Abaixo a democracia!, por Reinaldo Azevedo

Publicado em 26/07/2011 06:23 e atualizado em 26/07/2011 20:30 969 exibições
em veja.com.br

Abaixo a democracia!

A imprensa “liberal” americana, que quer dizer “de esquerda” (a possível) nos EUA, e amplos setores da imprensa brasileira estão com o saco cheio da democracia. A síntese poderia ser mais ou menos esta: “Se é para todo mundo ter direito a uma opinião e se os progressistas [é o que pensam de si mesmos] não puderem impor a sua agenda, então democracia pra quê? Esse sistema é bom quando a gente ganha e quando a nossa vontade triunfa. A democracia que dá a vitória aos nossos adversários é o princípio do apocalipse”.

Não vivemos dias muito fáceis, não, embora nunca tenha sido tão fácil viver se nos dedicarmos a uma mirada, digamos assim, histórica. Sim, existe muita pobreza no mundo (desde que o mundo é mundo), mas nunca, por exemplo, a tecnologia de ponta chegou com tanta rapidez ao povo. Tanto é assim que os reacionários de esquerda estão preocupadíssimos com o interesse das massas pela sociedade de consumo. Bons eram aqueles tempos em que os trabalhadores pediam “liberdade” em vez de iPad. O marxismo lírico-pegador de Arnaldo Jabor parecia fazer mais sentido… Afinal, pensam, “se o nosso objetivo não for nos libertar deles [os conservadores], vamos lutar por qual causa?”

Incrível! Deploram a democracia, mas voltam o dedo acusador contra os adversários. Os atentados praticados por Anders Behring Breivik, o delinqüente norueguês, soltou a besta antidemocrática que estava mais ou menos aprisionada no coração das esquerdas, mesmo as mais moderadas — até aquelas que se fingiam de tolerantes multiculturalistas no New York Times. Então vamos ver.

Não há editorialista politicamente correto, islamicamente correto, multiculturalisticamente correto que já não tenha escrito o seu texto deplorando os atentados terroristas praticados por extremistas islâmicos como uma contrafação do islamismo, o verdadeiro, o essencial, que seria pacífico, tolerante, ecumênico, inclusivo, até mesmo, creiam, democrático. Tomadas em seus fundamentos, todas as crenças têm seu rol de prescrições — e, pois, de limitações. A violência não é estranha ao Velho Testamento, ao Novo ou ao Corão. Digamos que o cristianismo tenha descoberto o caminho da democracia de massas, etapa ainda não alcançada pelo Islã. Se vai conseguir chegar lá, não sei. De todo modo, chamo a atenção para o fato de que, contra as evidências, a experiência e a realidade empírica, afirma-se a existência de um islamismo libertário como contraposição ao delírio terrorista. Este não é visto como uma exacerbação dos fundamentos daquele, mas como o seu oposto.

Pois bem. Alguém notou algum esforço dessa imprensa “correta” para distinguir um vagabundo como Anders Behring Breivik dos cristãos ou, se quiserem ainda, do “fundamentalismo cristão”? Não! De súbito, vejam que formidável!, os supostos extremistas da cruz passaram a ser vistos como uma ameaça. Além deles, claro!, a perigosa “direita” estaria na raiz de tudo o que ameaça o bem-estar da humanidade. Jabor, para ficar na expressão caricata desse pensamento, depois de nos contar pela enésima vez que ele abatia menininhas em Ipanema, afirma em sua coluna de hoje que “os homens-bomba nasceram aos milhares, paridos pelos criminosos Bush e Dick Cheney…”   Entenderam? Não fossem os republicanos, a direita, os fundamentalistas cristãos, não haveria terrorismo islâmico. É um juízo boçal, que joga a história no lixo. E daí? Um ficcionista não precisa ser fiel à realidade.

Embora boa parte do mundo seja hoje composta de teocracias islâmicas — não há uma única cristã — e o terrorismo seja financiado por estados constituídos, o mundo parece à beira do apocalipse por causa, pasmem!, da “islamofobia” dos “fundamentalistas cristãos”!!! Osama Bin Laden ou até mesmo o Hamas podem ser tomados, então, como contrafação do “verdadeiro islamismo”, mas Breivik não! Ele seria a expressão verdadeira, sem hipocrisia, da “ultradireita” e do “fundamentalismo cristão”. Não custa notar: o que chamam “ultradireita” são partidos legais, que disputam eleições e que não recorrem à luta armada como método de tomada de poder. O New York Times foi longe: num texto sobre a intolerância, chegou a botar Nicolas Sarkozy e Angela Merkel no saco de gatos dos… intolerantes porque direitistas e adversários do “multiculturalismo”.

Faz sentido! O New York Times (vamos ver se consigo escrever a respeito ainda hoje) descobriu que o que impede o Barack Obama presidente de fazer o que o Barack Obama candidato prometeu são os… republicanos! Essa gente tem a ousadia de se opor ao presidente e pode, ameaça o jornal, conduzir os EUA para o caos. Isso quer dizer que o país chegou ao ponto em que a democracia pode destruir a América. Sendo assim, das duas uma: ou se acaba com a democracia ou se acaba com os republicanos. Pensando bem, as duas coisas querem dizer uma só.

