Governo Dilma se divide sobre “o que não fazer” com o câmbio; o que fazer, até agora, ninguém sabe

Publicado em 10/04/2011 18:56 e atualizado em 11/04/2011 03:30 740 exibições

Governo Dilma se divide sobre “o que não fazer” com o câmbio; o que fazer, até agora, ninguém sabe

A Folha de hoje informa, em reportagem de Valdo Cruz e Sheila D’Amorim, que Luciano Coutinho, presidente do BNDES  (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), desceu a língua na estratégia empregada pelo Ministério da Fazenda para lidar com a valorização do real. Tratava-se de uma reunião fechada com um grupo de empresários ligados à CNI (Confederação Nacional da Indústria). Coutinho sugeriu que o Ministério da Fazenda, cujo titular é Guido Mantega, precisa de um dólar fraco para conter a inflação — que já atingiu a banda superior da meta no acumulado de 12 meses. Ou por outra: com um dólar mais valorizado, a inflação dispararia. O real, hoje, está mais forte do que às vésperas da maxidesvalorização de 1999. Coutinho não economizou: “A indústria está sendo destruída”. Afirmou ainda que sua crítica é endossada por outros ministros, como Fernando Pimentel (Indústria e Comércio) e Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia).

Coutinho não nasceu ontem e tinha claro que as declarações sairiam da sala. O governo, como se nota, está dividido. Só que há uma particularidade: pelo visto, os grupos divergem mais sobre “o que não fazer” do que sobre “o que fazer”, já que parece que ninguém tem a menor idéia. Que Guido Mantega está perdidão, não resta muita dúvida. Por enquanto, ele decidiu aumentar o IOF para empréstimos contraídos no exterior — o que só foi bom para arrecadação — e para o crédito interno, o que, dizem especialistas, não chegará a fazer cócegas na contenção do consumo.

O ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros tem uma boa imagem para a situação: os petistas sabiam usar o software herdado de FHC para uma situação da economia: de escassez de dólares. Só que o país — e o mundo emergente — vive uma outra realidade: a de abundância. E, para isso, os “petês” não conseguiram ainda encontrar uma resposta. Por enquanto, quanto mais Guido esperneia, mais se enrola na teia: o dólar não só não levanta como cai.

Se coisas como essa prosperam ou restam sem qualquer admoestação da chefia, começa a se espalhar a incerteza. Como diria Paulo, o da Bíblia, é preciso saber que diabo de instrumento toca o governo. No primeiro ano do primeiro mandato de Lula, as divergências internas também eram grandes, mas havia mais visibilidade. Palocci ganhou a parada e preferiu não mudar nada. Acertou. Hoje,  há muito menos certezas. Até o FMI fala em controle de capitais. Sendo assim, imaginem Guido: ele fala qualquer coisa.

Nessas horas, em países, assim, convencionais, vozes costumam vir da oposição; do debate, há a possibilidade de surgir alguma luz. Por aqui… No aguardado pronunciamento que fez no Senado, Aécio Neves (PSDB-MG), saudado pelo próprio governismo como o oposicionista ideal, preferiu deixar o câmbio de lado e falar sobre urgências como o Fundo de Participação dos Municípios… 

Por Reinaldo Azevedo

O desentendido

Elio Gaspari não cansa de não me surpreender. Em seus textos, nunca emprega “eu” ou verbos na primeira pessoa.  A exceção é quando “recebe” e-mails do além, servindo de cavalo de personalidades já mortas. Deve achar que afetaria a sua objetividade. Essa é uma das razões que confere a seu texto aquele tom “magister dixit”, como se estivesse fazendo o download do Olimpo. Não deixa de ser divertido. Na sua coluna de hoje, escreve a seguinte nota:

CANIBALISMO
Entende-se que a doutora Dilma quisesse fritar o presidente da Vale, Roger Agnelli.
O que não se entende é que tenha permitido uma negociação que terminou na execução do executivo Tito Martins, que estava posto em sossego no seu serviço, foi abatido em voo e acabou satanizado, como se tivesse cometido um crime por ter boas relações com o presidente da empresa onde trabalha.

Voltei
Na nota acima, ele poderia ter escrito: “ENTENDO que a doutora Dilma quisesse fritar o presidente da Vale…” Mas preferiu aquele “se”, que torna coletivo o que é um entendimento seu.

“Entende-se por quê?” Eu não entendo! Gaspari está dizendo, na verdade, que Dilma se meteu numa empresa privada, derrubando o seu presidente, porque tinha motivos aceitáveis para fazê-lo. Quais? Já o veto a Tito Martins, ah, esse não!

Numa democracia, parece-me que só há um “entendimento” aceitável nos dois casos: é um absurdo um governo derrubar e nomear presidentes de empresa privada!

Por Reinaldo Azevedo

O debate sobre o “bullying” está todo atrapalhado

Uma das pragas no nosso tempo é a “psicologização” do mundo. Explico-me: sei que a dimensão psíquica está presente em todo fato humano. Não estou negando isso. O que me incomoda, na verdade, é a banalização de categorias psicológicas ou psicanalíticas, que passam a ser manejadas de maneira simplista, transformando-se num risco potencial ao menos. Quantos pais, contaminados, por exemplo, pela baboseira da educação “libertária” — que nunca “reprime” —, criam verdadeiros monstrinhos, sem idéia de limites?

