Senado exclui afastamento de Collor da galeria de imagens da Casa

Publicado em 30/05/2011 18:21 e atualizado em 31/05/2011 08:09 749 exibições
Leia abaixo o comentário de reinaldo Azevedo (de Veja.com.br)

Por Márcio Falcão, na Folha Online.

O Senado excluiu o processo de impeachment do ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) da galeria de imagens da Casa, que conta a história da instituição desde o império até os dias atuais. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), minimizou o fato e disse que o impeachment “não é tão marcante” e “talvez fosse um acidente que não devia ter acontecido na história do Brasil”.

O espaço foi reinaugurado hoje e é chamado de “túnel do tempo”. A galeria fica entre o plenário e as alas dos gabinetes dos senadores. Em 2007, às vésperas da posse de Collor no Senado, a Casa já havia retirado as referências ao caso, mas depois recuou e devolveu as imagens. A galeria anterior trazia imagens de passeatas dos caras pintadas que lutaram pelo impeachment de Collor. O painel ainda dizia que, em dezembro de 1992, o Senado aprovou a perda do cargo de Collor e de seus direitos políticos.

O novo “túnel do tempo” foi elaborado pela Subsecretaria de Criação e Marketing. Nenhum servidor da secretaria ainda se manifestou sobre o caso. O painel que trata dos fatos de 1990 cita projetos aprovados pela Casa como o tratamento gratuito de HIV e o Estatuto das Micros e Pequenas Empresas.

Também não há referências a crises enfrentadas pelo Senado como a cassação do ex-senador Luiz Estevão, a renúncia do então presidente Jader Barbalho (PMDB-PA) para fugir do processo de cassação, além dos pedidos de cassação de Sarney e Renan Calheiros (PMDB-AL).

Questionado sobre a retirada do impeachment de Collor, Sarney disse que o episódio não deveria ter ocorrido. “Não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Agora, eu acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente e não devia ter acontecido na história do Brasil. Não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que construíram a história e não os que de certo modo não deviam ter acontecido.”

Collor renunciou ao mandato de presidente em 1992 para não sofrer o impeachment.

Por Reinaldo Azevedo

Sarney, o Stálin do Maranhão, agora virou juiz da história. “Cadê a estaca?”, perguntaria Paulo Francis

O afastamento de Collor da Presidência da República, que resultou na sua renúncia, não faz mais parte da galeria de imagens do Senado, conforme vocês lêem no post anterior. O bigodudo José Sarney — Paulo Francis sempre perguntava quem enfiaria uma estaca metafórica no coração dele… — se iguala, assim, a outro bigodudo, Josef Stalin. O tirano do Maranhão só é menos sutil. O da Geórgia mandava retocar fotos, eliminando seus inimigos da história. O homem que inventou um estado — o Amapá — só para ser senador e poder se alimentar com a seiva da política já manda eliminar a foto inteira mesmo. É um troço espantoso!

Indagado a respeito da decisão, o que ele respondeu?
“Não posso censurar os historiadores que foram encarregados de fazer a história. Agora, eu acho que talvez esse episódio seja apenas um acidente e não devia ter acontecido na história do Brasil. Não é tão marcante como foram os fatos que aqui estão contados, que construíram a história e não os que de certo modo não deviam ter acontecido.”

Hein??? Fosse uma consideração a ser levada a sério, seria só uma visão estúpida de história. No mundo dos fatos, inexiste a categoria das coisas “que deveriam e que não deveriam ter acontecido”. Imaginem se os judeus fossem eliminar as marcas deixadas pelo nazismo porque aquilo, afinal, “não deveria ter acontecido”.  Ou se decidíssemos jogar fora os arquivos da ditadura porque “não deveria ter acontecido”, como um Rui Barbosa mandando queimar os documentos sobre a escravidão.  Esse critério pode ser ético, pode ser moral, pode ser religioso, pode ser até estético — por exemplo, “Marimbondos de Fogo” não deveria ter acontecido… —, mas isso não é história. O que aconteceu… “acontecido” está, se me permitem a licença.

Sarney, vejam só, tornou-se juiz da história. Não estivesse apenas prestando um favorzinho a seu aliado de agora, Collor — que se elegeu satanizando-o —, estaria dizendo uma grossa bobagem. O “Caçador de marajás”, de fato, não “deveria ter acontecido” no que concerne à moral e aos bons costumes, mas foi um fato. Como foi fato o notável movimento para derrubá-lo, quando as muitas lambanças vieram à luz.

A deposição do primeiro presidente eleito diretamente depois do ciclo militar à esteira da revelação de um impressionante esquema de corrupção — que seria mais tarde superado com folga pelo petismo (não por acaso, estão juntos hoje Lula, Collor e Sarney) — e a posse tranqüila do vice evidenciaram que o país estava, sim, maduro para o jogo democrático. Collor talvez não “devesse ter acontecido”, mas a sociedade cumpriu um dever ao exigir a sua queda. E aquelas páginas da história são bastante meritórias.

Sarney, reitero, está apenas prestando favores — por isso não se deve debater com ele a sério. Como questão geral, cumpre lembrar que, por exemplo, na cadeia de eventos, o Plano Real não deixa de ser uma conseqüência da queda de Collor. Foi ela que permitiu o acordo que levou os tucanos para a base do governo Itamar e FHC para o Ministério da Fazenda. E, bem, o resto também é… história.

Sarney é o mais caro e dileto amigo do PT. É seu grande aliado no Congresso. Todos sabem que o partido de Lula foi um dos protagonistas da deposição de Collor — embora, com efeito, aquele tenha sido um movimento popular. O partido não vai esboçar nem um muxoxo contra a medida stalinista de Sarney. Não vai porque aquele PT, mesmo viciado em muitas porcarias ideológicas, ainda não era este incapaz de explicar que uma de suas estrelas fique milionária da noite para o dia. Que o partido jogue no lixo parte de sua história — afinal, o mensalão também não aconteceu…

O PT e Sarney, no entanto, não têm o direito de eliminar parte da história do povo brasileiro.

Por Reinaldo Azevedo

Violência e oportunismo. Ou: Os cadáveres úteis

Abaixo, vocês lêem que o governo decidiu criar uma força-tarefa para acompanhar, com o objetivo de coibir, conflitos agrários em áreas da Amazônia, que resultaram, consta, em quatro mortes em pouco menos de duas semanas. Muito bem. Afirmei que explicitaria o que há de “historicamente errado nessa história” (a repetição é proposital) e de oportunismo vigarista. Um daqueles que vêm aqui sorver o que diz detestar resolveu protestar: “Você vai criticar até isso?” Até??? Eu critico ESPECIALMENTE isso. Estamos falando de um misto de incúria, ideologia e oportunismo. Explico direitinho.

Uma guerra de gangues rivais deixou seis pessoas mortas e quatro feridas na favela Pára Pedro, no bairro do Colégio, no Rio. Mas, considera o governo, não só está tudo sob controle, como a segurança pública do Rio é tida como exemplo a ser seguido por outros estados — o que é uma piada de mau gosto, contada, diga-se, com o auxílio da imprensa carioca, com algumas exceções.

