Orlando Silva e seu bando têm de cair fora do ministério que virou covil do PCdoB

Publicado em 17/10/2011 11:36 522 exibições
por Augusto Nunes e Lauro Jardim, em veja. com.br

Orlando Silva e seu bando têm de cair fora do ministério que virou covil do PCdoB

Pilhado em flagrante de novo, agora chapinhando no pântano do programa Segundo Tempo, o ministro Orlando Silva tentou trocar a pose de cartola a serviço da nação em Guadalajara pela fantasia de voluntário da pátria gravemente ofendido. “Confesso que eu estou chocado”, caprichou o canastrão vocacional ao saber das denúncias publicadas na edição de VEJA que acaba de chegar às bancas. “Estou estupefato, perplexo. Um bandido fala e eu que tenho que provar que não fiz, meu Deus?”. A fala decorada às pressas foi desmentida pela voz de quem deve, pela cara de culpa e pelas duas palavras finais: um comunista que invoca Deus quando o emprego está em perigo é tão confiável quanto um ministro que compra tapioca com cartão corporativo.

De todo modo, é compreensível que qualifique de bandido o companheiro do PCdoB que até recentemente era contemplado por verbas milionárias e audiências no Ministério do Esporte. Orlando Silva sabe que, no momento, cavalga o quinto andar da procissão dos condenados ao despejo. Não por vontade de Dilma Rousseff, que é só um codinome de Lula. Vai perder a boca no primeiro escalão por exigência dos milhões de brasileiros fartos de tanta ladroagem impune. Há limites para tudo.

Há limites também para a farsa encenada há quase nove anos. Um texto aqui publicado em março registrou que, no balanço dos dois mandatos que Lula registrou em cartório, a enxurrada de deslumbramentos do Segundo Tempo inunda quatro das 2.200 páginas divididas. Lançado em 24 de novembro de 2003 pelo Ministério do Esporte, bate no peito o parágrafo de abertura,  o programa “visa democratizar o acesso à prática e à cultura do esporte de forma a promover o desenvolvimento integral da criança, do adolescente e do jovem, como fator de formação da cidadania e de melhoria da qualidade de vida, prioritariamente daqueles que se encontram em áreas de vulnerabilidade social”.

Entre outros embustes superlativos, o palavrório que vai da página 345 à 349 jura que “o Programa Segundo Tempo, desde a sua criação, permitiu 3.852.345 atendimentos de crianças, adolescentes e jovens”.Essas cifras de matar de inveja um dinamarquês não teriam sido alcançadas sem “a capacitação e qualificação de 9.246 profissionais entre coordenadores, professores, agentes formadores e gestores de esporte e lazer”. Magnânimo, o fundador do Brasil Maravilha divide a façanha com alguns parceiros.

“Foi por meio da celebração de convênios com governos estaduais, municipais e organizações não governamentais (ONGs), e de parcerias com outros ministérios, que se alcançaram, a partir de 2005, mais de 1 milhão de atendimentos anuais, considerando-se os convênios anuais e plurianuais. Isso foi possível em função do crescimento exponencial do orçamento do Programa Segundo Tempo, que iniciou (sic) com R$ 24 milhões em 2003 e alcançou R$ 207.887 milhões em 2010”.

Estelionato eleitoreiro é isso aí, atestam as incontáveis gatunagens da quadrilha que controla o programa nascido e criado para servir ao Partido Comunista do Brasil, premiado com o Ministério do Esporte no primeiro dia da Era Lula. Só em 2010, pelo menos R$ 69,4 milhões foram parar nos caixas de 42 ONGs e entidades de fachada controladas pelo PCdoB. O Estadão descobriu, por exemplo, que uma ONG explorada pelo partido em Santa Catarina resolveu importar merendas de Tanguá, no Rio de Janeiro. A  empresa presenteada com a encomenda no valor de R$ 4,6 milhões tem um funcionário só, cujo nome o dono ignora, prospera num galpão abandonado há quatro anos e jamais produziu uma única e mísera merenda.

No Distrito Federal, 3,2 mil crianças continuam à espera dos 32 núcleos prometidos pelo convênio entre o ministério e outra ONG de estimação. Em Teresina, o que deveria ser uma quadra é um matagal onde os iludidos pelo Segundo Tempo tentam jogar futebol e vôlei improvisando traves e redes com tijolos, bambus e muita imaginação. A logomarca do programa num muro garante que aquilo é um núcleo esportivo. É só a prova de mais uma negociata que irrigou com R$ 4,2 milhões outra entidade a serviço do PCdoB.

