Novo ministro da Agricultura usa boné da Via Campesina... e: A doença da educação brasileira é ideológica. E seu nome é “petismo

Publicado em 26/08/2011 06:35 721 exibições

Novo ministro da Agricultura usa boné da Via Campesina

Na Folha:
Dois dias após ser empossado como ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro se encontrou ontem com a Via Campesina -movimento de agricultores ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)- e usou o boné da organização. Antes de Ribeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no exercício de seu mandato, e a presidente Dilma Rousseff, na campanha eleitoral à Presidência da República no ano passado, também usaram o boné. Lula e Dilma foram criticados pelos ruralistas que entenderam o gesto como apoio a um movimento que promove invasões de terras.

Os integrantes das Via Campesina pediram a anistia das dívidas dos produtores rurais que pegaram créditos do Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar), que atualmente estão em R$ 30 bilhões. Eles também querem o assentamento imediato de 60 mil famílias.
Segundo a assessoria do ministro, o uso do boné foi um gesto simbólico que não prejudica a interlocução de Ribeiro com outros setores. O novo titular da pasta da Agricultura é considerado um “representante” dos produtores agrícolas, principalmente do Rio Grande do Sul, onde fica sua base eleitoral. Integrantes da Via Campesina realizam desde o início desta semana manifestações em 17 Estados e no DF.

Por Reinaldo Azevedo

Gleisi está transformando uma história feia numa tramóia política; melhor teria sido pedir desculpas e devolver o dinheiro

O presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, é do PT.
A ministra Gleisi Hoffmann é do PT.
O presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, é do Paraná.
A ministra Gleisi Hoffmann é do Paraná.
Uma pessoa normal conclui que Samek e Gleisi são aliados políticos.

Muito bem! Gleisi era da diretoria financeira da Itaipu. Digamos que tivesse qualidades técnicas para estar lá. Outras pessoas também tinham. O que a diferenciava eram as ligações políticas. O PT e ela própria decidiram que seria candidata ao Senado em 2006. O que a estatal ou o erário têm com isso? Nada! Na verdade, o sistema já é generoso o bastante com políticos, abrigando-os e transformando-se em aparelho a serviço de suas ambições.

Descobriu-se que Gleisi deixou a estatal como “demitida”, o que lhe permitiu receber a multa sobre o FGTS (R$ 41.829,79) e sacar o fundo — estima-se que recebeu R$ 145 mil em 2006. Ela queria sair para ser candidata, mas seu “patrão”, também seu correligionário, decidiu quebrar o galho: fez a empresa arcar com a multa e obrigou o estado brasileiro a liberar o FGTS.  Se Gleisi não fosse petista, é provável que:
- jamais tivesse sido diretora de Itaipu;
- jamais conseguisse a moleza propiciada por seu “chefe”.
Nessa hipótese, teria sido melhor para o caixa da empresa e para o Fundo, certo? Aí dirá um realista: “Não! Se houvesse alguém do PMDB ou do PR no lugar dela, daria na mesma!”

É verdade! Nada distingue a moral de um petista da de um peemedebista a não ser a cara-de-pau. Os peemedebistas disfarçam com menos talento o nome do que praticam.

Gleisi, em sua lourice que afeta certa severidade alemã, mas já bem temperada pelos trópicos, tinha uma saída: pedir desculpas e devolver o dinheiro. Dispõe de recursos pra isso. Faça uma doação para o Bolsa Família. Mas não! Ficou muda. E agora o “esquema” decidiu vender uma emenda bem pior do que o soneto original.

O tal Jorge Samek veio a público com uma história incrível. Teria sido dele a decisão de demitir Gleisi, o que facultou o pagamento impróprio da multa do FGTS e da liberação do Fundo. E ele explica: é que ela pretendia apenas se licenciar, mas ele não aceitou!

Entendi. Samek resolveu ser durão com Gleisi. Essa severidade fez com que ela recebesse os R$ 145 mil, que não teria recebido se ele tivesse sido generoso com ela. No PT, a moral da história é sempre o oposto da história moral. O presidente de Itaipu está se comportando como laranja da versão da agora ministra.

Pessoas comuns flagradas numa situação como essa são punidas pelo estado. Mas, como diria aquele deputado maranhanse sobre José Sarney, petistas não são pessoas comuns.

Por Reinaldo Azevedo

Nas asas do PT 1 - Presidente da Câmara usou avião de plano de saúde para ir a reunião do partido

Por Leandro Colon e Beto Barata, no Estadão:
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), usou aviões particulares para viajar nos fins de semana pelo País. No sábado passado, ele embarcou em um avião e um helicóptero da Uniair, empresa de transporte aéreo da Unimed do Rio Grande do Sul - seu reduto eleitoral -, para participar de eventos partidários do PT nas cidades gaúchas de Erechim e Gramado.

Procurado pelo Estado nesta quinta-feira, 25, cinco dias após a viagem, Marco Maia admitiu que o voo não foi pago. Questionado sobre a origem do dinheiro que vai cobrir o gasto, afirmou que bancaria a viagem com o próprio salário. “Eu ganho bem”, disse.

Na entrevista gravada, Maia garantiu que o voo do fim de semana no avião da Unimed foi o primeiro fretado por ele no ano. “Foi a primeira vez que utilizei um voo particular”, disse.

Horas depois, o presidente da Câmara foi obrigado a mudar a versão após a reportagem confirmar que ele também viajara num avião particular, no dia 4 de junho, de Brasília para Goiânia para assistir ao jogo da seleção brasileira de futebol contra o time da Holanda. De lá, seguiu na mesma aeronave para Porto Alegre. “Foi um voo privado dele como cidadão”, respondeu a assessoria de imprensa do presidente.

Num primeiro momento, Maia afirmou “não se lembrar” do nome da empresa contratada nem o valor pago pelo voo do jogo da seleção. Diante da insistência da reportagem, informou que o serviço fora prestado pela Ícaro Táxi Aéreo.

Segundo a empresa, o trecho Brasília-Goiânia-Porto Alegre voado por Maia custa entre R$ 30 mil e R$ 45 mil, a depender do avião. Na declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2010, Maia disse ter um patrimônio de R$ 342 mil. Ou seja, o pagamento do frete do avião corresponderia a aproximadamente 13% de seu patrimônio.

