Os terroristas, o Código Florestal, o desmatamento da Amazônia e os vigaristas.

Publicado em 17/05/2011 15:37 e atualizado em 18/05/2011 23:12 937 exibições

Os terroristas, o Código Florestal, o desmatamento da Amazônia e os vigaristas. Ou: Cria-se mais um factóide vagabundo

A vigarice que toma conta do debate público no Brasil é assustadora. Leiam o que vai no jornal O Globo. Volto em seguida:

O desmatamento da Amazônia cresceu muito e está fora de controle em Mato Grosso, onde 753,7 quilômetros quadrados de floresta foram derrubados entre agosto de 2010 e abril deste ano. No período anterior, de agosto de 2009 a julho de 2010, o desmatamento em Mato Grosso tinha sido bem menor: de 661 quilômetros quadrados. A área destruída agora é maior que Goiânia. Como ainda faltam ser computados três meses, para fechar o período de análises do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mede o desmatamento via satélite, o Ibama espera que a destruição ultrapasse 1.400 quilômetros quadrados, área maior que a cidade do Rio de Janeiro. Se confirmado, o número representará aumento de 53% com relação ao mesmo período do ano passado. Os números do desmatamento em toda a região serão divulgados nesta quarta-feira, em Brasília, pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Técnicos do Ibama que trabalham nas operações de combate ao desmatamento dizem que as infrações vêm sendo cometidas devido à expectativa de mudanças no Código Florestal. Embora as negociações entre o governo e o relator da reforma do código estejam emboladas, a matéria está a um passo de ser votada no plenário da Câmara dos Deputados. O Ibama ficou espantado de constatar a presença de desmatamentos ostensivos, com o uso dos chamados “correntões”. Os crimes ambientais estariam sendo cometidos com a intenção de abrir áreas que possam vir a ser legalizadas pela nova legislação.

Preocupada com a situação, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reuniu-se esta semana com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, para que o governo trace uma estratégia de divulgação da má notícia que não cause impactos para a venda da soja brasileira no exterior. A tese de quem está em campo acompanhando a crise é que os produtores estejam desmatando para ampliar a produção do grão no estado. O aumento do preço das commodities estaria influenciando a decisão dos produtores de desmatar para plantar mais.

Voltei
Jornalismo de opinião ou de informação têm de ter um compromisso: com os fatos. Aquilo que vai em vermelhito, acima, é uma grande besteira, uma mentirada do Ibama, uma picaretagem. A razão é simples: o texto de Aldo Rebelo simplesmente não anistiaria aquele desmatamento — ou seja: ele não encontraria proteção no novo texto.  E DESAFIO ALGUÉM A PROVAR QUE O MENTIROSO SOU EU.

Todo mundo tem direito de ser contra ou a favor o texto do deputado. Mas mentir está fora da regra. No casos em que couber a anistia, ela só poderá ser concedida para autuações feitas antes de julho de 2008. Logo, o desmatamento que está sendo apontado acima não pode ser atribuído, obviamente, ao texto porque jamais seria anistiado.

Aliás, os energúmenos de plantão deveriam se dar conta de que um código que nem existe, contra o qual eles lutam, não pode responder pelo desmatamento, feito sob o código que existe, que eles defendem.

É bem provável que essa gente não saiba lógica também. Mas afirma essas besteiras é por mau-caratismo mesmo.

Por Reinaldo Azevedo

Bode Palocci

De um líder governista: a oposição estava usando a convocação do Antonio Palocci para garantir a votação do Código Florestal na Câmara na semana que vem.

Por Lauro Jardim

A estratégia de Palocci

Antonio Palocci já decidiu: não abrirá nem morto os nomes das empresas que o contrataram para ser consultor entre 2006 e 2010. Nem o nome das empresas, nem o tipo de consultoria prestada. Palocci decidiu atuar como certos boxeadores em momentos decisivos das lutas: vai agora para as cordas, protege o rosto e vai apanhar calado, esperando o adversário cansar. Quem será que vai se cansar primeiro?

