Código Florestal - Os “amigos da natureza” ocupam hoje o lugar que já foi dos comunistas no panteão da mentira!

Publicado em 24/08/2011 14:20 e atualizado em 25/08/2011 07:36 709 exibições
nos blog de Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Lauro Jardim, em veja.com.br

Código Florestal - Os “amigos da natureza” ocupam hoje o lugar que já foi dos comunistas no panteão da mentira! Ou: O sertanejo universitário da dupla Marina & Zequinha

Os ecologistas roubaram o lugar, no Ocidente, que já coube aos comunistas como referência da verdade. De fato, os politicamente corretos o fizeram; mas quem lidera o processo são mesmo os naturebas. Explico-me. Enquanto durou o comunismo, boa parte dos temas políticos era seqüestrada pelos intelectuais de esquerda. Mentiam à vontade, e ninguém se encarregava de verificar se o que afirmavam procedia ou não. Afinal, eles queriam um mundo melhor. Como é que vamos duvidar de quem só luta pelo nosso bem? Já os partidários da economia de mercado, bem, estes eram os ogros da civilização. O comunismo, como tal, acabou. A esquerda foi se dividindo em causas menores, parciais, perdendo aquele sentido de universalidade que julgava ter. O inimigo deixou de ser “o capital”. Ao contrário: ele foi convidado a se aliar — e se aliou — a algumas das novas causas. O discurso mudou, mas não a pretensão de monopolistas do bem.

Por que isso? Ex-ministros do Meio Ambiente participaram, nesta quarta, de uma audiência no Senado, conforme vocês lerão abaixo. Eu estou entre aqueles que acreditam que a defesa da natureza dispensa a mentira. Por que não se pode ser um ecologista falando só a verdade? Bem, assim como o defunto comunismo precisava do horizonte escatológicos (ou se mudava o mundo ou viria a barbárie), os verdes também precisam acenar com o fim dos tempos. É claro que seria uma luta mais honesta, ainda que amalucada, se não estivessem também eles atrelados a interesses econômicos, não é mesmo? Eu até hoje não entendi, por exemplo, por que o setor financeiro — os bancos — consegue ser mais “verde” do que os outros. Ou melhor: eu entendi. Afinal, eles processam expectativas, não matéria-prima, não é mesmo? Negociam crises, não commodities. Há hoje uma contradição interessante entre a “esquerda” que vive da especulação e a “direita” que vive do trabalho.

Mas sigamos. Leiam o que informa o Estadão Online. Volto em seguida para demonstrar como a mentira supostamente benigna impregna o debate sobre o Código Florestal. A reportagem segue em vermelho. Interrompo com intervenções em azul.

Ex-ministros criticam texto do Código Florestal

Por Venilson Ferreira:
Quatro ex-ministros do Meio Ambiente que participaram hoje como convidados de audiência conjunta das comissões de Agricultura, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do Senado criticaram o texto do projeto de lei sobre o Código Florestal aprovado em maio deste ano pela Câmara dos Deputados. Na opinião do ex-ministro Carlos Minc, trata-se muito mais de uma lei sobre o uso da terra, que visa a solucionar o problema do passivo ambiental dos produtores rurais.
A íntegra do texto proposto por Aldo Rebelo está aqui. Carlos Minc, o que não me estranha, está contando o oposto da verdade. Está entre aqueles que se aproveitam da pouca disposição das pessoas para ler documentos — e isso inclui, infelizmente, os jornalistas — para fazer um mero juízo de valor sobre o texto, ignorando o que vai lá escrito. Trata-se, sim, de uma lei que cuida da preservação ambiental — e de modo extremamente detalhado e detalhista. Mas não é tudo o que se pode dizer sobre o buliçoso ex-ministro.

Ainda que o novo Código Florestal fosse mesmo uma “lei sobre uso da terra”, para “solucionar” (sic) o “passivo ambiental dos produtores rurais”, não haveria nada de errado nisso. Entendo que o objetivo último do Código Florestal sejam as pessoas, não é mesmo?, que ainda são o bem mais precioso da natureza. Ou Minc discorda que pessoas também sejam bichos? Por que queremos preservar as florestas? Para a felicidade e o regalo do Anhangá, do Curupira e da Cuca? Mais ainda: por que Minc trata produtores rurais como adversários da natureza, da civilização ou do bem? Produzir comida seria alguma atividade criminosa? Crime é plantar maconha, meu senhor — sem querer ser bruto com um homem que usa coletes tão animados, claro…

A ex-ministra Marina Silva afirmou que confia na capacidade dos senadores de rever os pontos polêmicos da proposta aprovada na Câmara, “pois o debate foi prejudicado porque um setor teve maior proeminência”. Ela disse que os ambientalistas fizeram várias concessões durante as negociações. A ex-ministra disse que chegou a propor a consolidação das áreas de topos de morro com culturas perenes de caule lenhoso, mas os ruralistas queriam incluir também pecuária, eucalipto e outras práticas agrícolas.
Ruralistas uma ova! Eis aí. Esta senhora ganhou a condição de fonte da verdade. E ninguém presta atenção ao que ela diz. Chama-se de “ruralistas” no debate os grandes produtores, que não estão nem aí com essa historia de área de preservação permanente, topo de morro, encostas etc porque, com raras exceções, têm sua situação regularizada. Caso se proíba qualquer atividade nesses terrenos, os únicos prejudicados serão os pequenos proprietários, que cuidam de culturas mais do que centenárias. Quanto às concessões dos ambientalistas, Marina quase me leva à gargalhada. São os “ambientalistas” da Vila Madalena e do Leblon fazendo “concessões” a sitiantes de mãos calejadas do interior de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de São Paulo… É ridículo! Fizeram “concessões”, é? Representando quem e quais interesses? Quanto à sua confiança nos senadores… Será que ela confia mesmo? Eu a vejo no momento tentando liderar o que chama de “movimento da sociedade”, por cima, ou por baixo, de partidos, instituições, Poderes… Não deve confiar tanto assim.

Marina Silva afirmou que a emenda 164, que concede aos Estados o direito de legislar sobre áreas de preservação ambiental, “é um veneno que está diluído em todo texto”. A ex-ministra diz que, da forma como a lei foi elaborada, há possibilidade de serem criados 27 códigos florestais estaduais, nos quais os governadores poderão revogar punições ou amenizar as exigências sobre a recomposição, o que irá gerar “uma guerra fiscal” e abrirá caminho para novos desmatamentos.
Vênia máxima, trata-se apenas de uma mentira. Ou de um punhado delas. A Emenda 164 (íntegra aqui) NÃO CONCEDE aos estados o direito de legislar sobre áreas de preservação ambiental coisa nenhuma! Na prática, concede-lhes o direito de adaptar o texto geral às circunstâncias locais, sempre em parceria com o governo federal. Basta ler o Caput da nova redação do Artigo 8º, dada pea emenda 164, combinado com o Parágrafo 3º para perceber que o arbítrio sugerido por Marina é falso como nota de R$ 3. Ah, mas nós aprendemos que uma menina acreana que se alfabetiza aos 16 anos e passa a defender, depois, a floresta, jamais diria uma inverdade, não é mesmo? Fica até parecendo que ex-pobre adquire no berço o direito de mentir.

