País não está preparado para acidentes ambientais na área de petróleo

Publicado em 20/11/2011 16:37 e atualizado em 21/11/2011 07:39 369 exibições
do blog de Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

País não está preparado para acidentes ambientais na área de petróleo

Por Danielle Nogueira, no Globo:
O Brasil não está preparado para evitar ou conter vazamentos de petróleo: o investimento em tecnologia preventiva é exíguo e o Plano Nacional de Contingência, embora previsto em lei, nunca saiu do papel. Para especialistas, o derrame de óleo da americana Chevron deve servir como alerta para corrigir o despreparo, tanto de empresas como dos órgãos de controle, visando aos desafios do pré-sal.

“Governo e empresas têm dado ênfase na pesquisa de prospecção de petróleo e pouco se tem avançado no desenvolvimento de tecnologia preventiva. Precisamos de robôs, sensores e outros equipamentos que consigam identificar vazamentos com precisão, de modo a permitir uma rápida reposta”, diz o historiador ambiental Aristides Soffiati, do núcleo de estudos socioambientais da UFF de Campos.

É preciso criar um comitê independente de diagnóstico
O vazamento da Chevron no campo do Frade, na Bacia de Campos, é um exemplo desse despreparo. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO que acompanham a investigação, o robô da empresa tinha capacidade limitada de atuação a uma profundidade de 1.200 metros. Por isso, ela teve de recorrer à Petrobras, sócia minoritária do Frade e operadora de um campo vizinho, para identificar a fonte do vazamento com precisão. Foi a estatal que emprestou à petrolífera americana equipamentos mais modernos para que ela pudesse pôr em prática seu plano de contenção.

O desencontro de informações sobre a extensão do vazamento - a Agência Nacional do Petróleo chegou a estimar que o derrame era cinco vezes maior que o divulgado pela Chevron - é outro indício de despreparo. Para Segen Estefen, diretor de tecnologia e inovação da Coppe/UFRJ, os órgãos reguladores devem ter um comitê independente de diagnóstico, para não depender dos números fornecidos pela empresa responsável pelo acidente.

“Não é preciso que a ANP ou o Ibama tenham os equipamentos de monitoramento. Mas eles devem eleger previamente uma empresa independente capaz de fazer o diagnóstico e acioná-la nesses casos”, afirma Estefen.

Os especialistas esperam que o acidente da Chevron seja um divisor de águas para se avançar na regulação, num momento em que, com o pré-sal, o país caminha para a exploração em águas cada vez mais profundas. Eles lembram que a legislação brasileira de controle de poluição por óleo existente só foi desenhada a partir de um dos piores acidentes já registrados no Rio: o derrame de mais de um milhão de litros de petróleo na Baía de Guanabara, após o rompimento de um oleoduto da Petrobras, em 2000.

Desde então, houve alguns avanços, reconhece a procuradora federal Telma Malheiros, que implementou e chefiou por quatro anos a coordenação de óleo e gás do Ibama, responsável pelo licenciamento ambiental no setor. Um deles é a exigência de um Plano Emergencial Individual (PEI) - desenvolvido pela concessionária para cada unidade ou instalação - entre os pré-requisitos para obtenção da licença. O Plano Nacional de Contingência e a avaliação ambiental estratégica, no entanto, ficaram apenas no papel.

Pressão de empresas emperra fiscalização
O plano nacional, explica Telma, é um planejamento detalhado da atuação de cada um dos órgãos que devem ser envolvidos em caso de vazamento de óleo. Cabe à Marinha, por exemplo, interditar o tráfego de embarcações nos arredores do local do acidente. À ANP cabe o acompanhamento operacional da contenção. Os ministérios da Pesca e do Turismo, bem como o Ibama, também devem ter suas atuações detalhadas, pois o derrame pode comprometer a atividade pesqueira e turística. Um grupo de trabalho chegou a ser montado em 2010, após o mega-acidente da BP no Golfo do México, mas a inércia das autoridades impediu que ele fosse à frente.

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Por Reinaldo Azevedo

PF investiga se Chevron tentou atingir pré-sal ao perfurar poço que vazou

Por Sérgio Torres e Alfredo Junqueira, no Estadão:
A Polícia Federal está investigando a possibilidade de a petroleira norte-americana Chevron estar tentando indevidamente alcançar a camada pré-sal do Campo de Frade. Na tentativa, teria ocorrido a ruptura de alguma estrutura do poço perfurado, dando origem ao vazamento de petróleo na Bacia de Campos (RJ), que já dura 11 dias. Técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) admitiram ontem que discutem internamente essa possibilidade.

O delegado Fábio Scliar, titular da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF e responsável pelo inquérito, disse que “uma das hipóteses com as quais trabalhamos é a de que o acidente pode ter ocorrido pelo fato da empresa ter perfurado além dos limites permitidos”. Os especialistas da ANP suspeitam de que o emprego pela Chevron de uma sonda com capacidade para perfurar a até 7.600 metros, quando o petróleo em Frade aparece a menos da metade dessa profundidade, é um indicativo de que a companhia poderia estar burlando seu plano de prospecção do campo.

Além de investigar a hipótese de que haveria em curso, antes do acidente, uma ação exploratória em direção ao pré-sal, a ANP pretende apurar falhas na construção do poço, o emprego de material inadequado e a falta de realização de testes de segurança antes do início da perfuração.

A Chevron tem quatro poços autorizados no Campo de Frade. O site da ANP informa que um deles está concluído e os outros três (6CHEV4ARJS, 9FR47DRJS e 9FR49DPRJS), em fase de perfuração, em lâminas d’água que variam entre 1.184 metros e 1.276 metros de profundidade.

Ex-presidente da Associação Brasileira dos Geólogos de Petróleo, Nilo Azambuja afirma que as conjecturas que surgem em relação às causas do vazamento na Bacia de Campos, até mesmo as que vêm sendo investigadas pela ANP, não podem ser consideradas definitivas.

Segundo ele, a Chevron poderia estar tentando alcançar o pré-sal, sem que isso represente uma irregularidade. “A área é dela, se quiser pode ir ao Japão”, afirmou ele, acrescentando que a empresa deve, com até 20 dias de antecedência, avisar a ANP sobre seus planos de perfuração, com detalhes da profundidade.
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Por Reinaldo Azevedo

Crise esfria investimento no Brasil

Por Márcia De Chiara e Marcelo Rehder, no Estadão:

O agravamento da crise mundial já provoca um esfriamento nas decisões de investimentos das empresas no Brasil. O movimento ameaça frustrar as expectativas do governo, que trabalha para que a taxa de investimento atinja 22% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2014, garantindo que o País cresça sem pressões inflacionárias. Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) indica, contudo, que o País deve perder neste ano cerca de R$ 9 bilhões de investimentos. Com isso, a relação investimento/PIB deverá recuar para 18,2% este ano. Em 2010, foi de 18,4%. O estudo se baseou em dados do IBGE antes da revisão das contas nacionais de 2009.

Com o acirramento da crise na Europa e a valorização do dólar, houve uma freada nos planos de várias companhias de capital aberto. Na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, boa parte delas anunciou corte e adiamento de investimentos. A cautela em relação aos investimentos apareceu nos balanços das maiores companhias do País, revela o levantamento da empresa de informações financeiras Economática. No terceiro trimestre, o investimento da Petrobrás caiu 30% ante igual período de 2010, de R$ 25,608 bilhões para R$ 17,793 bilhões. No mesmo período, a Vale desembolsou 14,5% menos. A empresa investiu R$ 5,861 bilhões entre junho e setembro deste ano, ante R$ 6,849 bilhões em 2010.

