A briga do PT com o PMDB pelo controle da Funasa

Publicado em 18/01/2011 18:08 653 exibições

Vivemos a era da mentira influente, não é? Certo jornalismo parece fazer questão de não ter memória, embora a Internet esteja aí. Nem faz tanto tempo assim, em 1992, este escriba subia até o arquivo da Folha, munido de uma requisição, para pegar pastas empoeiradas sobre este ou aquele assunto. Hoje, basta saber pesquisar — e, insisto, ter memória ou não estar abduzido pelo “partido”.

Na sua guerra com o PMDB para controlar a saúde, o PT denuncia — lavando a fonte da denúncia, como sempre — um desvio de R$ 500 milhões da Funasa (Fundação Nacional da Saúde) nos últimos quatro anos. Querem saber? Provavelmente, é verdade. A questão é saber de quem é a culpa. A resposta é simples: é do PT!!!

Em maio de 2000, um decreto do então presidente, Fernando Henrique Cardoso, estabeleceu que TODOS OS COORDENADORES REGIONAIS DA FUNDAÇÃO TINHAM DE SER FUNCIONÁRIOS DE CARREIRA, COM PELO MENOS CINCO ANOS DE EXPERIÊNCIA EM CARGOS DE DIREÇÃO. Se a exigência não zerava o risco de aparelhamento do órgão e de práticas não-republicanas, era certo que a dificultava tremendamente. O ministro da Saúde era José Serra.

Lula presidente, Humberto Costa, futuro líder do PT no Senado, assumiu o Ministério da Saúde. Não havia companheiros em número suficiente que cumprisse aquela exigência. O que fez, então, o digníssimo? Propôs um novo decreto, assinado com gosto pelo Babalorixá, acrescentando uma palavrinha ao texto que abriu as portas da Funasa à sem-vergonhice: as coordenadorias regionais seriam preenchidas “preferencialmente” pelos funcionários de carreira — mas não mais exclusivamente. Sabem o que aconteceu? Em 2003, das 27 coordenadorias, 14 estavam nas mãos de petistas, e outras 13 tinham sido loteadas entre partidos da base aliada. E a Funasa, que funcionava, virou a bagunça que é hoje. Trata-se do órgão mais aparelhado da República.

Costa cravou, então, uma fase que definia bem quem ele é e quem são eles: “Só trabalho com gente do meu lado”. O “lado”, no caso, quer dizer “companheiro”. Ninguém governa, claro!, com adversários. A questão é saber quais cargos comportam uma seleção prioritariamente política e quais devem ter na exigência técnica o seu critério de corte. Quem começou destruir a Funasa foi o PT, o que não isenta o PMDB de nada. Só estou tentando evidenciar que a carga dos petistas contra os peemedebistas não é zelo, senão inveja. Querem tirar os aliados do caminho para que possam cuidar sozinhos do butim. Eis a verdade. Por que ela está sendo escondida dos leitores? É uma boa questão.

Por Reinaldo Azevedo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu expor a sua figura na Medina… Foi visitar José Alencar, ex-vice-presidente, no Hospital Sírio-Libanês. Não quis falar com a imprensa, mas aproveitou para fazer um testezinho de popularidade. Não houve comoção. Ninguém se rasgou. Ele anunciou que vai falar sobre as passaportes ilegais para a família Soprano e Andando e disse que debateu a questão as chuvas em recente encontro com a presidente Dilma Rousseff. Está se preparando para tentar voltar à ribalta.

Lula deve andar um tantinho infeliz, dada a doença psíquica de que padece — a Síndrome da Inveja do Próprio Pênis, que Freud não havia identificado. Ela se caracteriza por um tal amor por si mesmo que o indivíduo fica com uma espécie de ciúme da própria biografia, procurando sempre se superar com fantasias novas. Só que essa degenerescência do caráter precisa de público para ser exercida. E ele lhe falta no momento.

