Mercadante e Ideli tentam se defender em imbróglio dos aloprados

Publicado em 27/06/2011 19:04 547 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Mercadante e Ideli tentam se defender em imbróglio dos aloprados

Da VEJA Online. Comento no post seguinte:
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, já deu início ao movimento para tentar livrar a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvati, das investigações a respeito do envolvimento dela no escândalo do Dossiê dos Aloprados. Mercadante foi o principal mentor da fabricação de um falso dossiê contra o tucano José Serra, em 2006. Em sua edição desta semana, VEJA revela que Ideli também esteve envolvida no caso, participando das negociações para a compra do falso dossiê. A ministra também tentou se defender nesta segunda, por meio de uma nota oficial.

Em entrevista ao jornal O Globo, Mercadante saiu em defesa da colega, utilizando-se da tradicional argumentação petista: tudo não passa de uma tentativa de atingir a nova ministra e o governo Dilma Rousseff.

Como mostra reportagem de VEJA, Ideli participou de uma reunião, em 4 de setembro de 2006, na qual ficou incumbida da tarefa de divulgar o falso dossiê contra Serra. Participaram do encontro, além de Ideli e Mercadante, o sindicalista Osvaldo Bargas, o petista Expedito Veloso - responsável por revelar o envolvimento do ministro na fraude -, e o ex-chefe de inteligência da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o catarinense Jorge Lorenzetti.

Mercadante admitiu a participação de Ideli nessa reunião - mas negou que Lorenzetti - que chegou a ter a prisão decretada por envolvimento no caso - tenha participado do encontro. “O Lorenzetti nunca esteve no meu gabinete. E qual a razão para citar o Lorenzetti? Por que construíram essa mentira? Para tentar colocar a Ideli. Como Lorenzetti era de Santa Catarina, e como Ideli acabou de virar ministra, é uma forma de tentar envolver o governo Dilma que não tem nenhuma relação com esse episódio”.

Na versão do ministro, a reunião teria servido para que Bargas e Veloso o alertassem que um depoimento no Conselho de Ética do Senado poderia envolver seu nome no escândalo da máfia dos sanguessugas. Mercadante afirmou que decidiu, então, conversar com Ideli para perguntar se deveria rebater as acusações também no Conselho de Ética - e ela afirmou-lhe que não.

Mudança de versão - Ideli Salvati emitiu uma nota em que nega ter participado das negociações para a divulgação do dossiê contra o tucano José Serra, em 2006. A petista se pronunciou depois que reportagem de VEJA mostrou como Ideli se encontrou com o então senador Aloizio Mercadante e outros envolvidos no episódio para discutir o assunto, poucos dias antes de o caso vir à tona.

Ideli, que havia dito a VEJA não ter se reunido com os aloprados Expedito Veloso e Oswaldo Bargas, agora omite os dois nomes em sua versão: não nega nem desmente. A petista também dissera não se lembrar de quando havia se reunido com Mercadante. Mas agora alega que esteve com ele em setembro de 2006: “Não participei de reuniões que tivessem como tema a elaboração de material contra o candidato ao governo do estado de São Paulo, José Serra, no ano de 2006. Na condição de líder da bancada do Partido dos Trabalhadores no Senado fui chamada ao gabinete do então líder do Governo, Aloizio Mercadante, para uma reunião em setembro do mesmo ano para tratar de um depoimento que seria dado ao Conselho de Ética do Senado”, diz o comunicado desta segunda-feira.

A edição desta semana de VEJA mostra como Ideli era parte importante do esquema: foi ela quem procurou jornalistas para oferecer o falso dossiê contra Serra. O material serviria para derrubar a candidatura do tucano ao governo de São Paulo, o que favoreceria Mercadante. Além dele, o ex-governador Orestes Quércia participou da montagem da operação.

Por Reinaldo Azevedo

ESTUPIDEZ! Lideranças do sindicalismo gay partem para o confronto com os católicos e levam à avenida “santos” em situações “homoeróticas”. Que a Igreja Católica tenha a coragem de enfrentar a imprensa e reaja à altura!

Tenho feito aqui uma distinção, que considero importante, entre os homossexuais e os militantes homossexuais, que formam uma espécie de sindicato. Tanto é assim que já há até divisões entre grupos envolvidos com a parada gay. As bizarrices que se vêem na avenida, na sua expressão mais carnavalizada, não são representativas dos homossexuais como um todo. Fico cá me perguntado qual seria a caricatura correspondente de um heterossexual. Não deve ser algo que atenda ao bom senso e ao bom gosto. Muito bem.

