Quem é que vai, a não ser os suspeitos de sempre, se mobilizar por Dirceu?

Publicado em 05/09/2011 19:59 652 exibições
do blog de Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

A farsa da farsa não prospera. Também… Quem é que vai, a não ser os suspeitos de sempre, se mobilizar por Dirceu?

Desta vez, a coisa ficou no vácuo, rodou no vazio, não prosperou nem como farsa. A tese da “conspiração da mídia”, que chegou a seduzir alguns imbecis em 2005, não mobilizou ninguém, a não ser a rede a soldo da Internet.

Pouca gente acreditava nessa tolice há seis anos, é evidente. É que se tratava, afinal de contas, de defender o Luiz Inácio Apedeuta da Silva, e aí se considerava que mesmo a mentira tinha um caráter, assim, ético…

Agora, muita gente, mesmo lá no lado escuro da força, deve ter se perguntado e concluído: “Esperem aí: vamos ter de entrar nessa de novo por José Dirceu??? Ah, não vale a pena!!!” Pô, notem bem: os lucros do consultor são privados, e o desgaste da tese bucéfala, socializados entre os companheiros…

E o que deveria ter a gravidade de uma cruzada política está entrando para o anedotário.

Por Reinaldo Azevedo
Contra a censura: “Se os petistas não querem ser fiscalizados, eles que falem isso abertamente à sociedade”

Por Andréia Sadi, do Portal G1:
nesta segunda-feira (5) o projeto de marco regulatório da mídia, defendido em resolução política do PT, aprovada neste domingo. Para o tucano, o PT “se esconde atrás do marco, mas na verdade o projeto é censura”.

“Se eles não querem ser fiscalizados, eles que falem claramente para a sociedade, não se escondam atrás do marco. Na verdade, isso é censura”, afirmou.

Neste domingo, o PT aprovou uma “campanha forte” para aprovar as regulamentação dos meios de comunicação. O marco regulatório é um projeto elaborado no governo Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ex-ministro Franklin Martins, mas que está sendo revisado pelo atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. “O PSDB não tem qualquer sintonia com esse projeto”, disse Nogueira.

O presidente do PT, deputado Rui Falcão, afirmou que a proposta de regulamentação da mídia tem por objetivo assegurar a liberdade de imprensa e o direito à opinião e não implica censura de conteúdo.

Voto aberto
Após reunião, o líder anunciou que a bancada do PSDB decidiu apoiar proposta e abolir o voto secreto durante votações na Câmara, só mantendo o sigilo para eleições de componentes da Mesa da Casa.

Na semana passada, o líder do PSDB afirmou que não estava “convencido” de que o voto aberto para processos de cassação, por exemplo, seria a melhor solução.

Nesta segunda, ele afirmou que a posição foi tomada pela bancada e, portanto, será defendida.
“Quando você faz uma reunião de bancada, você ouve todo mundo. A conversa caminhou naturalmente por essa posição. A gente refletiu que o PSDB quer se identificar cada vez mais com a sociedade e quer liderar esta campanha junto com ela”, disse.

Segundo ele, a posição será defendida quando for retomada a votação, em segundo turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC ) que discute o tema na Câmara. A proposta já foi votada em primeiro turno, em 2006, mas aguarda segundo turno para seguir para o Senado.

Por Reinaldo Azevedo
Pois é… E o PT não consegue emplacar o seu “controle da mídia” nem entre os aliados…

Tá feia a coisa. Por mais que os petistas se esforcem, a tese não emplaca. Um aliado importante do governo deu um chega pra lá nessa conversa afirmando o óbvio: quem não gosta de um veículo deve escolher outro. E ponto! Ah, mas isso tem cheiro de democracia…

Campos: posição do PSB sobre controle da mídia não é a do PT

Por Luciana Nunes Leal, da Agência Estado:
Questionado sobre a retomada da discussão sobre regulação da mídia, proposta no Congresso do PT, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, disse que, nesta questão, “a posição do PSB não é a posição que o PT tomou”. “Entendemos que a construção de democracia no Brasil foi feita a muito custo e um dos valores importantes da democracia é a imprensa livre”, disse.

“O grande controle da mídia vai ser feito pela cidadania. Se vejo uma mídia defender uma causa em que não acredito, simplesmente não consumo aquela mídia, falo mal dela e passo para outra. O grande controle que podemos fazer é dar consciência à sociedade, melhorar a educação e a inclusão para que o cidadão faça este controle, não consumindo a mídia que trabalha com valores que não são de interesse do País”, acrescentou o governador.

