SEM RESPOSTA PARA OS DESCALABROS DA BANGOLPE, PT AINDA FAZ AMEAÇAS

Publicado em 10/03/2010 15:48 541 exibições

SEM RESPOSTA PARA OS DESCALABROS DA BANGOLPE, PT AINDA FAZ AMEAÇAS


No Estadão desta quarta-feira:

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, emitiu nota ontem para protestar contra o que classificou de “escalada de ataques mentirosos” da imprensa por conta das revelações do caso Bancoop e anunciar que acionará judicialmente o Estado em virtude do editorial publicado na edição de ontem. Dutra informa que igualmente processará a revista Veja, por reportagem sobre o escândalo que circulou na edição desta semana.

“Também representaremos no Conselho Nacional do Ministério Público contra o promotor José Carlos Blat, fonte primária de onde brotam as mentiras, as ilações, as acusações sem prova e o evidente interesse em usar a imprensa para se promover às custas de acusações desprovidas de qualquer base jurídica ou factual”, afirma o presidente petista em sua nota.

Dutra diz que “é com perplexidade e absoluta indignação que o Partido dos Trabalhadores vem acompanhando a escalada de ataques mentirosos por parte de órgãos da imprensa a partir de matéria sensacionalista publicada na última edição da revista Veja”.

Segundo ele, “o mais absurdo desses ataques” se deu na terça-feira, quando o Estado publicou o editorial intitulado O partido da bandidagem: “Extrapolando todos os limites da luta política e da civilidade sem qualquer elemento que sustente sua tese.” Dutra conclui, dizendo que o PT “buscará, pelas vias institucionais, a devida reparação judicial”.

Comento
Se eu tivesse algo a recomendar a Dutra, seria prudência. Não que ele não possa processar quem bem entender, claro! Mas, fosse eu ele, esperaria um pouco mais. Para que se precipitar, companheiro?

Acho que ele deveria aguardar a evolução do noticiário. Vai que o que circula por aí não seja tudo, e depois se mostre necessário, sei lá, corrigir a ação na Justiça… A minha impressão, dado o cheiro que exala dos esqueletos dos edifícios da Bancoop, é que ainda falta saber muita coisa. Não costumo lidar com a intuição. Abro uma exceção nesse caso…

A propósito: a indignação vai ficar só por conta do “partido”? E o sindicato? Não vai dizer nada? Todos já esperávamos, claro!, essa gritaria de petistas. Afinal, a gente sabe: quando as acusações colhem seus adversários políticos, trata-se de uma questão de cidadania. Quanto os enrolados são os companheiros, tudo não passa de uma vil conspiração.

Eu entendo o nervosismo. Um buraco de R$ 100 milhões numa cooperativa é o tipo de escândalo que prova, uma vez mais, o amadorismo de um José Roberto Arruda, que, para satisfação geral, está na cadeia. Dutra deve concordar com este blogueiro quando escreve que petista preso é coisa que não se vê, como enterro de anão e cabeça de bacalhau.

Não foram os próprios petistas que anunciaram uma nova era com Arruda na cadeia? Pois é… Então que seja uma nova era. Eu estou torcendo para  o governador afastado arranjar logo parceiros de dominó na Papuda.

Dutra precisa tomar um Lexotan. E aguardar os fatos antes de sair por aí processando este e aquele a torto e a direito. O dinheiro é do partido, sei disso; ele gaste como quiser. Mas pra que torrar a grana antes da hora? Aguarde os fatos, Dutra. Aguarde os fatos… É o que recomenda um passarinho que acabou de pousar (Emir Sader escreveria “posar’) aqui na minha janela.

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É ASSIM QUE OS COMPANHEIROS TRATAM AS VÍTIMAS DA BANGOLPE!


Por Roberto Almeida, no Estadão:
Dizia o anúncio, em 2001, que seriam 80 metros quadrados de área útil, sala com terraço, bancada tipo americana, três dormitórios. Piscina e estacionamento próprio. Assim ficaria o Residencial Jardim Anália Franco, empreendimento da Bancoop no Tatuapé, zona leste de São Paulo , que até hoje não está pronto. Só duas das quatro torres foram entregues.