Os organizadores da parada gay deste ano, sob o pretexto de combater o preconceito, resolveram, de cara, partir para a provocação. O tema do “samba-enredo” era “Amai-vos uns ao outros”, numa evocação da mensagem cristã, que passa a ter, evidentemente, um conteúdo “homoafetivo”, como eles dizem, e, dado o conjunto da obra, homoerótico. É uma gente realmente curiosa: quer a aprovação de um PLC 122 — que, na forma original, impunha simplesmente a censura aos religiosos —, mas reivindica o direito de se apropriar de emblemas da religião para fazer seu proselitismo. E isso, claro!, porque eles só querem a paz, a igualdade e convivência pacífica…

Pois bem: esses sindicalistas do gayzismo — que, reitero, representam os homossexuais tanto quanto a CUT representa todos os trabalhadores — acharam que aquela provocação não tinha sido o bastante. Como nem evangélicos nem católicos reagiram à bobagem, então resolveram dobrar a dose. A organização do evento espalhou 170 cartazes em postes da Paulista em que 12 modelos masculinos aparecem quase pelados, em situações de claro apelo erótico, recomendando o uso de camisinha. Até aí, bem! Ocorre que eles aparecem caracterizados como santos católicos, a exemplo de São Sebastião e São João Batista. Junto com a imagem, a mensagem: “Nem Santo Te Protege” e “Use Camisinha”.

Fingindo-se de tonto, Ideraldo Beltrame, presidente da parada, afirma ao Estadão: “Nossa intenção é mostrar à sociedade que todas as pessoas, seja qual for a religião delas, precisam entrar na luta pela prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Aids não tem religião”. É uma fala hipócrita, de conteúdo obviamente vigarista, própria de um provocador. Ele poderia ter passado essa mesma mensagem sem agredir valores e imagens que sabe caros a milhões de pessoas que não partilham de sua mesma visão de mundo. Mas quem disse que o negócio dele e tolerância?

É bem possível que o ministro Celso de Mello, com aquele seu tratado sobre a liberdade de expressão que emprestou sentido novo à palavra “apologia” no caso das marchas da maconha, veja na manifestação não mais do que a expressão livre do pensamento. Os 12 modelos desfilavam num carro. As imagens dos “santos” vão decorar 100 mil preservativos que serão distribuídos. Será mesmo que Beltrame está preocupado em dialogar com católicos, evangélicos ou qualquer outro que não partilhe de seus valores? Trata-se de uma óbvia agressão aos valores católicos, que viola direitos que também estão protegidos pela Constituição.

Resta evidente que, embalados pela disposição do próprio Supremo de cassar o Artigo 226 da Constituição para reconhecer a união civil entre pessoas do mesmo sexo, os sindicalistas do movimento gay perderam a noção de medida e de parâmetro. Sexualizar ícones de uma religião que cultiva um conjunto de valores contrários a essa forma de proselitismo é uma agressão gratuita, típica de quem se sente fortalecido o bastante para partir para o confronto. Colabora com a causa gay e para a eliminação dos preconceitos? É claro que não! Não estão eles dizendo que não querem mais ser discriminados nas escolas, nas ruas, campos construções?  Você deixaria seu filho entregue a um professor que acha São João Batista um, como posso dizer, “gato”? Que vê São Sebastião e  não resiste a um homem agonizante, sofrendo? O que quer essa gente, afinal? Direitos?

Ainda é tempo de recuar e desculpar-se, deixando de distribuir os preservativos com as tais imagens. Mas não farão isso. E por que não?

Vanguarda
Na Folha de hoje, escreve o colunista Fernando Barros:
“A Parada Gay e a Marcha para Jesus têm mais ou menos a mesma idade. Ganharam visibilidade no país em meados dos anos 1990. Embora sejam eventos globais, com inserção em várias cidades, é em São Paulo que elas de fato acontecem. São o sagrado e o profano, a expressão ritualística ou carnavalizada da afirmação de valores e de direitos de grupos sociais. Neste ano, mais do que nunca, evangélicos e gays & simpatizantes disputaram um cabo de guerra, uma peleja entre o atraso e a vanguarda em matéria de costumes. Ambos, porém, são fenômenos contemporâneos. O embate entre eles desenha uma dialética entre regressão e avanço social no Brasil. Conservadores e intolerantes, os adeptos de Jesus investiram contra a decisão recente do STF, que reconheceu a união civil de casais gays.”

