Moças e moços livres de todo o Brasil, uni-vos! Ou: Por que a liberdade é superior ao pão

Publicado em 22/11/2011 11:13 339 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Moças e moços livres de todo o Brasil, uni-vos! Ou: Por que a liberdade é superior ao pão. Ou: Professores da área de humanas, tirem essa barbicha ou esse saião que eu quero vocês sérios!

Sinto que chegou a hora de fazer um texto de mais fôlego sobre o processo de libertação que teve início das universidades brasileiras. Acho que sairemos todos ganhando. Vocês é que vão dizer. Peço que leiam até o fim. Se gostarem, espalhem o texto por aí.

Tenho me batido aqui já há alguns dias na crítica à violência que as correntes de extrema esquerda submetem a maioria dos estudantes das universidades brasileiras, especialmente nas instituições públicas. Um ou outro leitores chegaram a reclamar que estou dedicando tempo excessivo à questão. Discordo! Creio que tenho feito algo mais amplo do que debater se a chapa A ou a chapa B sairá vitoriosa num embate eleitoral. Eu estou escrevendo sobre a liberdade. Hoje, quero me aprofundar no tema um tanto mais do que nos dias anteriores. Aproveito também para responder a uma indagação freqüentemente feita por leitores que gostam e que não gostam de mim: “Como foi que você migrou da esquerda na juventude para as opiniões de agora? Como chegou aí?”Vamos ver.

Na USP, a maior universidade do país, as ações da extrema esquerda ganharam, como vimos, a mímica do terrorismo, com burgusotas e burguesotes encapuzados a estocar gasolina na reitoria e a fabricar coquetéis molotov. A invasão do prédio foi promovida por uma miríade de “revolucionários” que talvez pudessem aspirar à condição de vanguarda em meados do século retrasado. Eles se dividem em correntes, partidos e seitas, e as razões das dissensões internas, não raro, estão ainda na Rússia revolucionária de 1917. O centro de suas especulações teóricas e de sua formação intelectual nada tem a ver com o Brasil de 2011, tampouco com os estudantes de verdade. Usam o aparelho universitário e a representação estudantil para o mero exercício da retórica revolucionária.

Não agem de modo diferente alguns de seus professores, aboletados naquilo que é, afinal, uma função pública, sustentada pelo dinheiro do contribuinte, para fazer pregação contra a organização do estado que lhes garante o sustento e o discurso. Não que a crítica reformista ao estado seja inaceitável. Mais do que aceitável, ela é desejável. Mais ainda: trata-se de um imperativo da universidade. Mas essa minoria de extremistas entre alunos, professores e funcionários da USP e de boa parte das universidades não quer reformar o sistema. Ao contrário: no fundo, acha que reformas criam obstáculos adicionais à revolução — aquela que nunca haverá. Seu propósito é exacerbar tensões para… construir o socialismo!!!

Tenho dado notícias da formação de chapas que não estão comprometidas com o suposto horizonte revolucionário e que repudiam a tomada dos órgãos de representação das universidades por seitas e partidos políticos. E tenho sido, como sabia que aconteceria, satanizado a valer nas redes sociais. Mas também há milhares de pessoas que se sentem algo amparadas pelas minhas afirmações, análises, opiniões. Julgavam-se quase sozinhas. Jamais endossaram os métodos da extrema esquerda, mas não encontravam um canal para que pudessem expressar sua indignação.

O movimento “caça-Reinaldo” (”cassa-Reinaldo” também serve) é violento, ameaçador, truculento mesmo. Falam em “bater”, “esfolar”, “quebrar a cara”, “te dar uma lição”. De tal sorte que tive de tomar medidas para a minha proteção e segurança. É que eu rejeito aquela que eles consideram a pauta “progressista”. Porque julgam ter a verdade e porque se consideram heróis do humanismo, os que a eles se opõem só podem ser representantes do atraso e ter motivos escusos para pensar de outro modo. Quando perceberam que seriam derrotados no processo eleitoral da USP, por exemplo — que reconheciam como legítimo enquanto achavam que podiam vencer —, deram um golpe, prorrogando seus próprios mandatos, à moda de qualquer ditador vagabundo da América Latina da década de 70.

Intimidam, fazem piquetes, promovem arruaças, invadem, depredam, silenciam opositores, ameaçam… Não obstante, gritam: “Reinaldo Azevedo fascista!” É uma piada! Ontem, recebi, como viram uma mensagem do autor daquele ignominioso panfleto que sugere atos violentos contra os maconheiros da USP e que traz a imagem do corpo de Vladimir Herzog, morto no DOI-CODI depois de torturado.

Ele está bravo comigo porque acho que ele merece cadeia. E acho porque seu panfleto nojento faz uma ironia sórdida com o cadáver de um homem que foi torturado. A tortura é um crime tipificado, inafiançável e imprescritível. Não creio que a liberdade de expressão abrigue esse tipo de coisa. Felizmente, o cara não gosta de mim. Também não gosta da Nietzsche, que supõe entender. Afirma ele a meu respeito:
“És apenas a antítese do super-homem de Nietzsche: um careca frango, fraco, uma tripa seca esquálida, incapaz fisicamente de defender a si mesmo em qualquer situação, e cuja existência é uma ofensa pras leias da natureza. Se ponha no seu lugar, pateta!”.

