Em ano em que se debate novo Código Florestal, o desmatamento na Amazônia diminuiu em vez de crescer.

Publicado em 05/12/2011 13:19 e atualizado em 05/12/2011 19:29 628 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

Um das linhas de ataque ao novo Código Florestal, falácia muito propagandeada pelo sectários de Marina Silva, aquela que está fundando um movimento “não-político” para fazer política, é que o simples debate provocou um aumento do desmatamento. Segundo dizem, isso teria ocorrido por causa da “anistia” (que não existe no texto!) aos desmatadores. O que há, só para lembrar mais uma vez, é a possibilidade de que as multas por desmatamento aplicadas antes de julho de 2008 sejam convertidas em ações de compensação ambiental —  vale dizer: “matamento” (se me permitem a brincadeirinha).

Assim, por uma questão lógica, ninguém poderia usar a proposta de novo Código para desmatar se, depois de julho de 2008, não existe mais a alternativa de trocar a multa por compensação. Ocorre que os ambientalistas entraram naquela categoria de pessoas com licença especial para mentir. Vejam o caso (posts abaixo) da questão nº 42 do vestibular da Fatec, em São Paulo.

Bem, não só não houve um aumento do desmatamento na Amazônia como houve uma substancial diminuição. Vejam o que informa Priscilla Mendes, no G1. Volto em seguida:
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O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara, informou nesta segunda-feira (5) que o desmatamento na Amazônia Legal atingiu área de 6.238 quilômetros quadrados entre agosto de 2010 e julho de 2011, uma queda de 11% na comparação com o período de agosto de 2009 a julho de 2010. Essa é a menor área desmatada no período desde que o sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal) começou a monitorar o desmatamento na região, em 1988, informou o Inpe.

Os dados foram divulgados no Palácio do Planalto, em Brasília, após os ministros Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e os presidentes do Inpe e do Ibama reunirem-se com a presidente Dilma Rousseff. A Amazônia Legal compreende áreas de nove estados - Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Conforme o Inpe, as informações foram coletadas pelo sistema Prodes, que usa 96 imagens que cobre 90% de toda a Amazônia. O Prodes estima a taxa anual e a extensão do desmatamento bruto e divulga na rede o banco de dados digital.

Entre os estados que encabeçam a lista dos maiores desmatadores, o Pará está em primeiro lugar, com 2.870 quilômetros quadrados de área desmatada entre agosto de 2010 e julho de 2011. Os únicos dois estados que registraram aumento da área em relação ao ano passado foram Mato Grosso (20% de crescimento) e Rondônia, que, em 2011, dobrou a área desmatada. A situação particular de Rondônia - cuja área desmatada foi de 1.126 quilômetros quadrados no período - “precisa ser esclarecida”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “Precisamos saber quais são as causas. Rondônia nunca experimentou dobrar o desmatamento”. Para Aloizio Mercadante, os dois estados despertam preocupação por serem os únicos estados a terem aumento nos dados.

Voltei
E aqui cumpre lembrar, para voltar à polêmica de Belo Monte, uma questão relevante. Aquele vídeo aloprado das estrelas da Globo, o tal Gota d’Água, faz um escarcéu danado porque a usina iria inundar 640 Km² da floresta. Bem, o número real é 502,8 Km², dos quais 228 já ficam alagados durante boa parte do ano, nas cheias. Notem que o desmatamento de um único ano (6.238 Km²), e ainda quando ele é baixo, corresponde a 12,4 Belos Montes (isso se usarmos o alagamento total). Se considerarmos apenas a parte de alagamento realmente novo, são 22,8 usinas.

Isso dá a dimensão daquela batatada e explica por que atores, que dizem textos alheios, o que é da profissão, precisam se instruir primeiro se querem ser reconhecidos como donos de uma voz.

Por Reinaldo AzevedoO problema da jovem Dilma no tribunal é o photoshop na história, não na fotografia. Ou: quem mostra e quem cobre a car
a

Peço que leiam com muita atenção este texto e outros que se seguem. No conjunto, eles caracterizam, entendo, a metafísica de um período da nossa história. É raro podermos relatar, em tempo real, a falsificação da história. No geral, o trabalho fica para os pósteros. Agora, podemos fazer nós mesmos esse trabalho. Vejam de novo esta foto, sobre a qual escrevi ontem. A petralhada ficou enlouquecida. Posso entender por quê. Essa gente nega até que o mensalão tenha existido, né? Tem dificuldades para conviver com a verdade. Muitos, na rede, afirmam tratar-se de uma montagem. Outros falam que o Photoshop atuou pra valer. Há quem desconfie que ela tenha sido, de fato, torturada porque estaria muito bem etc. Bem,  vejam de novo a imagem. Volto em seguida.

foto-dilma-depoimento-justica-militar1Ela foi presa em 16 de janeiro de 1970, e o interrogatório foi feito em novembro. Daria tempo para ter se recuperado. O ponto que interessa à lógica é outro. Sessões de tortura ao longo de 22 dias, conforme a versão influente, não eram prática dos trogloditas dos porões. As coisas costumavam ser mais rápidas e letais. Mas não! Eu não vou especular a respeito e, já escrevi aqui em outras ocasiões, acho que não se deve fazê-lo. Até porque havia, sim, torturadores operando nos porões do regime. NINGUÉM PRECISA NEGAR A PRÁTICA DA TORTURA PARA DIZER AS COISAS CERTAS A RESPEITO DAQUELE TEMPO.

A foto teria sido resgatada por seu hagiógrafo no arquivo oficial. Não há razão para duvidar de sua veracidade. Tampouco acredito que tenha havido qualquer manipulação técnica. ATENÇÃO, MEUS CAROS, O PHOTOSHOP QUE TEM DE SER COMBATIDO É OUTRO. O QUE SE PRETENDE COM O ESCARCÉU EM TORNO DESSA FOTOGRAFIA É OPERAR UM PHOTOSHOP NA HITÓRIA. É isso que tem de ser combatido. NÃO CAIAM NA CILADA DE DESCOFIAR DA VERACIDADE DA IMAGEM. TENHAM, ISTO SIM, É A CLAREZA PARA DESCONFIAR DO NOVO OFICIALISMO.

Conforme vocês verão no post abaixo, as esquerdas não eram compostas de anjos rebeldes, mas essencialmente bons, que estavam combatendo os dragões da maldade. Essa narrativa que a foto sugere é uma falsificação grotesca da história. No post abaixo, vocês constatarão, por exemplo, o que aconteceu com um homem chamado Orlando Lovecchio. Conhecerão, ou vão se lembrar, de Carlos Eugênio da Paz, que era da ala militar da Ação Libertadora Nacional, liderada por Carlos Marighella. Terão a chance, em suma, de ver de perto as esquerdas armadas, com a sua face real. A Dilma que aparece sentada ali num tribunal militar não remete àquela que tinha cargo de direção na VAR-Palmares, uma organização que era, sim, terrorista.

Os militares, que lêem papéis com o rosto coberto, geraram polêmica. Os mistificadores adoraram o contraste: ela, a jovem prisioneira, com o rosto à mostra; os fardados, que a julgavam, protegendo-se com as mãos. Estranho? Nem tanto!  Cometiam eles ali alguma ilegalidade para o estado de direito da época? Não! Agiam nos porões? Não! Faziam algo que contrariasse a lei, a exemplo dos torturadores? Também não! Ocorre, e sei que alguns agora terão borborigmos estertorosos, que mostrar a cara, nesse caso, implicava um risco considerável. Uma das linhas de atuação das esquerdas armadas consistia, justamente, em matar militares… fardados!

Era uma recomendação explícita, por exemplo, do Minimanual da Guerrilha Urbana, de Carlos Marighella (em vermelho):
- “Hoje, ser “violento” ou um “terrorista” é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada”;
- “é inevitável e esperado necessariamente, o conflito armado do guerrilheiro urbano contra os objetivos essenciais: a exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia.”
- “Esta é a razão pela qual o guerrilheiro urbano utiliza a luta e pela qual continua concentrando sua atividade no extermínio físico dos agentes da repressão”.

Um militar era, portanto, sempre um alvo. No dia 12 de outubro de 1968, um comando da VPR assassinou, por exemplo, Charles Chandler, capitão do Exército americano que estudava Sociologia e Política no Brasil com uma bolsa de estudos. Era considerado agente da CIA. Na frente da mulher e de um de seus filhos, Jeffrey, de quatro anos (havia ainda Todd, de três, e Luanne, com três meses), Chandler levou seis tiros de revólver calibre 38 e 14 de metralhadora quando saía de casa, de manhã.  Ah, sim: ele não era agente da CIA. Nomes de seus executores: Pedro Lobo de Oliveira, Diógenes José Carvalho de Oliveira e Marco Antônio Braz de Carvalho.

E o que dizer da morte do marinheiro inglês David A. Cuthberg, no dia 5 de fevereiro de 1972, decidida pela VAR-Palmares (grupo de Dilma), ALN (grupo de Marighella) e PCBR (grupo ao qual pertenceu, depois, Tarso Genro)? Leiam trecho de um texto publicado, à época, no jornal “O Globo”:
“Tinha dezenove anos o marinheiro inglês David  A. Cuthberg que, na madrugada de sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos mais alegres. Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita para comemorar os 150 anos de Independência do Brasil. Uma rajada de metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi que se encontrava. Não teve tempo para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia compreender. Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para, logo em seguida, completar a infâmia, despejando sobre o corpo, ainda palpitante, panfletos em que se mencionava a palavra liberdade. Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra jovem inocente, em troca da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo cumpre, no Brasil, com crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos”.

O tenente da FAB Mateus Levino dos Santos não teve melhor sorte em Pernambuco.O PCBR precisava de um carro para usar no seqüestro do cônsul norte-americano, em Recife.  No dia 26 de junho de 1970, o grupo decidiu roubar um Fusca, estacionado em Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife, nas proximidades do Hospital da Aeronáutica. Ao tentarem render o motorista, descobriram tratar-se de um tenente da Aeronáutica. O terrorista Carlos Alberto disparou dois tiros contra o militar: um na cabeça e outro no pescoço. Depois de nove meses de intenso sofrimento, Santos morreu, no dia 24 de março de 1971, deixando viúva e duas filhas menores. O imprevisto levou os terroristas a desistir do seqüestro.

Era perigoso pertencer à Força Pública de São Paulo, hoje Polícia Militar. No dia 22 de junho de 1969, militantes da ALN queriam as armas de dois soldados que estavam na rádio-patrulha 416. Não tiveram dúvida: incendiaram o carro, mataram os soldados Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira e lhes roubaram as armas.

No dia 1º de julho de 1968, Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen, major do Exército alemão, foi assassinado no Rio, onde fazia o Curso da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Foi confundido com o major boliviano Gary Prado, suposto matador de Che Guevara, que cursava a mesma escola. Seus matadores: Severino Viana Callou, João Lucas Alves e um terceiro não-identificado. Sabem a que organização pertenciam? Colina (Comando de Libertação Nacional). Sabem quem era uma das dirigentes? Dilma Rousseff. Tinha tal importância na turma que foi uma das pessoas que negociaram com Carlos Lamarca a fusão do Colina com a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), dando origem à VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). E foi justamente por divergências com o grupo de Dilma que Lamarca se descolou da nova organização para refundar a VPR.

Aquele ar de musa existencialista com cabelo à la garçonne faz photoshop na história, entenderam? Esse é o retoque verdadeiramente nefasto. Acima, relato algumas execuções, e nada disso justifica a brutalidade dos porões ou a tortura. Nem remotamente. Não adianta a canalha ficar me atribuindo o que não escrevi. Mas não me venham com conversa mole. Militares, mesmo exercendo o seu papel legal, podiam estar cobrindo o rosto para preservar a vida. A tortura é uma prática asquerosa. Mas o que dizer de grupos que matam inocentes e jogam em cima do cadáver um manifesto explicando os “motivos”, responsabilizando-o por sua própria morte? Será coisa, assim, tão moralmente superior?

Está em curso um processo, agora mais agressivo — e é impressionante que isso aconteça na democracia — de santificação de criminosos. O meu paradigma é a democracia, é o estado de direito. Não reconheço grandeza, legitimidade ou beleza em assassinos convictos. A presidente Dilma Rousseff é beneficiária da democracia. A contribuição que ela deu a esse processo se conta a partir de sua reinserção da vida política, aproveitando-se, como todos nós, dos benefícios decorrentes DA LUTA POR DEMOCRACIA, NÃO DA LUTA PELO SOCIALISMO. A luta armada era só o imaginário golpista com sinal invertido. Ou um bando que mata um homem inocente na frente da mulher e do filho de quatro anos com 20 tiros é muito diferente de uma súcia de torturadores? Com quem você dividiria a mesa do bar ou os seus afetos? Tenham paciência! Todos merecem o lixo. Ocorre que os torturadores são justamente execrados. Já aqueles assassinos são indenizados e ainda viram mártires.

