DESMONTANDO, COM MUITA SIMPLICIDADE E VERDADE, A PICARETAGEM DO PAC 2 — E DO 1 TAMBÉM

Publicado em 29/03/2010 19:51 727 exibições


Na solenidade de lançamento do suposto PAC 2, Dilma afirmou que ele “incorpora, complementa e faz avançar o PAC 1″. Ah, entendi.

Então é assim: o governo age como o caminhante que anunciasse percorrer 100 quilômetros  em 10 dias”. No 10º dia, tendo percorrido apenas 11 quilômetros, ele anuncia que, nos próximos 10, pretende é avançar 200 quilômetros em relação àquele ponto inicial. “Mas e os 89 quilômetros não-percorridos?”, indagaria alguém que não se deixa impressionar. Ora, a nova meta, naturalmente, “incorpora, complementa e faz avançar aquele objetivo inicial, entenderam?”

De saída, vejam que espetáculo, o caminhante dobrou o tempo para o cumprimento da primeira meta: serão 20 dias para os mesmos 100 quilômetros. O leitor inteligente vai logo indagar: “Mas e os novos 100 quilômetros prometidos?”

Ora, leitor amigo, quem não cumpriu a primeira parte não vai se incomodar em não cumprir também a segunda. Esse caminhante, como atleta, é um picareta. Ele só é um bom propagandista diante de pessoas que ignoram leis elementares da física, da matemática e da lógica.

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PACTÓIDE 2 - A CERIMÔNIA DA HONESTIDADE POLÍTICA E INTELECTUAL MÍNIMA


No dia do lançamento do PAC, cravei aqui a palavra: “pactóide”, uma referência a “factóide”, ao fato de mentirinha, àquelas coisas que se sustentam apenas para movimentar o noticiário. A imprensa brasileira jamais deveria ter caído nessa conversa, tratando uma peça de propaganda como se fosse algo objetivo, dado da realidade.

1) Aquilo a que se chamou “PAC” nada mais era do que um conjunto de obras que fazem parte da rotina de governos — deste e de qualquer outro. Ou, então, governar para quê?

2) Lula e Dilma “seqüestraram” todas as obras do Brasil, do setor público e do privado: tudo passou a ser PAC. Cheguei a brincar aqui que, se você fizer um puxadinho em casa, Dilma vai tomar para ela. Um leitor fez um hidrelétrica privada; tomou emprestad ao BNDES uma parte dos recursos, a juros de mercado. Teve de apresentar “relatórios” para o comitê do PAC…

3) Em suma, o PAC 1 é uma vigarice que se revela nos números. Dos 12.163 empreendimentos listados, só 11,3% (1.378) foram concluídos. Nada menos de 54% deles nunca nem saíram do papel. Vale dizer: o verdadeiro PAC de Dilma acumula poeira nas gavetas da burocracia; é pura conversa mole.

4) Mas Dilma recorreu a um truque: retirou da contabilidade as obras de saneamento e habitação. Mesmo assim, chega-se a apenas 31% de realização.

5) ATENÇÃO PARA OUTRA PICARETAGEM - Quando é para falar de “recursos” do PAC, os empreendimentos de saneamento e habitação entram na conta; quando é para contabilizar as obras concluídas, aí eles saem.

PAC 2
Sem que o PAC 1 tenha existido, o governo fez hoje uma grande pajelança para o PAC 2. E Dilma foi a estrela, em mais um dia notável de uso da máquina pública para tentar alavancar a candidatura oficial.

E ela fez a única coisa que sabe fazer, que aprendeu com seu mestre: falou bem de Lula (como ele próprio faz, principal Deus e principal crente da religião de si mesmo) e atacou o governo anterior, quando teria vigorado no Brasil o “estado mínimo”, tese que é de uma estupidez supina.

Foi, isto sim, a solenidade da honestidade política e intelectual mínima. Desta vez, ao menos, bem que na imprensa poderia chamar acrescentar a “PAC 2″ o adjetivo “suposto”.