Também os guevaristas de extrema esquerda da Unirio, de um certo “Coletivo Vamos à Luta”, acham que sou uma pessoa detestável:
“Azevedo quer resgatar o perfil dos estudantes dos tempos da ditadura militar. Onde supostamente o interesse ‘cívico’ deveria comandar o espírito das entidades estudantis, regada na moral e bons costumes da marcha da família, com Deus pela liberdade.”

Como vocês podem notar, não sirvo para a causa dos trogloditas do fascismo. Como vocês podem notar, não sirvo para a causa dos trogloditas do comunismo. Eles têm razão! SIRVO APENAS À CAUSA DA LIBERDADE. Como deixei claro aqui no sábado, o comando do DCE não quis enfrentar o autor daquela baixaria. Quem chamou a coisa pelo nome fui eu. E, então, ele se voltou contra mim. Essa união de extremistas contra a liberdade de opinião, contra a liberdade de expressão, contra as liberdades públicas, contra o liberalismo e contra o individualismo tem história, não é?

Como você chegou aí, Reinaldo?
Cheguei aqui quando percebi, felizmente muito jovem, que não era exatamente “socialismo” que eu queria. Eu gostava mesmo era da liberdade. E fui descobrindo que a liberdade, que eu tanto prezava, não tinha, para os esquerdistas e para as esquerdas, a menor importância. Ao contrário: constatei, escandalizado, que a literatura política esquerdista é farta em textos que se encarregam de justificar a opressão. Se o velho conservadorismo o fazia em nome de alguns interesses objetivos transformados em abstrações imobilistas — “lei”, “ordem”, “decoro”, “bons costumes”, “pátria”, “nacionalismo” —, as esquerdas esmagavam o homem, muito especialmente os pequenos, em nome da libertação da… vítima!!! E não tenho a menor dúvida de que a esquerda, nesse particular, consegue ser ainda mais imoral do que a direita mais escancaradamente reacionária. Esta, ao menos, não espera contar com a colaboração da vítima na consecução de sua própria desgraça.

Inexiste marxismo militante sem a consideração de que a “consciência” do oprimido será necessariamente “falsa consciência” se sua ação não estiver afinada com os interesses de sua classe. Expresso-me em termos que me parecem ainda mais exatos e consoantes com a teoria: para os ditos marxistas, a consciência do oprimido será sempre falsa consciência se sua ação não estiver afinada com o horizonte histórico de sua classe. E o que é esse horizonte histórico? Cai do céu? Nasce na árvore da vida? Nasce, para usar uma expressão do próprio Marx, da “árvore dos acontecimentos”? Não! Quem define o seu conteúdo são os próprios revolucionários, organizados num partido. Não duvidem: cada um daqueles bobalhões que integram partidecos de esquerda nas universidades está certo de que conhece o “horizonte histórico” da classe operária e dos oprimidos, em nome dos quais julgam falar.

O modelo é muito parecido com o das religiões, que tendem a distinguir aqueles que conhecem a palavra revelada daqueles que não conhecem. Para as esquerdas, ou os homens aderem à sua causa e seguem a sua pauta ou são seres que estão à margem da marcha da história. Quando aquelas almas truculentas organizam um piquete para impedir a entrada de estudantes ou de professores num prédio, acreditam ter o direito de impor a sua vontade à maioria, ainda que ela queira o contrário, porque ou se vêem enfrentando os reacionários, que criam obstáculos à marcha revolucionária, ou se consideram os iluminadores, cuja tarefa é revelar aos próprios oprimidos qual deve ser a sua “verdadeira consciência”.

Debate ideológico
Não por acaso, meus queridos, com as exceções que sempre existem, os cursos da nossa querida “Fefeleche”, da USP (e é assim nas faculdades de humanas do Brasil inteiro), são quase sempre variações em torno do mesmo tema: na Filosofia, na História, nas Ciências Sociais, na Geografia e até nas Letras, a esmagadora maioria dos professores — e os alunos sabem que estou dizendo a verdade — está quase sempre empenhada na, como vou chamar?, “desconstrução do discurso ideológico”. É como se o mundo fosse uma maquinaria infernal, uma tramóia de potentados, a criar falsas narrativas que fizessem a realidade girar em falso para enganar incautos, cabendo-lhes, então, a tarefa do deslindamento, do desvelamento, da revelação. Isso também é muito freqüente nas escolas de jornalismo. Os alunos são treinados para tentar “desconstruir” a ideologia de seus chefes ou dos veículos nos quais vão trabalhar. Antes que a garotada consiga fazer um lead direito e possa organizar uma apuração, não incitados a “caçar” intenções sub-reptícias.

