Ipea em defesa da fome: Instituto quer destruir a agricultura em área equivalente ao Rio Grande do Sul

Publicado em 09/06/2011 14:38 e atualizado em 09/06/2011 19:25 814 exibições
do Blog de Reinaldo Azevedo (veja.com.br)

O que atrapalha a natureza no Brasil são as pessoas! Precisamos eliminá-las...

No post abaixo, demonstro como o Ipea, um órgão oficial, planeja uma fome maoísta no Brasil. Há um dado formidável, veiculado num texto da Folha, que me motiva a lhes fazer uma proposta. Informa-se lá que o Rio Grande do Sul tem algo em torno de 30 milhões de hectares. O passivo ambiental brasileiro seria de 159,6 milhões — ou 5,32 estados do Rio Grande do Sul. Essa é a área que os humanistas verdes, comandados por Marina Silva, querem recuperar para Anhangá, Curupira e a Cuca.

Muito bem. Vou lhes propor um exercício de “geometria mecânica”, digamos assim. Peguem um mapa qualquer do Brasil. Com um papel transparente, copiem o estado do Rio Grande do Sul quatro vezes. Recortem os desenhos e cubram as áreas do Brasil hoje ocupadas pela agricultura (excluam Amazônia, Pantanal e Floresta Atlântica). Pois bem, nessas áreas, cresceria mato em vez de comida. Pelos meus cálculos, não sobrará espaço nem para as cidades que temos hoje e as obras de infra-estrutura, como hidrelétricas.

É o que Marina Silva e os verdes em geral querem para o país. Vamos comer o quê? Creme anti-rugas da Natura, feito com óleos essenciais da baba dos povos primitivos da floresta ancestral, ao som dos tambores dos amigos da natureza do Leblon, da Vila Madalena e das redações.

Descobri: o que atrapalha a natureza no Brasil são as pessoas. Precisamos eliminá-las.

Por Reinaldo Azevedo
Ipea em defesa da fome: Instituto quer destruir a agricultura em área equivalente ao Rio Grande do Sul. Denunciem este crime contra os brasileiros!

Estranhou o título? Eu explico. É um exercício de lógica.

Desde que o relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para o novo Código Florestal foi aprovado na Câmara, na noite de 24 para 25 de maio, produziram-se, em duas semanas, mais estatísticas sobre desmatamento do que em 510 anos de Brasil. Todo santo dia há uma nos jornais. Faz parte do esforço de satanização do código, que tem de ser odiado pelos brasileiros sem nem mesmo ser conhecido.

Sabem o que constatei, leitores, andando por aí? Ninguém leu o texto de Aldo, jornalistas muito menos. Se você tenta debater um aspecto ou outro, o interlocutor faz aquela cara de terreno baldio. Coitado! Ele acredita que Marina Silva é uma pessoa naturalmente boa, da floresta, e, pois, seria incapaz de dizer alguma incorreção sobre o texto.

Muito bem! Por que afirmo que o Ipea, que é um órgão oficial, quer destruir a agricultura numa área equivalente à do Rio Grande do Sul? Porque é o próprio instituto quem o anuncia. A reportagem está na Folha de hoje, embora os repórteres, ambientalmente corretos e matematicamente distraídos, não tenham se dado conta do que informavam. Leiam o que vai em vermelho. Volto em seguida:

Por Nádia Guerlenda Cabral e Claudio Angelo:
A isenção de reserva legal proposta pelo texto do Código Florestal, em discussão no Senado, deixará pelo menos 30 milhões de hectares de passivo ambiental no Brasil e não resolverá o problema de terras da maior parte das propriedades rurais. A análise é de um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado ontem. O trabalho verificou as implicações do novo código para as áreas de reserva legal, a fração das propriedades a ser poupada do desmatamento.

Os resultados surgem um dia após a presidente Dilma Rousseff ter dito que não negociaria o desmatamento. A crítica do Ipea diz respeito à isenção, proposta pelo texto, da recomposição de reserva legal para os imóveis de até quatro módulos fiscais (o tamanho do módulo chega a 110 hectares na Amazônia). O relator do projeto, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), diz que a isenção visa garantir condições de subsistência aos pequenos proprietários.

Segundo o Ipea, porém, os agricultores com propriedades menores do que um módulo fiscal continuam sem ter onde plantar. Os minifúndios são 65% das propriedades, mas têm 8% da área rural. “Para garantir que esses imóveis tenham no mínimo um módulo fiscal e dar pleno acesso à terra a seus proprietários, seriam necessários 76 milhões de hectares adicionais”, afirma o estudo. “A liberação das áreas de RL [reserva legal] para esses imóveis adicionaria somente 17 milhões de hectares.”

Para calcular a área a ser anistiada, o Ipea usou dados do Incra de 2010, segundo os quais o país tem 571,7 milhões de hectares de imóveis rurais. A área a ser recuperada é de 159,3 milhões de hectares. No caso de isenção para as pequenas propriedades, calculou o Ipea, 29,6 milhões de hectares (quase um Rio Grande do Sul) ficariam dispensados de repor reserva legal. Segundo o instituto, a isenção “pune o proprietário que cumpre a legislação atual”. Isso porque um investidor com a opção de comprar uma fazenda com reserva legal ou outra do mesmo tamanho isenta de reposição escolheria a segunda, que tem uma área de produção maior.

(…)
Voltei
Que as nossas escolas espancam a inculta & bela, isso a gente já sabe. Mas o desastre ainda maior se dá no ensino da matemática. Analfabetos na disciplina vão sendo jogados no mercado de trabalho. E a decisão óbvia de um analfabeto matemático, hoje em dia, é virar ambientalista — no passado, eles aderiam à luta armada. Adiante.