Na sua explanação, o ex-ministro José Sarney Filho listou os principais tópicos do texto aprovado pela Câmara. Na opinião do deputado, que coordena a Frente Parlamentar Ambientalista, “o texto aprovado espelha, acima de tudo, a decisão política de consolidar, de tornar regulares, variados tipos de ocupações que tenham ocorrido em desacordo com a lei florestal, notadamente nas áreas rurais”.
Ai, ai… Esse é o Zequinha? A propósito: aquela ilha do papai Sarney só produz literatura ruim, ou se planta alguma coisa por lá? A última contribuição indireta deste senhor à República foi um aliado seu no Maranhão, também do PV, a defender que Sarney pai tem o direito de usar um helicóptero da PM para fins particulares porque “não é um homem comum”. Louvo o respeito de Zequinha pelo matinho. Agora falta respeitar as pessoinhas…

Sarney Filho acredita que o texto não dará a segurança jurídica pretendida pelos produtores rurais. Ele cita como exemplo o fato de não estar explícito qual será o órgão responsável pelo registro e autorizações para exploração sustentável da reserva legal. O texto também não prevê a participação do Ministério Público na assinatura dos termos de ajustamento de conduta para regularização do passivo ambiental.
Ainda que seja verdade, isso não muda o mérito do texto, ora essa!

O ex-ministro José Carlos Carvalho, em sua fala, alertou para a necessidade de a lei prever meios para que os produtores rurais possam recompor as áreas de preservação permanente, principalmente os da agricultura familiar, “senão o problema continua e mais tarde será necessária uma nova anistia”.
Nada tenho contra que se prevejam “meios” para a recomposição. Só corrijo uma questão na fala do ex-ministro. O texto de Aldo, basta ler, não prevê anistia nenhuma! Anistia, meus caros, é perdão! Quem é perdoado está livre de qualquer peso ou obrigação. O novo código estabelece ações que devem ser cumpridas por quem desmatou. Se não forem, a multa será aplicada. A ANISTIA EXISTE HOJE! O TEXTO PÕE FIM À ANISTIA!

É preciso parar de mentir. Essa modalidade particular de “sertanejo universitário” — que faz sucesso no complexo UNICAMPUCUSP — da dupla Marina & Zequinha precisa ser confrontada com os fatos e com os textos.

PS - Pô, você falou dos verdes como sucedâneos dos comunistas no triunfo da mentira e defende o texto de Aldo Rebelo, membro do PC do B. Pois é. O mundo tem dessas coisas…

Por Reinaldo Azevedo

O código do ministério

Integrantes do Ministério do Meio Ambiente reúnem-se esta tarde com representantes de movimentos sociais, como CUT, Contag e MST, para discutir uma proposta de Código Florestal voltada especificamente para a agricultura familiar. É uma ideia, aliás, que ambientalistas tentam vender a senadores (Leia mais em Fatiando o código?).

Por Lauro Jardim

O povo estatizado marcha em Brasília; nós pagamos esses revolucionários de meia-tigela

Uma das características do nosso tempo são os chamados “movimentos populares” financiados com dinheiro público. Onde os idealistas e utopistas de outrora viam o despertar autêntico do povo, vê-se hoje o, como posso chamar?, “povo estatizado” — ou, se quiserem, o “povo privatizado pelo PT”.

“Milhares” — os militantes falam em 15 mil — de sem-terra marcharam sobre Brasília cobrando mais recursos para a reforma agrária e renegociação da dívida de pequenos agricultores. Essa segunda demanda empresta, assim, uma espécie de caráter econômico urgente ao que é, de fato, ideologia estatizada. Quem financia o MST — e, pois, indiretamente, a tal Via Campesina (com este sotaque ridículo de subcosmopolitismo latino-americano) — é o estado brasileiro. Ou seja: você.

O movimento promove invasões, ocupações de prédios públicos e interdições de estradas em 17 estados. Como várias instâncias do Poder Público não impõem a lei, a teatralidade lembra, assim, as vésperas da tomada do Palácio de Inverno. Mas reitero: esse tipo de “povo” que está na rua é só uma variante, a perversa, do funcionalismo público. Ainda que lhe tentem emprestar uma dimensão heróica.

Não por acaso, sem nada de mais urgente na agenda, dois dos principais ministros de Dilma — Gilberto Carvalho e Gleisi Hoffmann — estiveram ontem com líderes do movimento. Por qualquer razão, a bola não foi passada para o ministro do Desenvolvimento Agrário. É interessante saber que o coração do governo pára em favor de uma causa irrelevante.

Cutrale
A Justiça determinou a reintegração de posse da fazenda da Cutrale, em Borebi, interior de São Paulo, ocupada pelo MST (de novo!) desde segunda. Os valentes ganharam até o meio-dia de amanhã para organizar a saída. Devem sair da propriedade e rumar para o centro do Bauru, onde farão um ato público, com a participação dos deputados do… PT! Mais uma evidência do caráter estatizado do movimento.

Os trabalhadores da Cutrale ainda estão impedidos de entrar na propriedade. Uma das coordenadoras da invasão explica, com aquele destemor de quem pode mandar a Constituição à cerda: “Não entramos na sede nem em casas de funcionários, mas a entrada de pessoas é controlada pelo movimento”.

Entenderam? O “movimento” decide quando vale e quando não vale a propriedade privada e também regula o direito de ir e vir. Afinal, este país tem lei: a do MST.

Por Reinaldo Azevedo

Bandoleiros do MST são recebidos por Carvalho e Gleisi: eis um governo sem agenda e sem pauta. Ou: O verdadeiro latifúndio improdutivo

O crescimento da economia dos últimos anos e a expansão dos programas de transferência de renda do governo federal e de governos estaduais fizeram o MST diminuir de tamanho. Nem poderia ser diferente. Há muitos anos o Brasil não tem um “problema de terra”. Os sem-terra, como escreveu a revista Primeira Leitura há alguns anos, não existem! Existem, sim, trabalhadores urbanos eventualmente desempregados em razão da baixa qualificação da mão-de-obra. São um problema, que requer políticas públicas, mas de outra natureza. Como João Pedro Stedile vê minguar o seu aparelho, então é hora de radicalizar e dar ordem ao “movimento” para sair invadindo tudo por aí, promovendo também uma “Marcha Sobre Brasília”, a exemplo do que se viu ontem. Tanto melhor se encontra pela frente um governo leniente com a ilegalidade. Serei mais preciso: tanto melhor se encontra pela frente um governo sem agenda, capaz de, na prática, incentivar os bandoleiros.

O MST voltou a invadir uma fazenda da Cutrale, no interior de São Paulo, que ficou conhecida no mundo inteiro por ter sido depredada por esses leninistas de meia-tigela, alimentados com dinheiro público. Pés de laranja foram arrancados; equipamentos da fazenda, roubados; funcionários, ameaçados. Foram todos inocentados. Ora, “inocentes” como esses emessetistas fazem o quê? Reincidem no crime. Se a Justiça diz, na prática, que é permitido invadir, depredar e ameaçar, então que se invada, se deprede e se ameace! Ontem, os valentes também decidiram ocupar uma área do Ministério da Fazenda. E o que aconteceu com eles?

Atenção! O objeto de análise deste post nem é o enésimo crime impune cometido pelo MST e a cumplicidade dos petistas. Infelizmente, estamos todos acostumados a isso. O meu ponto é outro. Ontem, deixaram de lado os seus afazeres para se encontrar com os chantagistas do MST ninguém menos do que o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Tento de novo: dois dos ministros mais importantes, extensões da própria presidente da República, não tinham nada de mais urgente e relevante a fazer do que atender meia-dúzia de bandoleiros, que se impõem pela força bruta.

Onde estavam o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e o presidente do Incra, Celso Lisboa Lacerda? Digamos que existisse mesmo uma questão agrária urgente no país — vamos fazer de conta —, não é com esses dois que deveriam se encontrar as lideranças do MST? Mas quê… O coração do governo, o seu núcleo, teve de parar para ouvir as “reivindicações”. Isso tem nome, meus caros!

Já escrevi aqui há alguns dias e repito: isso a que se tem chamado “esforço moralizador” de Dilma acaba sendo uma espécie de tábua de salvação. Enquanto promove a degola de ministros e de funcionários pegos com a boa na botija, ela granjeia simpatias e um noticiário favorável (Lula a ajuda ao tentar proteger tudo quanto é safardana!), o que é compreensível. Quem pode ser contra a demissão de um larápio? Mas esse tipo de notícia também serve para escamotear o fato de que o governo está parado. Quer o quê? Para onde vai? Qual é o rumo? Qual e, em suma, a “agenda”? Inexiste! Só por isso Carvalho e Gleisi podem perder tempo com chantagistas tão barulhentos quanto irrelevantes.

