Dólar continua a derreter, e Mantega continua a pisar nos astros distraído…

Publicado em 02/07/2011 09:16 586 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Dólar continua a derreter, e Mantega continua a pisar nos astros distraído…

Na Folha Online. Comento em seguida:
O dólar comercial terminou a sexta-feira na menor cotação desde janeiro de 1999. O bom humor dos investidores no mercado de ações doméstico e no exterior levou a moeda norte-americana ao quinto dia consecutivo de queda.

O dólar fechou a R$ 1,558, após oscilar entre R$ 1,565 e R$ 1,555, em um decréscimo de 0,25% sobre o fechamento de ontem. A cotação é a menor desde 19 de janeiro de 1999 - quando a moeda fechou no mesmo valor. Naquela data, o regime de câmbio no país ainda era fixo -o câmbio flutuante começou em seguida, em 1º de fevereiro de 1999.

O dólar turismo foi vendido por R$ 1,660 e comprado por R$ 1,500 nas casas de câmbio paulistas.

“O bom humor do mercado ajudou a manter o dólar em baixa, embora a queda não tenha sido grande”, afirma Felipe Pellegrini, gerente da mesa de operações do banco Confidence. Na semana, a moeda registrou queda de 2,87%, a menor desde a primeira semana abril.

Segundo ele, a queda desde segunda-feira foi muito forte, e deve ser revertida em parte nos próximos dias. “Bateram muito forte no dólar nesta semana, então é possível que ele recupere um pouquinho nos próximos dias. Mas a tendência ainda é forte para baixo.”

Para o segundo semestre, analistas avaliam que o dólar pode ter um processo de recuperação contra as demais moedas, mas bastante moderado. Será preciso observar os efeitos do encerramento do QE2 - o programa federal que injetou bilhões de dólares na economia dos EUA - e a possível melhora dos indicadores nesse país.

Por outro lado, o ciclo de aperto monetário no Brasil deve continuar: as opiniões do mercado se dividem entre um ou dois aumentos da taxa básica de juros até o final deste ano.

Nesta sexta-feira, o Banco Central iniciou a mudança no cálculo da taxa média de câmbio, a Ptax. Essa cotação serve de base para os contratos negociados na Bolsa e para operações entre bancos e grandes empresas, mas acaba por influenciar também o preço do dólar comercial e turismo. Por conta dessa mudança, o BC erá mais poder para reduzir a especulação dos bancos com o dólar. A mudança foi anunciada no ano passado.

JUROS FUTUROS
As taxas projetadas no mercado futuro da BM&F subiram novamente nos contratos mais negociados.

No contrato para janeiro de 2012, a taxa projetada caiu de 12,47% para 12,46%. E no contrato para janeiro de 2013, a taxa prevista foi de 12,70% para 12,66%. Esses números são preliminares e estão sujeitos a ajustes.

Comento
Não deixa de ser curioso. Em janeiro de 1999, Tarso Genro, hoje governador do Rio Grande do Sul, defendeu que FHC renunciasse e que se convocassem eleições presidenciais justamente por causa da iminente desvalorização do real. Acusava-se o governo de manter a moeda artificialmente valorizada por motivos eleitorais etc e tal. Tudo considerado, o real está mais valorizado hoje do que naquela época. “Mas é flutuante”, dirá alguém. Huuummm… Mais ou menos. Mas não vou entrar nesse mérito agora. O fato é que o governo enfrenta pressão inflacionária mesmo com o dólar no chão. E não sabe como reagir. Todas as antevisões de Guido Mantega se frustram.

Por Reinaldo Azevedo

Documento de Serra discutido no Conselho Político do PSDB faz uma dura crítica ao governo Dilma, classificado de “autoritário e incompetente”

José Serra divulgou em seu site o texto debatido na reunião do Conselho Político do PSDB, ocorrida na quarta-feira. O grupo é composto pelos governadores Marconi Perillo (GO) e Geraldo Alckmin (SP), pelo senador Aécio Neves (MG), pelo presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e por José Serra, ex-governador de São Paulo, que o preside. Com um braço e algumas costelas fraturados, depois de cair de um cavalo, Aécio não participou da reunião.

