‘Depois de dez meses desastrosos, continua a farsa da supergerente Dilma Rousseff’

Publicado em 07/11/2011 18:47 e atualizado em 07/11/2011 22:05 1135 exibições
na coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes (de veja.com.br)

Celso Arnaldo: ‘Depois de dez meses desastrosos, continua a farsa da supergerente Dilma Rousseff’

Ilustrados pela foto do auditório deserto, quatro trechos pinçados por Celso Arnaldo Araújo foram suficientes para escancarar de novo, sempre com apavorante nitidez, a superlativa mediocridade de Dilma Rousseff. Mas o jornalismo oficialista é duro na queda: colunistas de grandes jornais continuam enxergando na chefia do governo a supergerente que nunca existiu. Justificadamente espantado com o que a turma andou escrevendo sobre a presidente que não diz coisa com coisa, Celso Arnaldo valeu-se de outro texto irretocável para tratar da epidemia de cegueira voluntária. (AN)

As dezenas de profissionais que integram a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República são pagos para defender a chefe. E não há melhor forma de defesa do que a mistificação — arte de mentir sem faltar com a verdade, que no caso é uma questão de crença pessoal. Por isso, não questiono jamais o tom e o teor das matérias do Blog do Planalto, que faz um trabalho parecido com o website oficial da monarquia britânica. Nós pagamos para essa gente defender a rainha. É a regra do jogo.

Mas a coisa muda de figura quando a tarefa de mistificar o perfil de Dilma se estende à nata de nosso jornalismo político – que, depois de dez desastrosos meses de governo, continua comprando, e vendendo aos leitores, a velha farsa de Dilma como a supergerente que comandou a escalada do Brasil das cavernas para o Primeiro Mundo, no governo Lula.

Na página A11 da Folha deste domingo, o sempre comedido Fernando Rodrigues ainda insiste no surrado mito, desmontado a cada razia da mídia no ministério da presidente, da chairwoman perfeccionista, onipresente e onisciente, perto de quem Steve Jobs se pareceria com o dono de uma falida oficina de máquinas de escrever.

Escreve FR, a pretexto de justificar o ritmo lento, quase parado, com que o governo toma decisões e implementa programas fartamente anunciados pela máquina de propaganda: “Não há hipótese de a presidente receber algum interlocutor para tratar de alguma obra ou projeto governamental sem estar devidamente brifada a respeito (…) Dilma raramente vai se contentar com primeiras explicações. Fará perguntas adicionais e o encarregado terá de voltar aos estudos”.

Que lindo. A presidente não se contenta com primeiras explicações, mas achou o programa Segundo Tempo mais perfeito que uma jogada de Neymar – aquele que “eu vi, deixei de ver, voltei a ver”. Quem a brifou? Na certa, Orlando, depois de estudar muito o modus operandi dos ongueiros amigos.

Não fosse VEJA, o encarregado Orlando e sua quadrilha de malandros que roubam por esporte estariam ainda na zona do agrião, livres de marcação para estufar o cofre. Quantos níveis de explicações – segundas, terceiras, quartas? – Dilma exigiu para compreender a tática “ladrão de bola” do Segundo Tempo?

Não é só. Ao lado da “análise” de FR na Folha há outro texto, assinado por Natuza Nery, que traz o seguinte olho: “Dilma criou ritual de ‘espancamento’ de projetos, em que faz questionamentos para ver se a ideia fica de pé”.

Quem, em sã consciência, de posse de suas faculdades mentais e decentes, realmente acredita nessa imagem tão pífia? Essa postura “épica-ética” de governar combina com os 10 meses da Presidência Dilma? Não fosse a imprensa, a roubalheira dos projetos de ministérios até aqui implodidos ainda estaria de pé, apesar de cruelmente “espancados” por Dilma.

A mistificação se ramifica por todos os segmentos da mídia. No circuito Elizabeth Arden, a revista Poder dedica sua capa a Dilma. Mas a presidente manchetada na capa se parece com a que tomou posse em janeiro, não com a que vaza um ministro por corrupção a cada mês e meio:

SENHORA DO DESTINO – Rigorosa com subordinados e aliados, elogiada até pela oposição, como a presidente Dilma vem mudando o jeito de governar o país.