Campos evitou comentar a decisão do PT de estimular retomar a proposta de regulação, iniciada no governo Lula. “É muito ruim fazer avaliação do congresso de um partido parceiro. Eles acharam que era hora de fazer o debate. No nosso congresso, que acontecerá em dezembro, esta questão não está em pauta. Estamos preocupados com a economia, com a pauta da exportação da indústria brasileira, com geração de inovação tecnológica, educação, saúde pública”, disse Campos.

Por Reinaldo Azevedo
AFAMA DE DIRCEU ATRAVESSA O OCEANO; REPORTAGEM SOBRE MINISTRO PORTUGUÊS DEDICA UM BOM ESPAÇO AO ROUBA-HÓSTIA

A mais recente edição da revista portuguesa VISÃO traz uma longa reportagem — 12 páginas — sobre as ligações, nem sempre muito claras, entre Miguel Relvas e empresários e políticos brasileiros. Relvas é ministro de Assuntos Parlamentares de Portugal e pertence ao PSD, um partido de centro-direita, que venceu recentemente as eleições. Embora o PT, segundo a sua resolução, esteja empenhado em derrotar o “neoliberalismo”, um dos grandes amigos de Relvas no Brasil é o “esquerdista”… José Dirceu! Muito bem! A crítica do “companheiro” à mídia não é gratuita. Aliás, “gratuidade” é uma palavra que o Zé não conhece. O homem está sempre “trabalhando”.

O objeto da longa reportagem da revista “Visão” é Relvas, com seus múltiplos tentáculos. Um deles é o grupo de comunicação português Ongoing, que já chegou ao Brasil. E adivinhem pelas mãos de quem… Acertou quem disse “Dirceu”.

O busílis é o seguinte: a Ongoing tem um jornal no Brasil chamado Brasil Econômico, de que a namorada de Dirceu é administradora e onde ele é colunista. Oficialmente, os portugueses são donos de apenas 29,9% do empreendimento. Os outros 70,1% pertenceriam a Maria Alexandra Vasconcellos, brasileira que é casada com o português Nuno Vasconcellos, presidente do… grupo Ongoing!!! Entenderam? A Constituição proíbe que estrangeiros controlem empresas de comunicação no país. E o PT, vejam vocês, escreveu em sua resolução que quer regulamentar a mídia para fazer cumprir a… Constituição!!! Uns verdadeiros patriotas!  O Ministério Público está investigando o caso. Esclarecido isso, leiam trechos da reportagem da revista Visão. O fama do rouba-hóstia já atravessou o “mar oceano”, como diriam os poetas portugueses de antigamente.

*

(…)
Dirceu está inelegível até 2015 e é o principal visado no caso que começará a ser julgado este ano e conta 36 acusados [mensalção]. Prova de que ainda mexe - e muito -, Dirceu foi capa da revista VEJA esta semana. A revista chama-lhe “O Poderoso Chefão”, título brasileiro para a saga de “Dom Corleone, O Padrinho” e uma forma de ilustrar a sua teia de influências no governo e nas empresas. Dirceu, agora consultor de multinacionais, conhece bem Portugal. E Miguel Relvas. O ministro português recorda tê-lo conhecido “por intermédio de amigos comuns”, sem relações empresariais pelo meio. “Encontrei-o ocasionalmente”, diz.

A revista lembra de uma viagem que Dirceu fez a Portugal em 2007. No aeroporto de Lisboa, um brasileiro o saudou. “Tem ladrão na fila”. Segue mais um trecho da reportagem.

À espera de Dirceu [em Portugal] estava João Serra, dono da construtora Abrantina e sócio do escritório de advogados Lima, Serra, Fernandes e Associados. Da sociedade fazem parte Fernando Fernandes, ex-administrador da SLN (BPN) e atual grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), organização maçônica a que estará ligado Relvas. Outro sócio que acompanhou Dirceu na estada na capital portuguesa foi Antônio Lamego, ex-advogado de José Braga Gonçalves no caso Moderna. Segundo Dirceu, Lamego era amigo do general João de Matos, ex-chefe do Estado-Maior do Exército angolano. Na época, os três combinaram encontrar-se na Costa do Sauípe, no Brasil, para tratar de negócios.

