Dilma elogia herança de Lula pela 3ª vez em 6 dias e ignora história ao falar sobre agricultura familiar

Publicado em 12/07/2011 12:54 e atualizado em 12/07/2011 23:22 741 exibições
do Blog de Reinaldo Azevedo, na veja.com.br

Dilma elogia herança de Lula pela 3ª vez em 6 dias e ignora história ao falar sobre agricultura familiar

A presidente resolveu frustrar bem depressa as expectativas daqueles que apostavam numa Dilma Rousseff, digamos, independente, disposta a criar a sua própria herança. Hoje, pela terceira vez em seis dias, ela resolveu elogiar a “herança bendita” de Lula, agora na agricultura familiar, conforme vocês verão abaixo. Parece ter ficado para trás um certo viés tendente a corrigir as mentiras do PT no que concerne à história. Parece que o incentivo à agricultura familiar começou em 2003, no primeiro ano do governo Lula. O Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) foi criado em 1996, no governo FHC, debaixo do porrete dos petistas. Quando Lula chegou ao poder, o programa já tinha sete anos. Leiam o que segue:

Por Fernando Gallo, no Estadão Online:
A presidente Dilma Rousseff atribuiu hoje ao seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avanços na política agropecuária nacional e voltou a dizer que recebeu uma “herança bendita” da gestão anterior. A expressão já havia sido usada pela presidente ontem, em cerimônia de entrega do Prêmio Anísio Teixeira, numa resposta aos que avaliam que a presidente está se afastando nas últimas semanas do seu padrinho político. No evento de hoje, a presidente destacou que o ex-titular do Palácio do Planalto foi um “grande defensor” da agricultura familiar e salientou que, desde 2003, são dados “passos e mais passos” em direção a uma política que cada vez mais contemple os interesses dos agricultores familiares.

“Eu queria reconhecer em público no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva um grande defensor da agricultura familiar”, afirmou a presidente, durante cerimônia oficial de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2011/2012. “Eu recebi uma herança bendita no que se refere a toda política de desenvolvimento familiar e de toda a atividade agropecuária do Brasil”, afirmou. A presidente ressaltou ainda que a agricultura familiar tem sido responsável pela redução da desigualdade social e salientou que a atividade familiar se transforma a cada dia em uma “verdadeira sustentação da qualidade de alimentação do povo”. “Nós somos um País que tem a obrigação de, por meio da agricultura familiar, transformar o brasileiro que está à margem da linha da pobreza em consumidor e produtor”, afirmou. “O Brasil precisa, para ser uma das maiores economias do mundo, do esforço do agricultor familiar”, acrescentou.

A presidente ressaltou ainda que a agricultura familiar na Região Sul do Brasil é um “exemplo para o resto” do País. “De como é possível ter na agricultura familiar uma produção que prime pela qualidade e também pela capacidade de elevar a renda de todos aqueles que nela participam”, afirmou. O evento também contou com um discurso gravado do diretor da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano, que destacou que é a primeira vez que discursa em um evento brasileiro desde que foi eleito para o cargo. Ele parabenizou a presidente pela iniciativa e defendeu que não pode haver hoje segurança alimentar sem o apoio à agricultura familiar. “A agricultura familiar é um conceito que vem evoluindo, sendo hoje parte de uma grande solução”, afirmou.

Programa agrícola
Na cerimônia, promovida em Francisco Beltrão (PR), o governo federal anunciou um pacote de medidas para o setor, entre elas a garantia de preços mínimos para a agricultura familiar, o aumento do limite de financiamento e a redução de taxas de juros máxima de investimento. O programa destina um montante de R$ 16 bilhões para o setor, R$ 7,7 bilhões para investimentos e R$ 8,3 bilhões para custeio.

Por Reinaldo Azevedo


A “deslulização” do governo é uma fantasia tola!

A coisa mais inútil com que se gastam papel e tinta (e tempo, no caso da Internet) é o suposto confronto entre a presidente Dilma e Luiz Inácio Apedeuta da Silva. Pode haver um desconforto aqui, outro acolá. É dado pela natureza da equação: Dilma tem a caneta, coisa com a qual Lula, subjetivamente, não se conforma até hoje. Deve passar noite e dia se perguntando: “Não fosse eu, ela seria o quê?” E o espelho lhe dá uma resposta correta: “Nada!” Mas é ela a presidente, não ele, o que o infelicita um tantinho. Que importância tem isso? Nenhuma! E já digo por quê. Antes, algumas outras considerações que me parecem relevantes.

Todos descontentes
Uma coisa é fato: ninguém está muito contente na chamada “base aliada”. Até os petistas vivem batendo cabeça, mais divididos em grupos no Congresso do que nunca. É claro que isso deriva também do tamanho inédito das bancadas. Mas esse fator não explica sozinho as atrapalhações. Divisões sempre houve — a questão é haver quem as una. Não há ninguém a fazê-lo de modo eficiente. Ademais, vê-se um governo acuado, de maneira que parece (e não é!) inédita, por denúncias de irregularidades. Qual é a origem desse mal-estar?

O PT
Dilma não é Lula, e esse é o grande problema dos governistas. Muito especialmente depois do mensalão, o real coordenador político do governo Lula era… Lula! O “mito” 
 ninguém ousa contestá-lo na legenda, por mais graduado que seja, e quem já o fez se deu mal  resolvia todas as contendas, dirimia todas as dúvidas, dava a palavra final, e não se tocava mais no assunto. Isso acabou! Dilma não tem essa autoridade no partido, e todo mundo, a começar da própria, sabe disso. Mas não era só na sua legenda que sua palavra era lei.; também entre os aliados  e aí é a história de Lula que conta. Explico-me.

Os aliados
O Lula sindicalista e o Lula político nunca tiveram o menor pudor em fazer acordos com adversários ou rifar aliados se a ação servisse para, nesta ordem: a) fortalecê-lo individualmente; b) fortalecer o seu grupo; c) fortalecer seu partido. Nesse sentido, o Apedeuta é o político mais despudorado do Brasil. Conheço empresários que já negociaram com o antigo líder sindical e conheço políticos que negociaram com o chefe máximo do petismo. Todos são unânimes em dizer que ele é de um, como dizer?, pragmatismo desconcertante. NINGUÉM PRECISA TER RECEIO DE SER O QUE É NA FRENTE DE LULA. Atendidas aquelas premissas, tudo é possível.