Podem contar quantas mentiras quiserem a meu respeito, especialmente alguns vagabundos que foram puxa-sacos do regime militar, puxa-sacos do Sarney, puxa-sacos de FHC e que agora puxam o saco do PT. Eu tive problemas com a ditadura, tratei Sarney aos pontapés, fiz a primeira capa de revista da imprensa brasileira alertando para o apagão de energia no governo FHC (e foi apenas uma das críticas) e trato o PT como se vê. Podem contar quantas mentiras quiserem, reitero, que continuarei a contar as verdades sobre eles.

Tontos ficam babando: “Alguns leitores deste blog têm saudades da ditadura”. Talvez um ou outro tenham, não sei. O que é certo é que a maioria sente uma certa nostalgia até do que não tiveram: uma democracia de direito, em que assassinos não posem (Emir Sader escreveria “pousem”) de heróis e mártires.

Nos comentários, reitero, peço comedimento. Temos de combater é o photoshop da história. Em nome da democracia e do estado de direito, fora dos quais não há solução. Esta é uma página contra golpistas, de direita ou de esquerda. Se os esquerdistas são mais criticados, isso se deve ao fato de que, no momento, são os mais assanhados em justificar os próprios crimes. Afinal, estão no poder.

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 6:35

SE VOCÊ NÃO CONHECE A HISTÓRIA DE ORLANDO LOVECCHIO, VAI CONHECER AGORA. É UM ENREDO EM QUE A VÍTIMA É PUNIDA, E O BANDIDO, BENEFICIADO

Então vamos dizer tudo.

No dia 19 de março de 1968, um jovem de 22 anos estacionou seu carro na garagem do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo, onde ficava o consulado americano. Viu um pedaço de cano, de onde saía uma fumacinha. Teve uma idéia: avisar um dos seguranças; vai que fosse um reator com defeito… É a última coisa de que ele se lembra. Era uma bomba. A explosão o deixou inconsciente. Dias depois, teve parte de uma das pernas amputada.

Era o primeiro atentado terrorista da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização chefiada pelo “patriota” Carlos Marighella. O nome da vítima: Orlando Lovecchio. Ele se preparava para ser piloto. Marighella não deixou porque, afinal, queria mudar o mundo, não é? A Comissão de Anistia, como informei ontem aqui, fará uma homenagem ao líder terrorista e se prepara para, vejam vocês!, indenizar a sua família. Deve sair uma grana polpuda.

E Lovecchio? Conseguiu uma pensão, atenção!, de R$ 500 por mês!!! Foi o que a Comissão de Anistia achou justo por sua perna. É que a dita-cuja não previa benefícios para as vítimas dos esquerdistas, entenderam? As regras da comissão só protegem as “vítimas” do Regime militar. Já Diógenes Carvalho de Oliveira, um dos que deixaram a bomba no local, recebe, por decisão da mesma comissão, três vezes mais. E isso não é piada.

Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou preso 40 dias no começo dos anos 1980, sem que ninguém lhe tenha encostado um dedo, recebe quase R$ 7 mil por mês! Ziraldo e Jaguar, fundadores do jornal “O Pasquim”, foram beneficiados com pagamento retroativo de mais de R$ 1 milhão cada um e uma indenização mensal de R$ 4.375 (em valores de 2010). Sinto vergonha até de escrever isso! Como foi que nós permitimos que isso acontecesse?

O jovem Lovecchio não era de direita. O jovem Lovecchio não era de esquerda. Era só um brasileiro, com futuro, que estava no lugar errado, na hora errada. Como diz um rapaz que me escreve (ver abaixo), a culpa deve ter sido do regime militar, né?, que obrigava a ALN a explodir bombas, tadinha! Marighella é aquele senhor que fez o tal “Minimanual da Guerrilha Urbana”, em que ensinava, de modo meticuloso, como e por que matar inocentes.

O corajoso cineasta Daniel Moreno, hoje com 36 anos, fez um filme a respeito, intitulado “Reparação”. Abaixo, segue um trailer. Fica fácil saber quem é Lovecchio. Falam, entre outros, o professor Marco Antonio Villa, do Departamento de História da Universidade de São Carlos (o que afirma que tanto a esquerda como a direita eram golpistas), e o sociólogo Demétrio Magnoli, o que lembra que uma significativa parte da esquerda “ainda não aprendeu que Stálin era Stálin”. Vejam. Volto em seguida.


Perseguição
O filme encontra dificuldades imensas para ser divulgado. Adivinhem por quê… Os fatos que ele relata são incômodos para os novos donos do poder. Abaixo, segue um entrevista, em três partes, de Daniel Moreno ao nosso Augusto Nunes, gravada no estúdio da VEJA Online em abril do ano passado. Volto depois.


Esses são apenas fatos.
É mais uma contribuição à Comissão da Verdade!
É mais um alerta contra o photoshop da história!

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 6:31

IMPRESSIONANTE! O homem que fala de “fuzil bom para execução” como quem diz que hoje é segunda-feira

Neste fim de semana, dois fatos mexeram com o imaginário das esquerdas. A divulgação da foto da jovem Dilma Rousseff durante depoimento num inquérito militar e a decisão da Comissão de Anistia de homenagear o terrorista Carlos Marighella. “Terrorista? Qual é o critério?” Matava inocentes em sua luta e fez a defesa do terror num “minimanual” que escreveu. Adiante. Já publiquei aqui o vídeo que vai abaixo no dia 20 de maio. Mas acho que quem já viu deve revê-lo à luz dos fatos novos. E há também milhares de novos leitores no blog que talvez não o conheçam. Vamos ao video, em que fala Carlos Eugênio da Paz, um ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella. Se vocês não entenderem alguma coisa, o texto que segue deixará tudo muito claro.

Voltei
Boa parte do que vai abaixo foi publicado naquele 20 de maio. Eu quero que vocês prestem atenção é ao padrão moral das esquerdas e à sem-cerimônia com que se fala da morte de inimigos, sem qualquer prurido. Isso explica a altíssima letalidade dos grupelhos comunistas. Leiam a transcrição do relato de um assassino contando como se comportou a sua vítima.

“Eu, atrás [do banco do carro] com um fuzil Mauser 762, que é um fuzil muito bom para execução, de muita precisão. E quando ele [a vítima] chega na esquina da alameda Casa Branca, ele tinha de parar porque tinha uns dois carro (sic) na frente (…). Ele teve que parar. Quando ele parou, eu tava no banco de trás do carro e falei ‘Vou dar um tiro nele’. Peguei o fuzil, o companheiro que tava na frente, no Fusca, baixou a cabeça e já dei um primeiro tiro de fuzil. Não acertei de cheio porque eu sou destro; eu atiro nessa posição [ele mostra a maneira; notem o verbo no presente], como eu tava atrás, no Fusca, eu tive que inverter e atirei assim, então pegou aqui, de cabeça, no occipital dele, mas já começou a sangrar. Ele abre a porta do carro e sai do carro. Nós saímos. Só o motorista que não sai porque o motorista tem que ficar ali, assegurando a fuga. Saímos eu e outro companheiro. Ele sai com a metralhadora, eu saio com o fuzil. Ele [a vítima] saiu correndo em direção à feira, o companheiro metralhando ele, e eu acertando com dois, três, quatro [tiros], acertei três tiros nas costas dele, e o companheiro, com a metralhadora, acertou vários. Aí, de repente, ele caiu; quando ele caiu, eu me aproximei, e, com a última bala, a gente (sic) sempre dá o último tiro de misericórdia, que é para saber que a ação realmente foi cumprida até o fim.

O que é isso? Algumas considerações prévias. Depois volto ao testemunho do herói que fala acima.
(…)
O SBT exibe um lixo chamado “Amor e Revolução”, uma novela feita pela emissora de Silvio Bolinha de Papel Santos, aquele que quebrou um banco e saiu incólume, sem dever um tostão. Está pagando sua dívida política com o governo dia após dia, contando a história da luta armada segundo a ótica da esquerda. Assisti a dois capítulos. O didatismo bucéfalo do texto e o desempenho melancólico dos atores, tudo amarrado numa direção primária, transformam o que pretende ser um drama com muito sangue — “revolucionário” — numa comédia involuntária. Silvio Santos trocou “A Semana do Presidente”, programa com que puxou o saco de sucessivos governos, por “O Passado da Presidenta”. O resultado não poderia ser pior.

Ao fim de cada capítulo, ex-revolucionários prestam um depoimento, contando a sua história. José Dirceu já esteve lá. Aguarda-se, um dia, o testemunho da própria Dilma. Com uns 20 no Ibope, talvez ela parecesse; como a novela se arrasta entre 4 e 6 pontos, não sei, não… O autor, Tiago Santiago, já apelou até a um beijo lésbico para ver se o ibope se mexia. Nada! Ele promete outro beijo lésbico. Ainda acaba exibindo cenas de sexo explícito dos bonobos… Ai só restará sortear cartelas da Tele-Sena…

Uma das pessoas que deram seu testemunho sobre o período é o tal Carlos Eugênio da Paz. Ele foi chefão da ALN, um dos grupos terroristas mais ativos e violentos do período, comandada por Carlos Marighella.

(…) Carlos Eugênio conta, com riqueza de detalhes, como assassinou o empresário Henning Albert Boilesen (1916-1971), então presidente do grupo Ultra, que era acusado de organizar a arrecadação de dinheiro entre empresários para financiar a Operação Banderiantes (Oban), que combatia, de modo ilegal e com ações violentas, inclusive tortura, os terroristas de esquerda. Notem bem: não estou fazendo juízo de valor neste momento. Deixo qualquer questão ideológica de lado. Peço que vocês avaliem com que desenvoltura, precisão e até entusiasmo Carlos Eugênio fala da morte.

O que mais impressiona na fala deste senhor é que ele, com todas as letras, justifica a violência que era cometida, naquele período, pelo estado, que prendeu e matou pessoas ao arrepio das leis do próprio regime militar. Carlos Eugênio deixa claro que ele próprio fazia o mesmo. Leiam este outro trecho:
“Um Tribunal Revolucionário da Ação Libertadora Nacional do qual eu fiz parte, um grupo de dez ou 12 pessoas decidiu que, se a pessoa faz parte da guerra e está do outro lado, ele merece ser executado”.

E aí se segue aquela narrativa macabra. Não há a menor sombra de arrependimento, constrangimento, pudor. Boilesen, para Carlos Eugênio, era alguém que merecia morrer — e, como se nota, com requintes de crueldade. Os torturadores do período pensavam o mesmo sobre as esquerdas. A diferença é que eles foram parar na lata de lixo da história — o que é muito bom. Já o senhor que fala acima é tido, ainda hoje, como um homem muito corajoso e um gênio militar. Atenção: sem jamais ter sido preso ou torturado, assassino confesso, Carlos Eugênio é um dos anistiados da tal Comissão de Anistia. Isso quer dizer que ainda teve direito a uma indenização, reconhecida numa das caravanas lideradas por Tarso Genro, em 13 de agosto de 2009.

Observem que quando fala sobre o modo como atira, o homem põe o verbo no presente. Parece que ainda é um apaixonado pelo fuzil Mauser, que, segundo ele, é um “fuzil muito bom para execução”. Evidenciando que nada entende da ética da guerra, mas sabe tudo sobre a morte, afirma:
Quando ele [Boilesen] caiu, eu me aproximei, e, com a última bala, a gente (sic) sempre dá o último tiro de misericórdia, que é para saber que a ação realmente foi cumprida até o fim.”
Percebam:
“A gente sempre dá [verbo no presente] o último tiro…” Atenção! Tiro de misericórdia, como o nome diz, é aquele disparado para encerrar o sofrimento da vítima, mesmo inimiga, não para “saber se a missão foi realmente cumprida”. É asqueroso!

O “anistiado” e indenizado Carlos Eugênio deixa claro que ele era apenas a outra face perversa da tortura. Leiam:
Em tempo de exceção, você tem tribunal de exceção. Eles não tinham o deles lá, que condenava a gente à morte, informalmente? A gente nunca condenou ninguém à morte informalmente. Nós deixamos um panfleto no local dizendo por que ele tinha sido condenado à morte, o que é que ele fazia…”
Viram? Para ele, um tribunal da ALN nada tinha de “informal”! Reconhece, ao menos, que era de exceção. Aí está o retrato da democracia que teriam construído se tivessem vencido a guerra. Com esse humanismo, com essa coragem, com essa ética.

