Boi barato compensou consumo lento e elevou as margens das indústrias

Publicado em 15/11/2018 11:11 e atualizado em 15/11/2018 18:06
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Se a pecuária de corte atravessou mais um ano difícil, ainda que mais moderado na comparação com 2017, os frigoríficos mais uma vez têm menos a reclamar que os produtores. O boi mais barato que estes foram obrigados a vender desde o primeiro semestre formou a margem positiva das indústrias.

E compensou a dificuldade de escoamento da carne com a pressão sofrida pelos consumidores. A Scot registrou 22,30%, o que teria sido, para a consultoria, a melhor margem dos últimos três meses.

Antes mesmo da estiagem se acentuar especialmente no Mato Grosso Sul e São Paulo, o primeiro tombo do confinamento mostrava-se menor, pela alta da ração sem contrapartida das cotações reprimidas. Daí já começava o conforto dos frigoríficos, que conseguiam ofertas. O abate de vacas também ajudou, com um excesso que ia além do descarte tradicional, como notou várias vezes o Notícias Agrícolas ouvindo produtores de várias regiões.

Com o agravamento da seca e com os pequenos e médios pecuaristas sem condições de fecharem os currais, os estoques dos frigoríficos foram crescendo. E entraram no jogo os contratos a termo, que andavam meio devagar nos últimos meses.

Os grandes produtores, com o mercado continuando sem reposta do consumo, partiram para o hedge, estratégia que os frigoríficos abriram, especialmente porque sustentados pela referência do Cepea, sempre mais baixa do que a já deprimida cotação que se praticava de fato. Quase não houve alinhamento do Cepea com os negócios registrados, tanto que atualmente, em São Paulo, negócios da R$ 150 estão até R$ 6,00 acima do balizador da B3.

Desse modo, desde o final de julho, as grandes indústrias conseguem manobrar as vendas com os estoques próprios e dos parceiros - saindo às compras só nas pechinchas. E o Notícias Agrícolas vem registrando há vários dias com base em informações de pecuaristas em SP, MS e até Goiás.

Até os últimos dias, isso deu uma alta de até R$ 10,00/kg no atacado, enquanto a @ andou quase nada.

O conforto nesta transição neste final da entressafra, ainda sem bois de pasto, permite o alongamento das escalas praticamente até o final do mês, quando aí, sim, pode-se começar a reversão para melhor do preço da matéria-prima, já que a boiada a termo dos grandes confinamentos (segundo giro) está minguando.

E a sazonalidade do ganho de consumo no mês dezembro entra em cena - ainda que ninguém arrisque qual deva ser o tamanho.

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Por: Giovanni Lorenzon
Fonte: Notícias Agrícolas

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