Antes do mérito, quero me divertir um pouco. O Ipea é comandado hoje por Márcio Pochmann, um economista petista, que trabalhava com Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo e fez fama porque era amiguinho de alguns jornalistas. É aquele rapaz que usa camisas com golas chinesas, à moda Mao Tse-Tung. Os modernos chineses não pagam mais aquele mico. Mas Pochmann é um velho “chinês”, não um novo. Fiel ao camarada Mao, ele também quer patrocinar a fome redentora — o comuna matou 70 milhões de pessoas.

Primeira questão elementar
Se o estudo do Ipea fosse verdadeiro, haveria de se supor que essa área equivalente ao Rio Grande do Sul está ocupada com agricultura e pecuária, certo? Segundo entendi, o instituto presidido pelo nosso comuna chinês quer deitar tudo abaixo e largar a terra lá, para que o mato volte a crescer. Em vez de arroz, feijão, fruta e carne, termos Curupira, Anhangá e Cuca! A primeira questão elementar nos diz, então, que “reflorestar” uma área equivalente ao Rio Grande do Sul significa “desagriculturar” (se me permitem o neologismo) uma área equivalente ao Rio Grande do Sul.

Com um raciocínio lógico simples, os repórteres teriam ao menos levantado a questão, em vez de se comportar como porta-vozes de uma causa. Que fique claro: eu sou contra a proposta que vai embutida na tese do Ipea.  Mas não omito dado nenhum.

Segunda questão elementar
O estudo do Ipea é obra de vigaristas intelectuais, vazado para os leitores num texto militante. Está escrito lá: “Segundo o Ipea, porém, os agricultores com propriedades menores do que um módulo fiscal continuam sem ter onde plantar.” É mesmo? E o que isso tem a ver com o código? Por acaso, ele se propôs a fazer reforma agrária? Se esse problema existe, ele tem outra natureza e nada tem a ver com a atividade regulada pelo código, ora essa! Misturam-se alhos e bugalhos.

Na hipótese de que os dados, colhidos no joelho ao longo de duas semanas, pergunta-se: porque os proprietários com um módulo ou menos não teriam onde plantar, então se vai destruir a agricultura e a pecuária dos outros, que têm entre 1,1 e 4 módulos? Quer dizer que ferrar a vida desses proprietários resolve o problema dos outros? Mas Pochmann é da escola chinesa. Mao matou 70 milhões seguindo lógica semelhante. Calma! Ainda falta o melhor.

Terceira questão elementar
Sempre vendendo o peixe podre do Ipea, informam os jornalistas da Folha:
1 - o código impediria a recomposição florestal de uma área de 30 milhões de hectares, equivalente, dizem, ao estado do Rio Grande do Sul;
2 - o Ipea quer que essa área volte a ser mato;
3 - o Ipea diz que, para resolver o problema dos pequenos agricultores, são necessários “76 milhões de hectares adicionais”;
4 - estando certos os números do Ipea, então o Brasil precisa desmatar uma nova área equivalente a dois estados e meio do Rio Grande do Sul para dar condição aos pequenos agricultores, certo?
5 - É claro que o chinês do Ipea dirá que não! Ele vai propor uma reforma agrária mais radical, entenderam? Aquela que Mao Tse-Tung fez na China…

Canalhice numérica
Há uma outra canalhice política e numérica no tal estudo. Aldo Rebelo diz, e com razão, que não impor reflorestamento a quem tem até quatro módulos protege os agricultores pobres. O Ipea pretende contestar a afirmação, versão comprada pela reportagem, sustentando que “os agricultores com propriedades menores do que um módulo fiscal continuam sem ter onde plantar. Os minifúndios são 65% das propriedades, mas têm 8% da área rural.” De novo: digamos que seja verdade, isso significa que os agricultores que têm entre 1,1 e 4 módulos deixaram de ser pobres? Tornaram-se latifundiários?

A boçalidade tomou conta do debate. Se eu afirmar que alguém com renda de R$ 300 por mês é paupérrimo, o Ipea, seguindo essa lógica, dirá que estou mentindo porque pobre mesmo é quem tem renda de zero a R$ 70…

O Ipea já foi uma instituição séria, que serviu ao Brasil. Hoje, serve, com raras exceções - há gente boa lá dentro - à ideologia. Marcos Pochamann, com suas camisas chinesas, o transformou num centro de proselitismo ordinário.

Em nome da fome
Vejam o mimo que vai no texto da folha, para encerrar. O país tem 571,7 milhões de hectares em imóveis rurais. O “passivo ambiental” seria de 159,3 milhões. Logo, fazendo como querem esses amigos da floresta, será preciso destruir a agricultura e a pecuária de 28% da área que hoje produz comida. E pensar que esses celerados ditam hoje a pauta de boa parte da imprensa.