Barros submete os dois eventos a uma leitura marxista — ou marxistizada ao menos — e, consoante com o método, destitui uma e outra do conteúdo específico para ver em ambos aquela que seria a pulsão da história: regressão e avanço. Nesse caso, segundo ele, a vanguarda estaria com os gays, o que seria, digamos, kantianamente notável. Seguisse toda a humanidade o exemplo dessa minoria “vanguardista”, Marina não teria de se preocupar com a destruição das florestas e com as mudanças climáticas. Num prazo que nem seria tão longo, o capital não teria mais como se reproduzir porque também ele depende de um coito específico, não é mesmo? Seria uma vanguarda que nos conduziria à extinção. Só os grilinhos continuariam a cantar em louvor à natureza, a que responderiam os sapinhos, coaxando. De vez em quando, uma onça…

Barros não é bobo, e, por isso mesmo, ele enfatiza: trata-se de “vanguarda” e “regressão”, mas “em matéria de costumes”, até porque os milhões de evangélicos que ocuparam as ruas e praças se confundem, em muitos aspectos, com a tal nova “classe C”, que é considerada até bastante “vanguardista” pelos economistas. Curiosamente, concorre para tanto justamente alguns costumes que o articulista considera “regressivos”, de modo que estaríamos, então, diante de uma, sei lá, “tensão dialética” dentro do mesmo lado: um avanço na economia seria determinado, em boa parte, por uma regressão — ele nem mesmo fala em conservação — nos costumes.

Fico cá imaginando se Max Weber — que não era marxista, por suposto — tivesse aplicado essa mesma leitura ao escrever “A Ética Protestante e O Espírito do Capitalismo”… Em vez de identificar alguns valores que fizeram a revolução capitalista, teria visto só um bando de “regressivos”, dispostos, já que regressivos, a fazer o mundo marchar para trás…

A questão
Esse sindicalismo gay só decidiu partir para o confronto e não vai reconhecer a agressão estúpida aos católicos — própria de quem não quer a paz coisa nenhuma! 
 porque foi adotada justamente como “vanguarda”. E, vocês sabem, é vanguardista atacar a Igreja Católica desde o século… 16!

É o caso de a Igreja reagir com o devido rigor. É claro que estamos diante de um ato de vilipêndio, que nenhuma religião deve aceitar, sobretudo porque também é um bem protegido pela Constituição. Há de reagir em nome dos seus fiéis, sabendo, de antemão, que vai ser atacada pela imprensa porque, hoje em dia, ter uma religião também não é uma coisa de vanguarda — desde o século 18, pelo menos, é assim… Estamos, como vocês podem notar, diante de idéias realmente novas, que antecipam o futuro.

Que a Igreja Católica, pois, tenha a coragem de apanhar dos jornalistas. A questão é saber quem são seus interlocutores. Se preciso, que vá às portas do Supremo. Se os valores de uma religião não são mais um bem protegido, vamos, então, ouvir isso da boca de nossos doutores. Se for o caso, os católicos pedirão, no mínimo, os mesmos direitos de que gozam os índios, cujas crenças são acolhidas no Artigo 231.

Militância em favor dos direitos dos homossexuais é uma coisa; perverter imagens religiosas, emprestando-lhes um sentido erótico que não têm, é coisa de tarados. Se a Justiça nada pode, então é o caso de convocar a medicina.

Peço a vocês que comentem com moderação. Este blog, como é sabido, não é homofóbico. Ele é estupidofóbico!

Por Reinaldo Azevedo

Tolerante sou eu!!!

Ah, não sei quem é mais chato: se o petralha que vem com as suas tolices já tornadas históricas ou alguns bobalhões que se querem os “guardiões do templo” — alguns do catolicismo; outros, mais amplamente, do cristianismo…

Porque não compartilho de suas mesmas teses conspiratórias sobre o suposto grande complô gay para dominar o mundo (tenham paciência!!!), então eu não teria legitimidade para fazer certas críticas. Ou por outra: porque não me alinho com seus delírios  — também eles formam uma minoria de sectários que querem impor a sua vontade aos outros; são iguais aos gays extremistas, só que do outro lado —, então eu não faria uma crítica enérgica o bastante.

Bem, qual é o ponto? Querem que eu trate a homossexualidade como abominação, doença ou sem-vergonhice. Não trato. Uma parcela dos mamíferos e das aves é homossexual e pronto — os répteis, peixes e insetos, não sei… Embora os sectários do movimento gay fiquem bravos comigo — danem-se! —, sou favorável à união civil e, a depender do caso, até à adoção de crianças. E isso irrita muito os sectários do outro lado, que querem me excomungar e dizem que não levo a Bíblia a sério. É mesmo? Comem bacon? Então não levam também! Vão plantar batatas os extremistas!

