Site Catraca Livre, de Gilberto Dimenstein, anuncia campanha contra Bolsonaro (no Poder360)

Publicado em 14/07/2018 19:37 e atualizado em 16/07/2018 09:39
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Na Gazeta do Povo: JANAINA PASCHOAL EXPLICA VOTO EM BOLSONARO

O criador e coordenador do site Catraca Livre, o jornalista Gilberto Dimenstein, afirmou no Twitter nesta 6ª feira (13.jul.2018) que o site é contra a candidatura à Presidência do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Criado em 2008, o Catraca Livre possui atualmente 21 milhões de leitores mensais.

Gilberto Dimenstein disse que em todas as eleições o site se manteve neutro, mas agora “surgiu uma situação excepcional”. Segundo o jornalista, o site não tem 1 candidato à Presidência,“mas tem um não-candidato: Jair Bolsonaro”.

Dimenstein afirma que a decisão se dá pelo posicionamento do ex-capitão do Exército, que, segundo ele, “atenta contra todos os valores”.

“A avaliação do site é simples: atenta contra todos os seus valores a eleição de alguém que defende a tortura, o regime militar, a homofobia, o machismo, além de estimular a violência ao pregar o armamento da população”, afirma.

O jornalista defende que seria uma farsa se o site deixasse de ser transparente e não deixasse claro “que a redação por unanimidade vê a eleição de Bolsonaro como um risco à democracia e aos direitos humanos”.

Gilberto Dimenstein afirma ainda que para a redação do Catraca Livre a medida não fere os princípios do jornalismo. “Nos Estados Unidos, os jornais colocam no editorial quem é seu candidato. No caso do Catraca, o que se vai explicitar é apenas que existe 1 não-candidato”, afirma.

Eis as postagens do criador do Catraca Livre:

Temos um não-candidato. Com seus 21 milhões de leitores mensais, Catraca Livre sempre se manteve neutra em todas as eleições. Mas, agora, surgiu uma situação excepcional. Na próxima semana, o site vai manifestar que não tem candidato. Mas tem um não-candidato: Jair Bolsonaro.

JANAINA PASCHOAL EXPLICA VOTO EM BOLSONARO E SE DEFENDE DE CRÍTICAS:

“NÃO DEVO NADA A NINGUÉM PELO IMPEACHMENT”

A advogada Janaina Paschoal, que se tornou nacionalmente conhecida por ser uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma que foi aprovado, declarou recentemente seu voto em Jair Bolsonaro. Isso gerou uma reação por parte de muitos de seus admiradores, e houve quem puxasse da cartola o apoio ao impeachment para tentar cobrar a fatura agora. Janaina, nessa entrevista ao Estadão, explica os motivos do voto e, em seu Twitter, alega não dever nada a ninguém. Eis alguns trechos:

“Eu sofri muito para fazer o impeachment da Dilma. As pessoas não têm noção. Foi questão de vida ou morte. E eu não quero perder tudo isso”.

“Não queria apoiar PT, não queria apoiar PSDB, não queria apoiar MDB, não queria apoiar alguém que tivesse uma visão muito à esquerda – isso eu já tinha claro na minha cabeça. Por exclusão, o que sobrou? Sobrou o PSC, que não está em nenhum escândalo, que tem uma linha mais à direita, talvez mais à direita do que eu seja, mas até aí ninguém tem situações 100% nunca”.

“Aí eu falei assim: ‘Mas, Deputado, se eu entrar no partido do senhor, o senhor vai me ouvir?’. Aí ele respondeu assim: ‘Mas a pergunta não é essa. A pergunta é se você vai me ouvir, porque tudo o que você pensa de mim, Janaina, eu penso de você’. E eu gostei dessa conversa”.

“Para fazer tudo o que precisa ser feito, o presidente deve ser alguém que não esteja preocupado com o que achem dele ou dela. E o Bolsonaro já provou que não está nem aí. Ele faz aquilo que acha que tem que fazer. Nós vamos precisar disso”.

“A cabeça de um militar é diferente em termos de colocar os interesses públicos do Brasil na frente dos interesses particulares”.

“Vai ser necessário enfrentarmos, inclusive, o Poder Judiciário”.