O Apedeuta acredita que seu partido tem a moral da história e que, por isso, ele pode fazer política na mais absoluta amoralidade, que tudo está plenamente justificado. Nesse estrito sentido, ele é o melhor herdeiro da esquerda: o que importa é o feito, e não se faz omelete sem quebrar ovos. Isso explica o fato de que tudo o que havia de mais atrasado, de mais reacionário, de mais detestável e de mais venal na política se juntou ao petismo. Isso explica, também, o fato de que Lula e o PT não tiveram a menor dificuldade de se adequar àquilo que certos patriotas do patrimonialismo entendem por capitalismo no Brasil. Com Dilma, essas forças não conseguem ter a mesma desenvoltura. Não que ela seja de outra cepa necessariamente  afinal, é a criatura; isso é inegável. Ocorre que é preciso ter certo “talento” para negociar os pleitos “republicanos” da base aliada. E ela não é exatamente do ramo.

Cara-de-pau
Há também a formidável cara-de-pau de Lula, que Dilma nunca terá porque é outra a sua origem. Não goza da inimputabilidade que o Brasil, infelizmente, conferiu ao Apedeuta. Diante dos escândalos mais cabeludos, ele aparecia para afrontar a oposição, para chutar canelas, para acusar conspirações da “mídia”, o que animava a torcida, num grande movimento dos ruminantes a justificar a lambança, especialmente a rataiada que se espalha na Internet. Por mais que faça, ela não tem essa disponibilidade de caráter, esse “talento” específico. Essas coisas acabam fazendo diferença.

É bem possível que, com Lula presidente, a sem-vergonhice do Ministério dos Transportes merecesse outra abordagem. Aliás, não há nada que se tenha feito lá nos últimos seis meses que não viesse sendo feito nos oito anos imediatamente anteriores. Isso explica, por exemplo, a situação miserável das estradas federais brasileiras, que pioraram de modo formidável na gestão petista.

Dilma conseguiu herdar milhões de votos de Lula, herdou uma boa parcela de seus ministros, herdou uma penca de maldições que estão caindo no seu colo, mas ele não conseguiu lhe transmitir a habilidade no trato com a amoralidade. Muito bem! Dito isso,  voltemos ao primeiro parágrafo.

Dissensões irrelevantes
Caracterizar, como fiz, o mal-estar e apontar as suas razões dizem-nos das inabilidades de Dilma, não de sua moral distinta; falam-nos da falta de uma aptidão específica, não de um outro norte. Esse é o governo do PT, e Dilma inexiste sem o partido — e o partido pertence a Lula. Ponto final! Imaginar uma “deslulização” do governo é dessas perdas de tempo que seduzem muita gente, mas que não darão em nada. Até porque o governo que Dilma herdou é aquele que ela ajudou a construir. Algumas farsas 
 como a dimensão e a velocidade do PAC ou do “Minha Casa, Minha Vida”  foram construídas com a ajuda da agora presidente.

Daqui a pouco chega 2012. Lula já se movimenta de modo frenético e é quem está organizando o partido para as disputas do ano que vem. Esses breves flertes de Dilma com a racionalidade  reconhecendo o trabalho de FHC ou admitindo que os programas sociais do país antecedem a chega do PT ao poder perderão força, e o PT, unido, liderado por Lula, subirá no palanque para o discurso de sempre, de satanização das oposições (coisa que é diferente de confronto) e do passado. Dilma não é exatamente um cabo eleitoral eficiente e, se quiserem saber, não terá nem mesmo saúde para enfrentar maratonas eleitorais.

Isso quer dizer que Lula voltará, já voltou, com tudo, reassumindo seu papel de líder inequívoco das forças que estão atualmente no governo. As supostas divergências entre ambos que hoje embalam alguns sonhos e que encantam colunistas vão virar pó; perderão qualquer importância. Fechadas as urnas, já se estará em ano pré-eleitoral. E Lula terá aberto a avenida para voltar a ser indicado como o homem capaz de “re-unir” o PT.

A “deslulização” do governo é só uma fantasia tola.

Por Reinaldo Azevedo

José Eduardo Cardozo e a arte do “enrolation-tion-tion”

Escrevi ontem um post, às 18h39, intitulado A naturalização do escândalo e do absurdo. Chamava a atenção para o fato de que, aos poucos, os descalabros vão sendo tratados como coisa corriqueira, normal. Ainda vamos acabar nos espantando quando ficar constatado que um órgão público cuida direito do dinheiro do… público. Já se disse aqui tantas vezes: é claro que o PT não inventou a corrupção. A grande contribuição do partido nessa área foi tê-la tornado ou uma categoria de pensamento (quando os larápios são os próprios petistas) ou uma imposição do pragmatismo (quando algum aliado é flagrado com a boca na botija). Por que volto ao tema?

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que pertencia à mesma corrente política de Tarso Genro e de quem é uma espécie de afilhado intelectual, demonstra que pode superar o próprio mestre em matéria de patranha legal. Na crise que colheu o Ministério dos Transportes, resolveu dar uma, como a gente chama em Dois Córregos, de João-sem-braço… Faz-se de bobo na suposição de que  bobos são os outros.

Ele voltou a dizer ontem que a Polícia Federal já investiga “há tempos” o Ministério dos Transportes. Também o MP e a Controladoria Geral da União estavam de olho na pasta. Sei. De fato, há operações da PF destinadas a apurar superfaturamento de obras, algumas delas do Ministério dos Transportes. Mas e daí? É só disso — e não que isso seja pouco! — que se trata? Não!

A reportagem de VEJA que derrubou a cúpula dos Transportes, inclusive o ministro, dá conta de algo ainda mais grave: além da roubalheira, havia também a cobrança de pedágio de empresas de serviço e de empreiteiras, 4% e 5% respectivamente, para ser entregue à cúpula do PR. Se o dinheiro ia todo parar na caixa do partido, não se sabe. Tudo indica que não! Há gente que viu seu patrimônio crescer espantosamente.

Cardozo teve um bom professor de “enrolation” e vai se mostrando também ele notável na arte do diversionismo. Ainda que houvesse uma investigação específica para cada obra do Ministério dos Transportes, o que a PF tem de fazer agora é investigar o envolvimento da cúpula do PR — inclusive de Alfredo Nascimento — e a tal formação da caixinha. Para isso, que se saiba, não há inquérito nenhum. E suponho que a investigação deva começar imediatamente, ou Dilma botou toda aquela gente pra fora por quê?

