Mensalão - A incrível história da petista honesta, demitida do Banco do Brasil e hoje ameaçada de morte

Publicado em 21/05/2011 21:52 1262 exibições

Mensalão - A incrível história da petista honesta, demitida do Banco do Brasil e hoje ameaçada de morte

Danevita Magalhães: a então petista foi demitida por não compactuar com a roubaheira; sem emprego, vive sob ameaça

Danevita Magalhães: a então petista foi demitida por não compactuar com a roubaheira; sem emprego, vive sob ameaça

Não deixe de ler reportagem de Hugo Marques na VEJA desta semana. Ele conta a história de Danevita Ferreira de Magalhães, uma das principais testemunhas contra os larápios do mensalão. Segue um trecho:

(…)
Ex-petista, Danevita Ferreira de Magalhães era gerente do Núcleo de Mídia do Banco do Brasil quando, ainda em 2004, foi instada a participar de uma fraude para justificar a remessa de nada menos que 60 milhões de reais às arcas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o caixa-forte do mensalão. Ela não se curvou à ordem. Por isso, foi demitida e viu sua vida virar de cabeça para baixo. Ameaçada de morte e vivendo de favor na casa de amigos, Danevita é agora uma testemunha-chave do Ministério Público Federal para provar que o mensalão foi abastecido, sim, com dinheiro publico. Entre 1997 e 2004, Dane, como é carinhosamente chamada pelos poucos amigos que lhe restaram, coordenou o núcleo do Banco do Brasil que administrava os pagamentos às agências de publicidade contratadas para fazer a propaganda da instituição e de seus produtos. Por esse núcleo, formado por representantes das agências, passava todo o papelório necessário para liberar os mais de 180 milhões de reais gastos a cada ano nas campanhas publicitárias do banco.

Foi no momento de assinar um desses documentos que Danevita viu sua carreira desmoronar. O papel fugia completamente aos padrões. Tratava-se de uma ordem para chancelar um pagamento de 60 milhões de reais à DNA Propaganda, uma das empresas do mineiro Marcos Valério que abasteceram o mensalão. Detalhe: o dinheiro já havia sido repassado para a DNA, e o documento só serviria para atestar, falsamente, a veiculação de uma campanha fictícia que nunca fora ao ar. Uma fraude completa. A assinatura de Danevita era necessária para legitimar a operação. À Polícia Federal, ela disse que um dos diretores da DNA admitiu, na ocasião, que o serviço jamais seria prestado. Ato contínuo à decisão de negar a assinatura que tanto valeria a Marcos Valério e ao esquema que já no ano seguinte ficaria conhecido como mensalão, veio a demissão. “Como não assinei, fui demitida”.
*
Leia na revista detalhes dessa história típica da República da Companheirada.

Por Reinaldo Azevedo

Marina inventa teoria conspiratória para tentar impedir aprovação do Código Florestal

Marina Silva, a Santa do Pau Oco da Floresta, demonstra que, definitivamente, não tem grande apreço pelos fatos, pela verdade. Segundo disse esta gigante da bondade à revista Época, o governo fez um acordo para votar o Código Florestal só para tentar livrar a cara de Antônio Palocci.  Como uma coisa se relaciona com a outra? Ela não diz. Nem poderia. É puro delírio!

A ligeireza com que esta senhora saca contra a honra alheia — só para fazer o bem, é claro! — é impressionante. Na entrevista, diz que Aldo Rebelo só acusou o seu marido de envolvimento com tráfico de madeira para constrangê-la. E emendou: “Quiseram fazer comigo o que estão tentando fazer com o ministro Palocci.” E o que seria?

Leiam trecho da resposta:
“Estão querendo usar o ministro Palocci. Nada justifica querer pressionar o governo usando esse artifício. Estranhamente, esse assunto entrou na pauta e, em seguida, foi feito um acordo para votar o Código com a garantia da liberação vergonhosa de atividades econômicas dentro da floresta.”

Vai ver as denúncias que pesam contra o ministro fazem parte de uma grande conspiração dos ruralistas. Tenha paciência! A esmagadora maioria do Congresso já queria votar o Código na semana passada e foi atropelada pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Ocorre que Marina não se conforma em ser minoria e em perder uma votação. Afinal, ela é a fonte de todo bem da Terra, a porta-voz da Mãe Natureza!

Ela não se conforma é com a democracia.

