AP do Palocci - Imobiliária também não existe no endereço anunciado, e um dos seus sócios foi o primeiro dono da empresa fantasm

Publicado em 05/06/2011 18:53 686 exibições
por Reinaldo Azevedo, em Veja.com.br

AP do Palocci - Imobiliária também não existe no endereço anunciado, e um dos seus sócios foi o primeiro dono da empresa fantasma em nome de laranja. Parece confuso?

A história do apartamentão onde mora a família do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci vai ficando cada vez mais enrolada. Quanto mais se sabe a respeito, menos se esclarece. Vamos ver.

Reportagem da VEJA desta semana, em síntese (leia a íntegra da reportagem na revista), informa que:
- O apartamento pertence, desde setembro de 2008, a  uma empresa chamada Lion Franquia e Participações Ltda. Trata-se de uma empresa fantasma, de fachada. Ela não existe no endereço informado.
- Os donos da Lion seriam Dayvini Costa Nunes, com 99,5%, e Felipe Garcia dos Santos, com 0,5%. Felipe tem 17 anos e foi emancipado no ano passado.
- Dayvini é assumidamente um “laranja”. Tem 23 anos, mora numa casa de fundos em Mauá, no ABC paulista, e ganha R$ 700 por mês. O apartamento em que Palocci mora vale R$ 4 milhões.
4 - A Lion recebeu o apartamento, num rolo envolvendo hipoteca, de um certo Gesmo Siqueira dos Santos, tio de Dayvini, que responde a 35 processos, incluindo falsificação de documentos.
5 - Inicialmente, Dayvini disse à reportagem de VEJA que não sabia que o tinham colocado como laranja numa empresa. No dia seguinte, mudou a versão e afirmou que estava mentindo. Nas suas palavras: “Desde que você falou comigo, não consigo dormir, por causa dessas coisas que envolvem pessoas com quem não tenho como brigar, como o Palocci, entendeu? Eu não tenho como bater de frente com essas pessoas. Sou laranja.”

Bem, a história já é confusa até aqui, certo? Certo! Ontem, o advogado de Palocci reagiu à reportagem de VEJA, e a assessoria do ministro emitiu nota. Escrevi a respeito.

Na nota, afirma a assessoria:
“1. O imóvel em que vive a família do ministro Antonio Palocci Filho em São Paulo foi alugado em 1º de setembro de 2007 por indicação da imobiliária Plaza Brasil, contatada para este fim;
2. O contrato foi firmado em bases regulares de mercado entre Antonio Palocci Filho e os proprietários Gesmo Siqueira dos Santos, sua mulher, Elisabeth Costa Garcia, e a Morumbi Administradora de Imóveis;
3. O contrato foi renovado em 1º de fevereiro de 2010 entre Antonio Palocci Filho e a Morumbi Administradora de Bens, sucessora da Morumbi Administradora de Imóveis”.

Certo! Desde setembro de 2008, o apartamento estava em nome da Lion, a tal empresa fantasma. Com quem foi acertada a renovação? Mas essa é ainda a estranheza menor.

Imobiliária também fantasma?
O Globo se interessou pela imobiliária que alugou o apartamento e descobriu algumas coisas interessantes:
1 - A Morumbi Administradora de Bens, que alugou o apartamento, deu endereço falso à Receita Federal e não funciona no prédio que informou no contrato de locação do ministro;
- Quem assina o contrato como sócio proprietário da imobiliária é Henrique Garcia Santos. Atenção: esse Henrique aparece como o primeiro dono da… Lion , justamente a empresa que se diz dona do imóvel e que está em nome de Dayvini, o laranja;
3 - É pouco? O endereço desse Henrique na Junta Comercial é o mesmo fornecido pelo tal Gesmo, tio de Dayvini.

Juro que estou sendo o mais claro que consigo.

Síntese da síntese
1 -
 Dayvini Costa Nunes é laranja da Lion;
- a Lion é uma empresa fantasma;
3 - Gesmo Santos, tio de Dayvini, transferiu o imóvel para a Lion;
- a imobiliária que alugou o imóvel também deve ser fantasma;
- Henrique Garcia, sócio da imobiliária, era o primeiro dono da Lion;
6 - endereço de Henrique era o mesmo de Gesmo.

Pergunta final
Em que tipo de imobiliária alguém com a importância de Palocci aluga apartamento e com que tipo de gente assina contrato? E olhem que não é coisa à-toa. Segundo a assessoria, ele paga R$ 13,5 mil de aluguel, fora condomínio e IPTU. A gente sabe que ele não tem problema de dinheiro. Quando menos, a imprensa zela pelas pessoas com as quais estabelece vínculos comerciais…  Há imobiliárias no mercado especializadas em alugar apartamentos de alto padrão, dignos de Palocci. Espero que ele tenha sido mais prudente ao escolher a que lhe vendeu aquele outro, nos Jardins, o de R$ 6,5 milhões.

Por Reinaldo Azevedo

Na Folha:
A presidente Dilma Rousseff vai consultar a opinião de seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de outros aliados antes de decidir se demite ou mantém o ministro Antonio Palocci na chefia da Casa Civil. Lula chegou na sexta-feira ao Brasil, depois de uma viagem a Cuba e à Venezuela. Ele e Dilma tinham combinado conversar durante o fim de semana, algo que tem se tornado rotineiro. No Palácio do Planalto, a avaliação geral é que as entrevistas de Palocci à Folha e ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, foram dadas tarde demais. Por essa razão, o impacto seria insuficiente para debelar a crise política que se formou no governo nas últimas três semanas. A Folha revelou em 15 de maio que Palocci multiplicou seu patrimônio em 20 vezes nos últimos quatro anos. Em 2010, ele faturou R$ 20 milhões com uma empresa de consultoria, a Projeto. O ministro se recusa a revelar a identidade de seus clientes e detalhes sobre os serviços que prestava.

Nas entrevistas concedidas anteontem, Palocci manteve a mesma estratégia. Reafirmou ter pagado todos os impostos e disse que nunca operou de maneira ilegal em favor de interesses privados junto ao governo. Na noite de sexta-feira, Palocci conversou brevemente com a presidente sobre o conteúdo das entrevistas. Ontem, o ministro estava em São Paulo, onde vive. A presidente ficou satisfeita com o fato de Palocci ter deixado claro na entrevista à Folha que ela não foi informada de detalhes sobre suas atividades como consultor de empresas. O temor do governo é que a crise política se alastre e passe a corroer a imagem de Dilma. “Deveria ter feito isso [dado entrevistas] antes, talvez já teríamos virado essa página”, disse o secretário de Comunicação do PT, André Vargas (PR). Para ele, “a oposição é insaciável”. Publicamente, aliados do Planalto tentaram sinalizar satisfação com as declarações de Palocci para não alimentar ainda mais a crise em torno das suspeitas sobre a atuação do ministro no mundo empresarial. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Denise Madueño e Eugênia Lopes, no Estadão:
De perfil tranquilo, porém soturno, como apontam os próprios petistas, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, não promove o enfrentamento político interno, mas se mostra vulnerável ao “fogo amigo”. É dentro do próprio PT que estão os maiores desafetos de Palocci, situação que pode, na atual crise política, ajudar a empurrar o ministro para fora do cargo exatamente quando o Planalto avalia a repercussão das explicações fornecidas por ele na última sexta-feira.

