A Copa do Mundo e a pior de todas as corrupções: a do estado de direito

Publicado em 11/09/2011 16:23 894 exibições
blogs de Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, em veja.com.br

A Copa do Mundo e a pior de todas as corrupções: a do estado de direito

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, recorreu ao Supremo contra a tal lei que institui o regime diferenciado para as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada. Entenda-se por “regime diferenciado” o relaxamento dos critérios para a aferição de custos. Nos corredores de Brasília já se acusa o procurador de estar retaliando o governo por causa do reajuste do Judiciário. A lei especial é tão escancaradamente inconstitucional que a especulação sobre a disposição subjetiva de Gurgel é expressão de pura má fé. E que se note: ainda que assim fosse, não seria outra a natureza do texto. Vejam em que lama institucional o PT meteu o país.

Estaríamos, então, diante da seguinte escolha: ou o Brasil cumpre a lei, e as obras da Copa não ficariam prontas a tempo, ou, então, as descumpre, e essa seria uma condição necessária para que não se assistisse a um grande vexame: se a Fifa perceber que a coisa caminha para a breca, muda a tempo a sede do torneio. Há países com infra-estrutura adequada para receber o evento, bastando alguns ajustes. O que há de particularmente interessante nisso é que o PT não inova; ao contrário, pode-se dizer que age até com método. No poder, o partido é um notório desrespeitador da lei e das instituições, que passam a ser consideradas empecilhos à boa governança.

É impressionante que o debate esteja posto nestes termos: “Ou se segue a lei ou se faz a Copa”. Infelizmente, essa abordagem começa a ganhar setores da imprensa respeitável. Estudo recente do IPEA demonstra que, dado o ritmo dos trabalhos, estádios, portos, aeroportos e as obras de mobilidade nas cidades-sede não estarão prontos a tempo. Muito bem! E qual é, então, a saída? Ora, mandar a lei e a Constituição às favas e adotar o tal regime especial!!! Fala-se isso abertamente. É como se dissessem: “Só faltava agora a gente não fazer a Copa só por causa da ordem legal!!!”

Da forma como as coisas caminham, a Copa do Mundo de 2014 tem tudo para atingir o estado da arte da roubalheira. Hoje, com algumas poucas obras mal saindo do papel, já se tem um show de desinformação. Reportagem da Folha traz um dado impressionante (em azul):
O Portal da Transparência do governo, montado pela Controladoria-Geral da União, diz que a Copa custará R$ 23,4 bilhões. A Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), que tem acordo de cooperação técnica com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o Ministério do Esporte, trabalha com outros números. Estima em R$ 112 bilhões o custo total do Mundial e em R$ 84,9 bilhões, se considerado o recorte feito pelo Portal da Transparência, com o cálculo incluindo só aeroportos, portos, segurança, arenas e mobilidade urbana
 .

Não foi nenhum grupo inimigo ou interessado em derrotar o petismo que divulgou os dados. Ao contrário: a Abdib, como se informa acima, trabalha em parceria com a CBF e com o Ministério dos Transportes. O que farão os ministros do Supremo? Não tenho a menor idéia. E é ruim não ter. Afinal, a tarefa daqueles 11 (por enquanto, 10) não é tornar viáveis aeroportos, portos, estrada ou metrô. Isso está fora da alçada do Judiciário. A sua tarefa é fazer valer a lei. Seu papel não é julgar segundo o clamor — público ou privado —, mas segundo o que vai na Carta. O maior de todos os vexames seria tomar uma decisão de caráter político.

Só estamos diante deste falso dilema — ou a Copa do Mundo ou a lei — porque o governo Lula foi de uma estúpida incompetência. Passou dois longos anos fazendo proselitismo sobre o evento sem sair do lugar. Nesse particular, esses nove primeiros meses do governo Dilma não inovam. Há quase três anos, pois, os petistas se quedam inertes Quando decidiram agir, descobriram que havia leis no meio do caminho. E agora nos propõe um plebiscito indecoroso: “Copa com esculhambação ou decência sem Copa”. Que gente é essa, Santo Deus!? E cumpre lembrar: a Dilma ministra foi uma das pessoas que impediram a privatização dos aeroportos, por exemplo.