Huuummm… Democracia nunca foi mesmo uma questão programática para as esquerdas, não é mesmo? Talvez elas estejam ficando menos hipócritas.

Por Reinaldo Azevedo

O Brasil, os juros mais altos do mundo e o falso dilema entre fazer a coisa certa e manter a democracia

Os juros mais altos do planeta estão virando, assim, uma espécie de segunda natureza do Brasil. A menos que o país renuncie à democracia. Não sei não… O dilema entre fazer a coisa certa e manter a ordem democrática sempre é falso. Por que digo isso?

A VEJA desta semana ouviu um grupo de especialistas para saber, afinal de contas, por que os juros reais no Brasil são tão altos, o que contribui para derrubar o dólar, afetando de modo dramático as exportações, o balanço de pagamentos e, obviamente, a indústria. Jorge Gerdau, agora assessor especial de Dilma, afirmou hoje que a presidente está preocupada com o setor. Até outro dia, muitos resistiam a falar no risco de desindustrialização. Com o dólar perto de R$ 1,50, já ninguém se anima a afirmar que isso é mera fantasia.

Muito bem. Falaram à revista Armínio Fraga, Gustavo Franco, Claudio Haddad, Paulo Vieira da Cunha, Carlos Thadeu de Freitas e Alexandre Schwartsman. Há praticamente uma unanimidade: todos apontaram como um das razões a baixa taxa de poupança no Brasil, que foi de 18,5% do PIB em 2010. Para comparação, com números de 2009: a da China é de 54,5%; a da Índia é de 31,4%; a da Argentina, de 24%, e a do México, de 21,7%. Só Schwartsman, ao menos da opinião publicada, não deu relevo a essa questão.

Mas foi ele quem mais se estendeu sobre outro aspecto que também concorre para a elevada taxa de juros: a expansão do crédito, citada pelos demais analistas. Schwartsman chamou a atenção para uma modalidade especial de crédito: o subsidiado, que já compõe um terço do total. Entram nessa categoria os empréstimos do BNDES, o crédito rural, o habitacional etc.

Baixa poupança interna? Na verdade, o que os analistas estão dizendo é que uma das saídas seria o governo gastar menos — a gastança seria uma das raízes do problema; a outra está no crédito. Certo! Então precisaríamos de um governo que, vamos falar a linguagem destes tempos, investisse menos “no social” e não estivesse ancorado num modelo sustentado pelo consumo.

É por isso que fiz a ironia lá no primeiro parágrafo: então só se vai baixar a taxa de juros caso se revogue a democracia ou caso o país tenha a “sorte” de eleger um governo suicida. Quem vai botar o guizo no pescoço do gato? Não há a menor possibilidade de haver uma drástica redução dos gastos públicos num prazo razoável, a ponto de haver uma depreciação do real num tempo compatível com a salvação de setores da indústria que estão indo para o vinagre. Os juros subsidiados são um dos pilares que sustentam o modelo petista, bem como o consumo acelerado. Se for assim, meus caros, então vamos ficar na farra até que a vaca vá para o brejo.

O governo Dilma não fará nada disso. Digamos que se possa ficar nessa batida mais três anos e meio e que venha um governo de oposição… Alguém espera que um eventual futuro presidente não-petista — Serra, Aécio, Alckmin ou J. Pinto Fernandes — faça o ajuste drástico que o petismo não fez? Pra quê? Para ser exorcizado nas ruas pelo PT, pela CUT e pelos ditos “movimentos sociais”? A pauta que está no Congresso, não custa lembrar, aumenta gastos em vez de diminuir.

Não sei, não… Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC e economista da Confederação Nacional do Comércio, insuspeito de ser um monstro da heterodoxia, levanta uma questão na entrevista à VEJA:
“A discussão que cabe aqui, e que é polêmica, é se os juros precisam ser tão elevados assim. Talvez seja a hora de o BC ter mais ousadia e começar a trabalhar com juros mais baixos. O risco Brasil hoje é menos do que o de alguns países desenvolvidos (…)”.

Não peçam aos políticos que se lancem ao mar porque isso eles não farão. Podem até lançar o povo aos tubarões, com suas ações destrambelhadas, mas dificilmente tomarão medidas que selariam sua sentença de morte. Preferem o aplauso da galera. É por isso que o populismo é um risco permanente. Ainda que a baixa poupança e a expansão do crédito esgotassem o diagnóstico, aonde isso nos levaria? A lugar nenhum! A menos que um tirano virtuoso se encarregasse de pôr ordem na casa para retomar, depois, a democracia… Acho que esse modelo não dá certo, né?  A China gasta 2% do seu PIB com  previdência e pensões; o Brasil, 12%. Só que a China é uma tirania.  Alguém se propõe, no curto prazo, a cortar, sei lá, 30% dos gastos previdenciários? Se as duas razões apontadas forem realmente estruturais e estiverem na causa do problema, então Inês é morta.