A mudança de rumo já foi captada pelo Indicador Mensal de Investimento (IMI), da FGV. Em setembro, o indicador recuou 0,9% na comparação com o segundo trimestre, já descontados os efeitos sazonais. Foi a primeira queda desde abril de 2009, quando a economia estava sob impacto da crise americana e o índice tinha recuado 8,1%. A economista Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro Ibre e responsável pelos cálculos do IMI, explica que o investimento caiu no terceiro trimestre por causa da retração de 7,1% na importação de máquinas. O IMI, que é um indicador antecedente do investimento, leva em conta a produção de bens de capital e insumos para a construção, além da compra de máquinas no exterior.
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Por Reinaldo Azevedo

Vitória esmagadora da direita na Espanha; socialistas obtêm pior resultado desde a redemocratização do país

Mariano Rajoy beja sua mulher, Elvira Fernández, na sede do PP, comemorando vitória esmagadora do seu partido (Foto: Gorka Lejarcegi)

Mariano Rajoy beja sua mulher, Elvira Fernández, na sede do PP, comemorando vitória esmagadora do seu partido (Foto: Gorka Lejarcegi)

Traduzi longos trechos da reportagem de José Manuel Romero no jornal espanhol El País:

A pior crise econômica desde a redemocratização e a gestão fracassada do governo socialista, que iniciou a legislatura com dois milhões de desempregados e o deixa com cinco milhões, deu ao Partido Popular a maioria absoluta e liberdade para tirar a Espanha do fundo do poço, em meio ao vendaval. O novo primeiro-ministro, Mariano Rajoy, vai governar com o apoio de 186 deputados, acima do número obtido por José María Aznar em 2000, contra 110 escassos deputados do PSOE, o pior resultado desde a redemocratização.

Em sua primeira aparição depois de saber da vitória esmagadora, Rajoy demonstrou um euforia contida diante de milhares de pessoas que foram à sede do partido, em Madri, comemorar o resultado. “Governarei sem sectarismo. Ninguém tem de ficar preocupado”, afirmou. Com a promessa de trabalhar a partir de amanhã para colocar a Espanha “no topo da Europa”, Rajoy admitiu que, dada a delicada situação financeira do país, não pode prometer “milagres”. E convidou tanto seus eleitores como os não-eleitores a participar da mudança.

Essa vitória retumbante — até hoje, havia o registro de três maiorias absolutas em 10 eleições gerais —  dá ao PP o poder absoluto na Espanha. Terá o comando do governo central, de 11 das 17 “Comunidades Autônomas” [mais ou menos o correspondente aos "estados no Brasil] e de metade dos municípios. O naufrágio do PSOE, que tinha 13 pontos percentuais a mais no início do processo eleitoral (caiu de 43% para 30%) impulsionou a maioria absoluta do PP, que chegou a 44%, oito pontos a mais do que em 2008.

Rodeado por alguns dos seus partidários, Alfredo Perez Rubalcaba admitiu na noite deste domingo a derrota socialista. “Perdemos claramente a eleição”. Por volta das 22h30 [hora local], depois de reconhecer que o adversário tinha sido o vitorioso, o socialista compareceu à sede do PSOE, na rua Ferraz, para anunciar que propôs ao secretário-geral do partido, José Luis Rodriguez Zapatero [primeiro-ministro que perde o cargo], a convocação de um congresso para discutir o futuro do partido depois do desastre eleitoral.

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O líder do PP chegou ao topo com um discurso cheio de propostas ambíguas, baseado num programa intencionalmente indefinido, que agora terá de se revelar. Os primeiros dias de Rajoy no comando do governo, a partir da segunda quinzena de dezembro — caso não haja nenhum acordo com os socialistas para antecipar a posse — serão particularmente intensos e complexos. Com a Espanha perto da insolvência e os mercados reclamando mais cortes de gastos, o líder do PP terá de resolver em duas semanas o reajuste de 8,5 milhões de pensões, decidir o salário de 3,1 milhões funcionários públicos (cortados e congelados há um ano e meio) e, num prazo um pouco mais longo, mas não muito, onde meter a tesoura para cortar, no próximo ano, pelo menos 16 bilhões de euros para reduzir o déficit público a 4,4% [do PIB] e cumprir, assim, os compromissos com a União Européia.
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Na primeira vez em que o PP chegou ao governo central, em 1996, José María Aznar prometeu, na posse, reduzir o déficit para 3% (na época, estava em 4,4%), para atender, então, a exigências da União Européia. A tarefa de Rajoy agora é parecida, mas numa situação muito mais difícil.
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Inútil voto útil
Foi inútil a estratégia socialista de pedir o voto útil das esquerdas para o PSOE e martelar que a volta do PP ao poder poria em perigo o poder de compra dos pensionistas, o seguro-desemprego e os direitos civis. O contínuo aumento do desemprego há três anos, até atingir 5 milhões de cidadãos desempregados, foi uma pedra pesada demais para os socialistas. O baque sofrido em maio, nas eleições municipais e nas Comunidades Autônomas, quando o PSOE perdeu o poder regional — e boa parte dele para o PP —, era um anúncio do desastre deste dia 20.

O último esforço do candidato socialista, que pediu em comícios que os espanhóis não dessem o “poder total” ao PP não surtiu efeito junto ao eleitorado. Nos três próximos anos, a Espanha será quase governada por um único partido.
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Por Reinaldo Azevedo

Corregedoria apura enriquecimento de 62 juízes sob suspeita

Na Folha:
O principal órgão encarregado de fiscalizar o Poder Judiciário decidiu examinar com mais atenção o patrimônio pessoal de juízes acusados de vender sentenças e enriquecer ilicitamente. A Corregedoria Nacional de Justiça, órgão ligado ao Conselho Nacional de Justiça, está fazendo um levantamento sigiloso sobre o patrimônio de 62 juízes atualmente sob investigação. O trabalho amplia de forma significativa o alcance das investigações conduzidas pelos corregedores do CNJ, cuja atuação se tornou objeto de grande controvérsia nos últimos meses. Associações de juízes acusaram o CNJ de abusar dos seus poderes e recorreram ao Supremo Tribunal Federal para impor limites à sua atuação. O Supremo ainda não decidiu a questão.

A corregedoria começou a analisar o patrimônio dos juízes sob suspeita em 2009, quando o ministro Gilson. Dipp era o corregedor, e aprofundou a iniciativa após a chegada da ministra Eliana Calmon ao posto, há um ano. “O aprofundamento das investigações pela corregedoria na esfera administrativa começou a gerar uma nova onda de inconformismo com a atuação do conselho”, afirmou Calmon. Esse trabalho é feito com a colaboração da Polícia Federal, da Receita Federal, do Banco Central e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que monitora movimentações financeiras atípicas.

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2011

 às 5:39

Cúpula do PDT se reúne para discutir futuro de ministro

Por Catia Seabra, na Folha:
O comando do PDT se reúne amanhã para discutir a conveniência de manter o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, na equipe da presidente Dilma Rousseff. O ministro deverá participar da reunião. Apesar da avaliação do governo de que a crise arrefeceu no fim de semana por falta de novas denúncias, uma ala do partido defende a precipitação da saída de Lupi por temer a perda da pasta para o PT na reforma ministerial programada para janeiro.

Além dos rumores de que será acomodado num ministério menor, o PDT reclama do desgaste de sua imagem nas últimas semanas. A situação de Lupi se agravou com a revelação da revista “Veja” de que o ministro cumprira agenda oficial no Maranhão a bordo de avião providenciado por Aldair Meira. Meira controla duas ONGs beneficiárias de convênios no valor de R$ 10,4 milhões com a pasta. Lupi negou o uso do avião, mas, confrontado com a versão do empresário, voltou atrás e atribuiu o equívoco a uma falha de memória.
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Por Reinaldo Azevedo

21/11/2011

 às 5:37

O governo da “Comissão da Verdade” esconde supersalário de servidor

Por Renato Machado e Filipe Coutinho, na Folha:
O governo ignorou neste ano um decreto presidencial que manda tornar públicos os supersalários pagos a servidores do Poder Executivo. O decreto 3.529, baixado no ano 2000 e ainda em vigor, manda o Ministério do Planejamento divulgar a cada quatro meses várias informações, como o maior e o menor salários pago em cada repartição. Mas o decreto foi cumprido pela última vez em 18 de janeiro de 2010, quando o governo apontou casos de servidores que recebiam até R$ 12 mil por mês além do teto previsto pela Constituição.