Já fui professor. Sei que isso a que se passou chamar “bullying” existe. É uma coisa séria. As escolas, no geral, não trabalham adequadamente com o assunto. Mas vamos devagar aí! É preciso tomar dois cuidados:
a) não chamar “bullying” o que é, muitas vezes, um choque de diferenças. Crianças e adolescentes precisam ser, em larga medida, “reprimidos” mesmo, contidos. Mas o choque é inevitável. Cumpre não criar monstros da intolerância, mas também não criar “cotas” de tolerância. Sempre adorei futebol, mas fui um jogador lastimável. Era, além de tudo (sou) meio cegueta. Os meus amigos zoavam da minha ruindade? Sim! Sempre que pude, me vinguei no que conseguia ser melhor. Nem eu nem eles viramos jogadores de futebol. As minhas habilidades de então são mais úteis para mim hoje do que as deles para eles. A vida é complexa…

Quando afirmo que os educadores, em regra, não estão preparados, estou querendo  destacar que o alvo do “bullying” precisa ser lembrando, com a linguagem adequada à sua idade, que ele também é parte daquela narrativa; também é personagem. O bullying não se faz só com a ação dos molestadores, mas também do molestado. Uma escola não pode eleger nem as vítimas de expiação nem as vítimas de estimação.

b) Essa história de associar o “bullying” a assassinatos em massa ou algo assim é similar à sociologia barata que associa o crime à pobreza. Pode até haver uma certa correlação? Pode! Mas relação de causa e efeito, bem, isso eu não creio. Assim como o pobre que vira bandido precisa tomar a decisão moral de fazê-lo (em oposição à esmagadora maioria de pobres que escolhem não ser), entendo que o “bullying” possa exacerbar alguma doença psíquica que o sujeito já tenha; pode ser um fator agravante, não determinante.

Por que escrevo isso tudo? Porque acredito que é preciso tomar certos cuidados. Na sociedade da hiper-informação, tudo circula. Não me aparece adequado fazer a seguinte relação: “causa: era discriminado pelos amigos - efeito: saiu matando”. Adolescentes vivem injuriados pelos mais diversos e, quase sempre, irrelevantes motivos. Essa narrativa da “vítima” que se vinga pode ser mal digerida por  quase-crianças que não têm o devido discernimento, ainda que mentalmente saudáveis.

O bullying, em suma, não pode ser tratado, por um caminho perigosamente insuspeitado, como a explicação para o triunfo trágico da vítima. É preciso que fique claro que o assassino das crianças as matou porque tinha uma grave doença psíquica, não porque era alvo da chacota dos colegas.  É preciso ficar bem claro que ninguém mata por isso.

Por Reinaldo Azevedo

Sob o signo da estupidez. Ou: Abaixo os “Salvadores de Homens”

Participei outro dia de um seminário promovido pelo Instituto Millenium e afirmei algo mais ou menos assim: “Tenho muito medo das pessoas que querem nos salvar”. Ao fim do evento, fui abordado por um senhor muito simpático que me pediu algumas explicações. Então eu, católico que sou, condenaria, por princípio, os discursos religiosos, em especial a mensagem cristã, que acena com a salvação? No contexto em que falava, referia-me não aos salvadores de almas, mas aos “salvadores de homens”, essa gente que tem na cabeça uma civilização de sonhos, fundada no que entendem por “igualdade” e na garantia dos direitos coletivos, que deveriam ter primazia sobre os direitos individuais. Tenho medo porque o que eles chamam “democracia” é tirania. Lembro de novo o “Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens”, de Rousseau. O “castelão e vagabundo”, como o definiu Fernando Pessoa, redigiu o texto e enviou para Voltaire, que ficou mudo. Rousseau se incomodou com o silêncio do outro e resolveu exigir uma apreciação crítica. Recebeu-a: “Quando se lê o seu trabalho, dá vontade de andar sobre quatro patas”.

É isto: nestas duas semanas, o debate político, intelectual e ideológico regrediu, sei lá, uns 30 anos no tempo. O país se flagrou tentado a andar sobre quatro patas. Eu me vi, de novo!, combatendo a Lei da Censura e quase recitando palavras de ordem: “A liberdade é sobretudo a liberdade dos que discordam de nós”. Um dos eventos que marcaram a marcha para o século passado foram as declarações infelizes do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que acordaram os censores do mundo dos mortos — e os fantasmas saíram do armário. A culminância foi o festival de besteiras que se seguiu à tragédia no Rio, que devastou a vida de muitas famílias. Temi um tantinho pelo nosso futuro como país. E olhem que sou, de natural, otimista. Já que falei de Voltaire, voilá: tenho o meu lado ingênuo, Pangloss; esforço-me para acreditar que tudo caminha para o melhor dos mundos — mas, é evidente, sem jamais deixar “de cultivar o nosso jardim”.

Será assim tão difícil distinguir as boçalidades que Bolsonaro diz — relevando que também diz coisas sensatas, embora ele seja bem pouco generoso com os próprios acertos — do seu direito constitucional de dizê-las? Será assim tão difícil aceitar o fundamento de que o direito à livre expressão não regula o conteúdo do que é dito, ou, então, livre ela não seria? Será assim tão difícil acatar a evidência de que, numa sociedade democrática, crime não é o que cada um de nós, um grupo ou um tirano considera crime, mas aquilo que a lei define como tal, ou, de outro modo, estaremos não no melhor, mas no pior dos mundos?

Não! Não me espantaram as manifestações dos grupos organizados. Esses cumprem o seu papel e o seu propósito. Toda militância particularista é mesmo um pouco estúpida. Aliás, a sua razão de ser, em certo sentido, repousa na incapacidade de ver o conjunto. São, escrevi aqui esses dias, fragmentos da grande desilusão marxista que assegurava que a história tinha um eixo — a luta de classes — e um protagonista: a classe operária, grávida de todos os futuros. Acabou! O reino da justiça se faria agora no abandono das pretensões universalizantes, as burguesas e as proletárias, em favor dos parcialismos. Assegurados seus direitos especiais — que, curiosamente, são chamados de “coletivos” —, teríamos, então, um mundo mais igualitário e mais justo.

Espantosas, aí sim!, são as manifestações de entes do que antigamente se chamava “sociedade civil” contra as garantias que constituem pilares da sociedade democrática e do estado de direito.  Esses entes tornaram-se agentes da promoção dos parcialismos. Se, antes, exerciam o saudável papel de árbitros dos conflitos, reconhecendo como legítimos os anseios reformistas da militância, mas apontando seus limites, mostram-se hoje panfletários buliçosos de minorias influentes. Figuras ilustres da OAB — de tão relevantes serviços prestados à redemocratização do país e à luta contra a censura — saíram atacando de forma vergonhosa a liberdade de expressão porque, afinal, não podiam concordar com as barbaridades ditas por um deputado!!! Praticamente pediram a sua cassação, comportando-se já como juízes.

