Código Florestal – O homem não é uma besta alienígena que está aí só para atrapalhar o planeta

Publicado em 05/05/2011 15:31 e atualizado em 06/05/2011 19:34 757 exibições


Se tivermos de fazer o bem, pensam os amigos da natureza, que importa o povo? Ele que se dane! O homem, agora, não é mais natural! É uma besta alienígena, que baixou no planeta para atrapalhar a doce harmonia da Mãe Terra, sempre tão generosa com os seus frutos, não é mesmo? De tempos em tempos, é verdade, ela se zanga, manda uma catástrofe qualquer, mata alguns milhares, mas tudo bem… A intenção é essencialmente boa.  “Chega!”, dizem os amantes de Géia. O homem, esse piolho nas esferas, tem de parar de infestar a Terra!

E não só isso! É preciso também rever certos conceitos. Quando Obama estava no Brasil, lá estava eu no carro, aquecendo o planeta — sou uma das bestas desprezíveis — enquanto um “amigo da natureza” falava no rádio. Ele, claro, só aquecia o coração da militância. Estava frustradíssimo com a visita do presidente americano porque, disse, a sua [de Obama] agenda ambiental era muito fraca. Teria se mostrado muito tímido, à diferença do que prometeu em campanha, na substituição dos combustíveis fósseis por fontes alternativas de energia etc e tal. Até aí, vamos lá! E disse uma coisa verdadeiramente formidável — e a culpa de eu ter ouvido aquela porcaria é de Dona Reinalda, que gosta de curtir notícias no carro; por mim, fico ouvindo as músicas que as minhas filhas recomendam (nem sempre…). Mas quem dirige manda, certo? Eu só estou ali para xingar os barbeiros…

Segundo o amigo da natureza, Obama não pôde avançar mais na agenda ambiental por culpa dos americanos.  Os EUA, lamentou o rapaz, são uma democracia, e o presidente depende do voto daquela população estúpida (isso, ele não disse, mas ficava implícito) para continuar no poder. Entendi, sem sombra para ambigüidades, que fazer o correto na natureza pressupõe uma ditadura — embora os grandes e desastrosos eventos, que poluíram e poluem o planeta tenham sido e seja perpetrados por tiranias, como evidenciam a União Soviética e a China. Que seja um “comunista do Brasil” a fazer um bom relatório sobre o Código Florestal é dessas ironias muito nossas.

Aldo Rebelo está certo. No post anterior, ele faz uma analogia entre a margem de proteção à beira dos rios e a alíquota de Imposto de Renda. Faz sentido, sim, quando se pensa em pessoas. O leitor não é besta nem come mato. Pense numa propriedade de 4 módulos rurais à beira de um rio e numa outra, à margem deste mesmo rio, de 40 módulos. Querem os amigos da natureza que ambas reservem 30 metros de cada lado do curso d’água além de manter 20% da área (se for o Nordeste, por exemplo) para recomposição de reserva. Muito bem! Quem tem quatro módulos e inviabilizou para exploração agrícola 20% da área “colaborou” com a natureza em igualdade de condições com aquele que tem 40? Isso pode significar o seu fim. No caso das margens do rio, a questão, então, é escandalosa: em termos percentuais, o pequeno estará sendo esmagado.

É uma tese estúpida, anti-social e, para desprivatizar o adjetivo privatizado por Elio Gaspari, “demofóbica”.

Os amigos da natureza ficam furiosos quando se evoca a questão social. Dizem que o argumento é falacioso, mas não conseguem contestá-lo. Partem pra adjetivação e ignoram a matemática da coisa. Seus adversários precisam ser homens maus, latifundiários perversos. Vai ver é por isso que, na prática, 95% dos produtores rurais estão “fora da lei”. Todos latifundiários!