Por Reinaldo Azevedo

O dia em que Battisti foi solto, e Palocci, aplaudido de pé

O terrorista homicida Cesare Battisti já está hospedado num hotel de Brasília. Seis ministros do Supremo Tribunal Federal — Luiz Fux, Carmen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto e Marco Aurélio de Mello — assim decidiram. Condenado à prisão perpétua na Itália em julgamento legítimo, na vigência de todas as prerrogativas próprias a um estado democrático e de direito, ele fugiu, teve negado o seu apelo à Corte Européia de Direitos Humanos e encontrou, finalmente, abrigo no Brasil. Volto ao tema no post abaixo deste. Quase ao mesmo tempo, naquela mesma Praça dos Três Poderes, Antonio Palocci se despedia da chefia da Casa Civil, e Gleisi Hoffmann assumia o seu lugar. Ao chegar à solenidade de posse da nova ministra, os presentes se levantaram e aplaudiram de pé o já ex-ministro. Era mais do que o simples reconhecimento pelo seu trabalho. Ali estava também um desagravo. Dilma Rousseff, a presidente da República,  não teve comportamento mais prudente, como se verá.

E quem havia agravado o ministro? A verdade! Ao menos o que se sabe dela, já que parte diz respeito ao que Palocci pretende seja “sigilo profissional”. Afinal, como lembrou com ironia eloqüente Michel Temer, vice-presidente da República, “Palocci demonstrou lealdade a seus clientes”. Por isso mesmo, a lista das empresas às quais ele prestou serviço permanecerá secreta. Não é da conta dos brasileiros; coisa do empresário Palocci.

A política brasileira tem, sim, muitos vícios, alguns bem antigos, que antecedem a chegada do PT ao poder. Eram e são males profundos, que não se removem facilmente. Basta, no entanto, que a sociedade se eduque no cumprimento da lei e na exigência do seu cumprimento, e haverá sensível melhora. Apelemos a personagens para que o assunto ganhe concretude. Vejam o caso de Paulo Maluf, que ainda está por aí, exercendo uma influência não mais do que marginal no processo político. Criou-se na ditadura, ganhou sobrevida na democracia, mas não chegou a constituir um projeto de poder, uma quase escola de pensamento, uma “ética”. O homem era um romântico naquela arte em que o PT se tornaria um especialista. Maluf é uma espécie de “herói” solitário naquela sua “profissão”, não a política. O PT já é um sistema.

Notem: sempre que Maluf foi acusado de alguma coisa, mesmo diante da evidência escancarada do malfeito, a sua reação inevitável era esta: “Não fui eu!” Aparecia grana na Suíça em seu nome? “Se tiver dinheiro lá em nome de Paulo Maluf, podem retirar”. Vale dizer: em seu estonteante mau gosto político, ético e moral, ele teve o bom senso ao menos de nunca tentar nos convencer de que o crime é uma virtude. Ele sabe que o errado é errado e que o certo é certo. E sabe que a gente sabe. Então ele… nega! Sem que a Justiça lhe tenha dado, certamente, o tratamento merecido, o fato é que se tornou um político marginal, reduzido à expressão quase folclórica. Se os juízes não conseguiram tirar de circulação, os eleitores o fizeram, restando alguns poucos fiéis, suficientes para elegê-lo deputado, mas não para lhe dar o poder. Quando morrer, levará consigo uma técnica e uma “tecnologia”, intransferível em muitos aspectos.

Outra natureza
O petismo é de outra natureza, e agora caracterizo melhor o que considero a sua contribuição original ao estoque de vícios antigos.  O PT, desde sempre, apresentou-se como um partido da ordem, porém hostil a ela. Mesmo no poder, decide quais leis são postas em prática e quais não são; quais merecem a atenção diligente do estado e quais não merecem. E como foi que o partido logrou êxito nesse empreendimento? Distinguindo, no ambiente público, as “verdades que são da lei” das “verdades que são da política”, de sorte que esta abrigaria práticas que, embora não consagradas naquela, devem ser mais do que toleradas; devem mesmo ser consagradas.

Não é por outro motivo que todos — eu disse “TODOS” — os mensaleiros e aloprados estão de volta ao partido, recebidos com festa e deferência. Eles fizeram coisas que, para o petismo, são condenáveis apenas na esfera legal, mas não na esfera política. Alguém poderia indagar: “Mas por que isso é diferente de Maluf? É a mesma coisa!” Não! Para os petistas, a infração legal é uma necessidade imperiosa do jogo; é ela que rompe o círculo do conservadorismo cultivado por seus inimigos, todos comprometidos com o atraso, entenderam? Um Maluf nega que tenha transgredido a lei; um petista tentará provar que só o fez para o bem do Brasil e dos brasileiros e em nome de um futuro glorioso. Não existe, em suma, interdição legal, moral ou ética para um petista. A necessidade do partido dita a sua ação.

Em seu discurso de despedida, depois de aplaudido de pé logo à chegada, Palocci evocou a recusa de Roberto Gurgel, procurador-geral da República (personagem muito saliente também no caso Battisti; já falo a respeito), de determinar a abertura de inquérito para investigar seu súbito enriquecimento. Tomou aquele texto como evidência de que não transgrediu nenhuma regra. Nesse particular, apelava ao procurador-geral para se sair à moda Maluf: “Não fiz nada; não fui eu”. Mas soltou a frase fatal, que, afinal, evidenciava que ali estava um petista algo diferenciado — bonachão, boa-praça, bom papo, “de mercado” —, mas petista ainda assim. Mandou ver:
“O mundo jurídico não trabalha no mesmo diapasão do mundo político”. Bingo!