Se alguém indagar a esses valentes se acreditam que o pior assassino tem direito a um advogado, eles dirão que sim, é evidente! Boa parte da imprensa não se comportou melhor do que a OAB na primeira semana ao menos; depois, foi ajustando o seu registro, mas os “indignados do bem” ainda protestam, afirmando, de modo muito pudoroso, que é bom, sim, termos um regime de liberdades no Brasil, mas sem exageros. O “exagero” costuma ser cometido por aqueles que discordam de nós. E Bolsonaro? Bem, este só tem motivos para ser grato aos militantes, à imprensa e à OAB. Aposto que, em 2014, ele terá ainda mais votos do que em 2010. Ao ser enviado para o paredão, não ganhou um só adversário novo, mas ampliou a grei de admiradores; ficou parecendo a luta de um contra um bando.

Imprensa e OAB já haviam, na semana anterior, escrito e dito barbaridades sobre o Projeto Ficha Limpa — e não se procedeu de forma muito diferente com a Operação Castelo de Areia. Há um ímpeto de moralização da vida pública — e isso é saudável! — que deu para chamar de “impunidade” garantias constitucionais e processuais QUE PROTEGEM A DEMOCRACIA PORQUE PROTEGEM O INDIVÍDUO. Protegem conta quem? Atenção, queridos! Protegem-no (e protegem-nos!) contra o Estado e seus comandantes de turno. A origem do direito, conforme o conhecemos, não está numa briga de vizinhos nas cavernas, coisas que poderia lá ser resolvida entre eles, caçando seus mamutes (caverna e mamutes são contemporâneos? Sei lá eu!). A origem do direito está na necessidade de assegurar que UM INDIVÍDUO não seja molestado pela vontade arbitrária do soberano. “Mas e se o bandido se aproveita disso?” Certamente não resolveremos o problema cassando prerrogativas dos não-bandidos! E isso nos remete a esta triste semana que termina.

Delírios
Vimos o acontecimento brutal numa escola do Rio, com a morte de 12 crianças. Não faz tempo, centenas delas foram soterradas em Petrópolis, no que foi chamado o “maior desastre natural do país”. Natural??? Algumas ficarão sepultadas para sempre no ambiente daquela tragédia. Sobre seus corpos, vão se erguer edificações. Não terão direito nem mesmo à “Santa Cruz”,  pequeninas capelas que ainda hoje se erguem nas áreas rurais do Brasil em que pessoas tombam mortas, pouco importa o motivo. Na fazenda em que passei parte considerável da infância, há uma. Ali foi assassinado Vitorino, que humilhara um camarada mais fraco do que ele num jogo de futebol. Crime de faca. Era um domingo. O campo, que não existe mais, ficava nas terras de um tio meu. Tínhamos com ela, eu menino,  um misto de reverência e terror. Íamos rezar na Santa Cruz e a mantínhamos limpa, com toalha de crochê e imagens de santos. No lusco-fusco, enxergavam o vulto de Vitorino nos assombrando — eu nunca; no breu da noite, muitos viam a luz de uma vela iluminando a capelinha. É um jeito de não morrer. Como se nota, Vitorino vive de algum modo. Em Petrópolis, muitos simplesmente desapareceram. Morte absoluta.

Mesmo assim, a tragédia da cidade está ente os eventos que podemos compreender. O misto de moradias em áreas irregulares, de incúria do poder público e de uma chuva realmente devastadora produziu aquelas mortes. Há uma espécie de resignação. Já o assassinato das crianças deixa-nos perplexos. O que fazer? Não há o que fazer. As razões que habitavam a terrível solidão daquele rapaz se foram com ele. Cria-se uma espécie de frenesi em busca de uma resposta, e os políticos, obviamente, não resistem à tentação de apontar uma “saída”. E se tirou do baú, então, a velha e estúpida idéia de “desarmar a sociedade”. Como? Proibindo a venda legal de armas!

Borda-se, assim, o evento trágico com uma estupenda bobagem. No Japão, um assassino precisou de uma faca para matar oito crianças. Dilma Rousseff afirmou que o crime foge às “nossas características”, numa declaração infeliz. De fato: as “nossas características” compreendem mais de 50 mil assassinatos por ano — 26 homicídios por 100 mil habitantes, contra apenas 6 nos EUA. A maior parte é vitimada por armas de fogo ilegais, como eram, diga-se, as do rapaz da escola. Nesse caso, no entanto, ainda que se abolissem todas as armas desse gênero, ele encontraria uma maneira.

Em seu nono ano de governo, o PT pouco fez — na verdade, nada fez —  contra o espantoso número de assassinatos no Brasil. Boa parte do tempo, o Ministério da Justiça ficou sob o comando de Tarso Genro, aquele que ouviu dizer que “maconha é muito saborosa”. O índice nacional só não explodiu porque São Paulo segue sendo um exemplo de combate aos homicídios: queda de 62,4% entre 1998 e 2008 (10,4 mortos por 100 mil habitantes em 2010). No período, no Norte e no Nordeste, os dados são alarmantes: crescimento de 297% no Maranhão, de 237,6% na Bahia, de 177,2% em Alagoas, de 174,8% em Sergipe, de 193,8% no Pará… Assistimos, isto sim, ao contingenciamento da verba destinada à Segurança Pública. Pois bem, dada essa realidade, o governo federal houve por bem, à esteira da tragédia no Rio, lançar uma campanha em favor do… desarmamento. Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo e José Sarney acreditam que, tirando as armas legais das mãos das pessoas decentes, vão coibir o crime dos bandidos e dos malucos.

E, mais uma vez, os militantes, os particularistas, os “salvadores de homens” estão presentes para advogar que os “direitos coletivos” devem se sobrepor aos individuais. Mandam-me aqui um troço de uma jornalista — sim, jornalista! — que defendeu na TV que o governo monitore com mais severidade a Internet para impedir que um assassino como esse tenha acesso a mensagens perigosas! O que ela quer?

