Serra reage: “Lula mente e deixa governo com déficit público maquiado...

Publicado em 24/11/2010 23:19 e atualizado em 25/11/2010 07:41 1373 exibições

Serra reage: “Lula mente e deixa governo com déficit público maquiado, inflação ascendente, o maior déficit de balanço de pagamentos da história, câmbio supervalorizado e crescimento descontrolado das importações”

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:
O ex-governador José Serra (PSDB) respondeu nesta quarta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou um pedido de desculpas do tucano pelo episódio da “bolinha de papel” durante a campanha presidencial (ver posts abaixo).

Serra disse que Lula está em campanha para 2014 ao “mentir”. já que foi de fato atingido por um objeto durante visita ao Rio de Janeiro, além de uma bolinha de papel: “Ele continua fazendo campanha, talvez já tenha começado sua campanha para 2014, e dizendo mentiras inclusive muito pouco apropriadas para a figura de um presidente da República”, afirmou.

(…)Serra disse que o petista vai deixar uma “herança bastante adversa” para sua sucessora Dilma Rousseff (PT) com problemas na economia do país. “Está deixando um grande nó para o próximo governo, um nó de difícil solução que vai custar muito caro ao país: déficit público maquiado, inflação ascendente, o maior déficit de balanço de pagamentos da nossa história, câmbio supervalorizado com o crescimento descontrolado das importações.”

O tucano classificou de “megalomaníaco” o projeto de construção do trem-bala do governo federal e se mostrou contrário à recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). “Essa história de que vai repartir CPMF entre governo federal, Estados e municípios é conversa.”

Serra se reuniu no Congresso com lideranças do PSDB na Câmara e no Senado para fazer um balanço da campanha eleitoral.

O tucano fez mistério sobre seu futuro político ao afirmar que não tem planos para as próximas eleições. Ele negou que esteja negociando sua indicação para a presidência do PSDB ou do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao partido. “Não estou em campanha. Estou me recuperando fisicamente da campanha, procurando trabalho, decidindo o que vou fazer para ganhar a vida. E vou continuar, como desde os 20 anos de idade, no trabalho político.”

COPA
Serra também reagiu às críticas do presidente Lula de que o governo de São Paulo atendeu a “interesses comerciais” para desistir do Morumbi para sediar a abertura da Copa de 2014. O presidente fez as críticas nesta quarta-feira durante entrevista a blogueiros.

“Ele fez promessas e mais promessas para o São Paulo, o Morumbi, e na hora “h” tirou o time. Os compromissos que o governo do Estado assumiu em relação ao estádio ele cumpriu. Aquilo que competia ao governo federal, ficou só no trololó.”

O tucano disse estar “assombrado” com a postura de um presidente “que deveria estar governando o Brasil, mas continua fazendo campanha”. “Parece que isso o Lula sabe fazer: campanha e mentir. É o que ele mais sabe fazer na vida, aparentemente.”

Serra reagiu ainda às acusações do petista de que fez uso político do acidente com o Airbus da TAM em 2007, época em que governava o Estado de São Paulo. “É um comentário muito raivoso, são muitos anos. Ele poderia perfeitamente ter tido isso há muitos anos e não o faria porque soaria como piada de mau gosto.”

Por Reinaldo Azevedo

Todos se lembram dos gestos asquerosos de Marco Aurélio Garcia, que dispensa apresentações, e de seu assessor de imprensa, Bruno Gaspar, quando o Jornal Nacional noticiou que o avião da TAM que se acidentara em Congonhas no dia 17 de julho de 2007, matando 199 pessoas (os 187 que estavam no aparelho e 12 em solo), voava com um defeito no reversor de uma das turbinas. À época, escrevi o texto Os NojentosSegue o vídeo para que nos lembremos sempre desses moralistas. Volto em seguida.

Pois bem… Lula tratou do assunto hoje com os “blogueiros progressistas”. Leiam com atenção — reproduzo trecho do Estadão Online:

Ao responder à pergunta de um internauta, Lula disse que o dia em que sofreu mais no exercício da Presidência da República foi no acidente da TAM, ocorrido em São Paulo. “Eu nunca vi tanta leviandade. Eu estava na minha sala, era 6 e pouco, recebi informação de que tinha fogo no Aeroporto Santos Dumont (no Rio), numa sala que tinha móveis novos, muito material plástico e cadeira, fez fumaça negra e suspendeu os voos. Eu estava recebendo essa informação quando entra um companheiro falando de fogo num hangar da TAM em São Paulo. Eu liguei a TV e daqui a pouco fala em 200 passageiros, culpa do governo, a pista, não sei das quantas, aí eu fiquei na minha sala das 19 horas até quase meia noite, cada hora a notícia era pior e o governo carregava 200 mortos nas costas”.

