No 5° aniversário da Proclamação da Autossuficiência em Petróleo, o Brasil importou 2,5 milhões de barris

Publicado em 06/05/2011 05:00 e atualizado em 06/05/2011 11:45 956 exibições
do Blog de Augusto Nunes, da veja.com.br

O cachê do Lula

A palestra de 70 minutos que Lula deu ontem num evento da Merril Lynch, em São Paulo, rendeu-lhe 250 000 reais. Dá quase uns 4 000 reais por minuto. Nada mal.

Por Lauro JardimPela régua que mede a pobreza extrema, Lula ganha 2.857 miseráveis por palestra

Durante a campanha eleitoral,  candidata Dilma Rousseff reiterou a promessa de tirar da miséria 19 milhões de brasileiros. Neste começo de maio, o país ficou sabendo que 3 milhões já saíram. Não porque a renda subiu ─ todos continuam ganhando o que conseguiam juntar há 10 meses ─ mas porque a presidente mudou de ideia e alterou os critérios adotados para o recenseamento dos desvalidos. Até o dia da eleição, foram considerados miseráveis os que conseguem chegar ao fim do mês com menos de 1/4 do salário mínimo ─ ou R$ 136,25.  Agora, a miséria mudou de nome (virou “pobreza extrema”) e só abrange quem sobrevive com menos de R$ 70.

Graças a essa alquimia, o Plano Nacional de Erradicação da Pobreza Extrema contemplará 16 milhões de brasileiros. A multidão é menos superlativa que a contemplada pelas promessas da candidata. “Nós temos esta missão de eliminar os 19 milhões de brasileiros que vivem com menos de… de um quarto do salário mínimo per capita”, disse Dilma em 26 de junho de 2010, na convenção nacional do PRB,  ”Não eliminar os brasileiros… Eliminar a pobreza dos brasileiros”, esclarece antes que a plateia comece a ovacionar a versão brasileira da solução final adotada pela Alemanha nazista para a eliminação dos judeus. Confira no vídeo abaixo.

Mesmo reduzida em 3 milhões de cabeças, é uma imensidão de gente. Sobretudo aos olhos e ouvidos de quem passou oito anos castigado pela discurseira em que Lula primeiro acabou com a fome e, depois, garantiu três refeições por dia a todos os 200 milhões de súditos. O ex-presidente, aliás, anda cobrando R$ 200 mil reais para fazer palestras em que revela como se deu o milagre da erradicação de todas as formas de pobreza. Não é pouca coisa. Se a quantia for convertida em brasileiros socorridos pelo plano divulgado nesta semana, Lula embolsa a cada palestra 2.857 miseráveis.

Os barões dos canaviais preferiramlucrar com toneladas de açúcar, o álcool sumiu, o litro degasolina ultrapassou a barreira dos R$ 3 e a Petrobras virou importadora do combustível. Em abril, foram comprados 1,5 milhão de barris. Nesta quarta-feira, a empresa confirmou a encomenda de 1 milhão de barris para a segunda quinzena de maio. São 2,5 milhões em dois meses.

Isso no país em que vivem os brasileiros. Na maravilha que Lula registrou em cartório e Dilma jura enxergar, continuam os festejos pelo 5° aniversário da Proclamação da Autossuficiência em Petróleo, consumada no outono de 2006 pelo maior dos governantes desde Tomé de Souza. Na última segunda-feira de abril daquele ano glorioso, ele próprio tratou de cumprimentar-se pela façanha.

“Agora somos donos do nosso nariz”, gabou-se no programa Café com o Presidente, transmitido em cadeia nacional pela Radiobrás. A Petrobras havia alcançado tal grau de eficiência, prosseguiu o palanqueiro compulsivo, que apenas garantir a gasolina dos nativos já não bastava: a produção excedente permitiria que, até o Natal, as exportações superassem as importações em US$ 3 bilhões. Não é pouca coisa.

E não era tudo. Por ter pressentido antes de qualquer outro estadista que “o mundo caminha para o desenvolvimento de energias renováveis e menos poluentes”, Lula também havia transformado o Brasil num colosso da energia alternativa. “Nisso somos imbatíveis”, avisou. “Nós temos todas as condições. Nós temos terra, nós temos trabalhadores, nós temos conhecimento científico e tecnológico”.