Encerrando
Estamos passando por um acelerado processo de emburrecimento do debate público. Nunca tantos falaram tanta bobagem e com tanta convicção contra os fundamentos que regem a democracia e o estado de direito. Mas por que chegamos a isso? Esse é outro texto, que publicarei neste domingo.

Por Reinaldo Azevedo

Atirador faz sete mortos na Holanda. Ou: cada país exorciza à sua maneira as falsas culpas

Sete pessoas morreram e 16 ficaram feridas depois que um atirador abriu fogo, neste sábado, no shopping Ridderhof, na cidade de Alphen aan den Rijn, situada a 20 quilômetros de Amsterdã, na Holanda. O assassino, que se matou em seguida, é Tristan van der Vlis, de 24 anos. Segundo a imprensa holandesa, uma carta teria sido encontrada em seu carro sugerindo a existência de explosivos em três outros centros comerciais, que foram evacuados. Para não variar nesses casos, numa outra carta deixada em sua casa, ele anunciava o suicídio.

Certa imprensa é mais ou menos igual em todo o mundo — e, se me permitem, em alguns países, ela é ainda “mais igual”. Todos os sites dos jornais da Holanda, a Meca do politicamente correto, destacam em manchete, neste momento, que Tristan era membro de um clube de tiro. A ilação é óbvia: aí estaria a causa, sugere-se, da tragédia. Às vezes no mesmo parágrafo, às vezes no seguinte, informa-se que era filho de pais separados e que morava com o pai, não ficando claro se tal característica também está na cadeia de supostas causalidades.

Como a Holanda não pode proibir ninguém de se separar — faço uma ironia: no país, seria mais fácil proibir é o casamento… —, então se iniciará, é certo, um movimento para proibir os clubes de tiro… No Japão, um psicopata matou oito crianças numa escola com uma faca. Ninguém teve a idéia de proibir as facas.

Cada país busca exorcizar as falsas culpas à sua maneira, segundo as suas condições objetivas, não é? No Brasil, circulam milhões de armas ilegais, que passam por nossas fronteiras, terra de ninguém, sem quaisquer dificuldades. Quando um psicopata ou esquizóide, sei lá eu, sai matando a esmo, alguém se lembra de tentar proibir a venda legal de armas e de sugerir que o não-bandido e o não-maluco (para ser genérico) entreguem suas armas ao estado. Os que podem, efetivamente, sair matando por aí certamente não atenderão ao apelo. Na Holanda, vamos apostar, alguém proporá a proibição dos clubes de tiro.

Informam os sites noticiosos holandeses, sem detalhes, que Tristan já tinha tido problemas com a polícia relacionados à posse de armas e ameaças a terceiros. Não se sabe por quê, a investigação não seguiu adiante. Outra evidência universal, meus caros, é que, pouco importa o grau de desenvolvimento do pais, as várias instâncias do estado preferem sempre punir o indivíduo por sua própria incompetência.

Por Reinaldo Azevedo

A manchete da Folha Online, agora, é esta:
“Real atinge patamar recorde de valorização em relação ao dólar”.

A manchete da editoria “Poder” é esta:
“Cem dias de Dilma têm calma na política e tensão da economia”.

Vamos pensar?

O primeiro
O primeiro título significa que tudo o que Guido Mantega fez até agora deu com os burros n’água. E ele está vivendo, assim, uma variante do paradoxo do Asno de Buridan:
- Se não eleva fortemente os juros, a inflação não cai;
- Se eleva fortemente os juros, o real se valoriza ainda mais;
- Mesmo com o real valorizado, a inflação segue alta;
- Se o real se desvaloriza, e isso é uma necessidade imperiosa, a inflação dispara.

O segundo
O segundo titulo significa que não faltam motivos para a oposição fazer, enfim, oposição, mas é que ela não sabe ou não quer. Nas democracias convencionais, sempre que há tensão da economia, há também tensão da política. A “tensão política” faz parte do jogo democrático, diga-se.

“Calma” costuma haver é nas ditaduras. Eis aí a síntese dos 100 dias de Dilma e dos 3.020 das oposições.

Por Reinaldo Azevedo

Escrevi ontem um longo texto (este tende a ser maior) em que afirmo que passamos por um processo de emburrecimento do debate público no Brasil; fundamentos da democracia que nos pareciam, até havia pouco, acima de quaisquer questionamentos começam a ser alvos de especulação, notadamente a liberdade de expressão. Eventos dramáticos, que chocam a sociedade, logo são usados como pretextos para reduzir a liberdade dos indivíduos. Em todos os casos, agentes políticos se mobilizam para arrancar uma fatia de nossa liberdade e entregá-la à voracidade do estado. O indivíduo não vale um tostão furado. Ele, que é a razão de ser e o centro da democracia contemporânea, é reduzido à mera condição de instrumento de um “projeto”.

No comando dessas iniciativas, estão os sucedâneos da esquerda marxista, que se fragmentaram em movimentos vários — alguns nem mesmo têm informação clara de sua própria origem. De todo modo, conservam a matriz autoritária. Os fascistas de direita temem a liberdade porque, para eles, ela se confunde com a desordem; os fascistas de esquerda temem a liberdade porque, para eles, ela se confunde com o egoísmo. Em qualquer dos casos, como diria o grande poeta baiano Gregório de Matos (1636-1695),
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Quem já não está com o saco cheio dessa gente?

Encerrei assim meu post de ontem: “Mas por que chegamos a isso? Esse é outro texto, que publicarei neste domingo.” Cá estou. O que nos falta? Poderia responder simplesmente: falta-nos oposição. Como se é “oposição” sempre em relação a alguém, prefiro ser menos episódico, não ancorando a tese apenas na realidade partidária que aí está (mas também nela).  O Brasil é a ÚNICA DEMOCRACIA DO MUNDO que não conta com representantes no Parlamento que falem em defesa dos pagadores de impostos. Nem me refiro ao grande capital propriamente, que este, é fato, sempre dá um jeito de se defender. Vamos ser claros, né? Arca com um imposto aqui, toma dinheiro a juros subsidiados do BNDES ali. Com uma das mãos, o governo tira; com a outra, devolve. Quem não obtém nenhuma forma de compensação é o tal homem comum, médio, assalariado. Paga calado e recebe em troca serviços lastimáveis. No Parlamento, os ilustres representantes do povo se engalfinham para oferecer sempre mais “generosidades”. Como não se inventou ainda um governo que gere riqueza — ele, ao contrário, a consome —, alguém paga a conta.

