Dillma e Collor: juntos desde 1992!!! (+ Sarney, Jader, Renan...)

Publicado em 13/08/2010 10:22 1456 exibições


brizola-com-collorExiste alguma coisa boa em ir envelhecendo? Huuummm… Deixe-me ver… A memória! Isto mesmo: a memória é um bem — caso não se fique gagá precocemente, é claro.  Mas vá lá: se isso acontecer, não é de todo mal. Talvez esquecer tudo leve a um estágio da felicidade que a memória plena não alcance. Deixemos as divagações de lado.

Ter memória é bom porque certos eventos que nos parecem, às vezes, estranhos, fora da curva, vistos à luz da história, ganham incrível coerência. Vamos a um caso que a muitos surpreenderá.

A “neopetista” Dilma Rousseff está hoje ao lado de Fernando Collor de Mello. São aliados. Na entrevista ao Jornal Nacional, ela chamou essa proximidade — no grupo, estão incluídos José Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros… — de “experiência”. Dilma acha que, quando um partido se torna experiente, junta-se a esse tipo de patriota.

Ocorre que Dilma e Collor juntos não é nenhuma novidade. É só história!

Em 1992, no auge das denúncias contra o então presidente, quando as evidências de irregularidades saíam pelo ladrão, o homem contava com um aliado de peso. Quem? O então governador do Rio, Leonel Brizola, chefe máximo do PDT, partido de que Dilma Rousseff era um quadro e no qual permaneceu até 2001, quando se filiou ao PT para continuar poder no Rio Grande do Sul.

Assim, eu me junto à gritaria petralha que sustenta que William Bonner foi injusto com Dilma ao sugerir que a atual aliança com Collor contraria o passado da candidata. Não contraria, não, Bonner! O caudilho malsucedido escreveu alguns “tijolaços” acusando a tentativa de golpe contra seu aliado  — mesma tese que o PT abraçaria mais tarde para tentar se safar da crise do mensalão.

Mas volto ao ponto. Dilma está hoje com Collor como esteve em 1992. Vão me dizer que isso não é coerência…

A empulhação da bolsa-ditadura

Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, considerou um “retrocesso” a revisão do valor de algumas indenizações pagas a “perseguidos políticos” ou a seus familiares.

É mesmo?

A indenização virou a farra do boi. Há alguns casos realmente fabulosos. O cartunista Ziraldo, que ficou rico com o jornal Pasquim, recebeu R$ 1 milhão a título de pagamento retroativo e tem pensão mensal de R$ 4.375. Por quê? Jaguar, seu amigo e sócio, não ficou tão rico porque, confessadamente, diz ter bebido tudo o que ganhou. A ditadura proibia as pessoas de dizer certas coisas, é verdade. Mas não impunha a ninguém que bebesse a própria fortuna. Millôr Fernandes, que também foi do Pasquim, não pediu indenização e afirma que luta contra a ditadura não era poupança. Na mosca.

A viúva de Carlos Lamarca foi indenizada e recebe uma gorda pensão. O homem era militar, desertou, matou seus pares. A comissão decidiu promovê-lo postumamente — como se tivesse competência pra isso —,antes de decidir o valor da prebenda. Promoção? Para Lamarca? Por que mesmo? Por serviços prestados ao Exército ou à causa comunista? A coisa toda é de um ridículo atroz.

Carlos Heitor Cony, que chegou a redigir um dos editoriais do Correio da Manhã em favor do golpe militar — isso é história — se disse perseguido porque demitido mais tarde. Recebeu pouco mais de R$ 1,4 milhão! E sua pensão mensal era de mais de de R$ 23 mil até outro dia. A quantas anda hoje, não sei. Terá ele aberto mão de tamanha generosidade? Seria o moral. Afinal, pouco depois da demissão, virou uma estrela do Grupo Manchete, com sala decorada com mármore rosa importando sei lá de onde — mas era podre de chique! —, numa revista que não dizia um “a” contra o regime, muito pelo contrário. Sua única veia de contestação, se assim se pode chamar, era uma fotinho de Adolfo Bloch abraçado a Juscelino, que tinha sido importante para a consolidação do grupo. Que eu saiba, Cony foi o mais premiado de todos. Justiça?

Indenização a quem realmente padeceu agruras quando já rendido por agentes do Estado? Compreendo, defendo e sou favorável. Indenização a quem refez plenamente a sua carreira e, em alguns casos, até ficou rico, ainda que por vias oblíquas, com a ditadura? É oportunismo da pior espécie. Indenização a quem pegou em armas (ou seus descendentes) para derrubar o regime, consciente dos riscos que corria, para matar ou morrer — e muitos mataram em vez de morrer? É uma indignidade.