Não foram divulgados nomes, mas o governo apontou os valores e os órgãos em que os servidores trabalhavam. O teto salarial previsto pela Constituição é o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, hoje R$ 26,7 mil. Mas Executivo, Legislativo e Judiciário adotam critérios diferentes para definir quais gratificações são consideradas para enquadrar os salários no teto constitucional. No início do ano passado, o governo informou que havia pelo menos 18 funcionários que tinham seus vencimentos reduzidos para que o excedente fosse eliminado.

Um servidor do Universidade Federal do Ceará, por exemplo, recebia R$ 37,1 mil. Os supersalários divulgados na época se concentravam em universidades e eram resultado de decisões judiciais. Na ocasião, a AGU (Advocacia-Geral da União) prometeu fazer um pente-fino e tentar reverter algumas decisões, mas o órgão aguarda informações do Ministério do Planejamento e ainda não agiu.
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Por Reinaldo Azevedo

O Metrô de SP, a Promotoria e a Justiça. Ou: O buraco é mais embaixo

Ontem, tão logo saiu a notícia sobre o Metrô de São Paulo, os vagabundos de sempre resolveram sair da toca: “E aí, não vai falar do Metrô?” Ou ainda: “E o Metrô do seu querido Alckmin, hein?” Eles estão satisfeitíssimos porque pretendem usar o caso como contrapeso às muitas acusações de corrupção envolvendo o governo federal. A idéia é tirar Carlos Lupi do noticiário e substituí-lo pelo Metrô. No fundo, é mera má consciência: “Estão vendo? Não somos só nós.” Outros ainda: “Agora quero ver o que você vai dizer”. Uai, então vejam. Antes, uma síntese das informações que estão no Estadão. Volto depois:

Por Bruno Ribeiro, Marcelo Godoy e Nataly Costa, no Estadão:
A Justiça determinou ontem a paralisação das obras da Linha 5-Lilás do metrô de São Paulo e o afastamento de Sérgio Henrique Passos Avelleda da presidência da empresa. O Ministério Público Estadual (MPE) sustenta que houve conluio entre as empresas para fraudar a concorrência. Além disso, só o modelo de licitação adotado teria causado um prejuízo de R$ 327 milhões aos cofres públicos. Avelleda é acusado de validar os contratos mesmo sabendo das irregularidades. A denúncia de conluio entre as empresas foi feita em abril de 2010. O governo suspendeu a licitação, mas a retomou em junho deste ano. A decisão da juíza Simone Casoretti, da 9.ª Vara da Fazenda Pública, é baseada em ação da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social contra essa decisão do governo.

Segundo a juíza, Avelleda, apesar de alertado pela Promotoria, decidiu assinar os contratos. Para a magistrada, a continuidade das obras só causaria “mais prejuízos aos interesses públicos, porque é inaceitável que uma obra pública seja objeto de ‘partilha’ entre empresas de engenharia, que, sem escrúpulos, manobram o certame em seu favor”. Mais aqui

População prejudicada
A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, que gerencia o Metrô, afirmou, em nota, que ainda não foi intimada da decisão da Justiça de parar a ampliação da Linha 5-Lilás, mas recorrerá “por uma questão de justiça”. Argumenta ainda que a decisão de afastar o presidente da companhia, Sérgio Avelleda, é “totalmente descabida”. “A licitação não foi feita em sua gestão (ele era presidente da CPTM na época) e a decisão de prosseguir os contratos foi tomada por toda a diretoria do Metrô com base no processo administrativo”.

O governo segue explicando que a paralisação das obras “submeteria o Estado ao risco de uma longa demanda jurídica e prejuízos de toda sorte. A população seria prejudicada duas vezes: na paralisação das obras e no risco de pagamento, com dinheiro público, de indenizações a empresas privadas”. No texto, a secretaria argumenta que “o resultado da licitação não deu prejuízo de R$ 327 milhões, como afirma o Ministério Público Estadual” e que o cálculo feito pelo MPE é “equivocado e rudimentar”, por partir de pressupostos “errados”, que nunca estiveram no edital de licitação que definiu os vencedores. A distorção no processo licitatório apontada pelo MPE ocorreu porque o edital previa que cada empresa só podia vencer um dos oito lotes em disputa. Isso significa que a empresa ganhadora para as obras do lote 1, por exemplo, não teria as propostas para os demais trechos abertas, mesmo que oferecesse o valor mais baixo. Com isso, o MPE calculou o prejuízo em R$ 327 milhões, pela diferença entre as propostas mais baratas e as que venceram, mais caras. Mais aqui.

Voltei
Quero começar pela história que está na raiz dessa decisão: a tal antecipação do resultado, que teria sido publicado em jornal como anúncio cifrado. Olhe, vou repetir o que escrevi em agosto de 2008:
“Há muito tempo a imprensa não recorre ao expediente de publicar anúncios cifrados de licitação. E a razão é simples. O procedimento pode não ser considerado, como direi?, muito sério. Num processo em que restam três concorrentes, o que impede que se façam três anúncios cifrados? De posse do resultado, bastaria escolher um. Mas vá lá. Digamos que não seja assim. Um repórter pode obter uma dica, apostar num só cavalo, com uma chance de acertar em três. Aposta. Se der certo, torna público o anúncio. Se não der, ninguém fica sabendo. Se a reportagem ainda acerta o valor da mosca, vá lá. Mas não foi o caso.”

Em suma: a cada licitação, as concorrentes que disputam as obras podem “acertar” sempre. Basta que publiquem um anúncio para cada empresa que participe do certame. Terão sempre uma “prova” em mãos caso queiram melar o jogo. Acho que fui claro, não?

Quando ao que afirma a secretaria, a resposta me parece absolutamente razoável. Fosse como quer o Ministério Público, uma única empresa poderia ficar com todas as obras, o que seria absolutamente temerário. Se a regra excluía a possibilidade de acumulação de lotes, é improcedente que se tome como valor de referência para o lote B o que foi eventualmente oferecido por aquela que venceu o A.

Não estou escrevendo nada que não tenha dito, diga-se, quando essa história começou. “Tá vendo, está defendendo o governo de São Paulo…” Estou defendendo o que me parece correto. Se petralha acha que sou do tipo que fica fazendo joguinho nem-nem, deixando-me patrulhar para provar a eles que sou isento, podem botar o burro na sombra. Petralhas não são meu interlocutores privilegiados nem meu juízes. Eu não faço a menor questão de ser aprovado por eles.

Por tudo o que li a respeito, acho que Ministério Público e Justiça estão errados. Ponto! Se e quando me convencer do contrário, escrevo aqui.

Ah, sim: ainda que tivesse havido a safadeza mais cabeluda no Metrô, o que não acho que tenha ocorrido, isso não diminuiria as lambanças no governo federal, certo?  Petralhas até podem pretender que todos são iguais. Eu continuarei a sustentar que não são.

Por Reinaldo Azevedo

POLÍCIA FEDERAL JÁ!!! PANFLETO ELETRÔNICO AMEAÇA MACONHEIROS DA USP E EXALTA MORTE DE HERZOG. É UMA TRAMÓIA PARA CRIMINALIZAR NÃO-ESQUERDISTAS. COMENTÁRIO DA DIREÇÃO ILEGÍTIMA DO DCE É PÍFIO! AUTORES TÊM DE IR PARA A CADEIA

Criou-se um primeiro factóide na USP: um representante da única chapa não-esquerdista estaria andando armado. É mentira! Agora surgem panfletos abjetos ameaçando maconheiros, assinados pelo “CCC” — Comando de Caça aos Comunistas, um grupo inexistente hoje em dia. O material traz a foto de skinheads e do corpo do jornalista Vladimir Herzog, cuja morte é tratada com ironia. Evidentemente, o troço já se espalhou pelas redes sociais. O objetivo é associar esse panfleto criminoso à “direita”.

panfletoA chapa “Reação” já avisou que vai acionar a Polícia Federal. Aliás, a PF pode e deve agir por conta própria. Ainda que houvesse uma extrema direita organizada, defendendo essa pauta, não seria tão estúpida a ponto de espalhar um material tão nojento. Essa é a tática Odorico Paraguaçu, da novela “O Bem-Amado”, de Dias Gomes. Quando Odorico queria empastelar o jornal da oposição ou perseguir seus adversários, mandava ele próprio pichar nas paredes: “Odorico é ladrão!”