Não mudei o centro da minha abordagem e não vou ceder a apelo de lado nenhum:
1 - o Supremo exorbitou ao reconhecer a união civil contra o que está explicitado no Artigo 226 da Constituição;
2 - o PLC 122, na forma que tinha (vamos ver agora), agredia a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, direitos protegidos pela Constituição;
3 - não se trata de uma luta entre “progressistas” e “reacionários”, a menos que, em nome dos direitos dos gays, estejam querendo impor a mordaça a evangélicos e católicos;
4 - a Parada Gay vilipendiou símbolos do Catolicismo em nome da tolerância.

Querem saber? Nessa confusão toda, eu é que estou entre os tolerantes, não é mesmo? Acho que uns e outros merecem respeito, dentro do ordenamento jurídico dado — obedecendo-se, inclusive, ao ritual para mudá-lo. Ninguém precisa ceder aos valores de ninguém. Não estamos numa guerra evolutiva, como querem alguns, em que um dos lados tenderá a desaparecer depois de devidamente vencido. Isso é uma tolice. Sou imune aos apelos do desvario.

“Mas você não percebe que, ao não abominar os gays e não apontar os seus desvios, está colaborando com o gayzismo etc, etc, etc…” Não! Eu não percebo porque é falso. Se eu tiver de negar algo em que acredito em nome da causa, deixo de pensar e passo a produzir só ideologia vagabunda. “Mas você não percebe que, ao insistir na questão legal, está dando asas a alguns reacionários etc, etc, etc…” Não! Eu não percebo porque é falso. Se eu tiver de negar algo em que acredito em nome da causa, deixo de pensar e passo a produzir só ideologia vagabunda.

Aos primeiros, digo: eu realmente não acho que alguém seja gay por opção ou porque ceda à tentação, assim como muitos de nós precisam tomar cuidado para não exagerar no chocolate… Quem sustenta que homossexualidade é tentação ou escolha não acredita, por suposto, é na heterossexualidade; é uma questão de lógica elementar. Aos outros digo: eu realmente não acho que se trata de uma guerra da luz contra as trevas; tanto é assim que poucas coisas são tão reacionárias, porquanto agrida direitos individuais, como o ta PLC 122 na sua forma original.

O debate, se posto nesses termos, torna todo mundo mais burro e mais intolerante.

Digo, para encerrar, que, se não tenho receio de enfrentar a patrulha do gayzismo, que conta com sólido apoio da imprensa, imaginem se vou me constranger com certos aiatolás de si mesmos! Não há o menor perigo! Eu realmente prego a tolerância e o respeito à diferença e abomino, aí sim, os que se querem, de um lado, monopolistas da tradição e, de outro, monopolistas da mudança.

Por Reinaldo Azevedo

Hackers convocam marcha! Adiante que o Supremo garante! Só não pode praticar na avenida, tá?

Duvido um pouco que levem a coisa adiante, mas vá lá. O grupo de hackers LulzSec decidiu agora convocar passeatas em várias capitais do país “contra o governo corrupto e pela liberdade de expressão”.

É isso aí. Se as marchas da maconha — que fazem a apologia da droga, que, segundo os ministros do Supremo, apologia não é — são permitidas, por que não as de hackers? “Defender a descriminação da ação dos hackers não quer dizer praticá-las”, estão obrigados a dizer alguns ministros. A que outros emendariam: “Tudo bem! Defender pode! Só não pode praticar a coisa na avenida”. É, seria uma tarefa difícil, não é mesmo?

As empresas de comunicação que viram nos maconheiros a nova encarnação de Voltaire e Diderot — e que podem ser vítimas dos hackers a qualquer momento — terão de dar apoio à manifestação, que, igualmente, merece proteção policial.

Assim, temos que a democracia brasileira virou um troço tão especial que aqueles que deveriam estar sendo perseguidos pela polícia estarão sendo protegidos por ela. Ou o Supremo seria tão arbitrário a ponto de dizer: “Ah, não, passeata a favor da defesa desse crime não pode; só do outro!”?

Mais: os hackers deveriam fundar uma “religião”. Existe igreja até para adorar Maradona… Essa seita passaria a defender o “uso ritualístico da invasão de computador”. Poderiam contar com o apoio de Celso de Mello, que até diria em seminário: “Ah, hackear os outros para fins ritualíticos é permitido pela Constituição, em nome da liberdade religiosa”. Se há divindades que só se manifestam com o uso de drogas ilegais, por que não as pode haver que demandam computadores invadidos?

Quem flerta com bruxarias constitucionais e atua contra a letra dos códigos legais se expõe e expõe o país às artimanhas das bruxas.

Por Reinaldo Azevedo

É o fundo do poço!