Talvez seja o caso de mudar a natureza do debate, ainda que a questão, como alerta Carlos Thadeu de Freitas, seja mesmo polêmica: os juros num país que tem a taxa de risco do Brasil precisam mesmo ser tão altos? Não custa notar, como faz Schwartsman na conversa com a VEJA, que “a alta taxa de juros no Brasil coexiste com uma expansão vigorosa da demanda”. Ele atribui isso ao efeito do crédito direcionado. É bem possível. O fato é que a elevação da taxa não está esfriando a economia com a intensidade que se esperava, mas provoca efeitos deletérios — a apreciação do Real é um deles.

Sei não… Se um remédio insiste em não fazer o efeito virtuoso esperado e exacerba os colaterais indesejados, deve-se investigar a hipótese de que o problema não está na dose, mas na substância escolhida, que pode não ser a melhor para o mal que se pretende combater.

“Pô, Reinaldo, mas imagine um governo com coragem de fazer um corte drástico de gastos, elevando de modo significativo a poupança interna e que renuncie a essa farra de juros subsidiados…”

Imagino, sim! Mas será preciso combinar primeiro com os russos. E os russos votam. Convém não especular sobre a incompatibilidade entre o voto e a racionalidade econômica, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

E agora? Mercado vê dólar a R$ 1,50 até setembro

Por Fábio Alves, da Agência Estado:
A valorização do real dificilmente arrefecerá no curto prazo: a taxa de câmbio caminhará para o nível de R$ 1,50 por dólar até setembro. É o que esperam analistas internacionais, que citam os fundamentos da economia brasileira, em particular a taxa de juros bem mais alta do que as outras economias mundiais, para que o País continue recebendo um grande fluxo de capital estrangeiro.

“O governo pode até tentar reduzir o ritmo de apreciação, mas não conseguirá reverter a tendência de um real mais forte”, disse à Agência Estado Win Thin, diretor de pesquisa para mercados emergentes da Brown Brothers Harriman em Nova York. Segundo ele, os números da conta corrente divulgados hoje ainda mostram que o Brasil está atraindo grande quantia de investimento direto e de portfólio (em ações de empresas negociadas em bolsa e títulos de renda fixa) por parte dos estrangeiros. Thin previu que o câmbio atingirá a marca psicológica de R$ 1,50 por dólar entre agosto e setembro.

À medida que o câmbio se aproxime do barreira de R$ 1,50, o estrategista da Brown Brothers Harriman acredita que o governo ficará mais nervoso e provavelmente adotará algumas medidas adicionais de controle cambial para conter a apreciação do real. “Haverá mais nervosismo e mais resistência à aproximação da marca de R$ 1,50″, disse Thin. Para ele, o real está 7% sobrevalorizado com base no cálculo da paridade do poder de compra (PPP, na sigla em inglês) utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na opinião do vice-presidente para mercados emergentes da MF Global, Michael Roche, baseado em Nova York, os juros elevados no Brasil tornam o País um destino mais atraente para o dinheiro dos investidores estrangeiros em busca de maior taxa de retorno. “Comparado com outros países emergentes, como a Índia, cuja inflação está em torno de 9,44% e a taxa básica de juros foi elevada hoje para 8%, ou seja, juros negativos, o Brasil oferece uma relação de retorno e risco muito favorável”, disse Roche. Com a taxa Selic a 12,50% e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a 6,71%, no acumulado de 12 meses até junho, os juros reais no Brasil tornam-se praticamente “imbatíveis”, ao redor de 5,79%, afirmou o estrategista.

“Não há outro país, na visão dos investidores, que apresenta uma história tão positiva em termos de fundamentos econômicos como o Brasil, assim os investidores deverão continuar buscando os ativos brasileiros”, afirmou Roche. Ele previu que o câmbio atingirá o patamar de R$ 1,50 até o final de setembro. “Estou confiante que o câmbio vai se fortalecer ainda mais, ultrapassando a barreira de R$ 1,50 por dólar.”

Para Paul Biszko, estrategista sênior para mercados emergentes da RBC Capital Markets em Toronto, no Canadá, a percepção dos investidores estrangeiros de que a presidente Dilma Rousseff não está inclinada a adotar medidas cambiais agressivas até que o cenário internacional se acalme mais, deu o “sinal verde” para um aumento nas apostas no mercado financeiro de um real mais valorizado, o que ajuda a explicar os ganhos da moeda brasileira hoje.

“Se não houver nenhuma deterioração séria no cenário internacional, com uma piora na situação fiscal nos Estados Unidos ou mesmo um rebaixamento na classificação de risco americana, acredito que o real deverá atingir a marca de R$ 1,50 por dólar no curto prazo, algo como nas próximas duas semanas”, disse Biszko. “Se investidores continuarem com apetite por ativos de maior risco, o viés é de um real se valorizando cada vez mais.”

Por Reinaldo Azevedo

Um bandido chamado Anders Behring Breivik. Ou: viva o Cristianismo e abaixo o multiculturalismo!