Ao som da lira do delírio, como atestam os dois áudios surreais, a discurseira comemorou o sucesso do Pro-Álcool, zombou dos céticos profissionais, aplaudiu a gastança da Petrobras com comerciais ufanistas e inaugurou com pompas e fitas outros assombros que ninguém mais viu. Neste começo de maio, o sonho de milhões de brasileiros castigados pela inépcia federal é morar no país do cartório. Por aqui, passados cinco anos, só há combustível farto e barato para abastecer os motores da inflação.





A certidão de nascimento do Brasil Maravilha, registrada em cartório pelo ex-presidente Lula, garante que um país destruído por FHC foi entregue a Dilma Rousseff com a embalagem e o selo de qualidade que identificam potências emergentes. Mais alguns retoques e o mundo poderá contemplar uma Dinamarca tropical, anima-se quem acredita no mantra repetido há anos pelo padrinho e pela afilhada.

Os dois esqueceram de combinar com o IBGE, informa o Censo de 2010. Uma catarata de cifras cinzentas comprova que o espetáculo do desenvolvimento protagonizado pelo palanqueiro compulsivo, em parceria com a sucessora tartamuda, tem tanta consistência quanto uma análise econômica de Guido Mantega.

Uma das constatações que desnudam o embuste registra que, terminada a primeira década do século 21, os domicílios ligados à rede coletora de esgotos não chegam a 45% do total. “O objeto que representa a civilização e o progresso não é o livro, o telefone, a Internet ou a bomba atômica”, ensinou Mário Vargas Llosa ao receber o Nobel de Literatura. “É a privada”.  Nenhum país existe como nação sem que todos os habitantes sejam protegidos pela malha do saneamento básico.

Quase 100 milhões de brasileiros não sabem o que é isso.

As reações à morte de Osama Bin Laden fotografam com penosa nitidez a cabeça e a alma dos enlutados que disfarçam o choro pela perda do terrorista de estimação. Os soldados rasos das milícias em guerra contra o Grande Satã são apenas idiotas. Acham que os atentados do 11 de Setembro foram produzidos pelas vítimas (lideradas por George Bush), que os heróis são os bandidos, que a Al Qaeda é um exército de libertação e que Bin Laden já estava morto ou não morreu. Se prevalecer a segunda alternativa, os inimigos do imperialismo estadunidense terão encontrado seu Elvis Presley.

A idiotia dos milicianos é tão repulsiva quanto o farisaísmo dos que curtem o luto no governo, no PT ou nas redações. Uns e outros torturando o idioma e a lógica, começam a costurar um samba do terrorista doido. A letra diz o seguinte: recolhido ao lar em companhia de amigos e parentes, o aposentado Osama Bin Laden foi vítima de um ataque que violou a soberania do Paquistão, impôs a pena de morte sumária a quem merecia ser julgado por um tribunal, matou cinco inocentes que dormiam na residência, negou ao morto um sepultamento normal e despertará a cólera muito compreensível dos combatentes islâmicos postos em sossego.

É muito cinismo, sabe até um sócio-atleta do clube dos cafajestes. Não existem terroristas aposentados. Houve um contra-ataque, em resposta à ofensiva traiçoeira que transformou o 11 de Setembro no Dia da Infâmia: foram executados 2.995 civis inocentes. A Al Qaeda é uma organização criminosa que não respeita fronteiras. Violou há 10 anos a soberania americana ao explodir as Torres Gêmeas, violou a soberania do Paquistão ao instalar a fortaleza clandestina em Abbottabad.

Lá não havia paisanos, mas combatentes engajados na Jihad, a guerra santa que só terminará com a morte do último infiel. O julgamento de Bin Laden transformaria qualquer tribunal no alvo perfeito para a reprise do 11 de Setembro, e promoveria a ser humano uma obscenidade especializada em colecionar crimes contra a humanidade. O mar foi a tumba possível. Nenhum parente reclamaria o corpo. Nenhum país cederia sequer uma cova rasa a Osama Bin Laden.

Homicidas patológicos não precisam de pretextos para matar. As tropas da Al Qaeda estavam ansiosas por mais ataques com Bin Laden vivo. Melhor que tentem atacar sem o chefe que teria tornado o mundo melhor se nem tivesse existido.