Se, tradicionalmente, os petistas se criam sustentando a legitimidade política de certas ações, ainda que elas sejam ilegais, Palocci submetia essa oposição a uma ligeira torção, mas mantendo sempre a suposta contradição: estaria deixando a Casa Civil porque, embora nada houvesse de legal contra ele (o “mundo jurídico”), havia  uma interdição de natureza política. Que gente formidável! Se, tradicionalmente, o PT sempre usou a legitimidade para apontar o caráter falível da ordem jurídica, Palocci usava a ordem jurídica para apontar o caráter falível da política. De hábito, o PT se mostra hostil à lei em nome da verdade política; ontem, Palocci se mostrava hostil à política em nome da verdade da lei. A muitos não terá escapado que o que chamava de “mundo jurídico” era só a decisão do procurador-geral a República, polêmica para dizer o mínimo. Afinal, dela se extrai como corolário que um corrupto que pague impostos — estou falando em tese — pode se criar no moto-contínuo da corrupção: nada se investiga porque não há indícios, e não há indícios porque nada se investiga.

E por que Palocci caiu? Como Roberto Gurgel não se interessou pelo seu caso, ele, então, chama de coisa do “mundo da política” o fato de ter se tornado um robusto milionário em quatro anos, tendo recebido parte da fortuna — R$ 20 milhões — em ano eleitoral, R$ 10 milhões dessa bolada quando já organizava o futuro governo. COISA DO MUNDO DA POLÍTICA, A SER APLAUDIDA DE PÉ!

O mau passo de Dilma
Depois de ter demonstrado um comportamento omisso e errático na crise — e que se expõe, a meu ver, na escolha de Gleisi Hoffmann para a Casa Civil —; depois de ter permitido que Lula irrompesse na cena política como condestável da República; depois de ver seu próprio partido refugar no apoio àquele que era, na prática, o seu primeiro-ministro, Dilma toma uma decisão. Nesta quarta-feira, ao se despedir de Palocci, afirmou:
“Eu estaria mentido se dissesse que não estou triste. Tenho muitos motivos para lamentar a saída de Palocci. Motivos de ordem política, pelo papel que desempenhou na minha campanha, administrativa pelo papel que tinha e teria no meu governo. Motivo de ordem pessoal pela amizade que construímos.”

As palavras fazem sentido. Nos discursos, fazem história. Ao afirmar “eu estaria mentindo se…”, Dilma está admitindo que, dado o que Palocci fez, ela não deveria estar triste coisa nenhuma. Ali estava uma demissão por mérito. Muito humana, no entanto, ela se entristecia. E sua voz ficou embargada, o que foi destacado nos telejornais. Como notei aqui, depois de assistir à reportagem do Jornal Nacional, não tive dúvida: víamos tombar um herói. Parecia cair porque virtuoso demais!

A emoção de Dilma levou os presentes a um segundo desagravo. Mais uma vez, levantaram-se todos e aplaudiram de pé! E, aí, Dilma deu o grande mau passo: olhando para Palocci, com as mãos ligeiramente estendidas em sua direção, ela também o aplaudiu. E ISSO, DEFINITIVAMENTE, DEPÔS CONTRA A PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

Poderia, em privado, aplaudir Palocci “politicamente, administrativamente e pessoalmente”, mas jamais em público. Presidentes não são macacas de auditório; presidentes não são claque; presidentes não fazem desagravos pessoais a subordinados que estão deixando o cargo porque não têm condições éticas de continuar. Ao fazê-lo, Dilma estava aplaudindo mais do que um homem; aplaudiu também um método, que, como se percebe, não pode ser trazido à luz da República.

Palocci se faz, assim, um homem singular dentro daquela singularidade petista que caracterizei aqui. Envolvido num crime contra uma garantia constitucional — a quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa —, foi reabilitado, ganhou alguns milhões e se tornou a principal figura do governo Dilma. Tendo caído uma segunda vez,  parte do mundo político e da imprensa, de novo, prestou-lhe reverência, como se, antes e agora, sua queda não tivesse sido determinada por escolhas que ele próprio fez.

A corrupção do PT vai muito além de questões que dizem respeito aos cofres públicos. Corrompem-se os costumes. Corrompe-se a própria noção do certo e do errado. E por isso muitos aplaudiram o ministro de pé, inclusive a presidente da República.

Por Reinaldo Azevedo
Battisti, o homicida - Seis ministros do Supremo fazem do Brasil, a partir de hoje, o Cafofo do Osama

Acompanhei ontem a sessão do Supremo Tribunal Federal que acabou resultando na liberdade do homicida Cesare Battisti. Condenado à prisão perpétua pelo assassinato de quatro pessoas, em circunstâncias que evidenciam, ademais, asquerosa covardia, o facinoroso é agora hóspede de nossa generosidade, de nosso bundalelê jurídico. Escrevi vários posts a respeito.

Cumpre lembrar rapidamente: então ministro da Justiça, contrariando parecer do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), Tarso Genro concedeu refúgio a Battisti, condenado por crime comum na Itália. Tarso apelou a algumas falácias para tomar a sua decisão: como se fosse corte revisora da Justiça italiana, apontou vícios nos processos que resultaram na condenação — que se provaram falsos! — e acusou a Itália de viver, à época, um período de exceção. Também é mentira. Tratava-se, como se trata, de um estado democrático. Alegou ainda que, se devolvido à Itália, Battisti correria o risco de sofrer represálias.

A República italiana apelou ao Supremo, e o tribunal entendeu que a concessão do refúgio era ilegal. Numa votação confusa, ficou decidido que caberia ao presidente decidir pela extradição de Battisti “nos termos do tratado” existente entre os dois países. Lula decidiu manter Battisti no Brasil CONTRA O TRATADO e contra decisão do próprio Supremo.

Seis ministros — Luiz Fux, Carmen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto e Marco Aurélio de Mello — entenderam que o presidente da República decide soberanamente se concede ou não refúgio. A ser assim, como bem lembrou Cezar Peluso, STF para quê? Para atuar como mero “parecerista” do Executivo, sendo, ainda assim, ignorado por ele? É uma piada!