Por Reinaldo Azevedo

Nas asas do PT 2 - Em 2009, como ministro, Paulo Bernardo usou avião de empresário e diz que prefeitura providenciou transporte

Por Vinicius Gomes, no Globo:
Vídeo disponível no YouTube mostra que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, utilizou um avião particular de pequeno porte para o deslocamento dele e de sua equipe, em 11 de dezembro de 2009, durante lançamento de programa do governo federal, em Guarapuava, no sudoeste do Paraná. Então ministro do Planejamento do governo Lula, Paulo Bernardo pousou no aeroporto a bordo de um avião Seneca prefixo PT-WTS, com capacidade para cinco lugares. Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), disponível no portal da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave é particular e pertence a Roque Veviurka, dono da Bravex, empresa ligada ao agronegócio e à construção de imóveis de luxo, e responsável também pela obra do Shopping Guarapuava. Também figura como proprietário da aeronave o procurador-geral do município, Luciano Alves Batista.Em julho de 2009, mesmo ano em que Paulo Bernardo viajou a bordo do avião, a Bravex promoveu, em Guarapuava, o primeiro Campeonato Brasileiro de Rally Aéreo. No cartaz promocional, a aeronave com o prefixo PT-WTS aparece com destaque, como também a logomarca do Banco do Brasil, um dos patrocinadores do rally. Veviurka era o diretor de prova e utilizou o avião Seneca para acompanhar as etapas da competição.

No vídeo que registra a chegada de Paulo Bernardo a Guarapuava, a marca Rallyair, que identifica o site em que Veviurka promove a competição aérea, aparece impressa na fuselagem do avião.

Em entrevista por telefone, o empresário confirmou ser dono do avião, adquirido no final de 2008, mas negou ter conhecimento do uso da aeronave para levar o ministro:”Não sei de nada disso, vou me informar com o piloto, mas nós não fazemos fretamento de avião.”

Depois de tomar ciência do conteúdo da reportagem, no entanto, o empresário negou-se a informar o sobrenome do outro proprietário do Seneca e disse que só falaria sobre o assunto após consultar outros setores da empresa. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Oposição recorre ao Supremo contra o triunfo da sem-vergonhice nas obras da Copa do Mundo

A oposição decidiu recorrer ao STF contra a lei que instituiu o Regime Diferenciado de Contratação. Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:

Na Folha Online:
Os partidos de oposição –PPS, PSDB e DEM– entraram com uma ação contra a lei que instituiu o RDC (Regime Diferenciado de Contratações). A lei foi criada para facilitar as contratações das obras da Copa de 2014 e Olimpíada 2016. No pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal), a oposição diz que o RDC é fruto de uma emenda colocada em uma medida provisória que tratava de outro assunto. Para as legendas, o expediente adotado pelo governo é inconstitucional.

Os partidos afirmam ainda que o RDC pode “abrir uma porta” para a corrupção. Na ação, as siglas argumentam que o próprio relator da emenda, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que seriam abordados aspectos que “não constam do teor levado a conhecimento público quando da publicação do instrumento de que se cuida”. Não se trata de “filigrana do processo legislativo sem repercussões exteriores às casas legislativas”, afirma a oposição.

Aprovado em junho pelo Congresso e sancionada pela presidente Dilma Rousseff neste mês, o RDC estabelece regras flexíveis, em relação à Lei de Licitações, para contratar projetos ligados à Copa de 2014 e à Olimpíada do Rio, em 2016. A medida traz mudanças polêmicas, como a manutenção do sigilo dos orçamentos prévios de um projeto até o fim da licitação. Durante o processo, somente órgãos de controle terão acesso aos preços.

Pela lei anterior, os órgãos públicos colocavam os preços que consideram justos no edital, e as empresas deveriam concorrer entre si sabendo qual é o teto máximo. Segundo o governo, o sigilo impede que empresas possam agir em conluio para combinar preços maiores.

Comento
As oposições foram ao STF e fizeram muito bem! Os motivos que justificariam o RDC não param de pé. São pura mistificação. O modelo não impede o conluio. O que ele dificulta, aí sim, é a identificação da sacanagem.

Quem fez a crítica mais contundente ao RDC foi o ex-deputado Luis Roberto Ponte, autor da atual Lei de Licitações, com a experiência de quem foi presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção por longos 15 anos. Segundo ele, o sistema “abre as portas da corrupção”. Numa espécie de carta enviada a Sarney, em que pedia para ser ouvido no Senado, escreveu:

“Disseram-lhe que a divulgação prévia do orçamento da obra facilita a vida dos concorrentes para o conchavo; o quanto, então, deve facilitar a vida do concorrente preferido receber essa informação privilegiada?
(…)
Desde quando a ausência de preço impede que haja conchavos? Sem projeto nem orçamentos conhecidos mesmo é que a tendência é que as propostas sejam apresentadas com valores mais altos que o estritamente necessário para a execução da obra.
(…)
“Não se pode dar aos governantes os mesmos poderes que têm dirigentes privados para negociar seus contratos porque, diferentemente destes, aqueles devem prestar contas ao povo do dinheiro gasto e assegurar iguais direitos a qualquer um que possa executar a obra, fazer a venda ou prestar o serviço.”

E há mais: o RDC passará a valer para os 26 estados e para os municípios. Vai ser a festa da uva. O governo Lula ficou girando em torno da própria cauda no que diz respeito à Copa do Mundo, com irresoluções que se estenderam ao governo Dilma, e a solução encontrada pelos petistas, como de hábito, foi estuprar a lei em nome da urgência.

Assim, essa gente nos conduziu à seguinte (falsa) escolha: ou se permite a mais desbragada lambança, ou a Copa do Mundo será um vexame. Como ninguém quer vexame, então que venha a lambança!

Por Reinaldo Azevedo

Depois de “despachar” com ministros de Dilma, Lula agora quer “nomear” deputada para o TCU

Por Ana Flor, na Folha:
Em mais uma demonstração de que não deixou a articulação política, o ex-presidente Lula assumiu a campanha para a deputada Ana Arraes (PSB-PE) ocupar a vaga de ministra do TCU (Tribunal de Contas da União). No início da semana, reportagem da Folha mostrou que Lula despachou, em São Paulo, com dois ministros de Dilma no Instituto Cidadania. A ONG foi retomada após deixar a Presidência. Lula também tem se reunido quinzenalmente com Dilma para discutir política. Em encontro com parlamentares em Belo Horizonte na última semana, ele pediu votos para Ana, filha de Miguel Arraes e mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Segundo os presentes, ele alegou que o TCU, órgão com o qual teve problemas no passado, precisa de uma mulher. Lula disse que sua candidata é “filha de um grande homem e mãe de outro”. A articulação foi combinada com a presidente Dilma Rousseff, mas oficialmente o Planalto prefere ficar neutro. Segundo assessores, Dilma vê com simpatia o nome de Ana, assim como o do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), outro candidato. Ana é advogada e está em seu segundo mandato como deputada. Cabe à Câmara indicar o nome para substituir Ubiratan Aguiar. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

O PT quer agora roubar também o seu direito ao voto. O resto, eles já levaram! Relator de reforma política quer ser um ladrão da cidadania! VOTO DISTRITAL NELES!!!