Há estudos sobre esses grupos de skinheads. Costumam ser compostos de rapazes pobres, da periferia, com um notável grau de truculência e ignorância. Nem por isso merecem outro lugar que não a cadeia. A maioria não tem nem idéia de quem foi Vladimir Herzog. É justamente a exploração asquerosa da imagem do corpo do jornalista, assassinado no dia 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-CODI, que indica a tentativa de ideologizar o confronto da USP, como se a luta contra as esquerdas delirantes fosse coisa da extrema direita, que defende tortura e mortes. Os que se opõem à pauta dos esquerdistas seriam, então, ligados a essa escória. Uma ova! Comunistas são especialistas em morte, como todo mundo sabe.

Não gostei da reação de Renan Teodoro, diretor do DCE. Foi fraca, burocrática. Leiam o que disse ao G1: “Não vimos nenhum (panfleto) no campus até o momento, mas se houver algum partiu de um grupo extremamente minoritário na USP”. Classificou o material de “mau gosto” e “quase infantil”. E emendou: “Evidentemente que preocupa esse tipo de intolerância, até mesmo na cidade. Temos o exemplo dos meninos da Paulista que foram agredidos com lâmpadas fluorescentes”.

“Quase infantil”??? Que idéia este rapaz faz das crianças? Quase infantil uma ova! Isso é coisa de criminosos. Aliás, fico sabendo agora, essa barbaridade foi usada na assembléia vigarista de ontem, que decidiu dar o golpe no DCE.

É uma reação muito fria para um diretor do DCE, mesmo uma direção que passará a ser ilegítima a partir do dia 22.

EU ACHO A COISA MAIS GRAVE DO QUE ISSO! NÃO É PARA SER TRATADA ASSIM, NÃO, COMO SE NÃO TIVESSE IMPORTÂNCIA. TEM DE ACIONAR A POLÍCIA FEDERAL.

EU QUERO OS AUTORES DESSA NOJEIRA NA CADEIA!

Não sei por quê, mas intuo que a canalha que fez isso aí é a mesma que está ameaçando quebrar a minha cara!

Quem é essa gente? QUE A POLÍCIA FEDERAL ENTRE EM CAMPO IMEDIATAMENTE!

PS: Imaginem um bando de carecas de subúrbio desfilando na USP, caçando maconheiros… Será que passariam despercebidos? Tenham paciência!!!Haveria o risco de o esquerdismo fashion morrer de susto… estético! Afinal, por ali, fascistas que ameaçam os outros vestem GAP e Diesel.

Texto originalmente publicado às 22h54 desta sexta

Por Reinaldo Azevedo

Os petralhas e os skinheads

Petralhas são analfabetos como chimpanzés. Mas aquele pequeníssimo percentual genético que os distingue dos primos lhes permite escrever, ainda que daquele jeito…, e articular um número limitado de vocábulos da inculta & bela. A Folha de hoje publica um texto informando que dois rapazes foram presos, em frente à Faculdade de Educação, colando os tais panfletos que incitam agressão a maconheiros, com a foto de Valdimir Herzog morto. Uma delegada afirma que eles pertencem a “grupos de intolerância”. E os petralhas? Leram o post anterior e estão cuinchando: “Tá vendo? Foram os neonazistas mesmo! E você acusando a esquerda!”

Tentem endireitar a coluna um tantinho e releiam o que escrevi.

Eu estou pouco me lixando para quem produziu aquele negócio asqueroso. Eu quero é que essa gente vá para a cadeia. Mantenho o que afirmei. Que se investigue direito. Esses idiotas truculentos que se identificam como “skinheads”, “neonazistas” ou o que seja são de tal sorte desinformados que não têm a menor noção de quem foi Herzog. A referência é absolutamente atípica.

O objeto do meu texto é outro. Eu estou afirmando — AFIRMANDO — que esse panfleto está sendo usado por picaretas para tentar identificar com a truculência neonazista aqueles que defendem a PM patrulhando o campus e que se opõem a invasões e greves. Não por acaso, o tal panfleto foi exibido por golpistas de extrema esquerda na assembléia da USP como coisa do campo adversário.

O material até pode ter sido produzido por skinheads. E daí? Muda o quê?  Está sendo usado pela extrema esquerda, nas redes sociais, para associar aquela indignidade aos que defendem o estado de direito e a democracia na USP.

DE NOVO:
- semelhantes a skinheads são aqueles que intimidam professores;
- semelhantes a skinheads são aqueles que intimidam alunos;
- semelhantes a skinheads são aqueles que fazem piquetes;
- semelhantes a skinheads são aqueles que impedem o direito de ir e vir;
- semelhantes a skinheads são invasores de prédios públicos com a cara coberta;
- semelhantes a skinheads são os milicianos de esquerda da USP;
- semelhantes a skinheads são aqueles que escrevem textos apoiando, ainda que de modo oblíquo, a violência.

Se eles forem neonazistas mesmo, ainda que neonazistas da desinformação, são primos morais e ideológicos da extrema esquerda que hoje infelicita as universidades brasileiras.  QUE TEM DE SER VENCIDA NO VOTO. Afinal, basta estudar um pouquinho para constatar que fascismo e comunismo têm em comum o ódio às liberdades individuais, o ódio ao liberalismo, o ódio ao mercado, o ódio à “ordem burguesa”, o ódio ao capitalismo.

Pronto, petralhas! Podem voltar à banana.

PS -  Vejam os filmes das assembléias da USP que estão por aí. Vi careca de coturno por lá, sim. Mas entre defensores da greve. Podem procurar que vocês acham. Fiz uma pesquisa na Internet e descobri que existe até um movimento skinhead de… extrema esquerda!

Por Reinaldo Azevedo

Alunos da Unirio, da USP e de todo o Brasil, vejam como os esquerdistas de butique seqüestram o seu futuro, mas têm o deles garantido. Espalhem este post!

Alunos da Unirio, da USP e de todo o Brasil, leiam este post. Se acharem que ele diz a verdade, espalhem! E votem na liberdade!

Desde que eu participei do movimento estudantil, a realidade é a mesma: esse rapazes e moças de extrema esquerda que vocês vêem desfilando pela universidade, muitos deles com suas roupas CUIDADOSAMENTE ESQUISITAS, com aquele estilo mulambento-fashion e o cabelo RIGOROSAMENTE DESPENTEADO — uma coisa, assim, “Luan Santana leninista” —, essa gente, na sua maioria, vem de famílias abastadas, cheias da nota. PODEM LUTAR PELA REVOLUÇÃO QUE NUNCA HAVERÁ PORQUE SEUS PAIS JÁ ACUMULARAM PATRIMÔNIO POR ELES E PARA ELES.

Alunos da Unirio, da USP e de todo o Brasil, a esmagadora maioria dos “comunistas” que vocês conhecem na universidade é composta de pessoas muito mais ricas do que vocês. Eles têm uma “desculpa” histórica para isso: Lênin era filho de um alto funcionário público da burocracia czarista, e o pai de Trotsky era da aristocracia rural. Stálin, o assassino profissional, era filho de sapateiro — daí que os trotskistas em particular detestem essa conversa de debater a origem social dos “revolucionários do toddynho”. Eles acham que revolucionário pobre acaba fazendo cagada! E acham que o não-revolcionário pobre é só um arrivista que quer subir na vida! Como não precisam disso, então cuidam da “revolução”, entenderam?

Pensem bem: na opinião de vocês, qual a chance de o Brasil passar por uma revolução socialista nos moldes que eles imaginam? Zero!!! LOGO, A LUTA DELES NÃO TEM FUTURO, MAS O FUTURO DELES ESTÁ GARANTIDO. Vão ficar alguns anos nessa brincadeira, com seus papais e mamães acompanhando tudo a uma prudente distância, e depois voltam para os braços da “burguesia” que dizem detestar. Assumirão os negócios da família, a administração de seu patrimônio etc. E pronto!