Gilmar Mendes leu o seu brilhante voto ao longo de duas horas. Todas as teses levantadas contra a extradição foram desmontadas com rigor e método, mas foi inútil. Àquela altura, uma decisão de natureza política já tinha sido tomada. Tanto é assim que, na linha do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, os ministros que soltaram Battisti também entenderam que era inadmissível o recurso do estado da Itália contra a decisão de Lula. Ora, o governo  da Itália só recorreu ao Supremo porque, afinal, há um tratado entre os dois países.

Mas quê! Luiz Fux, que parece estar decidido a se comportar como “Luiz Lux”, resolveu iluminar as mentes com um nacionalismo de tal sorte exacerbado que quase levanto da cadeira e começo a cantar o Hino Nacional. Entendi que, quando um governo estrangeiro, com base em um tratado celebrado com o Brasil, recorre à nossa Suprema Corte, está cometendo uma grave agressão à nossa soberania, uma verdadeira ofensa! Se não me engano, e eu não me engano, o governo brasileiro recorreu à Justiça de Mônaco para extraditar Salvatore Cacciola para o Brasil. Tarso Genro foi pessoalmente àquele principado. No Brasil, a Itália apenas contratou um advogado. O governo brasileiro faz questão que alguém que tenha cometido crime financeiro cumpra pena no país, mas acha uma violência e uma agressão que a Itália queira que um cidadão daquele país, condenado por quatro homicídios, cumpra pena em solo italiano.

Eu discordo frontalmente da opinião dos seis ministros, mas ressalvo que, ao menos, Marco Aurélio de Mello e Carmen Lúcia limitaram-se a argüir a discricionariedade do presidente da República para extraditar ou não. Acho a tese insustentável, mas entendo seus motivos. Os outros quatro… Definitivamente, enfiaram o pé na jaca! Joaquim Barbosa chegou a chamar a Itália de “potência estrangeira”; em colaboração com Ayres Britto, as autoridades italianas foram tachadas de “algozes”, pessoas que “perseguem” o pobre Battisti. Britto evocou os tais direitos humanos, o que obrigou Mendes a questionar se o que caracteriza um homicida não é, afinal de contas, matar… humanos!!!

Mas quê… Marcando o ritmo de seu discurso com o indicador atuando como um martelinho a escandir sílabas, Fux dizia que também cabia ao Supremo zelar pela soberania do país, que estaria sendo agredida, imaginem vocês, pela “potência estrangeira”, como diria Barbosa, que ganhou o troféu do pior argumento do dia duas vezes! Não contente em fazer uma analogia absolutamente descabida, ele a repetiu com um exemplo ainda pior.

Dada a atual maioria do Supremo, o presidente concede refúgio ou extradita quem bem entender, inclusive criminosos comuns — Battisti foi condenado por crime comum. Basta que, para tanto, o governo brasileiro chame seu ato de “político” e alegue haver “perseguição”. Como bem lembrou Gilmar Mendes, o país que ambiciona um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU diz ao mundo: “Por aqui, tratados bilaterais não valem nada”.

A partir desta quinta-feira, o Brasil se tornou um bom refúgio para larápios de amplo espectro, como se já não bastassem os nativos. Ratko Mladic, o carniceiro sérvio, deveria ter escolhido as nossas praias. O mesmo deveria ter feito Osama Bin Laden. O pessoal do Casseta & Planeta, se antecipando ao Supremo, fez a piada primeiro.

A partir de hoje, o Brasil é o Cafofo do Osama.

Por Reinaldo Azevedo

Sabem aquele “líder” social assassinado no Pará? Era um fugitivo do Maranhão, vivia com nome falso e praticava crimes em assentamentos

Escrevi aqui no dia 3, e foi uma chiadeira danada, que a tal “escalada” de assassinatos contra líderes de movimentos sociais era uma invenção do governo, uma tentativa de usar cadáveres para testar uma agenda positiva, uma forma meio calhorda de “mobilizar” a sociedade para atacar a mudança no Código Florestal, como se uma coisa tivesse relação com a outra. A tal escalada se provaria com um assassinato em Rondônia e quatro no Pará, incluindo o do casal de sedizentes “ambientalistas” Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. Por que “sedizentes”? Porque estavam metidos em disputa por posse de lotes em assentamento. Cláudio era, quando menos, cúmplice num assassinato. Estava, também ele, armado, em companhia do irmão, quando este matou um outro assentado chamado “Pelado”. Nesse caso, a imprensa nem sabe o nome do morto porque, afinal, a vítima não era um “líder social’. O governo da petista Ana Júlia Carepa levou mais de um ano para abrir um inquérito.  Adiante.