“É A FARSA NO ANÚNCIO E NO QUE SE ANUNCIA”


Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:

A oposição reagiu nesta segunda-feira ao lançamento do PAC 2 (segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento) às vésperas da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) deixar o governo para disputar a Presidência da República. Os oposicionistas acusam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de lançar o programa com o objetivo de alavancar a candidatura de Dilma, uma vez que as principais obras da primeira versão do PAC não foram concluídas.

“Lula, em mais um comício a favor da ministra-candidata, lança hoje o PAC 2 sem ter conseguido transformar o discurso do PAC 1 em ações concretas. E a maior prova disso está na recusa do Palácio do Planalto em dar a relação das obras que são monitoradas pela madrasta do PAC, a ministra-chefe da Casa Civil”, disse o líder do O DEM na Câmara, deputado Paulo Bornhausen (SC).

O deputado Arnaldo Jardim (SP), vice-líder do PPS na Câmara, disse que o lançamento do PAC 2 é um “pacote eleitoral” para impulsionar a candidatura de Dilma. “É um tipo de pacote eleitoral só para reforçar a imagem ministra-candidata como mãe do PAC. Não é um programa para valer”, afirmou.

Reportagem publicada nesta segunda-feira pela Folha mostra que o governo lançou a segunda versão do PAC sem abrir a caixa-preta que sustenta a propaganda da primeira versão do Programa de Aceleração do Crescimento.

Segundo levantamento feito pela Folha, não se sabe com precisão o que aconteceu com 2.321 (94%) das 2.471 ações ditas como ‘monitoradas’ pelo programa. Como até a lista desse montante de obras é mantida sob sigilo, não há informações também sobre o andamento e a execução orçamentária de cada uma delas.

Para Jardim, o PAC reúne “obras isoladas, esparsas e maquiadas”. O site Contas Abertas realizou levantamento apontando que das ações prevista no PAC 1, 54% ainda permanecem no papel. “Por mais que o presidente insista em engrandecer do PAC em seus discursos país afora para turbinar a candidatura da ministra Dilma, a verdade dos números demonstra que a maior parte das obras não foi executada, e as que estão em andamento tem baixo grau de desempenho”, afirmou.

Bornahusen disse, por sua vez, que a “farsa” do programa é inegável. “O comício de hoje é mais uma mentira: só participou dele quem estava devidamente convidado, ou convocado. Como nos programas de auditórios gravados antes de ir ao ar, Lula comanda a plateia com suas palavras de animador de comício: é a farsa no anúncio e no que se anuncia. É a manipulação do espetáculo e do espectador”, disse o líder de oposição.

A corrida começou 1 - Dilma diz que governo anterior foi “omisso”


Por Leonardo Goy, Fábio Graner e Renata Veríssimo, da Agência Estado

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou a criticar o governo anterior em seu discurso na cerimônia de lançamento do PAC 2. Ela disse que, no Brasil, existiram três modelos de Estado. O primeiro, na década de 50, era o Estado produtor, que atuava diretamente na economia e às vezes era autoritário. O segundo “foi o Estado mínimo do neoliberalismo que nos antecedeu”. O “Estado do não”, enfatizou. “Não havia Planejamento estratégico, não havia crescimento de investimento público e não havia parceria com a iniciativa privada”. “Foi um Estado omisso”, acrescentou.

O terceiro modelo do Estado brasileiro, segundo a ministra, foi implantado durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. “É o do Estado indutor, regulador, que cria condições para que os investimentos sejam feitos e cobra”. Segundo a ministra, esse modelo respeita a iniciativa privada, não abre mão do desenvolvimento, mas garante a estabilidade macroeconômica. A regra central, segundo a ministra, é que o desenvolvimento ocorra com distribuição de renda. “Três expressões renasceram no governo Lula: planejamento, investimento e desenvolvimento com inclusão social. Deixamos para trás décadas de improvisação”.