“A esquerda adora falar que o Bolsonaro é machista e misógino, mas no dia a dia os esquerdistas são até piores. A esquerda se entusiasma muito com a sexualização das crianças”.

“Qualquer coisa que se diga é vista como homofobia, como transfobia. E isso irrita quem não compartilha dessa histeria. O que está acontecendo é uma imposição para todos de um pensamento único”.

 

Sobre Geraldo Alckmin e os tucanos, Janaina foi bem direta:

Ele também nunca foi muito firme. Onde é que ele estava enquanto derrubávamos a Dilma? Ele demorou para apoiar e o discurso dele era sempre muito conciliador. Eu criei muita resistência ao PSDB durante o processo do impeachment. Eu acredito verdadeiramente que, se não fosse pelo PSBD, o PT não teria se fortalecido como se fortaleceu. O PSDB sempre foi uma oposição de fachada ao PT. Para mim, o Fernando Henrique Cardoso sempre foi um entusiasta do Lula, tanto é que foi testemunha de defesa dele em todos os processos. Além disso, FHC foi opositor do impeachment até os momentos finais. E os escândalos envolvendo o Aécio Neves são imperdoáveis. Enfim, o PSDB já deu o que tinha que dar.

Já sobre os ataques que vem recebendo por conta de assumir sua intenção de voto, eis o que a advogada disse:

Rodrigo Constantino

Uma história de 15 anos (ou “Os Demônios”), por LUIZ CESAR DE ARAUJO, na GAZETA DO POVO

Lula foi eleito em 2002. Na posse, disse que “não tinha o direito de errar”. O resto é história. Mas recuemos um pouco. Nossa história há de começar por um crime: em 18 de janeiro de 2002 o então prefeito de Santo André foi sequestrado enquanto jantava em companhia de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e assassinado. Celso Daniel era coordenador de campanha de Lula. Oito pessoas ligadas à cena do crime foram assassinadas – desde o garçom que o atendeu até o agente funerário que reconheceu o corpo. Sigamos.

A viúva de Celso Daniel, Miriam Belchior, seria figura importante nos governos Lula e Dilma: foi assessora especial do presidente da República, subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil da Presidência da República, ocupou a secretaria executiva do tal Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – substituindo a então ministra Dilma Rousseff, a gerentona –, até que, em 2011, chegou ao topo da carreira: foi ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, e em 2015 assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal, de onde só saiu com o impeachment.

Se um fato simboliza o PT, e se alguém simboliza o petismo, estes são o assassinato de Celso Daniel e a carreira de Miriam Belchior no governo e na burocracia. Mas sigamos.

Algo não estava previsto: em 2005, Roberto Jefferson denunciou o mensalão. Mas Lula foi poupado. Foi poupado por Marcos Valério, foi poupado por seus companheiros de partido, foi poupado pela Procuradoria-Geral da República, que não o denunciou, foi poupado pela imprensa e, principalmente, foi poupado por Fernando Henrique Cardoso e sua tese de que era preciso “deixá-lo sangrar”. O resultado: em 2006 Lula foi reeleito.

O STF só viria a julgar o mensalão em 2012. Os políticos em geral ou foram absolvidos, ou receberam as penas mais brandas; os empresários pegaram cana dura. Delúbio Soares tinha razão: o brasileiro tem memória curta e uma hora tudo iria virar piada de salão. José Dirceu, por exemplo, recebeu um perdão judicial. O próprio Delúbio, vejam só, também recebeu perdão judicial. Marcos Valério segue preso.

O STF só viria a julgar o mensalão em 2012. Os políticos em geral ou foram absolvidos, ou receberam as penas mais brandas

O método de governar do PT era sair comprando. Com dinheiro compravam-se os deputados. Era com dinheiro também que o PT iria comprar os grandes empresários. E aí entravam o BNDES, a Petrobras e a pletora de estatais. Era a época em que ouvíamos falar das “campeãs nacionais”, das empreiteiras e dos estádios para a Copa, das desonerações tributárias para a linha branca. A imprensa? Ora, compra-se também, com anúncios. Os pobres? Compra-se com Bolsa Família, com fogão novo, com bolsa em faculdade que não ensina. Os sindicatos, a academia e a igreja, estes já estavam comprados desde sempre.