Na imprensa, cientistas e ditos “especialistas” fazem terrorismo! “Vão acabar com a água”. Sem reserva legal, a água desaparece! É por isso que a Europa não produz mais nada, certo? Falta de água. Não! Não estou dizendo que aquele deva ser o nosso modelo, mas cobro que parem com o catastrofismo estúpido. Que país do mundo tem preservada a área de florestas que tem o Brasil? Por que esse discurso ensandecido, como se estivéssemos à beira de uma catástrofe e como se a recuperação de mata nativa fosse uma questão de sobrevivência? Por acaso o Brasil está tão “pelado” de mata nativa quanto a França, a Alemanha, Inglaterra ou os EUA? Ah, tenham paciência! Se o código que Aldo propõe for aprovado e respeitado, o Brasil será um santuário ecologicamente correto!

E para encerrar: “Aumento de produtividade” passou a ser, agora, a resposta metafísica da turma, como se isso pudesse ser conseguido da noite para o dia; como se o Brasil pudesse diminuir a área plantada amanhã e depois compensar o estrago num estalar de dedos. Não, valentes! O Brasil precisa aumentar a produtividade sem perder área de produção, entenderam?

Coloquem os seres humanos na equação. O homem não é uma besta alienígena que está aíi só para atrapalhar a natureza e a biodiversidade!

Por Reinaldo Azevedo

O Congresso como casa-da-mãe-Dilmona

Uma coisa é o governo usar a sua maioria no Congresso para fazer política e implementar suas propostas - é o normal em qualquer democracia do mundo; outra, diferente, é usar o Parlamento como a casa-da-mãe-joana. Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:

Oposição protesta no Senado contra MP que reúne diversos temas

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online:
Em protesto contra o governo federal, a oposição se retirou nesta quarta-feira do plenário do Senado para não votar medida provisória que reúne mais de cinco temas diferentes em um único texto. O grupo de dez senadores do DEM, PSDB e PPS abandonou o plenário depois de fazer uma série de discursos contra a MP editada pelo Palácio do Planalto –no primeiro gesto público no Congresso contra o governo Dilma Rousseff.

A oposição critica o fato da MP tratar de vários temas que não têm conexão entre si. Segundo os oposicionistas, a Constituição Federal não autoriza a reunião de assuntos diferentes no mesmo texto editado pelo Poder Executivo.

“Esse Congresso é o quê? A Constituição está sendo rasgada. É uma indignidade. Vamos abandonar o plenário em protesto contra a atitude do Senado de chancelar tudo o que vem do Executivo, inclusive medidas dessa qualidade”, disse aos gritos o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que jogou no chão uma cópia da medida provisória.

Originalmente, a MP 513/2010 se destina à concessão de juros de empréstimos no BNDES para empresas e produtores rurais atingidos por desastres naturais. O texto, porém, também trata do fundo de compensação de variações salariais, recursos para o fundo soberano, lançamento de letras do Tesouro Nacional e uma doação do Brasil ao Haiti.

“Não podemos aprovar matérias inconstitucionais. Temos o dever de respeitar a legislação que aprovamos. Essa MP é daquelas que denominamos de árvore de Natal. São vários os seus penduricalhos”, disse o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR).

Alheios ao protesto da oposição, senadores governistas continuaram no plenário para votar a medida provisória. O senador Marcelo Crivella (PR-RJ) ironizou o gesto dos oposicionistas. “Quero saber se posso abandonar esse plenário e virar as costas para o Haiti? Para as pessoas atingidas por desastres? Não posso fazer isso. O povo que me colocou aqui não me perdoaria.” Entre os governistas, apenas a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) acompanhou a oposição na debandada do plenário. O senador Pedro Taques (PDT-MT) anunciou o voto contrário à MP.

Críticas
Apesar de permanecerem no plenário, vários governistas criticaram o rito de tramitação das MPs no Legislativo. Alguns demonstraram à oposição constrangimento por votar o texto com os “penduricalhos”. “Isso pode gerar uma crise. Não teremos outro caminho senão deixar de ler as MPs. Chegam com outros assuntos que são incluídos, cargos que são incluídos”, disse o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

Em meio à polêmica, os governistas evitaram a votação nesta quarta-feira do relatório do senador Aécio Neves (PSDB-MG) sobre a proposta de emenda constitucional que modifica o rito de tramitação das MPs. O Palácio do Planalto quer restabelecer o texto original do senador José Sarney (PMDB-AP) depois que Aécio inseriu artigos que desagradam o Executivo.