Numa democracia, essa oposição entre ordem legal e pragmatismo ilegalista é uma aberração. Se a moda pega, toda e qualquer urgência serão definidas por legislação de exceção, a exemplo do que fazem as ditaduras. Nestes dias, em que milharas marcham contra a lambança e a impunidade, o PT se mobiliza para a mais grave de todas as corrupções: a do estado de direito. Espero que o Supremo faça essa gente meter o rabo entre as pernas - ou será coadjuvante de uma tramóia bilionária.

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2011

 às 6:35

Custo da Copa corre o risco de explodir

Por Agnaldo Brito, na Folha:
O custo da Copa-14 pode repetir os problemas do Pan-Americano do Rio em 2007, quando o valor final do evento superou em 10 vezes o orçamento original. A menos de três anos para o Mundial, o país ainda não tem as contas fechadas para o torneio. O Portal da Transparência do governo, montado pela Controladoria-Geral da União, diz que a Copa custará R$ 23,4 bilhões. A Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), que tem acordo de cooperação técnica com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o Ministério do Esporte, trabalha com outros números. Estima em R$ 112 bilhões o custo total do Mundial e em R$ 84,9 bilhões, se considerado o recorte feito pelo Portal da Transparência, com o cálculo incluindo só aeroportos, portos, segurança, arenas e mobilidade urbana.

O MPF (Ministério Público Federal) acha que essa situação conduz o país ao risco de uma explosão de custos.  O alerta é do procurador-chefe do Ministério Público Federal do Amazonas, Athayde Ribeiro Costa, atual coordenador do Grupo de Trabalho Copa do Mundo 2014. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2011

 às 6:33

Copa do Mundo - Sobram portais; faltam dados

Na Folha:
O país tem pelo menos quatro portais de informações, três deles públicos, montados para monitorar os projetos e os investimentos para a Copa do Mundo de 2014. O problema tem sido a atualização deles. Segundo Gil Castelo Branco, economista e dirigente da organização não governamental Contas Abertas, não será o número de portais, mas a qualidade das informações publicadas que podem dar transparência aos investimentos do Mundial.  “Alguém já disse que não existe algo que desinfete mais do que o Sol. Então, somente a abertura total das informações da Copa é que será capaz de tornar tudo transparente. Até agora, não há clareza quanto a esses gastos”, afirma Castelo Branco. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2011

 às 6:27

Indústria parou de crescer há 3 anos

Por Fernando Dantas, no Estadão:
A indústria de transformação brasileira parou de crescer há três anos, freada pelo câmbio valorizado, pelo custo Brasil e pelo excesso de oferta mundial. Desde julho de 2008, logo antes do início da crise global, praticamente não houve crescimento da produção de manufaturados nem do nível de emprego no setor. Pelos números do PIB, a expansão da indústria de transformação de julho de 2008 a julho de 2011 foi de apenas 1%, comparada a 7,8% para a construção civil e 10,5% para os serviços.

Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange as seis maiores regiões metropolitanas, o emprego industrial cresceu apenas 2,2% naquele mesmo período. Enquanto isso, o emprego se expandia em 13,7% na construção civil e 11,8% nos serviços. A pressão sobre a indústria fica clara na migração de fábricas de empresas nacionais para o exterior, como na recente decisão da Paquetá Calçados de transferir a unidade exportadora de Sapiranga (RS) para a República Dominicana.

A desaceleração do PIB do segundo trimestre para 0,8% (3,2% em ritmo anualizado) ante os três primeiros meses do ano, na série sem influências sazonais, teve como freio principal a quase paralisia da indústria. O ritmo foi de apenas 0,2% (0,8% anualizado). No setor industrial, porém, o item que de fato segurou o crescimento foi a indústria de transformação, com expansão nula. A transformação corresponde a 62% da indústria, e abarca todas as manufaturas. Não fazem parte da indústria de transformação o segmento extrativo-mineral, a construção civil e eletricidade, água, esgoto e limpeza urbana.

A fraqueza da indústria de transformação também fica clara no fato de que o seu nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) pode cair abaixo da média histórica nos próximos meses, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Todo esse quadro de enfraquecimento industrial pesou na decisão do Banco Central de cortar a taxa básica, a Selic, em 0,5 ponto porcentual, para 12%, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Mas o fato de que a paralisia já dura três anos leva alguns economistas a defender a ideia de que o problema na indústria não é conjuntural, mas sim estrutural. Nessa visão, a indústria está perdendo peso relativo dentro da economia, atingida por uma combinação de fatores que favorece a agricultura, as matérias-primas e o setor de serviços.