Muito bem! Foi contra esse fundamentalismo estúpido que me rebelei há muitos anos e do qual, felizmente, me libertei, passando a enxergar, então, um mundo novo: nem melhor nem pior, mas outro, em que os indivíduos respondem por suas escolhas; em que não me julgo portador da verdade revelada com que medir a consciência alheia; em que a vontade do outro é, afinal, a vontade do outro, e não me cabe ser juiz de sua escolha ou da pureza de suas opções. Ele que arque com as conseqüências da alternativa que abraçou! É absolutamente legítimo que eu tente convencê-lo, mas será sempre uma violência, numa democracia, tentar impedi-lo de fazer alguma coisa ou forçá-lo a fazê-la se não há uma lei que a tanto o obrigue.

Bem fundamental
Sim, meus caros, a liberdade é um bem fundamental e inegociável. E é uma lástima que ela seja tão desprezada, maltratada, ignorada, violentada justamente nas universidades. É uma lástima, mas não uma surpresa. É no ensino universitário que se encontra o maior número de esquerdistas por metro quadrado. Alguns bobalhões hão de dizer que a esquerdização é diretamente proporcional à informação. Bobagem! O problema é que o marxismo surge e se consolida num período em que as teorias de engenharia social eram muito influentes. E certa casta de intelectuais chamou para si a tarefa de desenhar um novo homem — daí que, acreditem!, há quem chame o marxismo de “ciência”. No mundo inteiro, sem exceção, essa onda passou. Por alguma razão, a universidade brasileira é a última a cultivar esse atraso e a infernizar a vida dos jovens com seus delírios.

Há dias, na Folha, um grupo de seis professores, liderados pelo “psolista” Chico de Oliveira, vituperava contra uma universidade aberta para as empresas e para o mercado!!! Vejam que absurdo, não é mesmo? Onde já se viu a USP fazer o que fazem Harvard, Oxford ou o MIT, lá onde o comuna Noam Chomsky dá aula: dialogar com o mercado?!?!?! Não pode! Chico de Oliveira, teórico do PSOL, quer uma universidade empenhada em fazer revolução. Como não dá e como ele sabe que a revolução não vai acontecer, ele se contenta com uma universidade cheia de psolistas… Já está bom!

Pão e liberdade
Há dias, num debate, o escritor Fernando Morais, que já se declarou um bolivariano, partidário de Hugo Chávez, brindou os que o ouviam com uma de suas rotineiras indignidades. Ao defender ainda outra vez o regime cubano — os Irmãos Castro são os maiores assassinos por 100 mil habitantes da moderna história latino-americana —, contestou a fala do outro debatedor, que citou Nelson Rodrigues: “Prefiro liberdade ao pão”. Com a vigarice intelectual característica da esquerda, apimentada por outra de que só ele é capaz — é bem verdade que Morais foi um esquerdista que ganhou o direito a uma vida estável nos braços do quercismo!!! —, deu a resposta que, historicamente, serviu para o assassinato de 25 milhões na União Soviética, de 70 milhões na China, de 3 milhões no Camboja, de 100 mil em Cuba (só para não esquecer). Afirmou então: “Vá perguntar para uma mãe que está enterrando um filho de quatro anos o que ela prefere.”

Que bom que eu não estava presente. Ou teria vomitado nele! O pão sem liberdade, seu clown dos tiranos, é o pão da humilhação, é o pão da sujeição, é o pão da indignidade, é o pão das ditaduras, é o pão da vilania, é o pão da chantagem. “Mas o que é a liberdade sem pão?”, podem gritar a moça e o moço que são reféns desses “revolucionários” pendurados na universidade pública, que acenam aos jovens com suas utopias do século 19 e depois vão brigar por seus qüinqüênios (ainda cheio de tremas…) com a agudeza burocrática dos guarda-livros…

Sou tentado a afirmar, para escândalo de muitos, que uma liberdade realmente digna do nome traz consigo, necessariamente, o pão. Mas aí seriam necessários outros tantos quilômetros de texto. Então prefiro uma saída oferecida pela lógica elementar, que um comunista folgazão e pançudo, que adora as conquistas do capitalismo, como Fernando Morais, é incapaz de reconhecer: quem é livre pode lutar por pão, mas quem come o pão que a tirania amassou pode ser condenado a ainda mais sujeição.

Encerro
A minha repulsa, como se nota, aos trogloditas das universidades públicas, sejam professores, alunos ou funcionários, ou àquele fascistóide que produziu aquele cartaz ignominioso não decorre só do meu ânimo para a polêmica. Eu realmente acho inconcebível que alguém outorgue a si mesmo ou a seu grupo o direito de impor ao outro uma vontade, uma agenda ou uma pauta ao arrepio dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição e pelas leis que regem a democracia brasileira.

Moças e moços das universidades brasileiras, apeiem do poder, pelo voto, esses que os oprimem. Vocês não têm nada a perder a não ser os grilhões. Vocês não estão condenados a suportá-los. Todos estamos condenados, isto sim, à liberdade. E o seu exercício, acreditem, não é assim tão fácil.

NÓS SOMOS AQUELES QUE LUTAM PELA LIBERDADE QUE SE FAZ PÃO!

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2011

 às 6:27

Tarso Genro agora pratica auto-homenagem

Então, vejam bem, a coisa tem a sua graça. Tarso Genro (PT), governador do Rio Grande do Sul, já foi um poeta de mão cheia. Produziu versos inesquecíveis, como estes:
“Quanto te esperei e quanto sêmen
 
inútil derramei até o momento”
.