Comento
A Medida Provisória, instrumento de regimes parlamentaristas que acabou prevalecendo no presidencialismo, ainda que usada com decoro, já é um tantinho absurda. Mas vá lá: desde a Constituição de 1988, todos os presidentes dispõem de tais instrumentos. Usada dessa maneira, aí a bagunça, com efeito, se institucionaliza. Ainda que o protesto seja o máximo que a minoria pode fazer, asseguro que é o mínimo que lhe cabe!  O Congresso não é, ou não pode ser, a casa-da-mãe-Dilmona.

Por Reinaldo Azevedo

Liberdade de expressão: “O mais perfeito dos sistemas seria uma monstruosidade se cassasse do homem a palavra”

O Instituto Millenium realizou ontem o “2º Fórum Democracia e Liberdade”, no auditório da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo. Roberto Civita, presidente do Conselho de Administração do grupo Abril, que edita a VEJA, e conselheiro do instituto, fez o discurso de abertura, que reproduzo abaixo. Segundo Civita, “a livre manifestação do pensamento e seu corolário, a liberdade de imprensa, não constituem um fim em si mesmo, mas um meio imprescindível para garantir a sobrevivência de uma sociedade livre e democrática.”

Disse ainda:
“O mais perfeito dos sistemas, que garantisse ao homem a plena satisfação de suas necessidades físicas, seria uma monstruosidade se lhe cassasse a palavra. É com ela que relatamos o mundo que nos cerca, que expressamos os nossos anseios, que articulamos as nossas divergências. Se me permitem um simbolismo que resume a importância da liberdade de expressão, lembro que, com a palavra, pode-se reivindicar o pão, mas o pão, por si, não garante o exercício da palavra; se manipulado por populistas, pode até contribuir para tolhê-la.”

Civita saudou “a revolução tecnológica que permite hoje, a cada indivíduo, ser um produtor de conteúdo, propagando, mundo afora, a sua palavra” e fez o que chamou de “necessária distinção” entre “a saudável horizontalização da informação e a imprensa,  que é “estruturada de outra forma” e que “cumpre outra função”. Para ele, “o jornalismo nasce no mesmo ventre da liberdade que garante os direitos individuais, mas tem um domínio próprio, que não é sinônimo do mero exercício da opinião.”  Leia a íntegra do discurso.

Autoridades presentes,

Senhoras e Senhores, meus amigos,

Bom dia e bem-vindos! Em nome dos meus colegas do Instituto Millenium, agradeço a presença de todos nesse “2º Fórum Democracia e Liberdade”, tão oportunamente realizado neste 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

O Instituto Millenium foi constituído há cerca de cinco anos com a missão de promover a democracia, a economia de mercado, o estado de direito e a liberdade. Desde então, vem se dedicando a debater e ampliar a discussão sobre a fundamental importância desses valores para o Brasil de hoje e para o País que queremos ser.

Vivemos em uma nação em que a democracia está consolidada e as instituições que a garantem estão cada vez mais sólidas. Com enorme satisfação, presenciamos, nas últimas décadas, uma notável evolução da consciência da população com relação aos seus direitos e deveres enquanto cidadãos.

A liberdade de expressão - garantida pela Constituição Brasileira de 1988 - teve e tem um papel fundamental nesse processo. A livre manifestação do pensamento e seu corolário, a liberdade de imprensa, não constituem um fim em si mesmo, mas sim um meio imprescindível para garantir a sobrevivência de uma sociedade livre e democrática.

E, por isso mesmo, faz-se necessário, mais do que nunca, proteger este que é um fundamento da civilização democrática, que defendemos e que queremos aprimorar.

O mais perfeito dos sistemas, que garantisse ao homem a plena satisfação de suas necessidades físicas, seria uma monstruosidade se lhe cassasse a palavra. É com ela que relatamos o mundo que nos cerca, que expressamos os nossos anseios, que articulamos as nossas divergências. Se me permitem um simbolismo que resume a importância da liberdade de expressão, lembro que, com a palavra, pode-se reivindicar o pão, mas o pão, por si, não garante o exercício da palavra; se manipulado por populistas, pode até contribuir para tolhê-la.

