 55º lugar nesse ranking (WEF, 2017).

Na minha santa ignorância, acreditava que a pobreza que vemos fosse causada, também, por décadas de desequilíbrio fiscal, gastos públicos descontrolados tomados pela própria máquina e inflação. Cheguei a atribuir responsabilidades pela existência de tantos miseráveis à concentração de 40% do PIB nas perdulárias mãos do setor público (veja só as tolices que me ocorrem!). E acrescento aqui, se não entre parêntesis, ao menos à boca pequena, que via grandes culpas, também, nessas prestidigitações que colocam nosso país em 96º lugar entre os 180 do ranking de percepção da corrupção segundo a Transparência Internacional.

Contemplando, com a minha incorrigível cegueira, os miseráveis aglomerados humanos deslizantes nas encostas dos morros, imputava tais tragédias à negligência política. Não via como obrigatório o abandono sanitário e habitacional dos ambientes urbanos mais pobres. Aliás, ocupamos a 112ª posição no ranking, entre 200 países, no acesso a saneamento básico. Pelo viés oposto, quando vou a Brasília, vejo, nos palácios ali construídos com dinheiro do orçamento da União, luxos e esplendores de uma corte dos Bourbons.

Mas os profetas do megafone juram que estou errado. A culpa pela pobreza, garantem, tampouco é do patrimonialismo, do populismo, dos corporativismos, do culto ao estatismo, dos múltiplos desestímulos ao emprego formal. Não é sequer de um país que, ocupando a 10ª posição entre os países mais desiguais do mundo, teve a pachorra de gastar, sob aplauso nacional, cerca de R$ 70 bilhões para exibir ao mundo sua irresponsabilidade na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016. No entanto, os Pinóquios da política, das salas de aula, da mídia e dos púlpitos a serviço da ideologia, fanáticos da irrazão, asseguram-nos que existem pobres por causa da economia de empresa e dos empreendedores.

Um dos fenômenos brasileiros deste início de século é o silêncio das consciências ante toda falsidade. É a morte do grilo falante.

Tags:
Fonte: Blog Rodrigo Constantino/Reuters

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Tanto se fala do "perigo" de enfraquecer a Operação Lava Jato mas recentemente a punhalada veio através de um Habeas Corpus impetrado por meliantes petistas a outro meliante petista investido no cargo de desembargador no TRF-4.

    Veja que o "petismo" é a figura principal de todas essas investidas. Pois bem, o envolvimento no mensalão e petrolão, com vários de seus meliantes julgados e condenados pela justiça desse país, já não é suficiente para declarar a extinção desse partido e outros da mesma extirpe?

    Há uma inversão de valores quando o "paciente" é um figurão que roubou milhões. O roubo é chamado de desvio, ou malfeito como a "estocadora de vento", Dilma Roussef chamou. Togados "esfarrados moralmente" fazem o possível e o impossível para libertá-los das cadeias especiais em que foram encarcerados.

    Após a libertação vão viver suas vidas com o dinheiro roubado, que essa justiça cega não consegue enxergar. Essa é a escarrada que esses marginais, com o apoio do judiciário vêm fazendo com as pessoas de bem desse país. Está aí uma das causas desse desalento econômico que assola o país.

    O que fazer, se todo canto está tomado por marginais... Não tem com se virar, pois ...ESTÁ TUDO DOMINADO !...

    0