Mas e vocês? E vocês que realmente dependem da conclusão do curso para ter uma vida mais confortável? E vocês que, já hoje, só estudam porque trabalham para se manter? E vocês que não têm tempo para participar de suas assembléias intermináveis, plenárias intermináveis, reuniões intermináveis? Vocês não têm para onde correr. São vocês por vocês mesmos! Não estão na universidade para torrar alguns tostões do patrimônio familiar. Ao contrário! Ainda precisam construir o seu próprio patrimônio para poder dar uma vida mais confortável do que tiveram a seus filhos.

É justo que essa gente fique tiranizando a universidade porque já está com a vida garantida? É justo que essa gente fique promovendo greves e invasões, ameaçando o seu futuro? Vocês estão dispostos a perder o ano porque PSOL, PT, PCO, PCdoB ou sei lá quem decidiram que a universidade é só um lugar para eles aplicarem os princípios dos seus respectivos partidos? Deve haver um ou outro militantes pobres! Mas são exceções. O Globo publicou uma reportagem com alguns pais de invasores da Reitoria da USP que foram detidos. Um é um empresário bem-sucedido. Outro é engenheiro. Três outros são professores que exercem cargos importantes nas universidades em que atuam.

Durante a invasão da Reitoria, VEJA flagrou dois “revolucionários” deixando o prédio por alguns instantes. Foram tomar um banhinho em casa, comer a papa na mama, para voltar em seguida. Um deixou o prédio num Polo sedan; outro saiu num Kia Soul estalando de novo! Nota: a invasão da Reitoria foi promovida por seitas de extrema esquerda. Trotsky ao menos rompeu com a família e passou um tempo morando num quintal de um jardineiro. Os Lênines e Trotskys da USP, da Unirio ou da UnB não abrem mão do conforto. E não cobre nada deles, hein? Dirão que são a favor de Kia Soul para todo mundo!!!

Vocês, estudantes que estudam; vocês, estudantes que trabalham e estudam, vocês todos são reféns de gente que está com a vida ganha e que apenas está a fim de exercer por algum tempo seus hormônios revolucionários. Se eles perderam um ano, tanto faz! Na hora de disputar o mercado de trabalho, não raro, o paizão mobiliza um pistolão e dá uma ajudinha. Já vocês terão de se virar por conta própria.

Mas eles não têm dúvida: os reacionários são vocês!
Mas eles não têm dúvida: os conservadores são vocês!
Mas eles não têm dúvida: os alienados são vocês!

Notem que, em certa medida, eles têm razão. Explico-me. Há mesmo uma “luta de classes” nas universidades públicas: entre os pobres que querem estudar porque precisam construir o futuro e os ricos que querem fazer a revolução porque seu futuro já está garantido por seus respectivos papais reacionários.

Pensem nisso!
Vote, maioria silenciosa da Unirio!
Vote na qualidade do seu curso!
Vote por uma “Unirio Livre” dos burguesotes de extrema esquerda!
E que, de fato, o movimento em favor da liberdade ganhe o país.

Por Reinaldo Azevedo

ALÔ, ESTUDANTES QUE REALMENTE ESTUDAM DA UNIRIO E DO BRASIL! A ESQUERDA ESTÁ SE BORRANDO DE MEDO E DECIDIU QUE EU SOU O SEU MAIOR INIMIGO!!! OU: COMENTANDO UM MANIFESTO ANALFABETO DOS ADMIRADORES DO ASSASSINO FEDORENTO

guevara-caveiraUniversitários da Unirio, universitários do Brasil, brasileiros,

Começo este post com a narrativa de um assassinato:
“Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no (lobo) temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Ao tratar de retirar seus pertences, não consegui soltar o relógio”

Essa verdadeira peça da poesia homicida foi produzida por Che Guevara — aquele que detestava banhos e a vida humana, capaz de matar um “companheiro” que pegara um pedaço de pão sem autorização e que achava que o ser humano tem de aprender a odiar para se converter numa “fria máquina de matar”. O que vai acima é trecho de seu diário. Como se nota, além de assassino, ladrão!!! Foi o criador do primeiro campo de concentração na América Latina, ainda em 1960. Quem testemunhou seus métodos não foi nenhum reacionário, não, mas Régis Debray, que conta os detalhes de seu temperamento sórdido em Loués Soient Nos Seigneurs” Por que este breve relato? Che Guevara é a personagem que ilustra uma página de uma turma chamada “Coletivo Vamos à Luta”, que atua também na Unirio, que decidiu escrever um texto me atacando e acusando a chapa “UNIRIO LIVRE” de ser títere deste pobre jornalista. Eu nem conheço a moçada. Nunca falei com ninguém de lá!

O “Coletivo Vamos à Luta” pertence ao PSOL, aquele partido em que nem a Heloísa Helena conseguiu ficar!

Estudantes que estudam estão acordando
A EXTREMA ESQUERDA QUE SEQÜESTRA AS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS ESTÁ EM PÂNICO. Os estudantes que estudam estão começando a reagir. Na USP, os fascistas deram um golpe e prorrogaram o próprio mandato, cassando as eleições. É que iriam perder a eleição para a chapa “Reação”. Então os generais do PSOL, do PSTU, do PCdoB, do PT, da LER-QI e de outras minoridades decretaram o
AI-5 uspiano, cassando o direito ao voto de 89 mil estudantes. Estão bravos comigo porque estou noticiando a existência de alternativas. A propósito: a direção do DCE da USP está com o PSOL, a mesma turma do manifesto de agora.

Para os extremistas do sucrilho e do toddynho, tudo estava no seu devido lugar. O DCE era deles e pronto! Tratava-se de uma disputa entre primos que não se entendem muito bem. Estão divididos em vários partidos. Geralmente, a razão da dissensão está na Rússia revolucionária!!! O que isso tem a ver com a sua vida real, estudante que estuda? Nada! Bastou que eu desse aqui a simples notícia de QUE EXISTE UMA CHAPA QUE NÃO É DE ESQUERDA DISPUTANDO O DCE DA UNIRIO e pronto! Virei alvo dos “bolcheviques” de Ipanema, Copacabana e Leblon! Em São Paulo, os “revolucionários” costumam morar no Alto de Pinheiros, Butantã, Pacaembu… Pobreza de verdade, eles desconhecem. São antes agentes da folclorização da miséria para alimentar a sua culpada pureza revolucionária!

Vamos nos divertir
Quero me divertir um pouco — no post abaixo, revelo por que essa gente odeia os alunos de verdade! — comentando alguns trechos do “Manifesto Anti-Reinaldo Azevedo”. Seguem em vermelho. Divirto-me (e divertimo-nos) em azul.

A revista Veja está em campanha apoiando chapas nas entidades estudantis por todo país. Seu cabo eleitoral é Reinaldo Azevedo, aquele que passou de ex-líder estudantil de esquerda ao mais reacionário articulista da direitopatia tupiniquim.  Na Unirio apoiam a chapa “UNIRIO LIVRE”, de oposição a atual gestão de esquerda do DCE (leia em http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/tambem-a-unirio-pode-se-libertar-dos-seus-sequestradores/).
Um comunista mentir não é inédito. A VEJA, que eu saiba, não apóia ninguém. Quem decidiu jogar luzes sobre essas disputas fui eu. Essa gente se toma como medida de todas as coisas. Como todos ali são paus mandados de partidos e seitas de extrema esquerda, entendem que não pode haver independência em lugar nenhum. Mas eu gostei mesmo foi de vê-los empregando o termo “direitopatia”. Isso quer dizer que eles já estão me copiando, já que o termo “esquerdopatia”, assim como “petralha”, se espalha blogosfera afora. Aliás, para minha satisfação, “petralha” já foi até dicionarizado.