Saúdo, meus amigos, a revolução tecnológica que permite hoje, a cada indivíduo, ser um produtor de conteúdo - é assim ao menos nas sociedades livres -, propagando, mundo afora, a sua palavra. Festejamos as virtudes da Internet, que potencializa, de modo formidável, a liberdade de expressão. Notem que coisa fantástica: ao mesmo tempo em que o homem contemporâneo pode exercitar livremente o seu pensamento, na solidão benigna de sua casa, ele está conectado a uma rede que o faz cidadão do mundo.

Não é por acaso que as tiranias ainda existentes buscam, com tanta determinação, censurar o espaço em que navegam os internautas. Estou convicto de que os tiranos perderão essa guerra.

Cumpre, no entanto, fazer a necessária distinção entre essa saudável horizontalização da informação, destinada a integrar todos os habitantes do mundo global, e a imprensa, que é estruturada de outra forma e cumpre outra função. O jornalismo nasce no mesmo ventre da liberdade que garante os direitos individuais, mas tem um domínio próprio, que não é sinônimo do mero exercício da opinião. Devemos ficar muito atentos a este particular: a imprensa deve ser protegida de qualquer arroubo controlador do estado, mas ela também deve ser limitada por um imperativo ético: o compromisso obsessivo com a verdade e a objetividade.

Mais do que nunca, precisamos do que ouso chamar aqui de “informação com curadoria”, que envolve isenção, a verificação obrigatória dos fatos levantados e a sua colocação no devido contexto.  Isso permanecerá porque é também uma conquista e uma necessidade da nossa civilização. A imprensa não vai morrer. Ela está mudando para que possa se conservar como um bem essencial das sociedades democráticas.

Minha preocupação, nestes dias, não está ligada à sobrevivência da imprensa. O que tenho me perguntado, e também lhes pergunto, é por que, a despeito de nosso estrito trabalho de vigilância da coisa pública; de denúncia do malfeito e de elogio da boa governança; de defesa dos fundamentos do estado de direito e de crítica às ameaças de autoritarismo estatal; de zelo pelo dinheiro público e de explicitação dos desastres de gestão, o que me pergunto e lhes pergunto, em suma, é por que remanescem (e até florescem), nos governos e nos Poderes da República, práticas lesivas aos interesses coletivos, que, no conjunto, retardam o desenvolvimento e até ameaçam os pilares do estado de direito, que sustentam o edifício democrático.

Por que isso?  Por que demoramos tanto para acabar com a impunidade?  Por que não nos indignamos mais?  O que fazer para acelerar a implementação da boa gestão da coisa pública e o processo de institucionalização da nossa democracia?

Espero que os cinco painéis programados para este fórum e o elenco de ilustres debatedores de hoje contribuam para iluminar tanto essas questões quanto a uma série de outras tão importantes como a defesa dos direitos humanos, o correto papel do capitalismo de estado, a “accountability” jornalística e o modelo do país que queremos.

E isso, por sua vez, só pode contribuir para o fortalecimento do estado democrático, o aumento e aperfeiçoamento das nossas liberdades e melhoria da sociedade brasileira como um todo.

Bom trabalho, bom proveito e muito obrigado!

Por Reinaldo Azevedo

No governo do PT, até análise econômica é crime moral - Lula chama de “profetas do caos” os que prevêem inflação alta

Por Felipe Caruso, na Folha Online:
A uma plateia composta principalmente por economistas e agentes do mercado financeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou ontem de “profetas do caos” os que creem na alta da inflação. Lula discursou à noite para cerca de 800 pessoas em São Paulo, a convite do Bank of America Merril Lynch. O evento era uma comemoração pela autorização obtida do Banco Central para que o Merril Lynch atue como banco múltiplo no Brasil. Lula disse que a alta de preços ameaçou o país em 2002 e 2008, “mas foi superada com uma rigorosa política monetária e fiscal e investimentos no mercado interno”.
(…)
Pesquisa feita pelo BC justamente com agentes do mercado financeiro mostra que, há oito semanas seguidas, as projeções de inflação estão crescendo. A última apontou para 6,37% em 2011. A meta do governo é de 4,5%, com margem de até 6,5%. “A alta da inflação no país não tem causas estruturais. É um fenômeno passageiro, com causas externas e será revertido graças à ação decidida do governo e da sociedade”, disse Lula. Um dos pais do Plano Real, o economista Persio Arida deixou o evento no meio da palestra do petista. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Pobres estão menos otimistas. Seriam os “profetas do caos” de Lula?