Veja na seção História em Imagens o 4° capítulo da série “Isto é Roberto Requião”. Há limites para tudo. Menos para o senador do PMDB paranaense.

Localizado pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos na mansão onde se escondia e planejava atentados terroristas, Osama Bin Laden foi morto na noite deste domingo durante operação executada por militares americanos em em Abbottabad, a 56 quilômetros da capital do Paquistão. Para quem preza a democracia e a liberdade, é uma notícia que melhora extraordinariamente o começo da semana.

Vejamos o que têm a dizer a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula, o ex-chanceler Celso Amorim, o conselheiro Marco Aurélio Garcia, a direção da PT e os milicianos a serviço do stalinismo farofeiro. Como o chefe da Al Qaeda até agora, todos eles estão em guerra contra o imperialismo estadunidense. Também acreditam que inimigos dos inimigos são amigos. Nesse caso, perderam um amigo, certo?

Exagero? Estou pronto para corrigir-me: basta que digam claramente se estão felizes ou tristes com o fim de alguém que só viveu para matar.

“Ele segurou tudo calado”, disse tudo em quatro palavras a senadora Marta Suplicy. Os Altos Companheiros ainda caçavam explicações menos cafajestes para a volta de Delúbio Soares ao PT e se enredavam nos palavrórios costurados para justificar a invenção da expulsão temporária quando Marta, com a sinceridade de primeira-dama das estrebarias e a arrogância de granfina quatrocentona, foi direto ao ponto. Já passara da hora de absolver e homenagear o companheiro que poderia, se quisesse, transformar-se na versão brasileira do mafioso italiano Tommaso Buscetta.

Preso no Brasil e devolvido à Itália em 1984, Buscetta ganhou a delação premiada para contar o que sabia sobre as ligações entre a máfia e políticos de alta patente. Extraditado para os Estados Unidos, fez outro acordo com a Justiça americana: em troca da inclusão no programa de proteção a testemunhas, enfileirou revelações que resultaram no desmonte da “Conexão Pizza”, codinome da rede de tráfico de drogas controlada pela máfia de Nova York, e na condenação de 22 chefões a longas temporadas na cadeia.

Só o depoimento na Itália demorou 45 dias. Se resolvesse abrir o bico, Delúbio Soares teria assunto para algumas semanas. A primeira das duas partes do interrogatório seria reservada ao esclarecimento das maracutaias colecionadas pelo depoente no Fundo de Amparo ao Trabalhador, onde agiu entre 1994 e 2000. Escolhido por Lula e José Dirceu para representar a CUT no FAT, foi ali que o companheiro recrutado no PT goiano aprendeu o ofício de gatuno. Nos seis anos seguintes, o medíocre professor de matemática especializou-se em multiplicar milhões mal explicados, dividir o produto do roubo, somar bandalheiras e reduzir as dívidas do partido com quantias de embasbacar banqueiro suiço.

A segunda parte do depoimento mostraria o meliante em ação entre o começo de 2000 e julho de 2005, período em que acumulou as funções de tesoureiro do PT e gerente do mensalão. Nesses cinco anos, entre uma reunião do partido, um animado reveillon na casa de praia de Marta Suplicy e uma visita ao Planalto para dois dedos de prosa com o amigo Lula, Delúbio fez coisas de que até Deus duvida ─ mas muitos petistas cinco estrelas testemunharam, endossaram, esconderam ou ajudaram a executar.

Em parceria com o vigarista Marcos Valério, “nosso Delúbio”, como Lula a ele se referia, mostrou do que é capaz um fora-da-lei vocacional. Esvaziou cofres públicos e privados, extorquiu empresários, financiou dezenas de candidaturas com dinheiro sujo, negociou empréstimos bancários ilegais, estuprou a legislação eleitoral, subornou meio mundo, montou um balcão de compra de votos nas catacumbas do Congresso, lavou pilhas de dólares em contas no Exterior, burlou a Receita Federal, cometeu perjúrio e reduziu o templo das vestais de araque a um cabaré devotado à exploração do lenocínio político.