Ora, o que precisa ser investigado é uma espécie de central do crime, organizada em Brasília, não apenas as ladroagens feitas no varejo neste ou naquele estados, ainda que estas sejam gigantescas. Há uma questão aí, pois, que também é de natureza política. Fato novo? O que mais espera Cardozo. Ele já em fatos “velhos” o que chega, não? São aqueles que levaram a corriola toda à demissão.

Relembrando um fato marcante
Quem não se lembra da operação da PF que pôs fim ao cleptogoverno de José Roberto Arruda no Distrito Federal? E não que eu esteja aplaudindo o que veio depois; o fato é que aquele tinha mesmo de cair. Pois bem: depois de alguma investigação, a PF se encarregou de fazer de um alto executivo do governo, sob o estímulo da delação premiada, um seu espião, o “filmador-geral da República”. E os horrores ganharam aquela concretude que se viu. Arruda estava, então, no DEM, um partido de oposição. Embora tenha ficado claro que se tratava de uma questão local, a imagem do partido saiu arranhada. É claro que o episódio foi eleitoralmente benéfico para o PT e para Dilma.

Cardozo diz agora que há tempos a Polícia investiga o Ministério dos Transportes. Certo! Cadê as fitas? Cadê a personagem da delação premiada? Onde estão os maços escondidos em meias e cuecas? Cadê a personagem infiltrada para o espetáculo? Não há.

Então ficamos assim? Quando se trata de um governo adversário, monta-se uma arapuca para pegar larápios — e isso está certo! —, mas quando o alvo são os aliados do governo, o Ministério da Justiça aguarda “fatos novos”, não bastando nem mesmo aqueles que levaram a presidente a demitir o comando do ministério.

Não cola, ministro!

Por Reinaldo Azevedo

O depoimento calculado de Pagot: status da crise está congelado, e ameaças permanecem

O depoimento de Luiz Antonio Pagot, diretor-geral afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) no Senado, foi mais calculado do que se imagina e representa uma aposta na impunidade. Vamos ver o que ele fez.

Uma ameaça paira nos bastidores: se o governo quiser mandar a turma do PR para a degola, os patriotas partem para a retaliação — e para a retalhação; a tal briga de foice no escuro — e demonstra que, no Dnit e outros órgãos dos Transportes, os diretores apenas cumpriam “ordens”. O senador Blairo Maggi (PR-MT) não cansa de dizer isso por aí — em “on” mesmo, às claras, não em “off”. No Dnit em particular, já tinha deixado claro Pagot, nada se decide sem a concordância de Hideraldo Caron, diretor de Infraestrutura Rodoviária e homem do PT. Mais: houve a insinuação de que o dinheiro irrigou a campanha de Dilma Rousseff à Presidência.

Isso bastou para esfriar o ânimo moralizador do governo e criou a tensão pré-Pagot: “O que será que ele vai dizer no Senado?” Ora, ele fez a “coisa certa” do ponto de vista do PR e do interesse dos valorosos homens públicos desse partido: negou qualquer irregularidade, afirmou que as decisões são colegiadas — logo, não há irregularidades e, pois, culpados —, mas também livrou a cara da presidente Dilma Rousseff e do governo. Desta feita, Pagot deixou Hideraldo de lado e negou que tenha sugerido lambança na campanha eleitoral de Dilma.

Pagot congelou o status da crise no ponto exato em que estava. Continua nas mãos do governo a responsabilidade de contornar o imbróglio. Ele está dizendo que Dilma derrubou por nada toda a cúpula dos Transportes — já que inexistiriam irregularidades — e que o governo e o PT não podem ser considerados cúmplices do que nunca existiu…

Certo! Agora submetamos o que vai acima a uma ligeira mudança. Digamos que as irregularidades tenham existido… Bem, aí tudo muda de figura, e o PR recoloca Dilma e o PT na equação. Vale dizer: o PR está dizendo para o Planalto dar um jeito de tirar o partido e seus patriotas do enrosco.

Por Reinaldo Azevedo

A nova forma do delírio megalômano de Dilma - Governo vai fatiar leilão do trem-bala

Por Eduardo Rodrigues, no Estadão:
O leilão do trem-bala, previsto para ser iniciado ontem, fracassou. Às 14 horas, foi encerrado o período para entrega de propostas, como previa o edital, sem que nenhuma empresa se apresentasse na BMF&Bovespa, em São Paulo. A fase final do leilão estava marcada para o dia 29 de julho. Diante do fracasso do leilão do trem-bala, planejado para ligar Campinas a São Paulo e Rio, o governo decidiu fatiar a licitação em duas partes para tentar tornar o projeto mais atrativo para empresas estrangeiras detentoras da tecnologia e para as empreiteiras brasileiras interessadas nas obras civis. A licitação já havia sido adiada duas vezes.

“Percebíamos que havia possibilidade de não haver propostas, mas achávamos que tínhamos os elementos para um processo disputado”, afirmou o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo. Mas sem ter a quem entregar a responsabilidade pela construção da obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), orçada a princípio em R$ 33 bilhões, o governo precisou mudar radicalmente o processo de concessão, quebrando-o em duas etapas para tentar tornar o empreendimento viável.

A primeira fase da nova licitação tratará apenas da tecnologia e da operação dos trens. “Temos confiança de que vamos ter processo disputado nessa etapa”, disse Figueiredo. Entre os principais grupos que se mostraram interessados na operação do trem-bala brasileiro, estão empresas espanholas, francesas, alemãs, coreanas e japonesas. Somente após a escolha da tecnologia e a conclusão pelo consórcio vencedor de um projeto executivo para a linha do trem é que as obras civis serão licitadas.

A segunda etapa será mais complexa. O consórcio que ganhar terá de fazer novas licitações - nos moldes determinados pelo governo - para escolher outras empresas que construirão trechos do trajeto. “O vencedor terá de licitar trechos das obras para empresas médias e grandes, nacionais e internacionais”, afirmou Figueiredo. Na prática, um consórcio cuidará da implantação e operação dos trens, a um custo estimado pela ANTT em R$ 9 bilhões, pagando ao governo um aluguel pelo uso dos trilhos.

Na outra ponta, outro consórcio licitará a construção de trechos por outras empresas, a um custo de R$ 24 bilhões, e será remunerado pelos pagamentos feitos pelo grupo operador das linhas e outras receitas, como a operação de hotéis e publicidade nas linhas. As concessões terão a duração de 40 anos. O governo manteve o valor de sua participação direta na obra, de R$ 4 bilhões, a serem aplicados pela estatal Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (Etav) e o financiamento de R$ 22 bilhões pelo BNDES. “Não haverá aumento da participação do governo no projeto”, concluiu Figueiredo.