“Vamos apurar todas as denúncias”, recita Orlando Silva depois de cada escândalo. “Vou processar o acusador”, acaba de declamar em Guadalara. Vai coisa nenhuma. Pecador não apura; é investigado. Delinquente não processa; é processado. As patifarias do Segundo tempo são apenas mais um tópico que inclui, entre outros espantos, os R$ 4 bilhões enterrados no Pan-2007 (veja o texto na seção Vale Reprise). O ministro meteu-se num beco sem saída. Se não soube de nada, é inepto. Se soube, é corrupto. Em qualquer hipótese, não pode continuar no cargo. Tem de ser imediatamente afastado das cercanias dos cofres onde correm perigo os bilhões da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Dois dias depois da descoberta de que o Ministério do Esporte anda roubando até crianças, Orlando Silva apareceu em São Paulo para discorrer sobre obras em aeroportos e estádios em construção. O craque das jogadas ilegais sonha com lances ainda mais ousados. No Brasil em adiantado estado de decomposição moral, os crimes já são anunciados com alguns anos de antecedência. Se corrupção desse cadeia, a população carcerária não caberia numa Bolívia. Mas sempre há lugar para um Orlando Silva.

No primeiro escalão é que não pode haver lugar para uma figura dessas. Lula, que o transformou em ministro em 2006, sabe muito bem com quem continua lidando. Dilma Rousseff também conhece bastante o parceiro que chama de “Orlandinho”. Diga o que disser o protetor de bandidos companheiros, queira ou não queira a coiteira dos afilhados do chefe, Orlando Silva e seu bando têm de cair fora do gabinete que virou covil do PCdoB. Já.

Direto ao Ponto

O quinto andor da procissão dos despejados

Neste sábado, pela quinta vez em nove mese e meio, a presidente Dilma Rousseff será confrontada com evidências contundentes da presença de outro prontuário de bom tamanho no primeiro escalão. E terá de escolher: ou se livra imediatamente da abjeção ou cede à tentação de varrê-la para baixo do tapete ─ o que só servirá para retardar por alguns dias o despejo inevitável do morto-vivo. 

Depois de Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais, sempre por envolvimento em bandalheiras, o ministério do Brasil Maravilha vai perder mais um. O país que presta vai ganhar mais uma.

O país decente mostrou que há pelo menos 30 mil pedras no caminho dos corruptos

Historicamente compassiva com os pecadores da seita companheira, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil enfim perdeu a paciência com o bando de desgarrados que hoje se ajoelham no altar da ladroagem impune. “Não podemos concordar com nenhuma forma de corrupção, pois os recursos são da população”, lembrou dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida do Norte e presidente da CNBB, durante a missa que reuniu 40 mil devotos no Santuário Nacional. “A Igreja quer que as denúncias sejam investigadas”, avisou, depois de solidarizar-se com “as manifestações organizadas por redes sociais”.

Na missa celebrada numa igreja de Pirituba, dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, também se inspirou no viveiro de gatunos da classe executiva e nos atos de protesto deste 12 de outubro para transformar o sermão num fato político.  “A corrupção está em toda parte, afligindo o povo brasileiro”, constatou. “Quando não somos mais capazes de reagir e nos indignar diante da corrupção, é porque nosso senso ético também ficou corrompido. Quando o povo começa a se manifestar, a coisa melhora. É isso que precisa acontecer”. É isso que está acontecendo, souberam à noite milhões de telespectadores do Jornal Nacional e, nesta quinta, os leitores dos principais jornais brasileiros.

As manifestações de 7 de setembro não conseguiram a atenção de hierarcas da Igreja Católica, ficaram fora do mais importante telejornal e foram noticiadas com timidez pela grande imprensa. As mudanças na paisagem confirmam que o movimento que nasceu nas redes sociais e transbordou para as ruas há apenas cinco semanas tem saúde suficiente para apressar a chegada à idade adulta. Foram definidas duas reivindicações prioritárias ─ o fim do voto secreto no Congresso e a imediata aplicação da Lei da Ficha Limpa. E ficou estabelecido que, embora não seja o único sinônimo de corrupção impune, é José Sarney o outro nome da roubalheira escancarada e sem castigo.

As cautelas adotadas pelo comando do movimento, que ainda se nega a enxergar os donos do pântano que abriga os sarneys, acabaram atropeladas pela idiotia incurável dos milicianos a serviço da seita e pela estupidez dos Altos Companheiros, que se colocaram espontaneamente na alça de mira dos indignados.  O silêncio estrepitoso dos jornalistas federais, a gritaria histérica dos blogueiros estatizados e os uivos dos Altos Companheiros comunicaram à nação que falar em corrupção é falar do PT. Que exigir a punição dos culpados é uma ameaça à governabilidade. Que insultar um corrupto juramentado é o mesmo que ofender o pai da Dilma ou xingar a mãe do Lula.