“Olhem o Reinaldo misturando as coisas; os mortos do Acre e do Pará eram sindicalistas; os do Rio eram só traficantes em guerra”.
Certo! Voltamos à tese dos mortos com e sem pedigree.  Quando tomba um “companheiro”, o estado democrático está ameaçado; quando milhares são assassinados Brasil afora, isso faz parte da paisagem. Quatro companheiros mortos mobilizaram, atenção, SEIS MINISTÉRIOS, ALÉM DA POLÍCIA FEDERAL: Justiça, Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Direitos Humanos, Secretaria-Geral da Presidência e Gabinete da Segurança Institucional: 1,5 ministério por defunto! 50 mil não mobilizam ninguém.

Não estou contra a ação do governo, não. Só quero saber por que 50 mil homens comuns não valem quatro companheiros. Se alguém tiver uma boa resposta, é só mandar pra cá.

Questão histórica
Há áreas do Brasil que são, literalmente, terra de ninguém, onde o estado deveria estar permanentemente presente. E não está. Sucessivos governos, especialmente os petistas, têm delegado o controle dessas regiões a militantes sindicais e ONGs, que passam a atuar em lugar do estado, como se fossem mesmo o poder local. E conflitos têm sido resolvidos de trabuco na mão — atenção!, os dois lados estão armados: tanto os “preservacionistas” como os madeireiros.

O irmão de José Cláudio Ribeiro da Silva, o “líder extrativista” morto no Pará, havia assassinado um adversário, também assentado, o “Pelado”. José Cláudio estava junto, igualmente armado. O assassino está solto. O inquérito foi aberto pela Polícia de Ana Júlia Carepa mais de um ano depois. Não se fez alarde. A morte nem sequer foi notícia. “Pelado” não servia de mártir, não é mesmo?

O governo do PT e todos esses ministérios que se juntam agora precisam entender que seus líderes sindicais e suas ONGs não têm força de governo, não! É preciso parar de terceirizar a administração aos companheiros e manter, nas áreas de potencial conflito, uma força permanente de vigilância. O estardalhaço de agora é oportunismo.

Tramóia vigarista
Chamo a atenção dos leitores para uma tramóia e uma trama vigarista que se está tecendo. Nos bastidores do governo — E, O QUE É LAMENTÁVEL, NO NOTICIÁRIO TAMBÉM —, estão tentando associar essas mortes ao debate no novo Código Florestal, como se uma coisa estivesse ligada à outra; como se o novo texto facilitasse a ação dos madeireiros e dificultasse o nobre trabalho de vigilância da mata, feita pelos “companheiros” da floresta. Uma ova! Qualquer desmatamento ilegal feito depois de julho de 2008 jamais ensejaria qualquer forma de negociação. Mais ainda: madeireiro ilegal não é produtor rural, grande ou pequeno.

Na Câmara, durante a votação do código, a morte do “líder extrativista” foi usada como argumento contra o novo texto. É coisa de vigaristas. Agora, o governo faz uma megamobilização como a anunciar a conjuração das forças do atraso contra, como disse Gilberto Carvalho, “os movimentos sociais”. Se é assim, então os “movimentos sociais” mataram o “Pelado”, certo? O que se fará contra eles?

Os estúpidos não lerão este trecho e farão de conta que ele não foi escrito. Tudo bem! Escrevo para bípedes que não têm o corpo coberto de pêlos ou penas, não pra eles. Sim, o governo tem de se mobilizar para tentar impedir que mais mortes aconteçam e para apurar responsabilidades. Mas precisa tomar uma medida permanente para coibir a violência nessas regiões — e no resto do Brasil. E um passo importante é reconhecer que ONGs e militantes políticos não substituem o Estado — tampouco têm poder de polícia.

O resto é oportunismo com cadáveres.

Por Reinaldo Azevedo

Governo cria grupo interministerial para discutir conflitos agrários

Leiam o que vai abaixo. Daqui a pouco eu digo o que há de historicamente errado nessa história e de oportunismo vigarista. Já, já.

Do Portal G1:
O governo federal anunciou nesta segunda-feira (30) a criação de um grupo interministerial para discutir quais ações serão tomadas para conter a violência no campo, após a morte de quatro pessoas na Região Norte em decorrência de conflitos agrários na última semana. O anúncio ocorreu após reunião comandada pelo presidente da República em exercício, Michel Temer, e representantes de alguns ministérios.

O grupo interministerial será formado pelos ministérios da Justiça, Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria Geral da Presidência e Gabinete de Segurança Institucional. “Nós tomamos a decisão de um grupo interministerial que se reunirá diariamente nos vários níveis de governo, identificando as providências para implantação imediata nos assentamentos no Amazônia, assentamento florestal”, afirmou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence.

O Planalto convocou ainda para esta terça (30) uma reunião de emergência com os governadores de Roraima, Rondônia, Amazonas e Pará para discutir o aumento da violência fundiária nos quatro estados. O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou que Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional estão à disposição dos governos estaduais para o combate ao crime nessas regiões.

“O objetivo [da reunião com governadores] é aliarmos essas ações para que se possa potencializar. No caso da segurança, é importante trabalharmos em equipe. Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Civil e Militar do estado, assim como o Ministério Público, a fim de punir esse tipo de crime e cortar a principal causa desse tipo de crime, que é a extração ilegal de madeira” afirmou o secretário-executivo do Ministério da Justiça. Segundo Barreto, o ministério da Justiça vai determinar ainda a intensificação da operação Arco de Fogo, da Polícia Federal, voltada para combate ao desmatamento na região amazônica.

Por Reinaldo Azevedo

Depois de “desculpas” de Palocci, tudo está superado, diz Temer; “É casamento pra sempre”, afirma Carvalho

Por Nathalia Passarinho, do G1:
O vice-presidente, Michel Temer, disse nesta segunda-feira (30) a ministros que participaram de uma reunião sobre conflitos fundiários que os atritos com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, estão “superados”, segundo informou uma fonte do governo.

Durante os debates do Código Florestal na Câmara, o PMDB votou contra a orientação do governo. No dia da votação, na última terça (24), Palocci conversou com Temer em nome da presidente Dilma Rousseff e teria ameçado de demissão os ministros peemedebistas, conforme informou Cristiana Lôbo. Segundo a fonte do governo ouvida pelo G1, no mesmo dia Palocci pediu desculpas ao vice-presidente pelo tom da conversa.

Na reunião desta segunda com os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho; da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário; e do Ministério de Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, Temer afirmou, de acordo com a fonte do governo, que o mal estar ficou “no passado.”

Encontro
Nesta manhã, antes de embarcar para o Uruguai, Dilma teve um rápido encontro com Temer na Base Aérea de Brasília. O encontro seria uma tentativa de recompor a relação política entre PT e PMDB, estremecida com a aprovação do texto do Código Florestal na Câmara, que incluiu uma emenda do PMDB autorizando estados a regulamentar plantio em área de preservação permanente (APP). Segundo a assessoria da Vice-presidência, Temer e Dilma conversaram apenas sobre os conflitos fundiários na região amazônica.