Nestes cinco primeiros meses do governo de Dilma Rousseff, ele desagradou parte da bancada petista na Câmara, que até hoje não conseguiu emplacar seus 104 indicados para cargos de segundo escalão. Com alguns, Palocci bateu de frente. Foi o caso do ex-presidente do PT e deputado Ricardo Berzoini (SP), que perdeu posições no Banco do Brasil e na Previ - o fundo de pensão dos funcionários do banco.

Palocci é considerado eterno adversário de parlamentares paulistas que alimentam a esperança de virarem candidatos do PT ao governo de São Paulo. Até a recente crise política da qual ele é protagonista, por conta de sua evolução patrimonial, o nome do ministro era sempre lembrado para o cargo. Na lista de alguns petistas, Palocci é, inclusive, potencial candidato à Presidência em 2018.

A exposição o coloca em confronto com outro peso-pesado petista, que vê Palocci como uma ameaça a pretensões eleitorais: o ex-ministro José Dirceu. Colegas de ministério no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, ambos disputavam a preferência do chefe na corrida pela sucessão presidencial. Os dois foram abatidos por se envolverem em escândalos, criando um vácuo ocupado por Dilma.

Imposto por Lula à então candidata à Presidência, Palocci conquistou ao poucos o lugar do “homem forte” da campanha de Dilma. Substituiu o hoje ministro Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, amigo fiel e o preferido de Dilma. Apesar dos esforços de José Dirceu para deixá-lo de fora do “núcleo duro” do governo Dilma, Palocci conseguiu se transformar no principal auxiliar da presidente.

Boa parte da bancada federal do PT também não morre de amores pelo ministro. A ala do partido que elegeu Marco Maia (RS) presidente da Câmara e Paulo Teixeira líder do partido defende uma mudança geral na coordenação política.Além do Palocci, os alvos são o ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais), e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Os grupos ligados a Maia e a Vaccarezza estão em atrito desde a disputa pela presidência da Câmara. A ala de Maia, vencedora, não se conforma com a manutenção de Vaccarezza no cargo. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Natuza Nery, na Folha:
“Era só o que faltava. Não bastassem os ataques da oposição, agora o tiro de canhão veio de dentro do próprio governo”, relatou Antonio Palocci em livro. A frase é de 2006, mas poderia ser facilmente reeditada hoje. Na época, o então ministro da Fazenda estava cotado para suceder a Lula em 2010, mas viu os planos serem dinamitados por um caseiro de Brasília. Narrou sua queda no livro “Sobre Formigas e Cigarras” (ed. Objetiva), publicado no ano seguinte à sua renúncia. Palocci pavimentou o caminho de volta ao poder com a bênção de Lula, tornando-se o principal coordenador da campanha de Dilma. Com a vitória, reabilitou-se assumindo a gerência política e administrativa do governo.

Novo golpe veio em 15 de maio, quando a Folha revelou que seu patrimônio se multiplicou por 20 vezes nos últimos quatro anos, quando era deputado federal. Dias depois, a Folha revelou também que a empresa do ministro da Casa Civil, a Projeto, faturou R$ 20 milhões no ano eleitoral de 2010, prestando serviços de consultoria. Os clientes e os valores não foram revelados nas entrevistas que concedeu anteontem. Sem conseguir dissipar as suspeitas sobre seus negócios, o ministro perdeu apoio entre petistas e viu ruir, pela segunda vez, seus planos eleitorais. Caso fizesse uma boa gestão na Casa Civil, o ex-prefeito de Ribeirão Preto estaria cacifado para tentar o governo paulista, com sob o comando do PSDB há 16 anos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Roberto Simon, no Estadão:
A presidente Dilma Rousseff decidiu não se encontrar com a advogada iraniana e Nobel da Paz Shirin Ebadi, que chega ao Brasil na terça-feira. Principal voz da oposição a Teerã no exílio, Shirin será recepcionada no Palácio do Planalto apenas pelo assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

“Se Dilma defende os direitos humanos e as mulheres, ela me receberá”, insistiu a iraniana em entrevista ao Estado (mais informações na pág. 15). O governo brasileiro, porém, acredita que receber a ativista enviaria “a mensagem errada”.

A decisão do Planalto vai na contramão da mudança na diplomacia para os direitos humanos que Dilma vinha conduzindo até agora. Antes de tomar posse, a presidente criticou publicamente a abstenção do Itamaraty em uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU condenando o apedrejamento de mulheres no Irã. Dilma chamou de “ato bárbaro” a lapidação, posição reiterada em entrevista ao jornal Washington Post.

Em março, Dilma rompeu com o padrão de voto do governo Lula nas Nações Unidas e apoiou a criação de um relator especial para o Irã - sob críticas do ex-chanceler Celso Amorim. Uma semana depois, Shirin foi convidada a um jantar na embaixada do Brasil em Genebra.

“Dilma recebeu a (cantora) Shakira, mas se recusa a se encontrar com uma mulher Nobel da Paz?”, questiona Flávio Rassekh, representante da advogada no Brasil. “Ainda não desistimos e vamos continuar tentando organizar esse encontro.”

Oficialmente, o Planalto justifica que, pelo protocolo, a presidente recebe apenas chefes de Estado e de governo. “Dependendo da agenda”, ministros de países estrangeiros e outras personalidades - como, por exemplo, os integrantes do U2 - conseguiram uma audiência com Dilma.

Nos bastidores, porém, o governo diz que receber Shirin seria colocar o Brasil dentro de uma “disputa interna delicada”. “Desde janeiro, já vieram ao Brasil tanto dissidentes quanto delegações oficiais do Irã. A presidente não recebeu nenhum deles”, afirma uma fonte do Planalto. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Fernando Gabeira, no Estadão:
“Quando é que o Peru “se estrepou”?” Em tradução livre, é essa uma das frases de abertura do livro A Cidade e os Cachorros, que lançou o romancista Mario Vargas Llosa no cenário internacional. Muitos peruanos se perguntam se as eleições de hoje um dia servirão de resposta a uma pergunta desse tipo.

Polarizada entre dois candidatos, a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Ollanta Humala, as eleições peruanas no segundo turno foram também uma batalha de assombrações. O ex-presidente Alberto Fujimori, pai de Keiko, e o venezuelano Hugo Chávez, antigo aliado de Humala, são apenas duas encarnações desses fantasmas.

