Flagrado, lobista espanca jornalista de VEJA e faz ameaças à sua família. É inútil! A revista continuará a fazer o seu trabalho

Publicado em 07/08/2011 09:40 e atualizado em 03/03/2020 10:31 1332 exibições

Flagrado, lobista espanca jornalista de VEJA e faz ameaças à sua família. É inútil! A revista continuará a fazer o seu trabalho

Corruptos não gostam de jornalistas como Rodrigo Rangel e de uma revista como VEJA, mas os leitores e o Brasil gostam

Corruptos não gostam de jornalistas como Rodrigo Rangel e de uma revista como VEJA, mas os leitores e o Brasil gostam

Reproduzo, abaixo, a “Carta ao Leitor” da VEJA desta semana. Ela relata as agressões do “doutor” Júlio Fróes contra o editor Rodrigo Rangel. Agora eles não querem mais “controlar” mídia; decidiram que é o caso de espancar os jornalistas.
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Ao longo de quase 43 anos de existência, VEJA teve de driblar a censura da ditadura militar, foi ameaçada por extremistas de direita e de esquerda e tornou-se alvo de campanhas difamatórias promovidas por mercenários da escrita bancados pelo governo petista. Na semana passada, em Brasília, o ataque deu-se no nível da agressão física a um jornalista de VEJA. No fim da tarde da última quinta-feira, o editor Rodrigo Rangel, da sucursal da revista na capital do país, cumpria uma das obrigações elementares do bom jornalismo: ouvir o outro lado da história. A história em questão tem como personagem principal o lobista Júlio Fróes. Como revela a reportagem que começa na página 64 desta edição, Fróes montou sua base de operações no Ministério da Agricultura. Ali, manipulava licitações para beneficiar empresas e subornava funcionários públicos com “pacotes de dinheiro”. Tudo com o aval e o conhecimento dos graúdos que cercam o ministro Wagner Rossi. O lobista, embora não tenha nenhum vínculo formal com o Ministério da Agricultura, gozava de tratamento vip, como usar a entrada e o elevador privativos do ministro. Na repartição, era conhecido como “doutor Júlio”.

O jornalista de VEJA foi entrevistar o “doutor” num restaurante, para tentar entender a origem de tantos privilégios. A conversa durou trinta minutos. Confrontado com os fatos apresentados por Rangel, o lobista Fróes, sem poder refutá-los, passou a fazer ameaças. Perguntou se o jornalista tinha mulher e filhos. Nesse ponto, Rangel achou mais prudente dar a entrevista - integralmente gravada - por encerrada. Quando ele se levantou da mesa, porém, Fróes puxou-o pelo braço, aplicou-lhe uma gravata e joelhadas na barriga e no rosto. Rangel foi jogado contra uma mesa. Antes de fugir, o “doutor” ainda roubou o bloco de anotações do repórter. A agressão, testemunhada por mais de uma dezena de clientes e funcionários do restaurante, foi comunicada à polícia. O jornalista, com um dente quebrado, fez exame no Instituto Médico Legal. Ao longo de quase 43 anos de existência, VEJA ultrapassou toda sorte de obstáculo para exercer sua missão de fiscalizar o poder e denunciar os que subtraem a nação. Não será a violência física do “doutor Júlio” que mudará essa história.

Post publicado originalmente às 17h17 deste sábado
Por Reinaldo Azevedo

QUANDO DILMA VAI VARRER ESTE LIXO? Lobista pinta e borda no Ministério da Agricultura, mantém sala secreta na pasta, paga propina a funcionários, redige contrato em interesse próprio e, confrontado com os fatos, diz ter gravações que comprometem o nº 2 do ministério. E também espanca o jornalista!

Parece que o PT desistiu de “controlar a mídia”, conforme reivindica certa canalha de aluguel que anda perdida na Internet. Os aliados do partido, tudo indica, agora querem mesmo é espancar jornalistas (leiam post abaixo) que denunciam as falcatruas dos poderosos. Foi o que aconteceu com o editor de VEJA em Brasília Rodrigo Rangel, que flagrou e denuncia na edição desta semana um esquema criminoso incrustado no Ministério da Agricultura. É aquela pasta comandada pelo ministro Wagner Rossi, do PMDB, homem da estrita confiança de Michel Temer, vice-presidente da República. Na semana passada, Rossi esteve na Câmara e garantiu que em seu feudo vigora a mais estrita legalidade. Então vamos ver.

Na quarta-feira, dia 3 de agosto, VEJA pôs um fotógrafo na cola de um sujeito chamado Júlio Froes, que se apresenta como “jornalista, cientista político e professor”, além de amigão do peito do ministro Wagner Rossi. A seqüência de imagens é, como posso chamar?, de uma escandalosa eloqüência. Reproduzo a seqüência narrativa. Dá para entender tudo.

10h58:23 - O lobista chega ao Ministério da Agricultura. Havia desembarcado pouco antes no aeroporto de Brasília, procedente de São Paulo;
10:58:47 - Carregando uma mala, passa em frente à entrada do Ministério da Agricultura:
10:59:45 - Ele entra num banco no térreo do prédio, acompanhada de uma funcionária do Ministério, que diz ser sua filha;
11:01:45 - Ele sai do banco junto com a funcionária;
11:02:45 - O lobista entrega à moça a sua mala, que é levada para o ministério;
11:04:29 - Froes passa rapidamente pela portaria privativa do ministério, como se fosse autoridade;
11:07:58 - O lobista segue a pé para o Congresso Nacional, a 600 metros dali;
13:11:54 - No Congresso, vai à Comissão de Agricultura, onde o ministro Wagner Rossi tenta demonstrar que, na sua pasta, vige a mais estrita legalidade;
18:11:07 - O lobista recebe de volta a sua mala das mãos da coordenadora do Ministério da Agricultura.

Algumas das fotos que revelam Júlio Froes em ação

Algumas das fotos que revelam Júlio Froes em ação

Muito bem! Dirá o leitor, prudentemente cético. “Pô, mas isso não prova nada!” Não se trata de uma prova, mas de um emblema. O editor Rodrigo Rangel, que acabou espancado por Júlio Froes, resolveu apurar a, digamos assim, influência deste senhor no Ministério da Agricultura. Trata-se mesmo de uma coisa espantosa. Reproduzo um trecho da reportagem:
“Ali [no Ministério da Agricultura], ele [Júlio Froes] se comporta e é tratado como uma autoridade. Mesmo sem nenhum vínculo formal com a pasta, o lobista cuida dos processos de licitação, redige editais, escolhe empresas prestadoras de serviços - e, ao fim de cada trabalho bem-sucedido, distribui pacotes de dinheiro aos funcionários. Em outras palavras, paga propina aos que o ajudam a tocar seus negócios escusos. O mais impressionante é que o lobista faz tudo isso com o conhecimento e o aval da cúpula do órgão. E. segundo suas próprias palavras, com a autorização de seu amigo, o ministro Wagner Rossi.”