Além da patologia descrita acima, ele certamente não contava que a imprensa, com as exceções de sempre, fosse aderir de forma tão acrítica à sua sucessora. No modelito imaginado pelo Babalorixá de Banânia, ele deveria, agora, estar defendendo a sua criatura eleitoral dos ataques “injustos” da “mídia conservadora” e “reacionária”. Em vez disso, o que se tem é uma impressionante lua-de-mel. Mesmo sob escombros e debaixo de muita lama.

Essa imprensa nem se ocupa de lembrar que, segundo a campanha eleitoral, o governo que terminou no dia 31 de dezembro de 2010 era “governo Lula-Dilma” — e, pois, a eventual herança pesada, especialmente nos gastos públicos, também é responsabilidade dela. Que nada! Parece que ela é vítima passiva de um antecessor gastão. O Demiurgo deve andar meio irritado. Afinal, se tal juízo faz justiça a ele, criticando-o, é injusto com ele, elogiando-a. Entenderam a complexidade do caso?

Dilma também é muito apreciada por fazer uma espécie de governo nas sombras, que não se mostra, que fala por intermédio de assessores. Mais uma vez, a referência é Lula, o falastrão buliçoso. Ele falava tais e tantas barbaridades que o silêncio dela se confunde com sapiência, competência e sagacidade política.

Por enquanto, em suma, o lugar que Lula reservou para si de zagueiro do governo Dilma, eventualmente um líbero que avançaria contra a linha de defesa adversária, mostra-se absolutamente ocioso, desnecessário. A imprensa tomou para si esse discurso. Restará a o Babalorixá, se quiser, voltar a falar bem de si mesmo, só que, agora, já sem a mesma graça e a caneta na mão.

Por Reinaldo Azevedo

A PF e o caso Erenice. Tudo na mesma, mas pior

Leiam o que vai na Folha Online. Volto em seguida:


PF prorroga pela terceira vez investigação sobre caso Erenice Guerra

O Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região acolheu o pedido da Polícia Federal e prorrogou por mais 60 dias o inquérito que investiga tráfico de influência na Casa Civil em 2009, período em que Erenice Guerra era secretária-executiva da pasta. Essa é a terceira prorrogação do caso que teve início em setembro, durante a campanha eleitoral.

A ex-braço direito da presidente Dilma Rousseff e sucessora dela na Casa Civil caiu após a Folha mostrar que a estrutura do ministério foi usada por seu filho, Israel Guerra. Segundo empresários, ele cobrava para facilitar acesso a negócios do governo. Agora, a Polícia Federal deve dar sequência aos depoimentos e a análise dos computadores de servidores apreendidos na Casa Civil. Erenice, os filhos e cerca de 30 pessoas já foram ouvidas pela Polícia. O inquérito da PF é acompanhado pelo Ministério Público.

O caso também foi analisado pelo governo, mas acabou sem punição. A sindicância instalada pela Casa Civil em 16 de setembro terminou no começo do mês, mas não investigou Erenice porque, segundo o órgão, não teria essa atribuição.

Comento
Contrastem essa informação com a cobrança de “ética” que a presidente Dilma e Antonio Palocci fizeram na primeira reunião ministerial, o que deixou tanta gente encantada. A Casa Civil, e Dilma continuou a mandar lá mesmo como candidata, investigou Erenice e… bingo! Não chegou a lugar nenhum! Não é espantoso porque isso tudo é rotineiro no governo do PT.

A Polícia Federal investigou o mensalão e o dossiê feito na Casa Civil ao tempo de Dilma ministra e também não encontrou nada. O caso dos aloprados está aí, sem qualquer conclusão. Aloizio Mercadante, o chefe do homem da mala de R$ 1,7 milhão (era chefe, certo?), é ministro da Ciência e Tecnologia.