Intitulado “A nossa missão”, o documento abre lembrando as conquistas do governo FHC, caracteriza a “herança maldita” de Lula — real supervalorizado e juros elevados; gargalos na infraestrutura; saneamento deficiente e incapacidade de planejar —  e aponta as hesitações  do governo Dilma, de que as dificuldades para realizar as obras da Copa são um sintoma.

O texto ataca a chamada MP da Copa e sustenta que as mudanças na legislação “transformarão as obras públicas em puros negócios privados, como se os donos do poder fossem os donos do patrimônio e do dinheiro dos contribuintes.” E prevê: “Vêm aí superfaturamentos, atrasos e outros desperdícios de dinheiro público numa escala inusitada em nossa história.” O documento classifica o governo Dilma de “autoritário e incompetente”.

Numa espécie de “post scriptum”, afirma o Conselho:
“Temos um mundo de ações a fazer, pelo bem do nosso povo e do nosso país. Temos adversários políticos e um só possível inimigo: a desunião interna. Para mantê-la afastada, temos de insistir em duas condições.  Em primeiro lugar, a  combatividade das nossas direções, em todos os níveis,  evitando o  esmaecimento dos compromissos políticos e ideológicos dos militantes. Em segundo lugar, não antecipar as decisões sobre alianças e candidaturas em 2014; neste momento,  as nossas tarefas essenciais  são de reflexão, combate e reorganização do partido, em todo o Brasil.”

Segue a íntegra.

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Esta foi a primeira reunião do Conselho Político do PSDB, poucos dias depois do aniversário de 80 anos do seu presidente de honra, Fernando Henrique Cardoso. Ainda que lentamente, vem-se recobrando a razão no debate público. É mais freqüente hoje do que ontem o reconhecimento de que os oito anos do governo do PSDB, comandados por Fernando Henrique, tiraram o Brasil de algumas situações de atraso crônico; deram cabo da super-inflação; criaram a Rede de Proteção Social; marcaram um formidável avanço nas políticas sociais universais, como na  Educação, comandada pelo grande ministro Paulo Renato, que nos deixou, mas deixou uma obra inapagável;  ou na Saúde, quando o SUS afirmou-se como instituição fundamental da nossa sociedade; marcaram o compromisso do país com a responsabilidade fiscal e, junto com tantas conquistas, fortaleceram a democracia. À medida que o tempo passa, não temos dúvida de que a obra de Fernando Henrique e do PSDB se agigantam.

Justamente porque temos este passado, cresce a nossa responsabilidade com o presente e com o futuro. Porque, de fato, aquele passado é um fato bem  vivido: nós criamos alguns marcos do Brasil moderno que, é bem verdade, foram em parte absorvidos ou reciclados por nossos adversários, embora submetidos, muitas vezes, a um administrativismo sem ousadia e sem imaginação, quando não improvisado,  ineficiente e patrimonialista. Não conseguiram herdar do PSDB a capacidade de planejar e de preparar o país para desafios futuros, como fizemos. Hoje, mais do que ontem, já se reconhece que boa parte das conquistas do país se deve à nossa régua e ao nosso compasso.

Então, temos claro que é preciso avançar. Muita coisa está parada no país; outras tantas funcionam precariamente. Porque faltam ao governo clareza, convicção, propósito e, é forçoso dizer, competência. Feliz o partido que pode homenagear, então, um Fernando Henrique Cardoso e um Paulo Renato. Um partido vale não apenas pelos quadros que dispõe, mas também por aqueles que homenageia. Isso nos diz que se trata de um partido com passado e com futuro. Para o bem do Brasil.