Atenção:
- O “jornalista, cientista político e professor” doutor Júlio usa a entrada privativa do ministério, prerrogativa das autoridades;
- O “jornalista, cientista político e professor” doutor Júlio tem uma sala no ministério, com computador, telefone e secretária;
- O “jornalista, cientista político e professor” doutor Júlio tem essa sala clandestina justamente na Comissão de Licitação do ministério;
- O “jornalista, cientista político e professor” doutor Júlio chegou ao Ministério pela primeira vez escoltado por Milton Ortolon, secretário-executivo da pasta, amigo de Wagner Rossi há 25 anos e segundo homem na hierarquia. TÃO LOGO A EDIÇÃO DE VEJA DESTA SEMANA COMEÇOU A CHEGAR AOS LEITORES, ORTOLON FOI DEMITIDO (leia post);
- O “jornalista, cientista político e professor” doutor Júlio redigiu um parecer dentro do ministério para contratar, sem licitação, uma empresa (Fundasp) da qual ele próprio era o representante; houve parecer técnico contrário; Rossi preferiu a opinião do lobista;
- O “jornalista, cientista político e professor” doutor Júlio reuniu alguns funcionários da pasta no fim do ano passado para agradecer a colaboração; distribuía envelopes como sinal dessa gratidão. Um dos que recusaram a oferta revela o que havia dentro: dinheiro vivo;
- O “jornalista, cientista político e professor” chegou a revelar, diante de vários funcionários da pasta, que, falando em nome do Ministério da Agricultura, cobrou 10% de propina da Gráfica Brasil para a renovação de um contrato. A gráfica confirma o achaque e diz que não aceitou a negociata;
- O “jornalista, cientista político e professor” diz ter feito isso a pedido de Ortolon, o amigão de Rossi e número dois do Ministério até este sábado.

E então?
VEJA procurou Júlio Froes para ouvir a sua versão. Ele negou que tivesse visitado o Ministério da Agricultura. Tinha. Negou que fosse representante da Fundasp, a tal empresa constratada sem licitação. Até o ministério diz que é. E foi negando, negando… Até que escolheu outro caminho: afirmou ter gravações que comprometem Ortolon, perguntou quanto o repórter pagaria por elas e… partiu para a porrada (ver post abaixo).

A base aliada, liderada pela ala mais radicalmente lulista do PT, cansou dessa história de faxina. Alfredo Nascimento, o ministro defenestrado dos Transportes, disse que o PR não é lixo e que o partido age como todos os outros da base. Para ficar no paradigma escolhido, pode-se afirmar que os aliados de Dilma estão hoje mobilizados para manter o lixo onde está.

O descalabro no Ministério da Agricultura chega a tal ponto que representantes da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) pediram 15% de propina para pagar uma dívida de R$ 150 milhões da estatal com uma empresa chamada Spam. Atenção! O pagamento é uma determinação judicial. A “contribuição” serviria para evitar protelações. Boato? A tentativa de achaque é confirmada por Antonio Carlos Simões, advogado da empresa: “O representante da Conab disse que só liberaria o dinheiro se a gente pagasse a eles 15% dos 150 milhões. Isso fere a dignidade de qualquer um”. O presidente da Conab, na época, era Alexandre Magno de Aguiar, hoje assessor de… Wagner Rossi. Aguiar nega tudo.

O editor Rodrigo Rangel expôs, num flagrante, os métodos e os modos vigentes no Ministério da Agricultura. Um colunista da Folha Online, comentando a crise americana e fazendo eco à avaliação de um petista (ora essa…), concluiu que o presidente americano, coitadinho, estava em apuros porque lhe faltava um PMDB…

É mesmo! O que seria de nós sem o PMDB, especialmente nestes tempos, em que o partido é um aliado dos moralistas do PT?

Texto publicado originalmente às 17h17 deste sábado
Por Reinaldo Azevedo

O cínico - “Parente pode ser bom de serviço”, afirma dirigente da Conab, que acha que a imprensa é que atrapalha

Por Andreza Matais, na Folha:
O presidente da Conab, Evangevaldo dos Santos, disse à Folha que parente de político “pode ser bom de serviço”, mas que não saberia dizer se os familiares de líderes peemedebistas estariam empregados na estatal não fosse o parentesco.

Folha - A Conab está loteada? Evangevaldo dos Santos - Eu desconheço. As pessoas que estavam lá continuaram porque cada diretor tem sua prerrogativa de montar sua assessoria. Cada diretor tem a sua cota. Quanto às cotas deles, eu não posso interferir.

Há denúncias de que muitos dos indicados não trabalham.
Que eu saiba, todos [os indicados] trabalham.

O senhor não foi alertado de que existem funcionários fantasmas dentro da Conab?
Não, não.

O senhor diria que eles não existem ou não poderia garantir isso?
Bom, no gabinete da presidência não existe.

O senhor tem no seu quadro o neto do deputado Mauro Benevides (PMDB-CE), o filho do senador Renan Calheiros (PMDB-AL)…
Não é porque é neto do Mauro Benevides que é pessoa ruim, não. É um excelente quadro. O filho do Calheiros é um excelente rapaz. O Adriano Quércia [sobrinho do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia] também é um excelente quadro.

A Monica Azambuja o senhor conhece?
Monica? Eu não lembro especificamente quem é, não.

É ex-mulher do líder do PMDB Henrique Alves…
Ah! A Mônica trabalha na diretoria. É um excelente quadro também. Não é porque é ex-mulher do líder ou filho de deputado que não pode ser bom de serviço. O Rodrigo [Calheiros] é um dos melhores funcionários que eu tenho na Conab.

O senhor acha que eles estariam empregados na Conab se não tivessem esses parentescos?
Não, não sei. Ai, não quero julgar. Se tivesse concurso, talvez eles passariam, né?

O senhor vai abrir concurso?
Assim que a imprensa deixar eu trabalhar, vou fazer isso. Preciso de concurso para contratar motorista. Ultimamente tenho ficado por conta de responder à imprensa.

Por Reinaldo Azevedo

Casas entregues por Dilma na Bahia são do tipo que… DESABA!!! Ah, também não havia água!