Nesses dias lisboetas, Dirceu ficou hospedado no Pestana Palace. Andou de Jaguar preto, jantou no Vela Latina, bebeu Pera Manca e disse querer investir em Angola. “Meu interesse é infraestrutura: rodovias, telefones, telecomunicações.” O consultor do milionário mexicano Carlos Slim e do magnata russo Berezevosky, falou também da sua atividade: promover negócios de portugueses no Brasil e de brasileiros em Angola. No dia da partida de Lisboa, Dirceu adormeceu e teve de correr para o aeroporto: “Lamentava ter comido muito e bebido duas garrafas de vinho na noite anterior em companhia do deputado Miguel Relvas, seu amigo há décadas” (…).

No Brasil, apontam a Dirceu ligações à Ongoing. Um dos links é Evanise Santos, a namorada. Também referida no “mensalão”, é diretora de marketing do Brasil Econômico, jornal do grupo e da Ejesa, empresa da mulher do líder da Ongoing. Amiga da presidente Dilma, Evanise foi coordenadora de relações públicas no Palácio do Planalto no tempo de Lula. Dirceu escreve no jornal. A investida da Ongoing no Brasil foi atribuída às influências de Dirceu, mas o grupo desmente. Reinaldo Azevedo, da Veja, não cai. “No meio político, o ‘Brasil Econômico’ é chamado “aquele jornal do Dirceu”, escreveu.

O ex-ministro é visto como um símbolo do pior que o País tem. (…)”Nada mudou depois do mensalão. A promiscuidade do Governo com seus aliados persiste”, afirma Álvaro Dias, líder do PSDB no Senado. Para Fernão Lara Mesquita, jornalista e atual administrador do jornal O Estado de S. Paulo, mistério é coisa que não existe: “Se viesse um dia a cair no Brasil, Sherlock Holmes ficaria desempregado. Não há nada para descobrir. É tudo ’sexo explícito’”, refere. Segundo ele, Dirceu “é o especialista nos trabalhos sujos. Tudo o que é realmente grande na roubalheira geral está a cargo dele”. Fernão Mesquita inclui na polêmica o caso Ongoing, grupo que considera o “cavalo de troia” da estratégia para o domínio multimédia no universo lusófono.

Num momento em que “o Brasil é o maior exemplo histórico de execução de um projeto de tomada de poder pelo controle dos meios de difusão da cultura ‘burguesa’”, a Ongoing “e os banqueiros por trás dela vieram a calhar”, aponta. A Ongoing, acionista da PT [Portugal Telecom]~, da Impresa e da Zon, é liderada, no Brasil, por Agostinho Branquinho, que não quis falar à VISÃO, invocando o seu “período de jejum” da política portuguesa. É amigo e companheiro de partido de Relvas.

O ministro tem em mãos a privatização da RTP e saberá do interesse da Cofina e da Ongoing no canal. No Brasil, o grupo viu arquivada uma queixa por alegada violação da lei relativamente às origens estrangeiras do seu capital. “A verdade prevalece, apesar das campanhas de alguma concorrência”, diz um porta-voz da empresa. Fernão Mesquita não ficou convencido. “Nunca superamos, vocês e nós, o sistema feudal. Seguimos vivendo sob um rei e seus barões. Não há poderes independentes.”

(…)

Por Reinaldo Azevedo
Sérgio Cabral deveria ser animador de micareta; além de rimar, seria uma solução

Sempre que o governo sentir falta de um tocador de tuba, pode chamar Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio, que ele logo se apresenta para ser uma espécie de animador de auditório. Sua figura remete àqueles chatos de resorts encarregados de fazer a turma da piscina dançar lambada na água. Cabral deveria ir animar micareta Brasil afora. Além de rimar, seria uma solução: “Tira o pé do chão, moçaaada…” A última dele agora é se fazer porta-voz da CPMF. Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida.

Para Cabral, extinção da CPMF foi ‘covardia’

Por Renata Veríssimo, da Agência Estado:
O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, disse ser favorável à volta da Contribuição sobre Movimentação Financeira (CPMF) para financiar a Saúde. Cabral, que esteve reunido com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu um financiamento próprio para o setor de Saúde, assim como existe para a Educação. “Foi uma covardia a extinção da CPMF. Fez muito mal, não ao governo do (ex) presidente Lula, mas ao povo brasileiro”, afirmou Cabral. Ele disse que assinará a carta que está sendo preparada por alguns governadores em apoio ao retorno da CPMF. “Claro que assino. Acho fundamental esse financiamento à saúde”, afirmou.