Quando eu penso que Eliane Cantanhêde já atingiu o limite do humano, ela consegue dar mais um passo. Acho que ela perpetrou na Folha o seu, digamos assim, “melhor”, tocando mesmo o paroxismo. Resolveu escrever sobre os hackers. E mandou a seguinte bala na nuca do bom senso:

Hackers pela ética
Com CUT, UNE e MST fora de combate a partir de Lula, por conveniência ou oportunismo, entra em ação pela ética pública um tal de LulzSec para azucrinar e expor os Poderes da República. Tão instigante quanto preocupante.
Num espaço de horas, esses hackers atacaram sites da Presidência da República, Prefeitura de São Paulo, ministérios da Cultura e de Esportes, Petrobras, IBGE, Infraero, Receita, Senado e o Portal Brasil. Uns talvez nem tenham sido efetivamente atacados, mas já se sentiram previamente ameaçados.
Ao que tudo indica, a onda começou como uma brincadeira, mas ganhou espuma política com a ideia de protesto contra os desvios éticos que se multiplicam em diferentes esferas de poder e da federação, sem que um só “cara pintada” ponha os pés nas ruas, agora ocupadas por milhões em marchas para Jesus, legalização da maconha e Parada Gay, como neste domingo.
Ao ocupar esse vácuo de vigor e protesto político, os hackers provocam alertas, dúvidas e temores.
O alerta para os governos e demais Poderes é que a sociedade, de alguma forma, está de olho.
A dúvida no Congresso é como criminalizar esse tipo de ação virtual, tema dos parlamentares nesta semana, com votação na quarta.
E o temor da Polícia Federal e da Abin (o órgão de inteligência da Presidência) é que, de ameaças que causam só dor de cabeça, eles possam evoluir com o tempo para ataques ao sistema nervoso central.
De um lado, os Poderes se veem desconectados e vulneráveis. De outro, os ataques se multiplicam, e os autores, inebriados com a súbita força e fama, ganham a confiança e a desenvoltura de uma Lisbeth Salander (”Trilogia Millennium”, do sueco Stieg Larsson).
Hipoteticamente e no limite: vai que um grupo desses se anima a daqui a alguns anos invadir o sistema de controle aéreo?
Já aconteceu de brincadeiras evoluírem para tragédias.

Comento
Fosse o caso de contestar, seria forçoso perguntar: “Por onde começar?” Para Cantanhêde, os hackers tomam o espaço de “CUT, UNE e MST”, movimentos de esquerda que foram comprados pelo dinheiro público e que são hoje de um peleguismo asqueroso, mas muito bem remunerado. Como, na cabeça de Cantanhêde, criminosos de esquerda querem o nosso bem, ela então sustenta que os hackers fazem o papel dos esquerdistas d’antanho e diz sobre a turma: “O alerta para os governos e demais Poderes é que a sociedade, de alguma forma, está de olho.”

Para a articulista, “de alguma forma”, os hackers “somos nós, nossa força e nossa voz”. Quem conhece o movimento estudantil conhece esse refrão. Por isso ela fala em “hackers pela ética”. E não parece haver ali uma tentativa de piada — não voluntária ao menos.

Cantanhêde vê o terrorismo cibernético como uma manifestação de cidadania. É melhor ler isso ou ser cego? Huuummm… A articulista nos faz duvidar das certezas mais elementares… Estando ela certa, este e os futuros governos têm de saber qual é, afinal, a pauta dos hackers para que seu tribunal discricionário não ataque o coração do sistema.

A imprensa, com efeito, está se tornando uma coisa bárbara.

Por Reinaldo Azevedo

Sarney recua e defende artigo que mantém sigilo em obras da Copa

Por Gabriela Guerreiro, na Folha Online. Comento no próximo post.
Depois de defender o veto ao artigo da medida provisória que mantém em segredo orçamentos para as obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada do Rio em 2016, o senador José Sarney (PMDB-AP) recuou nesta segunda-feira e passou a defender o artigo. Sarney disse que, depois de analisar o projeto, percebeu que “não há dispositivo de sigilo” no texto.

“O que há é apenas a obrigação de não fornecer àqueles que vão concorrer à obra que eles tenham conhecimento antecipado do preço do governo. Mas o tribunal de contas tem conhecimento e a comissão entrega ao tribunal. E no dia seguinte que a concorrência for aberta, esse valor vai ser publicado. De maneira que não há o sigilo.”

Na semana passada, a cúpula do PMDB se reuniu com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e passou a defender o sigilo imposto pelo governo. Sarney havia criticado o artigo antes da reunião, mas assim como outros líderes peemedebistas, agora mudou de posição.