O ex-presidente peruano, que está preso e condenado a 25 anos de prisão, representa o autoritarismo, o desrespeito aos direitos humanos que teria, entre outras coisas, esterilizado 300 mil mulheres pobres. Sem contar a corrupção que dominou seu governo. Já Chávez representa o fantasma de uma guinada para a esquerda, a democracia plebiscitária e a censura à imprensa.

Dois grandes intelectuais peruanos, o próprio Vargas Llosa e Hernando de Soto, defensores respectivamente de Humala e Keiko, tentam dissipar os fantasmas em torno de seus candidatos. Para o primeiro intelectual, Humala deslocou-se para o centro do espectro político desde 2006. Isso tornou sua candidatura mais viável para os peruanos que querem mudanças.

“O nacionalismo de Humala é algo sentimental, mas que não implica o fechamento ao capital estrangeiro nem hostilidade a outros países”, diz Álvaro Vargas Llosa, filho do escritor.

De Soto, por sua vez, afirma que a candidata da direita garantiu que não repetiria nenhum dos erros do pai e seguirá seu próprio caminho: “Nada interessa mais aos pobres do que torná-los proprietários, fazer do Peru um país de proprietários. É a maneira de aceder à riqueza já que o Estado não oferece quase nada”.

Economia em questão. O próximo presidente peruano deve se deparar com um problema urgente de ordem econômica: a manutenção da desigualdade, apesar do crescimento contínuo nos últimos anos. A questão já provoca consequências políticas em regiões como Puno, onde a população, indígena na maioria, rebela-se contra a exploração mineral.

“Keiko propõe uma grande mesa de negociação. A ideia de tornar proprietário não se resume ao título. Todos são proprietários do Peru. E a questão que está em jogo são os recursos hídricos dos indígenas, um dos temas mais complexos”, afirma De Soto.

Olhando o palanque dos dois, no último dia de campanha, vê-se que Humala reuniu em torno dele os principais movimentos sociais, à semelhança do PT no Brasil. O palanque de Keiko era visivelmente mais técnico. O candidato derrotado Juan Pablo Kuczynski, também um tecnocrata, observou no seu discurso que era o único de terno e gravata ao lado de Keiko. “Vamos unir a cabeça ao coração”, disse.

Com a ligação interoceânica, uma estrada de 2 mil quilômetros entre Acre e Ilo, na Costa do Pacífico, tende a crescer no país a parceria com o Brasil.

Dois peruanos revelam o estado de divisão do país. David, um ex-policial, comprou um carro e hoje atende a executivos no aeroporto de Lima. “Voto em Keiko porque temo que o progresso seja interrompido.” Juan, que trabalha fazendo bicos, afirmou que votaria em Humala, pois o “país está bem e é uma boa hora para mudanças”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Andrei Netto, no Estadão:
Seja qual for o resultado das eleições legislativas de hoje, em Portugal, o projeto de governo a população já conhece: a austeridade. O candidato do Partido Social-Democrata (PSD), Pedro Passos Coelho, e o atual premiê, José Sócrates, do Partido Socialista (PS), terão a mesma plataforma de administração: a cartilha de rigor da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O beco sem saída no qual os portugueses se meteram ficou claro quando Passos Coelho, recém alçado a líder da oposição e candidato ao posto de primeiro-ministro, foi obrigado a concordar com os termos do plano de austeridade exigido pela trinca - UE, Banco Central Europeu (BCE) e FMI - em troca do socorro de ? 78 bilhões.

Em seu último discurso de campanha, na noite de sexta-feira, em Lisboa, ele disse que a cartilha das três instituições foi a única alternativa de enfrentar o déficit público de 9,1% e a dívida de 93% do Produto Interno Bruto (PIB) - ou ? 160,4 milhões. “Nós sabemos que Portugal não está bem”, afirmou, minutos antes de assegurar aos investidores internacionais: “Deixem-me garantir que cumpriremos até o último euro todos os acordos firmados.”

Diante da estratégia da campanha do PS de vender o atual primeiro-ministro como o único capaz de garantir que o país deixaria o fundo do poço sem um default das dívidas soberanas, Passos Coelho foi obrigado a engolir os planos de austeridade que ele próprio criticava. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Epa! Vamos lá. José Roberto Batochio, nascido na boa terra de Dois Córregos, um celeiro de bravos, é advogado do ministro Antonio Palocci. Como tal, tem a obrigação de defendê-lo. Mas vamos com calma aí.

Ele classificou a reportagem da VEJA desta semana — que mostra que seu cliente aluga um apartamento que pertence a uma empresa de fachada, que está em nome de laranjas — de “uma temeridade” e “um despropósito” por supostamente atribuir ao inquilino responsabilidades que deveriam ser cobradas da administradora do imóvel.

Errado! Se eu pedir ao meu conterrâneo que aponte um trecho, uma linha que seja, que atribui tal responsabilidade a Palocci, então eu lhe darei razão. Se não encontrar, então é preciso voltar a beber aquela boa água, que refresca o juízo.

VEJA cumpriu a sua obrigação. Informou o que, convenham, não é a mais usual das ocorrências. Especialmente porque, sendo Palocci quem era à época em que alugou o apartamento — ex-ministro plenipotenciário e consultor de sucesso —, alguns cuidados se fariam necessários. Quando menos, Batochio há de admitir, a reportagem prestou um serviço ao ministro. Com esse pouco cuidado, hora dessas, ele acaba alugando apartamento de gente ainda mais suspeita. Todos sabemos como imóveis são uma das formas mais freqüentes de lavagem do dinheiro ilegal.

A assessoria de Palocci também divulgou uma nota, que segue abaixo. Volto depois:

1. O imóvel em que vive a família do ministro Antonio Palocci Filho em São Paulo foi alugado em 1º de setembro de 2007 por indicação da imobiliária Plaza Brasil, contatada para este fim;
2. O contrato foi firmado em bases regulares de mercado entre Antonio Palocci Filho e os proprietários Gesmo Siqueira dos Santos, sua mulher, Elisabeth Costa Garcia, e a Morumbi Administradora de Imóveis;
3. O contrato foi renovado em 1º de fevereiro de 2010 entre Antonio Palocci Filho e a Morumbi Administradoras de Bens, sucessora da Morumbi Administradora de Imóveis;
4. Os alugueis são pagos regularmente através de depósitos bancários, dos quais o ministro dispõe de todos os comprovantes;
5. O ministro e sua família nunca tiveram contato com os proprietários, tendo sempre tratado as questões relativas ao imóvel com a imobiliária responsável indicada pelos proprietários;
6. O ministro, assim como qualquer outro locatário, não pode ser responsabilizado por atos ou antecedentes do seu locador;
7. A revista não informou o teor da reportagem ao ministro ou a sua assessoria, motivo pela qual estes esclarecimentos não constam da reportagem.