O governador argumentou que não é possível financiar a Saúde somente com os atuais recursos arrecadados pelo governo. “O Brasil está expandindo cada vez mais os seus investimentos e é o motivo da alavancagem do crescimento econômico brasileiro”, disse. Segundo ele, investimentos como do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do programa Minha Casa Minha Vida têm exigido mais recursos públicos. “O governo brasileiro tem o papel junto com os governos estaduais e municipais de alavancadores da economia brasileira”, afirmou.

Ele disse também que não se pode sacrificar a meta de superávit primário para aumentar os gastos da Saúde. “O governo brasileiro tem tido a preocupação com a macropolítica-econômica para garantir estabilidade inflacionária e garantir o crescimento. Quando se fala em superávit primário, não é um palavrão, é um sinônimo de responsabilidade fiscal”, afirmou Cabral.

Voltei
Vocês repararam que este senhor só desaparece quando acontece alguma tragédia no Rio, que lhe diz respeito? Centenas morrem soterrados, não se ouve falar de Cabral. Aliás, o cenário nas cidades serranas ainda é de catástrofe, mas o buliçoso governador parece não ter nada a ver com o assunto.

A tragédia com um helicóptero, que matou sete pessoas, caiu no quintal moral do governador. Ele ficou deprimido, coitado!, e tomou chá de sumiço. O mesmo se viu agora com o bondinho de Santa Tereza. Ao falar sobre o caso no quinto dia da tragédia, comportou-se como ombudsman do governo: criticou a situação lastimável do serviço, como se não tivesse nada a ver com aquilo e não estivesse no quinto ano de gestão.

Em busca de uma agenda fora dos seus afazeres, resolveu abraçar a causa da CPMF, com aquele discurso condoreiro, guerreiro, brigador. Ainda que o fim do imposto tivesse sido um crime, teria sido cometido com a ajuda do seu partido. A oposição, sozinha, não tinha votos para derrubá-lo. Fica parecendo que o desastre em curso na saúde começou depois do fim do imposto.

Por Reinaldo Azevedo
Kassab minimiza baixa avaliação na pesquisa Datafolha

Por Vera Magalhães, na Folha:

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, procurou minimizar nesta tarde a pesquisa Datafolha em que obteve uma aprovação de apenas 24%, a menor taxa em quatro anos.

“Existe muita confiança no sentido de entender que as transformações acontecem na cidade de São Paulo e ela está melhor em todos os campos. Isso nos enche de confiança para continuar o trabalho, na certeza de que, ao final, a gestão será muito bem avaliada”, disse Kassab, após participar de seminário sobre regiões metropolitanas promovido pela senadora e pré-candidata à sua sucessão Marta Suplicy (PT).

Kassab afirmou que a leitura da pesquisa permite achar “números bastante positivos”, desde que somadas as avaliações de ótimo e bom (24%) e de regular (41%).

Ele disse que a análise de que esta é a sua pior avaliação desde 2007 é relativa. “Você pode chegar à conclusão de que é a pior analisando só item específico, mas você pode concluir que melhorou analisando outros. A análise tem de ser um pouco mais ampla.”

Da mesma forma, ele procurou relativizar os dados eleitorais da pesquisa. Sobre o fato de ser o “padrinho” com menor potencial de influenciar o voto do eleitor –apenas 15% dizem que votariam com certeza num candidato indicado por ele–, Kassab afirmou que ainda é cedo para auferir preferência eleitoral.

“É uma questão muito específica, e não pode ser tratada de maneira superficial. É uma abordagem no momento em que as pessoas não estão focadas na eleição. Elas não vão refletir senão com a sua intuição”, afirmou.

Ele evitou avaliar o potencial de cada um dos pré-candidatos revelado pela pesquisa Datafolha. “Não existe por parte das pessoas uma preocupação em analisar as candidaturas com maior profundidade.”