Pensando bem, para eles, a bagunça do MST é uma espécie de solução. Não fossem os crimes cometidos pela turma de Stedile, a que ambos estariam se dedicando? Estariam cuidando de quais projetos estratégicos, de longo prazo?

Aqui e ali se lê que Dilma não quer mais demitir ninguém. Resolveu “tranqüilizar” a base, consta, mandando dizer que o período da degola terminou. Se é assim, também se vai o encanto de seu governo. Sem a demissão de corruptos, como aquecer o coração da galera?

E, claro, é preciso dizer, por mais óbvio que seja: pessoas que afrontam a lei de modo claro, determinado, organizado não podem ser recebidas em palácio como se fossem interlocutores do jogo democrático. Ao fim do encontro, diga-se, os “líderes” do movimento anunciaram novas ilegalidades. Faz sentido. Carvalho e Gleisi, sem nada de mais importante para fazer, como resta provado, deram à turma a maior força. Dado o conjunto da obra, tornaram-se promotores do crime.

A desocupação é a morada do capeta. A verdade insofismável é que o governo Dilma, por enquanto, é um grande latifúndio improdutivo, cultivando alguns canteiros de moral aqui e ali.

Por Reinaldo Azevedo
da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

A sigla fora da lei exige aumento de mesada

Promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, a “jornada nacional de lutas” iniciada nesta segunda-feira pretende exibir até domingo uma edição compacta do “abril vermelho” ─ o espetáculo fora-da-lei reprisado todos os anos pelas tropas da lona preta. Talvez por falta de imaginação, talvez por excesso de atrevimento, provavelmente pelos dois motivos, o script se mantém inalterado há muitos anos. Enquanto os guerreiros do campo, incapazes de distinguir um abacaxi de uma beterraba, atacam simultaneamente dezenas de propriedades rurais e prédios públicos em diferentes regiões do país, os chefões do MST baixam em Brasília para pedir ao governo outro aumento de mesada.

Desta vez, nem os alvos mudaram. Foi invadida pela quinta vez, por exemplo, a fazenda Santo Henrique, pertencente à Cutrale e encravada no município de Borebi, a 300 quilômetros da capital. A quarta invasão, ocorrida em outubro de 2009, incluiu a destruição de 12 mil pés de laranja, parcialmente documentada pela Polícia Militar. Confira o vídeo de 50 segundos:

As imagens avisam que o bando está cada vez mais ousado, constatou o post reproduzido na seção Vale RepriseTambém informam que a Justiça tem uma chance das boas de revogar a suspeita de que o MST foi condenado à impunidade. “Vamos dar uma resposta à sociedade”, prometeu o delegado de Borebi, Jader Biazon. “Alguns dos responsáveis pelo que aconteceu vão responder criminalmente”. O que aconteceu foi mais que outra invasão ilegal consumada por 250 famílias. Foi um assalto praticado por centenas de ladrões sem medo.

Mais uma vez, deu em nada. Passados dois anos, os estupradores do direito de propriedade, com o apoio do PT e a omissão cúmplice do governo federal, atropelam o Código Penal. Nesta tarde, o juiz de Lençóis Paulista deu um prazo de 24 horas para que os atacantes desocupem o lugar. É pouco. Até que os comandantes da sigla sejam exemplarmente punidos pelos crimes que cometem, o MST será a única organização fora-da-lei da história do Brasil que o Executivo patrocina, o Legislativo protege e o Judiciário trata como inimputável.

Impunes reincidentes - Juiz manda invasores do MST saírem de fazenda da Cutrale em SP

No Estadão Online:
O juiz Mário Ramos dos Santos, da 2ª Vara Cível de Lençóis Paulista (SP), deu prazo de 24 horas para que os 400 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) desocupem a Fazenda Santo Henrique, da Cutrale, em Borebi, sob pena de despejo forçado. O juiz fixou ainda multa de R$ 500 por invasor caso a ordem não seja cumprida.A liminar foi dada hoje à tarde, em ação de reintegração de posse movida pela fabricante de suco de laranja. Um oficial de Justiça, de posse do mandado, foi até a sede da fazenda, no interior paulista, para intimar as lideranças dos sem-terra.

A fazenda foi invadida ontem, como parte da jornada nacional de lutas do MST. Durante o dia, os invasores mantiveram a ocupação da propriedade e voltaram a barrar a entrada de 400 trabalhadores que fariam a colheita da laranja madura. Pelo menos 1,5 milhão de caixas da fruta correm o risco de apodrecer. O movimento alega que as terras são públicas e estão sendo reivindicadas pela União em processo que tramita desde 2006 na Justiça Federal de Ourinhos.

Por Reinaldo Azevedo

ATENÇÃO! PTB E PT SE JUNTAM EM SÃO PAULO CONTRA O BOM FUNCIONAMENTO DA POLÍCÍA. ANOTE OS NOMES DOS DEPUTADOS QUE ATENTAM CONTRA A SUA SEGURANÇA! COLOQUE-OS NA REDE, FAÇA BARULHO! ELES ESTÃO CONTRA VOCÊ E SUA FAMÍLIA!

Caras e caros, abaixo, segue uma reportagem da VEJA Online. O assunto é sério. São Paulo tem hoje uma das polícias mais eficientes do Brasil. Se o índice de homicídios por 100 mil habitantes do Brasil fosse os mesmos do estado, mais de 30 mil vidas seriam poupadas todos os anos. MAS HÁ DEPUTADOS ESTADUAIS CONSPIRANDO CONTRA A EFICIÊNCIA E A DECÊNCIA. Leiam este texto da VEJA Online. Mobilizem-se, paulistas! Eles estão atentando contra a sua segurança e a de sua família. Estão conspirando contra o Bem!

*

O PTB, partido que há 17 anos integra a base governista em São Paulo, aliou-se à bancada do PT na Assembléia Legislativa para aplicar um golpe nos cidadãos honestos do estado. Os dois partidos tentam aprovar em plenário um projeto de lei para esvaziar os poderes da Corregedoria da Polícia Civil, órgão que, nos últimos dois anos, tornou-se a pedra angular da política de segurança pública. Por meio da Corregedoria, o governo tem afastado do serviço policiais corruptos, que haviam montado verdadeiras quadrilhas em setores sensíveis da polícia, como o Departamento de Narcóticos (Denarc). O petebista Campos Machado e o petista Edinho Silva lideram os esforços para tirar do gabinete do secretário de Segurança Pública o controle da Corregedoria.

O expurgo dos maus policiais só foi possível depois que o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, transferiu a Corregedoria para dentro de seu próprio gabinete. Antes, o órgão ficava subordinado ao Delegado Geral da Polícia, e poucas investigações iam para frente. Os policiais da Corregedoria temiam investigar seus pares e, principalmente, seus chefes - o que poderia lhes render retaliações. Depois que os trabalhos foram transferidos para o gabinete do secretário, a equipe da Corregedoria passou a atuar com maior independência. Levantamento do site de VEJA, feito com base em dados da Secretaria de Segurança Pública, mostra que o número de maus policiais civis demitidos aumentou 60% desde 2009. Em dois anos, 290 infratores foram expulsos da polícia paulista.

O trabalho de depuração da polícia, que vem funcionando bem, agora corre o risco de ser interrompido. Um projeto de decreto legislativo proposto pelo deputado Campos Machado, do PTB, quer retirar do secretário Ferreira Pinto o poder de proteger o trabalho da Corregedoria. A obtusa idéia é devolver o órgão para a estrutura hierárquica da Polícia Civil. O único efeito prático dessa mudança seria interromper as investigações em andamento e fazer a alegria dos policiais corruptos.