Qual é, exatamente, o novo jeito de governar dessa mocinha da novela das 9? O jeito de entregar ministérios com porteira fechada a larápios da base aliada? O jeito de levar a sério a promessa de construir 6 mil creches em quatro anos de governo? Madame, by the way, já inaugurou alguma, nesses 10 meses? No corpo da matéria de oito páginas, a revista explica esse jeito novo de governar o país, reproduzindo fielmente o delírio de um assessor direto:

“A presidente só faz perguntas difíceis. Na hora de despachar, é melhor estar preparadíssimo para respondê-la, caso contrário, é bronca na certa”.

Notaram? É preciso estar preparado para “respondê-la” — bem ao estilo Dilma. Um assessor com algum nível deveria estar preparado para responder ou responder a ela. Na verdade, a presidente só faz perguntas difíceis porque não sabe fazê-las fáceis. Quando se leu ou se ouviu em algum lugar uma pergunta ou uma resposta de Dilma que fosse fácil de fazer sentido?

É o caso de dizer: roubem à vontade – mas nos poupem.

(Augusto NUnes)

No faroeste brasileiro, os bandidos posam de mocinho e brincam de xerife antes de morrer

“Sou osso duro de roer”, gabou-se Carlos Lupi nesta segunda-feira. (Orlando Silva se sentia “indestrutível” quando o velório já ia chegando ao fim). “Eu quero ver até onde vai essa onda de denuncismo”, foi em frente o ministro do Trabalho. (“Vou mostrar que todas essas denúncias são falsas”, prometeu o ministro do Esporte quando o tsunami de provas contundentes ainda lhe parecia uma marolinha).  “Alguns nascem para se acovardar, outros para lutar”, declamou Lupi. “É o meu caso. Topo a luta. Vou até o fim”. Eles topam tudo para manter o empregão e a senha do cofre, confirma o repetitivo e nauseante roteiro que orienta a cerimônia do adeus de ministros bandalhos.

Solidário com o camarada Orlando Silva, o PCdoB enxergou uma insidiosa conspiração contrarrevolucionária na descoberta de que o Ministério do Esporte se transformou na casa da moeda do partido. Solidário com o comparsa infiltrado no primeiro escalão, o deputado Paulinho da Força mobilizou as centrais sindicais que seu bando controla para a guerra de resistência contra inimigos de alta periculosidade. Além da Força Sindical, quatro siglas combatem ao lado de Carlos Lupi, “que  está sendo vítima, assim como o movimento sindical, de uma sórdida e explícita campanha difamatória e de uma implacável perseguição política, que visa a desestabilização do governo e o linchamento público do titular da pasta.”

Essa conversa de gatuno pilhado em flagrante já passou da conta, como passaram da conta todos os outros capítulos, tão previsíveis quanto repulsivos, do espetáculo do cinismo reencenado pela sexta vez em cinco meses. De novo, Dilma Rousseff invocou a presunção de inocência. De novo, Gilberto Carvalho avisou que, “por enquanto”, não surgiu nenhum fato que incrimine diretamente o chefe do bando. De novo, a Comissão de Ética da Presidência abriu uma sindicância para nada apurar. De novo, o governo espera que a tempestade se intensifique para então costurar o acerto malandro com o PDT: o partido aceita a saída de Lupi e indica o substituto. Muda-se o ministro para que tudo continue como está.

Qualquer detetetive americano que tropeçar num Carlos Lupi não resistirá à tentação de repetir o ritual celebrizado pela TV. Depois de algemado pelas costas, o ministro saberá que tem o direito de chamar um advogado e de ficar em silêncio, porque tudo o que disser será usado contra ele no tribunal. Nem será necessário especificar o motivo da prisão. Lupi sabe que merece. Só no faroeste brasileiro um bandido é autorizado a posar de mocinho e brincar de xerife antes de morrer.

(Augusto Nunes)


Candidata de Dirceu, Márcio e Lula fica sem a toga que a trinca prometeu para o Natal

A vaga no Supremo Tribunal Federal aberta por Ellen Gracie será preenchida por Rosa Maria Weber Candiota, ministra do Tribunal Superior do Trabalho. Apesar de apoiada pela trinca formada por Lula, José Dirceu e Márcio Thomaz Bastos, a candidata Maria Elizabeth Rocha não vai ganhar uma toga no Natal.