A ministra encerrou seu discurso com a voz embargada. Ao se referir ao novo papel do Estado que, segundo ela, foi definido no governo Lula, e às perspectivas de crescimento do País com o PAC 2, Dilma, dirigindo-se ao presidente, disse que “este é o Brasil que o senhor, presidente Lula, recuperou e construiu para todos nós e que os brasileiros não deixarão mais escapar e que eu espero vai continuar crescendo com o PAC 2″.

A exposição de Dilma sobre o PAC, a última como ministra da Casa Civil, teve um caráter mais político do que técnico. Diferentemente das apresentações anteriores Dilma não se prendeu aos números e às tabelas exibidas para a plateia. Em vez disso preferiu uma abordagem mais qualitativa sobre o impacto das obras e o motivo de cada investimento. Ao falar sobre novos investimentos de geração de energia elétrica, por exemplo, Dilma não listou quais usinas serão construídas e quantos megawatts serão produzidos. Em vez disso, preferiu garantir mais uma vez que não faltará energia ao País e que a expansão da geração se dará por meio de fontes menos poluentes, como usinas hidrelétricas e de biomassas.

Barreiras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que decidiu anunciar o PAC 2 neste momento porque leva muito tempo entre a divulgação da intenção de realizar uma obra e sua efetiva execução. Segundo o presidente, essa diferença entre a intenção e o fato está relacionada à existência de barreiras que historicamente foram criadas para a fiscalização do Executivo.

Como exemplo para demonstrar a lentidão desse processo, Lula citou a ferrovia Transnordestina, em que o governo já trabalha há cinco anos e a obra ainda não está pronta. Lula disse que a previsão era concluir o projeto até 2010, mas, agora, o calendário prevê sua finalização só em 2012. Segundo ele, nessa obra especificamente foram três anos somente para a elaboração do projeto e da engenharia financeira. Depois disso, o governo teve que ir atrás de cumprir uma série de outras exigências e também trabalha na questão das desapropriações de terrenos, que depende de conversas com os governos estaduais. “Isso é só para ter uma ideia do transtorno que é fazer grandes obras nesse País”, disse Lula.

O presidente afirmou ainda que sempre se falou em cemitério de obras públicas e, segundo ele, isso ocorreu porque “nem todo o mundo é tão perseverante quanto eu para concluir as obras”.

Lula também disse que o maior problema para a realização de obras não é falta de dinheiro, e sim de projetos bem acabados. “O que libera dinheiro não é discurso, não é pressão política, não é emenda parlamentar, não é pressão de governadores, o que libera dinheiro é o cidadão que governa trazer um projeto consistente, com tudo o que precisa para realizar a obra”, disse.

A corrida começou 2 - Serra anuncia incentivo para indústria têxtil e critica falta de competitividade do país


No Estadão Online:
O governador José Serra (PDSB) anunciou nesta segunda-feira, 29 de março durante cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, redução na carga tributária para setores da indústria têxtil em São Paulo com críticas à política macroeconômica do governo federal. “Eu vou dizer uma coisa: estou convencido de que trabalhadores e empresários brasileiros são muito eficientes. Nós somos mais eficientes inclusive que os chineses. Os problemas que nós temos de competitividade decorrem de problemas macroeconômicos”, disse o governador e pré-candidato à presidência.

Serra anunciou uma redução na alíquota do ICMS de 12% para 7% para as indústrias têxteis. “É um alívio, é um incentivo. Resolve todos os problemas? Não. Há vários outros problemas de carga tributária e de concorrência externa com práticas desleais de comércio, praticadas pelos países do sudeste asiático. E o Brasil ainda não se defende tanto quanto seria necessário”, disse. Ele não detalhou que tipo de medidas seriam adotadas para melhorar a competitividade do País. Mas, ao melhor estilo Lula, usou uma metáfora para explicar o problema. “Eu não posso ir numa corrida onde o adversário está com o tênis novinho e bem amarrado e eu com o tênis desamarrado. Nós temos que amarrar esse tênis da competitividade do país.”

Mais cedo, Serra inspecionou as obras da Linha 4 (Amarela) do Metrô de São Paulo. Durante uma hora e meia, o tucano viajou do Pátio da Vila Sônia até a Estação Paulista e, ao longo do trajeto, acenou, cumprimentou e tirou fotos com populares na Estação Consolação, da Linha Verde, e na Avenida Paulista.