Por Lauro Jardim

Ministério Público deve analisar patrimônio de Palocci

Contrariando entendimento do presidente do Comisão de Ética da Presidência, procurador-geral disse que fatos que envolvem autoridades merecem atenção

Luciana Marques

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta terça-feira que vai analisar o aumento do patrimônio no ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o ministro teve um crescimento do patrimônio de 20 vezes entre 2006 e 2010, quando era deputado federal.

“Qualquer fato que envolva autoridades públicas merece sempre esse olhar cuidadoso. Agora é preciso realmente reunir as informações para que se possa formar um juízo a respeito”, afirmou Gurgel. Ele disse que analisará os elementos da representação do PPS, encaminhada na tarde desta terça-feira à PGR. Gurgel afirmou também que poderá pedir esclarecimentos ao próprio ministro e à Comissão de Ética da Presidência.

Na representação, o PPS diz que restam muitas dúvidas sobre a evolução do patrimônio de Palocci que precisam ser checadas, como o faturamento da Projeto Administração de Imóveis - empresa do ministro, que tipo de serviços eram prestados pela consultoria, quais eram os clientes da empresa, entre outras.  

“Para afastar qualquer dúvida sobre a retidão e a lisura do comportamento de um importante ministro de estado, seria necessário que a Procuradoria-Geral da República abrisse uma investigação – talvez com o auxílio da Polícia Federal – para investigar os fatos aqui relacionados”, diz o texto assinado pelo líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR).

A Comissão de Ética da Presidência informou nesta segunda que não vai investigar a multiplicação do patrimônio de Palocci. O ministro, que recebeu cerca de 1 milhão de reais em salários nos últimos quatro anos, enquanto esteve na Câmara dos Deputados, adquiriu no período dois imóveis que, juntos, somam 7,4 milhões de reais. Em 2006, o então candidato a deputado declarou à Justiça Eleitoral que seus bens somavam 375 mil reais.

Os imóveis teriam sido comprados pela empresa Projeto, de propriedade de Palocci. A companhia, que inicialmente se dedicava a consultorias, mudou de ramo e, pelo menos oficialmente, atua na gestão de imóveis.

Palocci se explica, mas se complica

As coisas ficaram bem complicadas para Antônio Palocci, e só não há um barulho mais audível na imprensa porque o homem circula bastante. Além de ser uma figura pessoalmente afável, é sempre usado como uma espécie de garantia contra aquelas turmas, digamos, menos salubres do PT: a do Zé Dirceu, a do Ricardo Berzoini, a da extrema esquerda…

O ministro da Casa Civil, cuja adesão ao socialismo não é mais nem um quadro na parede — nem nunca chegou a doer —, é visto como o PT adestrado pelo capital. E não deixa de ser mesmo, o que, em si, não é má notícia, não. Se essa realidade desperta rancor tanto na extrema esquerda petista quanto nos graúdos, que disputam com ele o poder no governo, isso não quer dizer que se deva sempre condescender com o ministro porque ou é ele ou é o dilúvio.

Palocci escreveu uma das páginas mais feias da política brasileira no episódio da violação do sigilo do caseiro Francenildo. Escapou no STF em razão da formalidade jurídica, não de sua estatura moral. Não havia a sua digital material naquela indignidade, mas se sabe que foi cometida por aliados seus, e ele era o único interessado naquela informação — à qual teve acesso. Lembro que aquela violação foi um crime cometido contra uma proteção constitucional; pior: como diria Padre Vieira, foi um peixe grande engolindo um pequeno.

Já sabemos que Palocci pode cometer pecados verdadeiramente mortais. O Supremo nem mesmo chegou a dizer que era venial — preferiu considerar que não havia a prova de sua transgressão. E só por isso ele é hoje chefe da Casa Civil, um dos homens mais poderosos da República.

Vamos ver. Quem, aí, sabia que Palocci tinha uma empresa de consultoria, do mesmo tipo daquela fornecida, segundo entendi, por José Dirceu? Aquele que a Procuradoria Geral da República chama “chefe da quadrilha” do mensalão não chega a ser exatamente elogiado pelo jornalismo por conta de sua destreza no mundo dos negócios. Não há rigorosamente nada a seu favor nesse episódio. Na comparação com Palocci, no entanto, torna-se relevante o fato de que ele está sem mandato ao menos. Palocci, descobre-se agora, mantinha o que chama de “empresa de consultoria” enquanto era deputado.