“A indústria da transformação hoje está no nível de três anos atrás e a inflação está fortíssima; não dá mais para fazer um diagnóstico da inflação olhando a indústria”, diz Samuel Pessôa, economista da consultoria Tendências. O câmbio valorizado é apontado consensualmente como a principal causa da estagnação na indústria, ao atrair a competição importada e dificultar as exportações. A desvalorização desde junho, de 8,4%, de R$ 1,54 por dólar para R$ 1,68, é um pequeno alento, mas ainda está muito longe de resolver o problema de competitividade da indústria. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2011

 às 6:23

Brasil cai 20 posições em ranking de infraestrutura

Por Renée Pereira, no Estadão:
A qualidade da infraestrutura brasileira piorou em relação ao resto do mundo pelo segundo ano consecutivo. Desta vez, no entanto, o País despencou 20 posições no ranking global de competitividade do Fórum Econômico Mundial, de 84º para 104º lugar. Em 2010, já havia perdido três colocações por causa da lentidão do governo para tirar projetos importantes do papel.

A tendência não é nada animadora. Na avaliação de especialistas, com a paralisia verificada em algumas áreas este ano a situação tende a piorar. É o caso da malha rodoviária. No ranking mundial, elaborado com base na opinião de cerca de 200 empresários nacionais e estrangeiros, a qualidade das estradas brasileiras caiu 13 posições e está entre as 25 piores estruturas dos 142 países analisados.

A preocupação é que, depois dos escândalos de corrupção no Ministério dos Transportes, muitas obras estão paralisadas. Segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), foram suspensos 41 editais, que estão sendo liberados de acordo com a prioridade do ministério.

O órgão destaca, entretanto, que esses processos estavam em diferentes estágios, alguns na fase anterior à abertura das propostas. Apesar disso, afirma que conseguiu executar R$ 1,2 bilhão em agosto. Mas será preciso bem mais energia para melhorar a posição no ranking mundial, avalia o consultor para logística e infraestrutura da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antonio Fayet. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2011

 às 6:21

Entidades acusadas por comissão de inquérito em 2010 continuam a receber verba do governo

Por Alessandra Duarte e Carolina Benevides, no Globo:
Foram três anos de depoimentos e tentativas de quebra de sigilo fiscal e bancário, e um relatório de 1.478 páginas. Hoje, quase um ano depois do relatório final da CPI das ONGs no Senado, que ocorreu de 2007 a 2010, entidades acusadas de irregularidades no texto final, e com inquéritos ou processos ainda em aberto em órgãos como Ministério Público e Tribunal de Contas da União, continuam a realizar contratos com o governo federal, segundo levantamento do GLOBO. Em 2010 e 2011, os contratos somam pelo menos R$ 10 milhões.

Pesquisa do IBGE apontou 338 mil ONGs no país, segundo a Associação Brasileira de ONGs (Abong). Só este ano, somando gastos diretos e transferências, o governo federal já destinou cerca de R$ 3,5 bilhões a entidades sem fins lucrativos, categoria que engloba ONGs, Oscips, fundações e partidos políticos, entre outros.

Levantamento no Portal da Transparência do governo federal mostra casos como o do Instituto Uniemp. Ele aparece no relatório da CPI como acusado de subcontratar outras empresas e institutos para executar serviços para os quais tinha sido contratado, sem licitação, “configurando-se como mera intermediária entre o Estado e prestadores de serviços”, dizia o texto.

Hoje, o Uniemp é alvo de vários inquéritos no MP-SP. O inquérito civil 433/2006, por exemplo, investiga um contrato do Uniemp, sem licitação, pela Secretaria estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, no valor de R$ 2,2 milhões. O Uniemp “subcontratou empresas por preços inferiores, tendo ficado com o restante do dinheiro, cerca de R$ 195 mil”, diz Saad Mazloum, promotor do Patrimônio Público e Social da capital:”A ação está em andamento. Apontamos superfaturamento e que a ONG teve lucro, mesmo sendo sem fim lucrativo. Vejo as ONGs com cautela. Não se verifica se, de fato, não perseguem o lucro ou prestam o serviço”.