Voltei
Tudo sendo mesmo assim, Palocci tem de dar um esculacho na imobiliária que o levou a morar num apartamento tão difícil de explicar (ver posts abaixo). Mas há uma informação objetivamente errada na nota, que respondo com um trecho da reportagem de VEJA:
“VEJA questionou o ministro Palocci, por meio de sua assessoria de imprensa, sobre o locador do imóvel do Ibirapuera, o valor do aluguel e a quem são feitos esses pagamentos. Não houve resposta”.

Por Reinaldo Azevedo

Por João Domingos e Leonencio Nossa, no Estadão Online:

A situação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, piorou muito depois da entrevista que ele concedeu ao Jornal Nacional, na sexta-feira. E se agravou ainda mais depois da divulgação, pela revista Veja, de que o apartamento de 640 metros quadrados que Palocci aluga, em São Paulo, seria de uma empresa dirigida por laranjas, um de 23 anos, outro de 17.

A presidente Dilma Rousseff teve uma reação de desânimo depois de ver a entrevista, de acordo com informações de bastidores do Palácio do Planalto. E teria comentado que Palocci ficou devendo respostas a respeito da lista de clientes, que, segundo ele próprio, foram entre 20 e 25.

No Planalto já se fala que agora o governo deve entrar num clima de transição na área política. Petistas que foram à festa de filiação do deputado Gabriel Chalita ao PMDB, em São Paulo, chegaram a dizer que a situação de Palocci se tornou “insustentável”.

Antes mesmo da entrevista do titular da Casa Civil para esclarecer suspeitas de enriquecimento ilícito, Dilma e auxiliares mais diretos avaliavam que o ministro não conseguiria reverter a sua situação pessoal nem a de engessamento do governo.

O ministro Gilberto Carvalho, que ocupa atualmente a apagada pasta da Secretaria-Geral, vem tentando ocupar um pedaço do “vácuo” nas interlocuções do Planalto com setores da base aliada na falta de Palocci, disseram auxiliares de Dilma.

Carvalho sempre é lembrado pelo contato direto com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maior fiador de Palocci no governo. Carvalho também mantém boa relação com dirigentes do PT contrários à permanência de Palocci, que reclamam da nomeação de aliados para cargos que disputam na aliança partidária governista. A participação ativa de Carvalho na busca de saídas para a crise não se limita a negociações com petistas. Dilma encarregou o ministro de manter conversas permanentes com o vice-presidente Michel Temer e líderes do PMDB.

Por Reinaldo Azevedo

O leitor da Folha Online que não tenha lido a reportagem da VEJA sobre o apartamento em que mora Palocci e fica apenas com a informação abaixo pode se atrapalhar. Leiam. Volto em seguida com alguns fatos que iluminam a questão:

Donos de imóvel alugado por Palocci negam laranjas no negócio

Por Flávio Ferreira:
Os proprietários do apartamento que o ministro Antonio Palocci aluga em São Paulo disseram à Folha que a empresa em nome da qual o imóvel foi registrado não é administrada por laranjas. A revista “Veja”, em sua edição desta semana, apontou que um dos sócios da empresa vive na periferia de Mauá (SP) e teria admitido ser laranja da companhia. O comerciante Gesmo Siqueira dos Santos, um dos donos do apartamento, disse que a empresa foi transferida para seu filho e um sobrinho, que foi o entrevistado pela “Veja”, para evitar que seus problemas financeiros contaminassem seus negócios.

Segundo Santos, o imóvel foi adquirido com recursos de vários parentes. Ele afirmou que a administração e a renda do aluguel do apartamento são compartilhados entre os familiares. Santos disse ainda que não conhece Palocci pessoalmente e a negociação da locação foi feita por uma imobiliária. Em nota divulgada ontem, a Casa Civil informou que Palocci tratou do aluguel do apartamento com imobiliárias e nunca teve contato com os donos do imóvel. O apartamento, localizado numa área nobre de São Paulo, é avaliado em R$ 4 milhões por corretores.

Voltei
1 - Em primeiro lugar, uma questão de texto. Por que o redator recorre ao futuro do pretérito? Dayvini Costa Nunes não “TERIA” admitido ser laranja. Ele ADMITIU ser laranja. É pretérito perfeito.

2 - O texto da Folha omite que o “comerciante” Gesmo Siqueira responde a 35 processos por fraude de documentos, adulteração de combustíveis e sonegação fiscal.

3 - Também se omite a informação essencial de que, procurado uma primeira vez pela reportagem, Dayvini afetou indignação e disse não saber de nada, muito menos que fosse laranja de uma empresa de fachada, que não existe.

4 - No dia seguinte (ontem), ligou para a revista para afirmar que tinha mentido; que sabia, sim, ser laranja. Suas palavras foram estas:
“Desde que você falou comigo, não consigo dormir, por causa dessas coisas que envolvem pessoas com quem não tenho como brigar, como o Palocci, entendeu? Eu não tenho como bater de frente com essas pessoas. Sou laranja.”

5 - A Folha também omite que Dayvini foi registrado como beneficiário de uma hipoteca de R$ 233.450, e o apartamento foi dado como garantia, sendo depois transferido para sua “empresa”. Muito bem: o imóvel vale a bagatela de R$ 4 milhões.

6 - Dono de empresa de fachada é “laranja”. Aliás, o próprio Dayvini disse (em vez de “teria dito”): “Sou laranja”.

Por Reinaldo Azevedo

O senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, concede uma excelente entrevista a Gustavo Ribeiro, nas “Páginas Amarelas” da VEJA desta semana. Admiro a sua atuação política, como sabem os leitores deste blog. Nem sempre concordo com ele, é fato. Mas sempre lhe reconheço a argumentação consistente e corajosa. Está entre as pouquíssimas vozes do Congresso que dizem o que pensam com clareza, sem temer os “aiatolás” de causas privadas tornadas autoridades públicas. Demóstenes afirma, e eu concordo plenamente, que um dos males do país são as oposições, muitas vezes, querem se parecer com o governo. Defende, entre outras tantas, algumas das boas causas: maior rigor penal contra o crime, fim das cotas raciais e um “não” peremptório à descriminação das drogas.

Abaixo, transcrevo alguns trechos da entrevista.
*
Demóstenes Torres (DEM-GO) não nega o rótulo de direitista, ao contrário de muitos parlamentares. O ex-procurador de Justiça ganhou notoriedade pela contundência com que critica o avanço do Executivo sobre as prerrogativas do Congresso e pela defesa aberta de bandeiras consideradas conservadoras e impopulares. Com o mesmo vigor com que levanta a voz contra o governo, também combate a política de cotas raciais para o ingresso nas universidades e a expansão irrestrita de programas assistencialistas, como o Bolsa família. Líder do DEM no Senado, Demóstenes defende a idéia de que a profunda crise pela qual passa o partido - com seu pior desempenho nas urnas, no ano passado, e a migração de parlamentares para o recém-criado PSD de seu ex-correligionário Gilberto Kassab - deve servir de gatilho para a afirmação da legenda como representante da parcela conservadora da sociedade.