É o que se chama “auto-erotismo” do “eu poético” (ah, que tentação pra fazer um trocadilho aqui, mas resisto…). Para o bem da literatura, Tarso decidiu migrar para a auto-homenagem, agora num sentido bem mais, si lá como dizer, burocrático. Leiam o que informa Felipe Bächtold, na Folha:

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), assinou um decreto concedendo a si próprio uma medalha de homenagem.  O documento, publicado ontem no “Diário Oficial”, determina a entrega da insígnia “Cruz de Ferro”, da Brigada Militar (equivalente à PM de outros Estados), a oito pessoas que se destacaram no apoio à corporação. O governador petista foi o único civil homenageado. Na lista de condecorados do decreto, é mencionado o nome completo dele: Tarso Fernando Herz Genro. No fim do texto, o próprio governador o assina, apenas como Tarso Genro. O chefe da Casa Civil também subscreve o ato. O decreto informa que a lista dos agraciados foi proposta pelo comandante-geral da Brigada. A “Cruz de Ferro” é concedida anualmente no aniversário da instituição.

Segundo seu regulamento, é dada a brigadianos com méritos ou a civis que cooperaram com a Brigada Militar. De acordo com a corporação, a homenagem ao governador ocorreu pelo apoio na ampliação de seus quadros e na compra de equipamentos. A relação de Tarso com os policiais, no entanto, esteve longe da cordialidade em seu mandato, iniciado em janeiro. Em agosto e setembro, cabos e soldados fizeram dezenas de bloqueios com fogo em estradas em protestos por reajustes salariais.
(…)
Por favor, só comentários acima da linha da cintura, certo?

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2011

 às 6:25

Chevron - Multas de até R$ 260 milhões para punir vazamento de óleo

Por Chico de Gois, Luiza Damé e Liana Melo, no Globo:
Pode chegar a R$ 260 milhões o total de multas, indenizações e compensações ambientais que a Chevron Brasil terá de pagar pelo acidente no Campo de Frade, na Bacia de Campos. Esse valor inclui cobranças do Ibama (R$ 50 milhões), da Agência Nacional do Petróleo (R$ 100 milhões) e do governo do Estado do Rio (mais R$ 100 milhões). Segundo a ANP, a petrolífera americana mentiu, ocultando informações e imagens sobre o vazamento de petróleo iniciado há 15 dias, e poderá ser proibida de operar no país. A Chevron disse ter recebido as autuações e que estuda o assunto para decidir que medidas tomar.


A empresa tem até esta terça-feira para apresentar ao Ibama os comprovantes de cumprimento do Programa de Emergência Individual (PEI), que faz parte da licença ambiental. Caso o Ibama considere as informações inconsistentes, pode emitir mais uma multa de R$ 10 milhões, além da de R$ 50 milhões aplicada ontem. Este valor, que é o máximo permitido no país, será usado, conforme acordado entre o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente, para sanar os danos ambientais em parques da costa do Rio. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a Chevron poderá sofrer novas punições por descumprimento do licenciamento ambiental e do PEI.

As multas da ANP estão baseadas na falta de equipamento adequado para estancar o vazamento e na ocultação de informações. As penalidades impostas pela agência foram anunciadas após uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, que assumiu a liderança do processo.

Óleo na rocha ainda virá à superfície
A diretora da ANP Magda Chambriard disse que “a empresa atuou em completa violação ao contrato de concessão e à legislação brasileira”: “Consideramos um tratamento completamente inaceitável, tanto com a ANP quanto com o governo brasileiro e o Brasil em geral: uma empresa que edita imagens, que são de obrigação de fornecimento, e manda imagens para a ANP editadas, com trechos cortados. E nós tivemos de ir a bordo da plataforma para buscar as imagens nas 24 horas que foram adquiridas. Isso representa uma penalidade que não pode ser pequena.”

Enquadrada na categoria operadora classe A (com licença para perfurar, inclusive, no pré-sal), a Chevron, segundo o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, pode ser descredenciada. Mas admite que essa medida extrema seja “um problema complicado”: “A Chevron não estava preparada para executar o plano de abandono do poço”, disse Lima.

Segundo a ANP, uma média de 330 barris por dia vazou por mais de uma semana. Lima disse que os representantes da Chevron mitigaram informações e esconderam fotos que mostrariam a real proporção do acidente. “A agência não foi tratada pela concessionária de forma correta. As informações não foram passadas como era de se esperar, e um equipamento-chave não estava presente no Brasil, o que atrasou o processo, razão pela qual certas prerrogativas que a empresa está tendo hoje, como operadora A, vão ser mais bem examinadas pela diretoria da ANP.”