Ainda sobre o episódio do acidente da TAM, Lula disse, sem citar o nome do então governador de São Paulo na ocasião, o tucano José Serra: “E o governador (José Serra) correu para ver o incêndio, e acho que eles pensaram, agora sim pegamos o Lula e vamos trucidar. Passa um dia, um dia e meio, e recebo telefonema sobre uma fita feita pela Infraero e que tem uma coisa de um delegado que tinha fita e não queria dar”, disse. “Mandei o Tarso Genro entregar, aí eu assisti à fita e tive a sensação de alívio por ter descoberto a verdade, depois que ficou patente que não era problema de pista, que tinha sido um erro”, acrescentou. Segundo o presidente, “aquele para mim foi o dia mais triste de 8 anos de mandato. Trouxe pilotos e especialistas para conversar e ninguém falava de erro humano, somente depois, foi o dia mais nervoso e triste da minha vida. Não quero nunca mais que isso se repita”.

Voltei
Vamos lá. O problema no reversor não estava entre as causas do acidente, que teve, sim, falha humana, FURO DADO EM REPORTAGEM DE CAPA PELA VEJA. Mas Lula já confessou que não consegue ler nem Chico Buarque, que é água com açúcar. Congonhas, ademais, tinha, sim, problemas na pista. É possível que, num outro aeroporto, muitas vidas tivessem sido poupadas. Mas isso é ainda o de menos.

O que me espanta é que a fala de Lula tem o mesmo padrão moral do gesto de Garcia e de seu assessor. Notem: “Passa um dia, um dia e meio, e recebo telefonema sobre uma fita feita pela Infraero e que tem uma coisa de um delegado que tinha fita e não queria dar”, disse. “Mandei o Tarso Genro entregar, aí eu assisti à fita e tive a sensação de alívio por ter descoberto a verdade, depois que ficou patente que não era problema de pista, que tinha sido um erro”.

Assim como a dupla asquerosa fez gestos variados para o “F_ _ _-se!”, Lula se sentiu “aliviado”. Que bom! O contexto deixa claro: tinha sido um dia muito triste não porque 199 brasileiros haviam morrido, mas porque havia a suspeita, que não é infundada, de que as condições precárias do aeroporto colaboraram para a tragédia.

Se, nesse caso, Lula sentiu “alívio”, deveria dizer o que sentiu há poucos dias quando se concluiu, finalmente, que a torre teve responsabilidade na tragédia do vôo 1907, da Gol, que matou 154 pessoas no dia 29 de setembro de 2006. Por uma questão de lógica, se um caso traz “alívio” (!?), o outro deveria fazê-lo sentir-se minimamente culpado, não é mesmo?

Não tem jeito, não! Essa gente é uma monstruosidade moral. “Papa” até as tragédias que ceifam vidas e as transformam em ativo político.

PS - Como viram, ataca Serra de novo. Pelo visto, ele achava que o governador de Estado, diante de uma tragédia como aquela, deveria ter se ausentado, como ele se ausentou.

Por Reinaldo Azevedo

Lula concedeu uma entrevista a blogueiros que se classificam como “progressistas”. Entendo! Os “regressistas” não estavam presentes. Alguns desses amantes do progresso são, na prática, pagos por vocês, embora o patrão dos entrevistadores, para todos os efeitos, seja o entrevistado. Ainda que eu quisesse, creio que ele não falaria ao meu blog não-progressista. Ocorre que eu não quero. “Ah, tá com inveja!?” Exatamente de quê? Lula finge muito.

A sua melhor e mais sincera entrevista ainda é aquela concedida à Playboy em 1979, onde afirma que, na direção do sindicato, cuidando da área de Previdência, ficava de olho nas “viuvinhas ajeitadas” dos “companheiros” mortos. Quando conheceu o sogro de Marisa Letícia, cujo marido havia morrido, ele pensou com sua ética costumeira: “Ainda vou papar a nora desse velho”. Papou, mas ela deu sorte, né? Um dia, olhou para Brizola e Arraes e pensou: “Ainda vou papar a base política deles”. No governo, olhou para FHC e pensou: “Ainda vou papar o Plano Real dele”. Lula é assim: vai papando o que encontra pela frente: as viúvas, as biografias alheias, a história… Na entrevista à Playboy, ele também aborda folguedos sexuais com animais — mas não me alongo a respeito porque este, não sendo um blog progressista, também é de família, editado por um rapaz católico… Adiante.

