Mercado começa a recusar liquidação do boi e frigoríficos terão que voltar às compras

Publicado em 07/06/2019 17:15 e atualizado em 09/06/2019 08:54
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Poucos negócios foram conduzidos no boi nesta sexta (7), com ofertas de pegar ou largar mais baixas que na véspera. Nada diferente poderia ser esperado. Os R$ 150 já viraram fronteira psicológica (tanto como os R$ 155 também quando a @ começou a descer dos R$ 160) e ficaram um pouco mais distantes, na média paulista.

Mas os negócios nesta faixa acabaram sendo feitos por pequenos produtores, com pequeno colchão financeiro e pouca ou nenhuma capacidade de suplementar no semi. O que demonstra que quem tem boi em um contexto econômico melhor está começando a segurar e poderá dificultar para os frigoríficos quando eles precisarem da carne, mesmo que demore até 30 dias para o Brasil voltar a vender à China. 

As chuvas do final de semana passada deram um alento e a partir de próxima quarta os mapas climáticos apontam para temperaturas mais elevadas em São Paulo e Centro-Oeste.

Esta situação ficou mais evidenciada hoje, tanto através de Sávio Cardoso Resende, pecuarista da Baddy Bassitt, e das conversas que ele ouviu de outros companheiros, tanto quanto de informações que começaram a entrar em vários grupos de Whatasapp, como o da AgroAgility.

De todo modo, a pressão não larga o mercado. A Scot reduziu sua média em São Paulo mais um pouco, a R$ 148,50, no à vista. A Agrifatto, num degrauzinho acima, também viu outro recuo, para R$ 149,95. Enquanto a Radar, que há poucos dias antes da crise da vaca louca com a China vinha com uma @ menor que as demais, agora está acima, nos R$ 150,50.

Tentativas de R$ 145/146 existiram também no JBS Lins, desde ontem, que segundo Cardoso Resende, tem pulado dias de abates. "Estavam escalados para dia 21, pulando, vão para dias 28", diz o pecuarista do Norte de São Paulo, que também manda boi para lá.

No Marfrig de Promissão ele também mata - e hoje matou boi negociado há 12 dias, a R$ 153, comum. Mas se fosse vender nesta sexta, seria R$ 146/147. "Vou segurar mais um pouco e assim como eu tenho ouvido produtores grandes, muito mais estruturados, dizendo a mesma coisa", afirma.

Cadenciamento é a palavra. E isso pode começar a tirar a tranquilidade, porque o boi picado, distribuído entre muitos pequenos e médios, pode estar chegando ao fim.

E os frigoríficos médios e pequenos devem começar antes a precisar de animais e, depois, os grandes, que, de acordo com Sávio, não estão com programações tão longas assim, fora o JBS. O Marfrig seria um deles. O básico tem que sair e as compras vão ter que fluir para o mercado interno, ainda que lento, mesmo com as exportações para China paralisadas.

Douglas Coelho, da Radar Investimentos, viu as escalas médias caírem de 4,4 dias para 3,3 dias nesta semana. Mesmo contando com os buracos para a próxima semana, não estão tão mais folgados assim.

Em Goiás, a queda da @ é mais sentida. A Agrifatto levantou menos 1,45% dia conta dia, a R$ 136, praticamente igual a Scot.

E no Mato Grosso do Sul há uma estabilização indo para a segunda-feira, em torno dos R$ 139. Em Coxim, Júnior Sidoni viu boi a R$ 140, novilha a R$ 130 e vaca a R$ 128.

Abrafrigo vê retomada de embarques à China ao fim do mês e fortes exportações em julho

SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de carne bovina do Brasil deverão recuar fortemente em junho, devido à suspensão dos embarques à China por conta de um caso atípico de vaca louca em Mato Grosso, mas as vendas àquele país poderiam ser recordes em julho, no caso de haver uma liberação sanitária, avaliou nesta sexta-feira a Abrafrigo.

A Associação Brasileira de Frigoríficos avalia que até o final deste mês o Brasil poderá voltar a vender à China, o principal mercado para a carne bovina brasileira. Dessa forma, negócios represados em junho, elevariam fortemente os embarques em julho do maior exportador global de carne bovina.

A China, que juntamente com Hong Kong representa cerca de 40% das exportações do produto pelo Brasil, está enfrentando as consequências da contaminação de suas criações de porcos pela peste suína africana, e por isso tem elevado fortemente as importações de várias proteínas.

No mês passado, por exemplo, os embarques de carne de frango do Brasil aos chineses cresceram cerca de 50%.

O Ministério da Agricultura informou na última segunda-feira a suspensão de exportações de carne bovina à China após a confirmação de caso atípico da doença da vaca louca no Mato Grosso.

Como não se trata de um problema que ofereça risco, a suspensão partiu do governo brasileiro, seguindo um acordo com a China.

Embora a Abrafrigo acredite que o Brasil já estará exportando novamente à China em julho, disse a assessoria de imprensa citando o presidente da entidade, Péricles Salazar, o fechamento do mercado neste mês interrompe um bom desempenho dos embarques brasileiros.

Nesta sexta-feira, a Abrafrigo divulgou os resultados das exportações de carne bovina processada e in natura em maio, marcando embarques de 150.216 toneladas, avanço de 35% em relação a igual período de 2018, e receita de 573,7 milhões de dólares, alta de 24% ante o ano anterior.

O governo brasileiro também acredita em uma breve retomada de embarques à China, segundo afirmou nesta semana a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

 

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Por: Giovanni Lorenzon
Fonte: Notícias Agrícolas/Reuters

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