Lula continua invocado com a imprensa. Que tal criar coragem e enfrentar a entrevista coletiva que sempre evitou?

Publicado em 15/07/2011 14:28 590 exibições
da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes (em veja.com.br)

Lula continua invocado com a imprensa. Que tal criar coragem e enfrentar a entrevista coletiva que sempre evitou?

Convidado para animar o segundo dia da quermesse da União Nacional dos Estudantes em Goiânia, Lula repetiu nesta quinta-feira o numerito obrigatório nas apresentações para plateias amestradas: uma discurseira contra a imprensa livre, sempre adaptada às circunstâncias. Já no terceiro minuto, entusiasmou o auditório ao indignar-se com a pouca importância atribuída ao evento pelos grandes jornais, que não descansarão até convencer os leitores de que a UNE é uma irrelevância comprada pelo governo.

Mas não é preciso perder o sono com a grande imprensa, ressalvou o palanque ambulante. De olhos postos no presidente da entidade, Augusto Chagas, ensinou que parece grande mas não é. “Você, Chagas, não tenha preocupação com quem diz que vocês são chapa branca”,  ordenou. “Você pensa que o jornal tem caráter nacional. Não sai do Rio de Janeiro. Vai na Baixada Fluminense e vê quantos jornais chegam lá”. Sempre evitando identificar os destinatários, estendeu àFolha e ao Estadão o recado remetido ao Globo: “Os grandes de São Paulo quase não chegam ao ABC, que está a 23 quilômetros da capital”.

A continuação do palavrório revelou que, embora não ultrapassem os limites da capital paulista, o que sai nos jornais chega pelo menos ao apartamento em São Bernardo, o B do ABC, onde mora a família do ex-presidente. Ou por ter superado por alguns instantes a ojeriza a leituras, ou porque algum amigo lhe fez o favor de ler trechos em voz alta, Lula ficou sabendo (e não gostou), por exemplo, do noticiário sobre seu desempenho na crise que resultou no segundo despejo de Antonio Palocci.

“Eles aproveitam qualquer coisa pra me comparar com a Dilma e dizer que a Dilma é fraca”, decidiu.  “Só diz que ela é fraca quem não conhece a personalidade dela. Se o babaca que escreveu isso já tivesse sentado com a Dilma dez minutos, ele ia saber que ela pode ter todos os defeitos do mundo, menos ser fraca”. Ao perceber que acabara de admitir que a sucessora tem defeitos, engatou uma quinta marcha e acelerou em direção ao tema predileto: Lula. “Já faz seis meses que eu deixei a Presidência, mas eles não saem do meu pé”, irritou-se. Eles, presume-se, são os jornais. E arrematou o desabafo com a advertência tremenda: “Eu estou ficando invocado”.

Lula jura que, quando ficou invocado com George Bush, telefonou para a Casa Branca e ordenou-lhe que mantivesse longe do Brasil a crise econômica nascida nos Estados Unidos. Pouco tempo depois, invocado com Barack Obama, mandou o colega importar o modelo do SUS para resolver os problemas do sistema de saúde americano. Como agora anda invocado com a imprensa, deveria criar coragem e convocar a entrevista coletiva que evita há mais de oito anos. Uma entrevista de verdade, sem restrições espertas, franqueadas a genuínos jornalistas providos, livres para tratar de qualquer assunto e com direito a réplica.

Se tal duelo ocorresse logo depois da apresentação em Goiânia, por exemplo, não ficaria em pé sequer uma vírgula da discurseira no congresso financiado por empresas estatais, diante de uma plateia composta por figuras tão representativas do universo estudantil quanto instrutores de grupos de escoteiros. Dez minutos de perguntas e respostas bastariam para que até o presidente da UNE admitisse que Lula reduziu a velha sigla a um departamento universitário do governo, dirigido por jovens pelegos recrutados no PCdoB, corrompido por subvenções repulsivas,  empregos federais, verbas escandalosas, até dinheiro para a construção da sede nova.

Como o palanqueiro já voltou de Goiânia, a UNE é coisa do passado. Caso aceite a ideia, a entrevista se ocupará de questões  muito mais urgentes, mais relevantes, sobretudo mais complicadas, como veremos no próximo post. Em menos de meia hora, Lula descobrirá a diferença que existe entre um sarau com blogueiros estatizados e uma conversa com jornalistas independentes.