Sem argumentos, Campos Machado, autor do projeto de lei, e Edinho, líder da bancada do PT, recorrem à questão da legalidade. Dizem ser um desrespeito a mudança ter sido instituída por decreto, não por lei votada na Casa. E tentam fazer colar a tese de que a medida é inconstitucional. É o máximo que podem fazer, pois, do ponto de vista da segurança pública, não há o que justifique o retrocesso. Advogado por formação, Campos Machado é próximo de sindicatos de policiais, descontentes com o endurecimento das regras contra os que cometem erros.

A bancada do PT encampou a proposta para fragilizar o governo Alckmin. Surpreende que, além do PT, deputados da base aliada de Alckmin (do PMDB e do DEM) também tenham se alinhado com Campos Machado. Na noite de ontem, o projeto foi a plenário. Para aprovar a medida, seriam necessários 48 votos. Campos Machado conseguiu o apoio de 24 deputados. A sessão foi suspensa por falta de quórum. Com isso, a votação será retomada nesta quarta-feira, a partir das 16h30.

Se Campos Machado e os petistas tiverem êxito, só quem irá comemorar são os policiais corruptos de São Paulo. Confira abaixo o nome dos 24 deputados que votaram a favor do projeto de lei que enfraquece a segurança pública de São Paulo:

PT
Adriano Diogo
Antonio Mentor
Donisete Pereira Braga
Edinho Silva
Enio Tatto
Geraldo Cruz
João Antonio
João Paulo Rillo
Luiz Cláudio Marcolino
Marco Aurélio de Souza
Telma de Souza

PTB
Campos Machado
Heroilma Soares Tavares
Roque Barbiere

DEM
Estevam Galvão de Oliveira
Gil Arantes
Milton Vieira

PC do B
Pedro Bigardi

PDT
Olímpio Gomes

PMDB
Baleia Rossi
Itamar Borges
Jooji Hato
Jorge Caruso
Vanessa Damo

Por Reinaldo Azevedo
Os números da FGV sobre religião e as explicações tortas

Prometo voltar ao tema nesta quarta-feira. Por enquanto, fiquem com trecho da reportagem do Estadão sobre uma pesquisa da FGV, conduzida pelo economista Marcelo Neri, sobre religião. Vocês verão que, com base em dados de 2009, conclui-se que os católicos no Brasil estão abaixo dos 70%. Até aí, bem. Não vou discutir os números porque desconheço a metodologia e detalhes do levantamento. Talvez seja isso mesmo. Uma coisa, no entanto, é certa: se Neri realmente disse o que está na reportagem - e acredito que tenha dito -, o problema do trabalho não está nos números, mas na leitura que se fez deles. Eu diria que ele precisa conhecer melhor o assunto. Mas fica para mais tarde.

Por Luciana Nunes Leal, no Estadão:
Na semana em que o Rio foi confirmado como sede da próxima Jornada Mundial da Juventude - encontro que terá a presença do papa Bento XVI, em julho de 2013 -, o Novo Mapa das Religiões da Fundação Getúlio Vargas (FGV) informa que a proporção de católicos em 2009 foi a menor registrada em quase 140 anos de pesquisas estatísticas no País. Embora continue maioria, a população católica chegou a 68,43% do total de brasileiros, o equivalente a 130 milhões de pessoas. Pela primeira vez a proporção foi menor de 70%.

A pesquisa também apontou estagnação da proporção de evangélicos pentecostais (de igrejas como Assembléia de Deus e Universal do Reino de Deus), que teve grande crescimento nos anos 1990, e aumento do evangélicos tradicionais (batistas, presbiterianos, luteranos, etc). Cresceram também os que se dizem sem religião.

Coordenador do trabalho, o economista Marcelo Neri comparou dados de censos de 1872 a 2000 e atualizou com informações das Pesquisas de Orçamentos Familiares (POFs), do IBGE, de 2003 e de 2009. Nos seis anos entre as duas POFs, a proporção de católicos caiu 7,3%, passando de 73,79% a 68,43%. A queda mais acentuada aconteceu entre os jovens de 10 a 19 anos, principal alvo do encontro de 2013 no Rio. A proporção de jovens católicos caiu 9%, de 74,13% a 67,48%.

Neri associa os avanços econômicos na última década ao aumento de 38,5% dos evangélicos tradicionais (de 5,39% a 7,47%), enquanto os pentecostais tiveram crescimento ínfimo, de 12,49% em 2003 a 12,76% em 2009. “Os pentecostais têm um tipo de doutrina que se adapta bem a épocas de crise, de desemprego, de violência”, define Neri. “A nova classe média se aproxima do conservadorismo e de um espírito capitalista mais parecido com o protestante, com o evangélico tradicional, que com o católico, com valorização do trabalho, da educação, da acumulação de capital”, diz.

Embora mais religiosas que os homens, as mulheres são menos católicas há algumas décadas. Há maior proporção do sexo feminino nas religiões evangélicas e espiritualistas. “Questões centrais para as mulheres, como contracepção, divórcio e aborto são tabus para a Igreja Católica, que tampouco incentivou sua conquista profissional”, diz o estudo. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Dos R$ 8 milhões de campanha, Gleisi gastou só 0,7% com transporte aéreo

Por Eduardo Bresciani e Mariangela Gallucci, no Estadão:
Dona da campanha eleitoral mais cara entre os candidatos ao Senado no Paraná, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), envolvida em polêmica recente sobre o uso de jatinhos particulares, declarou em sua prestação de contas despesas de apenas R$ 56,9 mil com empresas de táxi aéreo, o equivalente a 0,7% dos quase R$ 8 milhões que informou ter gasto na disputa.
(…)

A ministra confirmou ao Estado gastos de R$ 56,9 mil com aviões que, segundo ela, se referem a 26 horas de voo pagas às empresas Hércules e Helisul. Ela afirma ter feito outros deslocamentos aéreos “em conjunto com outros candidatos”, mas não especificou os seus nomes.

Disse ainda ter viajado muito por terra e confirmou que embarcou em avião algumas vezes, sem mencionar quantas, com o candidato do PDT ao governo, Osmar Dias. Indagada se realizou voos para sua campanha com outras empresas e se isso não estaria contabilizado, a ministra negou. Ela também garante não ter usado avião emprestado por empresas privadas.

Dias declarou R$ 78 mil em gastos com deslocamento aéreo, os quais foram concentrados no comitê único do PDT. A Helisul, que aparece na campanha de Gleisi, recebeu R$ 50 mil do comitê do PDT no dia 17 de setembro de 2010. A outra empresa é a FL Almeida e Cia. Ltda., que recebeu R$ 15 mil no dia 14 e R$ 13 mil no dia 27 do mesmo mês.

O ministro Paulo Bernardo afirma ter voado durante a campanha da mulher em aviões particulares e explicou que as aeronaves eram fretadas. As empresas, disse, recebiam pagamento por ceder o transporte. Também questionado pelo Estado se sabia de gastos não contabilizados, o ministro reagiu dizendo não ter sido responsável pelas contas de campanha de Gleisi.

Contraste
Os gastos de Gleisi com táxi aéreo são sete vezes menores do que o de seu companheiro de chapa no Paraná, o senador Roberto Requião (PMDB). O peemedebista gastou R$ 416 mil com aviões. O aliado, no entanto, investiu em toda sua campanha R$ 3 milhões, menos da metade do que Gleisi.

Aliados e opositores de ambos no Paraná afirmam que a campanha da petista era mais vistosa e incluía mais cidades em seus roteiros a cada dia, o que aumentaria a necessidade de rápidos deslocamentos em busca de votos.

