SURREALISMO: DILMA NEGA QUE CONFLITOS NO CAMPO TENHAM AUMENTADO

Publicado em 16/04/2010 16:48 1040 exibições



Por Elder Ogliari, da Agência Estado. Volto em seguida:

A pré-candidata do PT à presidência da república, Dilma Rousseff, disse há pouco que não concorda que os conflitos agrários tenham aumentado no país durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme os jornais de hoje divulgaram. “Os dados não apontam nesse sentido”, afirmou Dilma, passando a discorrer sobre os programas que o governo federal desenvolveu nos últimos anos.

“O governo Lula encaminhou as condições para a agência ter paz no campo”, ressaltou. A seguir Dilma, que disse que o governo assentou quase 600 mil famílias, elevou os financiamentos do Programa Nacional da Agricultura Familiar de R$2 bilhões, no início, para 15bilhões na safra de 2009. Também citou o Mais Alimentos que financiam tratores para a agricultura familiar e, ainda, Luz para Todos, que leva energia elétrica ao campo.

“Isso permite afirmar que nós construímos as condições para encaminhar a paz no campo”, reiterou. “Mas sabemos que os movimentos sociais funcionam pela cabeça deles; nós estamos criando as condições para os movimentos sociais como o dos Sem Terra tenham suas reivindicações históricas atendidas”. Dilma está em Caxias do Sul onde fala neste momento numa reunião-almoço promovida pela Câmara de Indústria e Comércio do município.

Comento
Dilma está negando dados levantados por seus próprios aliados. Dados que são, de resto, incontestáveis. A única diferença entre a candidata do PT e seus aliados do MST é que ela sabe que esse dado não é necessariamente bom para a sua campanha, e eles consideram que o aumento de invasões — que aquele senhor chama “conflitividade”  — é uma maravilha da democracia.

A fala de Dilma também revela um estranho modo de pensar. Segundo ela, não houve aumento de invasões porque 600 mil famílias foram assentadas no governo Lula. Ainda que o número seja real, o que uma coisa tem a ver com a outra? TEM,  MAS NÃO COMO ELA DIZ.

Os assentamentos feitos nos governos FHC e Lula deveriam, claro, ter feito diminuir o número de conflitos no campo. Mas eles aumentaram. O que é, aparentemente, uma contradição revela mais do que dados coordenados por adição: trata-se de uma relação de causa e efeito. Quanto mais se cede às chantagens do MST, mais o MST invade, depreda, aterroriza.

A razão é simples. O MST é um movimento de inspiração maoísta, com laivos da Escatologia da Libertação. Esses dois horrores ideológicos somados não podem dar em boa coisa. E não dão.

O MST não fará a pretendida revolução socialista, claro. Mas vai fazer de tudo para continuar a ser um aparelho financiado com o nosso dinheiro.

MST E CPT INVADEM ATÉ A PRIMEIRA PÁGINA DO ESTADÃO

O Estadão publica hoje uma reportagem, que lhe rendeu manchete, toda ela pautada pela Comissão Pastoral da Terra. Isso quer dizer que o MST, quem diria?, invadiu as páginas do Estadão. Espero que não consigam levar a sua lona preta para os editoriais, quase sempre excelentes.

A manchete informa: “Conflito agrário cresce no governo Lula”. Quem coletou os dados, com base em informações fornecidas pela “sem-terrista” Comissão Pastoral da Terra, é o geógrafo Carlos Walter Porto-Gonçalves, pesquisador da Universidade Federal Fluminense, que trabalha para a pastoral. “CONFLITIVIDADE”? Carlos Walter invadiu o dicionário e passou o trator sobre as palavras, mais ou menos como o MST faz com laranjais. “Conflitividade” é um modo de evitar a palavra “invasão”, emprestando-lhe uma espécie de sotaque e abstração sociológicos que faz parecer que a bandidagem no campo é uma fatalidade da natureza ou das relações sociais. Mas vamos lá.