Por Reinaldo Azevedo
Eis o governo “republicano” de Tarso Genro

Por Felipe Bächtold, na Folha:
Um deputado estadual do PTB gaúcho disse que ele e cada um dos demais deputados do partido, por serem da base aliada do governador Tarso Genro (PT), têm direito a indicar funcionários comissionados que somam R$ 80 mil mensais em salários. A afirmação foi feita pelo deputado Ronaldo Santini durante debate na rádio Gaúcha com o deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS): “Nós temos um valor de R$ 80 mil para cada deputado estadual nomear”. Procurado pela Folha, Santini disse que não iria se manifestar sobre o assunto. A declaração acirrou a polêmica sobre a partilha de cargos no Estado. Neste ano, a administração do PT criou mais secretarias e ao menos 334 cargos de confiança.

Em junho, o governo Tarso, com uma ligeira maioria na Assembleia, precisou recuar em alguns pontos para aprovar um pacote de reforma da previdência estadual. Na ocasião, o governador disse que a vitória no Legislativo impediria uma “crise grega” no Rio Grande do Sul. Até um órgão do próprio governo contesta a criação de mais cargos de confiança. O Conselho Deliberativo do Instituto de Previdência do Estado considerou que as 57 novas posições de coordenador e gerente instituídas no órgão são desnecessárias. A Casa Civil afirmou que extinguiu 198 funções comissionadas neste ano. Líder do governo na Assembleia, Miriam Marroni (PT) negou a divisão de cargos: “Foi uma declaração sem fundamento” [de Santini]. Sobre a criação de mais cargos, Marroni afirmou que o PT recebeu um Estado “esvaziado” e agora tenta fazer uma reestruturação.

Por Reinaldo Azevedo
“Marina foi autoritária”, diz presidente do PV

Por Roldão Arruda, no Estadão:
Com a saída da ex-senadora Marina Silva, o PV já começa a se articular para a eleição municipal de 2012. Em entrevista ao Estado, o presidente da legenda, deputado José Luiz Penna (SP), enfatizou ontem que vai reforçar a aliança política dos verdes com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab - que deixou o DEM para montar um novo partido, o PSD. Conta com o apoio dele para lançar como candidato a prefeito da capital o atual secretário do Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV-SP). No Rio, o candidato citado por ele é Fernando Gabeira.

No encontro, Penna mostrou-se aliviado com o fim da polêmica, que se prolongou durante quatro meses, com Marina e o grupo político que a acompanha: “Foi um período muito dolorido. Nós precisávamos de um desfecho. Não dá para querer transformar uma dificuldade interna numa agenda política para o País, como tentaram fazer. O que interessa são os postulados que estamos defendendo e que fazem com que a sociedade caminhe cada vez mais a nosso favor. A quantidade de pessoas que nos procura, com intenção de disputar eleições, é enorme”.

Sobre as críticas que vinha recebendo de Marina, de que o PV está engessado numa estrutura de comando verticalizada e autoritária e que é graças a isso que Penna se mantém no cargo de presidente há 12 anos, ele respondeu: “Não mando nem em minha casa. Sou apenas porta-voz do partido. Os conservadores têm dificuldades para nos codificar, devido à nossa experiência original de direção coletiva, horizontal. O grupo político de Marina não digeriu bem isso. Por mais que eu dissesse que precisava consultar o coletivo antes de tomar decisões, eles não levavam em consideração. Traziam propostas autoritárias de afastamento de pessoas que não iam bem. Ora, se uma pessoa segura o partido em determinada região do País há 20 anos, eu preciso sentar e dialogar com ele. Não dá para tratorar o PV”.

A Executiva nacional do partido deve se reunir logo após o recesso parlamentar, no início de agosto. Um dos principais assuntos da pauta, segundo Penna, deverá ser a relação com dissidentes que, embora endossem as ideias de Marina e participem do movimento que ela está criando, vão continuar filiados ao PV. O caso mais emblemático é o do deputado federal e fundador da legenda, Alfredo Sirkis (RJ), que se mantém na legenda para não correr o risco de perder o mandato.

“Essa questão é a nossa maior dificuldade no momento”, disse Penna. “Aceitar o proposta do Alfredo, de ficar no partido enquanto tiver mandato, porque não tem para onde ir, é aceitar o papel de barriga de aluguel. O Alfredo é um parceiro histórico, não é alguém de passagem pelo partido, mas devemos conversar. O PV não quer ser barriga de aluguel para ninguém.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Empresa que doou para PR e Gleisi multiplica contratos

Na Folha:
Uma empreiteira do Paraná, que concentrou doações eleitorais para partidos aliados do governo e é alvo de investigações por irregularidades, aumentou em 1.273% seus contratos com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) de 2004 a 2010. Desde o início do governo Lula, a Sanches Tripoloni, de Maringá, vive um crescimento em seus contratos. Saiu de R$ 20 milhões em 2004 para R$ 267 milhões no ano passado (valores atualizados). Em maio de 2009, a empresa foi declarada inidônea pelo TCU (Tribunal de Contas da União), ou seja, proibida de fazer negócios com a administração pública. Auditoria concluiu que a licitação em que a empreiteira conquistou um contrato com o Dnit para fazer o contorno rodoviário em Foz do Iguaçu (PR) “deu-se de forma extremamente viciada”.

Entre as irregularidades, foi apontado um sobrepreço de R$ 9,9 milhões. Em dezembro passado, após recurso apresentado pela empreiteira, o TCU aceitou argumentos de que as provas colhidas contra a empresa não eram conclusivas, mas apenas “indiciárias”. Ano passado, quando estava impedida de fechar contratos, a Tripoloni doou R$ 2,5 milhões para campanhas do PR, que controla o Dnit. Do total, R$ 500 mil foram para o padrinho do diretor-geral afastado do órgão, Luiz Antonio Pagot, o senador Blairo Maggi (PR-MT).  Desde o início da crise nos Transportes, políticos do PR dizem, sem apresentar provas, que Paulo Bernardo atuou em prol de empreiteiras, o que ele nega. A construtora também repassou R$ 510 mil para a campanha da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), mulher do ministro Paulo Bernardo (Comunicações). Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Mulher de empresário conta que ele subornou funcionários em banheiro da sede da prefeitura de Teresópolis

Por Antonio Werneck, no Globo:
Pelo menos uma vez, em 2010, o pagamento de propina a funcionários públicos de Teresópolis foi feito dentro de um banheiro na própria prefeitura, revelou em depoimento ao Ministério Público Federal uma administradora de empresas. Encarregada do setor de administração de uma construtora e mulher do empresário que denunciou a existência de um suposto esquema de pagamento de propinas a secretários municipais, ela afirmou que tratou do assunto em duas oportunidades, por e-mail. Disse ainda que tem cópias das mensagens eletrônicas e que pode fornecê-las à Justiça. A denunciante reconheceu que agora teme por sua vida, pela do marido e pela dos filhos.