Por Reinaldo Azevedo
O Zé na TV e a versão que nem o PT aceitou endossar. Ou: O Brasil não é a sacristia da infância do ladrão de hóstia

A Folha Online está divulgando esta maravilha: um trecho de “É Notícia”, da Rede TV!, que foi ao ar nesta madrugada. José Dirceu, estimulado por seu parceiro de programa, comenta a reportagem da VEJA. Como a gente já sabe, nem o PT aceitou pôr as digitais na sua versão, não é mesmo? Se tivesse, teria aprovado o tal desagravo. Mas a Rede TV! não precisa tomar os mesmos cuidados. Vejam o filme, e vamos falar um tantinho sobre manipulação da informação, honestidade jornalística e crime, temas que o Zé quer debater. Vejam. Volto depois (se necessário, tomem o compromido para enjôo antes de continuar).

Voltei
Ai, ai… Do modo como o parceiro de programa de José Dirceu caracteriza a capa da revista, fica parecendo que VEJA recorreu ao photoshop para maquiar Dirceu. Não! Aquele é ele mesmo, ué. Se ele se veste — e, sobretudo, se comporta — como membro de uma organização secreta, que obedece a uma hierarquia que não é aquela garantida pela ordem legal, nada mais justo e jornalisticamente objetivo do que exibi-lo como tal. Notem que fica parecendo, pelo papo, que é a revista quem deve explicações; fica parecendo que a notícia é a fantasia inventada por Dirceu. Não, isso não é notícia! De resto, ele terá de provar as acusações no foro adequado.

Mas esse não é aspecto principal. Prestem atenção a esta levantada de bola na rede, para que o ex-ladrão de hóstia dê uma cortada.
Parceiro de programa de Dirceu - 
Ministro (?), o senhor é uma pessoa muito importante no PT, ocupou uma função muito estratégica (sic) no governo, aí o senhor também atua como consultor. Uma empresa que o procura,ela não está procurando na expectativa de que o senhor abra uma porta, faça um lobby… Aí as coisas não se misturam aí, ministro, o público e o privado?

Nossa! Não sei como Dirceu não ficou ofendido com uma questão tão dura!!! É claro que era só o gancho para ele dizer que faz o que todos fazem, que o país e o próprio Congresso estão cheios de consultores, que não há novidade nisso tudo etc.

MAS QUEM DISSE QUE AÍ ESTÁ O BUSÍLIS? Estão tentando enganar a quem?

Não que Dirceu não receba, como lobista que é, uma penca de empresários. Recebe, sim!  VEJA sabe muito bem disso! Não que ele não seja, dado o cargo que ocupa, um facilitador de interesses privados, atuando segundo as características consagradas do lobby… Tudo isso também é verdade. MAS A REPORTAGEM DE VEJA É OUTRA COISA.

Os bacanas que aparecem na revista são homens públicos! Há lá, entre outros, um ministro de Estado — Fernando Pimentel — e um presidente de uma estatal: José Sérgio Gabrielli, da Petrobras. Sim, Dirceu atua como lobista de empresas do setor de gás e petróleo. Se tem algo de importante a tratar com a Petrobras, por que é ele a conceder uma audiência a Gabrielli, não o contrário? Por que é ele a receber Pimentel, não o contrário? Quem é a autoridade, afinal de contas? De resto, naqueles dias, como é sabido, o Zé tratava da queda do ministro Antonio Palocci.

O que a resposta acima significa? Que ele, com efeito, estava cuidando de seus interesses privados, de consultor, com figuras do primeiro escalão da República? Que, embora esteja atuando como lobista, atua também como chefe de pessoas que são subordinadas da presidente da República? É a confissão da conspiração.

O chato para o Zé e para os que lhe dão trela é que nem o PT caiu oficialmente na cascata. Limitou-se ao aspecto mais, digamos, circense do apoio, mas se negou a deixá-lo registrado em papel. Mais ainda: figurões do partido sugeriram ao companheiro que saia um pouco da ribalta, que fique na moita.

E só pra encerrar. Segundo o colunista Ancelmo Gois, de O Globo, o próprio Zé confidenciou a amigos que, se as imagens dos corredores do hotel tivessem sido feitas em outra semana, gente ainda mais graúda teria sido flagrada por ali, como Gilberto Carvalho, por exemplo. Isso explica o fato de o espião de Lula ter sido um dos mais entusiasmados defensores de Dirceu.

Não, Zé! O Brasil não é a sua sacristia particular, em que basta chegar e ir metendo a mão na hóstia! No país, o padre pode até ser um tanto distraído também, mas os fiéis ao estado de direito e à democracia o pegaram em flagrante e lhe disseram: “Não, você não pode!”