Não há nada de errado nisso, diz a Comissão de Ética Púbica, que se negou a analisar o caso. Mas que é surpreendente, lá isso é. Eficiência ao ex-deputado e ex-ministro, como se nota, também não faltou. Um apartamentaço de R$ 6,6 milhões, comprado com o rendimento de quatro anos como consultor privado, expõe o notável desembaraço do político petista. Melhor que Dilma, né? Ela teve de fechar uma lojinha estilo “R$ 1,99″… Todos estão agora ainda mais curiosos para saber o desempenho de Dirceu na arte em que, comparativamente ao menos, Palocci era um amador.

Oposições
O ministro deve saber que suas explicações podem ter parecido muito razoáveis ao governo e à Comissão de Ética Pública, mas deixaram o mundo político — e até a imprensa —  bastante surpresos, né? Gostávamos de imaginar que Palocci é desses homens empenhados apenas na modernização do Brasil.

O PSDB anunciou que vai apresentar um pedido para que a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara convide o ministro a dar explicações. O partido também informou que vai enviar requerimentos de informações ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), à Receita Federal e à Controladoria-Geral da União. Faz sentido. O Coaf, muito eficiente, havia conseguido detectar movimentação “estranha” até de Francenildo, né? Quanto era mesmo? R$ 30 mil? O PPS afirmou que entra amanhã com uma representação na PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo a abertura de inquérito para investigar o enriquecimento do ministro.

Mas, afinal, qual é mão que balança o berço e que pôs Palocci na berlinda? Fica para o próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

“A mão que balança o berço” contra Palocci

Eu não gosto desse expediente de ficar especulando sobre quem é a fonte dessa ou daquela reportagem. Até porque, convenham, é um truísmo: raramente o jornalista tropeça num fato ou num indício relevante. Também não é corriqueiro que, movido a pura imaginação ou tomado por um insight, decida: “Ah, vou ver como anda o patrimônio de Palocci”. Nesse caso, interessa o fato de que se está diante de uma verdade, admitida pelo próprio ministro. Ele tem uma justificativa que considera boa para explicar a sua mansão suspensa. Até agora, só convenceu os seus amigos.

Não vou, reitero, especular sobre as fontes. É claro que foi algum adversário de Palocci que passou a coisa adiante.  É assim quase sempre. A notícia deste post está no conteúdo das especulações, no “talk of the town” da rua política.

Há dois candidatos à “mão que balança o berço”. Um é José Dirceu — “como sempre”, eu ousaria dizer. Os simpatizantes de Palocci são muito hábeis em usar o Maquiavel de Passa Quatro como um fantasma ameaçador… A coisa é mais ou menos assim: “Não reclamem de Palocci, não! Ele é a garantia contra Dirceu!”. E Dirceu também é muito hábil em fazer cara de culpado. Para um “consultor de empresas privadas”, é uma boa fama; sinal de que ele faz e acontece.

O outro é Ricardo Berzoini, um petista graúdo que vive dias de desprestígio. Como noticiou VEJA no fim do mês passado, ele anda ensaiando botar a boca no trombone. Até escrevi o post Vai, Berzoniev, conta tudo. Eu o chamo assim porque ele tem cara de burocrata soviético da década de 70…

Palocci, e ele sabe disso, só não tem o direito é de desconfiar das oposições, onde seu trabalho — o do político, não o do consultor — costuma ser mais apreciado do que no PT. No próximo post, eu lhes proponho um exercício de imaginação.

Por Reinaldo Azevedo

Palocci se justifica, não se explica e tenta botar outros nomes da rodinha, Curiosamente, não cita José Dirceu!

Quem sai aos seus não degenera, certo, Antonio Palocci? Leiam o que informa Gabriela Guerreiro na Folha Online. Volto em seguida:

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A Casa Civil encaminhou nesta terça-feira e-mail a um grupo de senadores com explicações sobre a evolução do patrimônio do ministro Antônio Palocci nos últimos quatro anos. Na mensagem, a Casa Civil justifica a evolução no patrimônio ao lembrar que, como ex-ministro da Fazenda, Palocci recebeu uma “experiência única” que dá valor a profissionais de consultoria no mercado e cita outros ex-integrantes do governo que também enriqueceram ao deixarem seus cargos. “Não por outra razão, muitos outros se tornaram, em poucos anos, banqueiros, como os ex-presidentes do Banco Central e BNDES Pérsio Arida e André Lara Rezende, diretores de instituições financeiras como o ex-ministro Pedro Malan ou consultores de prestígio como o ex-ministro Maílson da Nóbrega.”