No depoimento, ela informou que cuidava de toda a administração da empresa. Em 2010, quando passou a tratar pessoalmente da contabilidade com autoridades de Teresópolis, soube que a empresa do marido teria que pagar uma propina de 5% a 10% aos então secretários José Alexandre (de Governo) e Paulo Marquesine (de Obras), também citados pelo empresário em depoimento ao Ministério Público Federal em março. A mulher contou, que, em determinado momento, foi bastante pressionada por José Alexandre para fazer o pagamento. Ela disse “ter ficado consternada, extremamente constrangida com a intimidação de José Alexandre, exortando-a ao pagamento de uma obrigação ilícita com uma pressão de emparedamento que parecia a de um assaltante”.

A administradora depôs em abril. Ela afirmou que o suposto reajuste na cobrança de propina na prefeitura foi acertado dois dias após as enxurradas de janeiro. Contou ainda que foi a uma reunião na sede do Executivo municipal onde estariam representantes das empresas Vital e Terrapleno. Depois do encontro, foi informada pelo marido que ele havia pago propina dentro do banheiro da prefeitura.

Inquérito investiga desvio de verbas
O inquérito do Ministério Público Federal foi instaurado para apurar o suposto desvio de recursos federais enviados ao Estado do Rio, pelo Ministério da Integração Nacional, após as enxurradas. De um total de R$ 100 milhões destinados a ajudar na reconstrução da Região Serrana, Teresópolis recebeu R$ 7 milhões.

Como O GLOBO noticiou domingo, o empresário denunciou à Justiça Federal um suposto esquema de propina na prefeitura de Teresópolis, envolvendo secretários municipais e funcionários públicos . Um acerto entre empreiteiras e autoridades elevou, de 10% para 50%, a taxa da propina para a aprovação de contratos de serviços. Na tragédia do início do ano, mais de 900 pessoas morreram.

A prefeitura de Teresópolis, em nota, negou todas as acusações, mas informou que abriu sindicância para apurar o caso. Procurados, os dois ex-secretários municipais citados nos depoimentos não foram localizados para responder às acusações.

O Ministério de Integração Nacional informou que deverá pedir uma investigação ao procurador-geral da República e ao diretor-geral da Polícia Federal, caso o relatório que está sendo elaborado pelo MPF aponte indícios de crime. O ministério garantiu, em nota, que, com a finalidade de acompanhar e fiscalizar as ações a cargo do governo do estado e dos municípios atingidos pela tragédia, a Secretaria Nacional de Defesa Civil já realizou duas inspeções, tendo agendado uma nova para agosto. “A primeira vistoria restringiu-se à constatação in loco da implementação das ações de defesa civil, enquanto a segunda se destinou à análise físico-contábil das tarefas executadas”, disse. O relatório da segunda inspeção, informou o órgão, será concluído até sábado.

Para o ministério, é importante destacar que a lei 12.340/2010 impõe ao “Poder Executivo federal o dever de apoiar os estados, o Distrito Federal e os municípios em situação de emergência ou estado de calamidade pública”. O órgão, porém, lembrou que há regras e que elas devem ser cumpridas: “Sempre que restar constatada a má utilização, por parte dos entes beneficiários, dos recursos repassados pela União na forma da lei, é dever da Secretaria de Defesa Civil Nacional suspender a liberação dos recursos e, eventualmente, determinar a devolução dos recursos; além de comunicar o fato aos órgãos de controle interno ou externo competentes para adoção das medidas cabíveis”.

Relatórios elaborados por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU) desde janeiro encontraram indícios de irregularidades em contratos sem licitação assinados pelas prefeituras e pelo governo do estado com empresas chamadas para socorrer cidades da Região Serrana. Em nota, o governo do estado negou irregularidades, mas não enviou ao GLOBO a relação das empresas beneficiadas por recursos federais e contratadas sem licitação. O TCU identificou falhas principalmente no preenchimento das planilhas onde são discriminadas as obras. O documento é usado como base para o cálculo do serviço executado e o posterior pagamento.Aqui

Por Reinaldo Azevedo

A ética do vale-tudo

Leia trecho do artigo de José Serra, presidente do Conselho Político do PSDB, pubicado no Globo de hoje:

Os escândalos no âmbito do Ministério dos Transportes, em licitações da Petrobras, na área elétrica (Furnas), na prefeitura de Campinas e até nas obras de recuperação de regiões devastadas pelos temporais no Rio têm despertado indignação na imprensa e na opinião pública. O andamento do processo do “mensalão”, no STF, sem dúvida, reforçará a atenção a esses malfeitos recentes.

Não pretendo aqui voltar aos eventos em si, bem relatados por revistas, jornais e noticiários de rádio, TV e internet. Restrinjo-me a comentários sobre mitos subjacentes nas análises dos fatos.

O primeiro mito é o de que, no tocante às questões federais, trata-se “de herança do governo Lula, que a administração Dilma começa a combater”. É uma meia-verdade: a herança maldita é do governo Lula-Dilma para o governo Dilma; de um governo do PT e seus aliados para outro governo do PT e seus aliados. “Começa a combater”? Os escândalos na esfera federal, como no caso dos Transportes, não foram apontados pelo próprio governo ou pela oposição, mas pela imprensa. E seus eventuais desdobramentos parecem ser alimentados hoje pelas ameaças e contra-ameaças dos próprios protagonistas dos malfeitos.

Outro mito tem a premissa de que “todos os governos sofrem esse drama do fatiamento dos cargos, que leva à corrupção”. Nem tanto! Isso depende das atitudes dos que nomeiam, dos que mandam, e do comportamento do próprio partido-eixo do governo, começando pelo presidente. Uma coisa é a composição política, inevitável num presidencialismo de coalizão, como o denominou Sérgio Abranches. Outra é transformar a política num verdadeiro mercado, formal ou paralelo, de negócios.