Por Mariana Carneiro, na Folha:
O otimismo das famílias brasileiras recuou no mês passado para o menor nível desde a posse da presidente Dilma Rousseff, em janeiro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o pessimismo em relação ao futuro da economia está aumentando mais entre famílias mais pobres. Para o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, o movimento pode ser resultado da alta da inflação: “Para quem tem muito dinheiro, se o preço da carne subiu, isso não impacta muito. Mas para a pessoa com pouca renda, isso impacta”, disse, ao divulgar o Índice de Expectativas das Famílias.

De janeiro a abril, o percentual de famílias otimistas entre os que têm renda de até um salário mínimo caiu 7,16%. Já entre os que ganham mais de dez mínimos, o recuo foi de 1,05%. Segundo Pochmann, as famílias do topo da pirâmide identificam que a situação brasileira está positiva, “ao contrário das famílias da base, que estão percebendo uma mudança [para pior], do ponto de vista da ocupação e das decisões de gastos”. De forma geral, as famílias estão mais receosas. Para Pochmann, os dados podem estar relacionados às medidas para esfriar a economia. Mas, segundo ele, também há de se considerar as despesas típicas do início do ano no orçamento das famílias. Como o indicador começou a ser calculado em agosto, não há comparações com 2011. Ainda assim, as famílias estão otimistas em relação às próprias contas: 82% estimam situação melhor nos próximos 12 meses. “Em algum momento, teremos uma convergência e [as famílias] se darão conta de que a economia crescerá menos, e a geração empregos não estará na mesma proporção”, acredita Pochmann. Para o analista político Rafael Cortez, da Tendências, a percepção da população sobre as altas de preço fez o governo mudar de estratégia. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Lula precisa dar um pito na inflação!


Não contem pra Lula porque ele dirá que isso é coisa dos “profetas do caos”. Mas o fato é que a inflação em 12 meses já estourou a meta, conforme vocês viram desde cedo. Fica aqui o registro.

Inflação atinge 6,51% em 12 meses e supera meta do governo

Por Pedro Soares, na Folha Online:
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou variação de 6,51% no acumulado dos últimos 12 meses, segundo pesquisa divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse resultado é superior ao centro da meta do governo, de 4,5%, e acima do teto, que prevê dois pontos de tolerância (6,5%). A inflação acumulada nos últimos 12 meses é a mais alta desde julho de 2005, quando os preços subiram 6,57%.

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o resultado do IPCA de abril mostra que a inflação no Brasil já está desacelerando. Segundo ele, o indicador de abril já apresenta uma queda e está abaixo das expectativas do mercado.

Em abril, o IPCA –índice oficial de inflação do país e baliza o regime de metas do governo– registrou alta de 0,77%, praticamente estável em relação a março, quando a variação foi de 0,79%. É a maior alta mensal desde abril de 2005 (0,87%). Em abril de 2010, a taxa havia ficado em 0,57%. No acumulado do ano, o índice ficou em 3,23%. A inflação é umas principais preocupações do governo que vem tomando medidas para conter o consumo (como elevar o custo do crédito e a taxa básica de juros, a Selic ).

Transportes
Pressionados pela entressafra e a menor oferta de álcool, os combustíveis foram os vilões da inflação em abril e impediram uma desaceleração significativa do IPCA. Sozinhos gasolina e etanol representaram 39% da variação do IPCA em abril, de 0,77%.