CONGRESSO E DEMOCRACIA
O Congresso tem sido palco de sucessivos escândalos. Ainda assim, não há iniciativas para eliminar as más práticas. Por quê?
(…)
Foram tantas as CPIs que o governo impediu que tivessem qualquer resultado prático que o Parlamento se acomodou e hoje é diretamente mandado pelo Poder Executivo. E não é só por causa do reduzido número de parlamentares na oposição. É porque realmente os congressistas não querem apurar a conduta de nenhum colega e não querem fiscalizar o governo. Vivemos um momento crítico, de total submissão. De um lado, temos o Executivo mandando por meio de medidas provisórias e, de outro, o Congresso sem cumprir sua obrigação, a ponto de a quase totalidade das leis aprovadas ter origem no Palácio do Planalto. No fim das contas, o Congresso se comporta bovinamente.
(…)
O que falta, afinal, para a oposição agir como oposição?
Os partidos devem se fortalecer. Eu defendo a idéia de que o DEM deve abrir as porteiras e deixar sair quem não quiser mais cerrar fileiras conosco. Depois da debandada, temos de nos manter fiéis ao nosso ideário e descartar hipóteses absurdas como uma fusão com o PSDB. Os dois partidos têm origens muito diferentes. Até hoje temos visões antagônicas em determinados pontos. O que devemos fazer é nos aliar e prosseguir juntos.

PALOCCI
Como o senhor avalia o caso que envolve o ministro Antônio Palocci?
Ainda é preciso esclarecer exatamente o que Palocci fez nessa consultoria. O silêncio dele só faz aumentar as suspeitas de que tenha enriquecido ilicitamente. Até porque sua empresa é bastante atípica: tem poucos clientes e um faturamento equivalente ao das maiores consultorias do país. Tudo indica que, depois do escândalo do caseiro, ele novamente tenha caído em tentação. Mais uma vez, a mão forte do governo parece estar pesando sobre o Congresso. Essa tentativa de blindagem que foi arquitetada pela base aliada só transmite duas mensagens: que Palocci realmente deve e que o governo é conivente com as atitudes dele, o que é inconcebível em um país democrático. Todo homem público deve prestar contas à população.
(…)

BANDEIRAS DA OPOSIÇÃO

Quais são elas [as reais bandeiras da oposição]?
Defendemos uma política de segurança pública sem tantos benefícios aos detentos, como indultos e progressão de pena. A violência só refluiu em locais nos quais se aplicaram com rigor as políticas convencionais. É o caso do estado de São Paulo, onde os índices de homicídio diminuem ano a ano. A frouxidão penal é uma lástima e um incentivo para os criminosos. O que me estarrece é que o próprio governo reconhece isso. Na educação, defendemos firmemente o modelo de ensino integral, com incentivos para a pesquisa científica. Nas universidades, as cotas raciais devem ser substituídas por cotas sociais.
 
(…)
Qual é o perigo de um país com uma oposição debilitada?
Um país cujo governo não tem contraponto fica preso a uma “ditadura branca”. O governo passa a controlar a máquina pública de tal forma que estrangula a atividade parlamentar e elimina qualquer forma de fiscalização. Vivemos em um estado de viés autoritário. Além de o Congresso já não funcionar mais. Instituições de controle, como o Tribunal de Contas da União, são constantemente bombardeadas, e o Ministério Público aparenta ter se cansado. Só nos resta o Supremo Tribunal Federal. Não é nossa intenção impedir o governo de agir, mas temos de ter condição de debater suas propostas.
 
(…)

A DIREITA E A DEMOCRACIA
O DEM deve se assumir como um partido de direita?
Não tenha dúvida disso. É um partido que deve representar esse posicionamento conservador, e não ter vergonha disso. O que significa ser de direita? Significa defender o liberalismo, o livre mercado, o mérito e a eficiência máxima do estado. Embora comum, é descabida a associação automática e oportunista que a esquerda faz do pensamento de direita a extremistas monstruosos como Adolf Hitler e a governos de exceção como a ditadura militar. A direita não tem compromisso com a quebra da ordem constitucional. Ao contrário, ser de direita é justamente defender os valores institucionais, como a lei e a democracia. Por isso, a meu ver, ser de direita significa combater o ideário que põe em risco os valores mais nobres da democracia ao pregar o aparelhamento e o inchaço do estado, o desperdício de dinheiro público e o assistencialismo desmedido.

Por que o seu partido não se assume assim?
O termo “direita” foi estigmatizado e associado a posturas retrógradas, sem compromisso com a democracia. Eu defendo a idéia de que todo partido tenha um perfil muito definido e se mantenha coerente com seus princípios. O DEM precisa se assumir como um partido de direita democrático. Eu ficaria muito mal em um casaquinho vermelho, encampando idéias nas quais não acredito. Muitos dos meus colegas de partido rechaçam o rótulo de conservadores. O DEM é o quê, então? Se não podemos nos assumir conservadores, é melhor fundir o partido com um partido de esquerda, então.

COTAS RACIAIS
O senhor acredita que a política de cotas raciais é apenas uma manifestação do assistencialismo desmedido que o senhor condena?
Sim. Sou contra qualquer tipo de cota. Se tivermos de estabelecer um critério, deve-se utilizar a renda. Uma cota social é mais justa que a racial. Os tribunais raciais que foram criados nas universidades são arbitrários. Apesar de reconhecer o sofrimento e a exclusão histórica que a população negra sofreu no Brasil, acredito que o grande problema em nosso país não é racial, mas econômico. O brasileiro é discriminado por ser pobre, e não pela cor de sua pele.
(…)

NÃO À DESCRIMINAÇÃO DAS DROGAS
VEJA publica nesta edição uma reportagem sobre um corajoso documentário que discute a descriminalizacão da maconha. Qual é sua opinião a respeito?
Acho uma bobagem rematada, pois parte do pressuposto de que isso vai acabar com o tráfico. Todos os países que liberaram o consumo de drogas estão voltando atrás, caso de Portugal e Holanda. A droga é a origem de inúmeros crimes, e o usuário não pode ser tratado apenas como uma vítima, uma vez que alimenta esse ecossistema pernicioso. Além disso, a lei já o protege, impedindo o cumprimento de pena. Em vez de liberar o consumo de drogas, o governo deve construir centros dignos de tratamento e reabilitação para viciados.

Leia íntegra da entrevista na revista

Por Reinaldo Azevedo

A VEJA desta semana traz um artigo do psiquiatra e escritor inglês Anthony Daniels, que é parte de um ensaio publicado na revista cultural “Dicta&Contradicta”, que chega às livrarias no próximo dia 17.