Eles roubam o nosso dinheiro.
Eles roubam as nossas crenças.
Eles roubam as nossas convicções.
Eles roubam a nossa paciência.
Eles roubam a nossa vontade.
Eles roubam a nossa disposição para a luta.

Não havendo mais nada a levar, tentam agora tirar o nosso direito de saber em quem estamos votando. Cassaram o nosso bolso. Cassaram a nossa esperança. Querem agora cassar o que sobrou da nossa cidadania. O anteprojeto apresentado pelo deputado petista Henrique Fontana (PT-RS) para a reforma política, apresentado à Comissão Especial, é uma das coisas mais asquerosas pensadas por aquelas bandas. Além de Fontana ter proposto o financiamento público de campanha  — MAS MANTENDO O FINANCIAMENTO PRIVADO; JÁ EXPLICO —, inventou uma estrovenga que poderia ser chamada de “VOTO PROPORCIONAL MISTO”.

Se o voto fosse uma carteira, Fontana seria um punguista. Como o voto é uma evidência de cidadania, Fontana se apresenta como um ladrão de cidadania. Por quê?

Os sistemas
Há três sistemas para a composição da Câmara Federal (Assembléias e Câmaras de  Vereadores). O vigente no Brasil é o proporcional. Grosso modo, somam-se todos os votos dados aos candidatos de um partido, vê-se a porcentagem obtida pela legenda ou coligação, e estão eleitos os candidatos mais votados de acordo com o número de cadeiras obtidas. Principal defeito: “puxadores” de voto, como os Tiriricas da vida, acabam elegendo os sem-voto. O sistema estimula a invasão da política pelas celebridades.

Existe o sistema que defendo - que é o distrital puro: os estados (e também as cidades nas eleições municipais) são divididos em distritos, e os partidos apresentam candidatos para essas áreas; entendo ser o melhor, embora não seja perfeito. Falarei mais a respeito daqui a pouco.

E existe o distrital-misto: o eleitor vota duas vezes; escolhe tanto o parlamentar do distrito (metade dos assentos é ocupada por eles) como vota num partido, que definiu previamente uma lista de nomes. São Paulo, por exemplo, elege 70 deputados federais. Haveria 35 distritais e 35 saídos do voto proporcional. Se o Partido X obteve 20%  da cadeiras, elegerá sete parlamentares por esse critério (além, claro, dos distritais que eventualmente eleger): assumirão as vagas os sete primeiros da lista. O principal defeito é o voto em lista fechada, que só serve para fortalecer a burocracia partidária, não a vida partidária.

O que fez Santana? Há trechos do seu texto aqui. Nas eleições proporcionais (Câmara dos Deputados, Assembléias e Câmaras de Vereadores), o eleitor também teria de votar duas vezes: tanto votaria num nome como numa lista. Só que não existe distrito nenhum! Os dois votos servem ao critério proporcional. O Artigo 107 do anteprojeto é explícito:
“Art. 107. Determina-se para cada partido ou coligação o quociente partidário dividindo-se pelo quociente eleitoral a soma aritmética dos votos de legenda atribuídos à lista partidária preordenada e dos votos nominais dados aos candidatos inscritos na mesma lista, desprezada a fração.”

Vale dizer: A PROPOSTA DE FONTANA MANTÉM, E ATÉ EXACERBA O ELEMENTO MAIS NEFASTO DO VOTO PROPORCIONAL, QUE É O FENÔMENO DAS CELEBRIDADES QUADRÚPEDES PUXADORAS DE VOTO.

Como sabotagem pouca à cidadania do eleitor é bobagem, ele quer que metade das cadeiras obtidas por um partido saia daquela lista, que tem tudo para ser mantida fora do alcance do eleitor, já que os “puxadores de voto” se encarregariam de fazer o trabalho de propaganda partidária. E como distribuir as cadeiras entre os eleitos pelo critério nominal e os da lista? Fontana teve uma idéia, explicitada no Artigo 108
“III - a lista final será organizada por meio da alternância dos nomes dos candidatos, segundo as regras dispostas nos incisos I e II deste artigo, começando pela lista nominal;”
Entenderam? Entra um nominal, um da lista, um nominal, um da lista… Até o partido atingir o número. Candidatos com milhares de voto ficarão chupando o dedo, e os sem-voto acabarão “eleitos” — se é que a palavra é essa.

O voto puramente proporcional perverte a democracia.
O voto em lista perverte a democracia.
Fontana, o petista, teve uma idéia: juntar as duas perversões.
Afinal, ele é um petista. Por trás dessa proposta magnífica, está a mente divinal de Luiz Inácio Apedeuta da Silva.

Voto distrital puro
Sim, existe o risco de essa barbaridade ser aprovada. Existe o risco efetivo de metade da Câmara dos Deputados, Assembléias e Cãmaras de Vereadores ser ocupada por valentes que não se elegeriam chefes de quarteirão, síndicos de prédio. O sistema proporcional, na forma como se apresenta hoje, transformou a representação num amontoado de lobistas  e porta-vozes de corporações de ofício. Estão lá como procuradores dos interesses de setores e grupos organizados. E ASSIM É MESMO A GENTE SABENDO A CARA QUE ELES TÊM. IMAGINEM QUANDO NEM ISSO SOUBERMOS!

O voto distrital é o caminho possível para que vereadores, deputados estaduais e deputados federais passem a representar, de fato, a população. Hoje, temos os parlamentares dos sindicatos, os parlamentares da indústria, os parlamentares dos bancos, os parlamentares dos sem-terra, os parlamentares das mulheres, os parlamentares da religião… Precisamos ter os parlamentares da… POPULAÇÃO!

Eu já os convidei algumas vezes e o faço de novo: entrem na campanha “EU VOTO DISTRITAL”. Há um movimento colhendo assinaturas (clique aqui) em favor da proposta. O ideal seria que já se realizassem eleições segundo esse modelo no ano que vem. Mas não creio que haja tempo. Que seja em 2014, 2016, 2018… O importante é não abandonar a proposta. HENRIQUE FONTANA É A PROVA DE QUE ELES SEMPRE PODEM PIORAR O QUE JÁ NÃO PRESTA.

Financiamento público
Fontana achou que ainda não havia barbarizado o bastante. Além de ter resolvido enfiar a mão na nossa cidadania, também se dispõe a enfiar a mão no nosso bolso. Esse valente tinha redigido uma primeira proposta que previa apenas o financiamento público de campanha, proibindo doações de pessoas físicas e privadas. Sou contra, como sabem, porque acho que isso não impede o caixa dois — na verdade, estimula. Mas qual era o argumento que “eles” tinham?