A Casa Civil também afirma que todas as informações relacionadas à evolução patrimonial do ministro constam de sua declaração de renda de pessoa física, assim como são “regularmente enviadas” à Receita Federal –incluindo informações da empresa Projeto, da qual Palocci tem 99,9% das ações. Diz ainda que Palocci não reside no apartamento de R$ 6,6 milhões comprado em São Paulo.

A empresa Projeto, segundo a nota, foi aberta em 2006 para a prestação de serviços de consultoria econômico-financeira - por meio da qual o ministro aumentou o seu patrimônio. “Não há nenhuma vedação que parlamentares exerçam atividade empresarial, como atesta a grande presença de advogados, pecuaristas e industriais no Congresso. Levantamento recente mostrou que 273 deputados federais e senadores da atual legislatura são sócios de estabelecimentos comercial, industrial, de prestação de serviços ou atividade rural”, diz a nota.

Na nota, a Casa Civil afirma que a empresa de Palocci prestou serviços para “clientes da iniciativa privada” –tendo recolhido sobre a remuneração os tributos devidos– mas sem mencionar quais os clientes. Diz ainda que muitos “ministros importantes” fizeram o percurso inverso ao vir do setor privado para o governo. “O patrimônio auferido pela empresa foi fruto desta atividade e é compatível com as receitas realizadas nos anos de exercício”, diz a Casa Civil.

O órgão argumenta que o objeto social da empresa foi modificado antes da posse de Palocci no ministério para “vedar qualquer prestação de serviço que implique conflito de interesse com o exercício de cargo público”. Segundo a Casa Civil, a gestão dos recursos da empresa foi transferida a uma “gestora de recursos” com autonomia para realizar aplicações e resgates –para evitar conflitos de interesse, seguindo recomendação da Comissão de Ética Pública da Presidência. Atualmente, segundo a mensagem, a empresa tem a “única função” de administrar os seus dois imóveis em São Paulo.

Voltei
Pois é… Palocci, como se nota, resolveu recorrer a alguns colaboradores do governo FHC e até a Mailson, que foi ministro de José Sarney, para se justificar, não para se explicar, já que explicação não há.

Há uma nada ligeira diferença entre os nomes acima elencados: depois que passaram a se dedicar à iniciativa privada, cessaram suas atividades públicas. Mailson, por exemplo, foi ministro — e de um período difícil, bem conturbado, na economia. Quando passou a ser consultor, estava claro que não tinha mais nenhuma interferência nos assuntos da República. Até porque Fernando Collor chegou tentando desmoralizar o governo anterior. Os clientes que confiam nas análises e conselhos de sua empresa sabem que não podem contar com ele para, por exemplo, fazer lobby partidário. Se é, e é, muito bem-sucedido em sua empreitada, é porque deve fazer análises pertinentes.

O mesmo se diga de Pérsio Arida e André Lara Rezende, não é mesmo? A estes dois, em particular a Pérsio, deve-se a engenharia única do Planto Real, que tirou o Brasil da taba. Encerrada as suas atividades no serviço público, todos souberam que eles haviam migrado para a iniciativa privada.

O problema de Palocci é outro. Quem sabia que ele tinha empresa de consultoria? Os primeiros a ignorar tal fato, estou certo, eram seus eleitores. Os três migraram para empresas conhecidas, reconhecidas pelo mercado em suas respectivas áreas. O que distingue a de Palocci na comparação com os exemplos por ele citados é a clandestinidade.  Se ele revelasse o nome dos clientes, talvez diminuísse a sombra da suspeita — a menos, claro, que ela aumentasse…

Sua empresa era bem mais clandestina do que a de José Dirceu, que também enriqueceu no ramo da “consultoria”. Por alguma razão, Palocci não citou o caso do “companheiro” de partido. Os petistas mais íntimos, inclusive a presidente Dilma Rousseff, até poderiam saber de tudo, mas nem o mercado sabia — exceção feita aos “clientes” para os quais ele trabalhou. E olhem que Palocci poderia ter feito as coisas às claras, não? Sendo quem é, amado como é por setores do capital, poderia ter ganhado um dinheirão com palestras.