Tanto os milhares que marcharam em Brasília, São Paulo e no Rio quanto as dezenas de manifestantes que se juntaram em cidades menores declararam-se contra a corrupção. Quem é contra os que maldizem ladrões só pode ser a favor da ladroagem, certo? O problema é que não é de bom tom confessar tal obscenidade. Assim, resta à patrulha petista jurar que as passeatas foram menores que os cortejos de padrinhos dos casamentos de Marta Suplicy, enxergar tramas hediondas para derrubar o governo e jurar que todos os brasileiros descontentes, seja qual for a idade ou a condição sócio-econômica, são todos filhos mimados da elite golpista. Os vigaristas à caça de emprego e dinheiro estão compreensivelmente assustados com um universo desconhecido.

A convocação para 15 de novembro da terceira rodada de protestos comprova a musculatura do movimento. Entre uma e outra aparição nas praças e avenidas, os grupos combatentes seguirão agindo na internet. É um mundo novo que confunde mesmo colunistas confiáveis: por teimarem em contemplá-lo com o olhar de 1968, acabam enredados em profecias que se amparam exclusivamente na contagem dos participantes. Para que o grande clube dos cafajestes se sintam em perigo, é verdade, a multidão disposta a deter a rapinagem precisa aumentar consideravelmente. Mas já existe gente de sobra para a guerra de resistência. Essa etapa, ainda em seu começo, precisa ser concluída para que se passe à contra-ofensiva.

Neste começo de primavera, o objetivo a alcançar é a obstrução do avanço dos corruptos. Nos últimos nove anos, eles não toparam com um único obstáculo consistente. Acabam de saber que há pelo menos 30 mil pedras no caminho.

Mendes e Izabella em lua de mel

Mendes de bem com Izabella

Mergulhado na relatoria do projeto do Código Florestal no Senado, Jorge Viana tem feito reuniões separadas com cada seguimento interessado no texto. O trabalho de formiguinha tenta evitar a rebelião registrada na Câmara, nos tempos de Aldo Rebelo.

Como as discussões de mérito vão começar a esquentar agora, ainda é cedo para dizer se o plano dará certo. Viana, no entanto, garante que nunca foi tão harmônico o clima entre a Agricultura e o Meio Ambiente – Mendes Ribeiro e Izabella Teixeira vivem em lua de mel nos debates de código.

Por Lauro Jardim
9:20 \ Governo

Virou piada

Izabella Teixeira, aliás, gostou tanto de saber que a mãe de Kátia Abreu assinou, no fim de semana, um manifesto de ecologistas contra o Código Florestal, que repetiu a história — em tom de piada — em quase todas as conversas que teve nesta semana na Esplanada.

Por Lauro Jardim
8:23 \ Judiciário

O inimputável Requião

Mais um crime do qual senador é acusado prescreveu

O Supremo livrou a pele de Roberto Requião pela segunda vez em dois meses. E pelo mesmo motivo do caso passado (Leia mais em O inimputável Requião): a prescrição.

Dias Toffoli decidiu que Requião não pode mais ser punido pelo crime de injúria no processo a que responde por ter 70 anos de idade, o que derruba pela metade o prazo de prescrição. A decisão ocorre em um processo movido por Paulo Bernardo.

Ele acionou Requião na Justiça depois que o então governador do Paraná, em fevereiro de 2010, acusou-o de supostamente lhe ter proposto o superfaturamento de uma obra ferroviária em 400 milhões de reais. Agora Requião só é réu nessa ação por calúnia.

Por Lauro Jardim
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por Augusto Nunes

1 comentário

  • JUSTINO CORREIA FILHO Bela Vista do Paraíso - PR

    Incrível, o roteiro é sempre o mesmo! Há indicios não apurados, então, surge uma denúncia escandalosa e contundente, que envolve um ministro do governo em falcatruas. Daí, vêm o governo e diz que tal ministro goza de respaldo, e bola pra frente Brasil!!! Então, o ministro meliante, aparece em reportagens nos meis de comunicação, para dizer que tudo não passa de invenção, falácia mesmo, e que ele têm o maior interesse em esclarecer os fatos. Ministro, por favor, o interesse nos esclarecimentos é da sociedade e não apenas seu! Em tempo, será que o Ministro Orlando Silva, volta para o segundo tempo?

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