A trinca de jovens milionários deveria ser convocada pelo governo para montar o programa Primeira Empresa

Fábio Luís Lula da Silva era monitor do zoológico de São Paulo quando a chegada do pai à Presidência da República, em janeiro de 2003, animou-o a tentar a sorte como “produtor de conteúdos digitais”. Um ano depois de fundar a Gamecorp, soube que o que parecia um negócio de fundo de quintal era tudo o que a Telemar procurava. Pelo privilégio de tornar-se sócio minoritário do empreendimento, ogigante da telefonia pagou a Lulinha R$ 5 milhões. Aos 35 anos, está rico e é um dos orgulhos de Lula, que credita o sucesso fulminante ao talento empresarial do filho.

Israel Guerra era um medíocre funcionário público quando a crescente influência da mãe na Casa Civil, chefiada pela melhor amiga Dilma Rousseff, animou-o a tentar a sorte como “consultor de negócios”. Fundada em julho de 2009, a Capital Assessoria e Consultoria especializou-se em abrir portas de ministérios e estatais a empresas interessadas em fechar acordos ou resolver pendências com o governo. Os lucros subiram espetacularmente a partir de março de 2010, depois da promoção de Erenice a ministra. Vítimas da gula excessiva, a mãe perdeu o cargo e o filho, hoje com 33 anos, perdeu a clientela. Erenice continua jurando que o garoto fez sucesso, e logo voltará a fazer, por esbanjar talento na formação de parcerias.

Gustavo Morais Pereira era um arquiteto recém-formado quando a chegada do pai ao comando do Ministério dos Transportes o animou a tentar a sorte como “empresário no ramo da construção civil”. Em 2005, aos 21 anos, fundou a Forma Construções. Em 2007, graças a triangulações envolvendo fregueses do ministério a serviço da família, o filho de Alfredo Nascimento havia multiplicado por  86.500% o patrimônio da empresa. A descoberta da quadrilha do PR e a queda do pai sugerem que o arquiteto de 27 anos prosperou usando como gazua a carteira de identidade. Nascimento garante que o garoto nasceu para construir fortunas.

A reportagem publicada na seção O País quer Saber informa que o Ministério Público investiga os três exemplos de enriquecimento súbito. Se ficar provado que subiram na vida pendurados no parentesco, os filhos de Lula, Erenice e Nascimento confirmarão que a incapacidade de enxergar a fronteira entre o público e o privado é uma disfunção hereditária ─ e que a desmedida confiança na impunidade vem junto com o sobrenome. Se não têm culpa no cartório, se não derraparam no tráfico de influência, não podem ficar fora do governo. Casos de polícia aparecem de meia em meia hora. Casos de sucesso são bem menos frequentes. Casos como esses três são raríssimos.

O governo Lula criou o programa Primeiro Emprego. Dilma Rousseff deveria encomendar à trinca o programa Primeira Empresa. Em vez de um emprego com carteira assinada, os inscritos ganhariam uma pequena empresa. E aprenderiam com os jovens mestres como se fica milionário em dois ou três anos.

(por Augusto Nunes)

O parecer de Tiririca

Em pouco mais de cinco meses como deputado federal, Tiririca só foi escolhido para ser relator de um projeto na Comissão de Educação e Cultura. Ele deu parecer favorável a uma proposta, ainda não votada, que coloca o nome de “Viaduto Antonio Lins de Souza” a um viaduto na BR-104, no interior alagoano. Que trabalho, hein?

Por Lauro Jardim

Gurgel isenta Jorge Viana

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, isentou o senador do PT, Jorge Viana,  de envolvimento em supostas irregularidades na compra de helicópteros da Helibrás pelo governo acreano.

Viana era presidente do conselho de administração da Helibrás na época da aquisição, feita na gestão do também petista Binho Marques. No parecer enviado ao Supremo, Gurgel sustenta que não há no inquérito que subiu da primeira instância qualquer indício de participação de Viana. Disse Gurgel no parecer:

- Não há elementos que indiquem a autoria dos crimes pelo Senador Jorge Viana, não sendo suficiente para justificar a sua inclusão como investigado no inquérito o fato de ter exercido a presidência do conselho de administração da Helibrás à época da aquisição do helicóptero.

Gurgel ainda disse que a autoridade policial foi “prematura” ao levar o caso para o STF (leia mais) . Se seguir a praxe para casos assim, Joaquim Barbosa, relator do caso, devolverá nos próximos dias duas investigações para a Justiça Federal no Acre.

Por Lauro Jardim
Tags:
Fonte:
(Augusto Nunes)

0 comentário