É claro que há alas sérias na Polícia Federal, que buscam fazer o seu trabalho. Mas também é verdade que ela nunca foi tão politizada quanto é agora. Mais uns dois anos, e os petistas começarão a dizer que o caso Erenice nunca existiu, assim como negam o mensalão.

Por Reinaldo Azevedo

Há um texto no Estadão Online que deveria ser discutido nas faculdades de jornalismo —  se é que elas discutem alguma coisa enquanto demonizam a “mídia burguesa”…

O título é este:
Alckmin se recusa a comentar denúncia sobre parente

Os leitores, mesmo os mais ou menos avisados, tendem a fazer um juízo negativo do governador, certo? Afinal, onde já se viu ele se negar a comentar uma denúncia contra um parente? Fica parecendo arrogância, leniência, sei lá. Mas esperem. O texto tem um subtítulo, que, no meu tempo de jornal impresso, chamávamos “linha fina”. E a linha fina informa:

“Sua última declaração a respeito do incidente foi na última quinta-feira, 12, quando defendeu ‘investigação absoluta’ do caso em evento no Palácio dos Bandeirantes”

Sei. “Última quinta-feira”??? Vale dizer: há cinco dias, Alckmin disse o que tinha a dizer a respeito: “Que se investigue tudo! Ele não tem nada a ver com as lambanças de UM de seus ONZE cunhados. Será que o governador terá agora de falar a respeito todo dia? O que esperam que diga de novo? Agora leiam o texto. Volto em seguida.

Por Daiene Cardoso, da Agência Estado:
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, se recusou nesta terça-feira, 18, a comentar sobre o suposto envolvimento da empresa de seu sobrinho Lucas César Ribeiro em organização que, em troca de contratos para fornecimento de merenda escolar, doava somas elevadas para campanhas eleitorais de prefeitos da região do Vale do Paraíba.

De acordo com reportagem publicada na segunda-feira pelo Jornal da Tarde, que reproduziu depoimento de um ex-funcionário da empresa, a Velório e Funerária Pindamonhangaba fazia transporte de merenda escolar em carros funerários para a Verdurama, investigada pelo Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP) por suposto envolvimento no esquema.

Durante visita a Campus Party, na capital paulista, o governador disse ainda que não pretende mais falar sobre investigação envolvendo o empresário Paulo César Ribeiro, irmão da primeira-dama Lu Alckmin, apontado como o lobista da organização. “Eu já falei sobre isso”, respondeu a pergunta dos jornalistas. Na última quinta-feira, 12, em evento no Palácio dos Bandeirantes, o governador havia defendido “investigação absoluta” no episódio, “independente de que seja”. “Se é uma denúncia, ela envolve coisa pública. Uma investigação absoluta”, reafirmou.

O governador confirmou a nomeação da ex-secretaria de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Pena, para a presidência da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A informação foi divulgada na noite da segunda pelo atual presidente da empresa, Gesner de Oliveira, em mensagem na rede de microblogs Twitter. “Ela é uma pessoa da área que conhece muito a empresa e foi secretária de Saneamento e Energia do governo (José) Serra até dezembro”, ressaltou. “É uma das melhores gestoras que conheço”, elogiou.

Voltei
A notícia, de fato, é a confirmação de Dilma Pena para a presidência da Sabesp. Da forma como está redigido o texto, ofereceu-se ao leitor a casca e se jogou fora o miolo da banana.

Não se trata de preservar este ou aquele de coisa nenhuma! Alckmin merece o mesmo tratamento rigoroso de qualquer outro político. Mas é preciso que haja motivo para tanto. Há? O Ministério Público, que investiga os tais “parentes”, já afirmou não haver o menor indício de comprometimento do governador com o caso. As testemunhas e denunciantes fazem o mesmo.

A imprensa, que também escarafuncha a denúncia, e age certo ao fazê-lo, não encontra o menor traço de que Alckmin tenha qualquer vínculo com as atividades do cunhado. Aí o leitor cético, e é bom ser cético, pensa: “Ih, mas vocês sabem como são os políticos, não é mesmo?” Pois é… Mas também os há honestos. Pode-se concordar com Alckmin ou discordar dele radicalmente, mas não há em sua biografia o menor sinal, nem o mais remoto, de desonestidade.