Da varanda de seu apartamento, no 14º andar de uma das torres prontas, Nivaldo Nappi, um gráfico de 47 anos, diz que não adiantou nada quitar seu apartamento, em 2003. É que dali ele só enxerga as torres inacabadas (”dois esqueletos”), uma piscina que não saiu da armação de cimento e pouco trabalho. “Minha vontade era colocar uma câmera apontada para a obra só para mostrar ao juiz o andamento”, diz, revoltado. Mesmo com o apartamento quitado Nappi já desembolsou R$ 195 mil , ele ainda deposita em juízo o chamado “aporte”. São mais R$ 24 mil em 48 parcelas, para que a obra seja entregue.

Mas o pior, de acordo com o advogado de Nappi, Waldir Ramos da Silva, é que o empreendimento nunca foi averbado. Ou seja, juridicamente, o apartamento quitado não existe. Há apenas um terreno, em nome da Bancoop. E, por conseguinte, não há escritura. “Quando que esse apartamento vai ser meu?”, questionou Nappi. “Eu moro em uma coisa que não é minha”, emendou outro cooperado, Nivaldo Sabadin. E vendê-lo, segundo ele, é impossível. “Quem vai querer?”.

Nappi, Sabadin e outros moradores que se concentraram ontem à tarde no salão de festas de uma das torres prontas disseram que entraram no “esquema Bancoop” pelo “nome forte” do Sindicato dos Bancários. Esperavam morar no que viram nos panfletos distribuídos  projetos exuberantes, “com cara de Morumbi”. Agora reclamam que, por terem obtido direito de depositar o valor em juízo, não podem participar das assembleias. E que não têm voz ativa na escolha da empreiteira para terminar as obras.

“DESESPERO”

Segundo uma moradora que não quis se identificar, a Bancoop “conta com o desespero das pessoas que ficaram de fora”. “Os que ficaram de fora” são, nesse caso, os que deveriam morar nos esqueletos do Anália Franco há quatro anos. É o caso de Rogério, filho do aposentado Valdeci Batista da Silva, que manteve o boleto na mão, reclamando dos pagamentos “abusivos”.

Contra os moradores do residencial que deixaram de pagar, como Sulivam Gomes de Brito e Aline Rosa de Oliveira Brito, a Bancoop ajuizou ação de reintegração de posse. Ontem, na 3ª Vara Cível de São Paulo a cooperativa não conseguiu reaver o apartamento, avaliado em R$ 91,5 mil. O juiz Luis Fernando Nardelli grifou que “os saldos residuais somente são exigíveis quando devidamente demonstrados, calculados e provados”. A Bancoop nunca teria conseguido dizer o quanto eles ainda teriam de pagar para “fechar a conta”. Segundo sua assessoria de imprensa, a Bancoop deve recorrer, e o Anália Franco é um empreendimento “em construção”.

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Vaccari já tem os culpados: os cooperados e o PSDB…

Fenomenal a entrevista de João Vaccari Neto ao Estadão de hoje. Atenção:
- a culpa do rombo na Bancoop é dos cooperados que pararam de pagar;
- a investigação é uma trama do promotor, em conluio com Serra;
- não existe caixa dois no PT;
- Freud Godoy recebeu R$ 1,5 milhão por serviços prestados;
- o caso dos aloprados (e o próprio Lula os chamou assim) também é uma conspiração do PSDB.

Esses caras estão convictos de que podem tudo.

*
Por Por Clarissa Oliveira:
Apontado pelo Ministério Público Estadual como responsável pelo desvio de recursos na Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), o novo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, diz que houve apenas “desequilíbrio financeiro” e nega que dinheiro da entidade tenha ido para campanhas eleitorais de seu partido. Em entrevista exclusiva ao Estado, Vaccari responsabiliza os próprios cooperados por não terem obtido as chaves dos imóveis que adquiriram. Alegando mais uma vez que as denúncias fazem parte de uma “ação eleitoreira”, ele diz que erros orçamentários demandaram o reajuste das “estimativas de custo”. “O que existe é uma briga entre sócios.”

Como o sr. reage às conclusões do promotor José Carlos Blat, do Ministério Público Estadual?
Vocês insistem no erro. Não há R$ 100 milhões de rombo.

Então, como o sr. explica os quase três anos de investigação?
Para se ter uma ideia, ele em nenhum momento cita que teve acordo com a Bancoop. Um acordo judicial, transitado com o juiz. De qualquer forma, há uma diferença entre gestor financeiro e diretor financeiro. Luizinho (Luiz Malheiro, ex-presidente da Bancoop) optou pelo modelo de gestores. Me fez gestor financeiro, mas eu não assinava nada.