Hora de falar sobre Anders Behring Breivik, o tal norueguês que assumiu a autoria dos atentados terroristas em seu país. Quem ou o que é ele mesmo? Extremista de direita, antimarxista, antimulticulturalista, xenófobo, antiislâmico, cristão fundamentalista, reacionário? Alertado por um amigo, li trechos daquela maçaroca que traz os princípios da sua, digamos assim, “luta”. O Brasil é lembrado. Segundo diz o rapaz, a “mistura de raças” responde pelas dificuldades que o país enfrenta, inclusive a desigualdade social. As convicções de Anders podem até ter sido de direita um dia; hoje, ele é um sociopata, que defende o terrorismo como instrumento de conscientização das massas.

O arquivo está aí. Os leitores sabem muito bem o tratamento que defendo para os terroristas — identifiquem-se eles como “fundamentalistas cristãos” ou “fundamentalistas islâmicos”. Aliás, os leitores conhecem o que penso sobre qualquer pensamento que flerte com o terrorismo como instrumento de luta política. Recentemente, quem transformou essa tese num norte conceitual foi o filósofo marxista esloveno Slavoj Zizek, que é tratado como uma pessoa séria por boa parte da esquerda e da imprensa brasileiras.

Numa coletânea de textos de Robespierre, intitulada, muito apropriadamente, “Virtude e Terror”, Zizek faz a defesa aberta do terrorismo. O trabalho mereceu no Brasil uma resenha elogiosa do uspiano Vladimir Safatle. Interpretando e explicando o pensamento de Zizek, escreveu o professor:
“a partir da Revolução Francesa, sobe à cena do político uma subjetividade ‘inumana’ por recusar toda e qualquer figura normativa e pedagógica do homem, por recusar de maneira ‘terrorista’ os hábitos e costumes, por não se reconhecer mais em natureza e em determinação substancial alguma.”

Entenderam? Zizek, Safatle e Breivik — os dois primeiros como pensadores de extrema esquerda e o último como um ativista de extrema direita — nutrem simpatias por uma política que recusa certas balizas normativas. Tanto é assim que Safatle, estimulado pelo mestre, enxergou uma necessidade no mundo moderno: “Construir estruturas institucionais universalizantes capazes de dar conta de exigências de reconhecimento de sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa”.

Ora, dêem-me exemplos de “seres não-substanciais”, que se manifestam como “potência disruptiva e negativa”… Huuummm… A Al Qaeda? O Hamas (em relação a Israel ao menos)? As Farc? As milícias chavistas? Ocorre que um delinqüente como Anders Behring Breivik, brincando de Hitler norueguês, também entende que existe uma nova “subjetividade”, que se expressa de modo não-subordinado aos limites dado pelo humanismo, com intuito de romper a ordem e criar um novo movimento…

Qual é o lugar adequado para um vagabundo dessa espécie e seus eventuais seguidores ou líderes? A cadeia. Ele mata mais de 70 pessoas para combater o marxismo? Querem melhor propaganda do marxismo do que isso? Não há nada que um Hobsbawm consiga fazer em favor de uma teoria moribunda, no que concerne ao proselitismo, que dezenas de cadáveres não façam com mais eficiência. Ele mata mais de 70 pessoas contra a expansão do Islã na Europa? Querem melhor propaganda do islamismo extremista do que dezenas de corpos de jovens alvejados, sem qualquer chance de defesa, em nome do combate ao islamismo? Se alguém escolhe o caminho da morte e do massacre para combater uma religião, reforça o horizonte escatológico dessa crença. Ele mata mais de 70 pessoas contra o multiculturalismo? Querem melhor propaganda do multiculturalismo do que essa manifestação irracional de intolerância, como se o mundo se dividisse entre multiculturalistas, que aceitam a diversidade, e seus oponentes, que a repudiam? Até onde se sabe, a violência autóctone é uma das flores do mal do… multiculturalismo, hoje certamente mais defendido por Ahmadinejad do que por democratas de direita ou de esquerda da Europa.

Anders Behring Breivik é um criminoso, e não há um só conservador, respeitado entre conservadores, que se atreva a defendê-lo. Mas há, não obstante, esquerdistas respeitados por seus pares que defendem, por exemplo, os traficantes comuno-fascistas das Farc, cujos métodos não se distinguem dos daquele vagabundo.

Os bobões diriam: “Veja o Reinaldo tentando demonstrar que todas as correntes têm seus extremistas incômodos”. Uma ova! A clivagem, nesse caso, não obedece à conhecida nomenclatura “direita-esquerda”;  Breivik não é um direitista incômodo. De jeito nenhum! A divisão que interessa nesse caso se dá entre os que admitem o terrorismo como expressão da luta política e os que não admitem, pouco importa o conteúdo de sua proposição. O intelectual marxista e petista Octavio Ianni, por exemplo, escreveu, pouco antes de morrer, um texto em que afirmava o caráter revolucionário da… Al Qaeda!