Os artistas eram financiados gordamente com Lei Rouanet, e no palco homens nus andando em círculo enfiavam o dedo no ânus uns dos outros, com dinheiro público. Nas galerias de arte, com apoio dos grandes bancos, Nossa Senhora segurava um macaco, hóstias eram vilipendiadas. Artistas-militantes-comediantes, soi-disantes politizados, em eventos-comícios gritavam “fim da PM, se não acabou, tem de acabar”. O auge de toda esta loucura foi um programa Roda Viva, em 5 de agosto de 2013, em que Bruno Torturra, do Mídia Ninja, e Pablo Capilé, do Fora do Eixo, deram explicações muito sérias e compenetradas sobre como funcionava o “Cubo Card”, a moeda alternativa das casas coletivas – a mídia é ninja, a casa é alternativa e coletiva, mas no entanto recebe financiamento de George Soros, em dólar de verdade.

As ideias mais extravagantes eram acolhidas com entusiasmo. Um vento de alegria e loucura soprava sobre o país.

Sem oposição política, com a simpatia da imprensa e da classe artística, e com apoio do PIB e dos movimentos sociais, o PT sentia-se à vontade para esmagar a classe média e os seus opositores. Uma constatação feita há muitos anos pelo filósofo Olavo de Carvalho se cumpria: todos os políticos tradicionais, de oposição ao PT, ou aderiram ao petismo, ou então seriam presos, ou relegados ao ostracismo, com suas biografias destruídas.

Leia tambémA crise do STF e a ameaça que vem de dentro (artigo de Claudia Maria Barbosa, publicado em 9 de julho de 2018)

Leia tambémLula e o vale-tudo do petismo no TRF-4 (editorial de 9 de julho de 2018)

E o PT avançava desavergonhadamente. Montou a Comissão da Verdade, para punir inimigos e indenizar amigos, trouxe médicos cubanos, tentou aprovar um decreto (o 8.243/2014 que implantava sovietes e suprimia o poder do Congresso), avançou sobre a regulação da internet, sobre a regulação da publicidade; sob o manto do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), avançou a sua agenda politicamente correta à revelia do Congresso Nacional, em temas como controle social dos meios de comunicação, expansão do Bolsa Família, reforma agrária, relativização do direito à propriedade, cotas para negros e índios, legalização do aborto (inclusive com realização do procedimento pelo SUS), imposto sobre grandes fortunas, legalização da prostituição, políticas LGBT e identidade de gênero e desarmamento; emprestou mais de R$ 50 bilhões a juros subsidiados e mediante contratos secretos para governos esquerdistas como os de Venezuela, Cuba, Bolívia e Nicarágua.

Fernandinho Beira-Mar foi preso. Ele trocava fuzis por cocaína com as Farc. O PT era parceiro das Farc e de seus líderes, Raúl Reyes e Manuel Marulanda, com quem se sentava todos os anos em reuniões do Foro de São Paulo. Lula chegou a admitir que, se não fosse o Foro de São Paulo e o silêncio obsequioso da imprensa, os governos de esquerda da América Latina não teriam sido eleitos; Hugo Chávez não teria sido eleito. Na capital paulista, uma liderança do PCC dá a ordem: “No dia da eleição é pra todo mundo votar pro Genoino”.

E Lula chegou ao fim do seu segundo mandato com altíssima popularidade, capaz até de eleger um poste. Os petistas pareciam ter aprendido o segredo de como, habilmente, manobrar os espíritos. Pareciam ter entendido que, afinal, o êxito do socialismo é em grande parte devido ao sentimentalismo. Com João Santana e meia dúzia de palavras-gatilho, o PT elegeu o seu poste – Dilma Rousseff. O resto é história.

Todos se deixavam seduzir

Após o julgamento do mensalão, os petistas perceberam que o Judiciário também não lhe ofereceria mais resistências. O Judiciário, na verdade, cooperava em seu projeto: enquanto os próceres petistas eram condenados no mensalão e gestavam o petrolão, o STF julgava demarcação de terras indígenas e quilombolas; liberava o aborto de fetos anencéfalos, o casamento gay, a Marcha da Maconha, o aborto até o terceiro mês de gestação por decisão monocrática; proibiu a prisão após condenação em segunda instância, julgou constitucionais as cotas raciais, liberou o auxílio-moradia para todos os juízes do Brasil por decisão liminar e proibiu a extradição de Cesare Batistti.