A ação civil impetrada pela Secretaria estadual do Ambiente pode chegar a mais R$ 100 milhões. O secretário Carlos Minc notificou nesta segunda-feira a Chevron e a Transocean - que esteve no foco das atenções do acidente da BP, no Golfo do México, em abril de 2010 - a realizar auditorias de padrões internacionais em todas as suas instalações, na terra e no mar.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2011

 às 6:23

Presidente do TJ faz lobby para cunhada ir para tribunal; ela também tem apoio de Zé Dirceu e Zeca do PT

Por Vera Magalhães, na Folha:
A escolha de um novo ministro para o STJ (Superior Tribunal de Justiça) deflagrou uma guerra de lobbies de partidários dos integrantes da lista tríplice levada à presidente Dilma Rousseff. O mais aberto parte do presidente do tribunal, ministro Ari Pargendler, que é cunhado de uma das candidatas, a desembargadora Suzana Camargo, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, com sede em São Paulo. Suzana foi a terceira colocada na lista tríplice enviada a Dilma, atrás dos desembargadores Néfi Cordeiro, do TRF da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, e Assusete Magalhães, do TRF da 1ª Região, com sede em Brasília.

Pargendler, que é casado com a irmã de Suzana Camargo, tem acompanhado a desembargadora em um périplo por gabinetes de deputados e senadores, em busca de respaldo político à nomeação. Apesar de a escolha caber a Dilma, a presidente costuma ouvir interlocutores antes de tomar a decisão. A intenção é que os apoios credenciem os candidatos junto a esses conselheiros, entre os quais o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

Em 19 de outubro, Suzana Camargo e Pargendler foram juntos a uma reunião com a bancada de Mato Grosso do Sul, onde ela começou sua carreira de juíza federal. Posaram inclusive para foto, postada no site do deputado Geraldo Resende (PMDB). Depois do encontro, os congressistas do Estado mandaram cartas aos ministros Cardozo e Gleisi Hoffmann (Casa Civil), manifestando apoio a Suzana Camargo.

A atuação de Pargendler incomoda membros da corte. Dois ministros disseram àFolha, reservadamente, que se sentem constrangidos.  A desembargadora conta também com apoio do ex-governador Zeca do PT (MS) e do ex-ministro José Dirceu. Suzana só integrou a lista tríplice em segundo escrutínio. Na primeira votação do pleno do STJ, com 29 ministros, teve 14 votos, menos que o mínimo de 17 necessários.

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2011

 às 6:21

Relatório sigiloso da Defesa comprova sucateamento do setor militar no País

Por Tânia Monteiro, no Estadão:
Documento sigiloso produzido pelos comandos militares sobre a situação da defesa nacional repassado ao Palácio do Planalto nos últimos dias mostra um sucateamento dos equipamentos das três Forças. Segundo os militares, os dados esvaziam as pretensões brasileiras de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, além de inibir a participação do País em missões especiais da ONU.

De acordo com a planilha obtida pelo Estado, a Marinha, que em março mantinha em operação apenas dois de seus 23 jatos A-4, não tem hoje condições de fazer decolar um avião sequer do porta-aviões São Paulo. Com boa parte do material nas mãos de mecânicos, a situação da Marinha se distancia do discurso oficial, cuja missão seria zelar pela área do pré-sal, apelidada de Amazônia Azul.

Segundo o balanço, que mostrou uma piora em relação ao último levantamento, realizado em março, a situação da flotilha também não é confortável. Apenas metade dos navios chamados de guerra está em operação. Das 100 embarcações, incluídas corvetas, fragatas e patrulhas, apenas 53 estão navegando. Dos cinco submarinos, apenas dois ainda operam. Das viaturas sobre lagartas (com esteiras), como as usadas pelos Fuzileiros Navais para subir os morros do Rio de Janeiro, apenas 28 das 74 estão em operação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2011

 às 6:19

EUA e aliados impõem novas sanções ao Irã

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Sem acordo no Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos, em coordenação com Grã-Bretanha, França e Canadá, impuseram uma nova rodada de sanções ao Irã. O objetivo dos países é impedir o regime iraniano de conseguir desenvolver uma arma nuclear. Dezenas de entidades dos sistemas financeiro e petrolífero iranianos, além da Guarda Revolucionária, serão alvo das medidas dos EUA. Autoridades da Casa Branca indicaram que o Irã passará a ser considerado como “zona de lavagem de dinheiro”, com base em uma lei antiterror de 2001.

Por meio dessa qualificação, os EUA poderão impor retaliações a empresas que negociarem com o regime iraniano. Por enquanto, o governo de Barack Obama descarta a inclusão do Banco Central do Irã nas sanções, pois a medida poderia provocar uma elevação imediata do preço do petróleo em um momento em que a economia americana luta para voltar a crescer e a União Europeia enfrenta uma de suas piores crises. Obama disse ontem que “o Irã escolheu o caminho do isolamento internacional”. A decisão de adotar novas sanções deve-se ao novo cenário envolvendo o Irã. Há duas semanas, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicou relatório indicando que o regime de Teerã trabalha para desenvolver armas atômicas. Na semana passada, a entidade censurou o Irã por não tentar esclarecer pontos de seu programa que teriam fins militares.