Daniels analisa a, por assim dizer, obra literária do terrorista Cesare Battisti. Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal decide se o facinoroso, condenado à prisão perpétua na Itália, fica no Brasil, como querem Lula e os petistas, ou se volta para cumprir pena em seu país, como quer um senso mínimo de decência. Ao mergulhar na obra de Battisti, Daniels encontrou mais do que baixa literatura. Ele pode ter-se deparado com uma forma de confissão. Leiam trecho.
*
(…)
“O primeiro dos livros de Battisti, Les habits d’ombre, pode surpreender os leitores por parecer uma forma esquisita de o autor proclamar a sua inocência perante o mundo. (…), mas em Les habits d’ombre, o protagonista, Claudio Raponi, tem uma trajetória muito semelhante à do próprio Battisti. Membro de um violento grupo esquerdista, foge para a França e, logo em seguida, para o México, de onde volta anos mais tarde para a França. Nesse país, assassina um agente carcerário. Ora, um dos assassinatos do qual Battisti foi acusado é o de um agente carcerário.

Evidentemente é um erro elementar confundir um personagem de romance com o autor do romance, mesmo quando o texto é bastante autobiográfico. Mas Battisti não era um romancista comum numa situação comum. Bem se poderia pensar que ele talvez devesse haver escolhido o seu tema com mais cuidado e tato, evitando, por exemplo, que o assassinato de um agente carcerário fosse um episódio do livro. De fato, estava confessando o crime e negando-o ao mesmo tempo, talvez para provocar ou ridicularizar esse estado burguês em cuja proteção ele se apoiava.

A descrição do assassinato do agente carcerário no seu livro sugere-nos algo da mentalidade de Battisti. O agente é morto a sangue frio, sem receber mais consideração - talvez receba menos, na verdade - que uma barata que se esmaga contra o chão da cozinha. O protagonista, com quem o autor claramente simpatiza e espera que os seus leitores também o façam, não sofre qualquer efeito psicológico por causa do assassinato cometido e continua a sua vida como se tivesse acabado de postar uma carta no correio. O autor parece esperar que também o leitor deixe o incidente para trás.”

(…)

Por Reinaldo Azevedo

Bem, aqui em São Paulo e, parece, também no Rio, “estar de sacanagem com” alguém não é sinônimo daquilo que Macunaíma chamava “brincar”, vocês sabem, aquilo naquilo. Não! Na hipótese benigna, quer dizer que se está “tirando uma casquinha” de alguém; na maligna, age-se para que o outro chegue mais perto do abismo.

Vamos ver.

Michel Temer, vice-presidente da República e grande morubixaba do PMDB, um ninho de patriotas, participou hoje de uma festança na Assembléia Legislativa de São Paulo para comemorar as novas filiações ao partido e praticamente refundar a legenda no estado. A grande estrela é o deputado Gabriel Chalita, que promete escrever seu 8.358º livro relatando essa experiência trans-cen-den-tal. Só escrevo assim, de modo escandido, para encarecer o evento profundo, que marca o “self”. Vocês entendem.

Temer deu uma declaração sobre a entrevista de Antonio Palocci, chefe da Casa Civil, que entrará para a história como um emblema. Um dia, será destacada pelos historiadores como a síntese perfeita. O vice — e não faço aqui nenhum juízo moral, obviamente — deve ser mais inteligente do que parece. Vejam que precisão cirúrgica:
“Ele [Palocci] veio a público dizer o que tinha de dizer. Acho que ele foi muito convincente e teve muita lealdade profissional com seus clientes e com aqueles que serviu”.

Ele é tão sabido que até deve ter dito “a quem serviu”… Notem que Temer exalta a “lealdade profissional” do consultor, não a do político que é chefe da Casa Civil. Daí que a lealdade demonstrada tenha sido “aos clientes” — não à Presidência — porque Palocci, de fato, serviu àqueles, não ao país.

É devastador! Temer considerou as declarações de Palocci “úteis”. Úteis? A quem ou a quê?

Indagado se o ministro fica ou vai, o vice poderia ter dito, e seria razoável, dado o cargo que ocupa, que não haveria razões para sair e tal, que confia no ministro, que é um grande brasileiro… A cascata de praxe. Nada disso!
“A presidente Dilma dispõe de todos os cargos, e não devo ser eu a dizer o que deve ser feito. Não sei se há possibilidade de troca. Sei que a presidente tem muita confiança nele. Confiamos no desempenho dele e nos princípios administrativos que ele tem. Palocci colabora muitíssimo com o governo federal.”

Ou seja: o ministro está no colo de Dilma; o PMDB não tem nada com isso. No máximo, confia em seus “princípios administrativos”. Como se nota, o partido de José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá parece já não endossar os princípios morais do ministro…

Aqui e ali se diz que o PMDB preferiria um Palocci fraco a um demitido porque se tornaria uma espécie de fiador do ministro etc e tal. Acho que não. Se ele fica, é certo que jamais terá a mesma força, mas ainda concentrará bastante poder. Se sai, Dilma ficaria mais dependente das “habilidades” do PMDB.

Então é isto: “Palocci é um homem muito leal a seus clientes”. Está claríssimo.

Por Reinaldo Azevedo
Fala o laranja: "Não tenho como brigar com o Palocci"

Fala o laranja: "Não tenho como brigar com o Palocci"

Se a situação do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, já parecia enrolada, ela se complica bastante a partir de hoje. Reportagem de Leonardo Coutinho na VEJA desta semana mostra que o mega-apartamento que o ministro aluga há quatro anos, em São Paulo, de 640 metros quadrados, pertence a uma empresa de fachada que está em nome de um laranja de 23 anos, que mora em um casebre de fundos na periferia de Mauá, no ABC paulista, ganha R$ 700 por mês e teve o celular bloqueado por falta de pagamento.  Não obstante, ele é “dono” de um apartamentaço com quatro suítes, três salas, duas lareiras, todo ladeado por varandas, avaliado em R$ 4 milhões. Não se aluga um igual por menos de R$ 15 mil; o condomínio chega R$ 4.600, e a parcela mensal de IPTU é de R$ 2.300.

O leitor é uma pessoa boa e luta para pensar sempre o melhor. Que culpa tem Palocci se a empresa que é dona de seu apartamento é de fachada e se aquele que aparece formalmente como dono é um laranja? Pois é… Um “consultor” da sua estatura, com a sua experiência, um dos mais bem pagos DO PLANETA, ex-ministro de estado — o que valorizou muito seu passe, como ele insistiu ontem no Jornal Nacional — deveria ter mais cuidado para saber onde se mete, não é mesmo? As coisas poderiam parar por aqui, e teríamos só uma história de um ministro imprudente, que aluga um apartamento de luxo, cuja soma de gastos supera o seu salário. Mas as coisas não param por aqui!