Onde estão os representantes do povo do “povo que paga a conta”? Inexistem. Os partidos, hoje, ficam a gravitar em torno do PT, disputando com ele o mercado de concessões de benefícios. Na única vez em que as oposições tiveram a coragem de peitar os petistas — refiro-me à CPMF —, levaram a fatura. E com amplo apoio da sociedade. Não por acaso! Os porteiros do meu prédio têm Imposto de Renda retido na fonte. Participam, como se vê, do “esforço redistributivo” do Brasil distribuindo… Pertencem àquele grupo de milhões de pessoas que nem são atendidas pelo bolsismo, a exemplo de nós, nem são capazes de pagar saúde privada, escola privada e segurança privada, à diferença de nós. Quem fala por eles?

Por que é assim? Infelizmente, o estado brasileiro é gigantesco e, nos oito anos do governo petista, cresceu ainda mais. A economia privada depende visceralmente do ente estatal; de posse de seus instrumentos, o governo de turno faz chantagem. Por isso é tão difícil fazer oposição no Brasil, qualquer que seja o partido no poder. Mas ainda mais difícil tem-se mostrado na gestão petista porque não se está lidando apenas com um partido, mas com uma legião, que tem o controle daqueles tais “movimentos” dos deserdados do marxismo, hoje metidos em lutas particularistas cuja finalidade, como todos sabemos, é assaltar o caixa do estado para garantir benefícios específicos a seus liderados.

Em qualquer grande democracia do mundo, a disputa pelo governo central se organiza em torno de um eixo — desdobrando-se depois em demandas particulares. Que eixo é esse? “Daremos mais dinheiro ao governo ou menos para que ele execute seus projetos?” Ou posto de outra maneira:“Devemos confiar no governo para fazer o país avançar e, pois, aceitaremos pagar mais impostos, ou nós lhe diremos: ‘Preferimos fazer nós mesmos?’” Uma perspectiva organiza os ditos “progressistas”; a outra, os ditos “conservadores”. Estes acusam aqueles de perdulários; aqueles dizem que estes são egoístas e ignoram os deserdados da terra. O pêndulo ora vai para um lado, ora para o outro.

Vejam o que ocorre no Brasil. Se um determinado projeto ganha a marca de “social”, não haverá partido com coragem suficiente para dizer simplesmente “Não!”, explicando, se for o caso, que o governo está tentando arrancar um pouco mais do nosso dinheiro para supostamente nos salvar — ou, se for o caso, para alimentar a sua clientela. E por que os partidos têm tanto medo? Porque podem, efetivamente, ser satanizados. E isso remete a uma segunda questão importante.

Imprensa
Aqueles tais movimentos tomaram de assalto a imprensa. Nos EUA, no Chile (aqui do lado), na Alemanha, na França, na Itália, em toda parte, não só existem os jornalistas conservadores — “de direita” (brrr…), se quiserem — como existem os veículos conservadores: jornais, revistas, TVs, rádios, sites… Por aqui? É mais fácil um coleguinha com fama de, sei lá, beberrão ou idiota ser respeitado numa redação do que um com fama de “direitista”. No Brasil, o conservadorismo — ou a “direita” — deixou de ser um conjunto de valores morais, ideológicos, políticos, econômicos, culturais. Não! Passou a ser uma falha ou uma mácula moral. É claro que há nisso tudo muito de ignorância e de “não-livros”; mas há também, é certo, a patrulha consciente, organizada, eficiente.

Laura Capriglione não confunde coturno com Winston Churchill porque ela não sabe a diferença. Ao contrário: ela confunde JUSTAMENTE PORQUE ELA SABE!

Que político vai querer ser alvo da ironia ou da maledicência das hostes organizadas? Vi a tentativa estúpida de massacrar o excelente senador Demóstenes Torres (DEM-GO) quando ele resolveu se insurgir contra os aspectos aberrantes do tal Estatuto da (Des)Igualdade Racial. Atribuíram-lhe coisas que não disse — porque essa ainda é a melhor forma que os vigaristas têm de debater; acusaram-no de “racista” sem atentar para as restrições que fazia ao texto, todas elas ancoradas na Constituição. Um ou outro articulistas escreveram contra as cotas, mas, que eu me lembre, jamais alguém “da redação” — com as exceções de sempre. Digam-me aqui: é sinal de saúde democrática não haver simplesmente divergência num ambiente que deveria estar especialmente talhado para o confronto e para o debate? No caso do estatuto, só faltou o Elio Gaspari fazer como as vestais, que desfilavam desnudas quando julgavam que os deuses haviam sido gravemente ofendidos. Ele ao menos se conteve.

O caso Jair Bolsonaro (PP-RJ), convenham,  é bastante emblemático. Embora poucos tenham se dado conta de que mais ele acabou usando a imprensa do que a imprensa usando-o como símbolo “da direita”, de “tudo o que é ruim”, vimos a ligeireza com que se fala em cassação de mandato e punição quando alguém desprezado “pelo mundinho” decide fazer uso das faculdades constitucionais de que dispõe, ainda que para dizer coisas detestáveis. Contra as modernas informações da ciência, contra as evidências dos estudiosos da área e, finalmente, contra a lei, Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, tratou a maconha como se fosse um Chicabom (”Dizem que é muito saboroso”) — e o frez falando a jovens numa aula inaugural da UFRGS. O caso foi ignorado. Por quê? Porque boa parte dos que decidem o que é notícia, independentemente do que é fato, concorda com ele.