Por Letícia Linas, no Globo:
Os primeiros moradores do Residencial São Francisco, conjunto habitacional do “Minha Casa Minha Vida” inaugurado nesta sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff em Juazeiro (BA), encontraram na entrada de cada bloco de prédios uma placa advertindo para que não façam reformas, sob risco de “danos à solidez”. É que os prédios foram construídos com a tecnologia “alvenaria estrutural”, que os levou a serem conhecidos no Nordeste como “prédios-caixão” - sem pilotis e com alicerces em alvenaria, mas de estabilidade discutível.

O sistema é muito adotado na Região Metropolitana de Recife, mas tornou-se um problema para os mutuários e para o governo do estado. Na Grande Recife, existem dez mil prédios do tipo “caixão”, mas estudos acadêmicos revelam que cerca de 60% deles apresentam algum tipo de risco. Destes, 12 já desabaram, inclusive fazendo vítimas fatais.

Um diagnóstico recente feito pelo governo de Pernambuco indicou que 340 desses imóveis estão com alto risco de desabamento, e dezenas foram interditados, a maior parte nos municípios de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, os mais importantes da Região Metropolitana.

A Secretaria das Cidades de Pernambuco realiza atualmente um levantamento para saber se é possível recuperar algum desses imóveis. Muitos terão que ser demolidos. Quase todos foram financiados pelo governo, via Caixa Econômica Federal, como ocorre com o “Minha Casa Minha Vida”, que está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

No residencial inaugurado nesta sexta-feira - que, segundo a prefeitura de Juazeiro, é o maior conjunto habitacional do “Minha Casa Minha Vida” -, há vários avisos: “Os edifícios que compõem o empreendimento foram construídos em alvenaria estrutural, não podendo ser feitos nenhuma abertura ou rasgo em qualquer parede do edifício, muito menos remoção de parte ou totalidade de qualquer parede. O descumprimento dessas orientações poderá causar danos na solidez ou segurança do edifício”.

O conjunto custou mais de R$ 61 milhões ao governo federal. E nesta sexta-feira a presidente assinou ordem de serviço no valor de R$ 49,78 milhões, para financiar mais 1,2 mil moradias, dentro do novo PAC-2.

O conjunto inaugurado nesta sexta-feira, com 1,5 mil apartamentos, também apresentou um outro problema para os primeiros moradores, que chegaram lá na última terça-feira. Desde então, falta água nas torneiras, como relataram alguns moradores.

A manicure e dona de casa Soraya Silva, de 25 anos, três filhos e grávida do quarto, que morava na favela Ipiranga II, no município de Juazeiro, a 500 quilômetros de Salvador, sem água e sem esgoto, estava andando mais de 300 metros para buscar água com vizinhos e já havia apelado uma vez para o caminhão-pipa: “Tomar conta de casa com três meninos no seco é difícil”.

A Caixa negou que os imóveis estivessem sem água, mas o problema foi detectado pelo GLOBO e confirmado nos poucos apartamentos já habitados. O diretor do Sistema de Abastecimento de Juazeiro, Joaquim Neto, afirmou que os novos moradores precisam requisitar ligações individuais para que tenham o abastecimento regularizado. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

A militares, Dilma indica que Lei da Anistia é intocável mesmo sob Amorim

Por Tânia Monteiro e Vera Rosa, no Estadão:

Na tentativa de acalmar os militares, que reagiram mal à escolha do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa, a presidente Dilma Rousseff reuniu ontem os comandantes das três Forças Armadas, no Palácio da Alvorada, e disse não haver motivo para preocupações. Dilma pediu aos militares que mantenham a “normalidade institucional”, abriu um canal direto de relacionamento com eles e assegurou que seu governo não permitirá revanchismos.

O encontro durou uma hora e ocorreu no dia seguinte ao da demissão de Nelson Jobim, que chefiava o Ministério da Defesa desde 2007, no segundo mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente fez questão de reunir a o alto comando da tropa, pouco antes de viajar para a Bahia, com o objetivo de desfazer o mal-estar.

Em mensagem teleguiada para acalmar a caserna, Dilma afirmou que ninguém precisa temer mudanças. Embora não tenha tocado no assunto com todas as letras, os militares entenderam que não haverá revisão da Lei de Anistia. Pactuada para possibilitar a transição democrática, a lei impede a punição de agentes de Estado que praticaram crimes contra os opositores do governo, como tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados, durante a ditadura.

Amorim tomará posse na segunda-feira e hoje vai se reunir com os comandantes militares, em Brasília. Da mesma forma que Dilma, disse aos mais próximos que fará um trabalho de “distensão”. Não haverá solenidade de transmissão de cargo.
(…)
Depois de conversar por telefone com Lula - que na quinta-feira estava em Bogotá -, a presidente decidiu convocar os militares para uma reunião. Queria tranquilizá-los sobre a nomeação do diplomata Amorim, considerado por eles como “esquerdista”.

Participaram do encontro com Dilma ontem no Alvorada os comandantes do Exército, Enzo Peri; da Marinha, Moura Neto; e da Aeronáutica, Juniti Saito, além do chefe do Estado-Maior Conjunto, general José Carlos De Nardi. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Uma escolha infeliz

Leia editorial do Estadão sobre a indicação de Celso Amorim para o Ministério da Defesa:

Nelson Jobim fez por merecer a decisão da presidente Dilma Rousseff de exigir que se demitisse do Ministério da Defesa, para não obrigá-la a demiti-lo. Na pasta desde 2007, foi mantido a pedido de seu admirador Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma atendeu ao pedido, mas confinou o apadrinhado ao seu cantão, sem ser chamado para opinar sobre questões políticas e jurídicas alheias à sua área, como Lula fazia a três por quatro, nutrindo as ambições políticas do ministro. Foi além, o ex-presidente, em suas mesuras ao seu protegido, ao manobrar para que chegasse ao comando do PMDB a fim de que o partido o indicasse para vice de Dilma.

Dado esse retrospecto, não será difícil de imaginar o ressentimento de Jobim com a perda de prestígio no Planalto, certamente agravado pelos cortes no orçamento militar que atingiram duramente os projetos de reequipamento das Três Forças e pelas diferenças entre ele e a presidente sobre a questão dos guerrilheiros desaparecidos no Araguaia, entre outros motivos para frustração. A frustração foi o que decerto o levou a dar vazão ao que o seu temperamento tem de mais criticável - a pesporrência que leva à insopitável incontinência verbal a que ele se entregou com frequência ao longo da carreira política, sempre se retratando em seguida. Desta vez a retratação pública não evitou o que parece ser o fim dessa carreira.