Duas vezes a vestal foi ao Palácio do Planalto e conseguiu, numa conversa com Palocci, adiar a votação. Já deixou claro que não considera o Congresso o fórum adequado para debater o Código. Para Marina, o verdadeiro Parlamento a definir o novo código são as ONGs internacionais que a paparicam.

Por Reinaldo Azevedo

Copa do Mundo: no atual ritmo, país estará pronto em 2038! Incompetência, megalomania, roubalheira…

Arena Amazônia: ainda é só um buraco no chão, mas contratos de R$ 200 milhões já revelaram sobrepreço de R$ 71 milhões, segundo o TCU

Arena Amazônia: ainda é só um buraco no chão, mas contratos de R$ 200 milhões já revelaram sobrepreço de R$ 71 milhões, segundo o TCU

O Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014? É certo que sim! A possibilidade de a Fifa perder a paciência e escolher outro país é remotíssima. Seria um vexame espetacular. Logo, ninguém deve apostar nisso. Mas o Brasil será sede da Copa sob quais condições? Eis o problema. A VEJA desta semana fez uma radiografia das obras nos 12 estádios que devem sediar o mundial. O quadro é desolador. Apenas um — o Castelão, do Ceará — avança num ritmo que pode ser considerado adequado. O Maracanã, um símbolo do futebol brasileiro, escolhido para receber a partida final do torneio, tudo o mais constante, ficará pronto em… 2038!

Perguntará o leitor: “Se você diz que a Copa acontecerá, então qual é o problema? Há atraso agora, mas, depois, as coisas entram num ritmo adequado”. Não é bem assim, e o próprio Brasil sabe disso. O Rio foi sede dos jogos Pan-Americanos de 2007. As obras de infra-estrutura para receber a competição estavam orçadas em R$ 400 milhões. De atraso em atraso, de incompetência em incompetência, de sem-vergonhice em sem-vergonhice, ficou tudo para a última hora. Resultado: o Pan custou 10 vezes mais — R$ 4 bilhões —, e um monte de larápios encheu os bolsos com o dinheiro público.

Este é o principal problema: incompetência, incúria e malandragem elevam dramaticamente os custos. O Brasil já fez uma coisa estúpida: em vez de distribuir as partidas por nove estádios, a exemplo da África do Sul, decidiu, em razão do populismo lulo-petista, espalhá-las por 12, elevando brutalmente a conta. Abaixo, publico um quadro, elaborado com base nos dados exaustivamente levantados pela equipe de reportagem da VEJA, que traz o nome do estádio, o orçamento previsto, quanto se gastou até agora e quando o estádio ficaria pronto se o ritmo das obras fosse mantido. Acompanhem. Volto depois:

A SITUAÇÃO DOS 12 ESTÁDIOS DA COPA HOJE

EstádioOrçamentoGasto hojeFica pronto em…Corinthians (SP)R$ 1 bilhãoZeroNuncaA. das Dunas (RN)R$ 400 milhõesZeroNuncaA. da Baixada (PR)R$ 220 milhõesZeroNuncaMaracanã (RJ)R$ 957 milhõesR$ 26 milhões2038Arena PernambucoR$ 532 milhõesR$ 60 milhões2025Arena AmazôniaR$ 499,5 milhõesR$ 30 milhões2024Mineirão (MG)R$ 666 milhõesR$ 86,6 milhões2020Nacional (DF)R$ 670 milhõesR$ 45 milhões2021Arena (MT)R$ 355 milhõesR$ 48 milhões2017Beira Rio (RS)R$ 290 milhõesR$ 30 milhões2017Fonte Nova (GO)R$ 591 milhõesR$ 99,9 milhões2015Castelão (CE)R$ 519 milhõesR$ 80 milhões2013