Candidamente, diziam que, se o financiamento fosse público, diminuiria a dependência dos parlamentares de seus financiadores; não se veriam obrigados, depois, a pagar a conta com propostas do interesse dos patrocinadores. Também seria um desestímulo  aos “recursos não-contabilizados” (by Delúbio Soares”: quando o sujeito é canalha, não é o financiamento público que vai fazê-lo deixar de ser. Mas vá lá… Era um argumento. Era errado, mas poderia ser honesto.

Errado e honesto? Então não serve!

Fontana mudou de idéia. Vejam o que está em seu anteprojeto no que diz respeito ao financiamento das campanhas:
“Art. 17. As despesas da campanha eleitoral serão realizadas sob a responsabilidade dos partidos, e financiadas exclusivamente com recursos do Fundo de Financiamento das Campanhas Eleitorais.
Art. 17-A. O Fundo de Financiamento das Campanhas Eleitorais (FFCE) será constituído por recursos do orçamento da União e por doações de pessoas físicas e jurídicas, na forma especificada neste artigo.

É isso aí. Além do financiamento privado, como é hoje — de pessoas físicas e jurídicas —, haveria também o público. O relator, então, decidiu somar aos “malefícios” de um modelo aos do outro: a tunga à nossa carteira. Lembro que o dinheiro público já irriga fartamente os partidos (por meio do Fundo Partidário) e as eleições, arcando com o custo do horário político gratuito e do horário eleitoral gratuito. Os dois nomes são estúpidos porque as legendas nada pagam ao sistema de radiodifusão, mas a União sim — ou seja, nós!

Essa proposta de Henrique Fontana é uma das coisas mais vergonhosas que já passaram pelo Congresso! Mobilize-se! Proteste! Acione as redes sociais! Informe-se mais sobre o voto distrital. Se, hoje, a política já se confunde com um lupanar, Fontana quer que ela se torne o bordel dos aproveitadores sem rosto.

Voto Distrital neles! Precisamos de políticos que tenham cara! E uma cara só!

Por Reinaldo Azevedo

Ih, os capas-pretas do PMDB estão batendo boca… Que boa notícia!

Eita! Não é que, de vez em quando, a gente lê uma boa notícia sobre o PMDB? A mais recente indica que pode estar prestes a acontecer um curto-circuito por lá. Parto do princípio de que, se o PMDB está brigando, os cofres públicos podem sair ganhando. Sem contar, né?, que conto com aquela possibilidade remota de que, no confronto, eles decidam contar tudo… Leiam o que segue. Volto em seguida:

Deputado do PMDB ataca aliados após perder cargo em comissão

Por Maria Clara Cabral, na Folha Online:

Um dia depois de ter sido tirado da relatoria da Comissão Especial sobre Código do Processo Civil, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) reagiu nesta quinta-feira. A principal reação foi pedir cópia de todas as auditorias feitas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) entre 2007 e 2010 na Funasa. No período, o deputado Danilo Forte (PMDB-CE) presidiu o órgão. Forte é apontado por Eduardo Cunha como um dos responsáveis pelo motim que o tirou da comissão.

“Infelizmente ele foi colocado lá a época pelo partido e eu me arrependo de ter dado apoio, até porque isso manchou o partido”, disse Eduardo Cunha sobre o colega pelo Twitter. Ontem, Danilo Forte comemorou a saída de Cunha e disse que o partido estava entendendo a necessidade de renovação. Cunha e Forte são os principais protagonistas de uma disputa que divide o PMDB na Câmara.

O primeiro conta com o apoio do líder Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). O segundo da vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES). Cunha também criticou a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que pediu a sua saída pelo fato de ele não ser advogado. Ele disse que criaria uma Frente Parlamentar em defesa do fim do exame da Ordem.

“A profissão de médico que é muito mais grave a consequência do erro, pois pode ceifar vidas, não exige exame do CRM porque tem de ter da OAB? O melhor que a gente pode fazer e debater esse exame da Ordem que é um dos maiores absurdos que existem”, diz ele. Outro alvo foi o ministro Pedro Novais (Turismo). O deputado elogia o ministro, diz que todas as irregularidades na pasta são anteriores ao ministro. “O PMDB é que deveria entregar esse ministério e não indicar ninguém para ele mais e deixar que quem pariu mateus o embale”, afirmou.

Comento
Pra começo de conversa, acho que é preciso chamar Cunha na chincha. É fato que a Funasa foi aparelhada, retalhada, dividida, explorada por petistas e peemedebistas. Mas Cunha dá a entender que sabe ainda mais do que a gente. Acho que ele tem de contar, não é? Afinal, não é um parlamentar qualquer. E notem que ele está entregando um ex-aliado interno: deve saber do que fala.

Essa coisa pode render. É evidente que o Planalto está atuando para trincar o núcleo duro do PMDB. Com o partido dividido, é mais fácil negociar e dimiuir seu potencial de chantagem. É o que interessa nessa história.

Por Reinaldo Azevedo

Governo agora prevê taxa de crescimento abaixo de 4%

Por Valdo Cruz, na Folha:
O governo voltou a rever suas projeções para o desempenho da economia e agora trabalha internamente com uma previsão de crescimento de 3,7% neste ano, abaixo dos 4% previstos nesta semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O Palácio do Planalto avalia que esse desempenho é positivo diante das incertezas criadas pela crise global. Se a projeção do governo se confirmar, o Brasil crescerá menos que outros países emergentes, como China e Índia, mas num passo mais acelerado que o de países avançados, como os EUA. A presidente Dilma Rousseff acredita que a desaceleração da economia abrirá caminho para que o Banco Central comece a reduzir em breve a taxa básica de juros, que foi elevada nos últimos meses para conter a inflação.

Para tentar garantir uma queda dos juros ainda neste ano, o governo vai enviar ao Congresso, na próxima semana, um Orçamento para 2012 “bem austero, tendo como palavra de ordem o equilíbrio fiscal”, de acordo com um assessor presidencial. Segundo esse assessor, a equipe econômica analisou medidas para garantir ao mesmo tempo o cumprimento da meta de superavit primário em 2012 e a preservação de investimentos e gastos sociais considerados essenciais pela presidente. Dilma, porém, espera que o BC analise com cautela o cenário econômico antes de cortar a taxa Selic, hoje fixada em 12,5% ao ano.

