A mensagem de Dilma a FHC comprova que a oposição oficial sabe perder como ninguém

Publicado em 13/06/2011 16:43 1073 exibições
da coluna Direto ao Ponto (Blog de Augusto Nunes, de Veja.com.br)

A mensagem de Dilma a FHC comprova que a oposição oficial sabe perder como ninguém

Na campanha de 2002, o candidato apoiado pelo governo, José Serra, avisou que não queria discutir o passado, garantiu que nada teve a ver com a privatização de empresas estatais e fez de conta que conhecia só de vista o presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na campanha de 2006, o candidato da oposição, Geraldo Alckmin, avisou que queria discutir apenas o futuro, garantiu que passaria nas armas quem ousasse privatizar a Petrobras e, para mostrar que não estava brincando, apareceu no segundo turno exibindo no peito o logotipo da empresa.

Na campanha de 2010, o candidato da oposição, José Serra de novo, avisou que não queria discutir o passado, acusou a adversária de planejar privatizações, manteve FHC fora do horário eleitoral e derramou-se em afagos ao presidente Lula. Já em maio, por exemplo, numa entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, replicou à pergunta do locutor Geraldo Freire com uma proposta: “Vamos fazer o seguinte? Lula está acima do bem e do mal, não comparo Lula com nada”. Jornalistas quiseram saber se fora irônico. De jeito nenhum, esclareceu o entrevistado: “É uma imagem. Hoje ele está acima do bem e do mal, exatamente”.

Nesta sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff cumprimentou FHC pelo aniversário com a seguinte mensagem:

“Em seus 80 anos há muitas características do senhor Fernando Henrique Cardoso a homenagear. O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica. Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje. Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidação da democracia brasileira em seus oito anos de mandato. Fernando Henrique foi o primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito. Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias. Querido presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!”

Na mensagem de 150 palavras, as referências elogiosas a Fernando Henrique Cardoso superam amplamente a soma das feitas nos últimos oito anos por Serra e Alckmin. Das oito frases, uma registra as divergências que separam a remetente e o destinatário. As sete restantes fazem constatações deliberadamente omitidas pelos dois candidatos à presidência do PSDB. Não ocorreu a nenhum deles, por exemplo, lembrar ao país que FHC foi “o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a estabilidade econômica”. Nem isso.

Depois da leitura da mensagem de Dilma, tanto os candidatos quanto os marqueteiros das campanhas eleitorais da oposição deveriam sentar-se na sarjeta e chorar lágrimas de esguicho. É incontestável que Lula e Dilma ganharam as eleições. Mas está mais claro que nunca que os adversários fizeram o possível para perdê-las. Souberam como ninguém planejar a própria derrota.

Os sinos dobram por nós

Neto de uma italiana como eu, o escritor Deonísio da Silva resumiu num comentário o que sentiu quando confrontado com o desfecho absurdo do caso Battisti, decidido por seis ministros do Supremo Tribunal Federal. O texto merece ser reproduzido noDireto ao Ponto por traduzir a vergonha coletiva dos descendentes de imigrantes que não perderam o juízo. Volto em seguida. (AN)

Como você, que é da Silva também, os sobrenomes italianos não aparecem em nossos nomes, mas que vergonha este neto de imigrantes italianos sente pelo que o Brasil acaba de fazer com o país de seus ancestrais! Tanta coisa bonita e boa a Itália nos trouxe e nos dá, e nós impedimos que aquela nação julgue um criminoso! Essa agora! Vamos parar, como nação, na corte de Haia, a mais alta do mundo, com um país que se transformou em cafofo de criminosos! Que diferença entre os juízes supremos que permitiram que o Brasil se tornasse valhacouto de bandidos e entre aquele juiz italiano, o Giovanni Falcone, cujo assassinato (23/5/93) é lembrado todos os anos, que morreu por combater o bom combate, derrotar a máfia e cumprir as leis!

Os sinos das igrejas italianas tocam todos os anos às 19h05, hora da morte dele, depois da explosão de 500 kg de dinamite às 17h56. Um trecho inteiro da estrada voou pelos ares. E dois meses depois era assassinado também o seu colega, o também juiz Paolo Borsellino. O assassino e terrorista Cesare Battisti, além dos crimes comprovados, também tentou matar um juiz italiano chamado L.de Liguor. Eu estou simplesmente aparvalhado com a decisão do governo brasileiro e, mais ainda, com a omissão do STF.

É isso. Na Itália, os sinos dobram por um juiz que morreu enfrentando os battistis. No Brasil que presta, habitado por milhões de descendentes de imigrantes, desde a libertação do assassino os sinos dobram por nós.

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Blog Augusto Nunes

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