Mais um assassinato
Foi seu único crime? Não! Ele já confessou num texto que tem sangue pingando das mãos — sem arrependimento. Aquele era o seu trabalho. O “Tribunal Revolucionário” de Carlos Eugênio também matava companheiros. No dia 19 de novembro de 2008. Augusto Nunes narrou, no Jornal do Brasil, um outro assassinato cometido pelo valentão. A vítima era Márcio Leite de Toledo, membro da cúpula da ALN. Reproduzo um trecho:

“Márcio Leite de Toledo tinha 19 anos quando foi enviado a Cuba pela Aliança Libertadora Nacional para fazer um curso de guerrilha. Ao voltar em 1970, tornou-se um dos cinco integrantes da Coordenação Nacional da ALN. Com 19 anos, lá estava Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz. Em outubro, durante uma reunião clandestina, os generais garotões souberam da morte de Joaquim Câmara Ferreira, que em novembro do ano anterior substituíra o chefe supremo Carlos Marighela, assassinado numa rua de São Paulo. Márcio propôs uma pausa na guerra antes que fossem todos exterminados.
Já desconfiado de Márcio - não era a primeira vez que divergia dos companheiros - Carlos Eugênio convenceu o restante da cúpula de que o dissidente estava prestes a traí-los e entregar à polícia o muito que sabia. Montou o tribunal que aprovou a condenação à morte e ajudou a executar a sentença no fim da tarde de dia 23 de março de 1971, no centro de São Paulo. Antes de sair para o encontro com a morte, o jovem que iria morrer escreveu que “nada o impediria de continuar combatendo”. Não imaginava que seria impedido por oito tiros.
O assassino quase sessentão admite que o crime foi um erro, mas não se arrepende do que fez. Na guerra, essas coisas acontecem, explica o justiceiro impiedoso. Depois do crime, ele se tornou muito respeitado pelos companheiros, que o conheciam pelo codinome: Clemente.”

Carlos Eugênio, acreditem, responde a Augusto, nestes termos:
“A lembrança dessa época, para mim, é lembrança de uma luta que não me arrependo de ter travado. Era uma luta armada, era dura, precisamos todos, humanistas que éramos, aviltar nossas entranhas, nosso sentimentos, nossas convicções. (…)Tenho sangue em minhas mãos? É claro que tenho. Não era pra lutar? Não era pra fazer uma guerra de guerrilhas? Dá para medir quem estava mais certo? Todos estávamos errados, pois fomos todos derrotados. (…)Mas não se esqueçam também que o sangue que escorre de minhas mãos escorre das mãos de todos aqueles que um dia escolheram o caminho das armas para libertar um povo. E que defenderam a luta armada, mesmo sem ter dado nenhum tiro (…)

Numa coisa, ao menos, ele está certo, não é? Se a pessoa integrou um bando armado, que matava, traz sangue nas mãos, ainda que não tenha dado um tiro…

Retomo
Vocês conhecem alguém mais “clemente” do que Carlos Eugênio? Não é a primeira vez que a gente assiste a um vídeo em que os terroristas de esquerda justificam os métodos que eram empregados pelos torturadores e paramilitares, deixando claro que faziam e fariam o mesmo, evidenciando que compartilhavam a mesma lógica perversa. Já exibi aqui o filme em que Franklin Martins — aquele — e seus amigos deixam claro que teriam, sim, matado o embaixador americano Charles Elbrick se o governo militar não tivesse cedido às exigências dos seqüestradores. E o fez dando gargalhadas e justificando a decisão.

Carlos Eugênio escreveu um livro chamado “Viagem à Luta Armada”, publicado em 1997. Sabem quem fez um prefácio elogioso e quase emocionado? Franklin Martins!

Marighella, o ídolo de Carlos Eugênio, escreveu até um Minimanual da Guerrilha Urbana. Lá está escrito:
“Hoje, ser “violento” ou um “terrorista” é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada, porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta armada contra a vergonhosa ditadura militar e suas atrocidades.”

E mais adiante:
“Esta é a razão pela qual o guerrilheiro urbano utiliza a luta e pela qual continua concentrando sua atividade no extermínio físico dos agentes da repressão, e a dedicar 24 horas do dia à expropriação dos exploradores da população.
(…)
A razão para a existência do guerrilheiro urbano, a condição básica para a qual atua e sobrevive é a de atirar. O guerrilheiro urbano tem que saber disparar bem porque é requerido por este tipo de combate.
Tiro e pontaria são água e ar de um guerrilheiro urbano. Sua perfeição na arte de atirar o fazem um tipo especial de guerrilheiro urbano - ou seja, um franco-atirador, uma categoria de combatente solitário indispensável em ações isoladas. O franco-atirador sabe como atirar, a pouca distância ou a longa distância e suas armas são apropriadas para qualquer tipo de disparo.

O sobrenome de Carlos Eugênio é “da Paz”. E seu codinome no terrorismo era “Clemente”. Essa é a paz dos clementes. Nada mais a acrescentar neste post.

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 6:29

Vocês têm de ler este comentário de um leitor. Ele diz que a direita é a verdadeira culpada pelos crimes cometidos pelas esquerdas

Recebo de um desses leitores que, em princípio, não têm o que fazer no meu blog, mas que me adoram, um comentário até bastante cru, quase bobinho. Ele se chama “Renato”. Os esquerdistas mais espertos do que ele certamente não endossariam o seu texto porque revela coisas demais. O fato é que Renato presta um serviço à verdade ao tirar o glacê de suposto requinte que cobre o pensamento da esquerda e expressá-lo na sua essencialidade. Leiam na forma como chegou. Volto em seguida.

Se os Guerrilheiros infelizmente mataram gente inocente durante a ditadura foi por descuido de uma guerrilha que foi provocada pela ação golpista dos militares que tomaram o poder civil legalmente constituido. Ou seja, os responsáveis pelas mortes inocentes provocados pela guerrilha, foi quem deu causa a que ela surgisse: Os Próprios militares. Essa falácia de que os guerrilheiros queriam impor uma ditadura comunista é muito usada para justificar um golpe abusivo e vergonhoso para a história do Brasil que suprimiu toda e qualquer liberdade de manifestação e oposição no Brasil, foi péssimo para o povo, mas que foi ótima para certas elites.

Voltei
Entenderam? Não fossem, então, os militares, os esquerdistas não teriam matado inocentes! Assim, temos como corolário o seguinte: quando um direitista mata alguém, o culpado é o direitista; quando o assassino é um esquerdista, o direitista segue sendo culpado. Interessante o mundo de Renato! Divide-se em dois grupos: o dos culpados de sempre (a direita) e o dos inimputáveis e inocentes de sempre (os de esquerda).

Renato não estudou, tadinho! Ele acredita que, sem ditadura — eventualmente, sem AI-5 —, não teria havido luta armada no Brasil, o que significa que ele desconhece a história e o ideário daqueles grupos. E chama “falácia” a constatação de que PC do B, VPR, VAR-Palmares, Colina, ALN e afins queriam ditadura. Ele deve ler o “Minimanual da Guerrilha Urbana”, de Carlos Marighella, e enxergar lá os prolegômenos para uma democracia.

Renato é um esquerdista primitivo? É!

Mas os esquerdistas sofisticados pensam algo muito diferente disso?

Que intenção está na raiz da divulgação da foto da “heroína” Dilma Rousseff? Opor bandidos a heróis; os culpados de sempre aos inimputáveis de sempre. Igual concepção embasa a esmagadora maioria das indenizações e a Comissão da Verdade, que só em teoria pode apurar também os crimes da esquerda. De fato, sabemos que não serão apurados. E ponto final!

Quase ninguém diz isso? Eu digo!

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 6:27

Aqui, os nomes das pessoas assassinadas pelas esquerdas e que foram esquecidas pela história

Eu repudio a morte como instrumento de luta política. Pouco me importa quem mate quem. E repudio ainda mais — porque acho que há um agravante moral — que alguns homicidas sejam vistos como heróis. Leitores cobram que eu publique os nomes das pessoas mortas pelas esquerdas. No dia 12 de janeiro de 2010, publiquei quatro posts imensos em que lembro cada caso. Vocês encontram também  os nomes das organizações que cometeram cada crime.

Colaboro, assim, com a Comissão da Verdade.

Se vocês clicarem aqui, terão acesso aos posts daquele dia. Basta procurar os quatro textos.

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 6:25

Transposição do São Francisco: “Eles mentem quando querem passar pelo que não são”. É verdade!!!

O Estadão de hoje traz uma reportagem sobre a paralisação das obras de transposição do São Francisco. Pois é. Um dos deveres dos cidadãos, nas democracias, é, sim, cobrar que os políticos cumpra a sua palavra. Assistam a este vídeo.

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 6:23

Transposição do São Francisco: Superfaturamento de preços, fiscalização omissa e atraso injustificável nas obras

Por Vannildo Mendes, no Estadão:
Superfaturamento de preços, fiscalização omissa e atraso injustificável nas obras foram os principais problemas encontrados na última fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) no eixo leste do projeto de transposição do Rio São Francisco. A auditoria foi feita de junho/2010 a maio/2011 e os problemas, relatados ao Ministério da Integração Nacional, que até agora não adotou providências para ressarcir os prejuízos, estimados em R$ 8,6 milhões à época.

Principal vitrine do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que turbinou a votação da presidente Dilma Rousseff no Nordeste, o projeto exibe sinais de abandono em vários trechos, com estruturas de concreto estouradas, rachaduras e vergalhões de aço retorcidos, como mostrou reportagem do Estado ontem. Este é o quinto ano seguido em que o TCU encontra graves problemas na obra, que já excedeu o orçamento original em mais de 30% e, na melhor das hipóteses, será concluída com cinco anos de atraso.

O relatório do tribunal, entregue há seis meses, também determinava que o Ministério obrigasse as empreiteiras do consórcio encarregado por cinco trechos licitados no eixo leste a retomar imediatamente as obras. Como isso não ocorreu, o desgaste dos trechos aumentou e o prejuízo ao erário, também. O Ministério informou que a conservação do que já foi feito é responsabilidade das empresas e que já as acionou para refazer o que está se deteriorando.

O eixo leste, visitado pelo Estado, abrange uma população de 4,5 milhões de habitantes em 168 municípios de Pernambuco e da Paraíba. A integração do velho Chico às bacias dos rios temporários do semiárido nordestino será possível com a retirada de 26,4 m3 de água por segundo, ou 1,42% da vazão medida na barragem de Sobradinho. Desse total, 10 m3 vão para o eixo leste.

Entre os problemas detectados, um britador foi instalado a 4 km da pedreira, encarecendo desnecessariamente o custo de transporte das pedras para processamento. Constatou-se ainda que um desvio de 30 metros no traçado original do canal encareceu o custo das desapropriações. Problemas na área de fiscalização geraram, além de danos ao erário, baixa qualidade nos serviços, o que favoreceu a rápida deterioração das estruturas.

Conforme o relatório, houve superfaturamento em alguns itens em razão de quantitativos inadequados e ausência de planejamento eficiente das obras para minimizar custos, como o do transporte de materiais. Essa etapa da obra, iniciada em 2008, está orçada em R$ 1,3 bilhão, dos quais R$ 609 milhões estão inseridos no Orçamento de 2011.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

MPF abre investigação para apurar viagem de Lupi

Por Luciana Marques, na VEJA Online:O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) instaurou uma investigação para apurar irregularidades no uso de um  avião King Air pelo ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, em viagem ao Maranhão em dezembro de 2009. O processo foi aberto no último dia 25, mas só foi divulgado nesta segunda-feira. A investigação deverá ser concluída em noventa dias, prorrogáveis pelo mesmo período.

O procurador da República Paulo Roberto Galvão se baseou em reportagem de VEJA, que que revelou que Lupi viajou a bordo de um avião providenciado por Adair Meira, presidente de organizações não-governamentais (ONGs) com contratos milionário com o Ministério do Trabalho.

O MPF quer saber se houve prática de improbidade administrativa, já que a viagem era para cumprir agenda oficial e partidária. Para isso, pediu informações sobre ao assunto para o próprio ex-ministro, para o deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA), para o 6º Comando Aéreo Regional (Comar), para a empresa Aerotec Taxi Aéreo e para o diretório regional no Maranhão do PDT. Adair Meira e Ezequiel de Souza Nascimento, ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego do ministério, também deverão prestar esclarecimentos.