Em conversa com assessores, ela lembrou que seria “a primeira pessoa a defender a redução dos juros”, mas entende que isso é quase impossível de acontecer na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, na semana que vem. Integrantes da equipe econômica acham que o BC poderá começar a reduzir as taxas de juros ainda neste ano. Inicialmente, a aposta era que isso poderia acontecer no fim de novembro, quando o Copom fará a última reunião do ano. Assessores não descartam, porém, que essa queda possa ocorrer na penúltima reunião do órgão em 2011, em outubro, caso os próximos dados mostrem maior desaceleração da economia. A equipe apresentou recentemente à presidente cenários prevendo que a economia brasileira crescerá entre 3,5% e 4% neste ano, sendo que o mais provável é que fique em 3,7% ou 3,8%. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Alta do endividamento público impede ampliação de benefício social, diz Malan

Anne Warth e Francisco Carlos de Assis, no Estadão:

A crise internacional evidenciou o fato de que a política de bem-estar social, adotada pelos países europeus e almejada pelo Brasil, chegou ao seu limite. O ônus de oferecer serviços de educação, saúde, transporte e segurança apostando em um Estado capaz de socializar perdas e acomodar conquistas é o elevado nível de endividamento público.

Esse é o consenso a que chegaram economistas e ex-integrantes do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que ontem participaram do seminário Transição Incompleta e Dilemas da (Macro)Economia Brasileira, realizado na capital paulista pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) e BM&FBovespa.

Para o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, a crise do mundo desenvolvido levou a um processo de reavaliação dessa política, cuja implementação vem sendo desejada há décadas pelos países emergentes. “Hoje estamos em um processo de recente reavaliação. Os países estão ou fora das possibilidades dos gastos do setor público ou fora do limite que a população, pelo menos a que paga impostos, aceita como necessário ou razoável para prover os serviços esperados”, afirmou.

Na avaliação de Malan, o Brasil, que tomou esse modelo como referência, precisa discutir os impactos dessa política sobre as contas públicas. Isso porque as tentativas de elevar impostos de forma continuada, conforme fizeram os países europeus, afetam negativamente o investimento e o crescimento econômico, destacou Malan. “O País hoje tem a mais alta proporção de gasto público em relação ao PIB comparada a qualquer país em desenvolvimento, mais alta que muitos países desenvolvidos. O Brasil também tem hoje a mais alta carga tributária entre todos os países em desenvolvimento, também mais alta que muitos países desenvolvidos. Essa discussão engatinha entre nós, mas precisa ser aprofundada”, disse.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o Brasil vive um momento em que precisa de ideias novas e deve retomar a agenda de reformas estruturais. Isso, na avaliação dele, é o que pode garantir o crescimento econômico a médio e longo prazo. Questionado se concorda com a avaliação de Malan, de que o modelo de bem-estar social está se esgotando, o ex-presidente concordou, mas ponderou que ninguém pode pensar o Brasil sem uma política social ativa. “Malan está dizendo que temos que tomar cuidado porque lá na Europa chegou-se a um momento em que “desbalançou”. Veja o que aconteceu na Espanha, com déficit público elevadíssimo. Isso pode chegar aqui, se nós não tivermos cuidado”, afirmou. “Se quisermos preservar a possibilidade de ter uma política social ativa, temos que olhar para isso.”

Ilha. FHC ressaltou que o Brasil não está imune à crise. “Tudo que está acontecendo de positivo agora pode se perder se não nos preparamos para o que vai acontecer pelo mundo”, afirmou. “Todos aqui concordam que a crise global que nós estamos vivendo é grande. Ela começou em 2008 e continua, e a ideia de que o Brasil é uma ilha isolada que não pode ser alcançada está equivocada. Temos de ter já uma previsão do futuro, e isso implica em retomar uma agenda de reformas.” Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Lula articula com Chalita aliança para eleições 2012

Por Gustavo Porto e Gustavo Uribe, da Agência Estado:

Cada vez mais empenhado nas articulações políticas em torno da disputa ao comando da capital paulista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se na tarde desta quinta-feira, 25, com o deputado federal Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (sem partido). No encontro, promovido no Instituto Lula, na capital paulista, o ex-presidente deixou claro ao deputado federal que o PT terá candidatura própria em São Paulo, citou o nome do ministro da Educação, Fernando Haddad, e defendeu o apoio mútuo entre ambos, caso algum deles dispute um eventual segundo turno em 2012.

O presidente do PMDB paulista, deputado estadual Baleia Rossi, conversou com o deputado federal após o encontro e negou que o ex-presidente tenha tentado demover o peemedebista da ideia de disputar a Prefeitura de São Paulo. “Ele ponderou que acha o Haddad um nome bom para disputar pelo PT e que seria importante ter dois candidatos fortes para forçar um segundo turno”, disse o deputado estadual. Na avaliação dele, diante dos nomes apresentados, não há possibilidade, pelo menos no primeiro turno, de uma aliança entre PT e PMDB em São Paulo. No segundo turno, contudo, um apoio seria natural. “A candidatura do Chalita é muito importante para o PMDB, como a do PT é importante para o partido”, avaliou.

O encontro com o peemedebista faz parte de estratégia capitaneada pelo ex-presidente para a formação de um leque de alianças que deem sustentação ao candidato do PT na corrida municipal. Na segunda-feira, 22, quando reuniu-se com quatro pré-candidatos petistas, o ex-presidente defendeu que a sigla já procure aliados tradicionais na capital paulista, como PC do B, PDT, PSB e PR.

O ex-presidente pregou ainda que o partido estenda o diálogo ao PMDB, em uma tentativa de reproduzir, ainda no primeiro turno, a aliança que elegeu a presidente Dilma Rousseff. O ex-presidente já exprimiu a aliados a preocupação de se construir um forte palanque eletrônico que dê sustentação à candidatura de Haddad, cujo nome ainda é relativamente desconhecido dos eleitores.

A estratégia do ex-presidente, de não pedir diretamente que o peemedebista abra mão da disputa, é semelhante à adotada, na segunda-feira, 22, com a senadora Marta Suplicy (PT-SP), que rivaliza com o ministro pelo posto de candidato petista para a disputa municipal. No encontro com a petista, o ex-presidente elogiou a senadora e reconheceu o seu capital político, mas, nas entrelinhas, passou o recado à petista que defende um nome novo e prefere a sua permanência no Senado.

Por Reinaldo Azevedo

A Segurança Pública de SP no rumo certo. E uma sugestão

A política de segurança pública do estado de São Paulo é um sucesso digno de estudo. Ao longo de 12 anos, o índice de homicídio no Estado caiu mais de 70%. Está hoje abaixo de 10 ocorrências por 100 mil habitantes (9,75), o que tira o estado da zona de violência que a OMS (Organização Mundial de Saúde) considera epidêmica. São Paulo disputa com Santa Catariana o lugar de estado onde menos se mata no país. Por isso mesmo, é chegada a hora de a secretaria operar uma importante mudança de critério para que seus números tenham ainda mais credibilidade. Leiam o que segue. Volto em seguida.