O etanol subiu 11,20% em abril e já acumula alta de 31,20% no ano. Já a gasolina, que sobe no embalo da sua mistura em 25% com o biocombustível e da demanda aquecida, teve alta de 6,26% em abril –no ano, a variação chega a 9,58%. Em abril, os maiores preços médios da gasolina em foram registrados em Goiás (2,40%), Distrito Federal (R$ 2,90) e Rio de Janeiro (R$ 2,89). Em São Paulo, ficaram em R$ 2,73. A disparada dos preços dos combustíveis praticamente anulou a desaceleração dos alimentos, cuja taxa cedeu de 0,75% em março para 0,58% em abril.

Por Reinaldo Azevedo

Dilma tira 3 milhões de meta antipobreza

Por Ranier Bragon e João Carlos Magalhães, na Folha:
A meta do plano de Dilma Rousseff para erradicar a miséria foi desidratada entre a eleição, quando era uma promessa, e anteontem, ao ter seu público-alvo anunciado. Em discursos e entrevistas na campanha, a então candidata falava que trabalharia para “resgatar” da pobreza extrema ao menos 3,4 milhões de pessoas a mais do que agora -19,6 milhões na época contra os 16,2 milhões anunciados anteontem. Na eleição, Dilma adotava o critério de que miserável é quem tem renda de até um quarto de salário mínimo ao mês: R$ 136,25 em valores atuais. Já o programa oficial de governo trabalhará com a linha mais baixa -R$ 70.

“Miserável é quem tem renda de até um quarto do salário mínimo. (…) Então, a gente tem de buscar eliminar esses 19,6 milhões de miseráveis”, dizia a então presidenciável em junho de 2010. No mesmo mês, reiterou a promessa na convenção do aliado PRB: “Nós temos essa missão de eliminar os 19 milhões que vivem com menos de um quarto do salário mínimo per capita. Não eliminar os brasileiros, eliminar a pobreza dos brasileiros”.
Já empossada, o discurso mudou: “Não acredito que o Brasil será um país rico se houver esses milhões de brasileiros que nós temos abaixo do que nós consideramos a linha de corte da pobreza, que são os R$ 70 per capita”, disse em março, em Portugal. 
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Rodovias federais batem novo recorde de mortes

Por José Ernesto Credendio e Dimmi Amora, na Folha:
Um total de 8.516 pessoas morreram no ano passado nas estradas federais de todo o país, número recorde pelo segundo ano consecutivo e 15,4% superior ao de 2009. A variação das mortes é quase o dobro do aumento registrado no fluxo de veículos nas principais estradas do país, calculado em 7,9% pelo Índice ABCR (da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias) e da consultoria Tendências. Um relatório geral da violência nas estradas, que divide casos por rodovias, horários de acidentes e vítimas, foi elaborado pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
O estudo serve justamente para orientar as ações do governo federal para tentar reduzir o número de mortes, que cresce ano a ano. A leitura das estatísticas mostra que os acidentes ficaram mais violentos, conforme a divisão do número de mortos pelo de envolvidos. Em 2009, para cada 10 mil envolvidos, 112 morreram. No ano passado, o número subiu para 148.

Outra taxa que cresceu foi a de mortos em relação ao número de acidentes. Para cada 10 mil acidentes, foram 464 mortes em 2009, contra 471 em 2010. O cenário de maior risco nas estradas ocorre no momento em que o Dnit -ligado ao Ministério dos Transportes- retomou os investimentos nas rodovias. Segundo o diretor-geral do órgão, Luiz Antonio Pagot, foram aplicados R$ 9,9 bilhões em 2010 e estão previstos R$ 10,3 bilhões para este ano.

FISCALIZAÇÃO 
A melhoria na infraestrutura viária, no entanto, não foi acompanhada por um aumento na fiscalização. Como a Folha revelou, só no início do ano, com três anos de atraso, o Dnit passou a instalar 2.696 lombadas e radares. O sistema havia sido desligado em 2007. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Mantega, aquele que ainda não sabe o que é democracia

Já dei uma espinafrada em Guido Mantega por conta de uma bobagem que ele falou sobe a Vale. Leiam o editorial do Estadão a respeito.