Mas, entendo, poderia pegar mal um deputado cobrar para falar em público. Ele preferiu cobrar para falar privadamente. Mais: há muitos empresários deputados, sem dúvida. Mas com o poder que Palocci tinha para interferir em questões de estado, eu diria, não há um só.

Por Reinaldo Azevedo

Palocci e a “ética Jaqueline” do governo Dilma

Leia editorial do Esstadão:
Lula ensinou muita coisa aos seus companheiros - e eles aprenderam muito bem pelo menos uma. Há dois anos, no auge das denúncias sobre os podres do Senado, o então presidente saiu em defesa do acossado titular da Casa com palavras que mereciam ser gravadas no mausoléu da ética política nacional. “O Sarney”, afirmou, “tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum.” Nem o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, a julgar pelo que dele disse o fidelíssimo ex-chefe de gabinete de Lula e atual secretário-geral da Presidência, o companheiraço Gilberto Carvalho. Palocci, entoou, “é muito importante para o nosso governo e para o País”, deixando subentendido que uma figura assim incomum não deve ser importunada com revelações sobre os seus negócios no passado recente.

Como a esta altura até os caseiros da capital federal devem saber, no período de quatro anos iniciado em 2006, quando voltou a se eleger deputado federal, depois de seu profícuo interregno como ministro da Fazenda, prematuramente encerrado pelo escândalo Francenildo, Palocci conseguiu a estupenda proeza de multiplicar por 20 o seu patrimônio. Segundo noticiou a Folha de S.Paulo, uma empresa de consultoria, a Projeto, com 99% do capital de R$ 102 mil registrado em nome dele, comprou por R$ 882 mil um escritório de 183 m² nas proximidades da Avenida Paulista e um apartamento de 502 m² na mesma região, pelo qual pagou R$ 6,6 milhões, em duas parcelas quitadas em pouco tempo. A primeira transação data de 2009. A segunda é do ano seguinte, quando Palocci coordenava a campanha presidencial de Dilma Rousseff.

O patrimônio declarado por ele em 2006 à Justiça Eleitoral somava R$ 375 mil, em valores corrigidos. Como deputado, recebeu um total de R$ 974 mil, brutos. As contas da pessoa física, portanto, não fecham. Palocci se recusa a informar quais foram, quanto custaram e para quem a Projeto - ou seja, a pessoa jurídica - prestou os alegados serviços de consultoria que lhe permitiram faturar o suficiente para adquirir aqueles imóveis. Convidado para ser o número um da equipe de Dilma, ele a teria posto a par dos seus negócios e teria sido aconselhado por Gilberto Carvalho a mudar a razão social e o ramo de atuação da firma. Ela passou a se chamar Projeto Administração de Imóveis e ficou sob o controle de um banco. Nomeado ministro, ele teria informado a Comissão de Ética Pública do Planalto da existência da Projeto.

O silêncio de Palocci sobre os negócios da consultora é atordoante. O pouco que ele se dignou a tornar público é insatisfatório, assim como os seus sinais exteriores de riqueza são manifestamente incompatíveis com o seu histórico de rendimentos declarados. O ministro não tem contas a ajustar com a Justiça. As suspeitas de que teria se envolvido, quando prefeito de Ribeirão Preto, com a “máfia do lixo” que operava no município não foram provadas. E o Supremo Tribunal Federal (STF) o absolveu da acusação de ter ordenado a quebra do sigilo bancário do caseiro que testemunhou as suas visitas à mansão do Lago Sul usada para festas e negócios escusos. Mas Palocci, como diria Lula, não é uma pessoa comum: é um homem público, de quem o público pagante tem o direito de saber tudo que possa ou tenha podido marcar o seu desempenho ético.