Jobim já tinha sido no mínimo indelicado com a presidente da República, à qual devia obediência e respeito, ao insinuar que “os idiotas” se aboletaram no governo e ao tornar público que na última eleição votara no amigo tucano José Serra. Tudo isso ela ouviu em silêncio. O que definitivamente não poderia admitir, sob pena de desmoralização, foi a entrevista do ministro à revista Piauí. Menos pelas grosserias com que se referiu às colegas Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman, do que pela versão que deu a uma conversa com a presidente sobre a nomeação do petista José Genoino para assessorá-lo na Defesa. Perguntado sobre a utilidade do ex-deputado na função, ele respondeu: “Quem sabe se ele pode ou não ser útil sou eu”.

Feita a coisa certa, ato contínuo a presidente fez o seu contrário. Na ânsia de encerrar rapidamente mais este episódio infeliz do seu breve governo, escolheu o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim para o lugar de Jobim, sem dedicar algum tempo à avaliação dos problemas que poderá criar para o seu governo na pasta da Defesa. Se tivesse feito isso poderia ver o que salta à vista de todo estudioso da era Lula, ou seja, que nem as Forças Armadas mereciam isso depois de ser comandadas pelo primeiro civil que se fizera respeitar por elas nem o País merecia isso depois de Jobim ter sido o primeiro na pasta a consolidar os instrumentos legais, políticos e administrativos que asseguram a subordinação da esfera militar ao poder civil. Julguem-se como se queiram todas as demais atitudes de Jobim, nisso ele foi exemplar.

Eis que é sucedido pelo homem errado no lugar errado. Primeiro, Dilma errou por entregar a Defesa a quem passou os últimos oito anos - com o entusiasmado aval de Lula - impondo um viés ideológico bolivariano à diplomacia brasileira, com a agravante de ter sido um fracasso total. O apoio ao Irã de Ahmadinejad, a identificação com a Cuba dos irmãos Castro e a confraternização com a Venezuela de Hugo Chávez configuraram uma política que “contrariou princípios e valores” das Forças Armadas, na avaliação de oficiais-generais da ativa ouvidos por este jornal sob a condição de anonimato.

Em segundo lugar, Dilma errou por nomear um egresso do Itamaraty para cuidar dos assuntos militares, aparentemente alheia à verdade elementar de que a função do soldado começa quando se esgota a do negociador. A guerra pode ser a continuação da política por outros meios, mas há um abismo entre a mentalidade de um general e a de um diplomata. As duas áreas cruciais do Estado devem se articular nas circunstâncias necessárias. Mas as culturas profissionais inerentes a uma e a outra são distintas, quando não, distantes. Essa questão de fundo continuaria a existir fosse o escolhido de Dilma um ex-chanceler que tivesse se pautado pelo interesse nacional como o interpretam os militares. Com um ideólogo, então, é brincar com fogo.

Por Reinaldo Azevedo

Lula sugere que militares não têm de se intrometer na Defesa!!!

Por Lu Aiko Otta, no Estadão. O título é meu.

Diante da reação negativa dos militares à escolha de Celso Amorim para comandar o Ministério da Defesa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os descontentes com a nomeação. “Eu não sei se cabe aos militares gostarem ou não gostarem”, disse Lula, que está na Colômbia. “Ela (a presidente Dilma Rousseff) é a chefe suprema das Forças Armadas, indicou o ministro e acabou, não se discute.”

Lula acrescentou que as pessoas precisam entender que, uma vez nomeado, um novo ministro precisa assumir e começar a trabalhar “para ver se vai fazer ou não vai fazer o que precisa ser feito”. Para Lula, a presidente escolheu bem e, quanto à competência de Amorim, “tem poucos iguais a ele no Brasil”. “Amorim estará qualificado para ocupar qualquer pasta.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

O besteirol de duas parlamentares do PT

O besteirol não tem limites. Num dos posts abaixo, comento as cretinices do que chamei “afirmações identitárias”. Nelson Jobim teria dito a uma revista, o que ele nega, que a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) “é fraquinha” e que Gleisi Hoffmann “mal conhece Brasília”. Muito bem! Num post das 15h52 de ontem, especulei que o chamariam até de “machista”. Bingo!

A senadora Ângela Portela (PT-RR), presidente da Subcomissão Permanente em Defesa da Mulher do Senado, e a deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP), coordenadora da bancada feminina na Câmara, divulgaram nesta sexta uma nota, acreditem!, de repúdio à declaração atribuída a Jobim. Mas atenção! Elas não estão protestando porque acham que Ideli é competentíssima e que Gleisi conhece Brasília como a palma da mão.

Nada disso!

Elas não contestaram a avaliação de Jobim. As duas petistas resolveram especular sobre as motivações subjetivas que teriam levado o então ministro a supostamente dizer o que disse, entenderam? Como Ideli e Gleisi são mulheres, então Jobim teria feito, segundo elas, um ataque “machista e preconceituoso”, e as palavras a ele atribuídas“demonstram uma profunda violência a todas as mulheres”.Jobim as teria classificado de “incapazes”, o que “pode caracterizar violência psicológica e moral”.

Diz a nota:
“Queremos expressar nosso repúdio pela violência de um ministro que sempre desfrutou de todo o respeito e consideração das bancadas femininas na Câmara e no Senado Federal e que, pelo ataque verbal desnecessário, poderá criar um clima conflituoso que em nada contribuirá para a construção da Democracia Brasileira”.

Segundo essas duas valentes, mulheres que exercem cargos públicos só poderiam ser criticadas por mulheres — ou se estaria diante de um ataque machista. Na mesma linha, só gays poderiam avaliar o trabalho de gays, ou seria manifestação de homofobia. Só negros poderiam contestar negros, ou então seria racismo. E assim por diante. É IMPORTANTE NOTAR QUE JOBIM, EM NENHUM MOMENTO, ASSOCIOU O EVENTUAL DEFEITO DAQUELAS DUAS FIGURAS PÚBLICAS À SUA CONDIÇÃO DE MULHER.  Se o tivesse feito, aí, sim, seria preconceito.

É de uma notável estupidez! O mundo seria como quer as duas parlamentares petistas se mulheres fizessem propostas que só valessem para mulheres, gays para gays, negros para negros, homens para homens… Se bem que a cabeça dessa gente é ainda mais perturbada do que isso: as ditas minorias teriam o direito de atuar como juízes do que consideram “a maioria”, mas teriam de ser imunes à crítica em nome da democracia.

Não! Tiririca está longe de ser o que de pior pode acontecer ao Parlamento brasileiro.

