Frigoríficos seguem com compras travadas especulando com a suspensão das vendas à China

Publicado em 03/06/2019 17:26
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A folga na programação de abates, alinhada à lentidão das vendas no atacado, que deixaram os frigoríficos sossegados até quinta, foi coroada com a notificação da vaca louca . Saíram das compras na sexta e assim continuaram nesta segunda (3), mesmo com o mercado abrindo já sob confirmação de ter sido um caso atípico (conforme o governo divulgou na sexta fim de tarde), mas já com o vazamento de que as vendas seriam paralisadas à China.

Mesmo no Mato Grosso do Sul, onde não há plantas habilitadas para aquele país, a situação se generalizou. Em consulta normal nesses tempos de Whatsapp, Jr. Sidoni, de Coxim, pediu preço ao JBS de Campo Grande, e recebeu áudio do comprador (reenviado ao Notícias Agrícolas), com um "estamos sem preço, sem escala, mandaram parar tudo até segunda ordem de São Paulo".

O que pode mitigar um pouco o momento para os lados do produtor, já que se a situação perdurar as indústrias vão pressionar forte, é que a frente fria trouxe chuva, e não temperaturas mais baixas, dando um pouco mais sustentação às pastagens, de acordo com Marco Garcia, de Três Lagoas, ex-presidente do Sindicato Rural. Mas ele não observou registros de negócios no primeiro dia da semana.

Todas as informações levantadas apontam na mesma direção, como alguns clientes relataram à Cross Investimentos a respeito da JBS em São Paulo.

O Minerva também está fora das compras desde sexta, quando o caso já estava claro que se tratava de um animal caduco, de 19 anos, conforme deu em primeira mão o Notícias Agrícolas logo pela manhã (vela aqui).

Várias consultorias e corretoras também confirmam o travamento dos negócios no mercado físico. A Radar Investimentos, por exemplo, embora acreditando que a situação seja passageira porque as escalas dos frigoríficos vão até sexta. A Agrifatto também não viu atividade de compra e venda.

As referências para o boi comum, portanto, fecharam a segunda iguais a sexta, na média de R$ 153 à vista em São Paulo, R$ 142/141 no Mato Grosso do Sul e R$ 136 em Goiás.

  • Atitude brasileira

O mercado vai para a terça (4) esperando que haja algum entendimento entre Brasil e China para que fique sem efeito a suspensão dos embarques adotada pelo Ministério da Agricultura. Como adiantou Ênio Marques ao NA, não havia essa necessidade, pois o acordo sanitário entre os dois países, que ele assinou quando secretário da Defesa Sanitária, não prevê paralisação automática das plantas habilitadas em caso de vaca louca atípica (veja aqui).

Em todo caso, o movimento que o Brasil tomou, inclusive atestando a suspeita em tempo hábil e notificando a OIE (organismo mundial de saúde animal), está sendo elogiado pela rapidez. O presidente da Assocon, Maurício Velloso, e Gustavo Figueiredo, da AgroAgility, são alguns dos que acreditam que a atitude brasileira foi válida para se evitar dúvidas.

Figueiredo ainda arrisca: "E não descarto, que essa atitude seja uma maneira de pressionar a abertura demais plantas além das 20 apresentadas".

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Por: Giovanni Lorenzon
Fonte: Notícias Agrícolas

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