“O governo está disposto, me assegurou, a abrir aquilo tudo aquilo que acharmos necessário para que haja total transparência. Eu tenho absoluta certeza. Uma das coisas que foi dita é que o tribunal de contas acompanhará do princípio até o fim todas as medidas relativas à concorrência”, afirmou.

A Câmara aprovou no início de junho a medida que altera a Lei das Licitações e, como a Folha revelou, o sigilo foi incluído em uma manobra de última hora. A mudança feita por deputados tirou dos órgãos de fiscalização o direito de consultar os dados a qualquer momento.

O texto da medida diz que as informações só seriam repassadas em “caráter sigiloso” e “estritamente” a esses órgãos após conhecidos os lances da licitação, e que caberá ao governo escolher a data. Os deputados ainda precisam votar os destaques à MP para que o texto seja enviado ao Senado. Sarney disse não saber se haverá pedido de urgência para acelerar a votação da matéria. A data limite para o Senado analisar a MP é o dia 14 de julho, uma vez que a medida perde a validade no dia seguinte.

Por Reinaldo Azevedo

O debate surrealista sobre a MP da Copa

Leia primeiro o post abaixo

O governo está fazendo uma grande lambança com essa história de sigilo. Em tese, o sigilo pode baratear a obra. Só em tese. As empreiteiras conhecem as tabelas oficiais. Nada impede que combinem preço ainda assim. Como a sociedade não saberá mesmo de nada,  só depois de tudo decidido, então fica tudo por conta da decisão dos tais “órgãos de controle”.

Há um absurdo de fundo nessa história toda. Se a Lei de Licitação que temos é lesiva aos interesses do país e não pode ser aplicada às obras da Copa, isso quer dizer que continuaremos a ser lesados nas demais obras, nas que não são da Copa? É uma pergunta que nasce da lógica elementar.

Está se fazendo do sigilo a grande questão. Mas não é só ele que conta. O busílis está em outro lugar. O regime especial permite que se aumente o valor de um contrato sem limite, tudo na mesma licitação. Pela atual lei, esses aditivos se limitam a 25% em obras novas e 50% no caso se reforma.

O Brasil é mesmo um país sui generis! Propõe-se uma nova e “revolucionária” legislação para obras sem revogar a antiga, que é tratada pelo governo como suscetível das piores malandragens. Se é assim, por que temos de conviver com malandros?

Por Reinaldo Azevedo

Jornal da Venezuela afirma que Chávez tem câncer na próstata e dá detalhes do tratamento

No Estadão:
A discussão sobre o real estado de saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que está internado em Cuba desde o dia 10, ganhou novos contornos ontem, com a publicação pelo jornal venezuelano El Universal de que o líder teria câncer de próstata.

No artigo intitulado Verdades da enfermidade de Chávez, o jornalista Nelson Bocaranda Sardi, conhecido opositor do regime, escreveu que o líder teve a doença diagnosticada durante visita a Havana e continuou na ilha para iniciar seu tratamento. Os chavistas, porém, rebateram a afirmação do jornalista. Segundo o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Fernando Soto Rojas, o presidente não tem câncer. “Eu seria o primeiro a informar ao país (sobre a doença)”, afirmou.

Em sua coluna, uma das mais lidas da Venezuela, Bocaranda descreveu que uma tontura repentina, “quando estava conversando com Fidel (Castro)” foi a causa da cirurgia de retirada de um abscesso pélvico anteriormente divulgada pelo governo de Caracas. O texto afirma que, nesse primeiro momento, o presidente foi atendido por um médico espanhol que trata de Fidel.

“Uma tomografia revelou um dano maior em sua próstata e se determinou, após a operação do abscesso, que uma extirpação deveria ser feita.” Segundo Bocaranda, um “urologista caraquenho (…) dirigiu por vídeo a cirurgia prostática com (o uso de) um robô” controlado pelo médico espanhol.

Segundo Bocaranda, um imunologista venezuelano que atua em Miami e em Boston, nos EUA, “foi levado a Havana para realizar os cortes para a biópsia por congelamento”. O exame teria sido realizado em um centro de análises americano, onde o câncer foi descoberto e especialistas determinaram “que se devia começar o tratamento de imediato”.

“Radiação e bloqueio hormonal começaram a ser aplicados”, afirmou o jornalista, que disse ter informações contraditórias sobre quais foram exatamente os procedimentos aplicados em Chávez. “Minhas fontes cubanas me assinalam que (o presidente venezuelano) fará uma rápida aparição pública antes de voltar a Caracas”, disse Bocaranda, acrescentando que o líder deve estar de volta à Venezuela na quinta-feira.