Esse descalabro tem de ser revisto. Entre as indenizações pagas e as já aprovadas, o espeto passa de R$ 4 bilhões. E quem paga não é a ditadura. Quem paga é o povo brasileiro.

PS - Só para lembrar. Lula também recebe a prebenda. A grana passa de R$ 6 mil por mês. Por quê? Porque ficou 30 dias preso no começo dos anos 80 — aquela prisão junto com o “Menino do MEP”… Felizmente, não lhe tocaram num fio de cabelo. No de Lula, quero dizer. Estava construindo o PT, por meio do qual chegaria à Presidência da República, e jamais deixou de receber um mês de salário, pago primeiro pelo sindicato e depois pelo partido. Usou aquele evento para se fazer de mártir, grande militante, representante do povo e, finalmente, presidente.

Agora todo-poderoso, defende os regimes iraniano e cubano, entre  outras tiranias, notórios por torturar e matar prisioneiros.

Memória é importante em jornalismo.

A mentira como uma categoria de pensamento e os idiotas

Vivemos tempos em que a verdade ofende. Participei ontem, como afirmei aqui, do programa “Entre Aspas”, comandando por Monica Waldvogel, ao lado do cientista político Carlos Melo. Falamos sobre as eleições, o desempenho dos presidenciáveis no Jornal Nacional etc. No corredor, encontrei um jornalista amigo, que também não costuma  endossar o consenso da burrice. Comentamos, com bom humor, a manifestação de alguns “leitores”, eventualmente telespectadores — ele recebe e-mails; eu, os comentários gentis que a petralhada manda. Há para todos os gostos, mas os que mais encantam são aqueles que começam assim: “Você pensa que os leitores são idiotas?” Não! Só os que perguntam se penso que os leitores são idiotas…

Essa manifestação de indignação quase cívica geralmente é provocada por algum dado inquestionável, que o valente, no entanto, chama de mentira. A verdade abala as certezas da criatura, que estava, sei lá, feliz com a própria ignorância. Já havia construído a sua versãozinha definitiva do mundo e pretendia caminhar, vida afora, abraçado ao seu erro convicto, à sua ignorância conformada, a seu obscurantismo satisfeito. Aí vem um chato e dá um totozinho na carta que sustenta o castelo. E o bicho se ofende.

Gente assim sempre existiu, claro. Agora, essa ignorância propositiva, saliente, robusta, orgulhosa, é mais presente porque a Internet lhes dá mais visibilidade e porque o próprio poder faz hoje a apologia da ignorância. E não estou me referindo, deixo claro de saída, ao fato de o presidente não ter formação universitária ou tropeçar na sintaxe — comparado a Dilma, Lula é um verdadeiro Napoleão Mendes de Almeida, diga-se. Não! Falo deste ambiente em que a mentira se transformou numa verdadeira categoria de pensamento, empestando tudo: o próprio pensamento, o jornalismo e, como não poderia deixar de ser, a política.

Ao ouvir Dilma, na entrevista ao Jornal Nacional, afirmar que, quando o PT chegou ao poder, “a inflação estava fora do controle” e o FMI “vinha aqui e dava toda a receita do que a gente ia fazer”, sou convocado pelo dever. Trata-se de duas mentiras — e mentiras complexas. A inflação estava, sim, em alta por causa daquilo que o mercado chamava “risco PT”, mas não estava fora do controle. Isso é cascata. E as ditas “exigências” do FMI eram obrigações de boa governança de qualquer país — que Lula, no poder, cumpriu à risca, diga-se passagem. E, em alguns aspectos, com mais rigor do que FHC, o que não deixa de ser curioso.

Essa satanização do passado a que Lula se dedicou dia após dia — e, para tanto, recorreu a mentiras pontuais e diárias e à Mãe de Todas as Mentiras, já falo qual é — criou uma espécie de subcultura da fraude entre seus admiradores e adoradores que se espraiou. Na imprensa, onde já existia de forma larvar, com a militância infiltrada, vicejou robusta. E ai daquele que apontar a manipulação, a vigarice, a trapaça! Passa a ser considerado um sujeito de maus bofes, uma pessoa má, cruel até. Parece que se deve condescender com a tramóia militante por uma questão de delicadeza.