Os não-esquerdistas da “Aliança Pela Liberdade” venceram a eleição na Universidade de Brasília. Eu nunca havia escrito sobre eles. O que fiz foi aplaudir a sua vitória. E noticiei a existência da chapa “Reação” na USP e da “UNIRIO LIVRE”. Também a grande imprensa está coalhada de esquerdistas, como todos sabem. Essas chapas formadas por “alunos que estudam” costumam ser maltratadas por repórteres, que, muitas vezes, eram invasores de reitoria até anteontem. Eu sei de um caso escandaloso de uma moça que migrou da reitoria para a redação… O que fiz foi tratá-las com dignidade. Só isso! E VEIO O PÂNICO. As esquerdas se uniram na USP para dar um golpe e, segundo percebo, estão se borrando de medo na UNIRIO. Atenção para o que vem agora.

Nos últimos meses, Reinaldo Azevedo se detém sobre a situação das universidades e eleições estudantis. Trata de unir as chapas yuppies em um único movimento, visando sua articulação orgânica nacional. Por isso, saúda com um estridente Anauê integralista as chapas de direita que disputaram a UFRGS, ganharam o DCE da UnB e os Reacionários da USP. Azevedo sabe da importância de organizar esse movimento nacional que dispute DCE’s e grêmios estudantis, tirando-lhes das mãos da esquerda que enfrenta o governo Lula e Dilma, também não se curva ao PSDB/DEM.
Não! Venho escrevendo a respeito nos últimos dias, notadamente depois que uma súcia de fascistas encapuzados invadiu a reitoria da USP. “Chapas yuppies”??? Santo Deus! Não é de estranhar que a vanguarda revolucionária do século 19 ainda tenha alguns inimigos do fim do século 20… “Articulação orgânica”? Esses pobres coitados intelectuais usam termos de esquerda cujo significado desconhecem. O “anauê” era a saudação integralista, do fascismo verde-amarelo, que era antiliberal, nacionalista e, no limite, anticapitalista, como todo fascismo. Ora, se eu sou, como acusam, um “neoliberal”, então não posso ser nacionalista; por neoliberal, também não posso ser anticapitalista. O que eu posso fazer para o bem desses rapazes e moças (provavelmente, nem tão “rapazes” nem tão “moças”, já que são profissionais de causas…)? Sugerir que vão estudar história. E, pelo amor de Deus!, estudem um pouco de gramática. Participei, sim, do movimento estudantil. Mas não era ANALFABETO DE TERCEIRO GRAU.

Leiam isto: “Azevedo sabe da importância de organizar esse movimento nacional que dispute DCE’s e grêmios estudantis, tirando-lhes das mãos da esquerda que enfrenta o governo Lula e Dilma, também não se curva ao PSDB/DEM.” Que língua é essa, Jesus Cristo? O certo é “tirando-OS das mãos da esquerda”. A propósito: qual é o sujeito daquele anacoluto “também não se curva ao PSDB/DEM”? VÃO ESTUDAR!!! VÃO LER!!! VÃO SE INSTRUIR!!! VOTEM VOCÊS TAMBÉM NA “UNIRIO LIVRE”!!! LIBERTEM-SE DA TEIA DA IGNORÂNCIA!!!

Em seguida, os bravos analfabetos do Coletivo de Esquerda demonstram que entendem da realidade o que entendem de gramática. Acusam-me de ser um perigoso agente de multinacionais interessadas na privatização da educação. Uau!!! Um intelectual petista energúmeno já me acusou de ser agente da CIA. Outros tantos dizem que sou ligado ao serviço secreto de Israel (!!!). É tudo tão secreto que nem eu sabia disso! Agora, os partidários do assassino fedorento descobriram que estou querendo privatizar a universidade pública. E os meus “operadores” seriam as chapas não-esquerdistas.

Esses tontos me acusam, no fundo, de ser uma INTERFERÊNCIA EXTERNA NA UNIVERSIDADE. Eu? Não mesmo! EU APÓIO OS ESTUDANTES QUE ESTUDAM!
- Interferência externa é ser membro do PSOL e tentar submeter alunos e professores às escolhas do PSOL!
- Interferência externa é ser membro do PSTU e tentar submeter alunos e professores às escolhas do PSTU!
- Interferência externa é ser membro do PT e tentar submeter alunos e professores às escolhas do PT!
- Interferência externa é ser membro do PCdoB e tentar submeter alunos e professores às escolhas do PCdoB!
- Interferência externa é ser membro do PCO e tentar submeter alunos e professores às escolhas do PCO!
- Interferência externa é ser membro da LER-QI e tentar submeter alunos e professores às escolhas da LER-QI!

Eu defendo que as entidades estudantis sejam dirigidas por estudantes interessados nos problemas dos… estudantes! Como sou esquisito, não!?

Agora prestem atenção a esse momento quase poético do manifesto:
“Os defensores do atraso teimam em afirmar a atuação do individuo isolado, desejam negar a existência da luta classes e das mobilizações coletivas. Mas as praças do mundo são um espectro que atormenta o irracionalismo deles: milhares e milhares lotando Tahir, Puerta del Sol ou Wall Street; greves gerais escritas em Grego, Italiano, Inglês e Português. Em todos os cantos surgem indignados que estão de saco cheio de gente como Reinaldo Azevedo e os mercados que ele tanto defende. São as maiorias ex-silenciosas que tomaram as ruas em todos os continentes, questionado o sistema capitalista e procurando uma alternativa. E, que nos desculpem os jovens integralistas da Veja, isso tende a continuar. Aliás, Amanhã vai ser maior.”
Uiuiui… Associar os eventos no mundo árabe aos protestos dos esquisitos de Wall Street é, que me desculpem eles, coisa de delinqüentes intelectuais, que não entenderam o que se passa nem de um lado nem de outro. Há três dias, a Praça Tahir voltou a ficar lotada. Era uma convocação feita pela Irmandade Muçulmana. Se e quando ela chegar ao poder, os primeiros que vão para a forca são os comunistas cretinos, como os que escrevem essa bobajada. Vejam o que aconteceu com a revolução islâmica no Irã. Não, bestalhões! Os que não estão pedindo teocracia nos países árabes estão justamente pedindo… capitalismo, democracia e sociedade de consumo!!! Tudo o que vocês odeiam. Eu sou pessimista. Acho que, no médio prazo, os pró-Ocidente perderão, infelizmente, a luta para os religiosos. Queridos amigos me dizem que estou errado. Tomara!

Quanto a Wall Street e aos protestos em outros países da Europa… Quem ali está pedindo socialismo? Onde estão os movimentos de “greve geral”? Que diabo vocês andam tomando no café da manhã, além de sucrilho e toddynho?

“Indignados com o saco cheio de Reinaldo Azevedo”? Devem existir mesmo, né? Se eu fosse meu adversário ideológico, também não gostaria de mim… O que me pergunto é por que vocês estão com tanto medo. Se vocês são tão queridos PELO CONJUNTO DOS ESTUDANTES — e não apenas pela meia-dúzia de sectários que têm o mesmo delírio —, por que o receio? A alternativa ao capitalismo já foi testada, seus tontos! Matou 25 milhões na URSS, 70 milhões da China, 3 milhões no Camboja…

“Ah, mas desta vez será diferente…” Ainda que fosse possível e que o movimento de vocês tivesse futuro, a gente nota como será diferente, não é mesmo? Vocês são incapazes de tolerar uma única chapa não-esquerdista! Ficam logo enxergando conspirações. É o caminho aberto para o assassinato de adversários. Ora, já que são maus e conspiradores, que sejam eliminados! E isso nos devolve àquele trecho do herói de vocês, relatando como atirou na têmpora de alguém que já havia sido rendido e ainda lhe roubou os pertences.

Encerram o texto  assim:
Apesar de toda gritaria histérica e inútil de Reinaldo Azevedo, seguiremos na luta. Somos os 99%. Os nossos sonhos não cabem na Veja. Ela não sequestrará nossa indignação.
Nossa! Como eles são cheios de moral e indignação! São os 99%??? Não sejam ridículos!
- Se são 99%, tenham a coragem de fazer assembléias realmente democráticas;
- se são 99%, tenham a coragem de ouvir o que pensa a maioria silenciosa;
- se são 99%, tenham a coragem de instituir um sistema de tomada de decisão em que cada aluno valha um voto! Mas isso vocês não farão porque são covardes!