Em 2016 Dilma sofreu o impeachment. A dívida interna teve um aumento, só em 2016, de 12,67% saltando para R$ 2,98 trilhões

Impossível falar em STF e em PT sem lembrar de Dias Toffoli. Ele foi advogado do PT – repita-se, advogado do PT – nas campanhas de Lula em 1998, 2002 e 2006, e entre janeiro de 2003 e julho de 2005 exerceu o cargo de subchefe da área de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, durante a gestão de José Dirceu – repita-se, era assessor de José Dirceu. Era advogado do PT. Hoje é ministro do Supremo. Nascido em 1967, Toffoli foi nomeado por Lula em 2009, aos 42 anos de idade. Poderá ficar no tribunal até completar 75 anos, ou seja, até 2042. Foi Toffoli quem deu o voto condutor, na Segunda Turma, que tirou José Dirceu da cadeia dias atrás. Não vamos nos iludir: em breve Lula também será tirado da cadeia.

E é significativo que, no STF, os ministros que hoje são identificados com a moralidade e o combate à corrupção – Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, ambos nomeados por Dilma – sejam também os esquerdistas da corte: o primeiro, ex-advogado de Cesare Batistti, autor da tese que resultou na proibição das doações de empresas para campanhas eleitorais, defensor da liberação das drogas e do aborto. O segundo, parceiro do MST e da CUT, acaba de dar um voto a favor do restabelecimento da contribuição sindical.

Em 2016 Dilma sofreu o impeachment. A dívida interna teve um aumento, só em 2016, de 12,67% saltando para R$ 2,98 trilhões. Segundo dados do Tesouro, a dívida pública mais do que dobrou entre 2006 e 2016. A inflação batia em mais de 10% ao ano. O déficit do governo federal era de R$ 154 bilhões. A retração do PIB foi de 3,8% em 2015, ano em que foram destruídas 1,5 milhão de vagas formais de empregos. O roubo à Petrobras foi de R$ 6 bilhões, segundo lançamento contábil da própria empresa. O número de assassinatos em 2016 foi de 61.619, o maior registro de mortes violentas da história do nosso país.

Os demônios vieram para roubar, matar e destruir.

E o assassinato de Celso Daniel? Nunca foi esclarecido. Em 2014 o STF deferiu o Habeas Corpus 115714, impetrado pela defesa de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, para determinar a anulação, desde a fase de interrogatório dos réus. Ou seja, foram anulados todos os atos processuais ocorridos desde dezembro de 2003. Em 27 de setembro de 2016, Sérgio Sombra morreu em decorrência de um câncer, sem ter sido julgado.

Luiz Cezar de Araújo é autor de “A Vida é Traição” e “À Sombra do Pai”.

A ECONOMIA COMO SINTOMA DE UMA SOCIEDADE DOENTE

Por Vinícius Montgomery de Miranda, publicado pelo Instituto Liberal

Não é difícil perceber que a situação da economia de um país reflete entre outras coisas a disposição de seu povo para criar, produzir, consumir, estocar e negociar os diferentes tipos de bens que lhe possa ser útil, hoje ou no futuro. Tudo que interfere nessa disposição afeta a economia. Aspectos culturais, alterações no ambiente natural, mudanças sociais, ou decisões de governos, por exemplo, geram impactos importantes no nível de atividade econômica de um país.

Isso porque alteram a ação das pessoas, que em última instância, é o que define os rumos da economia. Adam Smith, em A Riqueza das Nações, mostra que a livre interação entre os indivíduos, cada um buscando seu interesse particular, resulta em uma ordem capaz de satisfazer necessidades e produzir riqueza. Tudo espontaneamente, sem nenhum dirigismo. No fundo, o direito do homem a sua individualidade, que Smtih chamou de laissez-faire, é que move o mundo.

Com efeito, se os indivíduos têm necessidades diferentes, habilidades e interesses específicos, é natural que a aptidão de cada um seja usada para produzir os bens e serviços que todos demandam. Assim, o motorista conduz o cozinheiro que lhe prepara o almoço, e o sapateiro confecciona o calçado de ambos. Essas trocas valorizam a capacidade e o diferencial de cada profissional e maximizam a satisfação de todos. É por isso que a especialização da mão de obra e a consequente divisão do trabalho são fatores fundamentais para aumentar a produtividade de uma economia. Quando eles estão presentes, a produção de bens torna-se eficiente e os escassos recursos naturais são mais bem aproveitados.