O ano de conclusão da obra não se define apenas pelo montante investido. Chegou-se a ele avaliando também a qualidade do gasto. Leiam a reportagem. A coisa é bem pior do que parece. Seguem alguns descalabros:
1- O projeto de reforma do Estádio Nacional, do DF, não previa a instalação de bobagens como gramado, iluminação, cadeiras e telão… Pense bem, leitor: por que um estádio deveria ter um… gramado?;
2 - só depois de demolirem boa parte das arquibancadas do Maracanã é que descobriram que toda a estrutura de concreto que a recobre está comprometida por infiltrações;
3 - de descoberta nova em descoberta nova, o estádio do Corinthians já alcançou a fábula de R$ 1 bilhão (só não se sabe quem vai pagar): uma hora aparece um duto da Petrobrás aqui; outra hora, um córrego para canalizar ali…;
4 - dos R$ 27,5 bilhões previstos de investimentos para todas as obras da Copa do Mundo, só foram gastos, até agora, R$ 590 milhões;
5 - Se a situação é dramática nos estádios, não é melhor, como se sabe, nos aeroportos: dos 13 listados nos projetos da Copa, as obras só começaram em seis;
6 - o Brasil prometeu realizar 50 obras de mobilidade urbana para facilitar o trânsito e acesso aos estádios; até agora, só quatro tiveram início.

Leia a reportagem. Há outros detalhes escandalosos. Volto ao começo: o Brasil vai fazer a Copa de 2014? Vai, sim! Ocorre que toda essa incúria elevará escandalosamente os custos. Já hoje está em curso um esforço para que o TCU pegue leve com a roubalheira, em nome da honra da pátria. Um exemplo: o Arena Amazônia ainda está na fase de terraplenagem, como se vê acima. O tribunal analisou contratos de R$ 200 milhões; só nessa fatia, detectou sobrepreço de R$ 71 milhões. Esse estádio, aliás, é exemplo da loucura que tomou conta dessa gente. Pronto, ele pode abrigar 44.500 pessoas. Bom para a Copa? Pode ser. Depois,  será destinado ao campeonato local. A média de público do torneio amazonense é inferior a mil pagantes. Neste ano, o confronto que atraiu mais gente se deu entre Nacional e Penarol: 2.869 testemunhas. Adivinhem quem pagará a conta agora e depois…

É o lulo-petismo rumo a 2014: falta de planejamento, incompetência, megalomania e roubalheira. Os cofres públicos pagarão a conta. Algo precisa ser feito, ou o vexame é certo. Sugiro a contratação da empresa de Antônio Palocci. Os custo pode subir um tanto, mas, dizem, esse “resolve”!

Por Reinaldo Azevedo

O Brasil vai continuar na m… Ou na fossa, por extenso!

A marca do lulo-petismo é a mistificação. Em todas as áreas. Mas em poucas os companheiros mentiram tanto como em saneamento básico. Leiam o que informa Marcelo Sperandio na VEJA desta semana. Volto depois.
(…)
O descaso com o setor tem sido uma tônica negativa de todas as gestões, mas, na petista, ele é ainda maior. Em seu segundo mandato, o antecessor da presidente Dilma Rousseff destinou 5.7 bilhões de reais à extensão da rede sanitária, só 4% do que seria necessário para universalizar o serviço. Em 2009, o presidente barbudo conseguiu um feito inédito na história do país: a proporção de domicílios atendidos encolheu. Se o ritmo imprimido por seu governo for mantido, os mais pobres só serão plenamente atendidos em 2048.

Uma das promessas de campanha feitas por Dilma Rousseff no ano passado foi promover uma revolução no saneamento e estender a rede de esgotos a todos os domicílios até 2014. Mas a presidente não deu nenhum indício de que pretende manter esse compromisso. O Ministério das Cidades planeja investir apenas 14,5 bilhões de reais no sistema de coleta nos próximos quatro anos. Até o secretário nacional de Saneamento, Leodegar Tiscoski, reconhece que o valor não chega a um décimo do necessário para estender a rede de coleta à totalidade das residências.
(…)
*
Voltei
Eis aí. São números oficiais, incontestáveis. Muito bem! Qual é a marca dessa gente? A parolagem, a mistificação e a truculência. Vejam este vídeo. É a então candidata Dilma Rousseff no debate do UOL. Como se nota, ela não sabia o que fazer com o saneamento  — e não sabe ainda —, mas sabia ser malcriada como poucos.

Só para que tudo fique no seu devido lugar: obras de saneamento integram a chamada área de infra-estrutura, que, no governo Lula, estava sob a coordenação de Dilma Rousseff.

Ah, sim: o que vai acima demonstra também por que tantos respiraram aliviados ao descobrir que Dilma havia decidido ser a Rainha Muda. Calada, ela vale por um Schopenhauer!

Por Reinaldo Azevedo

Cheiro de pólvora. Franklin Martins já está trabalhando. Acertei na mosca! Querem ver?

