O governo se curva a Collor e Sarney, adia a descoberta da verdade e garante o sono dos novos amigos de infância de Lula

Publicado em 14/06/2011 17:03 797 exibições
dos blogs de Augusto Nunes (direto ao Ponto), Reinaldo Azevedo e Lauro Jardim (da veja.com.br)

O governo se curva a Collor e Sarney, adia a descoberta da verdade e garante o sono dos novos amigos de infância de Lula

Obediente à vontade dos senadores Fernando Collor e José Sarney, a presidente Dilma Rousseff deixou de considerar urgente a aprovação do projeto sobre o sigilo de documentos públicos. A Lei de Acesso à Informação permanecerá engavetada na Comissão de Relações Exteriores do Senado, dirigida pelo ex-presidente despejado do cargo que desonrou. A papelada vai dormir esperando, em vão, mudanças concebidas pela dupla de governantes que, entre 1985 e 1992, só não acabou com o país porque o Brasil sobrevive a qualquer um.

Em 1988, Lula qualificou o então presidente Sarney de “o maior ladrão da República”. Quatro anos depois, Lula dividiu o troféu em dois para entregar a outra metade a Collor, “o maior corrupto do Brasil”. Hoje, a trinca trata a troca de chumbo como uma peraltice de amigos de infância. Em 2008, Lula promoveu o antigo maior ladrão da República a “homem incomum”, acima dos castigos reservados aos demais pecadores e a salvo do camburão que persegue delinquentes comuns. E o antigo maior corrupto do Brasil foi publicamente homenageado, em 2009, “pela lealdade ao governo”.

É evidente que Dilma consultou o padrinho antes de formalizar o recuo ─ anunciado, coerentemente, por Romero Jucá, líder do governo no Senado. O PT, que combateu Sarney e Collor com a mesma tenacidade colérica exibida na discurseira em defesa do projeto engavetado, balbuciou mais um amém. O partido disposto a tudo pela instalação da Comissão da Verdade rendeu-se a uma guinada que pode resultar na imposição do sigilo eterno a documentos considerados “ultrassecretos”.

Collor declarou-se preocupado com a revelação de segredos da Guerra do Paraguai. Sarney declarou-se preocupado com a imagem do Barão do Rio Branco. Ambos estão interessados exclusivamente em salvar a própria pele ─ a biografia já foi reduzida a escombros pelo que já se sabe. Tão ansiosos por devassar o período dos generais, Dilma, Lula e o PT aceitaram esquecer os buracos negros do regime autoritário para garantir o sono dos neocompanheiros com culpa no cartório.

Como incendiá-los seria arriscado, o governo optou pelo sepultamento dos documentos históricos.  Collor e Sarney já não precisam afligir-se com a possível descoberta de evidências materiais de outros crimes. Graças a Dilma e ao PT, o chefe da seita foi dispensado de topar com mais provas de que o Lula do século passado dizia a verdade.

Planalto tira urgência da Lei de Acesso à Informação

Por Eduardo Bresciani, no Estadão:
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), anunciou ontem que será retirado o regime de urgência do projeto sobre o sigilo de documentos públicos. Segundo o líder, a intenção é receber a “colaboração” de ex-presidentes.

Em entrevista ao Estado, publicada ontem, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, afirmou que o governo apoiará mudanças no texto para atender os senadores e ex-presidentes Fernando Collor (PTB-AL) e José Sarney (PMDB-AP). Eles defendem a possibilidade de sigilo eterno de documentos ultrassecretos.

A retirada da urgência fará com que a proposta fique nas mãos de Collor, presidente da Comissão de Relações Exteriores, sem nenhuma pressão de tempo para votação. Como o próprio Jucá calcula ser necessário “de dois a três meses” para ajustar o texto, o projeto só deverá ser votado no Senado a partir de agosto e, como terá de retornar para a Câmara, a proposta pode terminar o ano sem definição.

“A matéria estava em urgência como a sinalização do governo de que era importante, mas no momento que surge o debate, que surgem matérias divergentes, é importante ter o debate com profundidade do assunto. E é isso que vamos fazer retirando a urgência”, disse Jucá.

A discussão sobre o sigilo tem como base uma proposta enviada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso ainda em 2009, chamada de Lei de Acesso à Informação. No ano passado, a Câmara aprovou o projeto com uma mudança substancial: limitava a apenas uma vez a possibilidade de renovação do prazo de sigilo de documentos ultrassecretos. Com isso, papéis com esse carimbo seriam divulgados, no máximo, após 50 anos de sua elaboração. É essa limitação que se pretende derrubar agora.