Desenvolvimento e emprego
A maior necessidade no Brasil nas próximas décadas é criar muitos empregos de boa qualidade, que proporcionem melhor padrão de vida para as famílias, mais acesso a bens materiais e culturais, mais saúde, mais futuro.

Até 2030, mais de 145 milhões de pessoas de pessoas precisarão de postos de trabalho.  Para enfrentar esses desafios, é preciso que a economia cresça de forma rápida e sustentada.

Durante o mandato de Lula, graças ao seu talento de animador e à publicidade massiva, criou-se a impressão de que a era do crescimento dinâmico havia voltado para ficar.  Impressão, infelizmente, sem fundamento.

A herança maldita
O mais preocupante, em todo caso, não é esse desempenho modesto, mas as travas que o governo Lula legou ao crescimento futuro do país:

1. O perverso tripé macroeconômico: temos a carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento; a maior taxa de juros reais de todo o planeta, ainda em ascensão, e a taxa de câmbio megavalorizada. A isso se soma uma das menores taxas de investimentos governamentais  do mundo.

2. O gargalo na infraestrutura: energia, transportes urbanos, portos, aeroportos, estradas,  ferrovias, hidrovias e navegação de cabotagem. Um gargalo que impõe custos pesados à atividade econômica e freia as pretensões de um desenvolvimento mais acelerado nos próximos anos.

3. As imensas carências em Saneamento, Saúde e Educação, que seguram a expansão do nosso capital humano.

4. A falta de planejamento e de capacidade executiva no aparato governamental, dominado pelo loteamento político, pela impunidade, quando não premiação, dos que atentam contra a ética, e por duas predominâncias: do interesse político-partidário sobre o interesse público, e das ações publicitário-eleitorais sobre a gestão efetiva das atividades de governo.

Nem convicção nem rapidez
Sem poder reclamar publicamente da herança recebida, o novo governo promete que vai enfrentar os desafios, mas mostra falta de convicção e de rapidez, além de desorientação em matéria de prioridades, cujo símbolo maior é o trem-bala SP/RJ, sem dúvida o projeto de investimento mais alucinado de nossa história, não só pela precariedade técnica e pela inviabilidade econômico-financeira, como também pelo volume de recursos que exigiria.

A falta de convicção apareceu na crise do sistema aeroportuário, onde, depois de anos demonizando as privatizações, o PT e a presidente Dilma concluíram que melhor mesmo é privatizar. Depois de oito anos e meio, não têm, é claro, projeto algum nessa área, e só a modelagem necessária à licitação das concessões demorará até meados do ano que vem, enquanto o colapso dos aeroportos continuará a martirizar os passageiros.

A falta de rapidez fica visível em face dos quatro anos de atraso das providências para a Copa do Mundo. Assunto no qual, em vez de resolver os problemas, o atual governo optou pelo atropelo, tentando promover mudanças na legislação que transformarão as obras públicas em puros negócios privados, como se os donos do poder fossem os donos do patrimônio e do dinheiro dos contribuintes. Vêm aí superfaturamentos, atrasos e outros desperdícios de dinheiro público numa escala inusitada em nossa história.

Como regra, o governo vai atrás, bem atrás, dos acontecimentos e nem assim toma iniciativas efetivas. No ano passado, alegavam que nossas fronteiras - das mais escancaradas do mundo ao contrabando de armas e drogas -  eram as mais guarnecidas do planeta. Isso foi recentemente desmentido por grandes reportagens, e só por essa razão, depois de cortar recursos da vigilância do setor, o governo anunciou um grande plano, de corte puramente publicitário. Como o plano contra o crack, que nunca saiu do papel, e nem é essa a intenção dos responsáveis pela área, que negam a gravidade do problema. Ou, então o novo “plano” contra a miséria, um mero requentado publicitário do Fome Zero,  uma iniciativa que deu certo na propaganda, mas que nunca existiu na realidade.