Escrevi ontem um longo texto apontando o rebaixamento das instituições no país e a agressão a direitos fundamentais protegidos pela Constituição. Agredi-los é grave. Que essa agressão se dê num ambiente de relativa camaradagem, bem, isso é gravíssimo e, creio, lança uma sombra de suspeição sobre o nosso futuro. Enganam-se os que acreditam que aponto este ou aquele problemas, que combato o comportamento desta ou daquela lideranças porque tenho uma agenda estabelecida e fechada com, sei lá eu, Serra ou qualquer outro.

Não aceito é que a verdade dos fatos passe a ser função de uma agenda partidária, entenderam? A academia não pode conviver com isso. A imprensa não pode conviver com isso. As entidades que representam a sociedade civil não podem se tornar meras extensões deste “ente”: O Partido — que vem conjugando o verbo “mentir” em todos os tempos. E a Mãe de Todas As Mentiras está na negação permanente do grande evento histórico que marca o Brasil moderno, o Brasil (por enquanto) democrático: o Plano Real. É evidente que eu não espero que se trave uma disputa eleitoral sobre o ano de 1994, que deu uma diretriz e um destino ao Brasil — caso ele não seja inviabilizado por uma forma oblíqua de autoritarismo.

Ao negar a virtude do Plano e do governo que o consolidou — aquele, sim, foi o grande e permanente golpe contra a pobreza —, Lula e o petismo pretendem submeter a história a um apagamento, e o fazem com o auxílio da memória curta de certa imprensa. O petismo  tenta, sim, “corrigir” o passado segundo o seu ponto de vista, mas seus olhos estão voltados para o futuro.

Partidos divergem em todas as democracias do mundo. Mas só os que carregam, como é o caso do PT, a herança do autoritarismo, socialista ou fascista, buscam aliminar o oponente. A tradição que vem da liberal-democracia é outra: ao existirem como tais, os adversários se legitimam. Disputam o poder para implementar a sua agenda, mas têm um pacto de conservação do sistema que garante o confronto. E isso não quer dizer que a sociedade não avance. Avança, mas com instituições sólidas, como é o caso dos EUA.

A tradição esquerdista é outra — e a fascista também. Partidos com esse DNA se querem a evolução do processo político, e, pois, seus adversários são vistos como expressões do atraso. Não concebem perder uma eleição porque isso seria um retrocesso. Ora, se é assim, chegam ao poder para não mais sair. Como as regras do jogo forçam a alternância, então logo lhes ocorre fraudá-las —  é o que o PT vem fazendo na prática.

Volto à patrulha petralha: “Você acha que seus leitores são idiotas, Reinaldo?” Não! Os meus leitores são inteligentíssimos. Idiotas são só aqueles que perguntam.

A síntese de Dora

Há muito tempo, a colunista Dora Kramer, do Estadão, vem escrevendo excelentes textos de análise política. E isso NÃO quer dizer algumas coisas:

- não quer dizer que eu concorde sempre com ela;
- não quer dizer que pensemos as mesmas coisas;
- não quer dizer que sejamos amigos.

Já conversei algumas vezes com ela, sim. Uma conversa sempre inteligente, informada e divertida. Pois bem.

Na sua coluna de hoje, há uma síntese exemplar, à qual nada se acrescentaria, da qual nada se tiraria, a saber:

“O PT reivindica o direito de ‘amadurecer’ à medida que vive experiências governamentais, mas não dá aos outros o direito de amadurecer a maneira de lidar com o partido.
Petistas agem como pragmáticos e esperam ser tratados como ideólogos. Acham injustas quaisquer cobranças, pois acreditam que as pessoas têm a obrigação de olhá-los com a tolerância devida aos inimputáveis.”

Encerro
Lembrei de uma frase que publiquei no livro “Máximas de Um País Mínimo”, na página 95:
“Há três grupos inimputáveis no Brasil: as crianças, os idiotas e os petistas”.

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (veja.com

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2 comentários

  • VALMOR ILMAR BECKER Farroupilha - RS

    Quando eram aliados de FHC eram bons, não? Ficaram ruins depois, é isso? Ora, senhores, vamos tentar enxergar as coisas com mais clareza e menos radicalismo!!!!!

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  • Valter Antoniassi Fátima do Sul - MS

    Parabéns Reinaldo! Essa voce acertou na mosca,digo mais eles vão além da idiotice é uma questão de caráter...Venho de origem humilde,meus pais são semi-analfabetos,não tenho formação universitária e nem por isso compromete minha capacidade de discernir o certo do errado ,isto vem de "berço".Os defensores dos petralhas,na maioria das vezes,quando não são idiotas ,eles ou alguém da família tem alguma ligação financeira com o estado.

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