Nesta terça-feira (31), Dilma e Temer deverão ter novo encontro e, na quarta (1), a presidente receberá senadores do PMDB. Na última quarta (25), um dia após a aprovação do Código Florestal, o ministro Gilberto Carvalho negou que houvesse crise e disse que a relação entre PT e PMDB é como um “casamento”.

“Não é lua de mel, é casamento para sempre. Tem crises. É um casamento nesse sentido. A relação tem que ser cultivada sempre. Tem crises, momentos de muito encontro, momentos de desencontros. O importante é ter maturidade e perseverar no trabalho”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2011

 às 15:01

Um lema para a última onda da agenda progressista

A propósito do post abaixo, tenho um lema para a última onda da agenda progressista: “Maconha e cocaína libertam! Biscoito e chocolate matam!”

Que tal?

Por Reinaldo Azevedo

Cuidado! O controle que querem fazer da publicidade significa limite à liberdade de expressão!

Na Marcha da Maconha, outro dia, um maconheiro segurava um cartaz pedindo que o bacon fosse considerado ilegal. Era uma tentativa de ironia, mas que tinha um fundo de verdade. Estão em baixa o bacon, o biscoito e o açúcar, e então em alta o fumo, o pó e a “bala”. Num post abaixo, vocês lêem que uma ONG aí — sempre elas — encomendou uma pesquisa que constatou que 80% dos pais acreditam que a propaganda de fast food e “outras comidas não-saudáveis” prejudica os hábitos alimentares dos filhos. É mesmo?

Qual foi a pergunta? Que tal esta: “O senhor acredita que a propaganda de alimentos não-saudáveis prejudica os hábitos alimentares de seus filhos?” Tenham paciência! A mesma pesquisa, encomendada pela Alanda, a tal ONG, constatou que os pais consideram que a propaganda dificulta os esforços para ensinar os filhos a ter uma alimentação saudável (76%) e leva as crianças a incomodá-los para que comprem os produtos anunciados (78%). Em suma: eles não conseguem educar direito seus filhos e acham que a culpa é da propaganda. E a ONG, uma certa Alana,  entra na história para defender formas veladas de censura. Esse é o nome do jogo.

Em breve, seu filho poderá fumar maconha livremente em nome da liberdade, mas o estado vai controlar com severidade a propaganda de biscoito, chocolate e sanduíche.

Essa é uma conversa antiga. Volte e meia, ressurge. O que essa gente quer é controle da publicidade, que resulta, no fim das contas, em controle da liberdade de expressão. Em 2008, escrevi um longo texto a respeito. Se quiserem ler, está aqui.

LIMITES À PROPAGANDA: ESSA GENTE FINGE CUIDAR DO NOSSO CORPO PORQUE QUER ROUBAR A NOSSA ALMA

O governo quer limitar agora, conforme se noticiou aqui ontem à noite, a propaganda de alimentos que “engordam”. Prometi que falaria a respeito na madrugada. Acabei me ocupando de outros assuntos. Retomo a questão.

Há um excesso de intromissão do estado na vida do cidadão e na sua capacidade de escolha para que isso não caracterize um método. Entendam: há uma questão é geral, que é de princípio, que deveria provocar a nossa repulsa fosse qual fosse o governo: o ente estatal não pode tratar o indivíduo como um menor de idade, incapaz de saber o que é bom para si mesmo. Sendo o governo Lula em particular, a atenção deve ser redobrada. Há um núcleo no petismo que está empenhado em criar dificuldades financeiras para o que ele chama “mídia”.

O texto que segue a partir do parágrafo seguinte repete, com poucas alterações, o que escrevi a respeito no dia 4 de julho do ano passado, quando essa idéia veio à luz pela primeira vez. Como se vê, não é iniciativa nova. E também percebemos que eles jamais desistem de uma idéia. Vamos lá.

O método
Este texto identifica um método de ação do governo Lula: o chavismo à moda da casa. Denuncio aqui os instrumentos a que pretende recorrer o governo para implementar entre nós o bolivarianismo light. Porque o PT sabe que não pode fazer da Rede Globo a sua RCTV, por exemplo, resolveu criar dificuldades para a emissora. No mundo ideal do petismo, devemos ficar todos subordinados à TV de Franklin Martins, que não precisa do mercado para existir, ou à TV Record - que, se ficar sem anunciantes, jamais ficará sem a Igreja Universal do Reino de Deus, dona do partido do vice-presidente e do de Mangabeira Unger, aquele secretário que fala uma língua mais incompreensível do que a do Espírito Santo quando baixa em Edir Macedo - deve baixar, eu suponho.

Penitencio-me aqui. Dizem que sou arrogante, que nunca assumo um erro. A segunda parte, ao menos, é mentirosa. Errei, sim. Errei na única vez em que apoiei, ainda que parcialmente, uma proposta do governo Lula. Fui enganado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Uma recomendação: eis um nome do governo Lula que deve ser visto com muito mais cuidado.

Como sabem, o governo limitou o horário da propaganda de cerveja na televisão. E também enrosca com o seu conteúdo - Temporão, por exemplo, invocou com a tal “Zeca-Feira”. Mais: afirmou que a publicidade glamouriza o consumo do produto… No programa Roda Viva eu lhe disse que era favorável à limitação de horário, mas contrário a que o governo se metesse no conteúdo publicitário. Ora, isso seria nada menos do que censura. E o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária é um órgão que funciona, sim, senhores! Só falta agora a gente ter um Romão Chicabom também na Saúde…

É claro que a limitação da publicidade acarretaria uma diminuição de receita para as emissoras de TV. “Fazer o quê?”, pensei. “Aconteceu isso quando se proibiu a propaganda de cigarros; que procurem novos nichos, novos produtos, novas fontes de receita”. Eu, o liberal tolo diante de um petista… Nova pretensão anunciada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deixa evidente que a limitação da propaganda de cerveja tem mais a ver com a saúde do governo Lula do que com a saúde dos brasileiros. Eu passei a considerá-la parte de uma estratégia para asfixiar as emissoras que dependem do mercado para viver: que não têm estatais ou igrejas de onde tirar a bufunfa. Fui um idiota. Não apóio mais. Penitencio-me.

A Anvisa, órgão subordinado ao Ministério da Saúde, agora quer limitar ao horário das 21h às 6h a propaganda de alimentos considerados poucos saudáveis, “com taxas elevadas de açúcar, gorduras trans e saturada e sódio” e de “bebidas com baixo teor nutricional” (refrigerantes, refrescos, chás). Mesmo no horário permitido, a propaganda não poderia conter personagens infantis e desenhos. Segundo a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), isso representaria um corte de 40% na publicidade do setor, estimada em R$ 2 bilhões em 2005. Dos R$ 802 milhões que deixariam de ser investidos, aos menos R$ 240 milhões iriam para a TV - a maior fatia, suponho, para a Rede Globo.