“Suponho que seja uma lavanderia”
O Portal da Transparência aponta que o Uniemp recebeu R$ 2,2 milhões em 2011 e R$ 1,2 milhão em 2010 do Ministério da Ciência e Tecnologia, para ações que vão de pesquisa no setor elétrico a projetos em petróleo. Mostrando a diversidade de atuação do instituto, num dos inquéritos do MP-SP ele aparece como prestador de serviços em engenharia mecânica, civil e de alimentos; saúde; educação; e astronomia. O mesmo inquérito informa que a entidade teria só nove empregados.

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2011

 às 6:19

MP denuncia Edir Macedo por lavagem de dinheiro

Por Sérgio Roxo, no Globo:
O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou o bispo Edir Macedo e mais três dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro arrecadado dos fiéis. De acordo com a investigação, o grupo teria utilizado os serviços de uma casa de câmbio de São Paulo para mandar recursos de forma ilegal para os Estados Unidos, entre 1999 e 2005.

Os frequentadores da Universal seriam, segundo a denúncia, vítimas de estelionato. Os denunciados são acusados de só declarar à Receita parte dos recursos arrecadados com doações.

Em 2009, o Ministério Público Estadual de São Paulo chegou a apresentar denúncia contra Macedo e oito dirigentes da Igreja por lavagem de dinheiro, mas o Tribunal de Justiça do estado anulou o processo, em outubro de 2010, porque entendeu que a investigação deveria ser remetida para a Justiça Federal.

A nova denúncia foi apresentada no dia 1 de setembro pelo procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira e utiliza fatos que foram levantados pela investigação do Ministério Público Estadual. Para o procurador, os “pregadores valem-se da fé, do desespero ou da ambição dos fiéis para lhes venderem a ideia de que Deus e Jesus Cristo apenas olham pelos que contribuem financeiramente com a Igreja e que a contrapartida de propriedade espiritual ou econômica que buscam depende exclusivamente da quantidade de bens materiais que entregam”.O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou o bispo Edir Macedo e mais três dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro arrecadado dos fiéis. De acordo com a investigação, o grupo teria utilizado os serviços de uma casa de câmbio de São Paulo para mandar recursos de forma ilegal para os Estados Unidos, entre 1999 e 2005.

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2011

 às 6:17

Dilma dá espaço para Temer no núcleo central do governo

Por Ana Flor, na Folha:
Um Michel Temer mais sorridente do que de costume sentou-se ao lado da presidente Dilma na posse do ministro Mendes Ribeiro (Agricultura), no fim de agosto. Chegou a trocar comentários ao pé do ouvido de Dilma. Na cerimônia, se despedia de um aliado, Wagner Rossi, e empossava outro. Apesar da turbulência no Ministério da Agricultura, galgava mais um passo rumo ao difícil núcleo de decisão do governo Dilma.

De lá para cá, Temer só conquistou pontos com a presidente. Presente nas principais reuniões do Planalto, conseguiu ser ouvido por uma chefe com fama de ser refratária às contrariedades.  Segundo assessores da presidente, coube a Temer insistir para que o governo cedesse na votação da emenda 29 (que eleva gastos com saúde) e segurar, no Congresso, propostas difíceis para os cofres do governo, como a PEC 300, que cria um piso salarial nacional para policiais. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2011

 às 6:15

Repasse de verbas beneficia reduto eleitoral de ministro

Por Breno Costa, na Folha:
Dinheiro reservado pelo Ministério das Cidades para projetos que reduzam acidentes de trânsito foi usado para financiar obras em cidades sem histórico de problemas sérios nessa área, mas que são redutos eleitorais do ministro Mário Negromonte.  O ministério já liberou neste ano R$ 16 milhões para essa finalidade, beneficiando 102 prefeituras. O partido de Negromonte, o PP, administra 43 desses municípios. O PMDB, que aparece em segundo lugar na lista de beneficiários, conseguiu recursos para apenas 23 prefeituras.

O orçamento do ministério prevê que os recursos reservados para “fomento a projetos destinados à redução de acidentes no trânsito” sejam repassados para que as prefeituras promovam campanhas educativas e melhorias das “condições viárias”.  Mas o ministério vem usando o dinheiro para firmar convênios com prefeituras e financiar obras exclusivamente, incluindo pavimentação de ruas, construção e reforma de ciclovias e calçadões. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

11/09/2011

 às 6:13

PSD de Kassab nasce para exercitar vocação governista em 18 dos 27 Estados

Por Luciana Nunes Leal e Bruno Boghossian, no Estadão:
Além de partido “colaborador, mas independente” em relação à presidente Dilma Rousseff, o PSD nasce aliado de 18 dos 27 governadores e, na maior parte dos casos, ainda tende a segui-los nas eleições das capitais. O arco de alianças não tem preconceitos: vai do PT ao DEM, passando por PSB, PSDB e PMDB. A legenda criada pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab será “independente” em cinco Estados, inclusive São Paulo, e no Distrito Federal. Estará na oposição em apenas três.