Blogueiros progressistas não têm leitores. Assim, a repercussão da entrevista fica por conta dos grandes portais, dos jornais e, bem…, deste blog,  hehe.  Há pelo menos três coisas a destacar neste texto (a quarta, que é o nefando, fica para post específico) sobre a  fala do valente — que, vocês sabem, foi inquirido com grande energia…

Serra
Lula começou a fazer campanha eleitoral em 1980 e não parou mais. Já são 30 anos. E continua. Referindo-se à agressão de que o então candidato tucano, José Serra, foi vítima no dia 20 de outubro, afirmou: “Foi uma desfaçatez. Eu perdi três eleições [...], e jamais teria coragem de fazer uma mentira daquela. Fiquei decepcionado porque tentaram inventar uma outra história, um objeto invisível. [...] O Serra tem que pedir desculpa ao povo brasileiro”.

Como se nota, está insistindo na versão inicialmente apresentada pelo SBT, segundo a qual o tucano teria sido agredido apenas por uma bolinha de papel. A própria emissora já se redimiu da mentira, diante das evidências. Mas e daí? O SBT, cumPre lembrar, pertence ao grupo Silvio Santos, o mesmo que detém o controle do Banco Panamericano, onde a CEF enfiou R$ 700 milhões, embora o banco estivesse quebrado. Silvio e Lula haviam se encontrado no dia 22 de setembro, quando o BC já sabia que o banco estava podre.

Os promotores da confusão em Campo Grande, no Rio, que resultou na agressão a Serra,  são ligados ao PT. Abaixo, nós os vemos em ação naquele dia e ao lado do Babalorixá de Banânia. Uma entrevista feita a sério teria de abordar essas imagens. Eis Lula, já em campanha para 2014. Ninguém deve se iludir: seu objetivo é destruir a oposição, e a isso vai se dedicar mesmo fora do poder — e um dos instrumentos possíveis será a reforma política. Mas falo sobre isso em outro texto.

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Contra todas as evidências e contra o testemunho do próprio ministro dos Esportes, Lula assegurou, sem contestação, que as obras da Copa do Mundo estão no prazo, que tudo corre às mil maravilhas. E, acreditem!, criticou o governo de São Paulo por causa das dificuldades encontradas com o estádio do Morumbi. Toda essa negociação foi conduzida pelo governo federal e pela CBF — o governo do Estado não tem nada com isso. Limitou-se a dar uma declaração correta: não iria pôr dinheiro público no empreendimento, o que faz muito bem. Mas esse é o papador de viuvinhas distraídas: conta a história conforme lhe dá na veneta.

Imprensa
Estimulado pelos “blogueiros progressistas”, que têm mais ódio da “mídia” do que o próprio patrão que entrevistavam, Lula se disse fruto da liberdade de imprensa, mas largou o porrete na… imprensa!!! Eu também acho que ele deve muito ao jornalismo, sempre tão bonzinho. É seu lado “marxista” — o marxismo “groucho”, naturalmente: ele não respeita clube que o aceite como sócio.

Sobre a imprensa, fez um, vá lá, raciocínio curioso: “Sou resultado da liberdade de imprensa no Brasil. O que eles [imprensa] se enganam é que o povo não é mais massa de manobra, o povo está mais inteligente e vamos trabalhar cada vez mais para democratizar a mídia eletrônica. (…) Parte do noticiário da imprensa brasileira, se você ler, não sabe o que acontece no Brasil. Quando sai pesquisa com 80% aprovação, eles não sabem que o tempo todo trabalharam contra isso. O povo brasileiro já não se deixa mais levar por revista que, muitas vezes, está com menos interesse de contar o fato em si do que mostrar sua visão sobre assunto.”

Interessante! Lula se tornou um líder justamente no tempo em que, segundo ele, próprio a imprensa enganava as pessoas. É, talvez faça sentido, não é mesmo? Quanto ao resto, dizer o quê? O Apedeuta realmente acredita que os 80% de aprovação — segundo os institutos de pesquisa ao menos — significam carta branca. E as urnas deixaram claro que não. Lula pode torcer o verbo o quanto quiser e não conseguirá mudar uma evidência: o eleitor corrigiu a valor de mercado, que é o valor REAL, a  bolha especulativa da sua popularidade. Dos 135 milhões de eleitores, apenas 41% votaram na candidata do PT. Os outros 59% ficaram com a oposição, anularam ou votaram em branco ou, ainda, arrumaram coisa mais interessante para fazer naquele dia.

Lula não se conforma que haja aqueles que não aceitam se comportar como cabritas ou viuvinhas desavisadas? Pois é… Não vai nos “papar” como “papa” os “blogueiros progressistas”… E, acreditem,  esse não foi o seu pior momento.

Por Reinaldo Azevedo

Guido Mantega já anuncia traição da promessa feita em campanha

Promessas de candidatos são afirmativas e são negativas. Há as coisas que eles juram que vão fazer, e há as que juram que não vão. Quando candidata, a agora presidente eleita, Dilma Rousseff, prometeu transformar a saúde num paraíso. Três dias depois da eleição, Lula testava a opinião pública ameaçando com a volta da CPMF, uma das coisas que ela rechaçara em campanha. A reação não foi boa, e, por enquanto, não se quer falar sobre o assunto. Mas ele voltará.