Do Portal G1:
O número de homicídios caiu 8,35% em todo o estado e 23,69% na capital paulista entre janeiro e julho de 2011, em comparação com os primeiros sete meses de 2010, de acordo com as estatísticas mensais da criminalidade, divulgadas nesta quinta-feira (25) pela Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP), da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Segundo a CAP, até julho de 2011 ocorreram 2.370 homicídios dolosos no estado, 216 a menos do que os 2.586 até julho de 2010. No município de São Paulo, foram 570 casos em sete meses, 177 a menos do que os 747 registrados entre janeiro e julho de 2010.

Segundo a SSP, o número de latrocínios no estado teve aumento de 15,92%, de 157 entre janeiro e julho de 2010 para 182 de janeiro a julho de 2011. No acumulado de 12 meses, a alta é de 6,92%. Segundo a secretaria, uma das hipóteses para essa alta é que as pessoas estejam reagindo aos assaltos. A PM orienta nunca reagir a um roubo.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública,  o número de homicídios intencionais registrados nos sete primeiros meses do ano coloca SP fora da zona considerada epidêmica pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A OMS considera epidêmica o limite acima de 10 mortes intencionais por grupo de 100 mil habitantes/ano. A taxa de homicídios paulista até julho é de 9,75 por 100 mil habitantes.

Seqüestro
De janeiro a julho de 2011, foram registrados 43 casos de extorsão mediante seqüestro, seis a menos que no mesmo período de 2010.
Roubo de cargas
O número de roubos de cargas caiu 4,84%, com 196 casos a menos até julho, em comparação com os primeiros sete meses de 2010.
 
Roubos em geral
De janeiro a julho, o número de roubos caiu 0,31% em relação aos primeiros sete meses de 2010. Houve uma redução de 431 casos, na comparação com igual período do ano passado. Houve aumento, no entanto, no número de roubos a bancos: 15%.

Voltei
Não consegui saber se, nos demais estados, os latrocínios têm uma contabilidade à parte, distinta da dos homicídios. Pouco importa. São Paulo deveria dar o exemplo e unificá-las.  A elevação no índice de homicídios seria pequena, e não haveria a suspeita de que se está recorrendo a algum truque — ainda que seja fundamental distinguir o que é latrocínio do que não é.

Por Reinaldo Azevedo

A miséria da educação no Brasil. Ou: O país que não está nos discursos

Do Portal G1:
Uma avaliação feita com alunos que cursaram em 2010 o 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas do país mostra que menos da metade (42,8%) das crianças aprendeu o mínimo do que era esperado no conteúdo de matemática para este nível do ensino.

O resultado da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) mostrou ainda que 56,1% dos alunos aprenderam o que era esperado em leitura, e 53,4% dos estudantes tiveram desempenho dentro do esperado em redação.

Os dados acima consideram a média entre alunos de escolas públicas e privadas. Entretanto, o levantamento registrou diferença significativa no desempenho entre estudantes dos dois grupos. (Veja tabela abaixo)

A avaliação foi feita com alunos do 3º ano do ensino fundamental; ele é o equivalente à 2ª série do antigo ensino primário. Nessa fase, os alunos têm, em média, oito anos.

A Prova ABC mostra ainda uma grande variação entre as regiões do país e as redes de ensino (pública e privada). Sul e Sudeste obtiveram os melhores desempenhos, enquanto Norte e Nordeste mostraram as piores avaliações.

A prova foi aplicada no primeiro semestre deste ano para cerca de 6 mil alunos de escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais do país para medir seu conhecimento do conteúdo até o 3º ano. A avaliação foi elaborada em uma parceria do Todos Pela Educação com o Instituto Paulo Montenegro /Ibope, a Fundação Cesgranrio e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Cada criança respondeu a 20 itens (questões de múltipla escolha) de leitura ou de matemática (o aluno fez testes de apenas uma das duas áreas). Além disso, todas elas escreveram uma breve redação, a partir de um tema único. O objetivo foi avaliar o nível de conhecimento adquirido pelos alunos ao final do terceiro ano, que representa o fim do ciclo básico de alfabetização.

Matemática
Na prova de matemática, o objetivo era obter no mínimo 175 pontos para mostrar domínio da adição e subtração e conseguir resolver problemas envolvendo, por exemplo, notas e moedas. Estes 175 pontos correspondem ao conhecimento esperado dos alunos desta série segundo escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

No total, 42,8% do total das crianças tendo aprendido o que era esperado para esta etapa do ensino em matemática. A média nacional foi de 171,1 pontos, sendo que entre os alunos da rede privada foi de 211,2 pontos, a da rede pública ficou em 158,0 pontos.

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“As pessoas acham que alfabetização é apenas saber ler e escrever. Tem que se pensar na alfabetização numérica também, precisamos desde cedo que nossas crianças saibam as operações básicas de matemática”, diz o professor Ruben Klein, da Cesgranrio. “Para que o país possa ter conhecimento tecnológico e formar engenheiros é preciso desde cedo ter uma boa formação em matemática.”

A média de 42 pontos percentuais entre os alunos da rede pública e os da rede privada chamou a atenção na pesquisa.

Os pesquisadores destacam a preocupação em se corrigir o problema ainda na educação básica. “A tendência é este desempenho piorar nas séries mais avançadas”, diz Klein. “Pesquisa com estudantes que estão terminando o ensino médio mostra que só 11% atingem o conhecimento mínimo em matemática.”

Leitura

Na prova de leitura, os alunos, entre outras tarefas, tinham que identificar temas de uma narrativa, localizar informações, identificar características de personagens e perceber relações de causa e efeito contidas nestas narrativas. A média foi de 185,8 pontos na escala, sendo 216,7 pontos entre alunos da rede privada e 175,8 pontos para estudantes da rede pública. A médica nacional (incluindo escolas públicas e privadas) foi de 56,1%

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Na prova avaliação de escrita, a média esperada do desempenho dos alunos na redação era de 75 pontos. A média nacional ficou em 68,1 pontos, sendo a média das escolas públicas de 62,3 pontos e a das privadas 86,2 pontos.

“Todas as crianças deveriam atingir 100% de aproveitamento. É um direito básico de educação”, afirma Priscila Cruz, diretora executiva do Todos Pela Educação. “É preciso um investimento pesado na formação de professores e na educação infantil. Para reduzir a desigualdade social é também preciso reduzir esta desigualdade educacional.

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Por Reinaldo Azevedo

Questões de princípio. E a torcida fácil e óbvia dos tolos

Fui professor. Tenho paciência infinita com quem quer aprender. Fui e sou aluno. Tenho uma disposição insaciável para saber mais. Mas não tenho tempo para a burrice arrogante, que substitui os fatos pelos votos de bons princípios. Não é preciso ser muito esperto para ser contra as ditaduras. Mas já é preciso ter alguma inteligência e ter lido alguns livros para combatê-las sem ferir os princípios em nome dos quais elas estão sendo combatidas. É questão de método e de rigor intelectual.