Fontes do PMDB do Paraná ouvidas pela reportagem garantem que as viagens conjuntas de Requião e Gleisi eram raras. “Eles só iam juntos para eventos com Lula e Dilma. Fora isso, cada um tocava a sua campanha de forma independente e com caixa separado”, diz um peemedebista que acompanhou o senador de perto. Requião, por meio de sua assessoria, disse que não se manifestaria sobre o tema.

As suspeitas sobre as relações do casal de ministros com a empreiteira Sanches Tripoloni têm como pano de fundo a crise que levou a demissões em série no Ministério dos Transportes. A empreiteira é a responsável pela obra do Contorno Norte de Maringá, no Paraná. A obra foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) por pressão de Paulo Bernardo.

O Tribunal de Contas da União vê superfaturamento e já carimbou a empresa como inidônea por outra obra em Foz do Iguaçu. Bernardo confirma ter defendido a inclusão da obra de Maringá no PAC, mas nega ter beneficiado a construtora.

Reação
A construtora Sanches Tripoloni negou ontem em nota, após questionada pelo Estado, que tenha transportado Paulo Bernardo durante a campanha do ano passado na aeronave King Air, prefixo PR-AJT, ou qualquer outra. “A empresa também informa que não cedeu aeronaves para campanhas eleitorais.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Ministro está vendo “sangue”

Leia editorial do Estadão:
E depois ainda dizem que a classe política é um espelho da sociedade. Pode ser em alguma outra sociedade, mas, definitivamente, não aqui. Os brasileiros comuns temos nossa cota de defeitos e maus costumes, porém a grande maioria dos políticos é outra coisa. E que coisa! Pode-se estender o braço mantendo os olhos fechados e, com toda a probabilidade, se agarrará um exemplo do que a política faz com as pessoas - ou do que são as pessoas que fazem da política o seu negócio.

O assunto em pauta, no momento, é o deputado federal Mário Sílvio Mendes Negromonte, que se licenciou do seu quinto mandato consecutivo para assumir o Ministério das Cidades. Pernambucano de nascimento, fez carreira na Bahia, primeiro no PMDB, depois no PSDB e, por fim, no PP - cuja bancada o indicou para a pasta, e a presidente Dilma Rousseff aquiesceu, embora preferisse ter mantido o também pepista Márcio Fortes. Pois bem. Na semana passada, pelo menos 28 dos 41 membros da representação do partido na Câmara exigiram a cabeça do líder Nelson Meurer e a sua substituição pelo colega Aguinaldo Ribeiro.

Até aí nada de mais, ainda que eles tenham ido muito além do que os deputados peemedebistas, descontentes, por sua vez, com o seu líder Henrique Eduardo Alves, a quem acusam de não ouvi-los e de não batalhar por seus pleitos para a nomeação de apaniguados para cargos sabe-se lá em que escalão no governo. Trata-se, aliás, de uma engraçada repetição das queixas que o mesmo Alves não se cansava de fazer à presidente Dilma até receber dela o afago por que arfava: o aval à aspiração de ser o candidato da base ao comando da Câmara em 2013.

No PP, as reclamações contra Meurer não eram diferentes, com a peculiaridade, porém, de que o dono da cabeça reclamada e Negromonte são aliados próximos. Pior ainda, segundo a revista Veja, ele teria oferecido um mensalinho de R$ 30 mil aos insatisfeitos para que deixassem Meurer no lugar. Por seu intermédio, o ministro manteria o controle da bancada, em detrimento da facção alinhada com o ex Márcio Fortes. Naturalmente, ele negou e ainda contou que a presidente, com quem esteve no fim da semana, o teria aconselhado a não fazer o que fez Wagner Rossi na Agricultura. Não propriamente na sua gestão, mas ao demitir-se em razão de denúncias da imprensa. “Não dê importância a essas matérias”, teria dito Dilma.

Pode ser, mas o que se ouve no Planalto é que, se ele continuar rolando na lama com os companheiros de partido, poderá perder a pasta, mesmo se não se confirmar a informação da oferta de propina. De todo modo - e eis por que Negromonte se tornou o nome do dia no departamento de baixarias políticas -, na segunda-feira ele deitou falação numa entrevista a uma rádio baiana. Em dado momento, comentando a desavença na bancada pepista, declarou textualmente o seguinte: “Lamento muito que exista uma briga interna. Fica um falando mal da vida do outro. Isso ainda vai terminar em sangue e é muito ruim”.

Talvez o fato de haver integrado a CPI do Extermínio no Nordeste, em 2003, o tenha ensinado que é muito ruim quando algo termina em sangue. Perto disso, nem vale a pena comentar o seu argumento, na mesma entrevista, de que o fato de ser nordestino pode ter contribuído para a imprensa incluí-lo na “campanha para a retirada de ministros”. No caso dele, a retirada será uma consequência natural menos das denúncias de que é alvo do que da perda do apoio da bancada. De mais a mais, a julgar pelo que dizem os seus desafetos, quem manda de fato nas Cidades é a ministra do Planejamento, Míriam Belchior.

Um ministro de Estado prever que uma disputa partidária na qual está envolvido pode acabar em sangue, mesmo - como se espera - em sentido metafórico, é um instantâneo de uma espécie de mentalidade que infelizmente está longe da extinção na política brasileira. Ou, para sermos mais exatos, na competição corsária pelo butim dos recursos públicos. Porque, no fundo de tudo, é do que se trata. Não está aí o presidente do Senado, José Sarney, achando a coisa mais legítima do mundo fazer turismo na sua sesmaria a bordo de um helicóptero da PM maranhense?

Por Reinaldo Azevedo
Direto ao Ponto, por Augusto Nunes:

Celso Arnaldo: a Rede Cegonha do Brasil Maravilha não livra da morte os filhos dos Raimundos e Vanessas do país real

O jornalista Celso Arnaldo Araújo viu a notícia no Jornal Nacional. E traduziu num texto irretocável a reação dos brasileiros decentes. Confiram:

POR CELSO ARNALDO ARAÚJO

Raimundo Cícero e Vanessa do Socorro pagaram muito caro – duas vidas perdidas antes do primeiro choro, duas outras vidas devastadas pelo choro que será eterno. Só porque não tiveram a iniciativa de recorrer à cegonha reinventada por Dilma nos laboratórios do Brasil Maravilha, em vez de baterem à porta da Santa Casa de Misericórdia do Belém do Pará, na madrugada de ontem.

Grávida de gêmeos e portadora de lúpus, uma complexa doença autoimune, Vanessa fazia questão de seguir à risca a rigorosa rotina de controle da gestação recomendada pelos médicos da própria Santa Casa, onde fazia seu pré-natal. Era uma gravidez de duplo risco: pela moléstia de base e pela gemelaridade.

O casal estava ciente de que os bebês poderiam nascer antes da hora – e a faixa de maior risco era justamente por volta das 32 semanas atuais. Vanessa estava bem e, dadas as circunstâncias, os gêmeos até que se desenvolviam a contento, a esta altura talvez já fossem viáveis com um atendimento adequado – nos últimos anos, a neonatologia fez progressos notáveis em relação a prematuros, se o pré-natal é bem feito e o parto é seguido de cuidados intensivos.

Às 2 horas daquela madrugada, as primeiras pontadas — que às 3 haviam se tornado menos espaçadas e mais violentas. Podia ser a hora. Mas, mesmo se não fosse, Vanessa precisaria do socorro que seu nome chamava. Às 3 e pouco, Raimundo amparou-a em direção ao ponto de ônibus. Do distrito de Outeiro, periferia de Belém, ao centro da capital, foi uma hora e meia de terra batida, na melhor das hipóteses. É possível – sim, é possível – que a viagem tenha agravado as condições da gestação e aumentado o risco dos gêmeos.