No meio ambiente, o governo tampouco tem personalidade definida, no seu já  clássico zigue-zague. Procura parecer ortodoxamente ambientalista no debate do Código Florestal e é ortodoxamente anti-ambientalista no atropelo para fazer andar a hidrelétrica de Belo Monte. Radicalizou desnecessariamente nos dois casos, pois havia terreno para entendimento no Congresso Nacional e na sociedade sobre o novo código, e há também como encaminhar a utilização do potencial hidrelétrico de uma maneira ambientalmente e socialmente responsável.

Desindustrialização
No começo do mandato da atual presidente, divulgou-se a chegada de uma novíssima política econômica, em que o crescimento não mais ficaria constrangido pela luta anti-inflacionária. A inflação seria combatida com crescimento. O resultado foi a deterioração das expectativas, o pânico diante das ameaças de reindexação e um recuo desorganizado - uma rota de fuga para uma ortodoxia, diga-se,  de má qualidade.

O PIB contratado para este ano é medíocre, acompanhado de inflação perigosamente alta. O governo promete fazê-la convergir para a meta no ano que vem, mas já sinalizou que vai fazer isso prolongando o aperto monetário e o pé no breque do crescimento. Em resumo: depois das indecisões e vacilações na largada, vão acabar comprometendo pelo menos dois anos - metade do mandato. E, como a âncora exclusiva do ajuste é a cambial, isso causará um estrago ainda maior na indústria brasileira.

O crescimento medíocre produz resultados pobres, principalmente no emprego. Fica escondido o fato de que  a maioria das vagas criadas nos últimos anos paga  salários menores. Na faixa dos melhores empregos, os mais qualificados, o que se vê é estagnação ou o retrocesso. O desemprego entre os jovens está cada vez mais grave.

Emprego de qualidade depende também de indústria forte. E o binômio perverso juros-câmbio impõe o arrocho e a incerteza à indústria brasileira, que enfrenta dificuldades crescentes para competir no exterior e observa impotente a invasão de produtos estrangeiros a preços que sufocam a produção nacional. Estamos vivendo, sim, um processo de desindustrialização, como se o modelo agro-minerador pudesse proporcionar, por si só, os 145 milhões de bons empregos de que necessitaremos daqui a menos de 20 anos.

O que existe de atividade mais dinâmica resulta dos investimentos do petróleo ( mesmo atrasados, superfaturados e desorganizados), da agricultura e do dinheiro que vem de fora para especular. Na agricultura, porém, o governo ainda insiste em cevar o clima que criminaliza os produtores. Já o dinheiro externo vem para dançar a ciranda financeira e garantir os maiores rendimentos do mundo. Uma vez anabolizado, vai embora feliz da vida. Hoje, a fraqueza das nossas exportações nos torna dependentes do capital que faz uma escala e pode cair fora. Enquanto isso, nossa taxa de investimentos continua cronicamente baixa. E o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos, neste ano, da ordem de 65 bilhões de dólares, será o terceiro ou quarto maior de mundo.

Política Externa: quase más de lo mismo
Algo parecido acontece nos direitos humanos. Depois de tentar empurrar o Brasil para uma aliança estratégica com o Irã, cujo governo ditatorial prega um segundo Holocausto contra os judeus, o PT sentiu a rejeição da opinião pública, ensaiou um recuo, passou a dizer que os direitos humanos iriam adquirir centralidade na política externa brasileira. Mas a coisa ficou só no plano das declarações. Na prática, o governo do PT apoia o regime da Síria no massacre contra os movimentos a favor da democracia naquele país. Neste capítulo, um momento triste foi quando a presidente deu as costas à Prêmio Nobel da Paz iraniana Shirin Ebadi, para não melindrar o aliado Mahmoud Ahmadinejad. Parece que a atração do governo petista pelas tiranias segue inabalável.