Depois de dizer que a intenção é recompor o projeto original do governo, Ideli evitou a polêmica ontem. Ela deixou o salão do Planalto onde foi realizada sua posse sem falar com a imprensa. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

A mais recente bobagem de Sarney

Quando o outro diz uma boçalidade, a nossa crença na razão e na iluminação do espírito tende a nos levar a dizer: “Coitado do Sarney! Olhem como ele diz besteira!”. Ou ainda: “Coitado do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte! Ele não tem em mãos nem mesmo uma versão decente de Os Lusíadas”. É essa nossa crença generosa que nos faz ter pena de algumas bestas morais. No fim das contas, cumpre dizer: “Coitados de nós!”

O presidente do Senado, o tal Sarney, agora saiu-se com outra pérola:
“Eu acho que nós não podemos fazer WikiLeaks da história do Brasil, da construção das nossas fronteiras. Quanto a documentos atuais, esses aí eu não tenho nenhuma restrição. Acho que devem ser abertos, publicados. Eu quero é melhorar o projeto, eu não quero que o projeto não exista.”

É uma bobagem daquelas rechonchudas. Eu não tenho a menor simpatia pelo WikiLeaks ou por Julian Assange, a celebridade. Uma coisa é liberar documentos que digam respeito à história do Brasil depois de um determinado período; outra é promover o roubo de documentos oficiais de questões que digam respeito à segurança de estado que ainda estão em curso. A associação é descabida.

Ele avançou:
“Se pegarmos todo o nosso acervo histórico do Itamaraty, da construção das fronteiras do Brasil e fomos divulgar neste momento, nós vamos abrir feridas com nossos vizinhos. Os nossos antepassados nos deixaram esse país com as fronteiras consolidadas. Por que vamos agora abrir para esses países?”

Sarney, pelo visto, está disposto a alimentar a fantasia de que o Brasil deu um cavalo à Bolívia em troca do Acre e de que é o responsável pelo fim da doce utopia do tirano Solano López, no Paraguai. Huuummm… Ainda que fosse, né? A generosidade do Brasil com os “hermanos” já compensou… Considerando a refinaria da Petrobras que Evo nos roubou, o financiamento do BNDES, a compra de boa parte da cocaína boliviana e os carros roubados, já teríamos liquidado a fatura com sobra; seria o caso de reivindicar mais um pedaço da Bolívia — não que eu queira, evidentemente.

Por Reinaldo Azevedo

Jefferson quer barrar atos de Joaquim no mensalão…

Roberto Jefferson, por meio do seu advogado Luiz Francisco Corrêa, enviou a Joaquim Barbosa uma petição para que ele não tome qualquer ato ou decisão no processo do mensalão. A suspensão valeria até que os ministros do Supremo julguem se Barbosa deverá se afastar definitivamente do caso.

Em novembro de 2009, a defesa de Marcos Valério entrara com pedido para retirar Barbosa da relatoria. Motivo: o ministro não teria isenção suficiente para julgar o processo por ter, segundo argumenta, prejulgado Valério durante a análise de outro caso, o recebimento da denúncia do mensalão tucano. Barbosa referiu-se a ele como “expert em atividades de lavagem de dinheiro“. Quando presidia o Supremo, Gilmar Mendes mandou prosseguir com o pedido contra Barbosa.

Agora, o caso está sob relatoria de Cezar Peluso, de quem Roberto Jefferson espera que leve o processo de impedimento para apreciação do Plenário (até apresentou pedido para que leve seu voto a julgamento).

Por Lauro Jardim
…e pede novamente Lula como réu

Na petição de quatro folhas a Joaquim Barbosa, Roberto Jefferson cobra novamente a inclusão de Lula como réu no mensalão. Ele lembra que há um pedido para incluí-lo como responsável pelo escândalo feito pelo procurador da República gaúcho Manoel Pastana em 17 de abril. O fato novo seria a participação do ex-presidente na autorização para que o BMG, banco envolvido no escândalo, a operar crédito consignado.

Em abril do ano passado, o Supremo já havia rejeitado a inclusão de Lula como investigado pelo escândalo. O tribunal considerou naquela ocasião que não tinha elementos para inclui-lo.

Por Lauro Jardim
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Fonte:
Blog Direto ao Ponto (Veja)

1 comentário

  • Anilton Souza Rodrigues Manzano Amambai - MS

    Ha que se lembrar ainda do aumento triplicado do valor a ser pago pelo Brasil ao Paraguai pela geraçao de Energia por Itaipu Binacional.

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