Virei caixa dos Irmãos Marinho agora? Não! Virei guardião da minha liberdade. É evidente que se tenta usar a via da saúde para atingir o nirvana da doença totalitária. É evidente que estão sendo criadas dificuldades para as emissoras - e, a rigor, nos termos dados, para todas as empresas que vivem de anúncios - para vender facilidades. O ministro Temporão, que ainda não conseguiu fazer funcionar os hospitais (sei que a tarefa é difícil; daí que ele deva se ocupar do principal), candidata-se a ser o grande chefe da censura no Brasil. Na aparência, ele quer nos impor a ditadura da saúde; na essência, torna-se esbirro de um projeto para enfraquecer as empresas privadas de comunicação que se financiam no mercado - no caso, não o mercado do divino ou o mercado sem-mercado das estatais.

Imagine você, leitor, que aquele biscoito recheado (em SP, a gente chama “bolacha”) que sempre nos leva a dúvidas as mais intrigantes (Como as duas de uma vez? Separo para comer primeiro o recheio? Como o recheio junto com um dos lados?) seria elevado à categoria de um perigoso veneno para as nossas crianças - mais um querendo defender as crianças! -, que serão, então, protegidas por Temporão desse perigoso elemento patogênico. Mais: mesmo no horário permitido, a propaganda teria de ser uma coisa séria, né? De bom gosto. Sem apelo infantil. O Ministério da Saúde é uma piada: quando faz propaganda de camisinha, sempre recorre a situações que simulam sexo irresponsável. Mas não quer saber de desenho animado em propaganda de guaraná. A criatividade dos publicitários, coitados, teria de se voltar para comida de cachorro. Imagine o seu filho, ensandecido, querendo comer a sua porção diária de Frolic, estimulado pela imaginação de publicitários desalmados.

Assim como o governo pretendia impor a censura prévia na presunção de que os pais são irresponsáveis, agora quer limitar a propaganda de biscoito e refrigerante porque as nossas crianças estariam se tornando obesas e consumistas.

Estupidez
A proposta não resiste a 30 segundos de lógica. É evidente que biscoito não faz mal. Biscoito não é ecstasy. Em quantidades moderadas, de fato, não havendo incompatibilidade do organismo com os ingredientes, até onde sei, faz bem. Se o moleque ou a menina comerem um pacote por dia, acho que tenderão a engordar. Acredito que há um limite saudável até para o consumo de chuchu… Ora, carro também mata. Aliás, acidentes de automóveis são uma das principais causas de morte no Brasil. A culpa, quase sempre, é da imprudência do motorista ou das péssimas condições das estradas. Nos dois casos, é preciso usar/consumir adequadamente a mercadoria. A Petrobras é uma grande anunciante - e certamente estará no apoio à TV de Franklin Martins. Os produtos que ela vende poluem o ar e aquecem o planeta (sou de outra religião, mas dizem que sim…). A publicidade, então, deverá estar sujeita a severas limitações?

Uma pergunta: água entra ou não na categoria das “bebidas com baixo teor nutricional”? O ridículo desses caras é tamanho a ponto de propor limites à propaganda de água? Ela alimenta mais ou menos do que um copo de coca-cola ou de mate? E de lingüiça, pode? A gordura animal em excesso também faz mal à saúde. Quem garante que o sujeito não vai consumir o produto todos os dias, até que as suas artérias se entupam? Não ande de moto. Há o risco de cair. Numa bicicleta, você pode ser atropelado. E desodorizador de ambiente do moleque que quer fazer “cocô na ca-sa do Pe-dri-nho”? Pode ou não? Não fere a camada de ozônio?

Nazistas
Observem: se isso tudo fosse a sério, fosse mesmo com o propósito de cuidar da saúde dos brasileiros, já seria um troço detestável. Sabiam que os nazistas foram os primeiros, como direi?, ecologistas do mundo? É verdade: não a ecologia como uma preocupação vaga com a natureza, mas como uma política pública mesmo. Hitler gostava mais de paisagem do que de gente, como sabemos. Eles também tinham uma preocupação obsessiva com a saúde, com os corpos olímpicos. O tirano odiava que se fumasse perto dele, privilégio concedido a poucos. Mas o mal em curso não é esse, não.

A preocupação excessiva do governo nessa área, entendo, é também patológica, mas a patologia é outra. Por meio da censura prévia - de que foi obrigado a recuar - e da limitação à publicidade de vários produtos, pretende é atingir gravemente o caixa das empresas de comunicação, que fazem do que conseguem no mercado a fonte de sua independência editorial. Ora, é claro que, sem a publicidade da cerveja, dos alimentos e do que mais vier por aí, elas ficam, especialmente as TVs, mais dependentes da verba estatal e do governo.

O raciocínio é simples: vocês acham que a porcentagem da grana de estatais no faturamento global é maior numa Band ou numa Globo? Numa Carta Capital ou numa VEJA? No Hora do Povo ou no Estadão (a propósito, veja post abaixo)? Os petistas não se conformam que o capitalismo possa financiar a liberdade e a independência editoriais. Quer tornar essas grandes empresas estado-dependentes. Quanto mais se reduz o mercado anunciante - diminuindo, pois, a diversidade de fontes de financiamento -, mais se estreita a liberdade.

Golpe
Trata-se, evidentemente, de um golpe, mais um, contra a imprensa livre. E por que digo que o alvo é a Globo? Porque, afinal, ela concentra boa parte do mercado publicitário de TV - é assim porque é melhor e mais competente, não porque roube as suas “co-irmãs” - e porque, no fim das contas, o que importa mesmo a Lula é aparecer bem no Jornal Nacional. E ele deve considerar que isso é tão mais fácil de acontecer quanto mais ele disponha de instrumentos para tornar difícil a vida da principal emissora do país. Acho que vai quebrar a cara.

E Temporão, tenha sido ou não chamado à questão com esse propósito, tornou-se o braço operativo dessa pressão. Curioso esse ministro tão cheio de querer impor restrições do estado à vida e às opções das pessoas. É aquele mesmo que já deixou claro ser favorável à descriminação do aborto até a 14ª semana porque, parece, até esse limite, o feto não sente dor, já que as terminações nervosas ainda nem começaram a se formar. É um ministro, digamos, laxista em matéria de vida humana, mas muito severo com biscoitos. O que faço? Recomendo a ele que tenha com as crianças que estão no ventre o mesmo cuidado que pretende ter com as que querem comer Doritos?

Eis aí o caminho do nosso bolivarianismo. A terra está amassada pelo discurso hipócrita da saúde. Farei agora uma antítese um tanto dramática, cafona até, mas verdadeira: essa gente finge cuidar do nosso corpo porque quer a nossa alma.

Por Reinaldo Azevedo

Raposa Serra do Sol – Os miseráveis que o STF criou com a antropologia poética de Ayres Britto. Não foi falta de aviso!

Poesia de Ayres Britto empurrou o índio mucuxi Adalto da Silva para um lixão; sem emprego, teve de deixar a reserva

Poesia de Ayres Britto empurrou o índio mucuxi Adalto da Silva para um lixão; sem emprego, teve de deixar a reserva

Caros, o fato de a gente antever um desastre e ter a certeza de que ele vai acontecer não nos impede de ficar um tanto surpresos quando ele realmente acontece. É assim com a reserva Raposa Serra do Sol. Lembram-se dela?