Não se tem uma só evidência ainda de que Adelino Ramos, em Rondônia, tenha sido assassinado por causa de conflito de terra. Um dos quatro do Pará, soube-se logo no segundo dia, nada tinha a ver com questões agrárias. Investiga-se a morte do casal, que estava em conflito com os próprios assentados. Sobrou um caso,  o de Marcos Gomes da Silva, que mereceu grande destaque na imprensa. Pois bem, reproduzo reportagem publicada ontem no Portal ORM, do Pará. Marcos era presidiário foragido do Maranhão, não era militante dos “movimentos sociais” e , feito um Zé Dirceu do crime comum, vivia com nome falso: nem sua mulher conhecia sua verdadeira identidade. A notícia, naturalmente, foi praticamente omitida pela chamada “grande imprensa”. O “ambientalismo” e o “sem-terrismo” que tomam conta das redações esconde o que não interessa à causa. Segue, abaixo, a história do herói.
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Homem morto no Pará era fugitivo do Maranhão

O homem morto no dia 1º de junho, na estrada que da acesso ao Assentamento Sapucaia, em Eldorado dos Carajás, município do sudeste do Pará, usava nome falso e era foragido da Justiça do Maranhão. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (8), depois da localização de familiares da vítima em Bom Jardim, localidade da zona rural maranhense. Identificado na ocasião como um lavrador de nome Marcos Gomes da Silva, na verdade ele se chamava João Vieira dos Santos, tinha 33 anos e nasceu no município de Zé Doca, no Maranhão. Ele respondia naquele Estado pelo assassinato de Francisco das Chagas de Albuquerque França, morto a pauladas em 2001.

Na época, João chegou a ser preso, mas fugiu da Delegacia de Zé Doca junto com outros dois presos, em outubro de 2003. No mês da fuga ele havia sido pronunciado pela Comarca Judiciária de Bom Jardim pela autoria do crime. Conforme as investigações, ele fugiu do Maranhão e seguiu para o Estado do Pará, onde passou a viver com nome falso e a morar em diversas cidades, como Goianésia, Tailândia e Marabá, até chegar a Eldorado dos Carajás, há cerca de dois anos.

A identificação foi feita através de fotos. O termo de reconhecimento foi assinado pelo irmão de João. Ouvida em depoimento, a companheira de João, Maria Francisca Silva César, disse que ele não possuía documentos e apenas se identificava como Marcos.

Tatuagens
Também natural do Maranhão, a mulher garantiu que não sabia de qualquer envolvimento do companheiro em crimes naquele Estado. As suspeitas de que a vítima seria fugitivo começaram ainda durante o exame de necropsia no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, em Marabá. O delegado Silvio Maués, diretor de Polícia do Interior, explicou que as três tatuagens encontradas no corpo da vítima levavam a crer que se tratava de um presidiário.

Essas informações foram confirmadas depois que uma equipe da Polícia Civil de Capanema, nordeste paraense, sob o comando do delegado Vicente Gomes, foi ao Maranhão localizar familiares do morto. Os policiais conseguiram uma foto, na qual João Vieira dos Santos aparece algemado durante a reconstituição do homicídio pelo qual respondia. Também foi decisiva para a identificação do morto a coleta de impressões digitais feita no CPC Renato Chaves em Marabá, onde foi possível encontrar a ficha de identificação, certidão de nascimento e o registro em cartório dele na Comarca de Bom Jardim.

Durante as investigações, duas testemunhas ouvidas em depoimento relataram que a vítima era envolvida em crimes na região do Assentamento Sapucaia, onde vivem 26 famílias. Uma das pessoas chegou a ser assaltada por ele. João também é acusado de roubos a caminhões de transporte de cargas.

Para o delegado Rilmar Firmino, já existem linhas de investigação sobre o motivo do assassinato de João Vieira dos Santos. A causa mais provável é vingança. No dia do crime, a vítima foi baleada pela manhã e socorrida por uma moradora do Assentamento. À noite, enquanto ele era levado até o hospital municipal de Eldorado do Carajás, o veículo foi interceptado na estrada por dois homens armados. Os ocupantes foram obrigados a descer do veículo e João foi levado e morto. As investigações do crime prosseguem para identificar e prender os autores.

Por Reinaldo Azevedo
Governo bandido – Evo Morales vai legalizar todos os carros roubados que circulam na Bolívia e ainda espera arrecadar US$ 200 milhões!

Desde o governo do golpista Luiz Garcia Meza, que ficou apenas um ano no poder, no começo da década de 80, a Bolívia não tinha um governo abertamente criminoso. Mas eis que chegou Evo Morales, o querido companheiro de Lula, aquele com quem ele já dividiu palanque e guirlanda de folhas de coca. À Bolívia, o Brasil já deu uma refinaria da Petrobras de presente e financiamento do BNDES para fazer uma estrada que só serve ao transporte de… folhas de coca. Oitenta por cento da cocaína consumida no Bananão vem daquele país. Mas, vocês sabem, seguimos a máxima de Chico Jabuti Alheio: procuramos falar grosso com os EUA e fino com os bolivianos.

Ontem, Dilma anunciou um plano de proteção às fronteiras. É puro factóide. Foi só uma cascata para tentar responder a uma série de reportagens do Jornal Nacional. Do outro lado da linha, na Bolívia, “meu querido Evo” (como Lula chama aquele índio de araque) também agiu: ele sancionou uma lei aprovada por sua turma no Parlamento que, ATENÇÃO!, LEGALIZA TODOS OS CARROS ROUBADOS QUE CIRCULAM NO PAÍS. Noventa por centro deles têm origem no Chile e no Brasil. A maioria vai para Yungas e Chapare, zonas de produção de coca.

Não pensem que Evo é do tipo que não explica as suas medidas. Ele expôs o alcance social da decisão: são carros comprados pelas pessoas pobres por serem mais baratos! Faz ou não faz sentido? E ainda sentenciou: “Todos temos direito de ter nosso carro”.

Severo, o falso índio avisou: “A partir de hoje, os que tiverem carros sem documentos devem apenas registrá-los, num prazo de 15 dias; depois disso, não vamos perdoar”. Uau!!! O governo vai cobrar pela legalização. Esperto, este monumento moral pretende arrecadar uns US$ 200 milhões com taxas. O governo do Chile já decidiu reforçar a vigilância em áreas de fronteira. Vale dizer: cuidem-se, brasileiros! A menos que vocês confiem na competência de José Eduardo Cardozo!