Dilma também negou com veemência que estivesse pensando num ajuste fiscal. Lembro três oportunidades:
“Com o país crescendo a 7%, com inflação sob controle, com o atual nível de reservas (internacionais)… Eu vou fazer ajuste fiscal para quê, hein? Eu não concordo que o Brasil tenha que se submeter sistematicamente, a cada fim de governo, a um ajuste fiscal”
(Dilma Rousseff em 7 de agosto de 2010)

*
“Eu não autorizo nenhuma avaliação a esse respeito. Eu vi as notícias, lamento, mas vou desmenti-las [sobre ajuste fiscal]. Não tem discussão neste sentido dentro da campanha. Ademais, o Brasil de hoje não é igual ao de 2002″
(Dilma Rousseff no dia 23 de agosto de 2010)
*
“Eu não vou fazer ajuste fiscal em hipótese alguma por um motivo: o Brasil não precisa mais de ajuste fiscal. Ajuste fiscal consiste em duas coisas: corte absolutamente linear de gastos, né? Vale de salário do funcionalismo a investimento público. Além disso, ele caracteriza também por um regime de caixa”
(Dilma Rousseff no dia 30 de agosto de 2010)

Muito bem. Agora vejam esta entrevista de Guido Mantega, ministro da Fazenda, que será mantido no cargo no governo Dilma. Ele revelou algumas coisinhas ao jornalista Heraldo Pereira, no Jornal da Globo:

Voltei
Ele está prometendo um… ajuste fiscal, aquele negado por Dilma, mas prefere um eufemismo: “Consolidação dos gastos de custeio”. E o salário do funcionalismo, está claro ali, será um dos fatores do ajuste. Segundo Mantega, já houve muito aumento ao longo de oito anos. Estava com a língua tão solta (por assim dizer) que só faltou considerar: “Pô, já ganhamos a eleição; agora é possível falar a verdade”. E os investimentos? Também serão cortados, segundo se pode entender. Agora, diz Guido, é hora de a iniciativa privada fazer a sua parte.

Pois é… Estamos diante de uma questão política que rende um bom debate. Em 2003 — faz tempo, né? —, escrevi um artigo para a revista da Fundação Teotônio Vilela, do PSDB, em que afirmava que a oposição precisava tomar muito cuidado com o PT porque, para o partido, coerência é uma cruz que deve pesar apenas sobre os ombros dos adversários. Eles não têm qualquer compromisso com a palavra empenhada. Vitoriosos, lembram-se, então que têm algumas obrigações, esperando contar com a “responsabilidade” daqueles que foram satanizados nas urnas como expressões do atraso, do retrocesso e tolices afins.

Querem um bom exemplo? A tal PEC 300, que cria o piso salarial para policiais e iguala os vencimentos às das polícias do Distrito Federal! Trata-se de um baita pepino para o futuro governo Dilma se aprovada. O PMDB quer porque quer. Já se comprometeu com a categoria. O PDT também. De onde o petismo espera socorro? Das oposições! Então vejam que mágica fabulosa: na hora de partir para o abraço, os petistas hostilizam abertamente seus adversários. Com as oposições, os petistas querem dividir apenas uma coisa: o ônus de algumas medidas impopulares.

É vital para a democracia que a oposição pense também na própria sobrevivência. Se o seu papel se resumir a dividir com o governo o ônus das responsabilidades e da governabilidade, estará lascada. Uma das formas de ser responsável com o país é não dando um tiro no próprio pé. O reajuste dos policiais é uma bomba fiscal? É, sim. Dilma não tem poder para vetar uma PEC, mas será poderosa o bastante para mobilizar suas forças no Congresso, onde terá uma larguíssima maioria, para rejeitá-la se assim decidir. A governabilidade é compromisso de todos. Governar é obrigação de quem venceu.

O mesmo se diga sobre o salário mínimo. Mantega está dizendo que o governo quer R$ 540. É um valor para negociar, mas não chegará a R$ 600 de jeito nenhum, proposta do então candidato tucano à Presidência, José Serra. O que deve fazer a oposição? Aquilo que faz em todo o mundo democrático: lutar por sua proposta.