Além de pressionar ainda mais o Irã, os EUA e seus aliados buscam mostrar a Israel que a comunidade internacional tem agido para impedir o regime de Teerã de desenvolver uma bomba atômica. No início do mês, antes da divulgação do relatório da AIEA, a imprensa de Israel divulgou informações de que o premiê Binyamin Netanyahu planeja um ataque preventivo contra instalações nucleares iranianas. Em Londres, o governo britânico também determinou o corte de todas as transações financeiras com o Irã, incluindo com o Banco Central, indo ainda além dos americanos. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, recomendou o congelamento de todos os bens do Banco Central do Irã e um embargo ao petróleo iraniano. O Irã insiste que seu programa nuclear tem finalidades civis.

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2011

 às 6:17

Após triunfo, PP vê crise se agravar e monta transição

Por Jamil Chadem no Estadão:
Um dia após a vitória nas eleições gerais na Espanha, o Partido Popular (PP) pressionou o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero a acelerar a transição de poder. O pedido foi apoiado pelo mercado financeiro e líderes europeus diante do agravamento da crise no país. Ontem, o Banco de Valência quebrou, a recessão foi anunciada no país, a bolsa caiu e o risco país disparou. O futuro primeiro-ministro, Mariano Rajoy, não esperou nem um dia para pedir ajuda da chanceler alemã, Angela Merkel, para conter a turbulência e alertar: a Espanha não tem mais condições de sair da crise sozinha.

Os investidores querem mais que a maioria absoluta de Rajoy nas eleições. Defendem que o processo de transição comece imediatamente. “Isso prova que não existem milagres”, reconheceu Dolores de Cospedal, secretária-geral do PP. Em um reconhecimento explícito do risco que a Espanha corre, Rajoy pediu ontem ajuda a Merkel e disse que a responsabilidade pelo resgate de um país não deve ser restrito à medidas internas de austeridade.

O futuro primeiro-ministro insistiu em seu compromisso com o euro e garantiu que cumprirá as exigências de fazer duros cortes nos gastos da Espanha, de mais de 20 bilhões. Mas alertou que a estratégia para sair da crise só vai funcionar quando houver uma “estratégia de toda a zona do euro para salvar nossas dívidas”. A Alemanha é contra o uso do Banco Central Europeu para socorrer governos, que já custou aos cofres públicos 187 bilhões. O problema é que o bloco ainda não chegou a um acordo para criar um fundo de resgate.

O premiê eleito insistiu que a Espanha não tem como se financiar com taxa de juros de quase 7%. Para Rajoy, assim como é responsabilidade de Madri cumprir o plano de cortes, cabe à UE financiar os que precisam de ajuda e dão demonstrações de seriedade em seus compromissos. Para Rajoy, a Espanha não pode ser tratada da mesma forma que países que não cumprem as exigências da UE - como Grécia e Itália. Se Rajoy prometia austeridade, os mercados não deram trégua e querem detalhes dos planos do premiê eleito para reduzir o déficit público espanhol e a saída imediata de Zapatero. O problema, para o mercado e para a União Europeia, é que a transição de poder na Espanha poderá durar até o Natal.

Ontem, o risco país da Espanha atingiu 463 pontos básicos, perto do recorde. A taxa de juros sobre a dívida soberana espanhola chegou a 6,5%, e a Bolsa de Madrid sofreu queda de 3,4%. “O novo governo não terá uma lua de mel longa”, ironizou Geoffrey Yu, analista do banco UBS.

Estatização
ma demonstração da fragilidade das finanças espanholas foi a decisão de emergência do BC local de injetar 3 bilhões para salvar o Banco de Valência, prestes a falir. Foi o primeiro banco a ser oficialmente resgatado na Espanha e mostrou que a turbulência nos mercados teve impacto na economia. Com a alta na taxa de risco país, o banco foi afetado por um rebaixamento de sua classificação. Ficou sem acesso a créditos e não teve como honrar suas dívidas. O segundo recado de que a transição precisa ocorrer rápido veio da própria Merkel. Em pleno caos financeiro, ela não entrou em contato com Zapatero, como tem feito de costume, mas manteve uma conversa de 20 minutos com Rajoy. Na pauta, “os grandes problemas da Espanha”. Merkel cobrou soluções rápidas e pediu pressa na definição do pacote de austeridade que Rajoy terá de propor.

Por Reinaldo Azevedo

22/11/2011

 às 6:15

Rombo no Panamericano foi uma surpresa, afirma Caixa

Por Fausto Macedo, no Estadão:
À imprensa, a Caixa Econômica Federal tem evitado comentários sobre a compra de metade do Panamericano 10 meses antes de o Banco Central (BC) descobrir um buraco de R$ 4,3 bilhões na instituição que pertencia a Silvio Santos. Mas, à Polícia Federal, a Caixa falou. O vice-presidente de Finanças do banco, Márcio Percival, disse à PF que o rombo foi uma “grande surpresa” e garantiu que não houve pressão política do governo federal para a compra do Panamericano. As informações estão em depoimento concedido pelo executivo na sede da PF em São Paulo no dia 16 de setembro. Em resposta a um pedido de entrevista da reportagem, a Caixa informou, por meio de uma nota, que “reitera sua convicção na capacidade de o Banco Panamericano obter retornos financeiros e competitivos por meio da geração de sinergia entre as duas instituições”.