Por que é assim? Não estamos diante de um tema fácil, de caracterização totalmente objetiva. Há um fator aparentemente intangível, que tem grande importância explicativa. Desde a sua fundação até chegar ao poder, o PT aparecia como o verdadeiro depositário da ética na vida pública, embora seu desempenho à frente de algumas prefeituras sugerisse que o título não era tão merecido.

O comportamento do PT no poder federal - o oposto do discurso de quando estava na oposição - criou um clima na base de “Deus está morto” na vida pública. E, se isso aconteceu, então não haveria mais pecado. Eu acompanhei de perto a metamorfose petista, em toda sua envergadura, e estou plenamente convicto do seu impacto devastador sobre os padrões da política brasileira. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Onde estão os indignados do Brasil? Por que os brasileiros não reagem?

No dia 7 de julho, Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol El País, um dos melhores profissionais estrangeiros que atuam por aqui nessa área, dos mais agudos, escreveu um artigo em que pergunta: “Por qué Brasil no tiene indignados?”

Arias não dá respostas e faz, de forma direta e indireta, essa e outras boas perguntas, que me disporei a responder mais tarde, naquele texto da madrugada:
- será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética dos políticos?
- será que não se importam com os ladrões e sabotadores que estão nas três esferas de governo?
- será mesmo esse povo naturalmente pacífico, contentando-se com o pouco que tem?;
- por que estudantes e trabalhadores não vão às ruas contra a corrupção?
- que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?
- será que não cabe aos jovens exigirem um país menos corrupto?

Publico o artigo de Arias na íntegra, em espanhol, perfeitamente compreensível. Oferecerei mais tarde ao autor e a muitos outros que se fazem as mesmas perguntas uma tentativa de resposta.
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El hecho de que en solo seis meses de gobierno la presidenta Dilma Rousseff haya visto dimitir a dos de sus principales ministros, heredados del gobierno de su antecesor, Lula da Silva (el de la Casa Civil o Presidencia, Antonio Palocci, una especie de primer ministro, y el de Transportes, Alfredo Nascimento) caídos bajo los escombros de la corrupción política, ha hecho preguntarse a los sociólogos por qué en este país, donde la impunidad a los políticos corruptos ha llegado a hacer extensiva la idea de que “todos son unos ladrones” y que “nadie va a la cárcel”, no exista el fenómeno, hoy en voga en todo el mundo, del movimiento de los indignados.

¿Es que los brasileños no saben reaccionar frente a la hipocresía y falta de ética de muchos de los que les gobiernan? ¿Es que no les importa que los políticos que les representan, en el Gobierno, en el Congreso, en los estados o en los municipios, sean descarados saboteadores del dinero público? Se preguntan no pocos analistas y blogueros políticos.

Ni siquiera los jóvenes, trabajadores o estudiantes han presentado hasta ahora la más mínima reacción ante la corrupción de los que les gobiernan. Curiosamente, la más irritada ante el atraco a las arcas públicas por parte de los políticos, parece ser la primera presidenta mujer, la exguerrillera Dilma Rousseff, que ha demostrado públicamente su disgusto por el “descontrol” en curso en áreas de su gobierno. La mandataria ya ha echado de su gobierno -y se dice que no ha acabado aún la purga- a dos ministros claves, con el agravante de que eran heredados de su sucesor, el popular Lula da Silva, que le había pedido que los mantuviera en su gobierno.

Hoy la prensa alude a que Dilma ha empezado a deshacerse de una cierta “herencia maldita” de hábitos de corrupción del pasado. ¿Y la gente de la calle por qué no le hace eco, resucitando aquí tambiénel movimiento de los indignados? ¿Por qué no se movilizan las redes sociales? Brasil, después de la dictadura militar, se echó a la calle con motivo de la marcha “Directas ya”, para pedir la vuelta a las urnas, símbolo de la democracia. También lo hizo para obligar al expresidente Collor a dejar su cargo ante las acusaciones de corrupción que pesaban sobre él. Pero hoy el paísestá mudo ante la corrupción en curso. Las únicas causas capaces de sacar a la calle hasta dos millones de personas ahora son los homosexuales, los seguidores de las iglesias evangélicas en la fiesta de Jesús y los que piden la liberalización de la marihuana.

¿Será que los jóvenes no tienen motivos para exigir un Brasil no solo cada día más rico (o por lo menos menos pobre), más desarrollado, con mayor fuerza internacional, sino también menos corrupto en sus esferas políticas, más justo, menos desigual, donde un concejal no gane hasta diez veces más que un maestro y un diputado cien veces más, o donde un ciudadano común, después de 30 años de trabajo, se jubile con 650 reales (400 euros), mientras un funcionario público con hasta 30.000 reales (13.000 euros).

Brasil será pronto la sexta mayor potencia económica del mundo, pero de momento sigue a la cola en materia de desigualdad social y defensa de los derechos humanos. Todavía se trata de un país donde no se permite a la mujer de abortar, el paro de las personas de color alcanza un 20% -contra el 6% de los blancos- y la policía es una de las más violentas del mundo.

Hay quién achaca la apatía de los jóvenes al hecho de que una propaganda exitosa les ha convencido de que Brasil es hoy envidiado por medio mundo (y lo es en otros aspectos). O que la salida de la pobreza de 30 millones de personas les ha hecho creer que todo va bien, sin entender que un ciudadano de clase media europea equivale aún hoy a un rico de aquí.

Otros achacan el hecho a que los brasileños son gente pacífica, poco dada a las protestas, a quienes les gusta vivir felices con lo que tienen y que trabajan para vivir, en vez de vivir para trabajar. Todo esto es también cierto, pero no explica aún por qué, en un mundo globalizado, donde se conoce al instante todo lo que ocurre en el planeta, empezando por los movimientos de protesta de millones de jóvenes que piden democracia o le acusan de estar degenerada, los brasileños no luchen para que el país, además de ser más rico, también sea más justo, menos corrupto, más igualitario y menos violento a todos los niveles. Así es el Brasil que los honestos sueñan dejar para sus hijos, un país donde la gente todavía no ha perdido el gusto de disfrutar de lo poco o mucho que tiene y que sería aún mejor si surgiera un movimiento de indignados, capaz de limpiarlo de las escorias de corrupción que golpean a todas las esferas del poder.