Ok. Todos sabem que a CNN é democrata e obamista, mas todos sabem que a Fox é republicana e antiobamista. Cito duas quase caricaturas. No mundo democrático, a imprensa também é plural e, de certo modo, espelha as divergências que existem na sociedade. E no Brasil? Em nome de uma suposta isenção, o crime é, muitas vezes, colocado em pé de igualdade com a lei, segundo a lógica do “lado” e do “outro lado”.  Convenham: se admito que a lei pode ser violada em nome da justiça (de preferência, “justiça social”) e se considero que aquele que pratica a violação é um “lado legítimo” da contenda, não haverá “outro lado” que compense o que já é a escolha de um lado: a admissão da violação da lei. Ponto final! E vocês sabem que isso define a esmagadora maioria da imprensa brasileira.

Cá comigo, rio bastante quando vejo os esquerdopatas a associar, por exemplo, a TV Globo ao conservadorismo. Alguém já assistiu a algum capítulo da novela das 21h? Não vou aqui fazer análise de TV, qualidade de enredo, direção, nada disso. Trata-se de mais um folhetim eletrônico que vale por um breviário de todos os “progressismos”. dos bacanas brasileiros. Afirmar que a Globo é de “direita”, no entretenimento ou no jornalismo, é só uma maneira de manter mobilizada a patrulha com o intuito de que a emissora não fuja dos cânores politicamente corretos.

Sem divergência
Estamos, assim, parindo uma “democracia nova”, sem divergência; as vozes públicas se movem apenas pelo consenso. “Consenso” de quem? Dos grupos militantes. Isso faria supor uma de duas coisas: ou viveríamos numa ditadura ou na mais absoluta paz social. Curiosamente, não temos nem uma coisa nem outra. O regime é democrático, e mais de 50 mil pessoas são assassinadas por ano no país, número estúpido, inaceitável, absurdo! Ocorre que o Brasil que divide, o Brasil do confronto, o Brasil da discordância, o Brasil da divergência, o Brasil do choque, tudo isso desapareceu com a chegada dos companheiros ao poder. Seus principais agentes da agitação social eram os sindicatos, que hoje integram o governo e administram fundos de pensão bilionários. Aqueles grupelhos organizados continuam, sim, a pressionar. MAS ATENÇÃO! NÃO É UMA PRESSÃO CONTRA O ESTADO! É UMA PRESSÃO CONTRA A SOCIEDADE. Como dispõem dos meios — a imprensa — para incensar ou satanizar as pessoas, temos, então, esta magnífica sociedade brasileira do discurso único, do partido único, do intento único.

Caminhando para o encerramento, lembro o aguardadíssimo discurso recente do senador Aécio Neves (PSDB-MG), saudado por alguns oposicionistas e, o que é curioso, PELA TOTALIDADE DOS GOVERNISTAS, como “a voz” da oposição. A personagem da noite, além do próprio tucano, foi o senador Wellington Dias (PT), ex-governador do Piauí. Comentando a segurança, a fortaleza e as certezas do governo petista, disse que eles, os governistas, haviam escolhido Aécio para ser o líder da oposição. Faz sentido!

Aécio exumou o passado e mostrou as muitas vezes em que o PT faltou ao Brasil. Correto! Mas cadê a divergência sobre presente e futuro? Fez algumas propostas, digamos assim, administrativistas, mas nada disse sobre as muitas imperícias em curso. Escrevi ontem à tarde sobre o atrapalhadíssimo ministro Guido Mantega e o nó cambial. Imagino aqui Dilma a ler o discurso de Aécio e comentando intimamente, com certo desalento:
“Estou frita! Eles também não tem a menor idéia do que fazer! Estão como o Guidinho!”
Atenção! Eu não esperava que um senador da oposição — ou ela toda — oferecesse “a” solução. Passar, no entanto, a largo do problema naquele que seria uma espécie de “discurso inaugural”, de fala organizadora dos adversários do PT, dá conta do quão baixa anda a temperatura política e intelectual na oposição.

Agora encerro mesmo
É por isso que tão abertamente se fala em desrespeitar a Constituição no país, como demonstrei ontem; é por isso que uma ocorrência trágica serve uma vez mais para tentar avançar contra os direitos dos homens de bem. Políticos e boa parte da imprensa passaram a criminalizar a divergência. O próprio senador mineiro, em sua longa fala, fez questão de deixar claro que não quer o confronto menor, que quer construir  etc, etc, etc. Faz-se oposição no país quase pedindo desculpas, como se não fosse ela a legitimar a democracia, já que governo há em todas as ditaduras; como se o regime de liberdades não estivesse justamente na possibilidade de dizer “não”, já que as tiranias também permitem que se diga “sim”.

É essa “democracia jabuticaba” que nos obriga a recitar de novo, quase 400 anos depois:
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Por Reinaldo Azevedo

E a popularidade de Dilma? Será que é mesmo como disse a imprensa brasileira? Leiam isto

Vocês se lembram que escrevi alguns posts aqui discordando do modo como a imprensa brasileira estava lendo as pesquisas de opinião sobre a popularidade do governo Dilma? Resolveram comparar o primeiro levantamento sobre a sua gestão com o primeiro sobre a gestão de seus antecessores. Eram duas as minhas objeções:
a) a ser assim, adota-se um método, e sua popularidade terá sempre como referência a daqueles que a antecederam. Se vale para a primeira, por que não para as demais?
b) o método escamoteia um fato óbvio: num governo que foi eleito para ser de continuidade, a popularidade dela, embora boa, caiu muito. Afinal, é o nono ano de governo do PT;
c) considerando que ela não pegará um ciclo tão virtuoso na economia, a presidente pode vir a ter alguns problemas.

Pois é… Muita gente reclamou de minha “exótica” leitura. Só minha??? Olhem este gráfico.

eurasia-datafolhaSão números do Datafolha lidos por uma consultoria. O texto que segue explica tudo. Como se nota aí, ela colocou num gráfico a evolução de popularidade de Lula e de Dilma. Acho que a coisa fala por si. Não estou dizendo que a consultoria me dá razão e pronto! Só estou deixando claro que não recorri a nenhum exotismo. O texto em azul foi extraído do Mansueto Almeida. Foi ele quem primeiro publicou o gráfico. Atenção especial ao que vai em negrito. Volto para encerrar.