99%??? Plínio de Arruda Sampaio, o candidato da turma do Coletivo de Esquerda, teve 0,87% dos votos nas eleições presidenciais! O PSOL pode achar que está bom, né? Afinal, ele ficou em quarto lugar!!! Esse é o seu real tamanho!

Eu estou me divertindo muito com tudo isso. Ao condenar os fascistas encapuzados da USP e seus métodos truculentos e ao simplesmente informar que existe uma chapa de não-esquerdistas disputando o DCE da Unirio, não sabia que provocaria tamanho desespero. Na USP, as esquerdas se uniram e deram um golpe; na UnB, fui atacado pelos derrotados na solenidade de posse da chapa vencedora; na Unirio, virei personagem de uma teoria conspiratória que me dá uma importância no movimento de libertação que obviamente não tenho.

Eu sei que é bastante difícil desalojar esses partidos que aparelham as universidades. Mas os vitoriosos da UnB demonstram que isso é possível! Eles, sim, são os verdadeiros heróis do que pode vir a ser um movimento: o movimento dos estudantes que estudam!

Libertem-se, estudantes do Brasil!
Libertem-se, estudantes da Unirio!
Por uma “UNIRIO LIVRE”!!!

Por Reinaldo Azevedo

Chávez: o tirano está perdendo a luta para o câncer

Inchaço e fadigaO presidente participa de uma cerimônia militar em Caracas, em 6 de novembro: câncer ?de próstata com metástases nos ossos ?e um tumor maligno no cólon

Inchaço e fadiga
O presidente participa de uma cerimônia militar em Caracas, em 6 de novembro: câncer de próstata com metástases nos ossos e um tumor maligno no cólon

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A VEJA desta semana traz uma excelente reportagem de Leonardo Coutinho e Duda Teixeira sobre o câncer de Hugo Chávez, ditador da Venezuela. Há quem assegure que ele não chega até as eleições de 2012. Sua doença é bem mais grave do que se divulgou. Pior: tudo indica que foi vítima da barbeiragem da medicina cubana. Vocês sabem o tipo de comentário que não abrigo em casos assim, certo? Ninguém mais do que Chávez politizou a doença. Houve e há uma exploração asquerosa. É claro que vocês podem e devem analisar a questão. Este blog torce pela derrota de todos os tiranos, vigaristas e demagogos. Mas não torce pela morte de ninguém.

Segue reportagem da VEJA, já reproduzida na VEJA Online:
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Há um mês, o presidente venezuelano Hugo Chávez beijou a imagem de gesso do médico José Gregorio Hernández (1864-1919), idolatrado como santo em seu país, em agradecimento à “cura” de seu câncer. Jogo de cena. A foto acima, feita duas semanas atrás, desvela a realidade. O rosto inchado, a pele ressecada, a ausência de cabelos e o aspecto cansado compõem o retrato de um homem doente, muito doente. “Sua aparência mostra que o tratamento continua, e que o câncer ainda está ativo ou poderá voltar”, diz o oncologista Ademar Lopes, de São Paulo. Essa avaliação é reforçada por um conjunto de relatos detalhados da evolução do câncer de Chávez, produzidos por fontes da Venezuela, aos quais VEJA teve acesso. Segundo tais relatos, ele não só segue doente como seu quadro clínico se complica a cada dia. O câncer, que estava restrito à próstata e ao cólon, há muito se espalhou, com metástases nos ossos. As fontes venezuelanas, apoiadas em exames médicos, afirmam que a sobrevida de Chávez dificilmente superará um ano. O tirano, que governa a Venezuela por doze anos, amarga um crepúsculo antecipado. Nas eleições presidenciais de outubro do ano que vem, ele poderá não estar presente.

O primeiro a alertá-lo sobre a gravidade de seu problema de saúde foi um médico espanhol, em janeiro. Na ocasião, Chávez já convivia fazia mais de um ano com sintomas que apontavam para a existência de um tumor na próstata. O venezuelano, contudo, postergou a realização dos exames sugeridos. Em maio, o primeiro sinal de saúde frágil se tornou visível. Chávez apareceu em público apoiado em uma muleta. De acordo com a versão oficial, a causa era uma lesão no joelho. A dificuldade para andar tinha outro motivo, segundo os relatos obtidos por VEJA: o avançado estágio do câncer nos ossos. No mês seguinte, Chávez foi internado em um hospital de Havana, em Cuba, para extirpar o tumor na próstata. A intervenção cirúrgica, não recomendada para casos de neoplasia nessa glândula com metástase, pode ter sido um erro médico gravíssimo que acelerou a disseminação do câncer. Uma segunda cirurgia foi feita dez dias depois, conforme disse o próprio Chávez. Desse ponto em diante, a terapia passou a ser comandada por médicos europeus, com equipamentos importados. Os cubanos foram relegados ao papel de observadores.

O visual inchado de Chávez dos últimos dias, com o queixo emendando no peito, pode ser lido como uma evidência de que o tumor da próstata já teria alcançado o reto (a parte final do intestino), comprimindo as vias urinárias, ou como um efeito dos corticoides usados na quimioterapia. O urologista Fernando Almeida, da Unifesp, e os oncologistas Sergio Azevedo, da UFRGS, e Samuel Aguiar Junior, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, fizeram uma análise crítica dos relatos obtidos por VEJA. De acordo com eles, alguns procedimentos citados não condizem com o tratamento-padrão de um câncer de próstata. Tumores originados nessa glândula, por exemplo, não requerem quimioterapia - e Chávez já enfrentou quatro sessões. Segundo as fontes da Venezuela, o uso da quimioterapia se deve ao aparecimento de um câncer no cólon, que perfurou a parede do intestino e provocou uma infecção. O tumor no cólon também explica a segunda cirurgia. A possibilidade de aparecerem dois tumores simultaneamente é rara, mas não impossível. Como os sintomas foram menosprezados por mais de um ano, as células do câncer de próstata se espalharam para os ossos, o que foi detectado numa análise citológica. Em agosto, os médicos concluíram que o tratamento em duas frentes, com quimioterapia e radioterapia, fracassou. Cogitou-se, então, a transferência de Chávez para um centro de oncologia na Europa. Ele recusou a proposta. Em setembro, fez sessões em uma clínica montada na ilha La Orchila, onde está localizada uma casa de praia da Presidência.

No fim de outubro, Chávez tomou uma decisão surpreendente, segundo as fontes da Venezuela. Informado da gravidade de sua doença, preferiu não se submeter a um tratamento mais agressivo, que certamente o tiraria das atividades públicas. Optou por receber uma terapia mais leve. Ainda assim, teve de abandonar o programa dominical Alô Presidente e os discursos intermináveis. Agora, raramente sai de Caracas. Prevendo não concorrer às próximas eleições por motivo de saúde, Chávez escolheu como substituto o chanceler Nicolás Maduro. Ele é o único integrante do governo que conhece toda a verdade sobre a doença do chefe. Em 2012, Maduro deparará com uma oposição organizada e vigorosa. Sete candidatos na casa dos 40 anos participarão de uma eleição primária em fevereiro, para a escolha do nome a enfrentar o chavismo. Embora a doença tenha elevado em oito pontos porcentuais a popularidade do governo, a empatia não se converteu em apoio político. Para 52% dos venezuelanos, o preferido no próximo pleito é um opositor.

Em Havana, Chávez recebeu tratamento no Centro de Investigaciones Médico-Quirúrgicas (Cimeq). Seus leitos são reservados para membros do Partido Comunista, militares e artistas do país. Embora seja considerado o melhor da ilha, o Cimeq tem tomógrafos com mais de dez anos de uso e outros aparelhos que são pequenos “frankensteins”, montados com peças de equipamentos antigos holandeses e franceses. Há três anos, um cardiologista do Cimeq teve um tumor no pâncreas e veio a São Paulo se tratar. Suas despesas foram pagas por um mês pelo governo da ilha. Um telegrama da missão diplomática americana de 2008, divulgado pelo WikiLeaks, afirma que o chefe do Cimeq, um neurocirurgião, foi à Inglaterra fazer uma cirurgia no olho e, desde então, retornava periodicamente para acompanhamento.