Mas, da mesma maneira que entrada de pronto-socorro é o lugar mais perigoso do Brasil para marginais que se confrontam com a polícia – porque quase todos morrem, nos boletins de ocorrência, ao “darem entrada no pronto-socorro” – a entrada da Santa Casa de Misericórdia de Belém do Pará seria o lugar mais perigoso da face da Terra para os gêmeos de Vanessa e Raimundo. Estava amanhecendo em Belém – mas eles nunca veriam seus primeiros raios de luz.

“TUDO LOTADO”
À porta do hospital, o desespero do casal, ele em prantos, ela em dores, não convenceu o porteiro. Não podia deixar mais ninguém entrar porque estava “tudo lotado”, ordem dos médicos. Foi lá dentro confirmar e voltou com a mesma resposta: porteira fechada. Raimundo e Vanessa tinham ido em busca de uma “boa hora” para seus bebês. Era, porém, uma má hora para a Santa Casa. Quando uma maternidade de alto risco, de qualquer lugar do mundo, nega atendimento a uma paciente sua em trabalho de parto de gêmeos, há algo de profundamente errado – profundamente doentio.

O casal se dirigiu então, provavelmente de ônibus, ao Gaspar Viana, hospital da rede pública de Belém, em outro bairro da capital. Na porta, ouviu a mesma explicação dos guardiões da saúde. Não há vagas. E agora, Raimundo? A incerteza e a desesperança consumiram mais uma hora e meia da vida dos gêmeos – foi o tempo que o casal ficou na calçada, atônito. Mas o quadro de Vanessa se agravou, o serviço de resgate dos bombeiros foi acionado. Ciente do impasse, os soldados assumiram uma questão de honra: voltar à Santa Casa com a gestante — para isso, requisitaram uma viatura-ambulância. Parecia óbvio: na Santa Casa, Vanessa já tinha ficha com seu histórico médico, a lotação seria apenas um detalhe a ser superado, de qualquer jeito, numa circunstância tão dramática.

No interior da ambulância, e em frente à Santa Casa, enquanto os bombeiros intercediam pelo atendimento emergencial, a bolsa de água estourou. Um dos bebês nasceu – morto. Mas havia o segundo. Sob a pressão dos bombeiros, a equipe de plantão enfim permitiu a entrada de Vanessa – mas também não conseguiu salvar o irmão gêmeo do primogênito natimorto. Raimundo, auxiliar de cozinha, aos prantos: “Meus filhos morreram do lado de fora do hospital por falta de atendimento. Bateram a porta na nossa cara. Depois que meu filho morreu, fiquei desesperado e entrei. Tinha 15 médicos lá dentro”.

Um desses médicos, a obstetra Cynthia Lins, recebeu voz de prisão de um dos indignados bombeiros. Depois de prestar depoimento, foi solta. Na saída, com o cinismo próprio de funcionários públicos com estabilidade, negou ter havido a omissão que os fatos gritantes demonstram, sem necessidade do “rigoroso inquérito” de praxe. Os bebês podem até ter chegado mortos ao hospital da primeira vez — mas só um obstetra poderia atestar isso. E só um médico teria chance de salvá-los, se houvesse essa chance. A omissão de socorro é sempre potencialmente fatal, em princípio e por princípio.

Mas não foi omissão, repete a médica, foi excesso de gente: “Superlotação que nós se encontramos no momento”, afirmou ela ao Jornal Nacional, com uma gramática que nos soa familiar, quando comparada a uma declaração ouvida semana passada, durante a inauguração de uma unidade de saúde no interior do Ceará, naquele estilo já inconfundível:

“A Rede Cegonha é um tratamento da mãe antes do parto, durante a gravidez, no parto e depois no pós-parto, o tratamento da mãe e da criança. Em todas as fases, a gente olha duas pessoas que são essenciais para a saúde do povo brasileiro: a mãe a criança”.

Raimundo e Vanessa não devem ter escutado o discurso presidencial. Se tivessem ouvido, e conseguissem atravessar essa sequência de ideias tão tortuosa, achariam que a dona Cegonha que presta serviços ao Brasil Maravilha – ao contrário dos maus médicos de Belém, já afastados pelo governador Simão Jatene, e, de resto, do tenebroso serviço de saúde pública do Brasil Real — olharia com todo carinho para as duas pessoas mais essenciais da vida de Raimundo e Vanessa.


A Glória de Negromonte e, sobretudo, de sua mulher!

Por Vannildo Mendes, no Estadão:
O carinho do ministro Mário Negromonte (Cidades) pela pequena Glória, cidade de 14 mil habitantes no norte da Bahia, não começou agora. Desde que sua mulher, Ena Vilma, assumiu a prefeitura do município, em 2009, ele resolveu fazer o possível para colocar a cidade de uma vez no mapa. Desde então, Glória vem bombando.

Para dar uma forcinha à mulher recém entronada, o então deputado Negromonte (PP) aprovou uma emenda de sua autoria em 2008 no valor de R$ 1.350.000, dinheiro que permitiu a aquisição de retroescavadeira, patrol, caminhões basculantes e outros equipamentos para uma espécie de “PAC Glorense”.

Já nomeado ministro, em janeiro deste ano, Negromonte participou da entrega dos equipamentos em carreata juntamente com a mulher e o filho, Mário Júnior, eleito deputado estadual (PP). Como rei do pedaço, ele prometeu mais benefícios à cidade, o que de fato vinha cumprindo até agosto, quando entrou na mira da faxina desencadeada pelo Palácio do Planalto. O vídeo do evento mostra a prefeita, num momento de grande entusiasmo, agradecendo “o empenho do ministro em suas ações voltadas para Glória”. Ela disse ter “a mais absoluta certeza de que essa será a tônica tanto do ministro Negromonte quanto do deputado Mário Júnior”.

Antes de o marido entrar na linha de tiro, a prefeita vinha sendo bafejada por recursos do orçamento federal e estadual. Só nos últimos dois meses, foram carreados R$ 2 milhões. Parte veio da caneta do maridão - R$ 975 mil tirados do Fundo Nacional de Segurança e Educação no Trânsito. A outra fatia, também de R$ 975 mil, veio do Ministério do Turismo. Outros R$ 160 mil chegaram em julho para elaboração do plano diretor da cidade. Negromonte informou que usou de forma legítima os recursos de sua cota parlamentar para beneficiar a região que representa. Ele negou ter privilegiado o município da mulher em detrimento de outros.

Por Reinaldo Azevedo
Líder do PR engrossa CPI contra governo

Por Denise Madueño, no Estadão:
Quatro dias depois de o PR ser convidado para voltar à base de sustentação da presidente Dilma Rousseff, o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), assinou o pedido de criação da CPI mista da Corrupção apresentado pela oposição. Com o apoio, o requerimento atingiu 120 assinaturas de deputados e 20 de senadores. Para ser criada, são necessários os apoios de 171 deputados e de 27 senadores.

O PR anunciou a saída da base em discurso na semana passada do presidente da legenda, senador Alfredo Nascimento (AM), e declarou “independência” na relação com o governo. Logo depois, em nome da presidente Dilma, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, convidou a partido a voltar para a base. Ao assinar o requerimento da oposição, ontem, Portela afirmou que o ato não significa oposição à presidente.

“Acredito no governo de Dilma Rousseff, acredito na seriedade e na competência da presidente e apoio o governo”, afirmou Portela. “Eu tenho defendido uma investigação a fundo no Ministério dos Transportes e não poderia deixar de assinar a CPMI. Seria incoerente da minha parte”, argumentou. O líder disse que não está orientando a sua bancada a dar apoio à criação da comissão. “Assinei a CPI como deputado que sou, consciente do meu mandato, não como líder do partido.”