O Conar deverá informar em dez dias úteis os trajetos e passageiros embarcados no avião King Air, em dezembro de 2009, inclusive plano de voo e diário de bordo. No mesmo prazo, a Aerotec deverá identificar as pessoas físicas ou jurídicas responsáveis pela locação ou utilização da aeronave em todos os percursos desse período e encaminhar documentos como notas fiscais e diários de bordo.

Já o diretório regional no Maranhão do PDT deverá se pronunciar oficialmente sobre as despesas relativas ao aluguel da aeronave. Lupi havia dito que a viagem foi custeada pelo diretório, que negou a informação.

Demissão
Lupi deixou o governo neste domindo após escândalos sucessivos. O secretário-executivo da pasta, Paulo Roberto dos Santos Pinto, assumiu o ministério nesta segunda-feira de forma interina.

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 18:36

Um Egito menos laico. Ou: os pessimistas erraram! Os realistas estavam certos; o resultado é pior do que se esperava. Ou ainda: o que fará o “PT de Alá”?

Pois é…

Os muito pessimistas achavam que os partidos islâmicos obteriam até 60% dos votos nas eleições parlamentares do Egito. Os apenas realistas, como este escriba, desconfiavam que o quadro poderia ser, digamos, pior. É claro que “pior” é um juízo de valor e indica uma escolha inicial, não é? Na primeira rodada de votação, o Justiça e Liberdade, partido da Irmandade Muçulmana, ficou um tantinho abaixo da expectativa inicial: esperavam-se 40% dos votos; obtiveram 36,6%. Boa notícia? Nem tanto! Os radicais salafistas, reunidos do partido Al-Nur, conseguiram mais do que a aposta inicial: em vez de 20%, chegaram a 24,4%, e outros 4,1% ficaram com os também religiosos, mas mais moderados, do Wasat. Em suma: os partidos islâmicos, juntos, chegaram a 65,1%; os partidos leigos, somados, ficaram com o resto.

Não faço juízo de valor, não neste parágrafo ao menos. A idéia de que a “Primavera Árabe” corresponde à chegada dos valores da democracia ocidental aos países árabes é uma estultice. Se mecanismos democráticos constituem a forma possível de os religiosos chegarem ao poder, que seja por intermédio deles. Uma vez lá, aí vamos ver. O Egito é o ninhal, é a fonte, é a origem do moderno extremismo islâmico. O nacionalismo autoritário de Nasser derivou para a ditadura e expulsou do estado o extremismo religioso. O que é pior? A praça Tahrir, tomada aqui como metonímia, era uma praça islamista, não laica. Como eu sempre desconfiei, mesmo estando alguns bons quilômetros de lá.

Eu era muito mocinho em 1979, mas já me interessava por essas questões. Lembro-me que havia um encantamento basbaque com a revolução islâmica do Irã. Jimmy Carter, o democrata songo-mongo, puxou o tapete do xá Reza Pahlev. Barack Obama, outro democrata songo-mongo, levou para as cordas os aliados árabes dos EUA. Tomara que o desfecho seja diferente.

Quem vai governar?
Ainda faltam duas rodadas de eleições. Vamos ver. Ocorre que grandes cidades como Cairo e Alexandria, onde o laicismo é mais presente, já votaram. Em tese, ao menos, os islamistas podem até ampliar a sua vantagem. Que futuro aguarda o Egito?

A Irmandade Muçulmana faz um esforço danado para se mostrar moderada ao mundo. Aposta numa islamização lenta e gradual do poder, de modo a não provocar reações nem assustar o Ocidente. Vai liderar, com certeza, o novo governo. A questão é saber se vai se juntar com os extremistas do Al-Nur ou com os leigos. Eu tenho cá um palpite. E não sei se espero estar certo ou errado.

Dada a lógica do processo, é bem possível que, em nome de seu suposto pluralismo, atue, assim, como uma espécie de “PT de Alá”: talvez procure formar um governo com os partidos laicos, usando os ultraconservadores religiosos como uma espécie de reserva estratégica. Poderá, assim, impor a sua vontade, contando sempre com a chancela dos não-religiosos. Caso estes resistam, basta chamar a turma da pesada, entenderam? Não por acaso, a Irmandade está hoje bastante próxima dos militares, bem ou mal, uma reserva de laicismo no país. Chamo de ‘PT de Alá” porque, no Brasil, o partido se juntou a antigos adversários para demonstrar que havia mudado. Mudou?

Se eu fosse da Irmandade Muçulmana, deixaria claro aos “companheiros” que a coisa mais inteligente a fazer para continuar a contar com a boa-vontade do Ocidente é formar um governo com os partidos laicos. Vamos acompanhar nos próximos anos o processo de islamização do cotidiano que fatalmente virá. Não importa seu ritmo e sua intensidade, o fato é que o Egito será um país menos laico do que era. Desculpem a falta de tons de cinza no que vai agora: isso é um mal em si. Ponto.

Caminhando tudo como pretendem os religiosos, a democracia só será usada para pôr fim à democracia. Esse regime não existe sem eleições diretas. Mas só eleições não definem esse regime. Também há os valores, não é? Outro aspecto que deve preocupar, nos próximos anos, é a política externa do Egito, especialmente a paz celebrada com Israel, hoje ameaçada.

Só Jimmy Carter conseguiria fazer melhor…

PS - Ah, sim: eu também havia afirmado que a “nova revolução”, deflagrada dias antes da eleição, levaria ainda mais pessoas às urnas e beneficiaria os partidos religiosos. Bingo! A praça foi esvaziada. Talvez volte a se encher na antevéspera da nova rodada. E assim vai. A Irmandade Muçulmana deve rir a valer quando lê os “analistas ocidentais” e não deve entender como essa “civilização do mal” conseguiu chegar tão longe. Mas isso foi no passado, irmãos, no passado…

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 17:15

PDT continuará na base do governo, mesmo sem Lupi. Não me digam! Não foi desta vez que o menino mordeu o cachorro

O PDT, vejam que surpresa!, decidiu continuar na base do governo mesmo com a demissão de Carlos Lupi da pasta do Trabalho. Erga a mão o primeiro leitor que está surpreso. Como diria o poeta latino Catulo, que é difícil renunciar subitamente a um grande amor, não é mesmo? As benesses são muitas, né? Lupi não estava lá, afinal, por uma questão de princípio. Tinha sob a sua, digamos, “responsabilidade”, a parte do butim que cabia ao partido. Se o PDT perder o Trabalho, ganha outro ministério. E, assim, a vida prossegue. Há um chiste-clichê do jornalismo, segundo o qual só temos notícia quando o menino morde o cachorro. Cachorro que morde menino é rotina. Partido que cede o ministro para não ceder os dedos está virando coisa de rotina. Não foi desta vez que o menino mordeu o cachorro. Leiam trecho de reportagem do Portal G1:
*
Por Nathalia Passarinho:
Após reunião da Executiva Nacional, o PDT decidiu nesta segunda-feira (5) permanecer na base aliada do governo mesmo que venha a perder o comando do Ministério do Trabalho. Segundo o presidente interino do partido, deputado André Figueiredo (CE), não serão indicados nomes para substituir Carlos Lupi até a reforma ministerial, prevista para janeiro de 2012.

“[Escolha do substituto] é uma decisão da presidenta Dilma. O PDT ratificou que independente de cargos nós somos da base do governo [...] Nem discutimos nomes até por conta de que não sabemos se a presidenta Dilma vai definir se o PDT continua no Ministério do Trabalho ou se continua em outro ministério. Por isso resolvemos não discutir nomes”, disse.

Figueiredo afirmou que será criada uma comissão, formada por ele, os líderes do PDT na Câmara e no Senado, o secretário-geral do partido, Manoel Dias, e o vice-presidente do partido, deputado Brizola Neto (RJ), para negociar com a presidente Dilma o papel da legenda no governo e cargos em ministérios. “A comissão será para levar a opinião do partido [à presidente Dilma]“, disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).

“A comissão é para fazer a interlocução com o governo, para dar respostas ao governo. O partido tem que ver o que o governo quer do partido”, disse o deputado Brizola Neto (PDT-RJ). Segundo os deputados pedetistas presentes à reunião, Lupi irá tirar dezembro para “descansar” e assumirá a presidência da legenda em janeiro.

“A gente espera que ele [Lupi] volte no dia 30 de janeiro na reunião do Diretório Nacional. Até lá, evidentemente, a gente tem a expectativa de que a presidente Dilma já tenha feito a reforma ministerial e aí sim ela vai dizer se o PDT vai ficar com alguma pasta ou não”, afirmou o presidente interino do PDT, André Figueiredo. Segundo ele, Lupi tem “total apoio e confiança” do partido. “Ele tem a confinaça de todos que verdadeiramente conhecem o caráter dele”, disse.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 16:38

Chega de ideologia vagabunda e mentirosa em vestibular! Que o estado de SP comece a dar o exemplo anulando questão mentirosa da Fatec!

O estado de São Paulo tem as chamadas Fatecs, as Faculdades de Tecnologia, que exercem um papel fundamental na formação de técnicos de nível universitário. É uma grande iniciativa. Em vez da falsa expansão das universidades federais, com as faculdades de saliva criadas por Fernando Haddad, o modelo paulista deveria ser reproduzido no resto do país.

Por isso mesmo, as Fatecs têm de ser protegidas da vigarice intelectual, da mentira e da ideologização picareta.

No domingo, a Fatec fez o seu vestibular para o primeiro semestre do ano que vem. Não sei quem elabora aquilo, sei que precisa melhorar. Por isso mesmo, a questão 42 tem de ser anulada. E eu demonstro por quê. Ela começa citando um texto (em itálico) e formula depois a pergunta. Leiam. Comento em seguida.

O agronegócio envolve operações desde as pesquisas científicas relacionadas ao setor até a comercialização dos produtos, determinando uma cadeia produtiva entrelaçada e interdependente.
(ALBUQUERQUE, Maria Adailza Martins de et alii. Geografia: sociedade e cotidiano. São Paulo: Escala, 2010.)

Podem-se acrescentar outras características ao agronegócio, dentre as quais a seguinte:
(A) mantém centros de tecnologia avançados, voltados à agricultura orgânica.
(B) expande os cultivos de grãos da região Centro-Oeste para a região Sudeste.
(C) promove a concentração de terras e o desemprego no campo.
(D) possibilita ao país a autossuficiência nas matérias-primas para a indústria.
(B) planeja a expansão das lavouras, barrando o
 desmatamento e os impactos ambientais.

Voltei
Bem, na versão que está na Internet ao menos, pra começo de conversa, há duas alternativas “B”, como vocês podem notar. Se o erro estiver também na prova impressa, já rende a anulação.  O candidato não tem de ser perturbado pela incompetência do revisor.

Adivinhem qual alternativa é dada como a certa… É a “C”, claro!, já que um dos divertimentos dos esquerdopatas que seqüestraram os cursos de Geografia no Brasil é falar mal do agronegócio. Ignoram os dados e cobram dos alunos que adotem seus preconceitos. A questão é especialmente perversa porque o examinador decidiu fazer um teste para contestar o texto que ele próprio está oferecendo como referência.

Vamos lá. É claro que a alternativa “A” está errada porque o agronegócio não investe especialmente em agricultura orgânica, embora existam empresas do ramo. A “B” (a primeira B) está incorreta porque a expansão agrícola seguiu sentido inverso, do Sudeste para o Centro-Oeste. A “D” não é boa porque, evidentemente, o agronegócio não garante a auto-suficiência de toda a indústria. A segunda alternativa “B” é a que mais se aproxima da verdade: o agronegócio está cada vez mais empenhado, SIM!!!, em planejar a expansão das lavouras. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) criou o projeto “Biomas”, premiado internacionalmente, cujo objetivo é chegar ao “desmatamento ilegal zero”. As grandes empresas do setor agroindustrial respondem hoje por boa parte das pesquisas que são feitas sobre produtividade, às vezes em associação com a Embrapa.

Qual é o problema com a alternativa C? O debate sobre a “concentração de terras” é bucéfalo porque os que eventualmente migram do campo para as cidades, vendendo suas propriedades, não o fazem por causa da presença do agronegócio. Entram outros fatores aí, que não cabem agora no texto. O essencial, nesse caso, é considerar que a agroindústria não precisa comprar terra  — que está cara — para obter os produtos nos quais possa estar interessada. Há várias maneiras de trabalhar em associação com o pequeno e médio proprietários, do arrendamento à compra garantida da produção.

Mas a grande, a monumental, a estúpida mentira é a que diz respeito ao desemprego. O que se dá é justamente o contrário. Há cerca de 9 milhões de pessoas trabalhando da porteira das propriedades para dentro. Esse número pode chegar a 16 milhões caso se considerem as atividades associadas à produção agropecuária — transportes, comércio de insumos e área de serviços. Caso se leve em conta toda a cadeia produtiva, há um terço da mão-de-obra brasileira comprometida com o chamado agronegócio. É o que o examinador chama “desemprego”.