Não venham alguns cretinos tentar me dar aula sobre as ditaduras árabes. É fácil fazer discurso contra Muammar Kadahafi, Bashar Al Assad ou Hosni Mubarak quando estão sendo combatidos por seus adversários internos. Quero ver é coragem para, por exemplo, contestar o vitimismo palestino que explode bombas em Israel e justifica seu gesto como expressão da revolta do oprimido. Que todos sejam favoráveis ao bem, ao belo e ao justo, convenham, não há grande novidade nisso. É possível que Gengis Khan não dissesse algo muito diferente sobre si mesmo. Hitler e Stálin não tinham outra coisa em mente que não uma humanidade ajustada, não é mesmo? Todos são favoráveis às boas intenções… Alguns matam milhões por isso!!!

Quando boa parte dos coleguinhas babava a sua satisfação com o Megalonanico do Itamaraty, eu estava na contramão. Não comecei a criticar as maluquices da política externa brasileira em 2009, mas em 2003, quando Celso Amorim, numa votação de jornalistas, foi considerado o melhor ministro, ao lado de Antonio Palocci… Aquele antiamericanismo chulé parecia, assim, uma coisa tão altiva, tão à altura das expectativas redentoras dos bobalhões!

A queda de Hosni Mubarak no Egito é, em si, uma boa notícia? Em si, é. Quando Hitler desmantelou a SA, do tarado Ernst Röhm, aquela era, em si, uma boa notícia. Não estou fazendo paralelo nenhum entre os dois eventos. Estou apenas destacando que, em história, “boas notícias” não existem em si; é preciso ver o que anunciam e prenunciam e analisar as circunstâncias em que se dão. Que Mubarak tenha caído, aplausos! Que terroristas palestinos passem pelo Sinai para ir praticar atentados em Israel, bem, eis um péssimo sinal. O mundo não é plano!

Bashar Al Assad é um carniceiro desprezível? É, sim! Também no caso sírio se revelam as desditas da política externa brasileira? Sim! Era perfeitamente possível fazer o discurso regulamentar, segundo o qual os sérios devem resolver seus próprios problemas, sem precisar ir lá bater papo com o sanguinário, como fez o Itamaraty. Mas eu quero saber, sim — é o dever de todo bípede que não tem o corpo coberto de pêlo ou penas — quem é que está mobilizado para depô-lo. Acreditam os idealistas que a democracia é uma idéia que está no éter e que toma corpo com o Facebook e o Twitter? Adiante! Não é a minha crença.

Sim, a queda de Kadafi é, em si, uma boa notícia, mas a participação da Jihad Islâmica — comprovada! — no movimento que o derrubou é uma péssima notícia. A queda de Kadafi é, em si, uma boa notícia? Sim, mas o prêmio por sua cabeça, instituído por um governo que ainda nem se consolidou, é uma péssima notícia. Trata-se do prenúncio de um método. Se é democracia o que se quer por lá, o tirano tem de ser entregue ao Tribunal Penal Internacional. Eu não lido com a morte, mas com a vida. Questão de princípio — e, se quiserem, de fé também. Não tenho vergonha da minha fé. Eu me orgulho dela.

Otan, ONU, Obama e outros
É puro obscurantismo das supostas luzes ignorar que Barack Obama, David Cameron e a Otan jogaram no lixo a resolução da ONU, mesmo aquela, redigida numa linguagem  cheia de intenções subterrâneas, o que, em si, já é uma lástima. Nenhum deles tinha mandato para entrar na guerra civil e atuar em favor de um dos lados do conflito. E eles o fizeram. Nenhum deles tinha mandato para fornecer armas aos rebeldes. E eles forneceram. Nenhum deles tinha mandato para tentar matar Kadafi. E eles tentaram. Eu estou com pena daquele vagabundo? Não! Eu estou com pena das instituições! O tirano apanhava aqui quando se abraçava a Lula, sob o silêncio cúmplice de alguns entusiastas de agora da “democracia na Líbia”.

Eu quero que gente como Kadafi vá para o diabo que a carregue porque quero um mundo organizado segundo regras, não segundo o triunfo da vontade de quem pode mais — numa vila ou no Planeta. Não reconheço aos senhores Barack Obama ou David Cameron o direito de violar uma resolução da ONU porque o objetivo da ação da Líbia era combater um notório violador de qualquer princípio civilizado. Ou não era isso? Este escriba reconhecer ou não o direito da dupla é irrelevante na ordem das coisas, sei bem. Não se trata de uma decisão com desdobramento prático. É só uma questão de princípio.

E também deploro a má consciência desses iluministas de meia-tigela. Quando Bush invadiu o Iraque, teve início uma grita que não cessou até hoje. Atribuem-se as atuais dificuldades dos EUA ainda àquela guerra, o que é, para dizer pouco, uma afirmação estúpida. “Bush invadiu o Iraque ao arrepio da ONU”. A ONU não tinha votado resolução nenhuma — e, ao menos, o “odiado” presidente não pode ser acusado de ter violado um mandato conferido pela organização. Obama violou. O republicano foi à guerra com autorização do Congresso; Obama se dispensou de pedi-la.

Alguém duvida que um republicano qualquer, se estivesse no lugar de Obama, estaria apanhando como um cão sarnento? E que se note: do jornalismo, nem cobrei a crítica a Obama ou a especulação sobre os riscos de os EUA entrarem numa guerra civil ao lado da Jihad Islâmica. Cobrei apenas a informação, para o arbítrio dos leitores, de que a Otan, sob o patrocínio de Obama e Cameron, DESRESPEITOU A RESOLUÇÃO DA ONU.

Isso é tão certo quanto dois e dois são quatro. E nem por isso Kadafi deixa de ser um tirano asqueroso, que merece terminar seus dias na cadeia. Eu acho que o fim do ditador pode conviver com a verdade.

PS - Uns bobocas estão dizendo que a minha opinião se parece com a de Chávez. É coisa de gente estúpida, que ignora o que pensa o bandoleiro e o que penso. Mas atenção! Ainda que houvesse uma coincidência nesse particular (não há), eu não mudaria de opinião por isso. Chávez não está entre as minhas referências. Eu jamais levo em consideração o que ele pensa ou deixa de pensar. Quem primeiro avalia a opção de seus inimigos ou adversários para depois fazer a sua escolha se torna refém daqueles a quem repudia. Eu faço este blog porque sou livre e porque tenho leitores igualmente livres. E até envio um último recado: recomendo aos que  têm a ambição de me combater que parem com a tolice de sempre tentar dizer o contrário do que digo. Libertem-se de mim! Passem a ter vida própria.