No PR, até agora, 16 deputados assinaram a CPI. Nenhum senador do partido, no entanto, deu o seu apoio. A bancada tem 41 deputados e 6 senadores. Desde sexta-feira passada, o PR começou uma série de conversas para avaliar o convite de Dilma para o retorno a base. “Nós tivemos uma decisão colegiada (para sair da base) e avaliada. Faremos a mesma avaliação que fizemos (para decidir sobre o convite)”, disse Portela. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Estão tentando demonizar o instrumento da CPI

Como vocês lêem num post abaixo, os patriotas do PR estão por aí, assinando pedido de CPI com o fito específico, na maioria dos casos, de chantagear o governo, de mandar um recado. Sim, é verdade! Mas vamos tomar cuidado! Quando pedidos de CPI eram feitos contra o governo FHC, por exemplo — ou são ainda hoje articulados contra adversários do PT nos governos estaduais —, ninguém questionava, ou questiona, a moral e o propósito dos signatários, não é mesmo?

Estou chamado a atenção dos leitores para uma operação que está em curso, que acaba, no fim das contas, demonizando o instrumento das comissões parlamentares de inquérito, que são um dos instrumentos que a democracia fornece às minorias.

Ora, é evidente que CPIs fazem parte da guerrilha política. É da natureza do processo que sejam usadas para pressionar o governo: signatários da oposição pretendem demonstrar que o governo agiu mal; os da situação costumam querer alguns benefícios a mais. Se isso for o bastante para desmoralizá-las, então acabemos com elas.

Por Reinaldo Azevedo

Otan enviou armas a rebeldes no oeste da Líbia

Por Andrei Netto, no Estadão:
Uma pista de pouso improvisada em uma das estradas que ligam Trípoli ao sudoeste do país explicam a súbita e fulminante ofensiva dos rebeldes em direção à capital nas duas últimas semanas. Antes encurralados em enclaves do oeste, como Zintan e Nalut, os insurgentes viraram o jogo por terem recebido armas e munições da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O reforço possibilitou a retomada de Zawiya, ponto fundamental para o avanço rebelde. Os rumores de que aviões da Otan não haviam se limitado a bombardear instalações militares e forças terrestres de Kadafi circulam há semanas.

Ontem, o Estado confirmou a informação de duas formas: a primeira, ao constatar, na estrada que liga o posto de fronteira de Dehiba-Wazen a Zintan, as sinalizações no solo e os pontos de iluminação típicos de uma pista de pouso improvisada.

A segunda confirmação foi feita em entrevista com um dos líderes rebeldes na cidade. “Sim, houve voos da Otan para trazer armas, mas não sei dizer exatamente quantos foram”, afirmou o rebelde, um dos porta-vozes do movimento no oeste do país.

O insurgente também deixou claro que a operação para fornecimento de armas deveria ser mantida em segredo. “Você não pode perguntar sobre esse tema aqui, porque ninguém pode lhe responder.”

Com o fornecimento de armas para Zintan, os rebeldes deram início à virada que resultou na invasão de Trípoli. Antes definhando por causa do cerco de quatro meses marcado por intenso bombardeio pelas forças de Kadafi, os insurgentes se reequiparam e contra-atacaram.

Reforçados pelos efetivos de Nalut, eles concentraram o fogo na cidade rebelde de Zawiya, a 30 quilômetros de Trípoli, que estava sob o controle de Kadafi desde fevereiro, quando havia sido parcialmente destruída por uma ofensiva do Exército.

Na semana passada, Zawiya foi reconquistada pelos rebeldes, assim como Sabrata. Com isso, o trânsito na estrada costeira, que liga a capital à Tunísia passou para o controle dos insurgentes, que cortaram a principal via de suprimentos do regime.

A partir de então, os rebeldes transformaram a cidade em um posto avançado para combater as forças do governo, abrindo um buraco no anel militar que cercava Trípoli e garantia a sobrevida a Kadafi.

Por Reinaldo Azevedo

Mas que diabo há com os jornalistas, que se mostram incapazes de dizer a verdade sobre a Líbia?

Qual é o nosso problema — dos jornalistas — aqui e Ocidente afora? Por que não dar às coisas o nome que elas têm? Quem não está contente com a queda de Muammar Kadafi? Tipos como Hugo Chávez, Raúl Castro e, suponho, pela proximidade exibida em tempos recentes, Luiz Inácio Apedeuta da Silva, Marco Aurélio Garcia e o megalonanico Celso Amorim. O trio brasileiro chamou de “independência” da política externa a cumplicidade com ditadores. E continua a fazer o mesmo em relação à Síria de Bashar Al Assad. Não se esqueçam de que petistas assinaram uma espécie de termo de cooperação com o partido Baath, de Assad. Que cooperação? Sei lá eu. Perguntem àqueles patriotas.

Pois bem. Uma coisa é recusar a proximidade com esses canalhas e votar contra eles na ONU — o que o Brasil não fez; muito pelo contrário. Outra, diferente, é deixar de reconhecer a penca de ilegalidades cometidas pelos governos Obama e Cameron — e depois pela Otan, sob inspiração de ambos — para depor Kadafi. Deixar de apontá-la é um desserviço à verdade, à inteligência e à maioridade do leitor. Fica parecendo que este é incapaz de fazer um julgamento isento e equilibrado. Também é covardia intelectual, um dos piores defeitos que pode atingir um jornalista.

A resolução do ONU (íntegra aqui), arranjada pelos EUA, é, de fato muito interessante. Cobra um cessar-fogo de Kadafi, mas não diz nada sobre os “rebeldes”. Estes, por acaso, nunca ameaçaram civis?  Foi redigida numa linguagem rebarbativa o bastante para permitir quase qualquer coisa. Afinal, está lá, todos os esforços serão feitos para proteger a população. “Todos?” Quais? A Otan operou em parceria com os ditos rebeldes. Bombardeios aéreos antecediam os avanços por terra. Mais: sabe-se agora que a organização entregou armas aos rebelados. Não tinha autorização para fazer nem uma coisa nem outra. Quando a casa de Kadafi foi atacada, na suposição de que era um alvo militar, o objetivo era assassiná-lo, o que também não está na resolução.

O fato de Kadafi ser um vagabundo desprezível não nos deve impedir de ver os fatos e de reconhecer que se está promovendo o baguncismo na ONU. E seu grande promotor, no momento, chama-se Barack Obama — sem querer deixar chocado o Arnaldo Jabor, claro! —, que, de resto, empreendeu uma guerra contra o então governo reconhecido da Líbia sem autorização do Congresso. George W. Bush, a besta de plantão dos politicamente corretos, não teria chegado tão longe.

E este é o outro elemento de fundo a ser considerado nessa história toda: tirem Obama do comando de uma guerra — que será usada na eleição do ano que vem — e coloquem lá um republicano qualquer, e a grita estaria organizada em escala mundial: “Unilateralista! Autoritário! Imperialista!”. Como é Obama, então não se protesta. O princípio é o seguinte: certas ações são aceitáveis ou inaceitáveis a depender de quem as pratique; alguns teriam licença para violar resoluções da ONU; outros não!

Não, senhores! A minha opinião não é a mesma dos celerados que têm tomado contra do Itamaraty nos últimos anos. Eu não acho que, em nome da autodeterminação dos povos, deve-se permitir que facínoras tiranizem o povo, sem qualquer protesto ou reação. O que acho é que uma resolução das Nações Unidas tem de ser cumprida pelas potências. Afinal, Kadafi está indo para a lata de lixo porque incapaz de viver num mundo civilizado.

Não reconhecer as óbvias violações cometidas por EUA, Grã-Bretanha e Otan é fazer pouco da inteligência alheia. E para encerrar por enquanto: da forma como as coisas se deram, esses entes se tornam responsáveis pelo futuro governo da Líbia. Não se poderá dizer desta feita: “Agora os nativos decidem seu próprio destino!” Uma ova! Quem entra em um dos lados de uma guerra civil e decide o vitorioso da batalha está se tornando co-responsável pelo governo.

Os EUA estão agora no governo da Líbia. Vamos ver o que vão fazer por lá.