Derrotado para a Presidência da República, sem mandato e sem cargo público, o agora governador passou algum tempo dando palestras. E o fazia para pagar as contas mesmo! Até alguns desafetos reconhecem que se pode criticá-lo por muitas coisas, mas nada que o atinja no terreno ético. A insistência em tratar do caso como o do “cunhado e do sobrinho” do governador caracteriza uma óbvia tentativa de igualar desiguais. Isso não é isenção, não! Trata-se de uma forma particular de partidarismo.

Aí o petralha se assanha: “Ah, mas no caso do Lulinha, bem que você ficou pegando no pé do Lula”. Fiquei, sim! Faço-a ainda! O filho do presidente — um da enorme família Soprano e Andando com passaporte diplomático ilegal — conseguiu um “financiamento” de uma empresa concessionária de serviço público, cuja atividade estava subordinada às vontades do pai do beneficiário.

Eu não trato igualmente os desiguais só para provar ao tribunal do petismo a minha isenção. Não reconheço a legitimidade desse tribunal. O tratamento que parte da imprensa dispensa a esse caso dos “parentes” de Alckmin é ridículo e, para eventual surpresa ATÉ dos que se dedicam a tal tarefa, é também PARTIDÁRIO! Se é que se surpreenderiam, não é mesmo? Afinal, José Mentor (PT), réu do mensalão e deputado estadual eleito, é quem assumidamente “acompanha o caso” a serviço do “partido” em São Paulo. E o faz numa notável parceria com certa reportagem. Assim se fazem as salsichas.

Por Reinaldo Azevedo

Leiam o que vai no Estadão Online. Volto em seguida:

Defensor envia pedido de liminar à Justiça para suspender Sisu

Por Felipe Mortara e Carlos Lordelo:
A Defensoria Pública da União (DPU) no Ceará ajuizou na manhã desta terça-feira, 18, ação civil pública (ACP), com pedido de liminar, para que as inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) sejam suspensas até que os candidatos do Enem 2010 tenham acesso ao espelho da correção da folha de respostas e aos argumentos da banca examinadora da redação.

O defensor Carlos Henrique Gondim encaminhou o pedido à Justiça Federal e agora aguarda confirmação do protocolo da nova ACP, que questiona a legalidade de um subitem do edital do Enem 2010 que não permite ao candidato interpor recursos e obter vistas de provas. Uma vez confirmado o número de protocolo, será designado o juiz responsável pelo caso. O defensor deve ir ainda esta tarde pessoalmente ao fórum conversar com o magistrado.

“Existem irregularidades e fundamento legal para que a gente saia vitorioso”, afirmou Gondim ontem ao Estadão.edu. “O Enem deve obedecer os princípios constitucionais que regem um concurso público.” O pedido de liminar será protocolado junto à Justiça Federal no Ceará e, se for concedido, a suspensão vai valer para todo o País.

Na manhã de ontem, o defensor recebeu uma comissão de 30 estudantes do Ceará. O grupo reclamou que teve a redação anulada sem explicações ou que alguns espaços reservados para as notas das provas aparecem apenas com um traço. Esse problema é mais frequente nos resultados das provas de linguagens e códigos e de matemática, realizadas no segundo dia do Enem, em 7 de novembro, junto com a redação. É como se o candidato tivesse faltado à aplicação.

Gondim contesta o fato de o MEC não divulgar uma expectativa para a redação do Enem. “Só foi fornecida a nota. Quer dizer, nem isso, porque o candidato teve a redação anulada. Se o estudante não sabe o que a banca gostaria que fosse abordado e não tem possibilidade de verificar sua prova, ele está sendo prejudicado.”