Por Reinaldo Azevedo

Mantega confirma ações que Lula já chamou de “sacanagem”

A Folha Online faz uma boa síntese da fala de Guido Mantega, ministro da Fazenda, confirmando no cargo para a gestão Dilma Rousseff. Leiam trecho. Volto em seguida:

(…)
Para tentar afastar as dúvidas sobre a postura fiscal no próximo governo, Mantega disse que vai reduzir da dívida pública de 41% do PIB para 30% do PIB, em 2014, e enfatizou que, depois do aumento dos gastos nos últimos anos, “2011 será um a no de recuperação fiscal com corte de gastos de custeio para aumentar a poupança pública”. Nesse linha, avisou que o BNDES receberá menos recursos e que os financiamentos necessários terão que ser supridos pelo setor privado. Nos últimos meses, o BNDES recebeu aporte de mais de R$ 180 bilhões.

Para controlar as contas públicas, Mantega citou como fundamental que não sejam aprovados projetos em tramitação no Congresso, entre eles a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 300, que eleva salários na área de segurança pública. Segundo o ministro, isso representaria aumento de gastos de R$ 46 bilhões para a União, Estados e municípios.

Além disso, Mantega citou aumento do Judiciário, reajuste de aposentados que ganham mais do que dois salários mínimos, aumento do salário mínimo acima dos R$ 540 negociados pelo governo e recomposição salarial dos funcionários públicos federais. Mantega deu entrevista no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), ao lado de Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central), que compõem a equipe econômica da presidente eleita, Dilma Rousseff.

Voltei
Durante a campanha, surgiram comentários sobre a necessidade de um aperto fiscal no eventual primeiro ano de governo Dilma, que foram prontamente desmentidas. Lula chegou a dizer que isso era coisa de governos que queriam fazer “sacanagem” — a palavra foi essa — com o povo. Como se nota, deve vir alguma “sacanagem” por aí…

A questão da PEC 300, que é mesmo absurda, também é bastante interessante. Gente empenhadíssima na campanha de Dilma fez, Brasil afora, terrorismo contra a candidatura Serra, afirmando que ele era contra a tal proposta, que cria um piso salarial para as PMs e bombeiros nos Estados, igualando os ganhos àquilo que se paga no Distrito Federal — onde essa despesa é de responsabilidade do Tesouro. Nota: o tucano nem havia se pronunciado a respeito.]

A PEC 300 pendura nas costas da União a conta depois que os Estados rasparem os cofres. Quem está mais bravo com a proposta é o governador reeleito da Bahia, Jaques Wagner, do PT. Mas os petistas se lembraram do valor do papagaio agora. Michel Temer, vice de Dilma, chegou a se encontrar com lideranças do movimento nacional dos policiais, assegurando seu apoio à PEC. Ser petista é assim: ou sangra os cofres ou trai a própria palavra.

Deixando claro…
Deixo claro: acho a PEC 300 um absurdo e sou favorável ao corte de gastos. Mas eu já era antes, entendem? Não mudei de idéia. Se os petistas resolverem combater uma coisa e adotar outra, vou achar bom. Mas jamais deixarei de dizer: “Então eles mentiram!” Uma coisa é concordar com medidas corretas que os petistas eventualmente tomam; outra, diferente, é deixar de fazer a crítica política, evidenciando suas mentiras e omissões. Fui claro?

Por Reinaldo Azevedo

Decisão ruim - Receita pode quebrar sigilo bancário sem autorização judicial, diz STF

Vejam o que informa Felipe Seligman, na Folha. Volto em seguida:

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quarta-feira que a Receita Federal pode quebrar o sigilo bancário de contribuintes investigados sem necessidade de autorização judicial, desde que não divulgue as informações obtidas. Por 6 votos a 4, o tribunal derrubou uma liminar concedida por Marco Aurélio Mello, que impedia a quebra direta do sigilo bancário de uma empresa, a GVA Indústria e Comércio, pelo Fisco.

O ministro afirmava que deveria ser seguida parte da Constituição sobre a “inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas”, que permite a quebra somente por decisão da Justiça. Em sua decisão, ele determinava que “nenhuma informação bancária da empresa seja repassada à Receita Federal até a decisão final do Recurso Extraordinário”.

Na sessão desta quarta, porém, a maioria de seus colegas entendeu que uma lei de 2001 permite a obtenção das informações sem a intermediação do Judiciário. Apesar de ser uma decisão válida apenas no caso específico e na análise de uma liminar, ela reflete de forma ampla o entendimento do Supremo sobre o tema.

No fundo, o Supremo afirmou que é válida a Lei Complementar 105. Ela permite que autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios tenham direito de acessar “documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras” de contribuintes que respondam processo administrativo ou procedimento fiscal. O caso dividiu os ministros e só foi resolvido após dois pedidos de vista.

Prevaleceu a opinião de José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Eles entenderam que não se trata de quebra de sigilo, mas de uma transferência dos bancos ao Fisco. Segundo Ellen, por exemplo, as informações “prosseguem protegidas, mas agora pelo sigilo fiscal”.