Portanto, qualquer arranjo social que altere a naturalidade da ação individual resulta em menor produtividade, economia débil e satisfação material hipossuficiente; prognóstico mais que ratificado pelos autores da Escola Austríaca e duramente vivenciado por povos cuja individualidade é atropelada em nome de uma suposta igualdade. Pura ilusão. A realidade tem mostrado que a imposição do ideal de igualdade a qualquer custo resulta em miséria, dependência e em um grau de assimetria intrapopulacional ainda maior que aquele que se pretende combater.

O economista Ludwig von Mises, em sua obra mais importante, Ação Humana, explica que o homem está constantemente inconformado com seu estado atual e que, por isso, toda ação humana é voltada para melhorar o seu bem-estar. Ele faz isso, avaliando de forma subjetiva as alternativas que possam lhe trazer mais benefícios que custos. Se a individualidade da escolha não é respeitada, os custos superam os benefícios, afinal, ninguém nunca poderá saber o que é melhor para o indivíduo em cada uma de suas decisões, além dele próprio.

Desse princípio decorre a ineficiência da ação estatal. Quando o Estado se torna responsável pela saúde, educação, segurança e todo o resto, elimina a opção de escolha do cidadão, inibe a possibilidade de empreendedorismo e ainda reduz a geração de riqueza por tributar a produção e o consumo. Não é sem razão, portanto, que quanto maior a interferência estatal na economia, menor sua capacidade de prosperar e elevar a qualidade de vida de seus cidadãos, conforme atesta a relação entre o Índice de Liberdade Econômica (ILE) e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

No socialismo, ao contrário do pensamento liberal, não há espaço algum para a individualidade. Os interesses de classe devem prevalecer a qualquer custo e todos os problemas nacionais precisam da tutela do Estado para sua solução. Nele, os burocratas se enchem de poder e a iniciativa estatal se torna absoluta, esmagando a liberdade individual em favor do coletivismo. O embate político pelo controle do Estado se torna perene uma vez que este garante privilégios econômicos, que facilitam a manutenção do poder. Empreendedores, produtores e trabalhadores são taxados e os recursos arrecadados são redirecionados, na forma de subsídios, para grandes empresas, grupos de interesses e para os polpudos salários dos burocratas. Apenas uma pequena parte desses recursos retorna na forma de serviços para os agentes tributados e para a parcela menos próspera da população. Trata-se de um arranjo surreal, que ao longo do tempo exaure todas as energias da galinha dos ovos de ouro, o setor produtivo da economia. Não é casual, portanto, que todo projeto de governo socialista requer tirania e se esgota em penúria, sofrimento e morte.

Evidências não faltam para que a sociedade esteja atenta, a fim de evitar que o Estado se torne onipresente. Não é saudável que atividades econômicas como a produção de energia e combustíveis, a gestão de portos, aeroportos e rodovias, e dos sistemas de saúde e educação, entre outros, sejam estatais. A iniciativa privada faz tudo isso com mais eficiência, qualidade e inovação. Porém, quando o Estado cria leis que violam a liberdade individual, como é o caso da lei da palmada, o alerta da sociedade civil precisa soar. É certo que o Leviatã saiu do controle, e ainda que oficialmente o país não seja socialista, caminha celeremente para tal. Por que, nesse caso, é tão difícil perceber que os alicerces da estrutura social livre estão sendo corroídos?

Um vislumbre da Teoria Crítica da Sociedade permite compreender a estratégia da revolução cultural proposta pela Escola de Frankfurt. O objetivo é o de moldar a mentalidade e a visão política das pessoas, abalando os alicerces da civilização Ocidental. Para tanto, é necessário cooptar aliados nas associações de trabalhadores (sindicatos), nas escolas, na mídia e até nas igrejas. Assim, aos poucos, sem alarde, geração após geração, a resistência contra a dissolução da liberdade e da individualidade vai sendo minada.