Por Reinaldo Azevedo

A doença da educação brasileira é ideológica. E seu nome é “petismo”

No post das 16h13, há um retrato do ensino no Brasil, revelado pela Prova ABC. É uma vergonha! Digam o que disserem, acreditem: não chegamos a isso por falta de verba. Dada a realidade do país, o Brasil gasta bastante com a educação. Não dispomos é de mecanismos eficazes para avaliar a qualidade do trabalho feito nas escolas e intervir para corrigir as deficiências.

Sempre que o debate é colocado, tudo termina na ladainha sindical de sempre: se os professores fossem mais bem pagos, tudo seria diferente. Essa é uma das falácias mais influentes no setor. Seria estúpido afirmar que salários maiores fariam mal aos alunos — e, com efeito, há realidades dramáticas em certas áreas do país. A verdade insofismável, no entanto, é que o aumento da remuneração poderia fazer bem aos professores sem mudar uma vírgula na qualidade de ensino.

Há um coquetel de problemas que resulta nesse desastre. Embora tenham naturezas distintas, têm algo em comum: desprezam o aluno, que deixou de ser o centro da preocupação das escolas — em especial, dos educadores. Vamos ver. Os estados e municípios, pouco importa o salário que paguem, não dispõem de mecanismos para promover os competentes e punir os incompetentes.

O estado de São Paulo, na gestão Serra, instituiu um sistema de promoção salarial por mérito. A escola melhorou, provaram os exames. Os petista-cutistas da Apeoesp foram às ruas protestar. Chegaram a queimar livros didáticos em praça pública, os fascistas! Neste momento, a Apeoesp tenta negociar com a Secretaria da Educação o fim do modelo. Os valentes não querem saber de mérito. Eles gostam é do demérito que iguala todos por baixo. Os alunos que se danem! No Brasil inteiro, a educação é refém da militância política, especialmente a petista — quando não está entregue a radicais à esquerda do PT.

Embora as escolas privadas não sejam lá grande coisa, já demonstraram alguns outros indicadores, a Prova ABC evidencia que o desempenho dos estudantes dessas instituições é muito superior ao das escolas públicas. A razão é simples: a cobrança é maior.

O ensino — também em boa parte das escolas privadas, note-se — está corroído por uma doença ideológica. Boa parte dos “educadores” acredita que sua função não é ensinar português, matemática e ciências, mas princípios de cidadania, com o objetivo de formar “indivíduos conscientes”. Alunos seriam pessoas “oprimidas”, que precisam passar por um processo de “libertação”. O mal que a paulo-freirização fez à escola levará gerações para ser superado. Todos os mitos ideológicos que Paulo Freire criou com seu método de alfabetização de adultos foram transferidos para a educação de crianças e jovens. O resultado é devastador. Escrevo sobre esse assunto há anos. Era um dos temas recorrentes da revista e site Primeira Leitura.

À pedagogia “libertadora” de Paulo Freire se juntou, mais recentemente, a turma da “pedagogia do amor”, de que Gabriel Chalita é um dos formuladores. Em vez de educar, o professor liberta; em vez de educar, o professor ama. Se toda essa conversa mole der errado, há o risco até de a escola ensinar alguma coisa. O fato é que o cruzamento de Freire com Chalita resulta em ignorância propositiva e amorosa.

Enquanto objetivos claros não forem estabelecidos e enquanto as várias esferas do estado não dispuserem de instrumentos de intervenção para exigir qualidade, podem esquecer. A reação bucéfala às medidas modernizadoras implementadas pelo governo Serra, em São Paulo, demonstra que a raiz do problema é, sim, ideológica. O sindicato dos professores foi usado como mero instrumento da luta política. De dia, a presidente da entidade, a notória Bebel, fazia passeata; à noite, encontrava-se com Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, e era tratada como heroína.

E uma última questão por ora: deixem um pouco o sociologismo fora disso. Essa conversa de que é impossível ensinar alunos com fome, vindos de lares desestruturados etc. não cola mais. A fome é exceção no Brasil. A imensa maioria das famílias pobres é mais organizada e hierarquizada do que as de classe média e média-alta — o tal “povo” é bastante conservador nessas coisas. Desorganizado e desestruturado, no que concerne à educação, é o estado brasileiro.

Por Reinaldo Azevedo

Kadafi é responsável pela barbárie de suas tropas; Obama, Cameron, a Otan e Ban Ki-moon são responsáveis pelos crimes dos “rebeldes”

Conforme eu queria demonstrar!

Alguns cretinos resolveram me patrulhar e babar sua ignorância porque, oh, vejam só!, não sou o Arnaldo Jabor da pena, encantado com a “Primavera Líbia”. Não devo satisfações a aiatolá nenhum! Penso o que penso. Não pertenço a grupelhos, a correntes, a tendências nem estou em guerra com o Partido Republicano, dos EUA, e, por isso, considero que as violações legais promovidas por Obama são um poema. Peço que vocês leiam o que vai abaixo, publicado na Agência Estado, com base em relato da Associated Press.

Atenção! Muammar Kadafi é o responsável último pelas violências e violações aos direitos humanos praticados por suas tropas. De maneira análoga, Barack Obama, David Cameron e a Otan respondem pelos crimes praticados pelos rebeldes. E não só eles. O silêncio de Ban Ki-moon é típico dos patetas acovardados.

*
Forças pró-Kadafi violentaram crianças ao mesmo tempo em que rebeldes líbios abusaram de menores de idade e estão mantendo imigrantes na prisão, denunciou na noite desta quinta-feira o grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

A Anistia Internacional, com sede em Londres, informou hoje ter compilado depoimentos de prisioneiros e sobreviventes do conflito em Trípoli, onde forças rebeldes lutam com os remanescentes das forças leais ao coronel Muamar Kadafi pelo controle da capital líbia.

Segundo a Anistia, sua delegação encontrou evidências de casos de violência sexual cometidos contra prisioneiros mantidos na penitenciária de Abu Salim, controle pelas forças de Kadafi. Dois garotos disseram a companheiros de cela que haviam sido violentados várias vezes por um mesmo guarda.

Já entre os rebeldes, apesar das promessas do Conselho Nacional de Transição (CNT) de que suas forças não cometeriam os mesmos abusos do regime de Kadafi, observadores encontraram uma cela com 125 pessoas amontoadas de forma que não havia espaço para que se movimentassem.

Vários desses detentos mantidos pela oposição a Kadafi afirmaram ser imigrantes, e não combatentes. Esses prisioneiros, a maior parte oriunda de outros países africanos, disseram que foram presos pelos rebeldes pelo simples fato de serem negros.

Nenhum dos lados em conflito se pronunciou até o momento sobre as denúncias da Anistia Internacional. As informações são da Associated Press.

Encerro
Eis aí. Assim prospera o humanismo na Líbia.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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