Vocês hão de convir, não é? Conheço a alma dessa gente assim como um exorcista conhece as tramóias do capeta. Ontem, Franklin Martins foi chamado ao Castelo da Alvorada — não chamo de “palácio” porque rainhas ficam reclusas em castelos, certo? Escrevi aqui um texto intitulado “Franklin foi chamado ao Castelo da Alvorada; vem jogo bruto por aí…” Palocci também contratou uma assessoria pessoal. E o que escrevi no meu texto de ontem à tarde? Segue um trecho (íntegra aqui):

“Agora eu estabeleço um prazo de, sei lá, dois ou três dias para que apareça uma acusação cabeluda contra algum figurão da oposição. Querem apostar? Estou certo de que Franklin constatou: ‘A primeira coisa a fazer é tirar do noticiário a suspeita de que isso tudo é coisa de guerra interna; enquanto estivermos nessa, estaremos acusados’. E alguém lembrará: ‘Mas não há nem indício de que seja a oposição’. Ao que ele responderá: ‘Então precisamos recriar a guerra entre ‘nós’ e ‘eles’, para a mídia nos dar uma folga’.”

Muito bem. Eis que, no Estadão deste sábado, leio que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva monitora o caso Palocci com telefonemas a Dilma Rousseff e a Gilberto Carvalho. Sua orientação é resistir. Segundo o que se lê, ele considera que está em curso algo semelhante ao que ele sofreu com o mensalão — como sabemos, Lula e Franklin sustentam que aquilo tudo nunca existiu. Mas o trecho mais surpreendente da reportagem assinada por Vera Rosa é este:

(…)
Apesar de comentários sobre o “fogo amigo” na seara do PT contra o ministro, tanto Lula como dirigentes do partido estão convencidos de que o tiroteio contra Palocci partiu do PSDB e, mais especificamente, de pessoas ligadas ao ex-governador José Serra na Prefeitura de São Paulo. Por essa avaliação, o objetivo de Serra seria derrubar Palocci, o mais importante ministro da equipe, para atingir Dilma, inviabilizar o governo logo em seu primeiro ano e torpedear o PT. O partido não tem dúvidas de que Serra é pré-candidato à sucessão municipal, em 2012.

No PSDB, a análise de que o ex-governador teria interesse em desestabilizar Palocci é considerada “insustentável”, digna de uma “teoria da conspiração”. Serra, quando questionado sobre a crise envolvendo Palocci, na segunda-feira, afirmou que o ministro não poderia ser crucificado. “Não tenho o papel de julgador a esse respeito. Acho normal que uma pessoa tenha rendimentos quando não está no governo e que esses rendimentos promovam uma variação patrimonial”, disse o tucano.

Voltei
Pronto! O trabalho de Franklin Martins já começou a render frutos, e há o risco de eu ficar com a fama de visionário só porque conheço o caráter, ou a falta dele, dos companheiros. Que indício existe? Nenhum! Vera Rosa faça o que quiser, mas usar as páginas no Estadão para veicular uma especulação que é mera peça de uma estratégia de defesa não me parece uma prática consagrada do melhor jornalismo. Sugiro que tucanos liguem para ela amanhã e digam: “Escreve aí que nós achamos que isso partiu do José Dirceu e do Ricardo Berzoini”. Ela escreveria? A se usar sempre esse expediente, ninguém precisa apurar mais nada. Reportagem vira fofoca de bastidores. Se, amanhã, os petistas mudarem de idéia e acharem que, na verdade, é coisa de Aécio Neves, vai se veicular a nova versão?

Serra, que apanhou muito nas redes sociais e até no colunismo, porque não avançou no pescoço de Palocci, tornou-se agora o “suspeito” de… Franklin Martins! A propósito: ele tentaria desestabilizar Palocci e o governo Dilma para… se candidatar à Prefeitura de São Paulo??? É uma sandice. Então ficamos assim por uma questão de pura lógica elementar: considerando que não será candidato à Prefeitura, então não foi ele… Mais curioso ainda: parlamentares ligados ao PSD de Gilberto Kassab, apontado como aliado de Serra — até outro dia se dizia que era ele o Maquiavel secreto por trás do partido — não votaram a favor da convocção do ministro para falar na Câmara.