Estudo recente comprova a elevação de renda dos municípios em que o agronegócio está presente. Reproduzo trecho de reportagem da Folha do dia 6 de novembro. Volto em seguida:

Cidades brasileiras que tinham os piores indicadores de emprego, renda, saúde e educação entre 2000 e 2009 conseguiram melhorias nesses setores, mas ainda vão levar 26 anos, a contar de agora, para alcançar um elevado grau de desenvolvimento. Há, porém, uma exceção: o Centro-Oeste. Apoiada na expansão da fronteira agrícola e seu impacto no emprego, a região saiu de um patamar de desenvolvimento similar ao do Norte e Nordeste e se aproximou do Sudeste. Tal retrato pode ser extraído do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, um indicador preparado por economistas da federação das indústrias fluminenses. O levantamento faz um raio-X do país com base em três indicadores: renda e emprego formal, saúde e educação. E se assemelha ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), divulgado pela ONU na semana passada.

Encabeçada por Barueri (SP), a lista dos 15 municípios com os mais altos níveis de desenvolvimento tem 14 cidades paulistas. A hegemonia quase absoluta é quebrada por Lucas do Rio Verde (MT), na oitava posição. O município é um dos mais dinâmicos do cinturão da soja de Mato Grosso, maior produtor do país e pólo da agroindústria que processa o grão, além de sede de uma ampla rede de frigoríficos. Mais duas cidades de Mato Grosso estão entre as cem mais desenvolvidas: Primavera do Leste e Sorriso. As três apresentam evolução rápida no item emprego e renda - impulsionados pelo bom preço da soja e dos demais grãos no exterior e as sucessivas safras recordes. A pesquisa mostra que o efeito da renda maior no Centro-Oeste se irradiou, via tributos, para os cofres das várias cidades dos Estados, que passaram a prestar melhores serviços públicos.
Isso se traduziu em bons índices em educação e especialmente em saúde nesses três municípios, diz Júlio Miragaya, pesquisador do Conselho Federal de Economia.

Volto para encerrar
Até quando nossos estudantes ficarão sujeitos a testes de controle ideológico promovido por meia-dúzia de esquerdistas tarados, que não têm o menor receio em mentir e trapacear?

A CNA deveria entrar na Justiça pedindo a anulação da questão. Ou, então, que o examinador prove o que diz. Não estamos diante de uma questão de “liberdade de expressão”. Ninguém está pedindo que o cretino que elaborou o teste seja legalmente punido por isso. O que se pede é que o estudante não seja punido pela patrulha ideológica desinformada.

Justiça nesses caras, ou eles continuarão a mentir!
*
PS - Ainda hoje comento as questões de português da prova. Essa gente enlouqueceu.

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 15:11

Cai o sexto ministro sob suspeita de corrupção, mas loteamento de ministérios deve continuar

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A anunciada reforma ministerial poderia ser um indicativo de que Dilma Rousseff vai, ao fim do primeiro ano, dar uma cara própria à equipe, constituída até o momento por uns poucos ministros escolhidos diretamente por ela, muitos indicados por partidos aliados e alguns sobreviventes do governo Lula. Mas a possibilidade de uma mudança de perfil parece pequena. E os próprios aliados dizem isso.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), faz questão de aplacar a expectativa. “Nunca ouvi a presidente falar de reforma ministerial”, diz ele. Além disso, de acordo com Vaccarezza, não faz sentido esperar uma mudança de perfil na equipe se a própria presidente é uma herança do governo anterior: “Ela mesma foi uma indicação do Lula”, afirma, ao negar a possibilidade de uma ruptura com o modelo de indicação de ministros. O petista diz que, na montagem da equipe, não há diferenças entre o governo anterior e o atual: “Quem decidiu pela continuidade foi o próprio eleitor”, argumenta.

O deputado Ronaldo Caiado (GO), vice-líder do DEM na Câmara, também acredita que não haverá guinada alguma no perfil do governo, mas por razões diferentes. Na avaliação dele, a presidente está amarrada pelas alianças partidárias que garantem a sustentação política no Congresso. Para o tucano, a reforma trará novos nomes, mas não reduzirá os desvios. “Teremos uma substituição de práticas não-republicanas”, avalia. “Os ministérios continuarão sendo usados como feudos de alguns partidos para bancar as campanhas eleitorais”.

Para o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), a presidente é refém das alianças e dificilmente conseguiria romper com a lógica do loteamento. Na visão do parlamentar, Dilma poderia ao menos exigir nomes mais qualificados das legendas. “O ideal seria ela aproveitar a oportunidade e tentar celebrar um pacto de eficiência com seus aliados”, afirma.

Sucessão - No centro da crise do Trabalho, o PDT vai decidir nos próximos dias qual postura adotar diante da queda de Lupi. A legenda insinua que pode se recusar a indicar o sucessor do ex-ministro e que aceita uma troca de ministérios. Contudo, desde que a crise no Trabalho se agravou, surgiram no partido alguns candidatos a sucessor de Carlos Lupi: os deputados Vieira da Cunha (RS) e Brizola Neto (RJ) aspiram à vaga.

A presidente, entretanto, leva a sério a hipótese de tirar o PDT do ministério do Trabalho, o que abriria espaço para outras legendas - a principal delas, claro, é o PT. Os deputados Ricardo Berzoini (PT-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) são citados como candidatos ao posto. A disputa de petistas e pedetistas pelo cargo não é nova - e tem como pano de fundo os milionários recursos movimentados pela Central Única dos Trabalhadores, comandada pelo PT, e a Força Sindical, ligada ao PDT.

Se o objetivo do rodízio de ministérios for antisséptico, o efeito provavelmente não será dos melhores. Quase todos os partidos agraciados com pastas na Esplanada foram atingidos por denúncias de corrupção em 2011. A lista inclui PT, PCdoB, PMDB, PR e PP. Só o PSB chegou ileso até aqui.

Aliás, pelo menos até janeiro o Ministério do Trabalho vai continuar nas mãos de um pedetista envolvido na extensa trama de irregularidades na pasta: Paulo Roberto Santos Pinto, até então o número 2 do órgão, acabou de assumir a pasta. Além de ser ligado ao time de pedetistas que operava um esquema de extorsão dentro do ministério, ele tentou salvar a pele do chefe com um expediente questionável. Depois que VEJA revelou que Lupi viajou no King Air providenciado pelo dono entidades que mantêm contratos suspeitos com a pasta, Pinto tentou convencer o ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego, Ezequiel Nascimento, a mudar sua versão. Fora Ezequiel quem confirmara a história a VEJA.

Por Reinaldo Azevedo


05/12/2011

 às 6:21

Aparece mais um petista, também ministro, que ganhou uma bolada com consultores. Esses “socialistas” se tornaram mesmo especialistas em capitalismo, né?

Reportagem no Globo deste domingo mostra que, entre 2009 e 2010, Fernando Pimentel, agora ministro da Indústria e Comércio, faturou R$ 2 milhões com “consultoria”. Eita!!! Pimentel era companheiro de militância de Dilma. Ela foi sua professora de marxismo. Ele virou um consultor do capital. Boa professora!

Vai ver era sobre esse assunto que ele conversava naquele quarto de hotel com o, digamos, petista sênior da área de consultorias, o “chefe de quadrilha” (segundo a Procuradoria Geral da República) José Dirceu. Outro consultor bem-sucedido, como sabemos, é Antonio Palocci.

Que coisa, não? Quem diria que os petistas se dariam tão bem como iluministas do capitalismo, gente? Quem contrata o serviço desses “socialistas”? Ora, o capital privado. Pra quê? Vai ver é para eles darem aula sobre a revolução…

Rui Falcão, o presidente do PT, publicou em seu blog um discurso do delinqüente intelectual Slavoj Zizek, o dito “filósofo” justificador do terrorismo, pensador da estima de Vladimir Safatle, o “elegante”. Na tal fala, Zizek defende que está comprovada a incompatibilidade entre capitalismo e democracia. Se Falcão publicou, como recomendação, deve concordar, né?

Estou entendendo…

Se democracia e capitalismo demonstram ser incompatíveis, dada a desenvoltura dos petistas no capitalismo, então só me resta concluir que eles pretendem e dar um pau na democracia.

Bingo!

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 6:19

No dia em que Lupi cai, Dilma orienta Fernando Pimentel a explicar consultorias

Por Regiona Alvarez, no Globo:
O governo reagiu no domingo à denúncia publicada no GLOBO de que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, recebeu R$ 2 milhões em serviços de consultoria entre 2009 e 2010. A presidente Dilma Rousseff recomendou a Pimentel que retornasse a Brasília ainda no domingo e se explicasse, apresentando documentos, para mostrar transparência e que não tem nada a temer. O objetivo do governo é destacar que a situação de Pimentel é diferente da situação do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, demitido por Dilma em meio à pressão para explicar a multiplicação de seu patrimônio. “A presidenta me orientou a agir com transparência e tranquilidade. Não tenho nada a esconder, tudo que fiz foi dentro da lei”, disse Pimentel.

Segundo o ministro, que recebeu O GLOBO em seu gabinete no domingo à tarde em Brasília, pouco depois de chegar de Belo Horizonte, a orientação de Dilma foi a seguinte, após ler a reportagem: “Responda de forma transparente, seja objetivo e bastante explícito, mostre tudo para dirimir qualquer dúvida, porque você não tem nada a esconder, não tem nada de errado nisso”.

Ele disse que seu rendimento líquido com as consultorias foi entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,3 milhão, menos do que os R$ 2 milhões brutos, considerando o desconto dos impostos e os gastos administrativos da empresa. E apresentou cópias dos contratos assinados com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e com a QA Consulting, uma empresa de informática. “Não embolsei R$ 2 milhões. Entrou mesmo R$ 1,2 milhão, R$ 1,3 milhão que dividido por 24 (meses) equivale a R$ 50 mil mensais. Estamos falando de uma remuneração absolutamente compatível com o mercado de executivos hoje no Brasil.”

“Foi a forma que eu tive de ganhar dinheiro e sobreviver. Não tem nada de irregular, nada de ilegal. Foi um trabalho de consultoria com notas fiscais emitidas. Uma empresa de consultoria na qual trabalhei em 2009 e 2010 e da qual me afastei no fim de 2010″, disse.

O ministro negou que tenha influenciado o resultado de licitação na prefeitura de Belo Horizonte, para favorecer o grupo Convap, para o qual prestou consultoria em 2010, como mostrou a reportagem. Pimentel disse que, em conversa por telefone com o secretário de Obras da prefeitura, Murilo Vasconcellos, fora informado de que o consórcio do qual participa a Convap ganhou a licitação para uma das obras mencionadas na reportagem, a Via 210, mas foi desabilitado e só conseguiu assinar o contrato depois de ganhar uma liminar na Justiça.’ O governo de Marcio Lacerda é um governo de frente. Tem gente do PT, do PSB e do PSDB. Concluir que houve qualquer interferência minha nos contratos públicos é uma afirmação totalmente descabida”.

Pimentel apresentou o contrato com a Fiemg, destacando que os serviços de consultoria foram prestados ao Centro de Indústrias de Minas Gerais (Ciemg) - que está explícito no documento -, o que justificaria o fato de outros integrantes da Federação terem declarado que desconheciam o trabalho prestado por Pimentel à entidade.”Fiz uma consultoria direta à direção do Ciemg, ao Olavo e ao Robson Andrade”. Olavo Machado é ex-presidente do Ciemg e atual presidente da Fiemg. Robson Andrade é ex-presidente da Fiemg e atual presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Andrade assina os dois contratos de Pimentel com a entidade em 2009, que somam R$ 1 milhão.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

05/12/2011

 às 6:17

Conforme este blog queria demonstrar: Islâmicos obtêm 65% dos votos no Egito

No Estadão. Nesta segunda, falaremos mais a respeito.
Os resultados oficiais da primeira fase das eleições parlamentares no Egito mostram que as listas de candidatos de partidos islâmicos tiveram 65% da preferência popular no primeiro turno da votação, na semana passada. A Irmandade Muçulmana obteve 36,6%, o partido salafista Al-Nur ficou com 24,4% e os religiosos moderados do Wasat, 4,1%.