Entre 2003 e 2009, seis anos de governo Lula, a média anual de “conflitividades” chegou a 929, contra 800 nos seis primeiros anos do governo FHC. Em 2001, uma Medida Provisória que indispunha para reforma agrária terras invadidas e que criava uma cadastro de invasores fez com que essa média anual caísse para 536. A MP continua em vigor, mas o governo Lula se nega a aplicá-la — isto é, não cumpre uma lei. E é isso que fez a média quase dobrar entre 2003 e 2009: das 536 invasões para 929.

O “geógrafo da conflitividade” tem uma explicação — e, nesse caso, o Estadão não se preocupou em ouvir o “outro lado”. Segundo ele, “aeleição de Lula, um operário ligado ao Partido dos Trabalhadores, significou a afirmação do processo de redemocratização, criou enormes expectativas de mudanças e, ao mesmo tempo, açulou o medo das oligarquias rurais, que passaram a reagir com maior intensidade e mais violência”.

Essa sua explicação, acreditem, foi parar no texto da manchete do Estadão, indicando que o MST invadiu também a primeira página. Entende-se, segundo o que vai acima, que os oito anos de governo FHC e os dois anteriores, de Itamar Franco, não tinham, ainda, “afirmado o processo de democratização” o bastante. Só o governo Lula o fez. E, como se nota, os responsáveis pelos conflitos são “as oligarquias rurais”, que passaram a reagir “com violência” ao pacifismo do MST… É o fim da picada! Mais: a fala trata como um dado da realidade esta relação: “mais conflitos = mais democracia”.

Com a mesma sem-cerimônia com que assalta o vocabulário, Porto-Gonçalves assalta os fatos. Ele próprio informa ao repórter do Estadão que “a violência no campo atinge o maior volume de assassinatos já registrado na história recente” entre 1985 e 1990″, o que desmente a sua própria fala destacada em negrito. A reportagem não percebeu a contradição por uma razão óbvia: a matéria está sendo conduzida segundo a visão de mundo da CPT e, por conseqüência, do MST.

E o rapaz vai longe, vendendo a sua versão ao Estadão, que não se ocupou de ouvir mais ninguém. Como é que Porto-Gonçalves chega à conclusão de que aumentou a violência no campo? Assim: “Não foi só a violência do poder privado que aumentou. No período recente, houve um crescimento notável no número de famílias despejadas de áreas ocupadas, o que significa que a violência do poder público também aumentou.”

Entenderam? Ele está chamando as ações de reintegração de posse, determinadas pela Justiça, de “violência”. Vale dizer: se o proprietário defende a sua propriedade por conta própria — leitor, você tem ou não o direito de proteger a sua casa ou o seu apartamento?  —, é “violência das oligarquias”; se ele recorre à Justiça, aí é “violência do poder público”. Corolário: a única saída, para se aplicar a não-violência, é deixar o MST invadir à vontade.

Os números, ainda que fornecidos pela turma da invasão, provam o descalabro do governo Lula nessa área. Quanto ao Estadão, fazer o quê? Acho que o Movimento dos Sem-Jornal poderiam tentar invadir o mais que centenário defensor do republicanismo, não é mesmo? Ou, então, em nome do “outro lado”, a direção poderia contratar alguns ruralistas. Como se nota, o MST e a CPT já chegaram à reportagem e à primeira página. Já que não conseguimos mais garantir o princípio da lei no jornalismo, que se fique, ao menos, com o equilíbrio do outro-ladismo. É detestável, eu sei. Mas ainda é melhor do que ser editado pelo MST.

Às vezes, fico com a impressão de que a sala ou andar dos editoriais estão com o MST estacionado na porta, pronto para invadir as terras do bom senso.

O PODER DA MENTIRA E TÁTICAS PARA LUDIBRIAR A OPINIÃO PÚBLICA

Na Folha desta quinta, havia uma carta da assessoria da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. O jornal fez um “erramos”, e, do conjunto, Dilma e o partido pretendem fazer uma farsa. E é essa farsa que vou desmontar agora com paciência cirúrgica. Não deixem de ler este texto porque vocês verão um método do PT na sua absoluta clareza. Mas, antes, alguns princípios deste “consultório”.