Pilhado em flagrante no centro do pântano colossal, Delúbio só usou a voz pastosa de quem almoçou arroz com Lexotan para informar, em exasperantes performances na CPI, que nada diria. Expulso do partido, retirou-se para o interior de Goiás e renovou o voto de silêncio. Começou a preparar a volta quatro anos mais tarde, quando recordou aos companheiros, numa carta-aberta, que não agira por conta própria nem solitariamente. “Não fui um alegre, um néscio, um ingênuo”, escreveu. “Aceitei os riscos da luta. Mas não fui senão, em todos os instantes, sem exceção, fiel cumpridor das tarefas que me destinou o PT”. O recado foi claro: fez o que mandaram que fizesse, cumpriu ordens, atendeu a encomendas, e sempre com a ajuda de comparsas. Houve, portanto, cúmplices e mandantes.

Mandantes e cúmplices acharam prudente reintegrá-lo à seita o quanto antes. Se pudessem, esperariam o julgamento no Supremo Tribunal Federal do processo em que Delúbio, soterrado por um himalaia de provas, é acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha. Preferiram antecipar um dos atos mais repulsivos do interminável espetáculo do cinismo para livrar-se de espasmos de ressentimento. Além do mais, ele sempre pediu pouco para não cair em tentação. Como tem o DNA do PT, queria apenas recuperar o direito de conviver publicamente com a turma. Delúbio Soares faz questão de andar em má companhia.

O gerente do mensalão roubou muitos milhões. Mas cobra um preço baixo pela mudez. É uma caixa-preta barata.

“Eu cumpro meus compromissos”, repetiu a presidente Dilma Rousseff na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Cumpre nada, reitera o vídeo de cinco minutos e meio gravado em 18 de outubro de 2010 e reproduzido na seção O País quer Saber. Embalada pela campanha eleitoral, a candidata promete garantir a segurança nas fronteiras com os sobrevoos de um Vant (Veículo Aéreo Não-Tripulado) e a mobilização de uma Polícia Federal de Primeiro Mundo. Nesta semana, constatou-se que os dois deslumbramentos só existem no Brasil Maravilha registrado em cartório.

No mundo real, a Polícia Federal foi empurrada para longe das fronteiras pelo corte de R$1,5 bilhão no orçamento anual do Ministério da Justiça. Com o sumiço do dinheiro, ficaram para quando Deus quiser a ampliação dos efetivos da Polícia Federal e a fiscalização das rotas do narcotráfico e do contrabando de armas. E o Vant só decolou na imaginação de Dilma Rousseff. Continua em terra por falta de combustível, revelou nesta quarta-feira a Folha de S. Paulo.

Até que a PF consiga alguém disposto a fornecer 12 mil litros de gasolina de aviação por ano, a bandidagem estará livre desse espião eletrônico que, guiado por controle remoto, dispensa pilotos e consegue, a 5 mil metros de altitude, fotografar a placa de um carro em alta definição. O lote de 15 Vants e quatro estações de controle, comprado por R$ 540 milhões de um fabricante israelense, chegará em fatias até 2015. Por enquanto, só chegou o aparelho que segue estacionado num galpão do aeródromo de São Miguel do Iguaçu, a 40 quilômetros de Foz do Iguaçu.

Em fevereiro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pousou na região para anunciar que a decolagem inaugural ocorreria em março. De volta a Foz do Iguaçu nesta semana, preferiu conversar sobre a importância da integração dos mecanismos de combate aos narcotraficantes e aos comerciantes de armas. Nada sobre as verbas que sumiram. Nem sobre o colosso tecnológico.

Quem conhece Dilma Rousseff não tem o direito de surpreender-se. Em vez de honrar compromissos, ela prefere fingir que o imaginário existe. No momento, brinca de maquinista de trem-fantasma e, simultaneamente, flutua sobre as nuvens na cabine de um avião invisível.

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Fonte:
Blog Augusto Nunes (Veja)

1 comentário

  • Antonio Ferdinando Zanardi Araraquara - SP

    Ô Nunes ,sempre se superando , hein? A série de sandices impetrada contra o bom senso , permeando por Lula ( vocês vejeiros não vivem sem êle ) e Bin Laden ( sinceramente , você crê nestas históras todas , ou tá fazendo tipo ?) ,sinceramente , me fazem ficar naquele velho dilema : rio ou choro? Será que você realmente acredita nesta baboseira toda que você escreve ou tá dando risada na minha cara?

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