A mesma quase unanimidade estúpida que se vê na imprensa agora contra o relatório correto e decente de Aldo Rebelo (PC do B) para o novo Código Florestal se via em março de 2009 em relação à demarcação contínua da reserva e à expulsão dos arrozeiros. Assim como jornalistas que nunca viram um pé de feijão estão convictos hoje de que é preciso reflorestar as margens de rios que abrigam agricultura há 200 anos, estavam então convictos de que os agricultores tinham de sair da dita reserva indígena. Eram as mesmas ONGs, os mesmos terroristas midiáticos, os mesmos vagabundos. Mais de mil ONGs atuam na Amazônia. MIL!!!

A propósito: Aldo Rebelo opôs-se também à saída dos arrozeiros. Mas foi o que quis o ministro Ayres Britto, que contou com o apoio da maioria do Supremo. Seu relatório exaltando a harmonia entre o índio e a terra é um primor da antropologia… poética (íntegra aqui). Eu o ridicularizei duramente aqui, chamando a atenção dos senhores ministros para o fato de que aqueles índios já eram aculturados. Sem a economia capitalista que já havia se instalado lá, a miséria seria certa. Foi inútil. Ayres Britto tinha um modelo de índio na cabeça e o impôs legalmente.  Não custa lembrar que os agricultores ocupavam MENOS DE 1% DA RESERVA, mas empregavam farta mão-de-obra indígena.

Hoje, 13% do território nacional é composto de reservas indígenas, onde vivem 750 mil índios. De novo: 13% do território abriga 0,41% da população!!! Fossem eles autônomos, numa economia auto-sustentável, vá lá… Mas não! Dependem da Funai — além de se dedicar ao desmatamento e ao garimpo ilegais. Mas volto à Raposa Serra do Sol. A Fundação Ford, que financiava um grupo de índios que queria a expulsão dos brancos, ganhou.

Os arquivos estão aí. O desastre parecia certo. Eu o anunciei aqui. Mas boa parte dos meus coleguinhas queria os arrozeiros capitalistas fora do éden dos aborígenes, como dizia Ayres Britto. Pois é. Leonardo Coutinho, de VEJA, voltou à região dois anos depois. A impressionante reportagem está na revista desta semana. Reproduzo alguns trechos. Volto depois:
*
Quatro novas favelas brotaram na periferia de Boa Vista, nos últimos dois anos. O surgimento de Monte das Oliveiras, Santa Helena, São Germano e Brigadeiro coincide com a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Nesse território de extensão contínua que abarca 7,5% de Roraima, viviam 340 famílias de brancos e mestiços. Em sua maioria, eram constituídas por arrozeiros, pecuaristas e pequenos comerciantes, que respondiam por 6% da economia do estado. Alguns possuíam títulos de terra emitidos havia mais de 100 anos pelo governo federal, de quem tinham comprado suas propriedades. Empregavam índios e compravam as mercadorias produzidas em suas aldeias, como mandioca, frutas, galinhas e porcos. Em 2009, todos foram expulsos. O governo federal prometeu indenizá-los de maneira justa. No momento de calcular as compensações, alegou que eles haviam ocupado ilegalmente terra indígena. Por isso, encampou as propriedades e pagou apenas o valor das edificações. Os novos sem-terra iniciaram o êxodo em direção à capital. As indenizações foram suficientes apenas para que os ex-fazendeiros se estabelecessem em Boa Vista. VEJA ouviu quarenta deles. Suas reparações variaram de 50.000 a 230.000 reais - isso não daria para comprar nem um bom apartamento de três quartos nas principais cidades do país. Imagine uma outra fazenda.

Poesia de Ayres Britto, com apoio de maioria do Supremo, tornou deserto um campo de arroz. Resultado dos versos: fome, miséria e migração

Poesia de Ayres Britto, com apoio de maioria do Supremo, tornou deserto um campo de arroz. Resultado dos versos: fome, miséria e migração

Em seguida, foi a vez de os índios migrarem para a capital de Roraima. Os historiadores acreditam que eles estavam em contato com os brancos havia três séculos. Perderam sua fonte de renda, proveniente de empregos e comércio, depois que os fazendeiros foram expulsos. A situação piorou com a ruína das estradas e pontes, até então conservadas pelos agricultores. “Acabou quase tudo. No próximo inverno, ficaremos totalmente isolados”, diz o cacique macuxi Nicodemos Andrade Ramos, de 28 anos. Um milhar de índios se instalou nas novas favelas de Boa Vista. “Está impossível sustentar uma família na reserva. Meus parentes que ficaram lá estão abandonados e passam por necessidades que jamais imaginaríamos”, afirma o também macuxi Avelino Pereira, de 48 anos. Cacique de sete aldeias, ele preferiu trocar uma espaçosa casa de alvenaria na reserva por um barraco de tábuas na favela Santa Helena. O líder indígena diz que foi para Boa Vista para evitar que sua família perdesse o acesso a escolas, ao sistema de saúde e, sobretudo, ao mercado de trabalho.

Com o passar do tempo, a situação dos índios tem piorado. Recentemente, algumas das famílias desaldeadas começaram a erguer barracos no aterro sanitário de Boa Vista. Uma delas é a do macuxi Adalto da Silva, de 31 anos, que chegou à capital há apenas um mês. Ele fala mal português, mas nunca pensou em viver da mesma forma que seus antepassados. Mesmo porque a caça e a pesca são escassas na Raposa Serra do Sol já faz tempo. Até 2009, ele recebia um salário mínimo para trabalhar como peão de gado. Está desempregado desde então. Como os índios não têm dinheiro, tecnologia ou assistência técnica para cultivar as lavouras, os campos onde o peão trabalhava foram abandonados. Silva preferiu construir uma maloca sobre uma montanha de lixo a viver na aldeia. Agora, ganha 10 reais por dia coletando latinhas de alumínio, 40% menos do que recebia para tocar boiada. Ainda assim, considera sua vida no lixão menos miserável do que na reserva. Ele é vizinho do casal uapixana Roberto da Silva, de 79 anos, e Maria Luciano da Silva, de 60, que também cata latas e comida no aterro. “O lixo virou a única forma de subsistência de muita gente que morava na Raposa Serra do Sol”, diz o macuxi Sílvio Silva, presidente da Sociedade de Defesa dos índios Unidos do Norte de Roraima.

Brancos e mestiços expulsos da reserva também foram jogados na pobreza. O pecuarista Wilson Alves Bezerra, de 69 anos, tinha uma fazenda de 50 quilômetros quadrados na qual criava 1.300 cabeças de gado. Um avaliador privado estimou em 350.000 reais o valor das edificações da propriedade. A Fundação Nacional do índio (Funai) deu-lhe 72.000 reais por essas benfeitorias e nada pela terra. Seu rebanho definhou. Restam-lhe cinqüenta reses em um pasto alugado. Falido, ele sobrevive vendendo churrasquinho no centro de Boa Vista.