É a verdade revelada na sua face mais cruel. O governo do PT é a favor de promover os direitos humanos em países governados por adversários do PT. Quando se trata de governos amigos do petismo, prefere-se o silêncio diante das violações, dos abusos, dos massacres. Para os amigos, as conquistas da civilização; para os nem tanto, a lei da selva. Não foi por menos, aliás,  que o  momento da vergonha veio quando o governo do PT decidiu afrontar a democrática Itália e dar proteção a um assassino comum, Cesare Battisti, só por ele ter amigos no PT.

O papel da oposição
Como oposição, temos o dever de acompanhar, estudar todas as principais questões nacionais a fundo, ver como vivem e sentir o que pensam as pessoas de todo o país, criticar, fiscalizar, cobrar promessas e apontar caminhos. Sem, no entanto, pretender virar governo no exílio, como reza a tradição tucana, de onde não vencemos a eleição.

A incompetência e o autoritarismo são as marcas deste governo, e o PSDB não renunciará à denúncia desses atos e buscará mobilizar a sociedade brasileira para superar este período difícil. Outros momentos da história do Brasil mostraram que governos com maiorias acachapantes no Congresso podem ser enfrentados por meio da mobilização social e política da sociedade pela democracia e pelo desenvolvimento.

Essa é a nossa missão e a ela não renunciaremos.

Combatividade e unidade
 
O texto anterior procura sistematizar a análise da conjuntura política brasileira, que deveria passar a ser rotineiramente (a cada dois meses) debatida em todos os diretórios locais do partido, em todo o Brasil. Do mesmo modo, cada diretório deve produzir sua carta de conjuntura local, para ser debatida pelos seus militantes e conhecida pelos órgãos superiores do partido.

Temos um mundo de ações a fazer, pelo bem do nosso povo e do nosso país. Temos adversários políticos e um só possível inimigo: a desunião interna. Para mantê-la afastada, temos de insistir em duas condições.  Em primeiro lugar, a  combatividade das nossas direções, em todos os níveis,  evitando o  esmaecimento dos compromissos políticos e ideológicos dos militantes. Em segundo lugar, não antecipar as decisões sobre alianças e candidaturas em 2014; neste momento,  as nossas tarefas essenciais  são de reflexão, combate e reorganização do partido, em todo o Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

Equipe econômica quer criar freio para gastos

Por Sheila D’Amorim e Valdo Cruz, na Folha:
Depois de perder a discussão sobre a prorrogação do prazo para o pagamento de gastos autorizados para emendas de parlamentares até 2009 e ainda não quitados, a equipe econômica tenta criar uma trava para as despesas previstas no Orçamento da União. A ideia é evitar que os gastos de custeio, que incluem desde o pagamento de servidores até a compra de material de escritório, cresçam num ritmo maior do que o PIB (Produto Interno Bruto, ou soma de bens e serviços produzidos no país). O instrumento, ainda em debate dentro do governo, poderá ser incluído no projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que fixa as regras para elaboração do Orçamento de 2012. Com isso, os técnicos da área econômica querem reafirmar ao mercado financeiro o compromisso com o controle das contas públicas. A credibilidade do governo na área fiscal ficou arranhada nesta semana, diante da possibilidade de o governo ter que desembolsar R$ 4,6 bilhões neste ano para honrar as emendas parlamentares que sobraram do Orçamento de 2009. O martelo ainda não foi batido, mas a proposta, que já havia sido cogitada anos atrás, foi colocada novamente na mesa pelo Ministério da Fazenda. A ideia já foi apresentada inclusive à presidente Dilma, que foi obrigada a ceder às pressões de sua base no Congresso.