Preste atenção!
- VEJA resolveu saber quem era o dono do apartamento que o ministro aluga. De acordo com 14º Ofício de Registro de Imóveis de São Paulo, ele pertence à Lion Franquia e Participações Ltda.
- E quem é o dono da Lion? São dois sócios: Dayvini Costa Nunes, com 99,5%, e Felipe Garcia dos Santos, com 0,5%. Felipe tem 17 anos e foi emancipado no ano passado.
- Dayvini e Felipe são laranjas. Leia na revista como ele acabou “dono” do imóvel. A Lion não existe. Usou endereços falsos nos últimos três anos.
- A Lion recebeu o apartamento de um certo Gesmo Siqueira dos Santos, tio de Dayvini, que responde a 35 processos, incluindo falsificação de documentos.

“Não tenho como brigar com Palocci
VEJA encontrou Dayvini com os dados sobre a posse do imóvel e a tal Lion. Ele afetou surpresa, disse que não sabia de apartamento nenhum e até ironizou: afirmou que sua vontade era pegar o imóvel que estava em seu nome, vender, pagar as contas e comprar uma boa casa para a família. Certo!

Ontem, no entanto, Dayvini telefonou para a VEJA para mudar a sua versão. Sim, ele é laranja da Lion, mas afirmou que participou da fraude. Reproduzo trecho da sua segunda entrevista:

VEJA - Um homem ligou dizendo ser seu tio. O que ele quer?
Dayvini - 
Desde que você falou comigo, não consigo dormir, por causa dessas coisas que envolvem pessoas com quem não tenho como brigar, como o Palocci, entendeu? Eu não tenho como bater de frente com essas pessoas. Sou laranja.

VEJA - O seu fio disse que o senhor sabia que era laranja.
Dayvini -
 Ontem, quando você chegou na minha casa, estava um pouco nervoso.

VEJA - O senhor mentiu ontem ou está mentindo agora?
Dayvini -
 Eu menti ontem.

Leia a integra da reportagem na VEJA.

Por Reinaldo Azevedo

Por Vera Rosa, no Estadão:
Na UTI política há 20 dias, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, afirma que não vai exibir os clientes da empresa de consultoria Projeto, mantida por ele de 2006 a 2010, mesmo que o silêncio lhe custe o cargo. “Eu posso até cair, mas não revelo os nomes dos clientes”, insistiu Palocci, em mais de uma ocasião, nos últimos dias.

Na entrevista de ontem ao Jornal Nacional, da TV Globo, o chefe da Casa Civil bateu na mesma tecla, sob o argumento de que há cláusulas de confidencialidade a cumprir. Auxiliares da presidente Dilma Rousseff avaliam, porém, que o sigilo mantido por Palocci pode ter consequências para seu destino dentro do governo.

A estratégia adotada pelo chefe da Casa Civil até aqui - adiando as explicações o máximo possível com o objetivo de desidratar as denúncias de enriquecimento ilícito e tráfico de influência - só fez com que ele perdesse capital político. Pior: Palocci conseguiu irritar Dilma.

“Nós precisamos sair dessa agenda de crise. Você precisa se pronunciar”, disse a presidente ao seu principal ministro, na quarta-feira à noite. Algumas horas antes, naquele mesmo dia, Dilma já havia proibido Palocci de ir ao almoço com o vice-presidente Michel Temer e senadores do PMDB.

Com o chefe da Casa Civil sangrando, ela teve receio de que os aliados do PMDB gravassem, com seus celulares, algum comentário reservado para “vazar” à imprensa. Preparado para se reaproximar dos peemedebistas - após o áspero bate-boca que tivera por telefone com Temer, na semana anterior -, Palocci caiu em depressão quando a presidente vetou sua presença no almoço.

A partir daquele dia, a situação de Palocci só piorou. Vários sinais foram dados pelo governo de que ele estava nas cordas. Para completar, a cúpula do PT o abandonou à própria sorte. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Antonio Palocci também concedeu entrevista a Sérgio Dávila e Valdo Cruz, da Folha, parte dela por escrito. Abaixo, seguem alguns trechos. Indagado sobre a afirmação de Eduardo Suplicy - que contou à imprensa o ministro dissera à bancada petista do Senado ter ganhado R$ 1 milhão assessorando a fusão de duas empresas - ele refuta a informação e diz que o senador negou que tivesse dado aquela declaração. Ele deu. Júlio Mosquera, do Jornal Nacional, fez-lhe a mesma pergunta, como se nota no vídeo, e ele assentiu, admitindo ter feito a consultoria. Não podendo contar o que aconteceu, Palocci começa a ter muitas versões e acaba ficando sem nenhuma. Seguem trechos:
*
O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, afirmou ontem em entrevista à Folhaque não informou à presidente Dilma Rousseff os nomes dos clientes de sua empresa de consultoria, a Projeto, nem a natureza dos serviços que ela prestou. “Não entrei em detalhes sobre os nomes dos clientes ou sobre os serviços prestados para cada um deles”, disse Palocci, em sua primeira entrevista desde que a Folha revelou seu enriquecimento, há duas semanas. Principal auxiliar da presidente desde o início do governo, o chefe da Casa Civil disse que não deu essas informações a Dilma nem quando discutiram o assunto em dezembro, antes da posse, nem depois da revelação de seu enriquecimento. A entrevista foi feita em duas etapas. O ministro primeiro respondeu a um questionário com 20 perguntas. Depois, complementou as respostas respondendo a novas perguntas pessoalmente.
(…)
Folha - O sr. forneceu à presidente a lista dos clientes de sua consultoria antes de assumir o cargo de ministro?
Antonio Palocci -
 Quando fui convidado pela presidente Dilma para assumir o cargo de ministro, comuniquei a ela que era sócio de uma consultoria e que teria que tomar providências a respeito. Antecipei que seguiria as normas e as determinações da Comissão de Ética Pública da Presidência. Não entrei em detalhes sobre nomes dos clientes ou serviços prestados para cada um deles.
(…)
O sr. também não informou a presidente sobre o faturamento da empresa?
 
Não. Não achei que era adequado importunar a presidente com esse tipo de informação, esse tipo de detalhe. O que eu disse a ela claramente era sobre a existência da empresa, o que a empresa fazia, o que eu teria de resolver antes de entrar no governo. Se a empresa continuasse funcionando, haveria conflito de interesses.

E depois que a Folha revelou o faturamento de sua empresa em 2010? 
Não falo sobre faturamento. O faturamento foi 100% informado aos órgãos de controle tributário e todos os impostos foram recolhidos. A Receita nunca multou a Projeto. Nem a Prefeitura de São Paulo. A empresa teve certidões de regularidade na Receita durante todo esse período. Isso para mim é que é o importante. Não acho adequado levar essas informações à presidente.
(…)
Por que o sr. não torna pública a lista de clientes, para que o país saiba se há conflitos de interesse na atuação do principal ministro do governo?