O segundo turno, que ocorre em nove das 27 províncias do país, será realizado hoje e amanhã. Segundo a Comissão Eleitoral, 9,7 milhões de votos em listas partidárias foram considerados válidos. Essa etapa da votação teve um comparecimento de 62%. Os partidos seculares não conseguiram bons resultados. O Bloco Egípcio teve 13,4% dos votos e o partido Wafd, 7,1%. A votação de hoje e amanhã definirá 50 deputados entre 100 candidatos individuais. As outras duas fases da eleição, entre 14 e 22 de dezembro e 3 e 11 de janeiro, ocorrerão em 18 províncias.

A nova Assembleia, que ao todo terá 498 representantes, terá a tarefa de designar os 100 responsáveis por escrever a nova Constituição do país. A junta militar que governa o Egito desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro, no entanto, deu indícios de que pode indicar 80 desses deputados constituintes.

Protestos. O resultado deve acirrar a disputa entre militares e manifestantes que foram às ruas contra a ditadura. “Será o conflito pela alma do Egito”, disse o analista Nabil Abdel-Fattah, do Centro de Estudos Políticos e Estratégicos Al-Ahram. “O novo Parlamento será transitório, mas com perfil conservador.”

A dianteira dos moderados da Irmandade Muçulmana e dos radicais salafistas - que defendem a instituição da sharia, a lei islâmica, no Egito -preocupa líderes seculares e o Exército, além dos aliados ocidentais. Na semana que antecedeu a votação, milhares de pessoas tomaram a Praça Tahrir, no centro do Cairo, para pedir que os militares entreguem o poder para os civis.

Ainda não está claro, no entanto, se o Partido Justiça e Liberdade, o braço político da Irmandade Muçulmana, formaria um governo com os salafistas ou com os seculares. O porta-voz do Al-Nur, Nader Bakkar, disse que a negociação de uma coalizão entre salafistas e a Irmandade é prematura.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 21:16

Em nota, Lupi ataca a mídia! Bem, só me resta, então, dizer: “Meus parabéns, mídia!!!” Ou: Tomba mais um herói

Como costuma acontecer nesses casos, Carlos Lupi, o sétimo ministro a deixar o governo Dilma e sexto sob a suspeita de corrupção, divulgou uma nota. Mais uma vez, a grande vilã é a “mídia”. Pois é… Não fosse, então, essa Dona Malvada, estariam no governo Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Pedro Novais, Wagner Rossi, Orlando Silva, além, claro!, de Lupi. Ô midiazinha cruel esta, não?

Segundo a gente lê, tomba mais um inocente! Seguindo a lógica, se a tal “mídia” só derrubou os bons até agora, está na hora de ela começar a se interessar pelos maus, né? Eu dou a maior força, hehe.

Ele não está feliz e acusa uma área do governo, não diz qual, de se deixar contaminar pelos “setores reacionários”. Huuummm… Como ele mesmo lembrou certa feita, quem nomeia e demite é Dilma. Vai ver a contaminada é ela… Segue a nota de mais um “herói” que tomba, um “mártir” da causa feito pela “mídia”.
*
“Tendo em vista a perseguição política e pessoal da mídia que venho sofrendo há dois meses sem direito de defesa e sem provas; levando em conta a divulgação do parecer da Comissão de Ética da Presidência da República - que também me condenou sumariamente com base neste mesmo noticiário sem me dar direito de defesa - decidi pedir demissão do cargo que ocupo, em caráter irrevogável.

Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do Governo.

Foram praticamente cinco anos à frente do Ministério do Trabalho, milhões de empregos gerados, reconhecimento legal das centrais sindicais, qualificação de milhões de trabalhadores e regulamentação do ponto eletrônico para proteger o bom trabalhador e o bom empregador, entre outras realizações.

Saio com a consciência tranquila do dever cumprido, da minha honestidade pessoal e confiante por acreditar que a verdade sempre vence.

Carlos Lupi”

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 20:40

EDIÇÃO DE “VEJA” QUE COMEÇOU A CHEGAR ÀS BANCAS NO DIA 12 DE NOVEMBRO SELOU A SORTE DE LUPI

A VEJA que começou a chegar às bancas no dia 12 de novembro selou a sorte de um Carlos Lupi que já vinha meio encrencado. Relembre.

A SITUAÇÃO DE LUPI SE AGRAVA MUITO - Ministro viajou em avião pago por dono de ONGs acusadas de fraudar Ministério do Trabalho; pior: o dito-cujo estava junto. Pior ainda: disse a deputados, em depoimento oficial, que isso não tionha acontecido

É… O ministro Carlos Lupi ama demais da conta a presidente Dilma Rousseff! Pena que seu amor pela ética pública e pela, como posso chamar?, congruência entre versão e fatos não tenha igual intensidade. A VEJA desta semana traz uma reportagem de seis páginas, de autoria de Daniel Pereira, Hugo Marques, Gustavo Ribeiro e Paulo Celso Pereira, que demonstra, mais uma vez, por que a permanência deste senhor no Ministério do Trabalho é um acinte. Dilma terá de escolher entre a baba amorosa do ministro e a decência.

A síntese da pilantragem de agora é a seguinte: em viagem oficial ao Maranhão, Lupi usou um avião alugado por um dos principais acusados de desviar dinheiro de convênios com o ministério. E o tal acusado estava entre os passageiros! Indagado na Câmara se conhecia o dito-cujo ou se já tinha voado com ele, o fanfarrão negou de pés juntos. Vale dizer: contou aos deputados, numa sessão oficial, aquela coisa que é o oposto da verdade. É caso para demissão sumária e para CPI. Insisto: não se tinha uma evidência dessa gravidade contra Orlando Silva, por exemplo.

Reproduzo trechos da reportagem.

Na manhã do dia 13 de dezembro de 2009, um avião de pequeno porte decolou de Imperatriz com destino a Timon, também no estado do Maranhão. Quando o King-Air branco com detalhes em azul, de prefixo PT-ONJ, já cruzava o céu na altitude e na velocidade determinadas no plano de voo, o então assessor do Ministério do Trabalho Weverton Rocha tomou um susto. Pela janela, ele viu um rastro de fumaça perto do tanque de combustível. Disciplinado, avisou imediatamente seu chefe, o ministro Carlos Lupi: “Olha, parece que está vazando querosene”. Osso duro de roer, como se definiu na semana passada, Lupi reagiu com a confiança e a verborragia que lhe são peculiares. “Nada de mau vai nos acontecer. Tenho 49 orixás que me acompanham”, disse, ecoando um de seus mantras prediletos. Em seguida, o ministro avisou o comandante do problema. O avião retornou a Imperatriz, foi consertado e retomou a viagem ao destino final. Estavam a bordo também o ex-governador do Maranhão Jackson Lago, já falecido, o então secretário de Políticas Públicas de Emprego do ministério, Ezequiel de Sousa Nascimento, e um convidado especial - o gaúcho Adair Meira. Naquele domingo, Lupi, Rocha, Lago e Nascimento, todos do PDT, participaram de um ato político em Timon. Nos dois dias anteriores, percorreram sete municípios maranhenses em uma intensa agenda oficial, divulgada no site do Ministério do Trabalho, reservada ao lançamento de um programa de qualificação profissional no estado. Nos trajetos entre cidades, usaram o mesmo King-Air e estiveram sempre acompanhados do convidado especial Adair Meira a bordo.

Meira não é do PDT, mas tem relações intestinais com o partido. Ele comanda uma rede de ONGs que têm contratos milionários com o Ministério do Trabalho. Era, portanto, um interessado direto no programa que estava sendo anunciado no Maranhão. Mais do que isso. Foi Meira quem “providenciou” o King-Air que transportou o ministro e os pedetistas do governo pelo Maranhão, numa daqueles clássicas confraternizações entre interesses públicos e privados, cuja despesa acaba sempre pendurada na conta do contribuinte. O ministro Carlos Lupi cumpriu uma agenda oficial, usando um avião privado, pago por um dono de ONG que tem negócios com o ministério. E, pior, um dono de ONG acusado de fraudar o próprio ministério. (…)

Aos deputados, Lupi afirmou desconhecer Adair Meira. “Eu não tenho relação nenhuma, absolutamente nenhuma, com o - como é o nome? - seu Adair”. afirmou, num providencial lapso de memória. Depois, emendou: “Posso ter e devo ter encontrado com ele em algum convênio público. Não sei onde ele mora.” Quanta descortesia. No fim de 2010, um ano após o tour maranhense, a Fundação Pró-Cerrado e a Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renaspi), duas ONGs de Meira, receberam do Ministério do Trabalho, numa solenidade em Brasília, o Selo Parceiros da Aprendizagem, concedido a entidades consideradas de excelência na formação profissional. Na mesma ocasião, a Renaspi foi escolhida pelo ministério como parceira num projeto para qualificar trabalhadores no Maranhão - isso apesar de ter credenciais nem de longe abonadoras. A Procuradoria da República já pediu a devolução de recursos públicos embolsados pelas entidades de Meira. A Controladoria-Geral da União (CGU ), por sua vez, apontou uma série de irregularidades nos contratos executados por ela. Na audiência com os deputados, Lupi garantiu que quase nunca viaja em aviões particulares. E assegurou que jamais se locomoveu à custa de Meira. “Nunca andei em aeronave pessoal nem dele nem de ninguém”, disse o ministro. Lupi esqueceu de combinar a versão com um de seus antigos assessores.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 20:21

O MINISTRO CARLOS LUPI ACABA DE SER DEMITIDO

Lá se vai o sexto ministro demitido sob suspeita de corrupção!

Corinthians campeão e Lupi demitido!

Pois é… A esgotosfera vai dizer: “A VEJA demitiu mais um!” Bem, eu digo assim: os fatos demitiram mais um! A VEJA narra os fatos! A opção seria escondê-los, como fazem alguns.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 19:15

“CABÔ”

coringao-dois

Eu fiquei aqui, fechado no meu escritório, com a TV ligada, mediando comentários pra relaxar. Estava me preparando para escrever sobre o campeonato conquistado pelo Coringão. Mas o jogador Alex, numa entrevista e numa homenagem à sua origem caipira, definiu muito bem. “Vou resumir tudo em quatro letras: CABÔ”.

É isto!

CABÔ!!!

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 7:16

O que a foto de Dilma sugere, revela e esconde

Como disse Voltaire, o segredo de aborrecer é dizer tudo. Então vamos lá.

foto-dilma-depoimento-justica-militarA foto acima circulou bastante na Internet ontem. Vemos ali Dilma Rousseff, aos 22 anos, em novembro de 1970, quando depunha numa auditoria militar, no Rio. A imagem está no livro “A Vida quer coragem”, de Ricardo Amaral, que foi assessor da Casa Civil quando Dilma era ministra. Ele trabalhou depois na campanha eleitoral da então candidata do PT à Presidência. A petezada está excitadíssima — uma estranha e mórbida excitação, acho eu. Já falo a respeito. Antes, algumas considerações.

A hagiografia lulística exalta o nordestino tangido pela seca, o menino pobre, depois operário e sindicalista, que venceu todas as vicissitudes do destino — sua mãe nasceu analfabeta; fosse rica, já viria à luz citando Schopenhauer — até se tornar presidente da República e inventar o Brasil. Antes dele, eram trevas. Em palanque, o homem já chegou a se comparar a Cristo. O analfabetismo de nascimento de Dona Lindu é, então, uma espécie de metáfora da virgindade de Maria. Dilma, cuja família era rica, tem de ser santificada por outro caminho. Em tempos de instalação de uma “Comissão da Verdade” — que será a verdade dos que perderam a luta, mas ganharam a guerra de versões , é preciso ressuscitar a têmpera da heroína. Os grupos a que ela pertenceu praticavam, na verdade, ações terroristas. E daí? Isso não vai interessar à tal comissão.

Segundo se informa, Dilma havia sido torturada durante 22 dias antes de ser apresentada ao tribunal. Não vou pôr isso em dúvida. É coisa séria demais! Noto apenas que alguém que se deixa torturar pela lógica se vê obrigado a indagar por que os trogloditas que a seviciaram interromperam o serviço sujo para dar curso ao aspecto legal e formal da prisão. Adiante. O fato é que a imagem reúne um coquetel de clichês que serve à hagiografia dilmista.

Vemos ali uma mocinha magriça, bonita, cabelo meio à la garçonne, socialista por dentro (mas isso não se vê, só se sabe) e existencialista por fora. Embora, consta, ela desse aula de marxismo para a sua turma e cuidasse de parte das finanças da VAR-Palmares, há a sugestão de uma intensa vida interior, mais para“A Náusea”, de Sartre, do que para a literatura leninista. Olha para o vazio, com uma firmeza triste. Atrás dela, fora do foco, militares devidamente fardados consultam papéis. As mãos escondem o rosto. O contraste resta óbvio: na narrativa fantasiosa, a vítima, de cara limpa, estaria enfrentando seus algozes, que tentam se esconder da história. A justiça, firme e frágil, contra os brutamontes acovardados. Davi contra Golias. O Bem contra o Mal. A democracia contra a ditadura. O título do livro não deixa dúvida sobre o desfecho: “A Vida quer coragem”.