A Linha Amarela não tem data para ser aberta à população. Segundo o Metrô, isso só acontecerá quando os padrões de segurança forem alcançados. “Poderia já hoje estar abrindo (estas estações) para funcionar. Mas é essencial que a segurança seja 100%. Não faríamos uma antecipação, sacrificando o controle rigorosíssimo de segurança”, afirmou o governador em um breve discurso para jornalistas e funcionários do Metrô, na Estação Paulista.

Questionado se a entrega da Linha Amarela estava dentro do cronograma previsto, o tucano respondeu que “os prazos são sujeitos à margem de erros”. De acordo com o governador, até o fim de 2010, o trecho entre a Vila Sônia e a Luz estará completo.

Na Estação Paulista, fechada ao público, Serra assistiu a uma apresentação de bailarinos e de estagiários do Metrô ao som do jingle do Plano de Expansão do Metrô, veiculado há pouco tempo na TV. Sorridente, o presidenciável não resistiu e arriscou alguns passos, em compasso com os dançarinos.

No trajeto a pé por esteiras rolantes, entre a Estação Paulista e a Consolação, um conjunto musical tocou a marchinha de carnaval “Está Chegando a Hora”, que entoa: “Ai, ai, ai, ai/ Está chegando a hora/ O dia já vem raiando meu bem/ Eu tenho de ir embora.” Nas laterais das esteiras rolantes, pelo menos 100 funcionários do Metrô seguravam placas com fotos e dizeres sobre as realizações do governo Serra, como a inauguração de estações e de bicicletários próximos aos metrôs.

O tucano estava acompanhando do vice-governador do Estado, Alberto Goldman (PSDB), que assume São Paulo com a saída de Serra, e do virtual candidato do PSDB ao governo do Estado, Geraldo Alckmin. Indagado sobre o que mais gostaria de ter feito em sua gestão, o tucano respondeu: “Queria ter feito mais de tudo, mas acho que fizemos bastante. Minha gestão vai até o final deste ano. Até lá, muita coisa mais vai ficar pronta.”

Saída
“Quarta-feira (31) é a prestação de contas. Aí, saio dali a dois dias, empacotando tudo”, afirmou, após inaugurar uma Escola Técnica Estadual (ETEC) em Paraisópolis, na Zona Sul da capital.

O tucano já começa a preparar uma faxina no seu gabinete de governo para dar espaço ao vice, Alberto Goldman, também do PSDB. “Tenho muita coisa para levar para casa, sobretudo papel. Porque não jogo nada de papel fora”, contou. “Agora, é a hora de ver qual papel eu deveria ter jogado fora e qual devo guardar”, emendou. Serra definiu-se como um “acumulador de papéis” e estimou ter guardado, em três anos de governo, de 500 a 1.000 livros.

O tucano garantiu que, mesmo com a sua saída, a gestão do Estado continuará a mesma. “Goldman, desde 2009, foi nosso braço direito no governo. Ele está por dentro de tudo. Não há a maior descontinuidade”, afirmou Serra, que descreveu o seu substituto como um homem preparadíssimo e experiente.

De acordo com o governador, a única mudança a ser sentida na nova gestão deve ser o fuso horário do novo governador. “Goldman tem um gosto duvidoso. Acorda às 5 da manhã. Já trocamos e-mails quando eu estava indo para a cama e ele estava acordando”, afirmou.

Durante discurso para cerca de 200 pessoas na ETEC recém-inaugurada, Serra disse ter feito questão de ir a Paraisópolis antes de deixar o governo. Ao lado do secretário do Desenvolvimento e virtual candidato do PSDB à sucessão ao Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin, Serra visitou as instalações da ETEC.

Cercado por crianças, moradoras da comunidade e estudantes do Centro Educacional Unificado (CEU) de Paraisópolis, o governador tirou dezenas de fotos e fez brincadeiras com os times de futebol dos pequenos.

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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