Não se sabe o que Rosa Maria Weber Candiota pensa do caso do mensalão. Mas os culpados foram impedidos de comemorar antecipadamente o aumento da bancada pronta para absolvê-los.

O fracasso do pobretão que se faz de rico vestindo um fraque puído nos fundilhos

“A reunião do G20 foi um sucesso relativo”, disse Dilma Rousseff. Nesse caso, outros participantes devem ter feito bonito para compensar as apresentações da supergerente do Brasil Maravilha. A foto desoladora informa aos berros, por exemplo, o que foi a conferência de imprensa que deveria juntar repórteres do mundo inteiro e demais interessados presentes ao encontro. Um fracasso absoluto. Havia menos gente na plateia do que na comitiva oficial da presidente brasileira.

É nisso que dá acreditar que governantes e jornalistas de todo o planeta disputam a socos e pontapés o privilégio de ouvir conselhos, bravatas, invencionices e embustes despejados por emissários de um pobretão que se faz de rico vestindo um fraque puído nos fundilhos.

Lula financiou com o dinheiro dos pagadores de impostos o prédio fantasma da UNEA

Há um ano, ao renovar o contrato de aluguel com a União Nacional dos Estudantes Amestrados (UNEA, antiga UNE), Lula incluiu um donativo de R$ 30 milhões (bancados pelos pagadores de impostos, como tudo o mais). Que fim levou a bolada? Cadê a sede nova que serviu de pretexto para a maracutaia? Confira na seção O País quer Saber.

(Augusto Nunes)


Celso Arnaldo e o Discurso sobre o Nada em Cannes: dar um jeito no neurônio de Dilma é coisa para um Sírio-Libanês

Impressionado com o Discurso sobre o Nada em Cannes, o jornalista Celso Arnaldo Araújo achou que era pouco internar Dilma Rousseff por causa de um único trecho do palavrório sem pé nem cabeça. O grande caçador de cretinices juntou logo quatro maravilhas do dilmês rústico, acrescentou seu parecer e remeteu aos enfermeiros a hóspede mais assídua do Sanatório Geral. Fez um trabalho tão bom que os médicos do famoso nosocômio acharam que é coisa para o Direto ao Ponto. (AN)

“Aí fomos para a reunião do G20. Na reunião do G20… Aliás, desculpa, dos Brics. Na reunião dos Brics, os Brics discutiram a questão da crise europeia. Os Brics, eu acho que nenhum deles foi… todos eles acharam que tinha de aumentar, se houvesse uma ajuda, se fosse necessário a ajuda, se… obviamente, os que são ajudados têm de querer. Enfim, são discussões…”

“Nas reuniões, assim, mais laterais: com os japoneses, discutimos o trem de alta velocidade… Quem mais que foi? Ah, com a OIT, foi essa questão que a OIT enfatizou muito, a importância que o Brasil tem na questão da política social, da política de proteção social, da política de valorização do trabalho. Até a nossa… a recente promulgação do Pronatec. Eles acompanham bem acompanhado”.

“Com a primeira-ministra, com a chanceler Angela Merkel, nós discutimos a importância da relação do Brasil com a Alemanha; enfatizamos que vamos dar uma ênfase muito grande à questão da pequena e da média empresa no Ano Brasil-Alemanha 2013/2014 (…) Enfim, eu estou tentando ser o máximo específica, mas, em geral, há muita, havia muita preocupação com a questão da crise europeia”.

“Não é protecionismo, nós temos de nos proteger também, cada um faz o que pode. Agora, tem algumas medidas que nós nunca vamos controlar. Não vamos controlar a hora que eles resolvem despejar 800… A última vez foram 800 milhões? Bi? Trezentos? Quanto foi o último quantitative easing, o dois? Seiscentos bi? Eu não vou… não tem como controlar isso, não tem como controlar a política cambial chinesa. Nós achamos é que não… passamos o tempo inteiro dizendo isso: que tem isso, que não pode ser assim, que tem de mudar. E, hoje, isso meio que se internalizou; hoje, não somos só nós a falar isso”.