Ocorre que a instituição da liberdade individual, com seu sistema de escolhas e consequências, funciona como anticorpos em defesa da coletividade. Quando os indivíduos são convencidos a abrir mão de sua liberdade em favor do coletivismo, a sociedade perde esse escudo e se torna presa fácil do totalitarismo. A dignidade humana é aniquilada e o indivíduo renuncia à soberania de sua própria vida. Friedrich Hayek, em O Caminho da Servidão, destaca que não há nada mais desesperador e intolerável para um homem que saber que nenhum esforço próprio poderá mudar uma situação desfavorável. Prevalece o sentimento de resignação e impotência. Logo, há espaço para a tirania e a submissão, com todas suas consequências em termos de privação material e falta de perspectiva.

Quais seriam então, as estratégias do coletivismo para desestruturar as defesas naturais da sociedade? O escritor francês Victor Hugo alertou que um povo pode resistir à invasão de um exército, mas não ao propagar das ideias. Assim, o filósofo marxista Antonio Gramsci propõe que a hegemonia coletivista seja conquistada pela mudança no plano da consciência. Ou seja, na ideologia e no discurso. Daí o sentido de afrontar as tradições (que inclui a família, o trabalho e a religião), subverter a lógica, relativizar o rigor científico e dominar a linguagem. Para alcançar esse propósito, os coletivistas lançam mão de instrumentos como o controle dos meios de comunicação, a infiltração de aficionados nas instituições constituídas e o domínio da educação das novas gerações.

Nesse contexto, quando a análise crítica e a divulgação dos fatos são substituídas pela versão progressista, no jornalismo; quando a ética e a lógica econômica são atropeladas pelo casuísmo, na aplicação do direito; quando a meritocracia e o bom senso são ignorados em favor da inépcia e do coitadismo, na educação e no trabalho; a sociedade já se encontra em elevado grau de acometimento. A estagnação econômica decorrente é apenas reflexo dessa disfunção social, que óbvio, reduz a disposição para assumir riscos. Sem a ousadia para experimentar o novo, não há qualquer possibilidade de alcançar o desenvolvimento sustentável. Significa reconhecer a incapacidade de evoluir.

Evidente que não há produção que resista à ausência de liberdade para pensar, agir, tentar, errar e recomeçar. Logo, se a produção é obstruída, revela-se negligência pela necessidade humana de consumir. A própria vida é desprezada. O desfecho não poderia ser diferente do completo fracasso da existência humana. Não surpreende, portanto, que todas as vertentes do pensamento marxista, de alguma forma, afrontem os fundamentos da civilização Ocidental. A saber, a liberdade, a democracia, a família e a fé cristã. São valores que até aqui permitiram o progresso material da humanidade, o domínio das forças da natureza e em última análise, a sobrevivência do homem na Terra.

Nota do blog: Recomendo a todos interessados no assunto meu novo curso online sobre a Escola Austríacapelo Instituto Liberal. 

JANAINA PASCHOAL EXPLICA VOTO EM BOLSONARO E SE DEFENDE DE CRÍTICAS: “NÃO DEVO NADA A NINGUÉM PELO IMPEACHMENT”

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Fonte: Gazeta do Povo

9 comentários

  • Luiz Bittencourt Portão - RS

    O SENHOR EM QUESTÃO ESTÁ SE CONTRADIZENDO..., Em seu livro, Cidadão de Papel, ele cita: "Cidadania é o direito de ter uma idéia e poder expressá-la. É poder votar em quem quiser sem ser constrangido. É processar um médico por cometer um erro. É devolver um produto estragado e receber seu dinheiro de volta. É o direito de ser negro sem ser discriminado...(NUNCA VI UMA DECLARAÇÃO SEQUER DE JAIR BOLSONARO CONTRA QUALQUER NEGRO" para ser acusado de racista). ... ainda diz: É o direito de praticar uma religião sem ser perseguido... e por aí vai... caro senhor Dimenstein; tire sua máscara, enfrente seus medos, e limpe suas mãos, o Brasil jamais será um país comunista; leia um pouco a História, todos que um dia foram estão a beira da miséria, e conscientize-se a MAMATA ACABOU, NÃO EXISTE MAIS DINHEIRO NO CAIXA RÁPIDO DO BANCO PETISTA....