O sr. não assinava os balanços? 
Nunca tive de assinar nada. Nem balanço. Só quando virei presidente, quando Luizinho morreu num acidente. Eu podia renunciar, mas optamos por um mandato-tampão. Fizemos auditoria contábil e de engenharia. Engenheiros disseram: “Tem problema nos preços. É muito baixo. Com esse preço, vocês não constroem.”

O sr. explica todo o problema de famílias que não receberam os imóveis por um erro orçamentário?
Chamamos os cooperados e dissemos: “Amigos, com esse dinheiro dá para fazer duas torres, não três. Auditem para verificar.” Alguns fizeram isso e estão tocando a vida. Outros não concordaram com o resultado. Só que faltava dinheiro. Aí, o cara pega o termo de adesão e lá tem todas as regrinhas, inclusive a de que eles têm de pagar eventuais diferenças de preços. Mas eles dizem: “Ah, tem de construir por esse preço que você falou.” É estimativa de custo. Esse promotor faz essa apologia o tempo todo. Por que não propõe ação na Justiça?

Mas foi o irmão de Luiz Malheiro que denunciou pagamentos ao PT.
O Hélio Malheiro é um picareta. Só o conheci quando o irmão dele morreu. Nós o demitimos por má prestação de serviço. Ele e o Andy (Roberto, ex-segurança da Bancoop), que espelhava notas. Esse promotor quer sacanear comigo, porque sou petista, tesoureiro do PT. É uma ação eleitoreira.

O sr. não tem preocupação?
Vou reagir politicamente e ele que vá fazer gracinhas com as negas dele. Acabou o dinheiro, paramos as obras. No dia em que pagarem, continua. Cooperados que tinham de pagar, alguns deles não quiseram. Os que quiseram concluíram a obra e estão tranquilos. Se esse promotor quisesse saber quem sacou dinheiro, não somava cheques de operação interbancária. Ele soma e diz que é rombo.

Há indícios de que o dinheiro foi para campanhas do PT. Não é de hoje o histórico de caixa 2 no PT.
Não tem caixa 2 no PT. Eu nunca tive conhecimento disso.

Chama-se mensalão.
Não existe isso. Se o Blat tivesse feito uma investigação séria, não diria tanta bobagem.

R$ 1,5 milhão teriam sido pagos à empresa de Freud Godoy.
Freud é prestador de serviços. Faz segurança. Demitimos o Andy e contratamos o Freud.

Mas o Freud não é suspeito?
Não tem nada suspeito, nunca foi condenado a nada. Se os jornais não gostam do Freud porque ele é assessor do Lula, é um problema dos jornais.

O sr. trocou telefonemas com Hamilton Lacerda no dia da compra do dossiê dos aloprados?
Vá na Polícia Federal e pegue meu depoimento. Estamos conversando, mas não sei o que você fez antes de chegar. E se você matou um cara na esquina? Nem foi o Hamilton que ligou.

Com quem o sr. falou?
O delegado não perguntou.

Me parece uma pergunta óbvia.
Está vendo como é uma engenharia política? Tentam até trazer os aloprados para a gente. É serviço do PSDB.

Quem está mandando?
Acho que o amiguinho deles promotor. Ou o presidente do PSDB, ou o Serra.

Quando o PT o indicou para a tesouraria, sabia que isso viria à tona. Alguns disseram que foi um pagamento por serviços prestados.
Não recebi.

Como foi a escolha de seu nome?
Foi um debate político, como ocorre com todo mundo. A prerrogativa de resolver o problema foi da cooperativa, de colocar tudo em ordem. Agora, o que existe é uma briga entre sócios. Uma cooperativa é uma sociedade de pessoas. E alguns sócios não querem cumprir o que eles combinaram.

O que está sendo feito para solucionar o problema dos cooperados?
Eles têm de pagar. Se não pagam, não têm. Há um contrato assinado, com preço estimado. E querem transformar em Código de Defesa do Consumidor, com preço fechado. Mas não foi isso o que assinaram.

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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1 comentário

  • Busy Crazy Monkey São Paulo - SP

    No link abaixo você encontra mais informações sobre quem é esse pseudo-promotor (de um quarto de tigela, por que meia tigela é muito par alguém com esse caráter):

    http://veja.abril.com.br/150206/p_052.html

    Essa é uma pequena parte do currículo criminal do Sr. Blat que a Veja ousou em divulgar em 2006.

    E quem paga seu salário? Nós!

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