Com dois governadores - Raimundo Colombo, de Santa Catarina, e Omar Aziz, do Amazonas -, cinco vice-governadores, 49 deputados federais e dois senadores, o novo partido não vê motivos para vetos na escolha dos parceiros. “Não tivemos dificuldades de nos aliar às pessoas que facilitaram nossa formação. E não saímos por aí arrumando inimigos”, diz o futuro secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, ex-tesoureiro do DEM.

Entre os 18 governadores aliados, há um grupo de parceiros - patronos, até - que tiveram participação direta na estruturação do PSD nos Estados. Cederam aliados e, em contrapartida, fortaleceram suas bases.

Estão nesse grupo a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB); o tucano Simão Jatene, do Pará; os petistas Jaques Wagner, da Bahia, e Marcelo Déda, de Sergipe; e o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Outro socialista, o cearense Cid Gomes, também apoiou a formação do PSD, coordenado no Estado por um de seus principais auxiliares, o gestor de gabinete do governo, Almircy Pinto.

Nas eleições de 2012 em Fortaleza, o PSD vai seguir a orientação de Cid Gomes. O mais provável é que o governador cearense mantenha o apoio ao PT da prefeita Luizianne Lins. Outra opção, se forem agravadas as divergências internas dos petistas, seria o lançamento de um candidato do PSB.

A situação se repete na sucessão de Recife. Eduardo Campos deverá manter a aliança com o PT, mas ainda há muita dúvida sobre a candidatura à reeleição do prefeito petista João da Costa. De qualquer maneira, o PSD será fiel à orientação do governador pernambucano.

Campos aproximou-se de Kassab desde o início de sua empreitada pelo novo partido, quando ainda se especulava sobre uma possível fusão do PSD com o PSB, mais tarde descartada. Além de decisivo na formação do novo partido em Pernambuco, o governador ajudou na aproximação do PSD com aliados de vários Estados e com a própria presidente Dilma Rousseff. “Não que o partido vá para a base do governo amanhã, mas vai ajudar a presidente Dilma nos momentos em que ela mais precisar. Essa é a disposição que ouço dos dirigentes do PSD: estar com a presidente quando ela tiver necessidade de apoio político no Congresso”, diz Eduardo Campos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Da coluna Direto ao Ponto, blog de Augusto Nunes

O carnaval temporão do PT e a segunda Quarta-Feira de Cinzas dos corruptos

O carnaval temporão do PT, concebido para permitir que os devotos da seita tirassem do baú  fantasias usadas nos 80, começou numa quinta-feira com um palavrório de José Dirceu e terminou no domingo, com a divulgação do documento que agrupa as conclusões do congresso do partido realizado em em Brasília.  De 1° a 4 de setembro, os companheiros puderam reviver os tempos em que o chefe da quadrilha do mensalão podia berrar que “o PT não róba nem dêxa robá” sem se arriscar a ouvir de volta uma vaia de Maracanã em tarde de Fla-Flu.

Merecidamente escalado para abrir os festejos, Dirceu apareceu na TV fantasiado de especialista na recuperação de larápios compulsivos. “O congresso do PT vai reafirmar nossa luta contra a corrupção”, avisou horas antes do início da quermesse dos pecadores sem remorso. Há quase 50 anos colecionando anotações no prontuário, há cinco sentado no banco dos réus do Supremo Tribunal Federal, o guerrilheiro de festim à espera de julgamento por formação de quadrilha e corrupção ativa descobriu que a cura para gatunos juramentados não está no velho Código Penal, mas numa nova lei eleitoral.

“Voto em lista e financiamento público são a bandeira do PT para eliminar o poder econômico, a corrupção, o caixa dois e democratizar o sistema eleitoral”, receitou o doutor em bandalheiras. “A reforma política é um dos principais antídotos contra a corrupção”. No dia seguinte, depois de trocar o paletó sempre curto demais pela guayabera de cubano honorário, Rui Falcão não hesitou em trucidar a verdade e a língua portuguesa para juntar-se a Dirceu na luta em defesa da moral e dos bons costumes.