Primeiras Dúvidas em Relação à Política Econômica

Apesar dos analistas econômicos, no Brasil, serem críticos dos rumos atuais da política econômica, não havia até o momento lido nada que questionasse o bom momento pelo qual passa o Brasil. A exceção é o FMI. Em janeiro deste ano, o FMI liberou um relatório com comentários sobre a economia global, no qual afirmava que o equilíbrio fiscal em países como Brasil, China e Índia estão mais fracos do que o previsto e ressaltava a deterioração nas contas fiscais brasileiras  que seria “particularmente pronunciada”:

“The deterioration in Brazil’s fiscal accounts is particularly pronounced, and the government is now expected to miss its fiscal target (a primary balance of about 3 percent of GDP) by a wide margin” (ver pp. 4 Fiscal Monitor Updated).

Esse relatório do FMI foi o primeiro a ir contra as avaliações francamente positivas dos analistas no exterior. No entanto, tanto aqui no Brasil  quanto lá fora começam a surgir dúvidas sobre a política econômica do governo Dilma.

No relatório de hoje (04 de abril) para seus clientes, o banco de investimento Credit Suisse mostra que houve um novo aumento na mediana das expectativas de inflação do mercado. A inflação esperada para 2011 passou de 6,00% para 6,02% e, para 2012, a mediana das expectativas de inflação passou de 4,91% para 5,00%. Apesar disso, na média, o mercado espera um aumento menor da taxa de juros; que terminaria este ano em 12,25%  (meio ponto de aumento percentual até o final do ano) e passaria para 11,25% no final de 2012.

O Credit Suisse, embora concorde com um aperto monetário para este ano abaixo do que era esperado, aposta em uma taxa de juros no final de 2012 muito maior: 14%. A razão é que uma política monetária mais soft este ano contaminaria a inflação de 2012 e, assim, seria necessário um novo ciclo de aumento de juros.

Essa visão pessimista do Credit Suisse vai ao encontro do mais novo relatório da EURASIA sobre o Brasil, uma consultoria política americana que presta serviços para bancos de investimentos e investidores institucionais. No seu mais novo relatório (”BRAZIL: Rousseff’s approval ratings likely to gradually fall this year, adding pressure for more spending in 2012″), a EURASIA tem uma interpretação diferente da imprensa brasileira quanto aos recentes índices de aprovação do governo da presidente Dilma, que mostram uma aprovação de 47% entre aqueles que consideram o seu governo excelente ou bom. Na visão da consultoria,  esse índice de aprovação representa, na verdade, uma forte queda em relação à taxa de aprovação do governo Lula; o que significa que a opinião pública está separando o governo da nova presidente da figura do presidente Lula.

A consultoria sugere que o cenário para a nova presidente pode piorar por três motivos: (1) redução do crescimento econômico (muito gente já estima que o crescimento este ano fique abaixo de 4%); (2) aumento da inflação, que vai corroer o poder de compra do trabalhador de mais baixa renda; e (3) o cenário fiscal pior de 2012, que já começa com um gasto extra de quase R$ 25 bilhões em virtude a regra atual de reajuste do salario mínimo e novas demandas fiscais que ficarão cada vez maiores em um governo com índices de popularidade caindo.

A equipe econômica tem uma tarefa difícil pela frente para convencer ao mercado que sua política é consistente. No momento, o mercado começou a olhar apreensivo para 2012. Essas análises não são consensuais, mas o “gato subiu no telhado”.

Voltei
Acho que vocês já tinham lido coisa parecida em algum lugar, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo.

Abaixo, um caso que demonstra por que o gigantismo estatal está na raiz de quase tudo o que não presta no Brasil

Ontem e hoje, publiquei dois longos textos fazendo um pouco a anatomia da nossa miséria política. Quais são as causas? Há muitas! Mas há a mãe de todas elas, o nosso mal original: o tamanho do estado. É o seu gigantismo que está na raiz da incompetência, da roubalheira e do atraso social.

Uma reportagem de Daniel Pereira e Rodrigo Rangel na VEJA desta semana, intitulada “A Fábrica de dinheiro do PTB”, ilustra como poucas o que se diz acima.  Vale a pena ler. Ali se explica direitinho como certas coisas funcionam em Brasília. Apresento uma síntese.
- A Dismaf é uma empresa que se meteu num imbróglio nos Correios e acabou investigada na CPI do Mensalão.
- Em abril de 2010, os Correios informaram que ela estava proibida de participar de licitações promovidas pela estatal.
- Quando a Dismaf se meteu na confusão do mensalão, era uma empresa modesta. Em 2006, faturou apena R$ 2,6 milhões; vendia bolsas de carteiros e fardas militares.
- A Dismaf mudou de ramo e passou a comercializar trilhos de ferrovias.
- Em 2010, faturou R$ 346 milhões.
- Há dois meses, venceu uma licitação promovida pela Valec, estatal do Ministério dos Transportes, de astronômicos R$ 720 milhões.
- Assim como a Dismaf não produzia nada em 2006, não produz nada agora: só faz intermediação.
- A Controladoria Geral da União diz que ela não poderia ter participado de licitação nenhuma até 2015 porque a punição que vale para os Correios vale para qualquer outro ente estatal. O TCU pediu informações à Valec porque acredita que houve direcionamento de resultado. Para todos os efeitos, o ministro Alfredo Nascimento suspendeu  o processo.

A esta altura, o leitor pode se perguntar: “E daí?”. Aos fatos.
- Os donos da Dismaf são os irmãos Basile e Alexandre George Pantazis.
- Basile é tesoureiro do PTB do Distrito Federal, partido do senador Gim Argello, também do DF, de quem é amigo pessoal.
- Argello, que fanfarroneia sua “amizade pessoal” com Dilma, é um fiel escudeiro do senador José Sarney (PMDB-AP). Fernando, um dos filhos do presidente do Senado, é investigado pela Polícia Federal justamente por conta de irregularidades na… Ferrovia Norte-Sul, que usa os trilhos intermediados pela Dismaf.
- A prosperidade da Dismaf de 2006 para cá rende frutos óbvios a seus proprietários. Basile costuma desfilar numa Ferrari em Brasília e comprou uma mansão na Península do Ministros, no Lago Sul, por R$ 6 milhões.
- Em off, políticos ligados ao PTB dizem que Basile “opera para o caixa do partido”  também na BR Distribuidora, que tem um diretor indicado por Argello e outro por Fernando Collor de Mello (AL) — ele mesmo! —, também senador pelo PTB.