Texto publicado originalmente às 22h11 desta sexta
Por Reinaldo Azevedo

China diz ter “todo o direito” de cobrar solução para dívida

Por Cláudia Trevisan, no Estadão:
Na condição de maior credor dos Estados Unidos, a China tem “todo o direito” de exigir que Washington enfrente os problemas estruturais de seu endividamento e garanta a segurança dos ativos em dólar controlados por Pequim, afirmou ontem editorial da agência oficial de notícias “Xinhua”, que também defendeu “supervisão internacional” sobre a emissão de dólares e a adoção de uma nova moeda global de reserva de valor.

O governo chinês usou palavras duras, dizendo que Washington precisa “curar seu vício em dívidas” e “viver com seus próprios meios”. O comentário foi uma resposta ao rebaixamento da nota de crédito norte-americana pela agência de classificação de risco Standard & Poor”s, anunciado sexta-feira.

A decisão e o prolongado impasse em torno do aumento do teto de endividamento dos EUA evidenciaram os riscos da política chinesa de acumulação de reservas internacionais, que atingiram em junho a estratosférica quantia de US$ 3,2 trilhões, dos quais 70% estão aplicados em ativos denominados em dólar.

As autoridades de Pequim temem a erosão do valor de sua poupança externa com uma eventual persistente depreciação da moeda norte-americana. O editorial de ontem refletiu a preocupação com a excessiva dependência do dólar e o papel dominante que ele desempenha no sistema financeiro global.

A adoção de uma “nova, estável e segura” moeda de reserva global “pode ser uma opção para evitar a catástrofe provocada por um único país”, sustentou o texto, que também criticou o impasse no Congresso em torno do teto de endividamento. “(Os EUA) deveriam abandonar as velhas práticas de permitir que a política doméstica eleitoral faça a economia global de refém e de contar com os bolsos dos principais países superavitários para sustentar seus déficits perenes”, afirma o editorial.

Falta de opção. A China lidera o ranking dos credores internacionais dos norte-americanos, com pelo menos US$ 1,16 trilhão em títulos emitidos por Washington. Apesar de toda a retórica de Pequim e da promessa de diversificação das reservas, é provável que o país continue a investir em bônus norte-americanos, por absoluta falta de opção.

A Europa também enfrenta problemas com seu nível de endividamento e o tamanho de seu mercado de títulos não é grande o suficiente para absorver a gigantesca demanda chinesa, que continuará em alta, a menos que haja uma transformação no modelo de crescimento do país.

Nos seis meses entre dezembro de 2010 e junho de 2011, as reservas internacionais controladas por Pequim saltaram de US$ 2,85 trilhões para US$ 3,2 trilhões - só o aumento de US$ 450 bilhões no período supera o total das reservas de US$ 336 bilhões detidas pelo Brasil. A previsão de analistas é que o valor chegue a pelo menos US$ 3,5 trilhões no fim do ano, o que significa que a China precisará encontrar onde investir US$ 300 bilhões, e há poucas opções além dos títulos do Tesouro dos EUA.

O grande desafio para Pequim é mudar a política que leva o país a acumular um volume de reservas que supera em muito o patamar considerado razoável para se proteger contra turbulências externas. O regime de câmbio semifixo é o principal fator que infla a montanha de recursos externos administrada pelo Banco do Povo da China. Para impedir a apreciação do yuan, a autoridade monetária compra os dólares que entram no país, emitindo em troca moeda nacional. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

EUA tentam desacreditar S&P e buscam novo acordo político

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
Com discrição, o governo de Barack Obama iniciou uma batalha nos bastidores com a Standard & Poor’’s para fazê-la recuar de sua decisão de rebaixar a nota de risco de crédito de longo prazo dos EUA. O Departamento do Tesouro escuda-se no erro de US$ 2 trilhões nos cálculos dos gastos públicos feitos pela agência para colocar em xeque a credibilidade da decisão da S&P. Ontem, a agência de avaliação de risco mostrou-se inflexível.

A agência argumenta que o equívoco não é razão suficiente para alterar a nova nota dos EUA, AA+. “Um julgamento defeituoso, com um erro de US$ 2 trilhões, fala por si mesmo”, afirmou ontem um porta-voz do Tesouro, que preferiu não se identificar. “O foco primário continua no atual nível da dívida, a trajetória da dívida como uma parte da economia, e a aparente falta de disposição das autoridades eleitas em lidar com o panorama fiscal de médio prazo dos EUA”, afirmou a S&P, por meio de comunicado. “Nenhum desses fatores foram significativamente afetados pela suposta revisão do suposto crescimento dos gastos correntes e, portanto, não há impacto na decisão”, completou.

Nessa batalha, o governo preferiu emitir apenas uma declaração, na qual não mencionou diretamente a decisão da S&P. Por meio de comunicado, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou ter Obama insistido em um acordo fiscal mais amplo para a redução da dívida federal em longo prazo. O fato de o acordo sancionado na terça-feira ter envolvido um esforço fiscal de US$ 2,1 trilhão - não algo próximo a US$ 4 trilhões - pesou no rebaixamento da nota, segundo a S&P.

“Nas próximas semanas e meses, o presidente (Obama) vai encorajar fortemente o comitê fiscal bipartidário e os membros do Congresso a um compromisso comum para pôr a recuperação econômica mais forte e um melhor caminho de longo prazo na área fiscal acima das nossas diferenças políticas e ideológicas”, afirmou o comunicado.

Nem Obama, nem o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, fizeram declarações até o fechamento da edição. Colaboradores mais próximos municiaram a imprensa e os agentes de mercado com a reação oficial sobre a ausência de confiança e de credibilidade da avaliação da S&P. A única reação oficial partiu do presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, que culpou o partido democrata e a Casa Branca pelo rebaixamento. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Farc mudam de tática e ampliam ações na Colômbia

Por Renata Miranda, no Estadão:
Após quase dez anos de combate intenso às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a ofensiva do governo colombiano começa a mostrar seus primeiros sinais de desgaste. Dados divulgados por uma ONG de Bogotá mostram que o número de ataques perpetrados pelo grupo rebelde aumentou 10% no primeiro semestre do ano, indicando um possível fortalecimento da guerrilha, que decidiu descentralizar as ações.

De acordo com o documento A nova realidade das Farc, da Corporación Nuevo Arco Iris - organização que promove ações políticas para a paz e o desenvolvimento na Colômbia -, as Farc realizaram 1.115 ações armadas na primeira metade de 2011 e devem totalizar até o fim do ano cerca de 2.200 ataques.

Os números contradizem o governo que, em 2008, após a morte de uma série de líderes da guerrilha, chegou a dizer que as Farc estavam “perto do fim”. Segundo a Corporación Nuevo Arco Iris, o aumento no número de ações das Farc é uma tendência observada ao longo dos últimos três anos e está relacionado diretamente com a mudança de comando na cúpula da guerrilha.