Por Reinaldo Azevedo

Metrô suspende campanha eleitoral de Chalita no Metro; Alckmin condena inserções

Por Daniela Lima, na Folha:
A TV Minuto, que controla a programação oferecida dentro dos vagões do Metrô de São Paulo, suspendeu a exibição de vídeos com mensagens de autoajuda protagonizadas do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP), pré-candidato à Prefeitura de São Paulo. A decisão foi tomada depois que reportagem da Folhamostrou que, desde o mês passado, o deputado aparecia em inserções quase diárias para os 3,3 milhões de passageiros do Metrô, empresa comandada pelo governo de Geraldo Alckmin. O nome e o rosto de Chalita ilustravam esquetes de 15 segundos com mensagens de bem estar e civilidade. Quando exibidos, os vídeos apareciam pelo menos oito vezes ao dia. As peças do deputado foram exibidas de graça. Segundo o site da TV, um anunciante comum pagaria R$ 418 por inserção.

A TV Minuto informou que a decisão de retirar o conteúdo do ar foi tomada “exclusivamente pela direção da empresa”. Mas, já na última sexta-feira, ao ser informada sobre a reportagem, a direção do Metrô disse que determinaria o fim da exibição das mensagens. Ontem, o governador Geraldo Alckmin condenou a inserção dos vídeos na programação do Metrô. “Eu não sabia disso. Essa TV não é do governo nem do Metrô. Mas do ponto de vista da isonomia, todos os pré-candidatos devem ter o mesmo espaço, então eu acho que é inadequado”, disse Alckmin. Chalita é amigo pessoal do governador.
A TV Minuto faz parte de um grupo de comunicação. A empresa fechou contrato com o Metrô em 2007, após vencer concorrência pública.

Procurado pela Folha na última sexta-feira, o diretor-geral da TV Minuto, Cris Moreira, afirmou, em entrevista gravada, que o Metrô tinha conhecimento do conteúdo veiculado nos vagões, inclusive as mensagens de Gabriel Chalita. “Sabe sim. E não tem nenhum tipo de problema em relação a isso”, afirmou. Já em nota, a TV afirmou que é inteiramente responsável pela produção exibida nos vagões. “O conteúdo veiculado é de produção exclusiva da TV Minuto”, disse.

Por Reinaldo Azevedo
SP perde até R$ 11,3 bilhões com reforma tributária, diz Alckmin

Por Mariana Carneiro, na Folha:
Estimativas feitas pelo governo do Estado de São Paulo mostram que a mudança na cobrança do ICMS, em estudo pelo Ministério da Fazenda, pode provocar prejuízo de até R$ 11,3 bilhões por ano aos cofres paulistas. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) apresentou a conta a senadores e a 56 dos 70 deputados federais paulistas em reunião ontem, no Palácio dos Bandeirantes. O governo espera unificar a bancada em torno dos interesses do Estado na reforma tributária. A mudança do ICMS é o principal item da reforma, que pretende acabar com a guerra fiscal entre os Estados. A Fazenda quer unificar o ICMS interestadual, que hoje varia de 7% a 12%. O imposto é cobrado quando um produto é “exportado” de um Estado para outro. Norte e Nordeste defendem zerar essa alíquota, o que significa cobrar todo o ICMS no destino e nada onde foi fabricada a mercadoria. Estados produtores, como São Paulo, perderiam arrecadação.

Se a alíquota fosse zerada, São Paulo perderia R$ 11,3 bilhões. O governo federal, no entanto, tem defendido a fixação da alíquota em 2% ou 4%. Nestes dois casos a perda estimada seria de R$ 8,3 bilhões e R$ 5,3 bilhões, respectivamente. No estudo, foi apresentado ainda eventual prejuízo para alguns municípios. Em 435 cidades, o ICMS corresponde a mais de 60% da fonte de recursos. A mudança provocaria prejuízo de até R$ 660 milhões por ano à capital. São Bernardo do Campo poderia perder até R$ 99 milhões por ano e Campinas, até R$ 75 milhões. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Sírios pró-Assad atacam embaixadas dos EUA e da França em Damasco

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Simpatizantes do presidente sírio, Bashar Assad, invadiram ontem a embaixada americana e atacaram a representação francesa em Damasco. Em resposta, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, endureceu o tom contra o líder sírio, ao afirmar que ele “não é indispensável”, apesar de não pedir a saída dele do cargo.

Na ação de ontem, manifestantes pró-Assad forçaram a segurança, composta por marines no caso dos EUA, a defender as instalações. Não há informações sobre mortos ou feridos. De acordo com o Departamento de Estado, “muros foram pichados, janelas quebradas, frutas e vegetais lançados contra o prédio, alguns manifestantes chegaram ao telhado e câmeras de segurança foram danificadas”.

Os manifestantes estariam irritados com a visita dos embaixadores dos EUA e da França à cidade de Hama na sexta-feira para acompanhar os protestos contra o líder sírio. A cidade - conhecida por ter sido alvo de um massacre lançado por Hafez Assad, pai de Bashar, nos anos 80 - transformou-se no centro dos protestos da oposição e alvo de dura repressão das forças de Damasco.

Os EUA não acusam formalmente os membros regime de organizar os ataques de ontem contra sua embaixada e a da França, mas os responsabilizam por não ter garantido a segurança.

“Condenamos duramente o governo sírio por se recusar a proteger nossa embaixada em Damasco e exigimos compensação pelos danos provocados”, disse comunicado do Departamento de Estado.

Testemunhas dizem que quatro ônibus com simpatizantes de Assad estacionaram nos arredores da área da embaixada dos EUA. Além disso, segundo o Departamento de Estado, “uma rede de TV síria vinculada ao regime encorajou os manifestantes” a atacar os alvos diplomáticos. No dia anterior, também foram lançados ataques contra a residência oficial do embaixador Robert Ford. Em um Estado policial como a Síria seria difícil uma manifestação contra uma missão estrangeira ocorrer sem que o governo interviesse.

“O objetivo do governo sírio é desviar a atenção”, disse Hillary em entrevista em Washington. Até agora, o governo americano não pediu a remoção de Assad do poder, como fez com Hosni Mubarak, no Egito, e ainda faz com Muamar Kadafi, na Líbia. Segundo a secretária de Estado, o contexto varia de acordo com o país.Aqui

Por Reinaldo Azevedo
A maquinista sem juízo precisa descer imediatamente da locomotiva imaginária e tentar assumir a chefia do governo

(da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes):

No começo de 2008, quando apitou pela primeira vez numa das curvas especialmente sinuosas do PAC, o trem-bala custaria R$ 20 bilhões, seria licitado em 2009 e começaria a circular em 2014. Em julho de 2010, o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff avisaram que o preço havia subido para R$ 33 bilhões e a inauguração fora transferida para 2016. Foi assim que o  trem-bala brasileiro se transformou no primeiro da  história que, ainda na fase do edital, ficou 50% mais caro e dois anos mais demorado.