Em tempos de “Comissão da Verdade”, essa é a grande falácia alimentada por esse coquetel de clichês. Não eram democratas os militares que estavam no poder. Tampouco eram democratas aqueles que tentavam derrubar os militares do poder. Os poderosos de então tinham dado um golpe de estado. Os atentados terroristas não buscavam derrubá-los para instituir, então, um regime democrático no país. Os ditos “revolucionários” queriam também uma ditadura, só que a socialista.

Morreram 424 pessoas combatendo o regime militar — algumas delas com armas na mão, trocando tiros com as forças de segurança ou tentando articular as guerrilhas. Outras foram assassinadas depois de rendidas pelo Estado, o que é um absurdo. Os grupos de esquerda no Brasil, não obstante, embora com um contingente muito menor e muito menos armados do que o estado repressor, mataram 119! E, como é sabido, ninguém acende velas para esses cadáveres porque não têm o pedigree esquerdista. Contam-se nos dedos os “mortos pela ditadura” que não estavam efetivamente envolvidos com a “luta” para derrubar o regime. Não estou justificando nada. Apenas destaco, até em reconhecimento à sua própria coragem, que elas sabiam, a exemplo de Dilma, o risco que corriam. Já a esmagadora maioria dos indivíduos assassinados pelos grupos de esquerda — sim, também pelos grupos de Dilma — eram pessoas que nada tinham a ver com a “luta”, nem de um lado nem de outro: apenas estavam no lugar errado na hora errada: comerciantes, transeuntes, taxistas, correntistas de banco, guardas…

Apelando à pura lógica, isso é uma indicação do que teria acontecido se os movimentos ditos revolucionários tivessem realmente conseguido se armar para valer, atraindo milhares de brasileiros para a sua aventura. Teria sido uma carnificina, como é, ou foi, a história do comunismo. Dada a brutal diferença de aparato, fôssemos criar um “Índice de Letalidade” dos esquerdistas armadas e das forças do regime, aqueles ganhariam de muito longe. No campeonato na morte, as esquerdas são sempre invencíveis. É inútil competir.

Esses são fatos que a foto esconde. A luta dos democratas — não a dos partidários de ditaduras — nos restituiu um regime de liberdades públicas e respeito ao estado de direito. Felizmente, Dilma sobreviveu e é hoje umas das beneficiárias, em certa medida, de sua própria derrota, já que é a democracia que a conduziu ao posto máximo do país.  Este garoto, no entanto, não teve igual sorte.

mariokozelfilho11Trata-se de Mário Kozel Filho, que morreu num atentado praticado pela VPR no dia 28 de junho de 1968. A organização terrorista lançou um carro sem motorista contra o QG do II Exército, em São Paulo. Os soldados que estavam na guarda dispararam contra o veículo, que parou no muro. Kozel foi em sua direção para ver o que tinha acontecido. O carro estava carregado com presumíveis 50 quilos de dinamite. A explosão fez em pedaços o corpo do garoto, que tinha 18 anos. Treze meses depois, a VPR se fundiu com o Colina, o grupo a que pertencia Dilma, e surgiu a VAR-Palmares. Os assassinos de Kozel foram, pois, companheiros de utopia daquela moça que lembra uma musa existencialista na foto que agora serve à hagiografia.

Este homem também não teve a mesma sorte de Dilma.

capitao-alberto-mendes-juniorTrata-se do capitão da PM Alberto Mendes Júnior, assassinado por Carlos Lamarca e seus comparsas da VPR no dia 10 de maio de 1970. Àquela altura, o grupo já havia se separado da VAR-Palmares. Mendes havia sido feito prisioneiro do grupo. Como julgassem que ele estava atrapalhando a fuga, um “tribunal revolucionário” decretou a sua morte. Teve o crânio esmagado com a coronha de um fuzil. Dia desses, vi um ator na televisão exaltando a “dimensão da figura histórica de Lamarca”. Entenderam???

Caminhando para a conclusão
Alguns bobalhões — os que me detestam, mas não vivem sem mim — enviaram-me vários links com a foto de Dilma, fazendo indagações mais ou menos como esta: “E aí? Quero ver o que você vai dizer agora”. Pois é… Já disse! Alguns preferem ficar com as ilusões que a imagem inspira. Eu prefiro revelar os fatos que ela esconde.

A presidente Dilma Rousseff — que se fez presidente justamente porque as utopias daquela mocinha frágil, felizmente, não se cumpriram — assinou anteontem a carta da tal Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac). Trata-se apenas de uma iniciativa para dar voz a delinqüentes como Raúl Castro, Hugo Chávez, Rafael Correa, Daniel Ortega e Evo Morales. A carta democrática não toca em eleições e imprensa livre porque isso feriria as susceptibilidades desses “democratas diferenciados”. Na cerimônia, o orelhudo Daniel Ortega identificou um grande mal na América Latina: A IMPRENSA.

De certo modo, Dilma assinou aquela carta com os olhos voltados para o passado. E ela só é presidente porque os democratas lhe deram um futuro.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 7:09

Comissão de Anistia faz homenagem, acreditem!, a autor de manual que prega abertamente o terrorismo. Eis a isenção dessa gente!

A Comissão de Anistia, acreditem!, vai homenagear Carlos Marighella. E já prepara a indenização. Segue texto de Sérgio Roxo, no Globo, em que o líder terrorista é chamado de “guerrilheiro”. Leiam. Volto depois.
*
Considerado inimigo público número um da ditadura militar, o guerrilheiro Carlos Marighella será homenageado na segunda-feira, dia do centenário de seu nascimento, pela Comissão de Anistia. A família dele receberá, em Salvador, cidade natal do ex-líder da Ação Libertadora Nacional (ALN) , o pedido formal de desculpas do Estado brasileiro por causa da perseguição política que sofreu ao longo de toda a vida. Entre parentes e ex-companheiros, o evento, em que será concedida a anistia política ao guerrilheiro, é visto como símbolo de resgate de sua figura. “Pode fazer com que novas gerações se interessem em conhecer a importância do Marighella ao país”, diz Clara Charf, viúva do líder da ALN.

“É o coroamento de 40 anos de luta para fazer com que o país conheça uma figura que viveu condenada a um silêncio total por todo esse período”, afirma Carlos Augusto Marighella, filho do guerrilheiro com Elza Sento Sé. “Não permitiram que a família tivesse o direito de sepultá-lo. Ele era apresentado como um facínora, um terrorista. O inimigo da pátria.” Sueli Bellato, uma das vice-presidentes da Comissão de Anistia, acredita que a concessão da anistia pode ajudar a sociedade a ter mais informações sobre o papel do guerrilheiro na História. ” A concessão da anistia traz a possibilidade, aos que não tiveram acesso na academia a esse período histórico, de saber o que aconteceu e reconhece qual foi a contribuição que pessoas como Marighella quiseram dar ao nosso país”, afirma.

A homenagem acontecerá no Teatro Vila Velha, a partir das 15h. A família entrara com o pedido de anistia política neste ano, e o processo será julgado no evento. Não houve pedido de indenização. Na ocasião, também será lançado o Pró Memorial Marighella Vive, que irá reunir acervo sobre o ex-líder da ALN. Ainda em razão do centenário, no dia 15 dezembro ocorrerá um evento na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio. Vão participar também a OAB , o MST, o Grupo Tortura Nunca Mais, a Fundação Dinarco Reis (ligada ao PCB) e a Rede Democrática.

A idéia dos organizadores é dar início ao Ano Marighella, com atividades, palestras, debates e seminários pelo país. Sindicatos de professores também serão procurados para que a história do guerrilheiro seja levada à sala de aula.

Voltei
Depois dizem que trato com má vontade a Comissão da Verdade! Vejam o que faz a da Anistia, que deveria preservar a sua capacidade de fazer julgamentos objetivos e isentos. Essa gente é uma piada. Carlos Marighella é autor de “Minimanual da Guerrilha Urbana” que faz a pregação aberta do terrorismo e do assassinato de soldados apenas porque são… soldados! É esse o “herói” que a comissão está aplaudindo.

Seguem trechos do manual, escrito por aquele grande humanista:

Já na abertura

A acusação de “violência” ou “terrorismo” sem demora tem um significado negativo. Ele tem adquirido uma nova roupagem, uma nova cor. Ele não divide, ele não desacredita, pelo contrário, ele representa o centro da atração. Hoje, ser “violento” ou um “terrorista” é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada, porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta armada contra a vergonhosa ditadura militar e suas atrocidades.

Missão

O guerrilheiro urbano é um inimigo implacável do governo e infringe dano sistemático às autoridades e aos homens que dominam e exercem o poder. O trabalho principal do guerrilheiro urbano é de distrair, cansar e desmoralizar os militares, a ditadura militar e as forças repressivas, como também atacar e destruir as riquezas dos norte-americanos, os gerentes estrangeiros, e a alta classe brasileira.
(…)
é inevitável e esperado necessariamente, o conflito armado do guerrilheiro urbano contra os objetivos essenciais:
a. A exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia.

É pra matar

No Brasil, o número de ações violentas realizadas pelos guerrilheiros urbanos, incluindo mortes, explosões, capturas de armas, munições, e explosivos, assaltos a bancos e prisões, etc., é o suficientemente significativo como para não deixar dúvida em relação as verdadeiras intenções dos revolucionários.
A execução do espião da CIA Charles Chandler, um membro do Exército dos EUA que venho da guerra do Vietnã para se infiltrar no movimento estudantil brasileiro, os lacaios dos militares mortos em encontros sangrentos com os guerrilheiros urbanos, todos são testemunhas do fato que estamos em uma guerra revolucionária completa e que a guerra somente pode ser livrada por meios violentos.
Esta é a razão pela qual o guerrilheiro urbano utiliza a luta e pela qual continua concentrando sua atividade no extermínio físico dos agentes da repressão, e a dedicar 24 horas do dia à expropriação dos exploradores da população.

Razão de ser
A razão para a existência do guerrilheiro urbano, a condição básica para qual atua e sobrevive, é o de atirar. O guerrilheiro urbano tem que saber disparar bem porque é requerido por este tipo de combate.
Tiro e pontaria são água e ar de um guerrilheiro urbano. Sua perfeição na arte de atirar o faze um tipo especial de guerrilheiro urbano - ou seja, um franco-atirador, uma categoria de combatente solitário indispensável em ações isoladas. O franco-atirador sabe como atirar, a pouca distância ou a longa distância e suas armas são apropriadas para qualquer tipo de disparo.

Espalhando o terror
[a guerrilha deve] provar sua combatividade, decisão, firmeza, determinação, e persistência no ataque contra a ditadura militar para permitir que todos os inconformados sigam nosso exemplo e lutem com táticas de guerrilha urbana. Enquanto tanto, o governo (…) [terá de retirar] suas tropas para poder vigiar os bancos, indústrias, armarias, barracas militares, televisão, escritórios norte-americanas, tanques de armazenamento de gás, refinarias de petróleo, barcos, aviões, portos, aeroportos, hospitais, centros de saúde, bancos de sangue, lojas, garagens, embaixadas, residências de membros proeminentes do regime, tais como ministros e generais, estações de policia, e organizações oficiais, etc.
[a guerrilha deve] aumentar os distúrbios dos guerrilheiros urbanos gradualmente, em ascendência interminável, de tal maneira que as tropas do governo não possam deixar a área urbana para perseguir o guerrilheiro sem arriscar abandonar a cidade, e permitir que aumente a rebelião na costa como também no interior do pais.

PS - Compreendo que o filho gosta dele. Também amavam seus respectivos pais os filhos das vítimas de Marighella.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 7:07

Petismo de resultados - Ministro Fernando Pimentel recebeu R$ 2 milhões por consultorias

Por Thiago Herdy, no Globo
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), faturou pelo menos R$ 2 milhões com sua empresa de consultoria, a P-21 Consultoria e Projetos Ltda., em 2009 e 2010, entre sua saída da Prefeitura de Belo Horizonte e a chegada ao governo Dilma Rousseff. Os dois principais clientes do então ex-prefeito foram a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e o grupo da construtora mineira Convap. A federação pagou R$ 1 milhão por nove meses de consultoria de Pimentel, em 2009, e a construtora, outros R$ 514 mil, no ano seguinte.