No governo da presidente Dilma não há ministros principais, sou um da equipe.
Nunca escondi minhas atividades de consultoria. A empresa [Projeto] sempre esteve registrada em meu nome e de meu sócio na Junta Comercial, com seu objeto social, sede e demais dados disponíveis para consulta de qualquer pessoa. Lembro-me que jornais e revistas chegaram a noticiar algumas das atividades que realizei como consultor.
(…)
Quanto à lista de clientes, é praxe que as relações comerciais entre empresas privadas sejam regidas pela confidencialidade. Isso ocorre por várias razões, inclusive pela sensibilidade empresarial das informações envolvidas e para proteger as estratégias de negócios dos clientes. Além disso, seria irresponsabilidade da minha parte expor, neste contexto de embate político, um conjunto de empresas renomadas em seus setores.
(…)
O sr. sente-se impedido de lidar na Casa Civil com assuntos de interesse da WTorre?
 
Quanto à minha atuação como ministro, estou submetido a regras específicas para evitar conflito de interesses e à Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Sigo e seguirei todas as recomendações e normas à risca.

Se algum representante da WTorre tiver um problema para resolver na Casa Civil, como o sr. acha que deve ser seu comportamento? 
Não vou falar sobre isso.
(…)
O senador Eduardo Suplicy disse que o sr. participou de uma operação de fusão de duas empresas em que sua consultoria teria faturado R$ 1 milhão. Que negócio foi esse? Sua consultoria trabalhou para viabilizar a operação no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)?
 
O senador negou publicamente que tenha afirmado isso. Na conversa que tive com os senadores do PT expliquei, como fiz ao procurador-geral da República e faço agora, o funcionamento da empresa e dos contratos. Naquela oportunidade falei sempre em tese e não sobre um ou outro episódio concreto. Como já disse, a Projeto nunca atuou junto a qualquer outro órgão público na defesa de seus clientes.

Mas o sr. trabalhou em operações de fusão de empresas? 
Trabalhava em projetos de novos empreendimentos. Uma vez ou outra, esses novos empreendimentos poderiam ser a aquisição de empresas.
(…)
Quantos contratos a Projeto assinou, quanto faturou e quanto lucrou desde o início de suas atividades?
 
O faturamento da empresa, mês a mês, em todos os seus detalhes, foi devidamente informado aos órgãos fiscais competentes, junto com o recolhimento de todos os tributos devidos.
(…)
O que o sr. fez com o dinheiro que sobrou depois que o sr. gastou R$ 7,5 milhões para comprar um apartamento e um escritório em São Paulo?
 
Desde dezembro de 2010, os recursos financeiros da Projeto passaram a ser administrados por uma instituição especializada. Por contrato, é padrão que a gestão dos recursos nesses casos seja feita sem qualquer consulta à empresa ou seus sócios, seguindo unicamente os critérios técnicos escolhidos pela instituição gestora. Ou seja, não interfiro de qualquer modo no destino dos recursos. Esta medida foi tomada para evitar qualquer conflito de interesses e foi informada à Comissão de Ética Pública logo que assumi o ministério.

O sr. aplicou todo o seu dinheiro no país ou remeteu uma parte para o exterior? 
Todos os recursos foram aplicados no país. A Projeto não tem qualquer conta ou aplicação fora do país. Como pessoa física também não tenho recursos no exterior.
(…) 
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Valdo Cruz, na Folha:
Diante do agravamento da situação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil), a presidente Dilma Rousseff passou a analisar não só nomes para substituí-lo como a estudar mudanças no perfil dos titulares do cargos núcleo-duro do Palácio do Planalto. Segundo a FolhaFolha e à TV Globo.
 apurou, ela cogita, num cenário de queda de Palocci, trocá-lo por um ministro de perfil “técnico”, o que assessores da presidente tratam reservadamente como escalar uma “Dilma da Dilma”. Os nomes citados são o da ministra Miriam Belchior (Planejamento) e de Maria das Graças Foster, diretora da Petrobras. Foster, no início do ano, durante a montagem do governo, constou da lista de ministeriáveis. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, também é cotado entre assessores presidenciais como possível substituto de Palocci. Apesar de considerar o momento delicado e grave, Dilma mantém seu apoio ao ministro, mas avalia que o futuro dele vai depender da repercussão das entrevistas dadas à

Caso a repercussão seja negativa e a crise se agrave, Dilma, segundo assessores, espera que Palocci peça demissão, principalmente se a Procuradoria-Geral da República decidir abrir inquérito para investigá-lo. Na hipótese de Palocci sair e a Casa Civil voltar a ser mais técnica, a presidente também deverá trocar o ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais) por um nome com mais trânsito político. Nesse caso, o ministro Alexandre Padilha, hoje na Saúde e que já comandou a pasta no governo Lula, é considerado o nome ideal. Outro cotado é o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), abrindo espaço para uma composição interna dentro do PT, em guerra desde o início do ano por conta da disputa pela presidência da Câmara. Outra hipótese, defendida por aliados, é a presidente entregar a articulação política a outro partido da base que não o PT. A pasta poderia ser entregue ao PMDB, na busca de evitar que o aliado trabalhe contra o governo como ocorreu na votação do Código Florestal na Câmara. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Na Folha:
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou ontem, em encontro com dirigentes petistas em Salvador, que o principal partido de oposição do país é a “grande imprensa”. No discurso, ele não citou diretamente a crise política que envolve o ministro Antonio Palocci. Para Padilha, a imprensa deveria fazer reportagens sobre assuntos “positivos”, como o plano do governo federal de erradicação da pobreza extrema, em vez de tratar apenas de “problemas”. Depois do ministro, o governador da Bahia, Jaques Wagner, falou da importância da coesão do PT, que reuniu 25 dos 27 presidentes estaduais, mesmo em “momento de turbulência”. Na semana passada, Wagner disse, a uma rádio de Salvador, que a evolução patrimonial do titular da Casa Civil “chama a atenção”. Questionado pela Folha sobre a crise envolvendo Palocci, Padilha disse: “Não falo sobre isso”. Em seguida, o ministro deixou o local sem responder a outras perguntas. Seguranças impediram que a imprensa tentasse se aproximar dele novamente.

As críticas à imprensa se assemelham aos ataques do ex-presidente Lula durante as eleições no ano passado. Lula disse, em setembro de 2010, que “quem faz oposição neste país [...] é determinado tipo de imprensa”. Durante o encontro, considerado tenso entre os presentes, outros culparam a imprensa pela crise. “Palocci tem um histórico de competência que não vai ser manchado com denúncias que não passam de orquestração da oposição, que vem naufragando, e com o apoio da grande imprensa”, afirmou Eliezer Tavares, secretário de comunicação do PT do Espírito Santo. A reportagem entrevistou 13 presidentes de diretórios estaduais do PT sobre um possível afastamento de Palocci do governo. Nenhum deles defendeu o ministro. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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