Vai custar muito mais tempo e muito mais dinheiro, informou nesta segunda-feira o fiasco do terceiro leilão promovido para atrair interessados na construção do colosso. Não apareceu nenhum. Talvez apareça algum se o governo decidir desperdiçar mais R$ 20 bilhões na aventura. Nos cálculos das empresas sondadas pelo Planalto, a gastança não sai por menos de R$ 53 bilhões.

Em vez de aproveitar a chance para frear a locomotiva condenada ao descarrilamento, Dilma prometeu um quarto leilão até o fim do ano. O Brasil Maravilha não pode parar. Embora não exista sequer em estado embrionário, o filho que provavelmente nem nascerá já tem, desde 5 de maio, mãe, berço, babás e tutores. Estão todos acampados na Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S.A., a ETAV, subordinada ao Ministério dos Transportes e, portanto, incorporada aos domínios do PR e seus quadrilheiros.

Concebida para cuidar exclusivamente do trem-fantasma, a sigla não tem nada palpável a administrar. Não se conhece o traçado da linha, as estações não foram sequer desenhadas, não se escolheu o fabricante dos trilhos. Por falta do que fazer, os diretores da empresa planejam a instalação de escritórios no Rio e Campinas, além de leilões mais atraentes. Ainda sem data, o próximo pretende oferecer aos participantes a exploração de áreas que serão desapropriadas. Onde ficam? Que tamanho têm? Servirão para quê? Isso ninguém sabe.

Num post publicado em 27 de julho do ano passado e reproduzido na seção Vale Reprise, Lula explicou por que a maluquice é uma das urgências nacionais. “Vai ter gente que não vai gostar porque estamos gastando dinheiro no trem-bala”, berrou. “Essa gente quer fazer um trem lesma, mas nós queremos logo o bicho mais ligeiro. O pessoal viaja para China e lá o trem é maravilhoso, mas aqui no Brasil é aquele toc-toc pendurado. O Brasil tem competência e vamos fazer”.

Em 2002, quando os chineses embarcaram pela primeira vez num trem de alta velocidade (TAV), a malha ferroviária tinha 54 mil km de trilhos espalhados por 9,6 milhões de quilômetros quadrados. O Brasil tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados e menos de 29 mil km de estradas de ferro. Entre o começo de 1999 e o fim de 2002, os investimentos em ferrovias somaram R$ 601 milhões. Entre janeiro de 2003 e dezembro de 2006, ficaram em R$ 519 milhões. De janeiro de 2007 a abril de 2010, o governo triplicou os gastos do primeiro mandato para anexar à rede apenas um trecho de 356 km da Ferrovia Norte-Sul.

Dilma prometeu vitaminar com R$ 43,9 bilhões, até 2014, a malha ferroviária devastada pelo abandono, pela corrupção e pela incompetência federais. A quantia é 40 vezes maior que a soma dos investimentos feitos por Lula em oito anos. Mas sobrariam apenas R$ 10,9 bilhões para a reconstrução do sistema em frangalhos. A coisa ficou ainda pior neste começo de semana: se insistir no delírio eleitoreiro, Dilma enterrará no projeto toda a verba reservada às ferrovias ─ e mais R$ 10 bilhões extraídos dos bolsos dos brasileiros.

Seis meses depois da posse, está mais que na hora de entender que a campanha eleitoral terminou. A maquinista sem juízo precisa descer imediatamente da locomotiva imaginária e tentar assumir a chefia do governo.

(por Augusto Nunes)

Após divórcio, Cabral mora em apartamento de banqueiro

Por Felipe Wernek, da Agência Estado:
A Assessoria de Imprensa do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), confirmou nessa segunda-feira, 11, que ele se mudou para um apartamento emprestado por Guilherme Paes, um dos sócios do banco BTG Pactual e irmão do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), após se separar da advogada Adriana Ancelmo. O divórcio do casal foi oficializado no dia 5. A informação de que Cabral havia se mudado para o apartamento do banqueiro, no Leblon, zona sul, foi publicada na tarde de domingo, 10, no blog do ex-governador fluminense e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), adversário político de Cabral.
O prédio fica na esquina da Avenida Delfim Moreira com a Rua Rainha Guilhermina, em um dos endereços mais valorizados da cidade. “O governador se separa, pede ao amigo e prefeito Eduardo Paes o apartamento do irmão para uso por uns dias. O Paes fala com o irmão - que tem zero negócios com o Estado”, informou a assessoria do governador.

O prefeito confirmou o relato. “Sou amigo do governador, que está se separando. Ele me fez um pedido. É uma situação pessoal. O apartamento pertence ao meu irmão, que mora em São Paulo. Quem pediu fui eu. E pediria quantas vezes fosse necessário. Não existe nenhum conflito de interesse”, disse Paes.

O governo informou que estava prevista para a noite de segunda a mudança de Cabral para o Palácio Laranjeiras, residência oficial de chefes do executivo fluminense. Do início do primeiro mandato, em 2007, até a separação, Cabral viveu em apartamento da família no Leblon. “O Palácio das Laranjeiras não tinha condições imediatas para morar, porque teve que resolver, antes, problemas elétricos, hidráulicos e de infiltrações”, acrescentou a assessoria do governador.

Crise. Cabral enfrenta a pior crise política de seus quatro anos e meio de governo, desde que se tornou pública, no mês passado, sua relação de amizade com os empresários Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, e Eike Batista, do grupo EBX. O governador usou um jato de Eike para ir à Bahia participar dos festejos de aniversário de Cavendish. Na ocasião, um helicóptero que servia a parentes do político e do empreiteiro caiu, provocando a morte de sete pessoas. Cavendish perdeu a mulher e o enteado. Mariana Noleto, namorada de Marco Antonio, filho do governador, também morreu.

A Delta recebeu mais de R$ 1 bilhão em contratos na gestão Cabral e o grupo EBX obteve R$ 79,2 milhões em benefícios fiscais no mesmo período. O caso provocou protestos da oposição na Assembleia Legislativa e está sendo investigado pelo Ministério Público.

Por Reinaldo Azevedo


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Blog Reinaldo Azevedo

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