No sábado, o diário americano El Nuevo Herald, de Miami, havia afirmado que o estado de saúde do presidente venezuelano é “crítico”. Em sua página no Twitter, porém, Bocaranda disse ontem que “o presidente Chávez já está de pé. Acelera seu regresso após a recuperação. Volta com todos os seus familiares antes do (dia) 30″.

Bocaranda afirmou que o Hospital Militar Carlos Arvelo, em Caracas, acelerou uma reforma na área presidencial para receber o líder esta semana. A intenção de Chávez seria voltar a tempo para a Cúpula da América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento (Calc) e os desfiles militares que marcarão os 200 anos da independência venezuelana, no dia 5. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

O DEM, a imagem e ser ou não ser de direita

Por Julia Duailibi, no Estadão:
Embalado pela crise no governo que derrubou o ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) e pela desarticulação do PSDB, maior partido de oposição, o DEM resolveu fazer um “reposicionamento de imagem”, o que abriu internamente a discussão sobre o uso de expressões como “direita”.Após a refundação em 2007, quando abandonou a sigla PFL numa jogada de marketing considerada malsucedida pela direção partidária, o DEM vai lançar nova linha de comunicação no segundo semestre, depois de medir os ânimos do eleitorado em pesquisa qualitativa e quantitativa.

A sondagem será decisiva para se chegar à nova “roupagem” do partido - embora pouco provável, não está descartado o resgate do antigo PFL e o abandono da sigla DEM, manchada depois do escândalo envolvendo o ex-governador do DF José Roberto Arruda, no episódio conhecido por “mensalão do DEM”. “A questão do conteúdo a gente já tem avançado. A consistência do que acreditamos já está acertada. Agora o que falta é a definição da embalagem”, afirmou o líder do partido na Câmara, ACM Neto (BA).

Parte do ideário do DEM, que se diz defensor do liberalismo econômico e da livre iniciativa, foi moldada após pesquisa de 2007, do Instituto GPP, com 2 mil entrevistados. De acordo com o levantamento, a maioria dos brasileiros é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a legalização das drogas e do aborto. Entre as palavras mais positivas consideradas pelo eleitor, estão “religião”, “trabalho” e “moral”.

Mas, se há consenso sobre o programa do partido, há dúvidas a respeito do formato. Para uma vertente, o rótulo da direita ficou associado ao período da ditadura e a partidos que não gostam de pobres. Portanto, seria uma armadilha usá-lo. Para outra, existe no País um eleitor “órfão”, que é contra o governo e que quer um posicionamento claro de oposição.

“Temos de mostrar nossas bandeiras. Se não, fica difícil sair da mesmice”, afirmou o presidente do DEM paulistano, Alexandre de Moraes.

“Há um congestionamento de partidos, como se todo mundo jogasse pendurado na esquerda. Virou moda dizer “sou de esquerda”. Mas não é isso que o brasileiro pensa”, avaliou o ex-deputado José Carlos Aleluia. “O partido tem que ocupar esse espaço que abriga a direita.” Aleluia, no entanto, disse que o DEM deve evitar a adjetivação. “Mas não coloco objeção a companheiros que queiram colocar.”

“Não me incomodo em ser chamado de direita, de modo algum. Não tenho preocupação nenhuma. Pode chamar de direita, conservador, neoliberal. Não ligo. Sou mesmo”, disse o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO). ACM Neto avalia que, no Brasil, não são claras as definições sobre conservadorismo. “Eu, a priori, refuto. Não me considero conservador”, afirmou. “Não adoto esse discurso. Essa roupagem não me cabe.”

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disparou: “O Democratas é um partido fundamentalmente de centro, com gente mais à esquerda e mais à direita.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes

Os comandantes da ofensiva contra a liberdade de imprensa ignoram que nem todos os jornalistas estão à venda

Entre uma rodada de palestras financiadas por empresários amigos e uma missa negra pela salvação da pele dos pecadores de estimação, Lula retomou na terceira semana de junho a ofensiva contra a liberdade de imprensa. Coerentemente, a discurseira que tenta estigmatizar o jornalismo independente e faz a louvação da censura, rebatizada pelo PT de “controle social da mídia”, foi ressuscitada no Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que juntou em Brasília o bando que age na internet a serviço do governo e, sobretudo, do ex-presidente que ainda não desencarnou do Planalto.