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Catraca Livre e' um exemplo de jornalismo infiltrado pela ideologia comunista...

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  • Almanakut Brasil Ribeirão Preto - SP

    Os moradores sofrem na Vila Madalena com o "sr." Gilberto Dimenstein

    Comunidade Vila Madalena - 08/04/2017

    https://www.youtube.com/watch?v=awj4RqHcnH0

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  • Almanakut Brasil Ribeirão Preto - SP

    Quando tiver vaga para carrasco voluntário, a fila irá do Oiapoque ao Chuí!

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  • Almanakut Brasil Ribeirão Preto - SP

    Catraca Livre recebeu R$ 2 milhões via Lei Rouanet na era Dilma - 17/02/2017

    Segundo o levantamento, o Catraca Livre recebeu cerca de R$ 2 milhões, através de várias empresas ligadas ao empresário esquerdista Gilberto Dimenstein.

    https://folhapolitica.jusbrasil.com.br/noticias/431797432/catraca-livre-recebeu-r-2-milhoes-via-lei-rouanet-na-era-dilma

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  • Toff Lau Campina Grande - PB

    essa CATRACA LIVRE era para ser fechada porque é a favor de comunista. Vai entrar BOLSONARO PARA FECHAR ESSA MERDA

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  • Toff Lau Campina Grande - PB

    Esse sujeito chamado de Gilberto Dimenstein é um bandido igual ao lula e quer que esse maldito petralha ganhe para mamar como antes seu imbecil você sabe que o lula deu a refinaria a evo molares e deu dinheiro a cuba e a Venezuela. Aí você seu idiota quer um ladrão desse no nosso BRASIL para acabar com o resto.

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  • Edmeu Levorato Uberaba - MG

    Catraca Livre, no fundo vocês querem o PT de volta, não tem outra explicação, corja de comunistas. Bolsonaro tem qualidades. Fala o que pensa e o que vai fazer, diferente desses outros que mentem o tempo todo. Lula, Alkmin, Ciro então as mentiras não cabem mais em sua boca.

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    • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

      Acrescenta nesta lista de Podres , a Ambientalista , inimiga do Setor Produtivo , incompetente a Sra. Marina Silva " que agora interessa também ao FHC , veja onde chegou o Desespero.

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  • Angelo Miquelão Filho Apucarana - PR

    Site sem expressão e igualmente sem valor. Estes pseudos intelectuais representam, falam em nome do atraso, atraso este no qual se firmam e tentam influenciar a opinião pública, mas pecam em não terem público, não são nada.

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  • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

    Este site (Catraca Livre) é contra por que? .. Será que faltou aquele tradicional patrocínio??? Por que só agora se posicionar contra??? ..

    Quanto aos pensamentos e ações do Presidente Bolsonaro, eles já são conhecidos há muito tempo... Na ânsia -- de quem sabe -- ser um bom investimento por parte do Bolsonaro que não aconteceu, agora vem o ataque deste site alegando que seus programas de Políticas Públicas não comunga com o site...

    Este site deveria ter exposto sua opinião já há mais tempo.

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    • Érico Batista da Silva Soledade - RS

      CATRACA !!! ISTO É PORCARIA COMUNISTAS, SOCIALISTA PATROCINADA POR UM BANDO DE LADRÕES, PTs.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Dimenstein chegou a conclusao que nao da' para mamar na campanha de Bolsonaro... entao tenta mamar no outro lado onde esta' o dinheiro.. Pensem bem, Dimenstein e' nome que cheira dinheiro.

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    • Elton Szweryda Santos Hortolândia - SP

      O Gilberto é do Psol, só pra explicar!!

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    • PAULO ROBERTO BRAZ FIORESE São Domingos - SC

      O Bolsonaro está sendo muito claro e transparente: Em seu governo não vai ter dinheiro público para ONG. Portanto é cristalino o fato destes serem explicitamente contra Bolsonaro. E a teta?

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    • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

      Os vermelhos não estão aguentando ouvir as verdades .

      A teta vai secar para estas máfias de ONGs.

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Já secou a dos sindicatos, a próxima é das ONGs... e por aí vai...

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    • erico jose pereira da veiga cruz alta - RS

      A teta dos sindicatos secou, sim felizmente. Credito, por justica, ao governo Temer.

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