“Apoiamos incondicionalmente o combate sem tréguas da corrupção”, recitou o presidente do PT para a plateia de quase 2 mil militantes. Todos já sabiam, graças a um documento com as propostas da tendência majoritária, que o partido havia retomado o monopólio da ética, confiscado há seis anos pelo escândalo do mensalão. Como nos velhos tempos, o comando da sigla voltou a decidir, sem fazer consultas nem admitir palpites, quem é ou quem não é corrupto, quem já foi, quem deixou de ser e quem será.

“A oposição, apoiada – ou dirigida – pela conspiração midiática que tentou sem êxito derrubar o presidente Lula, apresenta-se agora liderando uma campanha de ‘apoio’ à presidente Dilma, para que esta faça uma ‘faxina’ no governo”, adverte um trecho do documento, que logo adiante acusa os governadores do PSDB de “omissão no combate à corrupção em seus próprios Estados”. No sábado, um orador lembrou que ninguém tem mais ojeriza que Lula a parlamentares picaretas, sejam eles 300 ou 3 mil. No domingo, o documento com as decisões aprovadas na quermesse fechou com tambores e clarins o carnaval fora de hora.

“Mais que um desafio, combater sem tréguas a corrupção é um compromisso inarredável do PT e do nosso governo, que há de ser honrado sem esvaziar a política ou demonizar os partidos, sem transferir acriticamente, para setores da mídia que se erigem em juízes da moralidade cívica, uma responsabilidade que é pública”, alertou a sopa de letras. Tradução: o combate à roubalheira é coisa séria demais para ser tratada pela imprensa ou por partidos de oposição.

Ou por jovens brasileiros inconformados com a ladroagem em escala industrial, emendaram as velhas vestais despudoradas quando o carnaval acabou. Se o falatório dos dias anteriores fosse sincero, os foliões ficariam entusiasmados com o movimento contra a corrupção. Acabaram traídos pela irritação causada pelos atos de protesto programados para o dia 7. Todos enxergaram, por trás do alvo abrangente, uma estrela vermelha. A reação colérica só serviu para confirmar que, aos olhos dos próprios companheiros, PT e corrupção são hoje coisas indissociáveis.

O abraço de afogado foi exposto nas manifestações da quarta-feira. Multiplicados por fotos, inscrições em faixas ou cartazes e palavras de ordem, os nomes e os rostos de um casal de celebridades foram lidos e ouvidos em todas as manifestações. Ela é a deputada Jaqueline Roriz, que aproveitou uma meiga troca de sussurros com Cândido Vaccarezza, líder do governo no Congresso, para agradecer a ajuda do PT e da base alugada no plano montado para livrá-la da cassação e da cadeia. Ele é o inevitável José Dirceu.

Os corruptos que brilharam no carnaval temporão viveram neste Sete de Setembro uma segunda Quarta-Feira de Cinzas.

09/09/2011

 às 20:10 \ Direto ao Ponto

O Globo e El País comentam a largada do movimento contra a corrupção

As manifestações deste 7 de Setembro foram o tema do editorial doGlobo desta sexta-feira e de uma reportagem de Juan Arias, correspondente do jornal espanhol El País no Brasil. Os dois textos estão na Feira Livre.

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09/09/2011

 às 17:54 \ Direto ao Ponto

Os grupos que combatem a corrupção se unem para a volta às ruas em 12 de outubro

A coluna acabou de receber uma boa notícia, amigos:

Ontem fechamos a união de todos os movimentos: #NASRUAS, Anonymous, Dia do Basta e Unidos contra a Corrupção. Só faltam os Caras pintadas, que já estão se somando a nós!

No dia 12/10 haverá a maior manifestação que o Brasil já viu!!! Aguardem!

Carla Zambelli

O post anterior registrou que o movimento contra a corrupção ainda engatinha, mas esbanja saúde. A união dos grupos que organizaram as manifestações em São Paulo ─ uma clara demonstração de maturidade ─ tornou-o bem mais musculoso. Pode provar já no dia 12 de outubro que antecipou a chegada à idade adulta.