“Nunca me preocupei com crítica, mas que elas sejam verdadeiras”, mentiu Lula para a plateia de blogueiros estatizados pelo companheiro Franklin Martins com verbas, empregos e favores providenciados pelo Ministério da Propaganda. “O que me preocupam são as inverdades, como aquela pedra, meteorito, que bateu na cabeça de um candidato na eleição”, voltou a trocar os fatos a socos e pontapés, insistindo em debochar da agressão sofrida pelo candidato tucano José Serra num evento eleitoral no Rio de Janeiro.

Anabolizado por salvas de palmas, o palanque ambulante caprichou nos afagos aos coadjuvantes das sucessivas farsas encenadas para transformar afrontas à democracia em piadas ─ ou para negar que aconteceram. “Vocês evitaram que a sociedade brasileira fosse manipulada como durante muito tempo ela foi manipulada”, inverteu as coisas o falsário patológico. “Vocês evitaram que os falsos formadores de opinião pública ditassem regras do que deveria acontecer no país”.

Nessa versão pilantra, o Brasil escapou de afundar nas fantasias urdidas pela imprensa não domesticada graças aos progressistas eletrônicos ─ uma tribo que agrupa fanáticos estacionados no começo do século 20, exotismos que ainda empunham garruchas da Guerra Fria e ex-jornalistas que arrendaram a alma ao governo para garantir uma velhice poupada ao menos de achaques financeiros. Todos incondicionalmente subordinados ao morubixaba, não acham nada sem prévia autorização, nem ousam pensar por conta própria. Esses requintes são para quem têm autonomia intelectual. Limitam-se a fazer o que o dono ordena.

No Brasil dos blogs governistas, não existem safadezas, roubalheiras, corrupção, ladroagem, quadrilhas federais, nada disso. E o escândalo do mensalão, claro, foi uma invencionice da elite golpista. Nesse país sem pecados, Erenice Guerra é uma dama de reputação ilibada, Antonio Palocci prosperou honestamente, Aloízio Mercadante e seus aloprados jamais fabricaram dossiês, Dilma Rousseff é uma pensadora onisciente, Lula é o gênio da raça e o partido segue honrando a frase recitada por José Dirceu no século passado: “O PT não róba nem deixa robá”.

O inevitável Dirceu apareceu no segundo dia da quermesse em Brasília disposto a explicitar o que o chefe sugerira e, de novo, esvaziar o estoque de bravatas. “É uma vergonha que a regulação da mídia não seja realidade”, irritou-se. “Se o Poder Legislativo é soberano e autônomo, ele fará a reforma”. Se não fizer, avisou o palavrório, terá de haver-se com as tropas do combatente diplomado em Cuba. “Estou disposto a travar essa luta junto com vocês”, avisou o guerrilheiro de festim.

Declarações beligerantes formuladas por Dirceu só conseguem matar de rir. Vencido pelo padeiro de Ibiúna em 1968, pelo medo paralisante nos anos 70, pela própria arrogância no restante do século, ele foi definitivamente derrotado pelo prontuário em 2005. Mas o revolucionário de araque está sempre pronto para perder mais uma. Ele se recusa a morrer antes de monitorar, de preferência instalado no gabinete do ministro da Propaganda, a implantação do controle social da mídia.

Enquanto durasse a experiência liberticida, o que merece ou não virar notícia seria decidido por comitês formados por gente de confiança do governo, como os participantes do encontro em Brasília. “Os blogueiros progressistas não têm rabo preso com ninguém, a não ser com a própria consciência”, garantiu Dirceu. Os que conheci nunca souberam o que é isso. Dependendo do preço, suariam a camisa com o mesmo entusiasmo num campo de concentração nazista ou num gulag soviético.

A recidiva autoritária de Lula e Dirceu foi concebida para inibir os que não se deixam intimidar e açular os blogueiros federais. Além dos incontáveis casos de polícia já eviscerados pela imprensa, vêm aí a Copa da Roubalheira, a Olimpíada da Ladroagem e, antes dos dois espantos, o julgamento da organização criminosa envolvida no mensalão. Para que o governo do padrinho e da afilhada não fique ainda pior no retrato, é essencial reduzir o espaço de quem insiste em contar o caso como o caso foi e ver as coisas como as coisas são.

Os comandantes da ofensiva, intensificada neste fim de semana, vão constatar de novo que manobras liberticidas naufragam já nos primeiros artigos da Constituição. E descobrirão que não são poucos os profissionais que ilustram a lição de Cláudio Abramo: “O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, o exercício cotidiano do caráter”. Jornalistas independentes são prisioneiros voluntários da paixão pela verdade. Enxergam e denunciam delinquências seja qual for a filiação partidária do bandido. Sabem que a liberdade não tem preço. E não estão à venda.

(por Augusto Nunes)

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Blog Reinaldo Azevedo

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