Comento
Será que é a defensoria tentando fazer confusão a partir do nada? Não é, não! Há tempos já a redação do Enem pode ser caracterizada como um teste ideológico. Além disso, faltam rigor e transparência no sistema de correção. Tratei do assunto num post de 1º de fevereiro do ano passado. Fernando Haddad transformou o Enem numa fonte de injustiça. Em vez de critérios objetivos para medir competências, têm-se o caminho aberto para o arbítrio. O relato abaixo, enviado por um professor convidado a corrigir as redações — que têm peso importantíssimo no exame —, dá conta de como as coisas são feitas. O vestibular tradicional pode não ser o melhor meio para selecionar os alunos que ingressam nas universidades mais concorridas, mas há que se admitir: ele seleciona os que sabem mais.
*
UM RELATO QUE DENUNCIA QUE O ENEM DE HADDAD É IRRESPONSÁVEL E FONTE DE INJUSTIÇA: O ALUNO DEPENDE DO ARBÍTRIO DE QUEM CORRIGE A PROVA, NÃO DA SUA COMPETÊNCIA

Olá, Reinaldo, sou professor de Língua Portuguesa e, por diversos motivos, gostaria de não me identificar. Bom, a questão é a seguinte: no mês de outubro do ano passado recebi o telefonema de uma moça, uma das coordenadoras do ENEM, convidando-me a participar da equipe de correção das redações. Como já havia trabalhado como corretor de alguns vestibulares, e o período de correções coincidisse com o meu período de férias, aceitei o convite.

Assim, fui informado que, a partir do final do mês de novembro, os professores convidados seriam convocados para um treinamento com a finalidade de ajustar os critérios que seriam utilizados na realização do trabalho. O mês de novembro passou sem que recebêssemos qualquer mensagem da coordenação, que só nos procurou, através de e-mail, em meados de dezembro, para nos enviar a senha de acesso ao sistema que nos disponibilizaria os textos grafados pelos candidatos em versões digitalizadas e um documento de duas páginas explicando como lidar com o sistema e como dar notas aos textos.

O que eu quero mostrar com este relato é que toda a correção das provas de redação de um processo seletivo que se quer norteador, assim como eles dizem, da transformação do Ensino Médio ocorreu de modo apressado, amador e irresponsável, uma vez que só estive com a coordenadora em apenas um momento - encontramo-nos rapidamente para que eu entregasse a comprovação de que eu era de fato um professor de Língua Portuguesa -, o restante do breve contato foi todo realizado por telefone e e-mail.

É importante notar aqui que não houve um processo seletivo capaz de verificar a capacidade de realização do serviço por parte dos selecionados (fui indicado por um amigo e não precisei apresentar nenhuma comprovação de que já havia feito isso antes), não houve um pólo de concentração dos corretores, nem discussões esclarecedoras a respeito dos critérios que deveriam ser aplicados, nem um boletim periódico indicando se o serviço prestado estava de acordo com os critérios estabelecidos, nem ao menos algum tipo de fiscalização a fim de confirmar se as redações estavam sendo de fato corrigidas pelas pessoas inscritas para corrigi-las. O manual de instruções para aplicação das notas é um capítulo à parte que eu não tenho como explicá-lo em função do pouco espaço disponível para este texto.

Por Reinaldo Azevedo

Leiam o que vai na Folha Online. Volto em seguida:

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que o texto do novo marco regulatório do governo não tratará de mídia impressa. Em entrevista concedida na semana passada ao programa “3A1″, da TV Brasil, Paulo Bernardo havia afirmado que o novo marco regulatório da mídia deveria incluir a proibição à propriedade cruzada de veículos de comunicação. No programa, ele defendeu o veto e citou que era contra um mesmo grupo empresarial possuir rádio, jornal e televisão na mesma localidade.