Eu sou cristão e não reconheço Breivik como um “fundamentalista” dessa crença porque não há princípio a ser evocado que justifique a morte; aliás, o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo; hoje em dia, praticamente só cristãos morrem em razão de sua fé — morrem, não matam. Eu sou um antimulticulturalista convicto porque acredito nos valores universais da democracia ocidental, que reconhecem no indivíduo, e em suas escolhas, a matriz da liberdade; Breivik, um fascista, sonha com uma identidade coletiva. Ele não combate o multiculturalismo coisa nenhuma! Ele combate é a liberdade. Eu sou um crítico do extremismo islâmico e cobro, então, do Islã não-extremista uma clara mensagem de combate ao que seria o desvio da fé. Onde está a mensagem de repúdio ao ódio e de aceitação das outras crenças?

Qualquer um que recorra à morte de inocentes ou à imposição de um ponto de vista por intermédio da violência para impor a sua vontade e para anunciar o seu horizonte utópico é um ser desprezível, que tem de ser afastado do convívio social, pouco importa se professa convicções de direita ou de esquerda, cristãs ou muçulmanas, multiculturalistas ou não, ecológicas ou não (já que existe o terrorismo verde). Numa democracia, o flerte com a ilegalidade, ainda que em nome da justiça, só produz mais injustiças. Digam-me um só esquerdista que abraçaria essa minha divisa. Por que não? Afinal, o que há de errado com ela? Defende a democracia e a lei. É que democracia e leis não são valores de… esquerda!

E não! Não vou me intimidar com o lixo intelectual e moral dos cretinos segundo os quais um Breivik, com a sua violência, encarnaria a verdadeira face da direita; já as Farc e seus métodos seriam apenas a falsa face da esquerda. Assim, idealmente, a direita encarnaria o mal, como prova… Churchill, e a esquerda, o bem, como prova… Stálin.

Que aquele canalha e seus eventuais apoiadores apodreçam na cadeia!

E, já que estamos aqui, vamos lá: viva o cristianismo, abaixo o multiculturalismo, vivam as liberdades individuais!

PS - E já que cumpre dizer tudo, espero que Anders não fuja da cadeia e não peça refúgio no Brasil, certo? Ou o PT só aceita homicidas “de esquerda”?

Texto publicado originalmente às 22h14 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

 às 4:51

MP vai investigar compra de apartamento de Palocci

Por Fausto Macedo, no Estadão:
O Ministério Público Estadual decidiu abrir investigação sobre suposto crime de lavagem de dinheiro envolvendo a compra do apartamento ocupado desde setembro de 2007 pelo ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil), em Moema, zona sul de São Paulo. O imóvel, avaliado em R$ 4 milhões, pertence a Gesmo Siqueira dos Santos, filiado ao PT de Mauá (Grande São Paulo) há 23 anos e com folha corrida com mais de 120 inquéritos policiais.

A apuração ficará sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartéis e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec), braço do Ministério Público. A medida foi tomada pela Procuradoria-Geral de Justiça a partir de representação do PSDB paulista, subscrita pelo deputado Pedro Tobias.

A procuradoria também encaminhou cópia da petição ao chefe do Ministério Público Federal, Roberto Gurgel, para um segundo procedimento sobre eventual improbidade envolvendo Palocci. O aluguel do apartamento é de cerca de R$ 15 mil. Quando Palocci o alugou recebia R$ 16 mil como parlamentar. Na Procuradoria da República do Distrito Federal já existe investigação de âmbito civil sobre as atividades de uma consultoria de Palocci, a Projeto.

Em outra representação do PSDB, os senadores Álvaro Dias (PR)e Demóstenes Torres (GO) sustentam que “parece clara a prática de fraude mediante simulação, pois o apartamento teria sido adquirido pelo ex-ministro e registrado no nome de terceiro”. Para os tucanos, “os indícios apontam para a prática de atos simulados que tinham como objetivo a fruição, pelo ex-ministro, do imóvel, sem que seu nome aparecesse ligado à propriedade do bem”. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

 às 4:45

Dólar tem a menor cotação desde 1999

Por Silvana Rocha, no Estadão:
O dólar renovou ontem a menor cotação desde o início de 1999 (mais especificamente, 18 de janeiro), quando o então governo Fernando Henrique Cardoso liberou o mercado cambial. A moeda americana encerrou a segunda-feira cotada a R$ 1,543, queda de 0,77%.

As declarações da presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, de que não pode tomar nenhuma medida precipitada no câmbio sem olhar com cuidado o cenário internacional, continuaram ecoando no mercado.

Os investidores se sentiram estimulados a apostar na valorização do real, diante da batalha do governo para o combate à inflação. Além disso, segundo fontes de mercado, houve fluxo cambial positivo.

Diante do enfraquecimento do dólar desde cedo, o Banco Central (BC) reforçou a compra, por meio de dois leilões no mercado à vista. Também fez um leilão a termo (futuro) para 2 de agosto, o que não ocorria desde abril.

A despeito da sinalização da presidente Dilma na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que o governo continua olhando seriamente para o câmbio e há sempre propensão para medidas para conter a alta do real (ler mais abaixo).