Além de ocupar a vice-presidência de Finanças da Caixa, Percival é presidente da CaixaPar, braço do banco público que comandou o processo que resultou na compra de 49% do capital social do Panamericano por R$ 739,3 milhões.No depoimento aos policiais, Percival também negou ser amigo de Rafael Palladino, que dirigia o Panamericano antes de as fraudes serem descobertas pelo BC. No mercado financeiro, a impressão era diferente. Chamava a atenção de muitos especialistas a proximidade do relacionamento entre os dois.

Segundo Percival, a Caixa e as empresas contratadas para avaliar o Panamericano não detectaram que o banco tinha o rombo contábil superior a R$ 4 bilhões. O executivo disse ainda que a Caixa contratou o Banco Fator para fazer essa análise. Segundo Percival, o Fator recontratou outras duas empresas (não especificadas) para ajudar na tarefa. Percival afirmou aos policiais que a revelação das fraudes contábeis “foi uma grande surpresa, pois o banco tinha todos os balanços semestrais aprovados pelo Banco Central”. Ele disse também que a decisão de compra do Panamericano foi “estritamente empresarial, baseada em avaliação técnica e que deveria sustentar o crescimento da Caixa para os próximos anos”.

O executivo garantiu que não houve nenhuma pressão política do governo federal para a compra do Panamericano e disse desconhecer se algum agente público recebeu vantagem indevida para influir na decisão. ‘Não’ do Banco do Brasil. A aquisição da Caixa foi anunciada ao mercado no dia 1.º de dezembro de 2009. Pouco mais de um ano antes, o Panamericano teve a maioria de suas carteiras de crédito rechaçadas pelo Banco do Brasil, que também é controlado pelo governo federal.Na ocasião, o Panamericano sofria com os efeitos da crise internacional e tentava obter dinheiro no mercado por meio da venda dessas carteiras de empréstimos. O Estado apurou que executivos do BB consideraram sofrível a qualidade das carteiras oferecidas.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2011

 às 22:22

Supercomitê dos EUA não chega a acordo sobre orçamento. Ou: A fábula do Lobo e do Chapeuzinho Vermelho

Os mercados tiveram hoje um dia ruim, como vocês podem ler no noticiário. A Zona do Euro não sabe como sair da encalacrada em que se meteu, e o tal supercomitê formado por democratas e republicanos, nos EUA, não conseguiu chegar a um acordo para a redução do déficit. Então…

Mundo e Brasil afora, noticia-se assim — e acabei de ouvir o mesmo na TV: os republicanos não querem aprovar mais impostos para os mais ricos, e os democratas se negam a cortar programas sociais. Ou por outra: os republicanos, uns lobos carniceiros, querem proteger os ricos e cortar programas sociais dos pobres, e os democratas, verdadeiros Chapeuzinhos Vermelhos, querem proteger os pobres e punir os ricos.

Vai ver os republicanos são mesmo uns tontos, que odeiam os eleitores e esperam ser eleitos por alguma força vinda do além, daí a sua fúria para punir pobres e proteger milionários. Como sabemos, a massa dos muito ricos é infinitamente maior do que a dos que dependem de algum programa social… Ah, tenham paciência!

Essa é a fantasia criada pelas franjas do obamismo e do Partido Democrata — inclusive aquelas que resultaram no “ocupe isso e aquilo” — e que pautaram a imprensa mundo afora. O eleitorado americano parece que ainda não foi inteiramente convencido dessa besteira.

A coisa fica melhor assim: os democratas querem mais impostos, e os republicanos querem corte de gastos. Ponto. As duas coisas podem ser positivas ou negativas, boas ou más, a depender de escolhas que são, sim, entre outras coisas, ideológicas. Leiam texto da VEJA Online. Volto depois.
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O comitê bipartidário que lidera as discussões sobre a redução do déficit americano admitiu, nesta segunda-feira, que fracassou em seu objetivo de tentar equilibrar o orçamento nos próximos dez anos. O déficit do país chega a 15 trilhões de dólares. O acordo deveria sair nesta tarde e tinha votação prevista no Congresso para a próxima sexta-feira. Contudo, o grupo de deputados composto por Republicanos e Democratas não conseguiu chegar a um consenso sobre os cortes orçamentários e postergou a decisão para 2012. “Após meses de trabalho árduo e intensas deliberações, chegamos à conclusão de que não será possível fazer nenhum acordo bipartidário antes do prazo”, afirmou a senadora democrata Patty Murray, em comunicado no final da tarde, pronunciando-se em nome do “supercomitê” - como é conhecido o grupo que discute política fiscal em Washington.

Apesar do fracasso, membros do Congresso americano deixaram claro que continuarão trabalhando na elaboração de um acordo, ainda que ele demore para ficar pronto (…). “Nós só temos que continuar trabalhando até que ele fique pronto. Ou o mercado vai nos forçar a isso”, afirmou Maya MacGuineas, presidente do comitê “Orçamento Federal Responsável”, ao jornal Wall Street Journal.