À falta disso, cada qual fica livre para especular sobre a origem dos recursos do ministro. Nesse sentido, é um escândalo dentro do escândalo a afirmação de Gilberto Carvalho de que “sobre o passado (de Palocci), não cabe ao governo fazer nenhum tipo de investigação”. Carvalho é tido pela companheirada como pessoa íntegra (além de religiosa). Para declarar o caso encerrado, inspirou-se no titular da comissão de ética do governo e ex-presidente do STF, Sepúlveda Pertence, outro de quem falam bem. “Não nos cabe indagar”, disse ele, “a história da fortuna dos pobres e dos ricos que se tornaram ministro.” É a “ética Jaqueline” deste governo. Jaqueline, a deputada filha do notório Joaquim Roriz, é aquela que diz que os seus pares não podem processá-la por quebra de decoro porque, ao ser flagrada recebendo uma bolada ilícita, não havia ainda sido eleita.

Por Reinaldo Azevedo

Palocci só fica no cargo se ceder às exigências dos que querem derrubá-lo; logo, o melhor que tem a fazer é sair, ou o governo vira refém

Há duas coisas sobre Antonio Palocci que são bastante relevantes. A primeira, que diz respeito ao futuro do país, é a seguinte: ele agora está nas mãos de seus inimigos. De quais inimigos? Os da oposição? Não! Ela não tem nada com isso. Está nas mãos de seus inimigos dentro do PT. Como se estabeleceu um cordão sanitário em torno de sua empresa, quem quer que tenha entregado o serviço à imprensa — que cumpriu o seu papel ao noticiar informação confirmada — sabe mais. Atenção: a dinâmica agora dependerá do comportamento de Palocci e de ele ceder ou não ao pleito de seus adversários petistas. Palocci perde autonomia, e, por conseqüência, o governo Dilma também.

No que diz respeito ao futuro, essa é a questão relevante. A melhor forma de blindar o governo Dilma daqueles que querem chantagear Palocci é o ministro ser dispensado, ou se dispensar, de suas atuais funções. Isso que estou escrevendo é de uma obviedade acachapante. Eu até posso achar que Palocci, dadas as alternativas, é um “quadro” preferível a quase tudo o que o PT oferece, mas, para tanto, ele não pode ser refém daqueles que têm pleitos até agora não-atendidos. Que o jogo é pesadíssimo, bem, disso não resta dúvida.

A segunda questão
A segunda questão nos fala um pouco mais de Palocci. Considerar que os R$ 7,5 milhões é o total que Palocci ganhou com sua “empresa” de consultoria me parece um pouco ingênuo. Um consultor caro como o ministro certamente não botaria todos os ovos num cesto só, certo. Tenho pra mim que só compra apartamento de R$ 6,6 milhões — que não tem, exatamente, grande liquidez por motivos óbvios — quem tem bem mais do que isso.Não é uma acusação; é só uma ilação lógica. As pessoas não costumam torrar toda a grana de que dispõem numa casa ou apartamento. Sempre deixam um dinheiro para o caso de aperto. Quando a coisa atinge esses valores, suponho,os milionários como Palocci buscam diversificar os investimentos.

Assim, parece-me razoável supor que Palocci acumulou, com suas “consultorias”, muito mais do que os R$ 7,4 milhões dos dois imóveis. Precisa se precaver de seus inimigos internos, né? Tucanos, democratas e a turma do PPS não quebram, por exemplo, sigilo fiscal de ninguém. Já alguns petistas… Palocci sabe como ninguém que petismo e sigilo — fiscal e bancário — não combinam; ou, como se diz na gloriosa Dois Córregos, num belo sentido derivado: “não ornam”.

E você, leitor: quanto dinheiro você teria de ter guardado para torrar R$ 6,6 milhões num único apartamento?

Por Reinaldo Azevedo

Macho, macho man - Cabral estimula PMs e bombeiros gays a desfilar de uniforme em parada; pode usar até viatura, ele anunciou

Cabral e Carlos Minc na parada gay do ano passado:

Cabral e Carlos Minc na parada gay do ano passado: "Mas com palavras, não sei dizer..."

Por Luciana Nunes Leal, no Estadão:
No lançamento da campanha Rio sem Homofobia, o governador Sérgio Cabral (PMDB) estimulou policiais civis e militares e bombeiros homossexuais a participarem uniformizados da próxima passeata gay no Estado. Autorizou até o uso de viaturas das corporações na manifestação.