No entanto, na sexta-feira passada, Bernardo afirmou: “Jornal não está nessa discussão, né? O projeto não trata de mídia impressa, nem jornal, nem revista, outdoor, busdoor, tudo isso está fora.” O ministro afirmou ainda que o conteúdo difundido pela internet não deverá ser regulamentado pela nova legislação. O novo marco regulatório da mídia ainda está em fase de gestação. O texto, que foi proposto pelo ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins, tem o objetivo de regulamentar artigos da Constituição que tratam do setor de comunicação.

Concessões
O projeto, que deverá ser encaminhado ainda neste ano para discussão e aprovação do Congresso, trata de concessões públicas, como TV e rádio. O ministro não quis antecipar muitos detalhes sobre o anteprojeto. “Estou fazendo uma leitura do projeto, me inteirando, tanto quanto possível, de todos os pontos, e, assim que o governo tiver uma posição, vamos colocar em consulta e audiência pública, na internet, e deixar que isso seja amplamente discutido.

Comento
O nome desse programa da Dilma News é de lascar! “3 a 1″??? Considerando que ninguém vê mesmo, que se trata de uma atividade solitária, praticada na calada da noite, uma espécie de auto-erotismo político, em que as “otoridades” se enleiam em suas fantasias, por que não chamar de “Cinco a um”? A Dilma News segue sendo o traço mais caro da TV mundial. A TV soviética fazia mais sucesso porque os “camaradas proletários” não tinham alternativa… Adiante.

Dilma deu uma espécie de cavalo-de-pau no “Projeto Franklinstein” de controle da mídia, mas não muito, é bom deixar claro. Na fala de Bernardo, a coisa permanece ali como uma ameaça. Ele se diz contra a propriedade cruzada, mas os jornais estão fora, afirma. Valeria apenas para os serviços de radiodifusão, que são concessões públicas. Será que a Globo teria de vender a CBN? E a propriedade cruzada “seita religiosa-canal de televisão”? Pode ou não? Considerando que Edir Macedo estava na fila dos dignitários estrangeiros no beija-mão da posse de Dilma, talvez ela seja até estimulada…

Há alguns dias Bernardo concedeu uma outra entrevista sobre o assunto e defendeu a necessidade de garantir a pluralidade na “mídia”. Eu concordo com ele. Será que não é chegada a hora, então, de criar um fundo para financiar, sei lá, uma rádio e uma TV de oposição ao PT? O que lhes parece?

Quando tiverem tempo (bastantinho), leiam o livro “O Bobo”, de Alexandre Herculano. Além de entrarem em contato com a “inculta & bela” no melhor de sua forma, vocês verão como funcionava o bobo da corte, que tinha liberdade para criticar o rei. Mesmo que fosse, assim, uma atividade combinada, a “pluralidade” estaria mais garantida do que está agora, não acham?

Por Reinaldo Azevedo

E as trapalhadas no Enem renderam uma demissão e uma nomeação. A educação poderia ter sido premiada com a substituição. Mas sai perdendo de novo. Vamos ver.

O MEC de Fernando Haddad aprontou mais uma, como todos viram. Além de milhares de alunos não conseguirem se inscrever no sistema unificado de distribuição de vagas (SISU), os que conseguiam tinham seus dados pessoais tornados públicos, um problema recorrente no sistema de “Deformática” da pasta. Estudantes afirmam que era possível alterar as informações, o que o ministério nega. Ocorre que ninguém acredita nem no que o MEC nega nem no que afirma.  Haddad sai de férias depois de amanhã, no último dia das inscrições, que tiveram de ser prorrogada. É a única boa notícia. Sempre que um ministro como ele está sem trabalhar, o serviço rende mais. Continuemos.

A bagunça no INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), autarquia responsável pelo Enem, custou a cabeça de seu presidente, Joaquim Soares Neto. Ficou no cargo apenas um ano. Em 2009, caiu Reynaldo Fernandes, depois que houve vazamento das provas, que tiveram de ser refeitas. Em 2010, além de vazamento, houve erro na confecção dos gabaritos. Para o lugar se Soares Neto, foi nomeada Malvina Tania Tuttman, reitora da Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio).