“Após as mortes de Raúl Reyes e Mono Jojoy, as Farc realmente estavam prestes a desaparecer”, afirmou ao Estado, por telefone, Ariel Ávila, pesquisador da entidade e um dos responsáveis pelo relatório. “Só que após Alfonso Cano assumir o comando da guerrilha, o grupo deu início a uma nova estratégia e começou a se reagrupar.”

A nova estratégia recebeu o nome de “Plano 2010″ e começou a ser implementada em meados de 2008. Segundo Ávila, o plano de reestruturação tática e militar da guerrilha tem como base a descentralização. “Depois que o governo matou líderes centrais das Farc, o grupo decidiu criar mais unidades menores, com maior autonomia para planejar e realizar ataques.”

O tipo de ações praticadas pelas Farc também mudou nos últimos anos. A guerrilha tinha entre suas principais atividades o sequestro. Agora, o grupo rebelde investe mais em carros-bomba, franco-atiradores e ataques menores.

“No auge do conflito armado, as Farc utilizavam até 200 guerrilheiros em um só ataque, hoje são usados entre 10 e 30 integrantes que se dispersam depressa depois de cada ação”, explicou o cientista político Rodrigo Losada. “Assim, é mais difícil para as forças militares anteciparem um ataque porque grupos menores chamam menos atenção.”

Um exemplo da nova estratégia das Farc ocorreu no Departamento (Estado) de Cauca, onde, em 9 de julho, foram registrados seis ataques simultâneos atribuídos à guerrilha. O pior deles foi na cidade de Toríbio, onde a ação de atiradores foi seguida pela explosão de um ônibus, deixando 8 mortos, mais de 100 feridos e destruindo cerca de 500 casas. Os ataques na região têm sido tão recorrentes que a cidade ganhou o apelido de “Toribistão”, em referência ao sangrento conflito que tropas internacionais travam com o Taleban no Afeganistão.

Expansão. A mudança de estratégia das Farc também fez com que o número de guerrilheiros aumentasse, afirmam especialistas. Enquanto o governo estima em 7 mil o número de combatentes das Farc, cientistas políticos e pesquisadores relacionados ao conflito armado colombiano acreditam que a guerrilha conte hoje com aproximadamente 10 mil homens armados. “Esse número, no entanto, sobe para 30 mil quando contamos os integrantes das milícias que apoiam os grupos armados das Farc”, disse Jeremy McDermott, codiretor da InSight, consultoria que monitora o crime organizado na América Latina. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Multiculturalistas “infanticidófilos” - Funai pressiona e Câmara esvazia projeto de combate ao infanticídio

Leiam o que informa Bernardo Mello Franco, na Folha. Ainda voltarei a este assunto:

Sob pressão do governo, a Câmara esvaziou um projeto de lei que previa levar ao banco dos réus agentes de saúde e da Funai (Fundação Nacional do Índio) considerados “omissos” em casos de infanticídio em aldeias. A prática de enterrar crianças vivas, ou abandoná-las na floresta, persistiria até hoje em cerca de 20 etnias brasileiras. Os bebês são escolhidos para morrer por diversos motivos, desde nascer com deficiência física a ser gêmeo ou filho de mãe solteira. A Funai se nega a comentar o assunto. Nos bastidores, operou para enfraquecer o texto com o argumento de que ele criaria uma interferência indevida e reforçaria o preconceito contra os índios. Do outro lado da discussão, ONGs e deputados evangélicos acusam o governo de cruzar os braços diante da morte de crianças e defendem que o Estado seja obrigado por lei a protegê-las. A polêmica chegou ao Congresso em 2007, quando o deputado Henrique Afonso (PV-AC) apresentou projeto que previa punir servidores que não tomem “medidas cabíveis” para impedir o ritual. Eles responderiam por crime de omissão de socorro, cuja pena varia de multa a prisão por até um ano. O texto ainda classificava o “homicídio de recém-nascidos” como uma “prática nociva”.

Antropólogos, indigenistas e assessores da Funai pressionaram a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que adiou a votação da proposta por quatro anos. Em junho, os deputados decidiram substitui-la por uma versão alternativa da relatora Janete Pietá (PT-SP), que seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça e pode ser transformada em lei até o fim do ano. O novo projeto elimina todos os pontos controversos e descarta a possibilidade de processar autoridades ou servidores pela morte de crianças nas aldeias.
Em lugar de punições, diz que o governo deve oferecer “oportunidades adequadas aos povos indígenas de adquirir conhecimento sobre a sociedade em seu conjunto” em casos de infanticídio, estupro e maus-tratos. “O texto ficou muito fraco. Vai permitir que o governo continue omisso diante dessas mortes”, diz Márcia Suzuki, da ONG Atini, que acolhe mães que fugiram de suas aldeias para proteger os filhos. “As tradições dos povos indígenas devem ser respeitadas, mas o direito à vida é um valor universal e garantido pela Constituição”, afirma o deputado Henrique Afonso.

AUTONOMIA
Responsável pelas mudanças, Janete Pietá diz ter atuado em defesa da autonomia dos povos indígenas. “Não precisamos de lei, e sim de convencimento. Em vez de penalizar, devemos conversar com as mulheres e fazer campanhas educativas”, afirma a deputada.
“A tradição de sacrificar crianças é mantida por poucas comunidades. O Brasil tem mais de 200 povos indígenas. Se isso ainda ocorrer em 20, são apenas 10%.” O Conselho Indigenista Missionário, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), também pressionou contra o projeto original. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

07/08/2011

 às 5:23

ONG de evangélicos protege crianças indígenas do assassinato patrocinado, na prática, por tarados morais do multiculturalismo

Na Folha. O título é meu.
Muwaji Suruwahá, 33, fala poucas palavras em português e vive alheia à discussão sobre o infanticídio em aldeias indígenas. Mesmo assim, foi transformada em símbolo da disputa que, há quatro anos, opõe evangélicos e governo no Congresso. Chamado de lei Muwaji, o projeto que responsabiliza agentes públicos pela morte de recém-nascidos é inspirado na história dela e da filha Iganani, 8, que nasceu com paralisia cerebral. Em 2005, a índia deixou sua tribo para evitar que a menina fosse sacrificada, como prevê a tradição de sua comunidade. Elas vivem hoje na sede da ONG Atini, nos arredores de Brasília. A organização foi fundada por Márcia Suzuki, uma missionária metodista que acusa o governo de negligência com a prática.