A impossibilidade de acordo, no entanto, não impede que cortes automáticos de 1,2 trilhão de dólares sejam feitos a partir de 2013, como a redução dos gastos militares, por exemplo. Contudo, alguns analistas acreditam que, até lá, o governo terá tempo para costurar um novo acordo que não penalize tanto os militares. Já o mercado deve encarar com pessimismo a incapacidade do governo americano de elaborar um plano em conjunto para reduzir o déficit. Nesta segunda-feira, as bolsas americanas fecharam em forte queda, influenciadas pela falta de confiança no reequilíbrio das contas públicas (aqui) e pelo risco cada vez maior de um novo rebaixamento da nota da dívida americana pelas agências de classificação de risco.

Desta vez, o presidente Barack Obama procurou não se envolver nas discussões, direcionando suas energias para aprovar seu plano de criação de empregos nos Estados Unidos - que acabou sendo vetado pelos republicanos. O presidente deverá alegar, na campanha para sua reeleição em 2012, que a oposição obstrui suas propostas sempre que surge a oportunidade. Nas últimas discussões sobre o déficit, em agosto deste ano, a imagem do presidente se desgastou enquanto ele tentava aprovar seu plano de redução de déficit junto ao comitê.

Entra água no plano de Obama
Quando conseguiu aprovaro plano de redução de déficit de longo prazo (aqui)em agosto, quase à beira de um calote, o presidente Barack Obama previa um contingenciamento de até 2,4 trilhões de dólares na próxima década. O plano era o seguinte: os cortes seriam aprovados pelo Congresso em duas etapas, sendo 917 bilhões de dólares imediatamente, e 1,5 trilhão de dólares no fim do ano, que seriam definidos pelo atual comitê formado por democratas e republicanos da Câmara e do Senado. Se a comissão não chegasse a um acordo sobre pelo menos 1,2 trilhão de dólares em economias, ou o Congresso rejeitasse as sugestões, cortes automáticos nesse valor começariam a ser feitos em 2013.

Voltei
Obama reagiu à falta de acordo. O candidato à reeleição culpou, claro!, os republicanos: “Há ainda muitos republicanos no Congresso que se recusaram a ouvir a voz da razão e do compromisso que vem de fora de Washington”.

Ah, sei… Os de Washington são os políticos, né? Obama, como a gente sabe, é outra coisa… Tenham paciência! O mundo atravessa um momento difícil. A sorte é que há algumas salvaguardas herdadas do passado. Nunca a safra de líderes mundiais foi tão sofrível. Arnaldo Jabor já pode malhar hoje os republicanos. É capaz de culpar o Tea Party até pelo desastre da economia européia…  Ora, ele e outros como ele deveriam ver a coisa pelo lado positivo, né? Sendo verdade que os republicanos só pensam em proteger os ricos e punir os pobres, então a reeleição de Obama está no papo. Ou será que os republicanos serão acusados de demagogia porque esfolam os mais humildes?

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2011

 às 20:55

No Egito, Gramsci é relido à luz de Alá…

Já são 23 os mortos e mais de 1.500 os feridos, segundo o próprio Ministério da Saúde do Egito, desde que a Praça Tahir voltou a ser ocupada na sexta-feira. Os protestos são liderados por defensores de um Egito governado segundo as leis islâmicas. Eles pedem a renúncia imediata da junta militar. Oficialmente, a Irmandade Muçulmana — a mão que balança o berço da chamada “Primavera Árabe” — não tem nada com isso. Chega a ser divertido. No New York Times, por exemplo, aponta-se até o “erro estratégico” do grupo, que não teria percebido o que ia pela praça. Ai, ai…

Escrevi a respeito na madrugada. Eu diria que a Irmandade é, hoje, uma espécie de Gramsci relido pelos fiéis de Alá. O que quero dizer com isso? O comunista italiano é o grande teórico da construção da hegemonia política por intermédio da guerra de valores e da ocupação das fissuras do poder por aqueles que querem destruí-lo. É rigorosamente o que está fazendo a Irmandade nos países árabes. Só que o grupo não pretende a ditadura de um “laicismo moderno”; a turma quer mesmo é a ditadura da “teocracia reacionária”. Mas isso não será conquistado de repente.

A Irmandade conseguiu convencer o Ocidente de que os sucessivos levantes no mundo árabe querem uma democracia à moda ocidental, o que é uma piada. Há quem, de fato, o queira? Sim! Mas esses grupos laicos estão longe de comandar a “Primavera Árabe”.

Renúncia
O gabinete civil do Egito entregou a renúncia à junta militar que governa o país, num sinal de que a crise se agravou. As eleições legislativas estão marcadas para segunda-feira. NÃO HÁ UM SÓ MOTIVO NOVO, PRESTEM MUITA ATENÇÃO A ESTE ASPECTO, QUE JUSTIFIQUE O AGRAVAMENTO DAS TENSÕES A NÃO SER A CRIAÇÃO DE UM “CASUS BELLI” que tenha impacto nas urnas. Obviamente, dados os conflitos dos últimos dias, cresce a hostilidade ao poder civil e laico e a adesão às correntes que querem no Egito um governo islâmico.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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