Já os colegas Marco Aurélio Mello, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso entendiam que a quebra de sigilo bancário pela Receita só pode ocorrer após autorização judicial. “A quebra do sigilo bancário não pode e não deve ser utilizada como instrumento de devassa indiscriminada e ordinária da vida das pessoas. Basta que a administração tributária fundamente sua intenção de ruptura do sigilo bancário e submeta seu pleito ao Judiciário”, argumentou Celso de Mello, que acabou vencido na discussão.

Comento
Os meus críticos e os do ministro Gilmar Mendes, do STF, um dos melhores que já pisaram naquela corte, dizem que sempre apoio os seus votos. Bem, não é verdade! Já discordei antes e discordo desta vez também. Que a questão seja polêmica e divida opiniões, é fato  —  tanto é assim que há gente qualificada de um lado e de outro. Assim, havendo motivos razoáveis tanto para uma coisa como para outra, chamo o concurso da história: o passado recentíssimo da Receita torna essa decisão, para dizer pouco, temerária.

Estou com a fala de Celso de Mello: não custa nada à administração tributária fundamentar o pedido de quebra e encaminhá-lo à Justiça. Seria a tentativa ao menos de uma garantia adicional, já que ficou evidente que não podemos contar nem com aquela que já está devidamente firmada. Ah, sim:  por um votinho apenas, Peluzo não foi chamado a exercer o voto qualificado, o que ele já recusou em outras circunstâncias.

Por Reinaldo Azevedo

Lula agora inaugura até solda de tubulação

Por Leonêncio Nossa, no Estadão Online:
Depois de esgotar na campanha eleitoral as oportunidades de lançamento de pedra fundamental e início de terraplenagem de obras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta terça-feira, 23, uma nova safra de viagens. Ele esteve no final da manhã desta terça em Ribeirão Preto (SP) para dar o “primeiro pingo de solda” na tubulação de escoamento de álcool de cidades da região e de Goiás para usinas de Paulínia e Taubaté.

Até o final do ano e do mandato, Lula terá uma agenda movimentada. Mesmo sem poder concluir obras, ele pretende participar do maior número possível de eventos em canteiros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A seus auxiliares, o presidente repete que não quer viver a sensação de final de festa.

A agenda inclui viagens especialmente para a Região Nordeste, onde ele não conseguirá entregar as mais importantes obras de infraestrutura de seu governo. Governadores e prefeitos aliados do presidente preparam uma série de homenagens. Não faltarão lágrimas, dizem os auxiliares do presidente.

Lula percorrerá pela última vez no cargo trechos dos canais de transposição das águas do Rio São Francisco, no sertão pernambucano. A água ainda não chegou às comunidades que enfrentam o problema da seca, mas o presidente quer mostrar ao menos seu esforço para concluir as obras.

Além das obras da transposição, o presidente deixa o governo frustrado por não entregar as ferrovias Transnordestina, que ligará os portos de Pecém (CE) e Suape (PE), e a Leste-Oeste, que começa em Figueirópolis, no Tocantins, e termina em Ilhéus (BA). As viagens de Lula ao Nordeste na reta final de governo se justificam só pelo caráter “sentimental”, dizem assessores.

Isso ficará ainda mais claro, segundo eles, numa viagem que Lula fará ao Recife, no dia 29 de dezembro. Ele participará da inauguração de um museu dedicado ao músico Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Lula ainda mantém a promessa de ir a Guaribas (PI), onde lançou o Fome Zero.

Por Reinaldo Azevedo
(do blog de Augusto Nunes): 

A longevidade da moeda criada em 1994 é a prova mais contundente de que Lula mente

Em 28 de fevereiro de 1986, acuado pela escalada da inflação, o governo do presidente José Sarney não se limitou a cortar três zeros do cruzeiro, como fizeram quase todos os antecessores desde os anos 50. Também aposentou a velha moeda e criou o cruzado.

Três anos depois, ainda no governo Sarney, novamente sumiram três zeros e o cruzado foi substituído pelo cruzado novo.

Em 1990, dois meses depois da posse, o presidente Fernando Collor repetiu o truque da troca de nome com zeros a menos, aposentou o cruzado novo e ressuscitou o cruzeiro.

Em agosto de 1993, já com Itamar Franco no lugar de Collor, o governo amputou três zeros do cruzeiro e criou o cruzeiro real.

Em julho de 1994, último ano do governo Itamar, o real nasceu no bojo do plano com o mesmo nome concebido por uma equipe de economistas sob o comando do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Em circulação há 16 anos, a moeda continua exibindo a saúde que faltou às versões anteriores, todas fulminadas pela inflação selvagem.