A consultoria de Pimentel à Fiemg foi contratada quando o presidente da entidade era Robson Andrade, atualmente à frente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e se resumiu, de acordo com o atual presidente da Fiemg, Olavo Machado, a “consultoria econômica e em sustentabilidade”. No entanto, dirigentes da própria entidade desconhecem qualquer trabalho realizado pelo ministro.

O serviço à Convap durou de fevereiro a agosto de 2010, época em que Pimentel era um dos coordenadores da campanha de Dilma e viajava o Brasil com a candidata. Após a consultoria, a Convap assinou com a prefeitura do aliado de primeira hora de Pimentel, Márcio Lacerda (PSB), dois contratos que somam R$ 95,3 milhões.

Em maio deste ano, ao ser questionado durante viagem a Ipatinga (MG) a respeito das atividades da P-21 Consultoria e Projetos Ltda., já na condição de ministro, o petista não quis dizer quem eram os seus clientes e classificou o rendimento da empresa como “compatível com a atividade dela” e “nada extraordinário”.

A Convap contratou Pimentel por meio de outra empresa do grupo que a controla, a Vitória Engenharia, atual Mineração Vitória Ltda., cujo endereço é o mesmo da construtora, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Menos de um ano após pagar a última parcela pela consultoria do petista, a Convap foi escolhida no governo Lacerda para tocar obras viárias de implantação do sistema de BRT (Bus Rapid Transit) na Avenida Cristiano Machado, para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 36,3 milhões), e da Via 210, na região Oeste da capital mineira (R$ 59 milhões). As duas obras são em consórcio com a construtora Constran.

Fernando Pimentel deixou a prefeitura há três anos; ainda assim seu grupo permanece no controle da Secretaria municipal de Obras e Infraestrutura no governo Lacerda. A pasta foi responsável pela contratação da Convap e continua nas mãos do engenheiro Murilo Valadares, petista que cuidava da secretaria no governo de Pimentel. De 2000 a 2008, período em que o atual ministro foi prefeito de Belo Horizonte, não há registro de contrato do município com a Convap.

Perguntado se via conflito de interesses na assinatura de contratos de quase R$ 100 milhões com uma empresa que tinha como consultor um de seus padrinhos políticos, Valadares disse que não. Ele alegou que os contratos foram assinados por meio de licitação e que, nos dois casos, o consórcio apresentou o menor preço.

“O secretário sempre pautou suas ações pela transparência e pela ética. As licitações seguem os parâmetros legais. Diante da suspeita de quaisquer irregularidades, cabe aos órgãos competentes realizarem suas fiscalizações, bem como à imprensa republicana registrar os fatos e evitar suposições”, disse a assessoria de Valadares, por meio de nota oficial.

Procurado por e-mail e pessoalmente para dizer que tipo de consultoria Pimentel prestou à sua empresa por mais de R$ 500 mil, o diretor-presidente da Convap, Flávio de Lima Vieira, não deu entrevista. Pelo telefone, repetiu quatro vezes a frase “nada a declarar” e desligou.

Já o atual presidente da Fiemg, Olavo Machado, disse ter pago por “análise, avaliação e aconselhamento sobre aspectos da economia local e mundial”, “discussões socioeconômicas com base em experiência técnica, universitária e administrativa”, e “dimensionamento de mercados para empresas, aspectos de meio ambiente e sustentabilidade”.

Consultoria na Fiemg desconhecida
Em 2009, a Fiemg pagou R$ 1 milhão por informações que, em linhas gerais, o ex-prefeito ofereceu de graça pelo menos 13 vezes em palestras para estudantes, políticos e comerciantes locais em viagens por Minas naquele mesmo ano, de acordo com o site “Amigos do Pimentel”. O tema era “Perspectivas econômicas e sociais de Minas e do Brasil no atual cenário mundial”, e o ex-prefeito viajava para articular sua pré-candidatura ao governo de Minas para o ano seguinte, plano que não se concretizou. No site, há referência a um encontro promovido pela Fiemg, em agosto daquele ano.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 7:05

No mundo Lupi - Chegam a quase R$ 300 milhões os convênios sem prestação de contas

Por Jaílton de Carvalho e Geraldo Doca, no Globo:
A fartura de dinheiro repassado pelo Ministério do Trabalho, de Carlos Lupi (PDT), para organizações não governamentais contrasta com a precária estrutura de controle da boa aplicação dos recursos destinados a programas de qualificação de mecânicos, garçons, marceneiros, entre outros trabalhadores. Levantamento com dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) informa que o ministério acumula R$ 282 milhões em prestações de contas de ONGs, fundações e prefeituras não analisadas.

Isso significa que o ministério liberou o dinheiro, mas não sabe se os serviços foram executados. As pilhas de prestações de contas estão acumulando poeira desde 2004. Entre as contas pendentes estão os processos do Instituto Brasil Voluntário - Bravo, ONG indicada pelo deputado Weverton Rocha (PDT-MA), um dos principais assessores de Lupi à época da assinatura do convênio entre a entidade e o ministério. A entidade firmou, em dezembro de 2007, um convênio de R$ 2.184.870,00 com o pretexto de qualificar jovens para o primeiro emprego. Mas, segundo um fiscal, depois de receber o dinheiro, desapareceu. Esse fiscal relata que a entidade entregou a prestação de contas da primeira parcela (aproximadamente R$ 800 mil) e simplesmente sumiu.

Nos documentos apresentados ao ministério, a Brasil Voluntário informa como endereço um escritório em Timon, no Maranhão, uma das bases eleitorais de Weverton. Em 2008, ano seguinte à assinatura do convênio, dirigentes da entidade teriam ajudado a campanha do ex-deputado Chico Leitoa (PDT) à prefeitura local. Leitoa é um dos principais aliados de Weverton Rocha.

Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta graves irregularidades no convênio. Entre outras ilegalidades, os fiscais verificaram “indícios de fraude na formulação de planilhas de custos de cursos de qualificação específica” e “pagamentos indevidos a servidores públicos”.

Nos papéis relegados a segundo plano estão ainda uma das prestações de contas da Fundação Pro-Cerrado, do empresário Adair Lima, o mesmo que providenciou um avião para Lupi fazer uma viagem ao Maranhão no final de 2009. Em 2007, a ONG fez convênio de R$ 2.379.282,62 também para qualificar trabalhadores, mas as contas da entidade não foram analisadas. A ONG já caiu na malha fina da CGU e está sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal.
(…)

Por Reinaldo Azevedo
Na coluna  Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

O Brasil que presta derrota Dilma e Lupi: mais um corrupto cai fora do governo

Graças à coragem da imprensa independente e à indignação dos brasileiros honestos, o país acaba de livrar-se de Carlos Lupi. É o sexto ministro despejado por corrupção em menos de um ano de governo Dilma Rousseff. Se dependesse da presidente, os seis continuariam no emprego. A faxineira de araque não sabe viver longe do lixo. De novo, fez o que pôde para preservar a sujeira no primeiro escalão. De novo, acabou se rendendo à evidência de que os inquilinos do Planalto podem muito, mas não podem tudo.

Além de Dilma, enlaçada pelo abraço de afogado do parceiro gatuno, foram derrotados o ex-presidente Lula, que instalou um vigarista no Ministério do Trabalho, e todos os comparsas do  fanfarrão fora-da-lei. Perderam os blogueiros estatizados, os velhotes velhacos da imprensa oficial, os  jornalistas precocemente aposentados pela idiotia, os bucaneiros trapalhões de José Dirceu, os milicianos do PT, os parceiros da base alugada e o resto dos sócios do grande clube dos cafajestes.

“Não ajo sob pressão”, disse o general-presidente Ernesto Geisel num episódio em que foi instado pela oposição a fazer o que não desejava. “Eu só ajo sob pressão”, ensinou-lhe o deputado Ulysses Guimarães. Primeiro para não parecer “refém da imprensa”, depois para não parecer subordinada à Comissão de Ética, Dilma tentou percorrer a trilha sonhada por Geisel. Tropeçou na lição de Ulysses. Talvez comece a desconfiar que não tem força para resistir à indignação dos decentes.

A luta contra a corrupção institucionalizada pela Era da Mediocridade será demorada. A roubalheira que assumiu dimensões amazônicas não vai acabar tão cedo. Mas seis ministros fora-da-lei foram expelidos, em pouco mais de seis meses, contra a vontade da presidente. Está cada vez mais difícil manter no cargo um bandido de estimação pilhado soterrado pelo prontuário. Num país em avançada decomposição moral, não é pouca coisa.

Oficialmente, Lupi pediu demissão. Os fatos informam que foi demitido pelo Brasil que presta. Como Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais e Orlando Silva, caiu fora do governo por corrupção. Como os cinco que o precederam no regresso involuntário à planície, tem contas a acertar com a Justiça. Como os outros, tem de devolver o dinheiro que embolsou.

04/12/2011

 às 13:54 \ Direto ao Ponto

O desabamento do ‘puxadão’ em Guarulhos mostra que a empresa do amigo de Dirceu e Cabral está fazendo o que a presidente fez

Em julho, a Delta foi premiada pelo governo federal com um contrato sem licitação para a construção, no aeroporto de Guarulhos, de “um novo terminal remoto de passageiros”. Essa é a expressão criada para disfarçar o que não passa de um “puxadão” forjado pela repaginação dos antigos galpões de carga da Vasp e da Transbrasil, distantes dois quilômetros dos terminais de verdade. Escolhida para executar outro assombro do PAC, a empresa de Fernando Cavendish ─ que prospera com a ajuda dos garotos-propaganda José Dirceu e Sérgio Cabral ─ embolsou R$ 85,75 milhões. A quantia é 163% maior do que os R$ 32,5 milhões fixados originalmente pela Infraero.

Em compensação, explicou a presidente numa entrevista no Planalto, a obra ficaria pronta em seis meses. Para abrandar os horrores de fim de ano no maior aeroporto do país, o governo resolvera que o terminal remoto seria inaugurado em 20 de dezembro. “Se a Delta não concluir, vai se tornar inidônea”, ameaçou em dilmês rústico. (Segundo o dicionário, inidôneo é quem não merece confiança, mente muito, não cumpre o que promete. Serve para empresas ou pessoas.) “O terminal tem de ficar pronto no dia combinado”, reiterou. Não vai ficar, informou nesta sexta-feira o desabamento de parte da estrutura do puxadão.

Se for considerada inidônea, a mina de ouro de Cavendish será impedida por cinco anos de fechar contratos com o governo federal. Para escapar do perigo, o amigo de Dirceu e Cabral poderia exibir, em sua defesa, o vídeo reproduzido na seção História em Imagens, gravado em julho de 2007. Caprichando na pose de gerente de país, Dilma aparece anunciando o início das obras de ampliação de Guarulhos e Congonhas, e garantindo que o terceiro aeroporto de São Paulo havia enfim começado a sair do papel. Passados quatro anos e meio, o que há de novo na paisagem são puxadinhos e puxadões menos confiáveis que uma explicação de Carlos Lupi.

A superexecutiva de araque sabe pelo menos desde 2007 que o sistema de transporte aéreo está em frangalhos. Não fez nada que prestasse. Há meses, alegando que a aproximação da Copa de 2014 exige pressa, evocou a iminência do colapso e descobriu as vantagens do Regime Diferenciado de Contratações. É o outro nome da roubalheira sem perigo de cadeia: o empresário presenteado com a obra primeiro ganha o contrato, depois faz o preço, inflado por aditivos criminosos. Faz o preço e também o prazo, sucessivamente dilatado por desculpas e desabamentos.

Dilma mentiu há quatro anos e meio. A Delta mentiu há seis meses e mente agora. Ao prometer o que não cumpriria, a construtora está fazendo o que a presidente fez. Ambas são inidôneas. E ambas têm certeza de que os pagadores de impostos vão bancar com mansidão bovina a conta da inidoneidade. Esse palavrão significa, em língua de gente, pouca vergonha. Ou nenhuma.

(por Augusto Nunes)

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo

1 comentário

  • Márcio Silva Maluf Porto Velho - RO

    A desinformação das pessoas que comentam sobre a Amazônia beira a insanidade. Dizer que Rondônia dobrou o desmatamento, pura e simples, leva aos desavisados que estão desmatando para plantar capim, o que, nesse caso, não é verdade. O desmatamento que está ocorrendo é para a retirada das madeiras nas áreas que serão inundadas pelo reservatório das usinas que estão sendo construídas ( Santo Antônio e Girau), ou seja, áreas que naturalmente alagam na época das cheias e que a retirada das árvores se dá por conta da corrosão das turbinas que poderia ocorrer. Do jeito que a coisa vai, daqui a pouco vai ter ONG lamparina, lampião. etc..

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