Poesia de Ayres Britto transformou o próspero fazendeiro Wilson Bezerra em vendedor de churrasquinho de rua; os índios que ele empregava viraram favelados. Mas a Fundação Ford, as mil ONGs e parte da imprensa foram atendidas

Poesia de Ayres Britto transformou o próspero fazendeiro Wilson Bezerra em vendedor de churrasquinho; os índios que ele empregava viraram favelados. Mas a Fundação Ford, as mil ONGs e parte da imprensa foram atendidas

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Lendo a reportagem na revista, você ficará sabendo que parte das famílias de Raposa Serra do Sol foi assentada numa região chamada Serra da Lua, perto dali. Não por muito tempo se depender dos xiitas do Ministério do Meio Ambiente — aqueles humanistas de Marina, vocês sabem. Eles querem desalojar as pessoas de lá para criar mais uma reserva ambiental.

Não tem jeito. A única saída para o homem do campo no Brasil é lutar pelo direito de ser considerado bicho. Aí, quem sabe, ele terá a proteção do Ibama e do Meio Ambiente.

Os novos favelados de Roraima são uma criação das ONGs, da Fundação Ford, da Funai, do Ibama, do Ministério do Meio Ambiente, da esmagadora maioria da imprensa — os mesmos conjurados agora contra o Código Florestal — e, obviamente, do STF. Os versos que poetizam essa miséria são de Ayres Britto. Ele exaltou tanto os índios ideais. O chato é que eles eram reais.

Por Reinaldo Azevedo

30/05/2011

 às 5:37

Lembram-se deste espetáculo de truculência?

Acima, vocês lêem o post sobre o desastre gerado pela decisão tomada pelo STF em 2009, que expulsou os arrozeiros de Raposa Serra do Sol. Abaixo, segue um vídeo sobre a ação da Polícia Federal na região, sob o comando, então, de Tarso Genro. Produtores tiveram suas casas invadidas sem ordem judicial. Ninguém reclamou. E não adiantava fazer a “Marcha do Arroz”… Quem tem autoridade para marchar no Brasil é maconheiro.

Por Reinaldo Azevedo

A maconha no Fantástico: a reportagem dos 12 contra 1 e os supostos 57%

Leitores estavam me perguntando se eu tinha visto a reportagem do Fantástico de ontem sobre a descriminação da maconha e sobre o filme “Quebrando o Tabu”. Não! Vi há pouco no site do programa. O vídeo segue no pé deste post. Após a apresentação da reportagem, 57% dos telespectadores opinaram numa pesquisa instantânea que o consumo da droga deveria ser “permitido e regulamentado” — é o que está na página.

Sós 57%? A edição da reportagem é tão escancaradamente favorável à “regulamentação” que esse resultado deve ser visto como “rejeição” à tese!. Começa com a polícia malvada batendo cassetete em seus escudos e avançando contra os pobrezinhos favoráveis à “liberdade de expressão”, que desafiavam uma ordem judicial. Polícia feia! Contestando a força repressora, a fala de um jornalista. Por que não?

Dão seu testemunho a favor da “regulamentação”, o novo vocábulo para o assunto que o Fantástico decidiu lançar (nota: regulamentado já está), as seguinte personalidades:
- Deputado Paulo Teixeira (PT-SP)_;
- FHC;
- Fernando Gronstein (o diretor do filme);
- o médico Elisaldo Carlini, apresentado como grande especialista;
- ministro da Saúde de Portugal, segundo quem a descriminação em Portugal fez baixar o consumo de drogas;
- o escritor Paulo Coelho;
- com imagens do filme, ficamos sabendo que comungam da tese os ex-presidentes Ernesto Zedillo (México), César Gavíria (Colômbia), Bill Clinton (EUA) e Jimmy Carter (EUA) e Drauzio Varella;
- e, bem, dada a condução do programa, podem considerar a repórter Sônia Bridi.

Contaram? Doze pessoas.

E aí o professor Ronaldo Laranjeira, profundo conhecedor da área, foi chamado para fazer o contraponto, para ser o “outro lado”, o que conferiria “isenção” à reportagem. Lamento! Se era uma peça do show da vida, tudo bem! Se era jornalismo, foi um péssimo momento! Laranjeira foi feito de bobo, e isso chega a ser desrespeitoso.

O texto de Sônia faz o elenco apenas dos dados que interessam à tese da descriminação. A reportagem é um queijo suíço. Pra começo de conversa, não se informa que o que está em debate é a descriminação de TODAS AS DROGAS, não apenas da maconha, única hipótese que, em tese ao menos, o gatilho da bandidagem poderia ser  desativado. É uma tese besta, mas até a besteira tem de ter alguma lógica para ser verossímil ao menos.

Ouve-se a voz do ministro da Saúde de Portugal a afirmar (veja que luso esse meu infinitivo…) que, com a descriminação do consumo, os jovens passaram a consumir menos drogas ilícitas. Pode até ser, mas lhe caberia explicar, e não há lógica possível, por que uma coisa levou à outra. A jabuticaba é exclusiva do Brasil; aquele tipo de relação causal pode ser tipicamente portuguesa. Se caiu, deve haver outro fator que explique, a menos que partamos do princípio de que o proibido, com efeito, é mais gostoso… Isso não é sério.

FHC relata experiências da Holanda, Portugal e tal e depois diz:
“Eu não estou pregando isso para o Brasil, porque a situação é diferente, o nível de cultura, riqueza e violência é diferente. Cada país tem que buscar seu caminho. É isso que eu acho fundamental. Quebrar o tabu, começar a discutir e ver o que nós fazemos com a droga”.

“Quebrando o tabu” é o nome do filme. Que tabu? Não há tabu nenhum! Essa é a abordagem que interessa ao diretor do filme, que já é um sucesso de crítica antes mesmo de vir a público. Perguntem ao professor Laranjeira. Ele dispõe dos dados necessários porque é um especialista no assunto, um estudioso da área e conhece o tratamento clínico.

Mas vejo que já comecei a argumentar. O ponto não é esse. Aqueles 57% que responderam a enquete do Fantástico não significam nada. Se os outros 43% disseram “não”, fico com esse dado como evidência do repúdio que a tese desperta. De tal sorte a reportagem tenta induzir o telespectador que o que quer que venha depois como interatividade está inteiramente viciado. Sem contar que a turma da maconha é organizada. Pais e mães de família têm mais o que fazer.

No próximo post, dou uma dica a especialistas quando forem convidados a dar uma opinião sobre assuntos que são quase consensuais na imprensa, mas não na sociedade.

PS - Não sou simpático a plebiscitos, como sabem. Mas estou pensando em sugerir um sobre drogas. A turma favorável à descriminação terá direito de ir à TV defender seu ponto de vista, e os que são contrários também. Da forma como andam a democracia e a isenção jornalística, é a única chance de o país ter o direito ao contraditório ao menos. Segue a matéria do Fantástico.  E faço um PS2 depois dele.

PS2 - “E você, Reinaldo, não induziu os seus leitores a ver com olhos críticos a reportagem do Fantástico?” Eu dou opinião, todo mundo sabe. Não chamo de “reportagem” o que faço aqui. Se a Globo quiser fazer um editorial a favor da descriminação das drogas, tem o direito de fazê-lo, deixando claro que se trata de um editorial. E não exibo enquete como tendência de opinião pública.