Os leitores deste blog conhecem Malvina Tânia. Eu a homenageei no dia 17 de agosto do ano passado com um post bastante eloqüente já no título: Mais um exemplo da “nova era democrática”: a barbárie intelectual da universidade. Ou: como formar ignorantes orgulhosos e patriotas. No dia 11 daquele mês, Celso Amorim, o Megalonanico, conferia uma aula inaugural. O vídeo, longo, está (aqui). A então reitora fez duas intervenções verdadeiramente estarrecedoras, uma apresentando o ministro; outra saudando a sua palestra. E aproveitou para lembrar que seu mandato iria até 2012 e que ela estava na área. Foi atendida.

Reproduzo alguns trechos, comentados, da fala da “intelectual” que agora vai cuidar de uma das autarquias mais importantes do órgão máximo da educação brasileira. Leiam com atenção e pensem se desse mato sai coelho ou jumento. É espantoso! E também é a prova de que a sabujice rende benefícios. Eu poderia me abster de comentários como os que seguem se Malvina estivesse sendo nomeada, sei lá, para distribuir sopão. Mas, se é para um órgão ligado à educação, trata-se de um dever profissional. A gramática da “professora doutora magnífica” rivaliza com a de Dilma Rousseff nos transes da ventura sintática e nos dons do pensamento truncado. Numa ousadia realmente digna de nota, Malvina diz que Celso Amorim contribuiu para elevar até a auto-estima dos “nossos irmãos estrangeiros”. Não tentem identificar, em sua fala, sujeito, verbo, complemento, aquelas coisas antigas que caracterizavam os discursos de “magníficos” do passado. Isso passou. Malvina é expressão de uma parcela da universidade brasileira desta “nova era”. Teria dificuldade para trabalhar em telemarketing. A ela:

(…) Celso Amorim, um dos homens deste país que, atualmente, vem imprimindo e mostrando a seriedade desse país não só para fortalecer a auto-estima nossa, do povo brasileiro, mas, em especial, dos nossos irmãos estrangeiros, que, por meio de uma política governamental importante de relações exteriores e, sem dúvida alguma, falava há pouco com o ministro, por conta da capacidade, da força, da história de vida do ministro, do embaixador Celso Amorim, o nosso país, hoje, não só por isso, mas também por isso, tem um reconhecimento e um valor importante internacional. (…) Uma das pessoas que eu considero (…) um dos nomes mais representativos da história deste país
Bem, é o que costumo chamar de “sintaxe na fase da miséria”. A vontade de agradar é tal que a gente nota até uma certa aerofagia, uma emoção verdadeiramente genuína. Imagino a excitação intelectual desta senhora. E vocês já perceberam o vício de linguagem da “companheira”, não? Essa história de “auto-estima” é peça de resistência de todas as campanhas oficiais - e das estatais. Será que Malvina sabe que Celso Amorim perdeu todos os embates em que se meteu, sem uma só exceção?  Eu acho que não. Isso não significa que pudesse dizer coisa diferente se soubesse, mas acho que ela ignora mesmo…
(…)
O ministro, ele não ficará historicamente lembrado, já que estamos numa aula inaugural de história, apenas por sua passagem neste momento político donosso país, mas enquanto aquilo que ele representa como brasileiro que se orgulha de ser brasileiro e que leva esse orgulho para fora dos muros, das fronteiras do nosso país.
Esse “o ministro, ele” - a anteposição de uma espécie de aposto do sujeito - é um dos vícios de linguagem que mais me irritam e que, vênia máxima, viu, magnífica?, considero índice de ignorância e de pensamento vago. É coisa típica desses pastores televisivos. E o que dizer disto: “O ministro ficará lembrado enquanto aquilo que ele representa…”? Paulo Francis, nessas horas, costumava apelar ao chicote - metafórico, claro…
(…)
E posso lhe [a Amorim] dizer que, além da satisfação de estar reitora neste momento político importante do nosso país, onde as universidades têm recebido um justo olhar para aquilo que ela produz de importante, de ciência para esse país, e isso tem acontecido, nós podemos ter um marco importante, antes de 2003 e depois de 2003, e, por isso, eu posso me orgulhar de estar reitora neste momento, desde 2004, ministro, e completarei o meu mandato até 2012…
***Interrompo aqui, mas o trecho abaixo é seqüência deste, sem corte. Amorim já entendeu, eu acho. O mandato dela vai até 2012… ENTENDEU, AMORIM??? Ninguém pode dizer que ela não está se esforçando para dar vôos maiores. Malvina, como perceberam pediu um cargo e levou. Sigamos:

, mas eu quero também lhe cumprimentar e lhe dizer da grande satisfação de Malvina Tuttman, cidadã brasileira, estar, neste momento, sentada ao lado de um grande homem, um homem que fortalece o nosso país, um país que vem crescendo e que irá, se ainda não surpreendeu, irá surpreender não só alguns brasileiros incrédulos, mas Irá surpreender o mundo.
Ah, apareceram os “brasileiros incrédulos”, aquela gente nefasta que insiste em não acreditar nas verdades eternas do petismo e do governo. A gente nota que Malvina é mesmo entusiasmada. Não lhe basta falar como reitora, não! Ela quer dar seu testemunho pessoal, falar também como “cidadã”, evidenciando que seu engajamento não é apenas profissional. Ela está nessa de corpo e alma mesmo.  Dona Malvina poderia “cumprimentá-LO”, mas “lhe cumprimentar” jamais! A língua é democrática, magnífica! Oferece pronomes oblíquos tanto para verbos transitivos diretos como para os indiretos. Se a senhora servisse cafezinho na Uni-Rio, eu não lhe faria tal cobrança, mas como é a reitora…
(…)

Encerrando

A fala de Malvina é uma colcha de retalhos de bordões oficiais e das muitas mistificações do petismo. Até nos vícios, repete a linguagem “companheira”. Seu discurso é a expressão daquela maçaroca de bobagens entre nacionalistas e patrióticas, que mal escondem o viés militante.

A universidade é o local da pesquisa e do pensamento, não da justificação do poder. Por mais que os centros de excelência, no mundo democrático, sejam integrados ao establishment, essa integração se dá na esfera dos valores, de uma cultura votada para o progresso, para a diversidade e para a tolerância. Servilismo ao governo de turno é outra coisa. É patente na fala da “magnífica” a satanização do passado, a exemplo do que faz o governo que Celso Amorim representa, com o seu discurso recheado de clamorosas imposturas. Ok, dona Malvina não precisa concordar comigo. Mas há um modo decoroso até mesmo de puxar o saco.

Imaginem: esse “bobajol” está sendo cotidianamente repetido nas salas de aula Brasil afora, especialmente, como é o caso, nos chamados cursos da área de humanas. E depois nos perguntamos por que a escola brasileira é tão ruim. Eis aí: Malvina dá a receita para a formação de ignorantes orgulhosos e patriotas.

Por Reinaldo Azevedo

Cunha provoca Dilma

Audacioso, Eduardo Cunha resolveu provocar o governo, que caminha para retirar a complicada Funasa das mãos do PMDB. Via twitter, Cunha mandou ver:

- Defendo apuração rigorosa, doa a quem doer, de qualquer denúncia. Seja Funasa, seja Erenice, seja Cardeal, seja qualquer outra de qualquer lugar.

Não é uma provocação qualquer. Erenice Guerra, era a braço-direito de Dilma Rousseff em seus tempos de ministra da Casa Civil. Valter Cardeal, diretor da Eletrobras, sempre foi o braço-direito de Dilma no setor elétrico.

Por Lauro Jardim
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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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