Ele reafirmou ainda que o “combate à inflação é uma questão de honra para o governo”. “O Brasil seguirá empenhado no controle da inflação e vai continuar a tomar todas as medidas necessárias para que isso ocorra” disse o ministro.

Mantega afirmou que o IPCA de julho deve ter um número parecido com o do IPCA-15, que subiu 0,10% neste mês.

O secretário do Tesouro Nacional fez coro com Mantega: “Sempre estamos avaliando câmbio e possíveis ações. Isso é uma rotina”, afirmou Arno Augustin, ressaltando que é “preciso observar qual a ação mais eficiente”.

Ele acrescentou que não há um “momento” determinado em que o governo vai parar de analisar medidas para o câmbio. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

 às 4:43

Na despedida, Pagot manda novos recados

Por Vannildo Mendes, no Estadão:
Em discurso inflamado de despedida, em que destilou ressentimento e mandou recados velados ao governo, o engenheiro Luiz Antônio Pagot comunicou ontem de manhã aos servidores e auxiliares do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) seu pedido de demissão “irrevogável”.

O ex-diretor-geral disse não aceitar a pecha de corrupto e rebateu o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, para quem o órgão é um antigo foco de corrupção. “Discordo do ministro Jorge Hage, quando diz que o Dnit tem o DNA da corrupção. Aqui, o que há é o DNA do trabalho e da dedicação dos servidores.”

Pagot é o 17.º dirigente a cair em meio à crise que se arrasta desde o começo de julho, com a revelação de um esquema de corrupção, tráfico de influência e cobrança de propina que o PR teria montado no Ministério dos Transportes. O ministro Alfredo Nascimento foi um dos primeiros a pedir demissão.

Indiretamente, Pagot criticou a presidente Dilma Rousseff, que, após as denúncias, exigiu a reestrutura completa do ministério - a seu ver, um setor caótico e ineficiente. Pagot afirmou que o Dnit executa um orçamento de mais de R$ 1 bilhão por mês e ressaltou que só se consegue isso com trabalho e eficiência.

“Somos o órgão de maior execução orçamentária da Esplanada”, gabou-se. “Somos líderes absolutos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e temos o dobro da execução da Caixa.”

Pagot disse que conseguiu esses resultados num órgão sucateado - “nem computadores adequados temos” -, com um terço do efetivo necessário e sem condições mínimas de trabalho. Disse que a conquista não foi mérito exclusivo seu, mas de “todos os funcionários e assessores”.

Pagot informou que o Dnit tem 1.156 contratos em execução no País e seria impossível esperar que não houvesse alguma irregularidade num volume de obras tão grande. Mas alegou não haver uma denúncia sem apuração ou recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) que não fosse atendida ou irregularidade corrigida.

Comportamentos
Com capacidade para 500 pessoas, o auditório estava lotado. Pagot foi aplaudido de pé e saiu de forma apoteótica, cumprimentando os servidores até a porta de saída. Mas ele não teve a mesma deferência com o ministro Paulo Sérgio Passos: mandou emissários lhe entregarem uma carta comunicando que havia suspenso as férias e pedido demissão em caráter irrevogável. Outra carta foi entregue pelo próprio Pagot às 11h ao amigo Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, logo após o discurso. O ministro disse que informou o fato à presidente e se negou a divulgar o teor da carta. 
Aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

 às 4:41

Dilma aumenta contato público para driblar crise

Por Julia Duailibi, no Estadão:
Sem mencionar a crise política no Ministério dos Transportes, a presidente Dilma Rousseff tentou ontem imprimir uma agenda positiva no governo, ao participar de cerimônia de lançamento do programa Brasil sem Miséria, no Nordeste. O evento, que contou com a presença de oito governadores da região, se estendeu por mais de cinco horas.

Dilma, que tem sido criticada por aparecer em poucos atos públicos e por não receber políticos e empresários no Planalto com a frequência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manteve ontem uma reunião aberta com os governadores, concedeu entrevista para veículos de comunicação locais e proferiu dois discursos públicos.

Também aproveitou para antecipar detalhes de outros programas sociais, como o Brasil sem Fronteiras, que pretende conceder bolsas a 75 mil estudantes que queiram complementar os estudos em universidades do exterior. Anunciou ainda o programa Água para Todos, que se espelha no Luz para Todos, lançado por Lula.

Nos dois discursos, criticou as gestões anteriores ao governo Lula. “O Brasil retirou da condição de pobreza quase 40 milhões de pessoas, uma Argentina”, disse Dilma, durante reunião com governadores, sobre os últimos oito anos. Citou números da Fundação Getúlio Vargas, segundo os quais, no período, 39,5 milhões de pessoas migraram para a classe média.

“Apesar de ter sido uma grande vitória nossa, ainda resta um Chile”, completou, em referência ao país com cerca de 16 milhões de habitantes. Depois, para uma plateia de mais de 300 pessoas, disse que o Brasil “passou um tempo muito longo de costas para o povo”, e que o ex-presidente Lula tornou a pauta da pobreza “prioritária”.