Celso Arnaldo faz o resumo da Ópera da Maluquice:
Dilma Rousseff, tentando explicar aos jornalistas o conteúdo de suas sucessivas reuniões com chefes de estado das outras 19 nações mais ricas do mundo, que discutiram em Cannes o futuro do planeta, com uma sucessão de frases e ideias que, levadas ao pé da letra, sem uma rigorosa revisão, seriam barradas da ata da reunião de condomínio de um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida.

O golpe ensaiado pelo pecador sem cura informa que os mensaleiros estão inquietos

Sempre que o deputado João Paulo Cunha reaparece no noticiário político-policial, faço questão de homenageá-lo com a republicação de um artigo que, em dezembro de 2005, apresentou aos leitores do Jornal do Brasil o parlamentar do PT paulista que presidia a Câmara quando explodiu o escândalo do mensalão. Embora enfiado no pântano até o pescoço, ou por isso mesmo, João Paulo começou a irritar-se já no título (“A coalizão dos vigaristas”). Ao estacionar no ponto final, o descobridor de Marcos Valério estava grávido de indignação com tudo o que lera, especialmente com o parágrafo abaixo transcrito:

“Vocês ainda vão ouvir falar muito num carequinha chamado Marcos Valério”, avisou Jefferson dias mais tarde. E então se deu a metamorfose. Sumiu o João Paulo com cara de garotão, maneiras polidas, cada fio de cabelo em seu lugar, óculos de primeiro da classe, afeito a sussurros conciliadores, mas disposto a enfrentar quaisquer perigos em defesa dos oprimidos e dos princípios do PT. Com os mesmos óculos, entrou em cena um tipo assustadiço, olheiras de porteiro de cabaré, barba implorando por lâminas, cabelos em desalinho, pupilas dilatadas pelo medo. Esse João Paulo era o verdadeiro. Tinha a cara da alma, modificada pelo lucrativo convívio com Marcos Valério.

No fim de 2008, o fruto da cólera foi afinal parido: nasceu uma ação judicial que fixava em R$ 100 mil o preço da honra ofendida. Como está explicado na seção Vale Reprise, o pedido de indenização foi engavetado pela Justiça em agosto de 2009. Antes disso, publiquei de novo o artigo e convidei os leitores a decidir o caso. O deputado mensaleiro achava que merecia dinheiro. Eu continuava achando que merecia cadeia. O timaço de comentaristas, como sempre, cumpriu exemplarmente a missão. E ficou resolvido que o que falta a João Paulo Cunha é uma didática temporada na gaiola.

Não só continua em liberdade como tem desfrutado com a habitual desfaçatez dos privilégios concedidos pelo bando governista a comparsas que perderam o sono no auge do escândalo. No começo do ano, por exemplo, o réu à espera de julgamento no Supremo por formação de quadrilha ganhou de presente a presidência da Comissão de Constituição e Justiça. Nesta quarta-feira, valendo-se das atribuições do cargo, infiltrou na pauta da reunião seguinte um projeto que concede anistia aos ex-deputados (e para sempre mensaleiros) José Dirceu, Roberto Jefferson e Pedro Corrêa, punidos pela Câmara com a cassação do mandato e a suspensão dos direitos políticos por oito anos.

Surpreendido pela reportagem do Estadão que denunciou a patifaria , o pecador irremissível balbuciou explicações desconexas e tratou de recolher a prova do crime. O episódio informa, simultaneamente, que João Paulo Cunha não tem conserto e que os quadrilheiros andam agitados demais com a aproximação do julgamento no STF.  Todos parecem confiantes na bancada das togas governistas. Mas talvez tenham descoberto que ainda é minoritária.

Dirceu sacou a lágrima do coldre

Numa entrevista concedida há dois anos, a relações públicas Evanise Santos, mulher de José Dirceu desde 2003, contou que resolvera dedicar-se ao que chamou de  “gerenciamento de imagem de políticos e empresas”. Eva, como é conhecida entre os amigos, revelou que já tinha um cliente: o marido. Foi ela quem o convencera a fazer um implante de cabelo, interromper a rotina sedentária com exercícios físicos e até aparecer numa festa organizada no mês anterior por Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho. Tudo era parte da luta para melhorar a imagem do político com quem vivia.