Franklin é óbvio, mas não é burro. O governo está todo embananado porque sabe que está lidando com fogo amigo. Não tinha o que dizer; não tinha palavra de guerra. Por isso foram chamar o Mestre da Truculência, o Profeta do Controle da Mídia, o prefaciador de livro de um homem que confessa ter matado ao menos 10 pessoas - em nome da causa naturalmente. Em nome da causa, essa gente faz qualquer coisa. O “inteligente” Franklin Martins resolveu reeditar a guerra. Vamos ver se a farsa vai funcionar.

Não obstante, Palocci continua a sangrar. Agora se sabe que ao menos R$ 10 milhões dos R$ 20 milhões que sua empresa faturou no ano passado foram pagos depois da eleição de Dilma, quando já se tinha como certo que ele seria ministro, sem contar todos os postos importantes que ocupou na Câmara, como bem lembra editorial do Estadão, que lidavam com temas que interessavam a potentados do capital — seus potenciais (e reais) clientes.

O jogo bruto começou. Este cheiro de pólvora que se percebe é Franklin Martins na área. Ele é bom disso.

Por Reinaldo Azevedo

Entre a eleição e a posse de Dilma, Palocci faturou R$ 10 milhões

Por Catia Seabra, na Folha:
O faturamento da consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, no ano passado superou R$ 10 milhões em novembro e dezembro, os dois meses que separaram a eleição da presidente Dilma Rousseff e sua posse. Palocci foi o principal coordenador da campanha de Dilma e chefiou a equipe que organizou a transição para o novo governo nesse período. Dilma anunciou sua escolha como ministro da Casa Civil no dia 3 de dezembro.

O valor obtido nos últimos dois meses do ano pela empresa de Palocci, a Projeto, representa mais da metade de sua receita no ano passado. A consultoria faturou R$ 20 milhões em 2010, segundo duas pessoas que examinaram seus números e foram ouvidas pela Folha.
Sem confirmar os valores, a assessoria da empresa atribuiu a intensa movimentação do fim do ano ao cancelamento de vários contratos após a decisão de Palocci de mudar a Projeto de ramo e encerrar suas atividades como consultor, antes de assumir o comando da Casa Civil. Palocci abriu a Projeto em julho de 2006 e manteve sua atividade empresarial nos quatro anos em que exerceu o mandato de deputado federal e durante a campanha eleitoral do ano passado.

Como a Folha revelou ontem, o desempenho da Projeto no ano passado representou salto significativo em comparação com os R$ 160 mil faturados em 2006, quando a empresa abriu as portas. faturamento da Projeto em 2010 põe a consultoria de Palocci em pé de igualdade com as maiores empresas do ramo no país. A LCA Consultores, que hoje lidera o setor, faturou pouco mais de R$ 20 milhões no ano passado. Entre as empresas que contrataram Palocci nos últimos anos estão a construtora WTorre e a operadora de planos de saúde Amil, como aFolha informou ontem. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

O que o ministro oferecia? Tráfico de influência!

Leia edtorial do Estadão:

O então deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci faturou muito mais do que os cerca de R$ 7,5 milhões gastos com os dois imóveis comprados em nome da Projeto, a empresa de consultoria que abriu em 2006 e transformou em administradora de bens no final de 2010, dias antes de assumir a Casa Civil da presidente Dilma Rousseff, de quem tinha sido coordenador de campanha. Nesse período, portanto, ele multiplicou o seu patrimônio declarado por muito mais do que 20 vezes.

Palocci se recusa a falar em números, a identificar clientes e a descrever a natureza dos serviços que lhes prestou. Mas o texto produzido por sua assessoria para orientar os líderes da base parlamentar do governo na sua defesa - e que, por inadvertência, foi amplamente difundido - argumenta que, “no mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única que dá enorme valor a esses profissionais no mercado”, citando ex-autoridades da área que prosperaram na iniciativa privada.

Qual será o valor de mercado de quem tem a oferecer, além da “experiência única”, a credencial de ter permanecido como protagonista de primeira grandeza na esfera das decisões do governo? Palocci sabia não apenas como funciona o poder, mas que rumos o poder tencionava tomar em matérias de interesse direto do empresariado e do sistema financeiro. O escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro que testemunhou as visitas do então titular da Fazenda a uma mal-afamada casa de Brasília custou-lhe o posto, mas não o prestígio.