A luta política é legítima. Não satanizo ninguém por tentar, afinal, vender o seu peixe ideológico. Também tenho as minhas convicções, crenças, valores. A minha exigência para haver diálogo: que não haja transigência na questão democrática. “Mas você vive atacando as esquerdas”. Verdade absoluta! Um pouco de esquerdismo sempre é um pouco menos de democracia liberal, que é a minha, a menos. Mas os ataques obedecem a uma escala: entre a rósea social-democracia e o comunismo vermelho de sangue, há diferenças. E, portanto, eu os trato diferentemente.

As coisas estão bem misturadas hoje em dia. O PT, por exemplo, não quer “socialismo”, aquele de corte soviético. Da herança bolchevique, ficou com o amor pela ditadura, que procura exercer por outros meios e métodos. E, por isso, não há como eu me entender com a metafísica do partido. E há, além ou aquém da ideologia, uma prática que me incomoda nessa gente: o amor pela mentira como um método.

Agora vamos cuidar de desmontar a farsa. Comecemos pelo… começo! Fui o primeiro jornalista a apontar — podem procurar — que Dilma Rousseff, para atingir o adversário José Serra, havia atacado os exilados naquele encontro ilegal que manteve com os sindicalistas em São Bernardo. O post foi publicado na madrugada de domingo:UM AZUL PARA O VERMELHO.

Não transcrevi a sua fala, sempre cheia de cacos e improvisos, não!Publiquei o texto que o PT distribuiu para a imprensa — PORTANTO, ERA A VERSÃO AUTORIZADA E ENDOSSADA PELA CANDIDATA E PELO PARTIDO. E qual é o conteúdo do polêmico trecho AUTORIZADO? Este:
Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco.

Escrevi, então, antes de qualquer reação negativa à fala bucéfala:
É uma indecência. Está se referindo ao fato de que José Serra se exilou para não ser preso pela ditadura militar. Está chamando isso de “fugir”, o que evidencia que essa gente não tem mesmo limites. Seus companheiros, Franklin Martins inclusive, seqüestraram pessoas para libertar presos políticos — justamente para que se exilassem. Havia uma ordem de captura contra Serra, e, mais tarde, foi enviada ao Chile uma recomendação para que ele fosse eliminado. Vejam como Dilma torna heróica a sua trajetória e tenta vilipendiar a do adversário. Isso é pistolagem retórica. Do mesmo modo que o PT assaca contra a história do país, Dilma assaca contra a história pessoal do oponente, não respeitando nem mesmo aquele que é um direito básico de todo ser humano: tentar fugir dos que querem capturá-lo — especialmente naquelas circunstâncias.

A fala, pois, que o próprio PT entregou à imprensa já é indecorosa. No discurso, Dilma ainda carregou um pouco mais nas tintas. Ora, dizer que “não foge”, que “não tem medo”, que “pode até apanhar”, inscreve o discurso num contexto claríssimo. Estava, sim, tentando pespegar a pecha de fujão no adversário, o que é uma barbaridade. Ao fazê-lo, atacava, obviamente, muito mais gente.

Profissionais da mentira
Durante três ou quatro dias, só restou a Dilma Rousseff afirmar que tinha sido mal interpretada, que se tratava de má fé, que ela não tinha querido dizer aquilo… Sempre na defensiva. E seus homens de “marquetingue” em busca de alguma saída. Até que ela surgiu. Eureka!!! E se materializou na tal cartinha publicada ontem na Folha. Eu a reproduzo na íntegra. Leiam com atenção:

A ex-ministra Dilma Rousseff nunca disse a frase “eu não fugi da luta e não deixei o Brasil”publicada em parte dos exemplares da edição de domingo no texto “Dilma ataca rival e diz que não “fugiu” da luta na ditadura” (Brasil). A correção é necessária porque a informação errada deu margem a uma interpretação maliciosa do discurso da ex-ministra. Dilma Rousseff não se referiu em nenhum momento a pessoas que tiveram de deixar o país em qualquer circunstância. Segue a transcrição exata do trecho do discurso que foi deturpado: “Eu não fujo da situação quando ela fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Eu posso apanhar, sofrer, ser maltratada, como já fui, mas eu estou sempre firme com as minhas convicções. Em cada época da minha vida, eu fiz o que fiz porque acreditei no que fazia. Fiz com o coração, com a minha alma e a minha paixão. Eu só mudei quando o Brasil mudou, mas eu nunca fugi da luta ou me submeti. E, sobretudo, nunca abandonei o barco”.
É lamentável que a partir de um erro da própria Folha o jornal tenha dado curso, nas edições seguintes, a uma tentativa de manipulação política e eleitoral por parte dos adversários da ex-ministra.
O discurso da ex-ministra está em www.youtube.com/watch?v=KpkBQ4GHPjI&feature=player-embedded”
OSWALDO BUARIM JÚNIOR , assessor de imprensa de Dilma Rousseff (Brasília, DF)

Comento
Como aprecio esse tom indignado dos petistas!!! Ah, sim: a Folha fez um “erramos”. É este: “Em parte dos exemplares, foi publicado erroneamente que a pré-candidata do PT à Presidência disse, em evento em São Bernardo no último sábado: “Eu não fugi da luta e não deixei o Brasil”. A declaração correta, publicada na maior parte dos exemplares, é: “Eu nunca fugi da luta ou me submeti. E, sobretudo, nunca abandonei o barco”.

Voltei
COMO VOCÊS VIRAM, EU NÃO PRECISEI DA VERSÃO IMPRECISA — JÁ QUE NEM SE PODE DIZER QUE ESTEJA ERRADA — PARA DEIXAR CLARO, AFINAL DE CONTAS, O QUE FOI QUE DILMA DISSE E QUEM ELA ESTAVA PROCURANDO ATACAR.

A fala original de Dilma já é grave o bastante. Não precisa de qualquer erro, distorção ou imprecisão. Ela é o que é e tem o sentido que tem. Se não se referia aos exilados, referia-se, então, a quem? Quais são os seus adversários que fogem da luta? De qual luta? A versão a que as pessoas reagiram foi mesmo a correta, não aquela que circulou numa parte ínfima da edição da Folha. Na segunda-feira, o jornal ouviu alguns ex-exilados e políticos a respeito. E pediu que comentassem a fala que o próprio PT dá como correta.

Tática
Saibam que isso é uma tática para ludibriar a opinião pública. Há gente especializada no assunto: tanto serve para proteger um cliente quanto para tentar queimar um seu oponente. Quando flagrado numa bobagem, cumpre encontrar nas vozes que protestam uma falha, mínima que seja, e magnificá-la. O esforço consiste em fazer o debate se concentrar na falha e não mais na bobagem que foi dita.

E se não houver falha nenhuma? Ora, invente uma e responda à sua própria invenção, atribuindo-a ao adversário. Há um caso exemplar: no seu discurso em Brasília, no dia 10, Aécio Neves afirmou que o partido dissera “não” à Constituição. E o PT saiu gritando: “É mentira! Nós assinamos a Constituição”. Ué, mas quem disse que não? Assinaram, sim, mas não homologaram — “O PT assinou, mas não tragou”, como escrevi aqui.

Mentiras! Mentiras às pencas. Mentem sobre o passado; mentem sobre o futuro e mentem com impressionante desenvoltura sobre o presente. A troca da palavra “barco” por “país” num pequeno número de exemplares da Folha não muda absolutamente nada! Dilma atacou os que se exilaram e agora busca uma saída honrosa. E evidencia um traço preocupante de caráter: é incapaz de admitir um erro mesmo quando se trata de uma ignomínia.

E que se lembre: o intelectual petista Emir Sader — sei, gente, isso é um oximoro…— já vinha comparando as duas biografias, a de Serra e a de Dilma, e havia caracterizado um como fujão e outra como heroína. Dilma nada mais fez do que vocalizar o discurso obscurantista. A rede petralha, agora, aproveitará o “erramos” para acusar a Folha de perseguir Dilma. E vai cobrar compensações para o agravo que não houve.

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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