*
Mantega e o direito de retaliar
O governo tem o direito de retaliar empresas privadas, quando não concorda com decisões de seus dirigentes, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele expôs sua convicção de forma inequívoca, ao falar no Senado sobre a mudança de comando na Vale, decidida formalmente no mês passado. O governo, disse o ministro, poderia ter retaliado a Vale, quando seu principal executivo, Roger Agnelli, se recusou a atender a pedidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não fez isso porque não quis, o que, segundo ele, mostra que não houve interferência do governo na substituição de Agnelli.

Mas a interferência foi evidente e ocorreu não só quando o presidente Lula pressionou a diretoria da Vale, mas também quando o ministro da Fazenda chamou o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, para discutir a sucessão de Agnelli. O banco integra o bloco de controle da Vale e a mudança na direção da empresa dependeria de sua concordância. Depois dos encontros do ministro com o banqueiro, uma fonte do Bradesco disse ter havido uma pressão massacrante. Essa informação foi divulgada na ocasião. A imprensa noticiou também a primeira reunião de Mantega com o banqueiro.

A indiscrição do ministro, segundo fonte do governo, desagradou à presidente Dilma Rousseff. Por que deveria desagradar, se aquele tipo de contato fosse absolutamente normal e não configurasse uma indisfarçável pressão política?

O ministro negou um fato evidente, ao desmentir a interferência na decisão sobre o afastamento de Agnelli. Mas foi absolutamente sincero ao expor sua opinião sobre os direitos do governo de interferir na gestão de uma empresa privada. Mantega recordou os motivos - bem conhecidos há muito tempo - da insatisfação de Lula em relação ao presidente da Vale. No pior momento da crise, no fim de 2008, a empresa anunciou a demissão de 1.200 funcionários - um número pequeno, seja em comparação com seu quadro de empregados, seja em confronto com as dispensas ocorridas em outras companhias, no Brasil e no exterior. O presidente Lula pressionou publicamente não só a diretoria da Vale, mas também a da Embraer, por causa dos cortes de pessoal na primeira fase da recessão. Não teve sucesso, mas tentou intervir e exorbitou de seu papel ao criticar executivos por tomarem uma decisão legal e perfeitamente normal naquela circunstância.

“Não vejo situação mais democrática do que essa”, disse Mantega, referindo-se à ação do presidente. É uma concepção muito particular de democracia, já que o presidente agiu de forma nitidamente autoritária, tentando interferir na direção de duas grandes empresas privadas. O ministro parece haver esquecido, além disso, as bem conhecidas tentativas de derrubar o presidente da Vale, também noticiadas prontamente pela imprensa.

O presidente Lula censurou a Vale também por exportar minério à China em vez de aço, um produto com maior valor agregado. Mas o investimento industrial necessário para isso estava fora dos planos imediatos da empresa. Também isso foi tratado como afronta. A Vale, segundo o ministro, deveria atender ao “interesse nacional”. Em outras palavras, o governo tentou, sim, interferir na orientação da empresa. Nem é preciso, aqui, sublinhar a espantosa ingenuidade econômica revelada pelo presidente da República e por seu ministro, ao cobrarem da Vale, no meio da crise internacional, um investimento num setor com grande capacidade ociosa.

O ministro Mantega talvez tenha sido mais transparente do que pretendia, ao mencionar a retaliação não executada pelo governo. Se o governo poderia ter retaliado, essa retaliação deveria corresponder a um direito - pelo menos na sua concepção. Essa ideia pode causar estranheza a quem não conheça a “ideologia petista”. Mas é perfeitamente compatível com os padrões seguidos pela administração petista. Afinal, a retaliação não é mais que a contrapartida - com sinal trocado - dos favores distribuídos por esse mesmo governo, por meio dos bancos federais, a empresas selecionadas segundo o arbítrio de quem maneja o dinheiro. Não é isso igualmente democrático, segundo o critério de Mantega?

Por Reinaldo Azevedo
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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Se as regras que os ambientalistas defendem são tão boas, porque eles não defendem a sua aplicação na Zona Urbana e no Mundo Inteiro? Por que só as "roças" brasileiras precisam cumprir legislação ambiental? ELES nem contestam estas perguntas e muito menos as respondem, comprovando que seus interesses são essencialmente econômicos... Bando de hipócritas!

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