Instados a lidar com a maldição cinquentenária, Itamar Franco e FHC dispensaram-se de lamúrias, derrotaram o inimigo aparentemente invencível e enjaularam a inflação que parecia indomável. Herdeiro de um país financeiramente estabilizado, Lula foi o único presidente, além do antecessor, que não precisou encomendar à Casa da Moeda cédulas com outro nome, zeros a menos ou zeros a mais. Desde 1994, da menor fração à cédula de 100 reais, nada mudou.

“Recebi um país em péssima situação”, vive mentindo Lula. “Nós assumimos um país com a inflação descontrolada”, vive mentindo Dilma Rousseff. A permanência, a longevidade e a solidez da moeda são a prova mais contundente de que Lula, beneficiário da herança bendita, segue espancando os fatos para expropriar de FHC a paternidade do histórico ponto de inflexão: quem tem menos de 25 anos nem faz ideia do que é inflação.

Em paragens menos embrutecidas, pais-da-pátria que assassinam a verdade em público se arriscam a ter a discurseira interrompida por chuvas de dinheiro metálico. Graças a FHC, Lula e Dilma estão livres desse perigo: há 16 anos, os brasileiros não jogam fora sequer moedas de 5 centavos. A julgar por seu desempenho na campanha eleitoral de 2010, a oposição oficial nunca soube disso.

Milagre brasileiro: a Petrobras enxerga um flagelado no deputado mais rico do país

Promovido simultaneamente a multimilionário e flagelado, o usineiro alagoano João Lyra acaba de transformar-se num originalíssimo caso de esquizofrenia financeira que só dá no Brasil. Baseado na declaração de bens do candidato a deputado federal pelo PTB, o Tribunal Superior Eleitoral concluiu que Lyra é o mais rico dos parlamentares eleitos neste outubro: o patrimônio confessado alcança R$ 240 milhões, ou 1/5 do que possuem, somados, todos os colegas de Legislativo. Baseada em informações fornecidas pelo próprio Lyra, que apareceu por lá junto com o senador Fernando Collor para relatar os estragos provocados pelas enchentes de julho numa de suas usinas, a Petrobras Distribuidora concluiu que o deputado mais rico do país é um flagelado merecedor de atendimento urgentíssimo. E resolveu socorrê-lo com um contrato de R$ 200 milhões.

O pai de Tereza Collor ficou devendo mais essa ao aliado político que desde dezembro passado, quando emplacou a nomeação de José Zonis na Diretoria de Operações e Logística, entra sem bater na Petrobras Distribuidora. Para fechar o acerto, Lyra só precisou da escolta do amigo de infância de Lula e de uma visita de três horas à estatal. Precisou de menos tempo ainda para transformar a papelada em dinheiro vivo. Bastou-lhe dirigir-se a um banco, apresentar o contrato como garantia e solicitar um empréstimo de valor idêntico, com juros de compadre.

Teve mais sorte que seus companheiros de infortúnio. Até agora, segundo o Programa de Reconstrução do Governo Estadual, o governo federal repassou exatamente R$ 490.684.000, 00 a Alagoas, um dos Estados mais castigados pelas inundações do último inverno. As verbas foram distribuídas entre a Secretaria de Infraestrutura (R$ 250 milhões), a Secretaria de Educação (R$ 122 milhões), a Secretaria de Defesa Civil (R$ 75 milhões) e a Secretaria de Saúde (R$ 43.684). Nenhum centavo chegou às mãos da multidão de flagelados. Nenhum deles viu a cor do dinheiro. Só João Lyra.

Lula diz de meia em meia hora que governa para os pobres. Pode agora invocar o caso do flagelado que embolsou 200 milhões de reais.

O livro das coisas que não escrevi e o caos na segurança do Rio

Eu já disse umas quinhentas vezes que não me importo com o que dizem por aí. O meu melhor livro, porque mais engraçado, é aquele dos textos que não escrevi, com as opiniões que atribuem a mim, sem que eu jamais as tenha emitido. Se forem procurar o texto em que eu teria afirmado algumas das barbaridades supostamente da minha lavra, não vão encontrar nada além do que certa delinqüência reporta com sendo de minha autoria. É claro que se trata de ato deliberado de desqualificação: quando uma opinião incomoda, é preciso ou reduzi-la à caricatura ou então transformar o autor num ogro para que se possa fazer o joguinho baixo. Acontece comigo e com quem tem obra bem mais robusta. Até hoje, atribuem a FHC o que ele jamais disse: “Esqueçam o que escrevi”.  Por que essa introdução?

Alguns bobalhões estão dizendo que concentro as minhas críticas na política de segurança do Rio e estou deixando de atacar os bandidos. É mesmo, é? Segundo vi no Jornal Nacional, no Jornal da Globo e nos portais, Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame decidiram fazer o que não vinham fazendo antes: prender bandido. Bem, é a minha tese. Rompeu-se o véu diáfano da fantasia (como diria Eça…) que tornava tudo um tanto esmaecido, mas ainda bastante visível para quem apurasse a visão. As UPPs são uma boa idéia? Ô se são! Desde que sejam aquilo que prometem ser no papel. O meu ponto, e já faz mais de um mês que escrevi a respeito, sempre foi este: para onde iam os bandidos? O caos que se vê espalhado pelo Rio responde a pergunta.