É evidente que uma delinqüência dessa natureza mereceria um protesto formal do Brasil na OEA e naquela porcaria chamada Unasur… Nada vai acontecer. O Brasil compreende os irmãos mais pobres e lhes entrega o patrimonio dos brasileiros.

Por Reinaldo Azevedo
Esses socialistas de mercado são fogo!!! Nova ministra da Casa Civil também deu consultoria empresarial

Por Leandro Colon e Evandro Fadel, no Estadão:
Assim como outros colegas de Esplanada e seu antecessor Antonio Palocci, a nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, também atuou no ramo de consultoria nos últimos anos. Entre 2007 e 2009, ela foi dona de 90% da GF Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda em sociedade com sua irmã, Francis Mari. A sede da empresa virou, até mesmo, escritório político da campanha de Gleisi à prefeitura de Curitiba em 2008, quando ela ficou em segundo lugar.A GF foi aberta no dia 1.º de junho de 2007, segundo dados da Junta Comercial do Paraná. A nova ministra da Casa Civil ficou com 90% das cotas da sociedade e como “administradora” dos negócios da empresa perante órgãos públicos, instituições financeiras e entidades privadas.

Segundo os registros da Junta Comercial, a GF foi criada para atuar no ramo de “assessoria, consultoria, orientação e assistência operacional para a gestão do negócio e apresentação de palestras prestados a empresas e a outras organizações”.

A empresa foi aberta um ano depois de Gleisi deixar a diretoria financeira de Itaipu Binacional, período em que se aproximou de Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia. Na direção de Itaipu, comandou um orçamento anual de US$ 3 bilhões. Partiu da equipe dela a criação do sistema de gestão integrada com o Paraguai. Ela deixou o cargo para disputar, sem sucesso, o Senado em 2006.

Prestação de contas
Apesar da existência da consultoria entre 2007 e 2009, a empresa não aparece na declaração de bens de Gleisi enviada à Justiça Eleitoral em 2008, quando ela foi candidata à prefeitura de Curitiba. Procurada pelo Estado, a ministra informou, por meio de sua assessoria, que abriu empresa para prestar assessoria em gestão empresarial. Alegou que não a declarou à Justiça Eleitoral em 2008 porque seus rendimentos começaram apenas a partir daquele ano. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
“Ativistas” e “passivistas”

Se terrorista que mata pessoas é “ativista”, suas vítimas são o quê? “Passivistas”? Será que não estão errando de militância?

Por Reinaldo Azevedo
Também no G1 terrorista é “ativista”

Ah, sim: no Portal G1, gente que mata inocente para conquistar seus objetivos políticos também é chamada de “ativista”. Por isso, também lá Cesare Battisti é um “ex-ativista”. Doravante, a Al Qaeda tem de ser assim referida no G1: “A organização de ativistas islâmicos Al Qaeda…”

Por Reinaldo Azevedo
BC eleva juros pela 4ª vez consecutiva, para 12,25% ao ano

É, não dá para tratar de tudo ao mesmo tempo. Equipe de um só é fogo, hehe. Fica o registro. Na Folha Online, por Eduardo Cucolo:

O Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) de 12% para 12,25% ao ano. Esse é o quarto aumento consecutivo dos juros, que estavam em 10,75% ao ano no início do governo Dilma. É a maior taxa desde março de 2009, quando a Selic estava em 12,75%. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (8) pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC), já era esperada pela maioria dos economistas. “Dando seguimento ao processo de ajuste gradual das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 12,25% a.a., sem viés. Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012″, diz o comunicado do Copom.

Agora, a expectativa do mercado financeiro é que seja anunciado pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual da taxa, na reunião do Copom marcada para o dia 20 de julho. A previsão dos economistas é que a Selic encerre o ano em 12,50%.

Inflação
O aumento dos juros é parte do trabalho iniciado no final de 2010 para esfriar a economia, colocar um freio no crédito e tentar controlar a inflação, que está hoje no maior nível em seis anos. Dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileito de Geografia e Estatística) mostram que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial que serve de referência para o BC, caiu pelo terceiro mês seguido. O valor acumulado em 12 meses, no entanto, ainda está acima do teto da meta, que é de 4,5% com dois pontos de tolerância.

Nos próximos três meses, a inflação deve cair novamente, mas a previsão é que fique acima do registrado no período entre junho e agosto de 2010, quando os valores estavam próximos de zero. Na semana passada, foram divulgados os dados do PIB (soma dos bens e serviços produzidos no período) do primeiro trimestre, que mostraram desaceleração do consumo. Dados do BC sobre crédito e contas públicas confirmam esse movimento.

Antes de aumentar a taxa básica, o BC já havia anunciado restrições a financiamentos e retirado da economia a última parte do dinheiro injetado na crise de 2008. O governo também anunciou corte de R$ 50 bilhões no Orçamento e aumentou a alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre empréstimos para pessoas físicas.

Juros
A taxa básica determina o custo do dinheiro para os bancos e serve de base para os juros dos empréstimos bancários a empresas e consumidores, cuja taxa média está hoje em 39,8% ao ano. A Selic é também um dos principais instrumentos que o BC tem para tentar controlar o ritmo de crescimento da economia e dos preços. Outras economias emergentes, como China e Rússia, também já elevaram os juros recentemente e adotaram outras medidas para segurar a inflação. As taxas nesses países, no entanto, são mais baixas do que no Brasil, que é o líder mundial no ranking dos juros reais.