Por Reinaldo Azevedo

Mensagem da Unesco e da Globo ao blog: “Criança Esperança” não atua em escola com baixo desempenho no Ideb

No dia 3 de agosto, publiquei aqui um post com este título: “Escola com Criança Esperança e AfroReggae é a pior do Rio. É óbvio: criança precisa aprender matemática; ela já sabe bater lata”.

Eu comentava, então, uma reportagem do Portal iG que informava o seguinte (segue trecho):
“O Complexo Rubem Braga, no Morro do Cantagalo, em Ipanema, abriga o Espaço Criança Esperança, da Rede Globo, o AffroReggae, o projeto Dançando para não Dançar e o Ciep Presidente João Goulart, da Secretaria Municipal de Educação. Já visitaram o local, inúmeras vezes, o prefeito Eduardo Paes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta Dilma Rousseff e o governador Sérgio Cabral. A primeira-dama da França, Carla Bruni já esteve no complexo, que recebe visitas diárias de turistas estrangeiros. O conjunto de favelas Cantagalo/Pavão-Pavãozinho recebeu R$ 71 milhões em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um elevador panorâmico que virou ponto turístico e uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), instalada em 2009. Paradoxalmente, apesar da permanente atividade cultural, da estrutura, da projeção e da atenção política, a escola municipal de Ipanema foi a que teve pior desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre as 970 avaliadas da rede municipal do Rio, 1,8 nos anos finais do Ensino Fundamental. No ano anterior, a nota havia sido 3,7. Na Prova Rio, feita em 2010, o resultado também foi ruim: 3,6, deixando a João Goulart em 683º, ainda no pior terço das escolas municipais.”

No meu texto, comentei:
“Escola boa ministra português, matemática, ciências etc, num ambiente de disciplina, de ordem, em que o professor ensina, e o aluno aprende. Trata-se de uma obviedade, de uma tautologia. Mas esse conteúdo tem de ser repetido dia após dia porque poucas áreas estão tão sujeitas à feitiçaria entre modernosa e esquerdopata como a educação. As crianças são pilotos de prova de ONGs que nem sequer são especializadas na área. A reportagem é um tanto chocante, especialmente porque toca numa das vacas sagradas dos descolados do morro e do asfalto: a tal AfroReggae. Estamos diante de um daqueles casos em que se pode até chutar o traseiro de Jesus Cristo, mas não ouse questionar o ‘intelectual’ e ‘pensador’ José Jr, o chefão da ONG. Ele opinou até sobre os assassinatos no Pará…
Sabem por que a escola em que funcionam o Criança Esperança e o AfroReggae é a pior do Rio? Eu explico: criança precisa aprender português, matemática e ciências. Ela não precisa aprender a bater lata e a dançar. Isso ela faz sozinha, sem a ajuda do professor. Experiências como a que há lá só servem à exibição turística e contentam a tese de alguns descolados. Escola não pode ser campo de concentração, mas também não é clube de recreação. A inversão de valores é tal no Morro do Cantagalo, como vocês verão, que há alunos por lá que acham tudo uma maravilha; só a escola é que atrapalha um pouco…”

Volto aos dias de hoje
A Unesco e a Globo, que são parceiras no projeto Criança Esperança,  me enviam uma nota de esclarecimento, corrigindo algumas informações. Seguem os principais trechos. Leiam. Volto depois.
(…)
O CIEP Presidente João Goulart, que teve a pior nota no IDEB municipal conforme diz o texto da matéria, embora esteja localizado no mesmo Complexo Rubem Braga, no Rio de Janeiro, não conta com qualquer tipo de participação da TV Globo, da UNESCO ou do programa Criança Esperança na sua gestão.
É importante informar que o Espaço Criança Esperança de Cantagalo não é uma escola de ensino regular e, embora localizado no mesmo espaço físico, não tem nenhuma  vinculação direta com a unidade escolar ou com os resultados alcançados por ela no IDEB.
O Espaço Criança Esperança atende mais de 2000 crianças e jovens por mês em suas instalações, entre elas alguns alunos do CIEP, em suas atividades de lazer, cultura e esporte, oferecidas gratuitamente para toda a comunidade local.
De qualquer maneira, a UNESCO, que coordena o programa, lamenta muito o resultado do CIEP no IDEB e irá procurar imediatamente implantar atividades de reforço escolar no Espaço Criança Esperança, como forma de colaborar com o município para o alcance de melhorar os índices na avaliação naquela escola.
(…)
Central Globo de Comunicação
UNESCO BRASIL

Comento
O jornalismo tem de corrigir os erros que comete. Que fique então a informação correta, e louvo a disposição do projeto de atuar para melhorar o desempenho da escola. No que concerne ao trabalho de educação propriamente, reafirmo meu ponto de vista: a melhor aula de cidadania que pode dar uma escola é ensinar com eficiência as disciplinas que libertam as crianças da ignorância. No Brasil, a gente praticamente já nasce sabendo bater lata. Mas tem de aprender matemática. Isso, sim, é educação progressista.

Por Reinaldo Azevedo

Fausto Polesi

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Eu os deixei mais cedo ontem à noite porque fui ao velório do jornalista e advogado Fausto Polesi, um dos fundadores do Diário do Grande ABC, que morreu aos 81 anos. Trabalhamos juntos entre 1987 e 1992. A direção de redação do jornal já estava a cargo de Alexandre Polesi, que a conduzia com mãos profissionais e seguras. Fausto era o verdadeiro espírito que nos animava a todos. Tinha, mais do que qualquer um de nós, os jovens, faro para a notícia. Sabia como poucos ver o que havia de geral numa ocorrência particular, de rua, aparentemente banal. Mas também estava atento às mudanças pelas quais passava o país, de que a região do Grande ABC era palco privilegiado naqueles dias.

Eu era redator-chefe do jornal, e nosso contato se fazia freqüente, até porque era ele o nosso principal editorialista. Concluía o seu texto e, às vezes, me chamava à sua sala para debater o artigo, saber o que eu achava, sinceramente interessado na opinião do interlocutor. Fausto sabia ouvir, e isso fazia dele uma figura admirada por todos os jornalistas que com ele conviveram.

O Diário do Grande ABC — a família Polesi não tem mais quaisquer vínculos com a empresa — traz em sua memória um belo exemplo de empreendedorismo, de que “Doutor Fausto” é personagem de destaque. Esse “doutor” agregado ao nome, aliás, foi objeto de nosso primeiro contato profissional. Ele me telefonou justamente para tratar do editorial e, ao entrar em sua sala, fui regulamentar: “Pois não, doutor Fausto”. Ele, então, com um sorriso largo, que tão bem o caracterizava, afirmou: “Vamos começar tirando o ‘doutor’ e o ’senhor’ porque isso facilita a nossa conversa; se você me tratar por ‘Fausto’ e ‘você’, vai ser mais fácil acreditar se você elogiar um texto meu. E também fica mais fácil criticar”.

Ao longo de cinco anos, Fausto jamais me pediu para deixar de dar uma informação apurada, para “pegar leve” com esse ou com aquele, para tratar a notícia pelo viés da ideologia ou de qualquer outro interesse que não fosse o fato. Era, e queria ser tratado como tal, um jornalista. Jamais ouvi a voz do acionista da empresa.

A região do Grande ABC deve muito a seu espírito cívico, vigilante e trabalhador. Denunciou muitos desmandos. Ajudou a corrigir muitos erros. Evitou que outros tantos fossem cometidos. Deixo o meu abraço a Dona Mathilde, sua mulher, e aos filhos, meus queridos amigos, Alexandre e Cassiano, que herdaram do pai o talento, o caráter e a disposição para a inovação.

Sei que Deus abriga, generoso e um pouco egoísta, a sua alma. E que Ele nos console, os que sabemos a falta que Fausto nos faz.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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