Entenderam?

Volto ao começo. No poder, o que fez o PT? Aumentou o poder do estado. Isso quer dizer que se ampliaram as possibilidades de os brasileiros serem roubados.

Por Reinaldo Azevedo

Na edição da semana passada, a VEJA publicou uma reportagem reproduzida mundo afora, embora setores da imprensa brasileira tenham feito questão de ignorá-la, o que é inútil. Fato: o terrorismo islâmico fincou suas bases no Brasil. Para ler uma síntese daquela reportagem, clique aqui. Vejam esta foto.

vicentinho-tunisiano

Vocês identificaram aí o deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, do PT. E quem é este senhor que está ao lado? Leonardo Coutinho e Laura Diniz contam na VEJA desta semana. Leiam um trecho:

O homem que aparece na fotografia à esquerda, orgulhoso ao lado do deputado Vicentinho (PT-SP), é o tunisiano Manar Skandrani, de 50 anos, monitorado constantemente pela Interpol. O tunisiano, que chegou a ter uma escola de pilotos na catarinense Joinvile, se diz perseguido por ter sido militante do Al Nahda, uma organização subordinada à Al Qaeda, que defende a implantação de um governo islâmico na Tunísia. Ele nega que hoje tenha amigos terroristas ligados ao bando de Osama bin Laden. Como consta nos arquivos da Interpol, Vicentinho conheceu Skandrani na campanha presidencial de 2002. Naquele ano, o tunisiano, então proprietário de uma fábrica de kebab na Alemanha, visitou seus fornecedores de carne de frango em São Bernardo do Campo, reduto eleitoral do deputado.

Dois anos depois, foi a vez de Vicentinho ir à Alemanha. Lá, convenceu seu amigo extremista a emigrar para o Brasil. Skandrani gostou da idéia, porque, assim, iria aproximar-se de seus fornecedores, que mantinham relações ainda melhores que a dele com o governo recém-eleito. “Sou amigo de Vicentinho e estive com (o ex-presidente Luiz Inácio) Lula (da Silva) uma vez, mas não sou terrorista”, disse o tunisiano a VEJA. Em 2007, Skandrani chegou a ser preso pela Polícia Federal por tentar entrar no Brasil com 14000 euros não declarados. Na cadeia, pediu ajuda ao deputado petista. “Acredito na inocência dele. É só um perseguido político”, afirma Vicentinho

Gostou, leitor? Agora vejam esta outra foto. Duas das personagens são bastante conhecidas: o nosso Apedeuta e seu amigo “querido” Ahmadinejad. E o outro?

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A reportagem da VEJA informa: trata-se do empresário Mohamad Ali Laila. Leiam:
Mohamad Ali Laila, vice-presidente do Instituto Futuro, instituição voltada para os libaneses muçulmanos de orientação sunita radicados no Brasil, mantém uma relação estreita com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos oito anos, esteve em todas as comitivas de viagens presidenciais ao Oriente Médio. Em 2007, ele próprio descreveu sua relação com o ex-presidente à então consulesa americana em São Paulo, Lisa Helling. Laila contou à diplomata que é “velho amigo de Lula” e sua atividade no Brasil é a de lobista, mas que não gosta de ser chamado dessa forma, porque sua profissão não é bem-vista por aqui. (…) Laila é tio do comerciante Anuar Pechliye, treinado pela Al Qaeda no Afeganistão e delatado à CIA, agência americana de inteligência, pelo principal recrutador da organização de Osama bin Laden, Abu Zubaydah. Documentos da Polícia Federal obtidos por VEJA mostram que Pechliye é suspeito de ter fornecido passaportes brasileiros à Al Qaeda. A sobrinha do amigo do ex-presidente casou-se com Alan Cheidde - também treinado por Zubaydah no Afeganistão e suspeito de fornecer passaportes a terroristas. Cheidde é um soldado da Jihad Islâmica experimentado em combate. Nos anos 90, mudou-se para a Bósnia a fim de lutar ao lado dos muçulmanos.

Leiam mais informações da revista.

Voltei
Muito bem! A Comissão de Relações Exteriores da Câmara decidiu convocar Leandro Coimbra, diretor da Polícia Federal, e Wilson Trezza, diretor da Agência Brasileira de Inteligência para falarem sobre as atuações de terroristas islâmicos no Brasil, conseqüência direta da reportagem de VEJA da semana passada, que fez eco no mundo inteiro. Alberto Nisman, promotor argentino que investigou os ataques terroristas contra entidades judaicas havidos em Buenos Aires na década de 90 ficou estupefato ao saber que Mohsen Rabbani, mentor dos crimes, entra e sai do Brasil a hora que quiser, sem ser molestado: “As autoridades brasileiras poderiam tê-lo prendido se tomassem o mínimo de cuidado”.

Os petistas podem dizer que não há provas do envolvimento direto dos amigos de Vicentinho e Lula com as bases do terrorismo islâmico no Brasil, mas não deixa de ser impressionante como, em sendo verdade que vínculos não há, são poucos os anéis que separam o PT dos terroristas. Isso pode ser mais um elemento a explicar o fato de que o partido não quer nem ouvir falar na aprovação de uma lei antiterrorista. “Não há terrorismo no Brasil”, decreta a deputada Janete Pietá (SP), falando, CONTRA OS FATOS,  em nome do PT na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

O ex-deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que tentou investigar a presença do terrorismo islâmico no Brasil quando membro daquela comissão, afirma:
“O silêncio do governo em relação aos extremistas é constrangedor. A revelação da proximidade de investigados com o PT torna o caso ainda mais preocupante.”

PS - Por favor, comentem com moderação.

Por Reinaldo Azevedo.
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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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