Para ilustrar a informação animadora, nada melhor que rever imagens dos atos de protesto ocorridos nesta quarta-feira em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Começaram exatamente assim outros movimentos que mudaram a história do Brasil.

09/09/2011

 às 3:01 \ Direto ao Ponto

Expostos à claridade do dia 7, porta-vozes de vampiros de cofres públicos se desfazem em cinzas como um drácula de cinema

Nascido da colisão frontal entre a desfaçatez dos assaltantes de cofres públicos e a indignação de  milhares de jovens em ação no Facebook, o movimento que transbordou da internet para as ruas neste 7 de Setembro ainda engatinha. Por enquanto, o traço comum entre os grupos fundadores é o inconformismo com a corrupção endêmica. Não houve tempo para a montagem de algum programa que estabeça prioridades consensuais e identifique com nitidez as metas a atingir, os alvos imediatos e o inimigo principal. Faltam slogans e palavras de ordem que façam o resumo da ópera eficácia e objetividade. Ainda não existem líderes reconhecidos por todas as alas, o verde-amarelo se alterna com o preto e o nome oficial não foi definido. Embora relevantes, são questões que podem esperar. Os jovens comandantes saberão fazer a melhor opção na hora certa.

Se ainda engatinha, o movimento esbanja saúde, comprovam os resultados da primeira aparição pública. Quem acompanhou o ato de protesto na Avenida Paulista pôde contemplar uma reveladora amostra da novíssima geração de brasileiros ─ um fascinante universo que a imprensa não enxerga e os políticos de todos os partidos desconhecem. Ninguém previu que os jovens insatisfeitos com o Brasil sangrado pela bandidagem de estimação precisariam de apenas um dia para escancarar as rugas, a flacidez, a velhice de entidades, instituições, indivíduos, teorias ou conceitos que, até a véspera, não pareciam tão desoladoramente decrépitos.

A anunciação da primavera brasileira transferiu para o museu das antiguidades do século passado os que subestimam o poder de fogo da internet, os que duvidam do interesse dos moços por questões políticas e os que não acreditam na existência de militantes fora dos partidos. Mal passa dos 20 anos a idade média dos organizadores dos protestos que, ignorados pela imprensa, reuniram milhares de manifestantes mobilizados por redes sociais, sites e blogs. Confrontados com o frescor e a independência dos jovens em guerra contra a corrupção, os matusaléns arrendados da União Nacional dos Estudantes Amestrados, a antiga UNE, foram remetidos ao mausoléu dos pelegos.

A paisagem reinventada da Avenida Paulista exibiu o tamanho do fosso que separa manifestantes e partidos deformados pela senilidade precoce, pela covardia congênita, pelo cinismo vocacional e pela revogação dos valores éticos. Alguns integrantes da Juventude do PSDB apareceram com uma faixa. Tiveram de enrolar a má ideia. Três ou quatro devotos do PSTU apareceram com um estandarte. Foram aconselhados a guardá-lo. Cinco ou seis militantes do PT apareceram com uma bandeira vermelha. Como se recusaram a arriá-la, o pedaço de pano foi queimado ao som de duas palavras de ordem que justificaram o bota-fora de tucanos e socialistas xiitas: Primeira: “Saí daí, otário: o movimento é apartidário”. A segunda começava com o palavrão que rima com o fecho: “Nossa única bandeira é a bandeira do Brasil”.

As inscrições nas faixas e as mensagens gritadas em coro reafirmaram que os manifestantes não estão a serviço de ninguém. Exigem a punição dos corruptos, pedem cadeia para os gatunos, fustigam a turma da ficha suja, recomendam que o dinheiro tungado seja investido em saúde e educação, recordam o escândalo do mensalão e informam que as vítimas do roubo em escala industrial são os pagadores de impostos. Nesta quarta-feira, para não serem associados à oposição oficial, hostilizaram apenas três unanimidades: José Sarney, Jaqueline Roriz e José Dirceu. Três prontuários mais encorpados que os programas dos partidos a que pertencem.

Um movimento gerado pela ladroagem institucionalizada não conseguiria poupar por muito tempo os mentores da decomposição moral do Brasil. Cedo ou tarde, ficaria evidente que não há como marchar contra a corrupção sem tropeçar nos arquitetos do aparelhamento da máquina estatal e no loteamento das verbas dos ministérios. Lula não inventou a corrupção, mas foi ele quem transformou contratos de aluguel em instrumentos de poder. Se há corruptos em todos os partidos, em nenhum lugar do mundo há tantos delinquentes por metro quadrado como num encontro do PT com a base alugada. Em dois ou três meses, os jovens que lutam pela decência teriam de lancetar o tumor em sua fonte.