Como presidente da Venezuela, país com a quinta maior reserva de petróleo do mundo, Chávez encontraria tratamento adequado em seu próprio país. Ou poderia seguir o exemplo do paraguaio Fernando Lugo, que trata um câncer linfático no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o ano passado. No início de julho, o chanceler venezuelano Nicolás Maduro esteve no Brasil para consultar médicos brasileiros e preparar uma possível vinda de Chávez. O preço a pagar por essa opção seria que, muito provavelmente, os detalhes de sua doença não ficariam em segredo. Em uma democracia consolidada, eles quase não existem. A luta da presidente Dilma Rousseff e agora a do ex-presidente Lula são conhecidas em minúcias por todos os brasileiros. Chávez lida com sua doença da mesma maneira que administra seu país: sem transparência e ignorando os sinais de deterioração. No ano passado, a inflação foi de 28% e o PIB caiu 1,5%. Caracas tem a maior taxa de homicídios da América Latina: 122 mortos por 100?000 habitantes. Cartunistas são presos por fazer uma simples piada. Disposto a acelerar o que considera uma revolução inédita e apaixonado pela crença na própria infalibilidade, Chávez recorreu, na ideologia e na medicina, aos cubanos. Com isso, não curou seu país, nem a si próprio.

Por Reinaldo Azevedo

20/11/2011

às 7:21

Vejam como ficou decente o Distrito Federal sob a batuta do petista Agnelo Queiroz…

No Globo:
No aniversário de dois anos da Operação Caixa de Pandora, que varreu o governo de José Roberto Arruda e pôs deputados do Distrito Federal sob suspeita, os contratos e gastos nebulosos continuam a poluir o cenário político da capital do país. Executivo e Legislativo repetem práticas que simbolizaram a corrupção em Brasília, como a proliferação de contratos emergenciais e resistência a ações moralizadoras, como a proibição do nepotismo. Aliada às suspeitas do presente, ainda existe uma disputa entre grupos rivais dentro do Ministério Público, que ameaça o futuro de investigações de grosso calibre sobre o governo passado.

Agnelo Queiroz (PT) foi eleito para construir “um novo caminho”, dizia o lema de sua campanha. Trilha maculada pelo processo judicial que investiga sua gestão no Ministério do Esporte e pela forma como mantém, sem licitação, contratos de limpeza e segurança com empresas conhecidas por sua relação com o poder. Pior: para fechar contratos emergenciais com as mesmas prestadoras de serviço dos governos Arruda (2007-2010) e Joaquim Roriz (2003-2006), Agnelo se valeu de um decreto, assinado para dar um “freio de arrumação”, após o caos que quase determinou a intervenção federal e fez com que o Distrito Federal chegasse a ter, em 2010, quatro governadores em menos de um ano.

Entre janeiro e agosto, contabilizando contratos do final de 2010 e de 2011, a Secretaria de Saúde do DF, por exemplo, empenhou R$ 162 milhões para pagar os contratos emergenciais com seis empresas, três delas ligadas a deputados locais e membros do governo. Para o grupo Ipanema, do tio do deputado Cristiano Araújo (PTB), destinou este ano R$ 70,4 milhões. Já a Dinâmica Administração Serviços e Obras Ltda., cujo diretor-geral é o filho da deputada Eliana Pedrosa (PSD), garantiu R$ 22,6 milhões. E a Brasília Empresa de Segurança tinha até agosto pagamentos programados de R$ 20,2 milhões. A Brasília é de Mauro César Lacerda, filho de César Lacerda, atual administrador do Jardim Botânico, região administrativa de Brasília.

Por Reinaldo Azevedo

Assim age um moralista modelo Barbiere…

Nunca dei muita bola para o deputado estadual Roque Barbiere (PTB), aquele que saiu denunciando deus e o mundo de vender emendas, embora não apresentasse provas. Também foi óbvio o seu esforço para tentar arrastar o governo de São Paulo no imbróglio. Pois é… Vejam o que informa Chico Siqueira, no Estadão:

Recursos de R$ 140 mil de emenda do deputado estadual Roque Barbiere (PTB) foram parar nas contas da empreiteira de sua irmã e seu cunhado. A verba, usada na construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), no município de Valparaíso, foi repassada em 2007 para a prefeitura, que contratou a Amplie Construções e Serviços Ltda. para fazer a obra.

A empresa é de propriedade da irmã de Barbiere, a dentista Elena Maria Barbiere Jorge, e do marido dela, o engenheiro Luiz Carlos Jorge. A UBS, embora inaugurada em 2008, até hoje não entrou em funcionamento e ninguém na cidade soube dizer ao certo qual a modalidade de licitação foi usada para contratar a construtora.

Entre 2005 e 2008, a Amplie abocanhou R$ 1,4 milhão em obras realizadas em Valparaíso, cidade de 22 mil habitantes, na região de Araçatuba. A empreiteira construiu e reformou escolas, prédios esportivos, postos de saúde e até uma delegacia de polícia. O prefeito Antônio Gomes Barbosa (PTB), depois de perder a reeleição, foi contratado como assessor parlamentar de Barbiere.

Fora de padrão
O atual prefeito da cidade, Marcos Yukio Higuchi (PSDB) confirma que o repasse dos recursos foi feito por meio de emenda parlamentar apresentada pelo próprio Barbiere. Mas Higuchi se diz insatisfeito com a obra porque a UBS, embora tenha sido inaugurada em 2008, não foi entregue até hoje para a população por estar fora dos padrões exigidos. “Tivemos de entrar com uma ação para chamar a empresa de volta para refazer parte da obra”, contou.

Segundo a secretária de Saúde de Valparaíso, Sérgia Marques, o prédio, construído na Vila Santa Rosa, foi condenado pelo Escritório Regional de Saúde (ERS) por conter infiltrações e problemas na rede de esgoto, além instalações inadequadas. “Para se ter ideia, havia sanitários sem rede de esgoto. Essas janelas que ainda ficaram também são inapropriadas. Mas agora estamos terminando de colocar o prédio em ordem para que ele possa receber os equipamentos e entrar em funcionamento”, diz Sérgia.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
 da coluna Direto ao Ponto , de Augusto Nunes:

O Nem do PT e o Zé Dirceu da Rocinha

Pena que os dois tenham nascido distantes no tempo e no espaço. Pena que um tenha crescido no morro e outro no PT. Se o destino tivesse sido mais generoso, Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, e José Dirceu de Oliveira, o Guerrilheiro de Araque, viveriam celebrando entre tragos e tragadas, no quarto de hotel de luxo ou no botequim da viela, as semelhanças e afinidades que eternizam a amizade. Ambos ficaram famosos como chefes de quadrilha, enriqueceram com atividades criminosas, são intolerantes com quem diverge, têm chiliques quando contrariados. Ambos gostariam de ser Lula. E também acham, como o ídolo comum, que o Brasil precisa acabar essa mania de tratar coisas iguais de forma distinta.

Precisa mesmo, comprovou o tratamento dispensado aos colegas de ofício no feriadão do 15 de Novembro. Enquanto o chefe do tráfico tentava escapar da Rocinha cercada por mais de mil soldados, o chefe do mensalão estrelava numa Brasília sem polícia o II Congresso Nacional da Juventude do PT. Enquanto Nem era fotografado em posição fetal no porta-malas de um carro, Zé Dirceu posava para a posteridade exibindo uma camiseta, encomendada por jovens milicianos, que transforma culpado em inocente. As imagens berram que a capital da corrupção anda implorando por uma ocupação policial de dimensões superlativas. Mas não custa lembrar que Brasília é mais traiçoeira que qualquer morro sem lei.

Convém escalar para a  captura do Nem do PT os dois tenentes da PM que recusaram o suborno milionário oferecido pelo Zé Dirceu da Rocinha.

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Blog Reinaldo Azevedo

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