Sim, eu também acho que é preciso dar apoio à Polícia e às forças da legalidade — até parece que haveria um risco, remoto que fosse, de se dizer o contrário aqui. Isso não impede, no entanto, que se aponte o que há de estruturalmente errado e enganoso na política de segurança pública do estado. E a dita ocupação pacífica é uma das mistificações que precisam ser caracterizadas. O tráfico acabou nas áreas tomadas pela UPP??? É uma pena que não perguntem isso a Cabral e que o jornalismo não vá perguntar isso aos moradores. A resposta óbvia é esta: “Não”! Ele apenas ficou mais organizado, mais comportado. Em nome do patriotismo, eu não deveria dar essa informação?

A realidade trágica é que a turma que migrou das áreas “pacificadas” para outras, de “resistência”, é lúmpen do crime, a escória mesmo, que está disposta a tudo. É gente que acabou desempregada por essa forma de “pacifismo”, que é uma etapa superior da conivência, porque agora ancorada numa estratégia política. O próprio crime poderia pôr ordem no galinheiro, recolhendo seus recalcitrantes? Poderia, sim. Mas isso tem um preço — vá se saber qual é…

Eu sou aquele que se solidariza sempre com a polícia contra a bandidagem. Jamais vi, nem quando era canhoto, os criminosos como expressão, sei lá, das carências sociais ou algo assim. Sou radical nessas coisas: no extremo da dificuldade, homens reagem de modos diferentes porque sempre lhes resta alguma margem para a escolha. É bandido quem quer, quem escolhe esse caminho:  numa cobertura em Ipanema ou num barraco na Vila Cruzeiro — o que costuma variar é a forma como o estado pune um e pune o outro; no mais das vezes, infelizmente, nem um nem outro… Logo, não há perigo de eu estar com peninha de gente que sai por aí aterrorizando e barbarizando. Na “minha” antropologia, a gente leva Bach e Camões para o morro, mas não traz funk para o asfalto. Já escrevi também bastante a respeito de certa visão muito presente no Rio (em relação às “comunidades”) e em São Paulo (em relação às periferias): os moradores desses lugares são tratados como “eles”, o “outro antopológico”, que teria cultura própria, moral própria, civilização própria.

Comigo, não! É absolutamente necessário, sim, que o estado tome de volta esses territórios. Mas tem de fazê-lo para valer, sem pagar pedágio aos tiranetes locais e, volto ao ponto, metendo a bandidagem atrás das grades. Acho chato ter de lembrar, mas necessário: os sinais de que a ocupação “pacífica” estava jogando bandidos no asfalto estavam presentes no Rio fazia tempo, como sabe todo carioca. A forma COMO VINHA sendo aplicada a política das tais UPPs estava aumentava a segurança dos governantes, que apareciam bem nas fotos e na TV. INFELIZMENTE, COMO SABEM OS MORADORES DO RIO, não era essa a sensação das ruas. Ao contrário: percebia-se o crime bem mais presente. Verdade ou mentira?

Foi contra essa política do faz-de-conta que me insurgi aqui, muito antes de a bandidagem botar pra quebrar no Rio de Janeiro. Alguns podem ficar chateados porque percebi antes a contradição que resultaria numa síntese que não tinha como ser agradável. Exército reserva de mão-de-obra barateia o preço do trabalho; exército reserva de bandido barateia a ação criminosa. A coisa mais chata e aborrecida do óbvio é que o óbvio sempre acontece…

Sim, eu também estou no esforço cívico e torço para que a Polícia quebre a espinha dos criminosos. E torço também para que a imprensa não caia em novas mistificações. Todos queremos que o crime seja enfrenta0do com o mínimo possível de confrontos, de mortes, de violência. Mas não existem milagres nesses assuntos. Meter bandidos atrás das grades não é suficiente para garantir a eficiência da segurança pública, mas não existe segurança possível se eles estão, aos milhares, nas ruas. É por isso que a Unidade da Polícia Pacificadora sem a Unidade da Polícia Prendedora é uma picaretagem política.

E encerro lembrando que um bom modo de não resolver o problema e preparar uma armadilha para o futuro é insistir na tese ridícula de que esses eventos mostram que a política de segurança estava correta. Não! Mostra o que mostra: estava errada. A Polícia Prendedora precisa da Polícia Pacificadora para que saiba dosar a sua força. Mas a Polícia Pacificadora precisa da Polícia Prendedora se quiser ser eficiente.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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