Foram poupados da opção inevitável pelo açodamento dos blogueiros estatizados e dos jornalistas federais, que vestiram imediatamente a carapuça e simplificaram as coisas. “Nossos corruptos são bons companheiros”, berram nas entrelinhas os palavrórios raivosos que, enquanto tentam reduzir as dimensões dos atos de protesto, investem contra os fantasmas de sempre. Um sacristão da seita maniqueísta já enxergou por trás da manifestação outra sórdida tentativa de derrubar o governo, tramada pela elite golpista, por granfinos quatrocentões e pelos loiros de olhos azuis. Definitivamente, faltam neurônios e sobram neuroses a adoradores de divindades de araque que viraram cúmplices de corruptos juramentados.

Expostos ao Sete de Setembro ensolarado por manifestações que podem moldar um Brasil muito mais luminoso, os porta-vozes do país que parece um grande clube dos cafajestes foram reduzidos a cinzas como dráculas de cinema. Vampiros de cofres públicos e suas velharias domesticadas não suportam a claridade.

(por Augusto Nunes).


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veja.com.br

2 comentários

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, do jeito que anda as “coisas”, logo, logo vamos ter um SCHOKLENDER no seara politico .Parte do trecho , na FOLHA : “ Assim, ironicamente, Schoklender pode se tornar um herói do anti-kirchnerismo. Ironicamente porque trata-se de um sujeito com uma trajetória criminosa que passa por diversos tipos de delitos. Além de ter se tornado um reconhecido manipulador político e de dar indícios de ser um psicopata sem consciência moral sobre as consequências de seus atos.

    O primeiro sinal disso se deu em 1981. Schoklender, então com 23 anos, matou brutalmente seu pai e sua mãe, no apartamento da família. Ambos foram golpeados na cabeça, sufocados, e seus corpos, abandonados num carro numa rua de Buenos Aires. O duplo parricídio teve a participação de seu irmão mais novo, Pablo, então com 20 anos.

    Entre 1981 e 1995, cumpriu pena em mais de uma cadeia. Articulou contatos, ganhou (não se sabe muito bem como) a confiança de carcereiros e dos presidentes dos presídios por onde passou. Com isso conseguiu regalias, como celas grandes para onde levou computadores e instalou verdadeiros escritórios.

    Foi no cárcere que conheceu Hebe de Bonafini, que visitava o local para encontrar presos políticos. A amizade de ambos cresceu e Hebe praticamente o adotou. Terminada sua pena, Schoklender passou a trabalhar para a associação das Mães da Praça de Maio.

    Em maio de 2011, surgiram as acusações de enriquecimento ilícito de Schoklender com os desvios do dinheiro das Mães. Em sua lista de posses estão carros de luxo, iates, avião privado e várias propriedades. Enquanto isso, trabalhadores das obras da associação ficaram sem receber salário e desde então têm feito protestos.

    O governo voltou a equivocar-se ao não acompanhar o rumo do dinheiro. Igualmente, erraram as Mães ao confiarem num sujeito com esses antecedentes, que falam por si só.

    Agora, tanto Cristina Kirchner como Hebe de Bonafini precisam desesperadamente conter a metralhadora giratória de acusações de Schoklender.” ....” E VAMOS EM FRENTE ! ! ! “ ....

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  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi,há na classe politica brasileira uma doença contagiosa : O MAL KADAFI . Façamos as devidas comparações :

    1 – Kadafi quando assumiu o poder :

    ERA um bravo guerreiro que prometia ao seu povo vida melhor

    ERA um homem de poucas posses ( leia-se $ $ $ ) .... & ... REVELOU – SE

    UM déspota

    MANDA matar ( diretamente ) seu povo através de milícias contratadas para se manter no poder

    “DESVIOU” bilhões de dólares para suas contas e de parentes

    NÃO aceita “entregar” o cargo

    O que o Sr. acha, existe semelhanças ? ? . É OU NÃO É CONTAGIOSA ? ? SE NÃO, PORQUE VÁRIOS SÃO COMETIDOS POR ELA ? ?. .... “ E VAMOS EM FRENTE ! ! ! “....

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