“Da minha parte estão todos liberados para participar da passeata. Pode botar o carro do Corpo de Bombeiro, da polícia. Nenhum problema. Em Nova York é assim. Por quê? Porque o amor não deve ser razão para nenhum tipo de discriminação”, disse Cabral, muito aplaudido por gays, lésbicas e travestis.

Entre as autoridades presentes estava a chefe da Polícia Civil do Estado, delegada Marta Rocha, saudada como “nossa grande rainha gay” pelo superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos e coordenador do programa Rio sem Homofobia, Cláudio Nascimento.

Cabral sugeriu que os policiais e bombeiros conversem com seus superiores sobre a participação nas paradas gays. “Vai no Mário Sérgio, vai na Marta Rocha, vai no Pedro Machado, fala com eles.” O governador também citou o coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, comandante-geral da Polícia Militar, e o coronel Pedro Machado, que comanda o Corpo de Bombeiros.

“Agora vai ter de cumprir”, comentou um militante gay na plateia. Cabral disse ainda que a polícia “vai se reeducar” para atuar no combate à intolerância e violência contra homossexuais.

No discurso, Cabral saudou Nascimento como “um herói nacional”. “O Cláudio fala com o coração, mas trabalha muito. Não é só aquele artista que solta a franga na passeata LGBT. Com todo respeito, João. No dia a dia, ele é um guerreiro”, afirmou, dirigindo-se a João Alves, companheiro de Nascimento.

A campanha Rio sem Homofobia, do governo estadual, custou R$ 4 milhões. Haverá distribuição de cartazes e outdoors e veiculação de peças publicitárias de rádio e TV com o slogan Discriminação - Quando Você Não Participa, Não Vai Para Frente.

A senadora Marta Suplicy (PT-SP), relatora do projeto que criminaliza a homofobia, esteve no lançamento no Rio. “Enquanto o Legislativo se apequenou nos últimos 16 anos, o Judiciário avançou”, disse, citando decisão do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo.

Por Reinaldo Azevedo.

Sem uniforme, sim

O presidente da OAB do Rio, Wadih Damous, já avisou a interlocutores que não descarta entrar com representação no Ministério Público caso Sérgio Cabral não anule por conta própria a autorização dada para que policiais e bombeiros do estado participem da Parada do Orgulho Gay usando uniformes e carros oficiais. Ele concorda com a eventual manifestação dos militares, desde que ocorra expediente de trabalho e sem usar fardamento ou veículos do governo estadual.

Por Lauro Jardim

Eike, Slim e Lula

Começa hoje em Comandatuba (BA), a reunião anual dos milionários da América Latina – uma espécie de cúpula dos grande empresários da região. O encontro é realizado por inspiração de Carlos Slim. Da turma brasileira estarão presentes de João Roberto Marinho a Pedro Moreira Salles, passando, claro, por Eike Batista (que comparecerá acompanhado do seu herdeiro, Thor, assim como seus pares).

Para abrir os trabalhos, os milionários latinoamericanos resolveram ajudar Lula a encher o cofre: o palestrante e ex-presidente falará amanhã à noite para o seleto time de empresários e herdeiros. Mais 250 000 para a conta-corrente de Lula que, na semana passada, palestrou para a Ambev.

Por Lauro Jardim
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Fonte:
Blog Lauro Jardim/Reinaldo Azeve

1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Impressionante, o Diretor do FMI - acusado de estuprar a camareira do Hotel em Nova Yorque. Tudo muito estranho:

    1) Ela não sabia quem era Strauss, embora sua foto estivesse por todo o hotel.

    2) Francófona de 1,80m de altura de codinome Ofélia.

    3) C/ 32 anos e mãe solteira de adolescente, sendo muçulmana.

    4) Está a apenas 1 ano em NY, mas já tem permissão permanente de residência!

    5) Se o jugamento demorar 6 ms, DSK não poderá mais se candidatar.

    6) Carla Bruni, mulher de Sarkozy, está grávida. O fedelho vai ser cabo eleitoral antes de nascer.

    Conclusão: Forjaram uma arapuca contra Dominique Strauss-Kann , opositor de Sarkozy que é aliado dos americanos. Tudo muito converniente

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