A presidente assinou o Pacto contra a Miséria, com os governadores, e voltou a dizer que o País crescerá com “estabilidade e controle da inflação”. “Nós seremos capazes de defender a economia brasileira de todas as ameaças internacionais e nacionais. Estou me referindo à ameaça da inflação que corrói a renda do trabalhador. Nós saberemos responder à altura”, disse.

Investimento. A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, afirmou que os Estados e municípios precisam se envolver nos programas de combate à pobreza para que cheguem às pessoas. Destacou que o governo passou a fazer a “busca ativa”, que pretende identificar os potenciais beneficiários das ações governamentais e inclui-los na lista de atendidos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

 às 4:39

Planalto busca saída para destravar obras do PAC

Por Leonencio Nossa, no Estadão:
A presidente Dilma Rousseff passou os últimos dias discutindo formas de tornar mais ágeis as principais obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Nordeste, que estão com canteiros paralisados. O Planalto teme que os projetos de transposição do Rio São Francisco e das ferrovias Transnordestina e Leste-Oeste, promessas de campanha em 2010, não sejam concluídos no atual governo.

Uma série de pedidos de aditivos contratuais por parte das construtoras, dificuldades de licenciamento ambiental e falta de empenho de parceiros estratégicos, como governadores e prefeitos, estão sendo analisados pelo governo. Os prejuízos podem ser percebidos bem antes de 2014, avaliam auxiliares da presidente. Até agora, em quase sete meses no poder, ela não conseguiu aproveitar a máquina de viagens para o sertão que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou azeitada.

Como presidente, Dilma não fez visitas às cidades nordestinas que recebem as grandes obras. Ela esteve na região cinco vezes, para festas e solenidades fechadas. A única visita a uma cidade sertaneja ocorreu em fevereiro. A presidente esteve em Irecê, no semiárido baiano, para visitar uma feira de produtores rurais e participar de um evento em homenagem às mulheres.

Os marqueteiros do Planalto estão assustados. Observam que, até agora, a presidente se sustentou com a versão de que não vai para os grotões porque não gosta de palanque. Os resultados das obras, neste caso, são negativos. Na sexta-feira, Dilma teve longa conversa com a ministra do Planejamento, Mirian Belchior, para discutir as pressões dos empreiteiros que tocam as obras no São Francisco.

O jornal Valor Econômico divulgou que a “enxurrada” de pedidos de aditivos dos empresários, apenas nesta obra, chega a R$ 700 milhões.

Mito
Os atrasos nos canteiros da Transnordestina já ocorriam no governo Lula. A ferrovia de 1.728 quilômetros de extensão, que ligará Eliseu Martins, no Piauí, ao porto de Pecém, no Ceará, deveria começar em 2007, mas só começou a sair do papel dois anos depois. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

 às 4:37

Mercado espera inflação maior em 2012

Na Folha:
A mudança no tom da comunicação do Banco Central na semana passada, em nota divulgada após nova elevação da taxa básica de juros (Selic) para conter a inflação, despertou desconfiança de economistas em relação ao combate à alta de preços. Pesquisa divulgada pela autoridade monetária, feita entre 18 e 22 de julho, mostrou que as expectativas para a inflação no ano que vem subiram de 5,20% para 5,28%. As principais alterações nas apostas ocorreram nos dois últimos dias da semana passada. Na quarta-feira, o BC havia elevado a Selic para 12,5% ao ano. Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a inflação está num “pouso suave” - expressão usada pela presidente Dilma Rousseff dias antes. A avaliação de especialistas, no entanto, é de que o BC deu poucas informações no comunicado divulgado após sua última reunião, o que provoca “ruídos” na comunicação com o mercado.

A autoridade monetária retirou da nota a expressão sobre um ajuste “suficientemente prolongado”, o que alimentou previsões de que o BC vai parar de subir os juros. “O BC criou um pouco de ruído na gestão das expectativas de inflação, o que pode provocar um problema lá na frente”, avalia o economista da LCA Bráulio Borges. O risco é que as expectativas de inflação alta fazem com que produtores e prestadores de serviços antecipem reajustes- criando mais pressão sobre os preços.

TRÉGUA
O economista André Perfeito, da corretora Gradual, acredita que o cenário externo deve ajudar o BC no combate à inflação. Segundo ele, o cenário internacional trará uma trégua para os preços das matérias-primas. Mas vê falha na comunicação do BC. “Estamos num momento de incertezas. Se o BC não for claro sobre o que vai fazer fica difícil”, diz. O ministro Mantega estima que os preços no Brasil tendem a recuar em julho e agosto. Ele lembra que, em junho, a inflação já foi mais baixa que em maio. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

26/07/2011

 às 4:35

Obama faz novo apelo, mas oposição diz que não dará “cheque em branco”

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez ontem um apelo em rede nacional de TV para que haja um comprometimento de republicanos e democratas com um acordo para elevar o teto da dívida pública do país, hoje em US$ 14,3 trilhões. O risco real de suspensão de pagamentos a partir de 3 de agosto levou Obama a alertar a nação sobre o “perigoso jogo” dos republicanos e a convocar os americanos a pressionar o Congresso por uma solução equilibrada, para não serem vítimas de uma “guerra política”.