Em nome de manutenção dos cortes de R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano, Dilma havia dito aos líderes governistas que não iria renovar o decreto que permite o pagamento das verbas. A ameaça de rebelião dos governistas, com promessas de votar contra o governo em projetos importantes como a correção da tabela do Imposto de Renda na Fonte, levou Dilma a recuar e ceder. O controle das despesas do governo federal -descontados os investimentos em obras e projetos considerados necessários para sustentar o crescimento do país- era a base da proposta de ajuste fiscal apresentada, em 2005, pela equipe econômica do governo Lula. Na época, a Fazenda era comandada por Antonio Palocci. Dilma, que era ministra da Casa Civil, considerou a proposta “rudimentar”. Palocci defendia a proposta como forma de se fazer, rapidamente, economia suficiente para cobrir as despesas com a máquina, com investimentos e, também, com pagamento de encargos financeiros da dívida pública. Era a chamada meta de “deficit nominal zero”. Dilma liderou o grupo contrário à sugestão, que foi engavetada. Mais recentemente, no entanto, já na Presidência, ela ouviu novamente a proposta como uma alternativa para abrir espaço no Orçamento. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Fishlow defende corte de gastos de verdade

Por Mariana Carneiro, na Folha:
Debelar a inflação e manter o crescimento são desejos inconciliáveis, diz Albert Fishlow, 75, professor emérito da Universidade Columbia e da Universidade Berkeley, que estuda o Brasil há mais de 40 anos: “Não funciona”. A resposta para sair desse dilema é o corte “verdadeiro” das despesas do governo. À FolhaFishlow decretou a obsolescência do superavit primário e diz que só o reordenamento dos gastos do país levará o Brasil a taxas de crescimento mais elevadas.

Folha - É possível combater a inflação e manter o crescimento da economia?
Albert Fishlow - Quando se tem dois objetivos na economia e apenas um instrumento, não funciona. São necessários dois instrumentos. O instrumento principal -utilizado há muitos anos- é a política monetária [ajuste da taxa de juros]. O que está faltando é a política fiscal. Foi por causa disso que a presidente Dilma anunciou no início do ano uma redução de despesas. Mas o corte vem depois de um aumento dos gastos no ano passado.

Mas o governo não está fazendo superavit primário?
Superavit primário não é um superavit real. É um esforço que não considera as despesas com juros. Se o Brasil está interessado em ter uma taxa de juros mais baixa, tem que reduzir os gastos governamentais, criar um superavit ou ao menos eliminar o deficit fiscal [tudo que é gasto além da arrecadação]. Não há razão para o Brasil, com os preços de commodities altos, não ter superavit fiscal. O Chile, que produz cobre, tem superavit.

Então não adianta fazer superavit primário?
Foi uma boa ideia no início. Mas hoje cria erros, porque tem gente no país que acha que há superavit, quando na verdade o que se tem é um deficit de cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto.

Se não é possível alcançar crescimento e combater a inflação ao mesmo tempo, o que o governo deve priorizar?
Neste momento, a redução da inflação. Senão o crescimento futuro vai ser menor: o governo terá de aumentar ainda mais os juros, vai ter que mexer ainda mais na taxa de câmbio e vai ter que limitar mais ainda os investimentos em infraestrutura.

O governo aposta em medidas para conter o crédito para ajudar a controlar a inflação sem abater o crescimento.
Pode ter impacto, mas não vai ser suficiente para evitar uma ação maior na área fiscal. E, veja bem, quando falamos de uma diferença entre o crescimento produzido com a política que estou descrevendo e o da política atual, não falo de algo grande.

De quanto?
Estamos falando de 3,5% de crescimento em vez dos 4,5% que o ministro Guido Mantega está prevendo. Temos outro problema, que é a falta de investimento dentro do país. O país não tem como crescer sem aumentar o investimento para tratar problemas de infraestrutura. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

“Regime Desesperado de Contratação” pode encarecer a Copa, dizem procuradores

Por ROdrigo Vargas, na Folha:
Procuradores do Ministério Público de Contas que atuam no Tribunal de Contas da União em Brasília disseram ontem em Cuiabá que as obras para a Copa de 2014 são conduzidas sem planejamento e com novas regras de licitação que poderão encarecer a conta final do evento. “É o regime desesperado de contratações”, ironizou o procurador Júlio Marcelo de Oliveira, ao se referir ao RDC (Regime Diferenciado de Contratação), pacote do governo que flexibiliza as regras de licitações para a Copa e a Olimpíada de 2016. Outro procurador que atua no TCU, Sérgio Caribé, minimizou a possibilidade de um legado positivo para a sociedade em razão dos investimentos para os eventos. “Eu vejo com muita tristeza que vamos gastar demais para tentar evitar uma repercussão internacional negativa”, disse Caribé.