Por Reinaldo Azevedo

FHC e as drogas: a opinião desastrada de um grande brasileiro. Ou: Por que a descriminação seria ainda mais desastrosa do que a legalização

A petralhada está enchendo o meu saco, e nem poderia ser diferente. A Folha deste domingo traz uma entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em que ele faz a defesa veemente da descriminação — e não da legalização — das drogas, de todas elas. No Fantástico, a alguns milhões, defende a mesma tese. O evento que marca tanta falação é o lançamento do filme “Quebrando o Tabu”, do diretor Fernando Andrade, irmão de Luciano Huck e amigo de muita gente influente e, segundo ele, “inteligente”. Por meio dos tais mecanismos de incentivo, conseguiu arrecadar R$ 2,4 milhões, bastante dinheiro para o gênero, e não terá dificuldade nenhuma para divulgar a sua obra. Ponto parágrafo.

Vamos começar do básico. Petralhas torram a minha paciência porque, sendo quem são, sentem-se na obrigação e no dever de defender todas as bobagens que seu mestre diz. E isso os faz meter-se em operações impossíveis. A do momento consiste em justificar o “enriquecimento lícito” de Antonio Palocci. Eu não tenho partido e, sendo quem sou, não tenho tarefas.O FHC que defendo é aquele que eles dizem abominar: o do Plano Real e o da abertura da economia. E seguirei fazendo essa defesa. À medida que passa o tempo, estou cada vez mais convencido da grandeza de sua obra; quanto mais fico sabendo sobre aquele período, mais me dou conta das dificuldades que ele e a equipe do Real tiveram: trocaram as asas de um avião sem deixar o bicho cair. Salvaram o Brasil do desastre. O país só não reverencia, e a palavra seria essa, o que foi feito porque passou pelo trabalho sistemático de depredação da verdade, promovido por Lula e sua turma.

Mas não! Eu não concordo com a opinião — e se trata disto: de opinião apenas — de FHC sobre o que fazer institucionalmente com as drogas e considero a tese que ancora o filme uma fraude lógica, amparada no achismo de algumas figuras de relevo internacional, como o próprio ex-presidente brasileiro e Bill Clinton, um seu homólogo americano. Aliás, note-se: segundo vejo no trailer do filme, o grande argumento de Clinton em favor da descriminação está num exemplo familiar: um irmão drogado. Aí já é fraude sentimental. A fraude lógica se expressa no argumento tolo de que, se a repressão não consegue eliminar o problema das drogas, talvez o contrário resolva; a sentimental nos informa que os drogados são pessoas que amamos (alguém sempre as ama, claro!). E daí?

Nas entrevistas, o ex-presidente faz a devida distinção entre descriminação e legalização — que é o que defende, por exemplo, a turma da Marcha da Maconha. Ok, são coisas diferentes, e penso que a simples descriminação é ainda mais temerária.

A política também é feita de oportunidades, como ele sabe muito bem — e isso nada tem a ver com oportunismo. Eu me refiro àquelas circunstâncias que Maquiavel, que ele domina melhor do que eu, chama de “Fortuna”. Esse filme pode ser excelente para a reputação do jovem diretor. Está longe de representar, no entanto, um anseio ou uma angústia coletiva. A polêmica tomará conta da imprensa e das tais redes sociais, e a ela ficará alheia a esmagadora maioria da população, que repudia a tese.

E não faço desse repúdio um juízo absoluto — “Se o povo não quer, então ele está certo”. Eu já escrevi centenas de textos contestando cada um dos argumentos a que recorre FHC para defender a descriminação. O repúdio popular às drogas nasce de circunstâncias muito objetivas. O estado tem falhado sistematicamente em oferecer segurança pública aos mais pobres. Ainda que as drogas todas fossem legais, vendidas na farmácia ou no supermercado, o que poderia desarmar o tráfico, mantida a incúria estatal, a bandidagem mudaria de ramo e continuaria a aterrorizar a população do mesmo modo. O estado tem falhado sistematicamente em oferecer uma educação de qualidade às crianças. A descriminação das drogas, como quer FHC, ou legalização — como querem uns doidivanas —, implicará, como é óbvio, uma elevação do consumo, derivado do simples aumento da exposição dos jovens às substâncias entorpecentes. Antes que as nossas escolas consigam alfabetizar direito ou ensinar os fundamentos da língua pátria e da matemática — aqueles que até o MEC ignora —, teremos garotos e garotas fumando maconha no portão.

A expectativa do Brasil nessa área é bem outra. Não é que o país tem falhado apenas no combate às drogas. Falha, como está dito, na política de segurança pública; falha no controle das fronteiras — a chegada do óxi anuncia efeitos devastadores. A urgência, esta sim, é um plano de combate a essas substâncias. Os usuários precisam de tratamento, e os traficantes, de cadeia.

Não! Eu não endosso os pontos de vista do ex-presidente e os considero mais ideologia do que reflexão. Numa entrevista à Folha, o diretor do filme afirma que sua obra é expressão de “uma luta contra o obscurantismo” — vale dizer: ou se está com ele, ou se é obscurantista, atrasado, reacionário etc.

Nas entrevistas, FHC defende a descriminação, mas não a legalização. O tráfico continuaria proibido — ele é simpático até à possibilidade, como defende Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara, do cultivo da maconha para uso pessoal… Pois é. Por uma razão puramente lógica, para o traficante, a descriminação, lamento dizer, é o melhor dos mundos. Se é assim, que se legalize de vez! Por quê? Como o tráfico continuaria proibido, a droga seguiria sendo uma mercadoria cara e rentável. Como o consumo estaria liberado, haveria um óbvio aumento da demanda. Dos três cenários — proibição total, descriminação e legalização total —, qualquer negociante da área escolheria o aumento da demanda e da restrição da oferta. Isso nada tem a ver com droga, mas com economia… “Ah, em Portugal, está funcionando”. Há centenas de sites e blogs portugueses que sustentam que a tese é falaciosa, uma trapaça da contabilidade criativa que tomou conta do país tanto na economia como no combate às drogas. De resto, ainda que verdade fosse,  governar 11 milhões de pessoas é um tanto diferente de governar 200 milhões, a esmagadora maioria composta de pobres. E a Holanda? Respondo com uma piada: vamos copiar primeiro os moinhos e os diques…

FHC defende ainda campanhas educativas contra o consumo, o tratamento dos dependentes etc. Tudo isso pode ser feito com a legislação atual. Aliás, ninguém que se diga hoje um dependente de drogas, de qualquer uma, e queira se tratar enfrenta problema legal. Enfrenta, sim, é a falta de atendimento especializado, a menos que seja rico.

Para a esmagadora maioria dos brasileiros, essa é uma discussão de outro planeta, lá onde habita a classe média alta esclarecida, liberal nos costumes e com caixa para sustentar o desregramento temporário dos sentidos de seus pimpolhos alternativos, cheios de amigos “inteligentes” — até a hora em que eles voltam às exigências e necessidades naturais de sua classe social. Vá perguntar aos pais e mães pobres do Brasil, àqueles que enfrentam, de fato, o faroeste do dia-a-dia. Os que fumam maconha protegidos, na prática, por segurança privada não são parâmetro.