Enquanto dava lá as suas disputadas consultorias - a carteira de clientes da Projeto incluía pelo menos 20 formidáveis corporações -, ele continuava a ser interlocutor privilegiado do presidente Lula e da elite lulista, no Executivo, na administração indireta e no Congresso. Quando chegou a hora, tornou-se fiador da candidata Dilma Rousseff junto ao grande capital. Dizer, como o aide-mémoire que vazou para todos os lados, que 237 parlamentares exercem atividade econômica é querer jogar areia nos fatos. O deputado Palocci esteve longe de ser mais um.

Relator do projeto social do pré-sal e da proposta de prorrogação da CPMF, presidente da comissão da reforma tributária e membro da comissão do Orçamento, lembra a colunista Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor, além de diretamente envolvido na regulamentação da previdência complementar, ele estava em posição de antecipar tendências aos seus consulentes, um certo número dos quais há de ter contribuído para a sua campanha, e de levar em conta os seus interesses. Não está claro em que medida isso estava no cerne de suas consultorias - se é que estava. Mas os ganhos da Projeto são compatíveis com oportunidades dessa magnitude.

Significativamente, talvez, a firma não tinha nome na praça, ao contrário de congêneres como a LCA e a Tendências (de que é sócio o ex-ministro Mailson da Nóbrega, citado como exemplo de sucesso na nota da Casa Civil). Segundo a Folha de S.Paulo, profissionais do setor “nunca ouviram falar da atuação da empresa de Palocci”. O jornal equipara o faturamento da Projeto ao daquelas com uma centena ou mais de clientes - um número bem maior que os do ministro - e dezenas ou uma centena de funcionários. O quadro de pessoal da Projeto é desconhecido.

Em documento enviado à Procuradoria-Geral da República para se antecipar a um eventual pedido de esclarecimento sobre os seus negócios, conforme revelou o Estado, Palocci cita apenas o seu sócio (com 1% do capital da consultora) Lucas Martins Novaes. Por ser ele economista, o ministro - médico de formação - podia ter uma empresa de “prestação de serviços, palestras, análise de mercado”. A explicação é supérflua. Obviamente, nenhuma empresa capaz de pagar o que a Projeto cobrava iria preteri-la em razão das origens profissionais do seu sócio titular.

Nem ele deve tê-la criado para lavar “recursos não contabilizados”, como diriam os seus companheiros petistas ao tempo do mensalão. A lógica dos fatos indica que o ilícito que se poderia atribuir a Palocci, levando às alturas o seu patrimônio, chama-se tráfico de influência.

Por Reinaldo Azevedo

Dos Três Porquinhos, resta um…

porquinho

A então candidata Dilma Rousseff, demonstrando que também tinha um lado fofo, “cut-cut”, apelidou Antonio Palocci, José Eduardo Dutra e José Eduardo Cardozo de os seus “Três Porquinhos” — Cícero, Heitor e Prático. Uma graça.

Passados cinco meses de governo, o único “operacional” é Cardozo, que vamos aqui considerar o “Heitor” da trinca. Cícero (Dutra) pediu licença para cuidar da saúde, e aquele que todos imaginavam ser o Prático (Palocci), o prudente e trabalhador a quem caberia se proteger do Lobo numa casa de tijolos, estava numa cabana de palha. Ao primeiro assoprão, lá foi ela pelos ares.

Eis o busílis. Na fábula, é Prático quem salva a porcada; no governo, ele foi o primeiro a ter a casa destruída pelo Lobo Mau, o que é péssimo para Dilma. Palocci era, até outro dia, o primeiro-ministro do governo. Pode até ficar na Casa Civil, mas nada será como antes. Cardozo que se cuide com a “Maldição dos Três Porquinhos”. Ontem ele já expôs, lançando a formidável teoria do “enriquecimento lícito” de deputados… Vai acabar na panela.