“Se seguirmos pelo caminho do não acordo, nossa crescente dívida pode custar postos de trabalho e causar sérios danos à economia”, disse o presidente. Segundo ele, “embora o povo americano tenha votado num governo dividido, não votou num governo que não funciona”.

Momentos após o discurso de Obama, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse que os Estados Unidos não podem suspender os pagamentos, mas não se pode dar um “cheque em branco” ao governo. Ele advertiu que o povo americano não aceitará um aumento da dívida sem cortes significativos nos gastos e uma reforma.

A apenas oito dias do prazo final para a elevação do teto da dívida pública americana, a divergência maior entre o Senado de maioria democrata e a Câmara dos Deputados de maioria republicana já não está em questões sensíveis ao eleitorado dos dois partidos, mas no ambiente para as eleições presidenciais de 2012. Republicanos querem expor a Casa Branca a um novo risco de suspensão de pagamentos no início da campanha de reeleição de Obama. Os democratas querem se livrar dessa ameaça. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Da coluna  Direto ao Ponto

A ladroagem rodoferroviária foi a única obra de bom tamanho consumada pelo PAC

Até a primeira semana de julho, a duplicação da BR-101 entre os municípios de Palhoça, em Santa Catarina, e Osório, no Rio Grande do Sul, foi reiteramente apresentada por Lula e Dilma Rousseff como “a maior obra rodoviária no PAC no sul do Brasil”. Depois da reportagem de VEJA que abriu as comportas que represavam a roubalheira imensa, o trecho de 348 quilômetros foi sumariamente devolvido ao Ministério dos Transportes. Antes da descoberta da quadrilha, com exceção de atropelamento com vítima, era creditado na conta do Programa de Aceleração do Crescimento qualquer sinal de que as coisas andavam ─ a capinagem de um metro de acostamento, o plantio de um tufo de grama no canteiro central, até a entrega de uma placa de sinalização. Agora, a Mãe do PAC faz de conta que nem conhece uma das crias favoritas.

Enquanto demite pecadores, Dilma capricha na pose de quem não tem nada a ver com o pecado. Tem tudo, grita, por exemplo, a folha corrida do companheiro Hideraldo Caron, enfim afastado da Diretoria de Infraestrutura Rodoviária do Dnit. Há seis anos no cargo por indicação da atual presidente, Caron acumulou nesse período as funções de babá de rodovia. Com tamanha dedicação que acabou estabelecendo recordes de dimensões assombrosas mesmo para um país que perdeu a vergonha. Assinou 23 contratos, quase quatro por ano. E patrocinou 268 termos aditivos que aumentaram o preço em R$ 317,7 milhões.

O buraco negro denunciado seguidamente pelo Tribunal de Contas da União já engoliu quase R$ 2 bilhões, que não incluem pontes e túneis que sequer foram licitados. Uma ponte sobre o canal Laranjeiras já devorou R$ 596 milhões e segue à espera da licença ambiental. Cálculos otimistas garantem que não ficará pronta antes de 2015 a maravilha que Lula prometeu inaugurar em 2010. Deve ter acreditado nos relatórios do PAC. O mais recente adornou com o selo de “obra concluída” o trecho gaúcho ainda em execução.

A ladroagem no Ministério dos Transportes começou a correr solta em janeiro de 2003, quando Lula entregou a guarda do galinheiro ao deputado Valdemar Costa Filho, como parte do pagamento pela cessão do candidato a vice José Alencar. Ficou mais encorpada e veloz em 2004, quando Alfredo Nascimento assumiu a gerência da quadrilha em ação no Dnit e na Valec. E passou a registrar performances de dar inveja a um Usain Bolt em 2007, depois da criação do Programa de Aceleração do Crescimento. Como as verbas engordaram, cresceu também a gula das raposas.

A mãe resolveu renegar a filharada. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, finge que não é a atual coordenadora-geral do PAC, nem integrante do Comitê Gestor completado por Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil, e Guido Mantega, ministro da Fazenda. Maurício Muniz Barretto de Carvalho, secretário-executivo do PAC, caiu na clandestinidade. E ninguém sabe que fim levou o Grupo Executivo do PAC, responsável por estabelecer metas, fixar prazos e vigiar gastos. Tudo somado, está claro que a sigla é só uma impostura eleitoreira. É tão real quanto a competência da supergerente de país que virou presidente.

Até agora, o escândalo no Ministério dos Transportes foi a única obra de bom tamanho consumada pelo PAC.

(por Augusto Nunes)

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

2 comentários

  • Thomas Renatus Fendel Rio Negro - PR

    Se o cara fosse muçulmano a culpa seria religiosa... mas como o assassino de Oslo é cristão... sua hipócrita religiosidade é varrida para debaixo do tapete...e a culpa passa de religiosa para loucura...

    Haja vacas de presépio.

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Diante de tudo que acontece ultimamente no país, cabe repetir a pergunta de um renomado escritor gaucho: "Existirão Brasis em outros planetas?" Está demais.... e eu só me azedando o humor com isto! Intrigante!

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