PS - Insisto num aspecto: VEJA estava no lugar certo — onde estava a notícia. O Zé e seus convivas é que estavam no lugar errado.

Por Reinaldo Azevedo

Os fascistas saem da toca!

É sob pressão que pessoas, partidos e até instituições revelam a sua real natureza. Os cemitérios tendem a ser iguais nas ditaduras e nas democracias. A grande diferença se dá mesmo no mundo dos vivos. O 4º Congresso do PT, que começou ontem e termina hoje, está prestando um grande serviço ao país e à política. Os petistas revelam que não aprenderam nada nem esqueceram nada depois de nove anos de poder. Continuam os autoritários de sempre, decididos a substituir a sociedade pelo partido, conforme seu projeto original. Quem presta um pouco de atenção à história das idéias não está surpreso.

O petismo é um descendente do bolchevismo no que concerne à organização da sociedade, entendendo que a nação deva ser conduzida por um ente que decide em lugar dos cidadãos, porém adaptado — e como! — aos tempos modernos.  Para o modelo, que ainda está em construção, pouco importa se os petistas estão ou não oficialmente no poder: eles sempre estarão por intermédio dos fundos de pensão, dos sindicatos, do aparelhamento das estatais. O petismo é um fascismo de esquerda.

No que concerne à ordem econômica, tudo vai muito bem para os companheiros, até porque têm como seu principal aliado o capital financeiro, que não quer saber a cor dos gatos desde que eles cacem ratos. O curioso embate que se dá no Brasil é entre a esquerda financeira, financista e rentista, com a qual os petistas compuseram, e a direita assalariada, que trabalha. Chamo de “direita” aqui, para deixar claro, as pessoas que ainda se ocupam de alguns dos velhos (!) e bons fundamentos das sociedades liberais: liberdade individual, igualdade perante a lei, incentivo ao empreendedorismo, estado enxuto, tudo o que parece hoje fora de moda. Os petistas não querem mexer no “sistema”. Ao contrário: pretendem reforçá-lo por meio, por exemplo, de uma reforma política estúpida, que extrema todos os males do modelo vigente.

Só uma coisa incomoda o PT: o regime de liberdades públicas que se respira no país. Isso eles não podem suportar. Então um partido ganha uma eleição — ou três… ou dez —, e ainda há gente na imprensa que se atreve a criticá-lo, que não concorda com suas ilegalidades, que resiste às suas tentações e práticas totalitárias, que não se submete a seus desejos e vontades? “Mas a gente não conquistou nas urnas o direito de fazer o que bem entende?”, eles se perguntam espantados. E a resposta, evidentemente, é “Não!” Eles conquistaram nas urnas A OBRIGAÇÃO de seguir as regras do estado de direito, de se submeter à lei, de nos servir por intermédio de um mandato, que pode ser revogado numa nova eleição ou mesmo num processo de impedimento.

Com a reportagem que revelou as lambanças de José Dirceu em Brasília, VEJA denunciou mais do que as lambanças do “consultor de empresas privadas” — poderoso chefão de um “governo paralelo” e  sua mímica asquerosa de chefe de máfia —; a revista denunciou um método. E os petistas estão infelizes. Em outros tempos, eles mandariam empastelar a publicação, fariam quebra-quebra, perseguiriam os profissionais, exigiriam a demissão desse ou daquele, lotariam os porões do regime com essa gente recalcitrante… Hoje eles se civilizaram; pretendem perseguir seus desafetos por meio de instrumentos legais.

O texto do PT que volta a pregar o controle da “mídia” expõe como nunca a natureza do jogo. Eles até se mostravam dispostos a condescender com a democracia desde que nós não fizéssemos uso efetivo dela. Era como se dissessem: “Nós garantimos a sua liberdade, mas a condição é que não nos incomodem”. Tanto é assim que, não faz tempo, a Executiva Nacional do partido aprovou um documento em que abandonava essa estupidez. Mudou radicalmente de idéia. VEJA decidiu demonstrar que liberdade de imprensa não é uma licença que se pede no cartório partidário, mas um direito garantido pela Constituição, um fundamento das sociedades livres. Nos limites da lei, não pede licença nem pede desculpas.

Aí não dá! Figurões do partido como Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, defenderam ontem a “regulamentação da mídia”. Não custa notar que, durante a campanha — e mesmo depois de eleita —, Dilma Rousseff repudiou qualquer forma de controle. Ministros exercem cargos de confiança e falam pela presidente. Chegou a hora de enquadrá-los ou de confessar um estelionato.