Os procuradores se manifestaram durante o 5º Fórum Nacional de Procuradores de Contas, em Mato Grosso. Oliveira disse que as mudanças no regime de contratações públicas são a “única maneira de terminar as licitações a tempo”. “E não por falhas da legislação atual, mas porque o país tem uma cultura de falta de planejamento.” Segundo ele, a questão do sigilo nos orçamentos das obras “está superada”. “O problema maior é a implementação de um modelo de licitação com o qual não temos experiência.” Portaria do Ministério Público de Contas reservou apenas ao procurador-geral, Lucas Furtado, o acompanhamento dos processos relacionados à Copa. Para Oliveira, a situação é “uma barreira”. A Folha entrou em contato com o gabinete do procurador-geral e deixou recado, mas ninguém ligou de volta.

Por Reinaldo Azevedo
Políticos e especialistas reagem às mentiras deslavadas de artigo de Sarney

Por Isabel Braga e Adauri Antunes Barbosa, no Globo:
Após ser criticado por ter chamado, em sua biografia, o ex-deputado Ulysses Guimarães de “político menor”, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), voltou a ser alvo de condenações pelo artigo publicado nesta sexta-feira no jornal “Folha de S. Paulo”. No texto, Sarney diz que, sem o Plano Cruzado, teria sido deposto da Presidência. Também afirmou que o plano foi “a primeira grande redistribuição de renda do Brasil”. E que em seu governo o Plano Real já estava idealizado, mas não foi implementado por falta de “condições políticas”.

Para o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), Sarney quer rever a História de um plano econômico terrível: “É uma tentativa revisionista. O Cruzado foi uma ilusão terrível, uma maneira que se encontrou de eleger governadores peemedebistas e políticos governistas. Encerradas as eleições, vieram os reajustes. Um plano equivocado, mal construído, um fiasco, um estelionato econômico e eleitoral contra a população e a nação brasileira”.

Tucano diz que plano Cruzado foi eleitoreiro
O líder do DEM afirmou que o Plano Cruzado dificultou a busca pela estabilidade econômica, e não o contrário, como defende Sarney no artigo: “Ele deveria é reconhecer que foi levado ao erro por economistas demagogos e não ficar enaltecendo um engodo. Para consertar o erro, foi preciso a política econômica feijão com arroz do Mailson da Nóbrega, que deu fundamentos para a estabilidade. Foi a parte responsável do governo Sarney.”

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), disse que o Cruzado foi um plano eleitoreiro:”Aquilo foi um estelionato eleitoral, serviu para eleger governadores do PMDB. Não tem a mínima comparação com o Real, nem na concepção, nem nos fundamentos econômicos e, sobretudo, nos resultados”.

Para especialista, Sarney tenta mudar História
O historiador Marco Antonio Villa, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), também criticou Sarney: “Sarney está criando um passado que não existe, criando um marimbondo de fogo histórico. Confesso que fiquei enojado com esse artigo. O artigo esconde o fracasso do Plano Cruzado e de seu governo porque tenta se apropriar do sucesso dos outros. É um estelionato histórico.” Para o professor da UFSCar, Sarney “delira” quando afirma que poderia ter sido deposto:”Isso não existe. É um delírio. Em 1986 não havia nenhuma mobilização, nenhum movimento militar. E um ano antes já havia sido convocada a Assembleia Nacional Constituinte. Não havia nenhum clima golpista.” 
Aqui

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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