Não, eu não acho que pobreza confira autoridade intelectual ou política a quem quer que seja. Isso é coisa dos lulo-petistas e de Jean Wyllys, essa gente que continua “pobre” mesmo depois que fica rica. O que os pobres têm é uma vivência em que a droga não é uma escolha do consumidor, como é para os “bacanas”, mas uma imposição do traficante que prospera em razão da inoperância do Estado. “Mas esse argumento é favorável à legalização”, diria o pessoal da Marcha… O Brasil não vai legalizar a droga sozinho; se o fizesse, sozinho ou em grupo, haveria uma explosão desastrosa do consumo.

Caminho para a conclusão. A partir de amanhã e por uns bons dias, o Brasil terá um novo assunto: a descriminação das drogas, da maconha em particular. O filme daquele rapaz será um sucesso na classe média ilustrada e entre os ricos liberais, e os “pobres reacionários” ficarão mais ou menos indignados. Na semana passada, Lula veio a público para salvar Dilma Rousseff. Pegou mal. Ele não conseguiu oferecer a ela o refrigério necessário. Piorou as coisas. Com suas entrevistas e com o filme,  FHC, involuntariamente, abre uma janela à presidente — embora tenha descascado o seu governo na convenção de ontem do PSDB.

O Brasil teve dois presidentes que mudaram o rumo de sua história: Getúlio Vargas e FHC. Pensando o que penso, digo que aquele nos deu um viés ruim, do qual não nos livramos até hoje — a tara estatista supostamente benigna —, e este nos alertou para a existência de uma sociedade mais dinâmica do que o estado, lição ainda mal assimilada. Talvez cheguemos lá.

No que diz respeito às drogas, no entanto, o erro de FHC, entendo, é grande, é gigantesco, no conteúdo e na oportunidade. Quanto aos petralhas aos quais me refiro no começo deste texto, eles continuarão a atacar a obra essencial do ex-presidente e a usar as suas opiniões sobre o tema para demonstrar que eles próprios não estão sozinhos na defesa que fazem. Pensando o que pensam sobre o ex-presidente, se procedem dessa forma, é porque pretendem, quando menos, dividir um ônus. Fossem louros, eles reivindicariam o monopólio da virtude.

PS - Eis aí. Eu não tenho aiatolás de estimação, nem FHC tem tal perfil. Nos comentários, continuarei a vetar os “drogófilos” — a democracia lhes faculta milhares de sites para fazer proselitismo; não precisam do meu — e não permitirei que a obra política de FHC seja depredada por petralhas disfarçados de indignados. Posso até parecer bobo a alguns, mas acho que não sou. Sei distinguir bem uma coisa de outra.  É perfeitamente possível discordar radicalmente do ex-presidente, preservando o que tem de ser preservado; é perfeitamente possível defender a sua iniciativa (eu não defendo, como viram)  sem fazer a apologia das drogas. Vocês farão a  coisa certa.

Quanto aos petralhas, uma dica: aprendam o valor de pensar por conta própria. É bom admirar pessoas sem ter de justificar os seus erros. Vocês têm de defender Palocci, tarefa impossível! Nas suas cabecinhas ocas, eu teria de defender as opiniões de FHC, coisa bem mais fácil. Mas eu recuso essa facilidade porque eu lhe rendo o reconhecimento pela grande obra, não a anulação do meu pensamento em favor do seu equívoco.

Que coisa, não é? Em nome da independência, eu me recuso a defender o defensável. Porque vocês são quem são, obrigam-se a defender o indefensável. Não deve ser fácil viver com o nariz no chão!

Texto publicado originalmente às 18h42 deste domingo


Por Reinaldo Azevedo

Pela descriminação do tráfico de influência!

Do leitor Cláudio, numa síntese notável, com ironia na medida certa:
“Sou a favor da descriminalização do tráfico de influência. Assim, todos teriam acesso a essa droga, não ficaria apenas nas mãos dos traficantes de Brasília.”

Na mosca!

Por Reinaldo Azevedo.

Cuidado, entrevistáveis, com as armadilhas da imprensa. Ou: discordar é para macacos; humanos devem dizer sempre “sim”

Atenção, entrevistável!

Se você for um desses especialistas, estudiosos ou mesmo curiosos fundamentados que não comungam da metafísica influente e for chamado por algum repórter, não importa o veículo e o meio, a dar uma opinião sobre um determinado tema, certifique-se de que não se trata de uma armadilha para provar que você está errado e sozinho. Exija, na medida do possível, garantias (depois darei dicas ao homem comum, de classe média).

Foi o que o Fantástico fez ontem com o mais importante estudioso brasileiro sobre drogas, o professor Ronaldo Laranjeira. Doze pessoas falaram a favor da descriminação da maconha. Todos os dados fornecidos pela reportagem são favoráveis à tese.

Laranjeira não foi convidado para expor o seu ponto de vista, não. Ele estava lá para convalidar o dos adversários de tese. De que modo? À medida que eles são muitos, e tão importantes (ex-presidentes, dois médicos, um escritor popular, um cineasta inteligente…), e Laranjeira é um só, ele só pode estar errado. A reportagem de Sonia Bridi é capaz de tolerar uma pessoa que não concorde…

Assim, entrevistável, indague coisas como:
- Quem mais vai falar?
- Serei o único a ter essa posição (a ser contra ou a favor, sei lá…)?
- Haverá equilíbrio?
- A sua reportagem será contra ou a favor à tese “x”?
- Você está me convidando porque quer saber o que eu penso ou só para mostrar que eu sou um sem-noção?

Há alguns temas, entrevistáveis, em que é grande a chance de você quebrar a cara e ser usado só para passar a impressão de que seus adversários têm razão; vale dizer: serão uns 12 do outro lado contra você, que passa por maluco. Darei exemplos:

Mudanças climáticas (antigo “aquecimento global”) - se você não for um apocalíptico e não anunciar o fim do mundo, será minoria na reportagem ao menos;
Código Florestal - se você for do tipo que acha que o texto de Aldo Rebelo é bom, cuidado! Haverá um batalhão (mais Anhangá, Curupira, a Cuca e a Marina Silva) contra um só;
Declaração unilateral de independência do estado palestino - se você não for a favor, a chance de que o chamem para explodir a sua reputação é enorme;


Kit gay nas escolas -
 qualquer restrição que você tenha à proposta, se a imprensa o chamou, é para caracterizá-lo como um pterodáctilo raivoso.

Assim, o melhor a fazer, acreditem, é deixar que eles dividam sozinhos as batatas. Um fala, e o outro reforça, e todos se lambuzam numa espécie de autoerotismo do progressismo. Ou exija garantias de que vão lhe dispensar um tratamento digno.

Essa é a forma que o pluralismo tomou no nosso tempo. Discordar virou mero formalismo, um resquício de fase superada da civilização, mais ou menos como aquele ossinho do cóccix indica que a gente já teve rabo um dia. Discordar é para macacos e seres inferiores. O que faz a civilização é a ausência de divergência, é a unanimidade em defesa do bem!

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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