“A Funai afirma que a interferência é sempre negativa, mesmo que as crianças estejam em risco. Nós acreditamos que respeitar os índios também significa respeitar e proteger a vida deles”, diz. A tese é contestada pela Associação Brasileira de Antropologia, que acusa os ativistas de repetir métodos dos colonizadores portugueses. “Tirar índios de suas aldeias para criá-los sob a ética cristã é uma interferência violenta, não um projeto humanitário”, diz João Pacheco de Oliveira, dirigente da entidade e professor da UFRJ.

A Atini abriga 12 famílias, que recebem mantimentos e cuidados médicos, e diz ser mantida por doações. A ONG nega vinculação a igrejas, embora os evangélicos sejam maioria entre os voluntários. Em 2010, a Funai processou outra entidade evangélica, a Jocum (Jovens Com Uma Missão), pela exibição de um suposto documentário sobre o infanticídio. A Justiça Federal determinou a retirada do vídeo do YouTube por entender que ele incitava o preconceito e causava dano à imagem dos índios sem provar as mortes.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

2 comentários

  • JUSTINO CORREIA FILHO Bela Vista do Paraíso - PR

    Os lobistas infiltrados na administração federal, exercem um poderoso poder paralelo que beneficia os caciques da politicagem praticada lá em Brasilia. A nós trabalhadores honestos, resta muitas horas de trabalho para sustentar a esperteza de poucos.

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  • Silvio Marcos Altrão Nisizaki Coromandel - MG

    Caro amigo Reinaldo azevedo, estamos a muito tempo mostrando os desmandos dentro do ministério da agricultura, estivemos em Brasilia por varias vezes em busca de uma solução para o endividamento da cafeicultura.

    Durante este tempo todo podemos observar que o ministério da agricultura apesar de ser o responsável pelos ultimos saltos Brasileiros dentro da economia mundial (produção e exportação de alimentos, entre outros), é tratado pelo governo federal como um "apendice" algo que esta ali sem função, ou quando muito servir de barreira contra os ataques dos agricultores escravizados deste pais contra o governo. Chewguei a conclusão que o Ministro da Agricultura Brasileiro vai ser sempre tratado como "bagos de porcos", sempre por fora de tudo.

    podemos dizer que é mais uma casa das mães joanas deste governo.

    segue a carta que a muito mandei para o ministro rossi, sobre os desmandos, e seus assessores:

    CARTA ABERTA AO MINISTRO DA AGRICULTURA WAGNER ROSSI

    CAFEICULTUTA BRASILEIRA, UM VERDADEIRO CASO DE POLICIA!!!!

    SINCAL: O CAFEICULTOR É O PRINCIPAL

    Infelizmente a cada dia que passa novas verdades submergem deste “ESGOTO DE MENTIRAS” onde está jogada a “ POLITICA CAFEEIRA NACIONAL”. E o mais triste de tudo isso é que este esgoto corre a “céu aberto” dentro daquela que deveria ser a casa da verdade e da mais pura responsabilidade para com a atividade agropecuária Brasileira: O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (MAPA). Para dentro deste esgoto é jogado há mais de 10 anos todo o suor, sangue e dignidade do cafeicultor Brasileiro, tudo sob os olhos daqueles que foram incumbidos de defender e planejar através de políticas publicas a RENDA deste agronegócio Brasileiro, seja ele pequeno(familiar), médio ou grande.

    Sr. Ministro Wagner Rossi, apesar de estar a pouco tempo no cargo acredito que muito já lhe foi passado sob re a situação da Cafeicultura Brasileira, pois vosso assessor Sr. João Abrão é o único dentro deste ministério que pode lhe transmitir a VERDADEIRA SITUAÇÃO DO CAFEICULTOR BRASILEIRO, POIS COMO TAL, SENTIU E SENTE ATÉ HOJE OS PROBLEMAS QUE NOS AFLINGE. Entretanto, muitos outros que ai estão, se dizendo experts em política de café ou até mesmo como legítimos representantes dos cafeicultores, na verdade não passam de verdadeiros “MALANDROS”, que aproveitam de sua posição (função) dentro deste Ministério para manter a velha política de favorecimento, que vem submetendo o cafeicultor brasileiro há mais de 10 anos de ESCRAVIDÃO, roubando os cofres públicos (OPERAÇÃO BROCA – POLICIA FEDERAL), tudo isso financiado pelo dinheiro do cafeicultor (FUNCAFÉ) e avalizado pelo Ministério que Vossa Senhoria chefia.

    Sr. Ministro Wagner Rossi, estivemos no Ministério da Agricultura (BRASILIA-DF) no dia 21/05/2010, e após a reunião do Sr. Robério Sil va (DECAF) com lideranças do setor como, Gilson Gimenez (CNC), Nathan Herszkowicz (ABIC), Breno Mesquita (CNA), representante da Frente Parlamentar do café entre outros, nós, os representantes dos cafeicultores Brasileiros tivemos uma reunião de mais de 3 horas com o Secretario de Produção e Agroenergia Sr. Manoel Bertone, nesta reunião estiveram presentes também o Sr. Gilson Gimenez (CNC), Breno Mesquita (CNA), Robério Silva (DECAF), João Abrão (Assessor do Ministro), Dep. Carlos Melles (Frente Parlamentar do café), Dep. Silas Brasileiro, e os legítimos representantes dos cafeicultores Brasileiros os Sindicatos dos Cafeicultores, representados pela ASSUL E SINCAL. Desta reunião tivemos as seguintes certezas (NÃO PROMESSAS!!!):

    1-Todos estavam preocupados com os recursos para custeio de colheita, retenção (pré-comercialização) e compra de café por parte do governo para refazer os estoques. Foi consenso de todos que estes recursos eram imprescindíve is para o atual momento da cafeicultura nacional, onde o mundo se encontra com os níveis de estoques de café mais baixos da história, e o Brasil estaria produzindo uma de suas maiores safras de toda a história.

    O Sr. Manoel Bertone (MAPA), reconheceu a necessidade da liberação imediata destes recursos, e deixou muito claro que somente poderia contar com os recursos do FUNCAFE, que seriam utilizados para custeio de colheita, retenção e custeio de tratos culturais... infelizmente segundo suas palavras novos recursos por parte do Governo Federal (Ministério da Fazenda) não seriam alocados para o café, mas que, se bem administrados, os recursos do FUNCAFE iriam garantir bons preços para o produtor, devido a atual situação de mercado. Portanto, GARANTIU já estar liberado em suas mãos R$ 500.000.000,00 para os custeios de colheita, e que no máximo em uma semana este dinheiro estaria nas mãos do produtor. O dinheiro das retenções, seriam liberados mais tard e de acordo com a demanda.

