Nota de Posicionamento da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável sobre o Plano Clima

Publicado em 26/08/2025 13:04

A Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável vem acompanhando de perto o avanço do Plano Clima do governo federal, com atenção especial aos planos setoriais voltados para “Agricultura e Pecuária”. Como representante da cadeia de valor da pecuária sustentável, invejo contribuições à primeira versão do texto da consulta pública do Plano Setorial de Mitigação. A entidade também já havia contribuído com a consulta do Plano de Adaptação , em maio.

O documento atual apresenta avanços importantes e uma estrutura robusta para orientar a política climática nacional. Entretanto, o setor pecuário contracetivo aponta que precisa de maior esclarecimento e aperfeiçoamento para garantir a efetividade do Plano e evitar interpretações equivocadas sobre o papel da agropecuária. Propostas técnicas foram apresentadas ao governo pela Mesa Brasileira, entre elas, destacam-se:

- Como são medidas as emissões: é preciso mais transparência sobre a forma como serão calculados os números, mostrando quais dados e metodologias foram usados e como cada atividade da agropecuária para contribuir para atingir as metas.

- O reconhecimento das práticas já adotadas no campo: práticas como recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e manejo de projetos precisam ser claramente associadas às metas climáticas, para que seja possível medir sua contribuição real.

- Carbono no solo e restauração: o Plano deve contabilizar as emissões e remoções de carbono no solo, incluindo as remoções geradas pela restauração de vegetação nativa e recuperação de pastagens nas propriedades rurais, usando metodologia específica para isso.

- Agricultura familiar: é fundamental incluir medidas adaptadas à realidade desse público, como linhas de crédito, assistência técnica e formas de medição de resultados compatíveis com sua escala de produção.

- Acompanhamento por etapas: além das metas para 2030 e 2035, é importante ter marcos intermediários (como 2032 e 2034) para acompanhar o progresso e corrigir rotas, se necessário.

Monitoramento e transparência: a Plataforma AgroBrasil+Sustentável deve ser fortalecida como principal ferramenta de acompanhamento, integrada aos cadastros como o CAR, para dar mais clareza e correção aos resultados.
Redução do metano e inovação: tecnologias já validadas, como aditivos que contribuem para a emissão de metano pelos animais, precisam ser reconhecidas oficialmente e equipadas por financiamento e assistência técnica, para que cheguem ao campo de forma acessível.

“O Plano Clima é fundamental para orientar as políticas públicas do país frente aos desafios climáticos, e a pecuária tem um papel importante nesse processo. Por isso, apresentamos que é essencial que as metas previstas sejam claras, factíveis e reconheçam os avanços que já estão em curso no campo. As adequações que propomos buscam justamente dar mais transparência, precisão e previsões ao Plano, para que ele seja um instrumento de transformação real, capaz de exercer a competitividade da pecuária brasileira e mostrar ao mundo que o Brasil pode levar a produção sustentável de carne,” comentou Ana Doralina Menezes, presidente da Mesa Brasileira.

Como rede multissetorial que reúne todos os elos da cadeia de valor da pecuária, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável se coloca à disposição do governo para dialogar e contribuir com dados e conhecimento técnico. Seu compromisso é garantir que a pecuária brasileira siga avançando em produtividade, competitividade e sustentabilidade, contribuindo de forma concreta para uma agenda climática sólida, transparente e exequível.

Esse trabalho foi conduzido pelo Grupo de Trabalho de Clima da Mesa Brasileira, formado por representantes das organizações associadas, que se dedica à análise técnica e à construção colaborativa de propostas para o Plano.

Fonte: Mesa Brasileira

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