Por Reinaldo Azevedo
Dilma faz questão de enfatizar que é, sim, ela quem governa, entenderam???

Por Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, no Estadão Online. O título é meu.

Depois de enfrentar três semanas de desgaste e ouvir críticas de imobilismo e falta de habilidade política, a presidente Dilma Rousseff aproveitou a despedida de Antonio Palocci da Casa Civil nesta quarta-feira, 8, - até então o homem forte do governo, da cota do ex-presidente Lula - para tentar demonstrar reação e retomada do controle do governo. Enfatizou, ainda, que coube a ela própria encontrar a saída para a crise. “Jamais vamos ficar imobilizados diante de embates políticos, pois sabemos travar o embate e, ao mesmo tempo, governar”, disse a presidente.

Em solenidade no Planalto, ela fez questão de dizer que escolheu sozinha a senadora Gleisi Hoffmann para substituir Palocci na Casa Civil: “Assim como estou triste pela saída de um parceiro de luta, não posso deixar de afirmar que estou satisfeita pela solução que encontrei para assegurar a imediata continuidade do trabalho do gabinete civil da Presidência da República”.

Ao contrário de quase todos os pronunciamentos anteriores no Planalto, a presidente não citou Lula. No momento em que a demissão de Palocci é vista como verdadeiro início da gestão Dilma por setores políticos, a falta de referência ao antecessor foi observada por assessores de governo. Em alguns dos 58 discursos feitos no Palácio e durante viagens, ela chegou a citar o ex-presidente três vezes.

Sucessora de Palocci, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) enfatizou a importância da articulação política no governo, apesar de ter sido designada para controlar o aspecto gerencial do governo. “A política dá sentido à técnica, e esta qualifica a política”, disse no discurso de posse.

Hora certa
Em São Paulo, ao participar de um evento na capital, o ex-presidente Lula lamentou a saída de Palocci e colocou nas mãos de Dilma a responsabilidade integral pelas mudanças no governo. “É sempre triste ter que tirar um companheiro. Eu tive que tirar companheiros e é uma tristeza muito grande. Mas acho que a presidenta tem autoridade. Ela fez no momento certo”, disse Lula. Sobre a escolha de Gleisi Hoffmann, Lula economizou palavras, mas referendou o nome: “Se a companheira Dilma escolheu, tá certo”.

Durante a crise, Lula deixou Dilma numa berlinda política depois que se deslocou para Brasília na tentativa de salvar Antonio Palocci, cuja evolução patrimonial sobretudo no final de 2010 levantou suspeitas de tráfico de influência e enriquecimento ilícito. A intervenção de Lula na crise provocou críticas a Dilma pelos opositores e, nos bastidores, pelos aliados por suposta dependência do antecessor.

Por Reinaldo Azevedo

Ideli na coordenação política? Pô, aquela piada do papagaio existencialista é mais engraçada

Ah, meu Jesus Cristinho!

A ex-senadora Ideli Salvatti, do PT de Santa Catarina (ela é de São Paulo, mas nós, os paulistas, já abrimos mão dessa manifestação dadivosa da natureza faz tempo!), voltou a ser cotada para as Relações Institucionais, no lugar de Luiz Sérgio. Uau!

Ideli, conhecida pela habilidade, candura, inteligência, cultura e delicadeza — enfim, todos os dons da natureza mais os ganhos da ventura —, é mesmo a pessoa mais apropriada para o cargo. Como notória coveira de CPIs, por exemplo, ela deixou no Parlamento um rastro de simpatias. É bem verdade que muitos viam em Gleise Hoffmann uma reencarnação de Ideli em novo shape. Dilma deve estar com saudade do original.

Será mesmo? Logo agora? Titular do fabuloso Ministério da Pesca e Consolação, Ideli está indo para o Jardim II no Curso de Reconhecimento de Peixes. Já sabe distinguir uma tilápia de uma piaba sem consultar as anotações.

Olhem, o simples fato de Ideli estar sendo cogitada para cargo tão importante dá conta de que Dilma está perdidaça. Alguém está lhe soprando aos ouvidos que ela precisa criar um ministério com a sua cara. Mas vamos com calma! Ideli já chega a ser um exagero.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

2 comentários

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Caro João Batista, alguém precisa informar urgentemente ao Reinaldo de Azevedo de que o Censo Agropecuário do INCRA é furado e que a área ocupada com cultivo de grãos no Brasil mal passa de 37 milhões de hectares ou seja 4,3% do total e que as florestas cultivadas, a cana-de-açúcar, a fruticultura incluindo café, mais (+) as hortaliças ocupam 18,5 milhões de hectares ou seja 2,2% do total, com a agricultura atingindo 55,5 milhões de hectares ou seja mal e mal 6,5% da área do Brasil. A boçalidade tomou conta do debate como diz o Reinaldo de Azevedo. o desastre ainda maior se dá no ensino da matemática. Analfabetos na disciplina vão sendo jogados no mercado de trabalho. E a decisão óbvia de um analfabeto matemático, hoje em dia, é virar ambientalista — no passado, eles aderiam à luta armada conclui o Reinaldo.

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  • JUSTINO CORREIA FILHO Bela Vista do Paraíso - PR

    Agora entendi porque a Presidente Dilma ficou triste com a saida do Palocci, ele é o unico que têm a formula para acabar com a miséria no Brasil. Afinal ficar milionário em quatro anos realmente é coisa fantástica!

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