    2-Os produtores ali presentes levantaram um problema que a muito vem sendo ignorado por este ministério e pelos responsáveis pela política cafeeira, as dívidas vencidas e a vencer não permitiriam ao cafeicultor captar estes recursos, seja através dos bancos ou cooperativas de credito, correndo o risco destes recursos não chegarem nas mãos do produtor. O Sr. Breno Mesquita (CNA) comentou que deveríamos encontrar urgentemente uma saída para este problema, sendo que as cooperativas de produção também se encontravam com dificuldade de captar recursos.

    Infelizmente nada foi feito a este respeito, e como disse o Sr. Gerardo Fontelles (Secretário Executivo do MAPA) “nenhuma política para a cafeicultura será bem sucedida, sem que haja um equacionamento do endividamento do setor.”

    3-O Dep. Silas Brasileiro, deixou muito bem claro através de sua declaração que os CAFEICULTORES DO CERRADO MINEIRO também se e ncontram endividados e com dificuldades, e que muitas conversas que chegavam até este ministério dizendo que o CERRADO MINEIRO não tinha problemas, era uma grande mentira.

    4-O Presidente do CNC, Sr. Gilson Gimenez mostrou-se preocupado com o endividamento, pois poderíamos aproveitar este momento no cenário mundial de café (estoques baixos) e boa produção no Brasil, como um momento IMPAR para conseguirmos uma verdadeira equalização das dívidas, já que o nosso produto (café) que ha muito tempo estava desvalorizado e trazia receio de novos investimentos por parte do setor financeiro, agora tomava rumos diferentes como podemos comprovar nos dias de hoje.

    Saímos de Brasília com a promessa concreta de que o dinheiro para o custeio de colheita (R$500.000.000,00) seria liberado em no máximo 1 semana, já que estava disponível nas mãos do Sr. Manoel Bertone. Isto já nos deixava mais tranqüilos pois apesar de sabermos das dificuldades para cap tar este dinheiro através do sistema financeiro, ainda tínhamos a esperança das cooperativas de produção. Desta forma, poderíamos segurar nossa safra e ir vendendo de forma estratégica durante todo o ano, pois em 2011 todos sabem que devido à bi-anualidade do café teremos uma safra baixa, colocando assim o produtor Brasileiro em uma situação mais confortável em relação a preços e também nas negociações com seus credores.

    INFELIZMENTE NADA DISSO ACONTECEU Sr. MINISTRO WAGNER ROSSI, O DINHEIRO (R$500.000.000,00) QUE JÁ ESTAVA NA “MÃOS” DO Sr. BERTONE SÓ FOI LIBERADO PELO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA À 23 DIAS, OU SEJA, ESSE DINHEIRO FOI LIBERADO APROXIMADAMENTE NO DIA 24 DE JUNHO DE 2010, PORTANTO, 33 DIAS APÓS O NOSSO ENCONTRO EM BRASILIA. UM ATRASO TOTAL DE 56 DIAS DESDE A PROMESSA DO Sr. BERTONE ATÉ OS DIAS DE HOJE.

    Entretanto, Sr. Ministro Wagner Rossi, este dinheiro ainda não chegou nas mãos do produtor (cafeicultor) e nem vai chegar, pois como disse o Sr. Bertone, não esta havendo demanda por parte dos bancos e cooperativas de crédito, pois, segundo ele o produtor não tem café para captar estes recursos e os bancos estão devolvendo o dinheiro para o governo que é o gestor do FUNCAFE. Esse tipo de declaração nos deixa perplexos, pois não conseguir captar os recursos por falta de credito ou problemas no CPF é mais do que plausível, pois já vínhamos alertando para isso, mas dizer que não existe demanda pois não tem café, isso parece um absurdo. Entretanto, nada disso é absurdo ou aconteceu por acaso, tudo isso teve um motivo e foi muito bem premeditado, vejamos os fatos e não boatos:

    1-Na reunião com o Sr. Robério Silva (DECAF), esteve presente além do Sr. Nathan Herszkowics (ABIC) um representante do CECAFE (Exportadores), e estes ao que parece receberam um aporte financeiro do FUNCAFE de R$ 300.000.000,00 cada um, com voto de aprovação do CNA e da CNC.

    2 -Para os produtores foi liberado através da rede bancaria e cooperativas de credito um montante de R$ 500.000.000,00 (custeio de colheita) e R$950.000.000,00 (retenção), dinheiro que infelizmente não chegou a tempo para colheita como já explicamos anteriormente.

    Com a colheita em pleno andamento, e sem dinheiro do FUNCAFE para custear sua colheita o produtor que teve condição recorreu a empréstimos com juros que variaram de 2.25% ao mês (garantia real) a 2.59% ao mês (avalista), taxas bem mais atrativas para os bancos do que os recursos do FUNCAFE, que não chegavam. Agora que estes recursos estão chegando, estes bancos estão devolvendo o dinheiro por falta de demanda, e agora esperam pelos R$950.000.000,00 para transformar estas divida com juros altos em retenção, basta saber se o produtor vai agüentar esperar os novos recursos, pagando estes juros ou vender o seu café.

    Para aqueles cafeicultores que não possuíam crédito junto aos bancos o u cooperativas de crédito, restou vender sua safra assim que era colhida á preços reais baixos e continuando assim descapitalizados. Mais uma vez, se refletiu a mesma situação, colher, vender , terminada a colheita ficaram sem estoque para custear o próximo ano e as despesas de sobrevivência.

    Sr. Ministro Wagner Rossi, A quem interessava o atraso destas verbas?

    a)As Cooperativas de crédito e bancos que ganharam com juros mais altos

    -b) Ao Mercado que teve cafés à disposição, graças ao atraso dos recursos tão prometidos pelo Sr. Bertone.

    c) O dinheiro destinado a ABIC e CECAFE, também tiveram este atraso?

    CARO MINISTRO DA AGRICULTURA WAGNER ROSSI, TENTE DESCOBRIR AS RESPOSTAS PARA ESTAS QUESTÕES E PODERÁ LIMPAR O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E SALVAR O QUE RESTA DA CAFEICULTURA NACIONAL. CASO CONTRARIO FAREMOS UM ULTIMO FAVOR PARA VOSSA SENHORIA: DAREMOS-LHE DE PRESENTE UM PAR DE GALOCHAS PARA IR TRABALHAR TODOS OS DIAS NA FO SSA SEPTICA QUE IRA SE TRANSFORMAR O SEU MINISTÉRIO.

    DESCULPE POR SER TÃO DIRETO CARO MINISTRO MAS:

    “SE VAI SAIR À FRENTE PARA DESCREVER A VERDADE, DEIXE A ELEGANCIA PARA O ALFAIATE.”

    obs: isso foi a quase um ano.

    silvio marcos altrão nisizaki

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