A luta continua, comprovam duas notas publicadas na Folha desta quinta-feira pela colunista Mônica Bergamo. Ambas sopradas pela gerente de marketing, ambas tentam deixar o freguês melhor no retrato. A primeira, sob o título SOL, diz o seguinte:

José Dirceu e sua namorada, Eva, passaram o Dia das Bruxas na pousada Triboju, em Fernando de Noronha, fechada para eles e outros 25 amigos. O grupo, na verdade, comemorou o aniversário dela, que pesquisa a mudança do ciclo lunar para escolher o local da celebração. Os donos da pousada, Ricardo e Durval Lelys, do Asa de Águia, deram as diárias de presente aos convidados de Eva.

São vários recados embutidos em 15 linhas de jornal. Dirceu é marido amantíssimo. Dirceu é bom companheiro.  Dirceu tem milhões de amigos (e pelo menos 25 do peito). Dirceu é tão sensível que, para derreter a patroa, é capaz de subordinar a agenda ao ciclo lunar. O dono da pousada gosta tanto do casal que patrocina as festas de aniversário de Eva e hospeda de graça os convidados. Não é pouca coisa. Mas não é tudo: a primeira nota é sobretudo uma preparação para a segunda, intitulada LÁGRIMA e separada em duas partes por uma estrelinha que acentua a dramaticidade da pausa. Confira:

Foi lá que souberam do câncer de Lula.

(espaço com a estrelinha)

Eva disse aos amigos que, pela primeira vez em quase uma década, viu Dirceu chorar.

Reparem no “disse aos amigos”. Pegaria mal a única testemunha da cena raríssima, ainda por cima casada com o protagonista, sair espalhando pelos jornais como foi esse instante tão doloroso. Melhor camuflar a fonte primária, concordaram a informante e a colunista. E o texto fez de conta que a leal parceira do guerrilheiro durão revelou apenas aos muito amigos a história da lágrima ─ um monumento líquido aos laços estreitíssimos de afeto que unem Dirceu e Lula. Os amigos de Eva é que não souberam guardar segredo, certo?

Errado, berra o prontuário do réu à espera de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Oportunismo de quinta é incurável, grita o resultado de uma consulta ligeira  à coleção da mesma Folha de S. Paulo. Na edição de 28 de setembro de 2003, por exemplo, o jornalista que acompanhou a viagem de Lula e Dirceu a Havana descreve a cena ocorrida na véspera, no Palácio da Revolução, durante o encontro da dupla com Fidel Castro:

O ministro José Dirceu (Casa Civil) chegou a chorar quando se encontrou com o ditador cubano, Fidel Castro. Dirceu tentou até evitar que os presentes notassem o que estava acontecendo. Ele se virou de costas para os jornalistas na hora de enxugar as lágrimas com um lenço. Em seguida, respirou de forma profunda e pausada durante cerca de cinco minutos. O ministro considera Cuba sua segunda pátria e diz publicamente que deve a vida a Fidel Castro, que o acolheu no exílio.

É sempre assim quando encontra Fidel. “Para mim ele é como um pai”, explicou depois de recuperar-se do vendaval de emoções. Em junho deste ano, agora formando uma trinca com Lula e o companheiro Franklin Martins, Dirceu voltou a encontrar o ditador-de-Adidas em Havana. Se não mentiu em 2003, deve-se deduzir que chorou há apenas quatro meses. Ou não contou para a mulher ou a gerente de imagem achou melhor poupar o ex-presidente de mais abalos.

Até agora, o comandante do bando de mensaleiros só sacava a lágrima do coldre para homenagear o pai honorário. Se Eva disse a verdade, então o chorão seletivo enxerga em Lula uma espécie de irmão. Ou mãe. A acusação é gravíssima. Não pode ser feita sem provas, sobretudo quando endereçada a alguém que precisa cuidar da saúde.

(por Augusto Nunes).

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Fonte:
Blog Direto ao Ponto (Veja)

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