Por Reinaldo Azevedo

Os outros Três Porquinhos - Agora só falta Renan Calheiros defender Palocci

Seria já orientação de Franklin Martins? Quem apareceu ontem defendendo Antônio Palocci na televisão? José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado. Sinal de que a coisa não anda boa para o lado do ministro e que não vai necessariamente melhorar. Romero Jucá (PMDB-RR) já expressou sua irrestrita confiança no ministro. Só falta agora a defesa entusiasmada de Renan Calheiros…

Por Reinaldo Azevedo

Força-tarefa prende 12 em Campinas; vice-prefeito, do PT, está foragido; prefeito, do PDT, está na mira

Por Rose Mary de Souza e Fausto Macedo, no Estadão:

Força-tarefa do Ministério Público, Polícia Militar e Corregedoria da Polícia Civil prendeu ontem 12 suspeitos de envolvimento em organização criminosa para desvio de recursos públicos, corrupção e fraudes em licitações da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa), em Campinas (SP). A operação, deflagrada às 6 horas com base em ordem judicial, mobilizou 130 policiais e 30 promotores que cercaram a invadiram o prédio da prefeitura. Oito investigados conseguiram escapar - o vice-prefeito Demétrio Vilagra (PT) está na Espanha e será detido ao retornar ao País.

O alvo principal da investigação é Rosely Nassim Jorge Santos, chefe de gabinete e mulher do prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT). A promotoria suspeita que Rosely comandava pessoalmente a rede de empresários e servidores e direcionava processos de concorrência para obras de grande porte da autarquia de águas, além de contratos celebrados com empresas de segurança, conservação e limpeza. Ainda não há dados sobre o montante do rombo.

Depoimentos indicam que Rosely recebia propinas de 5% a 7% do valor supostamente desviado de cada contrato. A promotoria apreendeu com uma testemunha, na fase de investigação, planilha manuscrita em que o nome da primeira-dama é citado ao lado de grandes valores. O documento, juntado aos autos do inquérito, mostra uma divisão de dinheiro para integrantes da organização.

O Ministério Público queria prender Rosely, mas ela obteve há duas semanas habeas corpus do Tribunal de Justiça que lhe dá proteção contra qualquer “medida coercitiva”. A primeira-dama nega ser a mentora do golpe. Foram capturados Aurélio Cance Jr. (diretor da Sanasa), Ricardo Cândia (ex-diretor de Planejamento da Prefeitura) e dez empresários, entre eles Pedro Luís Ibrahim Hallack, da Camargo Correia, construtora que se livrou da Operação Castelo de Areia, por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Outro diretor da empreiteira, Dalton Avancini, está foragido, assim como o lobista Maurício Manduca e o empresário José Carlos Cepera.

Na Câmara Municipal de Campinas, a maioria dos 33 vereadores se reuniu para discutir a formação de uma comissão para investigar o caso. A oposição fala em provável impeachment de Dr. Hélio, que não se manifestou sobre a devassa em sua administração - além do vice, estão foragidos os dois secretários municipais mais próximos do prefeito, Carlos Henrique Pinto (Segurança Pública) e Francisco de Lagos (Comunicações).

Carabinas
A força-tarefa apreendeu documentos e dinheiro em espécie, R$ 114 mil. Na residência do vice-prefeito, foram encontrados R$ 60 mil; na casa de Henrique Pinto, R$ 24 mil; no porta-malas do carro de Ricardo Candia, R$ 30 mil. Foram apreendidos computadores, duas carabinas e duas pistolas.

Os promotores sustentam a existência de “desvios milionários de verba pública”. Removidos por homens da Rota do prédio-sede da Corregedoria da Polícia para o Instituto Médico-Legal, os acusados foram vaiados, aos gritos de “ladrão”, “sem-vergonha” , “safado”.

Os promotores são do Núcleo Campinas do Gaeco, braço do Ministério Público Estadual que combate crime organizado. A investigação sobre fraudes na Sanasa é desdobramento de outro inquérito do Gaeco, que revelou licitações forjadas em pelo menos nove prefeituras de São Paulo e no governo do Tocantins, durante a gestão Carlos Gaguim (PMDB), com desfalque de R$ 615 milhões.

(…)

Operação foi planejada há cinco meses
Os promotores de Justiça que combatem crime organizado estão convencidos de que Campinas se tornou o alvo maior da “República de Corumbá”, uma referência ao prefeito Dr. Hélio (PDT) e seus aliados diretos. Há alguns anos, Dr. Hélio e seu grupo migraram daquela cidade de Mato Grosso e assumiram a Prefeitura de Campinas. Aliado do ex-presidente Lula, a quem ainda recebe com festa, Dr. Hélio seria o maior beneficiário das fraudes na Sanasa e em outras repartições municipais. Os promotores, no entanto, evitaram investigar o pedetista porque, como prefeito, ele tem pr
errogativa de foro perante o Tribunal de Justiça. Aqui

Por Reinaldo Azevedo




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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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