Os fascistas de esquerda descobriram o gosto pelo capitalismo, mas não viram graça nenhuma na liberdade, que será sempre a liberdade de quem discorda de nós. Mas vão perder.

É crescente o número das pessoas que lhes dizem: “Não, vocês não podem. Não podem porque estamos aqui”.

Por Reinaldo Azevedo

Pesquisa Datafolha em SP: não é nada, não é nada, não é nada mesmo…

Leitores querem saber por que não dei bola para a Pesquisa Datafolha para a Prefeitura de São Paulo. Porque, a essa altura, ela não diz quase nada — e até sugere distorções se levarmos a história em conta. E porque o instituto decidiu quem pode e quem não pode ser candidato. No cenário principal, o nome do PSDB é José Serra, e ele não  vai disputar. Se fosse, seria um sinal de que os tucanos já teriam tomado outras decisões, em outras esferas, que ainda não foram tomadas.

Por alguma inexplicável razão, um dos pré-candidatos tucanos, Andrea Matarazzo — que é em quem eu quero votar, por exemplo — não aparece em nenhuma das simulações. E, hoje, ele é mais pré-candidato do que Aloysio Nunes Ferreira.

A “Aliança Pró-Haddad” do lobby esquerdista-light da imprensa tenta superestimar dados  nada surpreendentes. Marta Suplicy lidera a corrida, com 29% a 31% dos votos, mas tem contra si, argumenta-se, uma rejeição de 30%. Serra, candidato apenas na pesquisa Datafolha, aparece com 18% ou 19%, mas empata tecnicamente com a petista na rejeição: 32%. O que há de estranho nos dois casos? Nada! Um terço do eleitorado é petista e pronto! Rejeita tucano. Um terço tende a ser antipetista. E por que tal rejeição aos dois pólos não aparece com outros nomes? Porque eles não são conhecidos o suficiente. Um Haddad, com 2% das intenções de voto, não poderia mesmo ter uma rejeição muito superior à que tem: 12%. Diria até que ela é excessiva.

Num cenário indefinido como esse, em que ninguém vence no primeiro turno, é a simulação de segundo que indica a tendência — hoje ao menos — daquele terço do eleitorado que não quer, em princípio, nem tucano nem petista. Não se fez tal simulação. O que pode haver de relevante no levantamento é a informação de que 40% dos eleitores poderiam votar no candidato de Lula. É… Lula tenta “eleger” candidatos em São Paulo faz tempo, né? Ele próprio perdeu todas as eleições majoritárias que disputou na cidade: para FHC duas vezes, uma para Serra e uma para Alckmin. Na disputa presidencial no ano passado, mesmo o Apedeuta carregando Dilma e Mercadante nas costas, os tucanos venceram de novo.

Prévias no PT
Embora Marta tenha entrado no radar da turminha que quer “novidade” — ou seja, Haddad —, pode-se dizer que a pesquisa, a despeito da rejeição de 30%, é positiva pra ela. Lula vai ter de suar a camisa para bombardear as prévias no partido, tentando impor um candidato que, hoje, tem 2%… “Ah, mas era assim com Dilma na eleição presidencial, e Lula a elegeu”. Pois é. Só que não havia nenhum postulante com 30%. E os petistas sempre devem considerar a possibilidade de o trabalho deste senhor ser exibido pra valer.  Não há como a OBRA REAL de Haddad não contribuir para aumentar a sua rejeição.

Por Reinaldo Azevedo


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Blog Reinaldo Azevedo

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, sobre o assunto em voga, a “classe” do “ C “ . Segundo estudo do Banco Mundial, estima-se que US$ 1 trilhão por ano sejam tragados pelos corruptos, ou 1,6 % do PIB mundial em 2010 ( US$ 63 trilhões ) e como o NOSSO País é sempre movido pelo ufanismo, infelizmente neste quesito, também, somos “melhores” que o outros. Nossa “classe” do “C “ é mais eficiente, deve ser pela “governabilidade”; segundo a FIESP, os desvios giram entre R$ 50,8 a R$ 84,5 bilhões por ano, em torno de 1,4 a 2,3 % do PIB brasileiro de 2010; viu, percentualmente somos “vencedores”. ....” E VAMOS EM FRENTE ! ! ! “ ....

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