México impõe cotas à carne brasileira e acende alerta sobre onda protecionista global

Publicado em 06/01/2026 13:11

O governo do México oficializou nesta semana a imposição de cotas tarifárias para a importação de carnes bovina e suína, medida que impacta diretamente as exportações brasileiras. A decisão, válida até 31 de dezembro de 2026, estabelece limites isentos de impostos: 70 mil toneladas para carne bovina e 51 mil toneladas para carne suína. Volumes que excederem essas cotas serão taxados em 20% (bovina) e 16% (suína).

Exportações brasileiras em 2025 já superaram as cotas

A medida representa um desafio imediato para o Brasil, que exportou ao México entre janeiro e novembro de 2025 cerca de 113,2 mil toneladas de carne bovina e 74,3 mil toneladas de carne suína, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ou seja, o Brasil já ultrapassou os volumes agora isentos de tarifas, o que significa que parte significativa das exportações futuras estará sujeita às novas alíquotas.

Impacto tarifário direto

Com a nova regra, os exportadores brasileiros enfrentarão os seguintes encargos sobre o excedente:

- Carne bovina: 20% de tarifa sobre volumes acima de 70 mil toneladas
- Carne suína: 16% de tarifa sobre volumes acima de 51 mil toneladas

Fernando Henrique Iglesias, analista de mercado da Safras & Mercado disse que a medida não é direcionada exclusivamente ao Brasil, mas afeta especialmente países que não possuem acordos de livre comércio com o México, como é o caso brasileiro. Exportadores do bloco do USMCA (Estados Unidos, Canadá e México) estão isentos dessas barreiras.

Protecionismo em alta: China também adota salvaguardas

Para Iglesias, a decisão mexicana ocorre em um contexto de crescimento do protecionismo no comércio global, que começou ainda no ano passado com as negociações envolvendo o acordo Mercosul / UE. Na semana passada, a China anunciou salvaguardas para a carne bovina, impondo cotas e tarifas adicionais para países exportadores. A medida chinesa prevê tarifas de até 55% sobre volumes que ultrapassarem os limites estabelecidos, afetando diretamente grandes fornecedores como o Brasil.

Janela de oportunidade ou sinal de alerta?

Embora as cotas mexicanas ainda permitam algum espaço para exportações isentas, o cenário é de atenção. A retirada das carnes do programa Pacic (Paquete Contra la Inflación y la Carestia), que antes garantia isenção ampla de tarifas, indica uma mudança de postura do México em relação à abertura comercial. A medida visa proteger o mercado interno diante da pressão inflacionária e da concorrência externa.

Para o Brasil, o desafio será reposicionar sua estratégia comercial, buscando ampliar acordos bilaterais ou diversificar mercados. A sinalização vinda da China reforça a urgência de uma diplomacia comercial mais ativa e de medidas internas para garantir competitividade frente a um ambiente global aparentemente mais restritivo.

Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Pecuarista tradicional acredita em redução de oferta de animais para ajustar mercado a partir de Agosto
Arroba perde mais de R$20 em duas semanas com frigoríficos reduzindo compras
Estratégia dos frigoríficos está funcionando e arroba perde mais de R$20 em duas semanas
Pressão sobre arroba do boi se intensifica mas frigoríficos não conseguem recompor escalas
A búfala Serena bateu recorde mundial de produção de leite ao produzir mais de 40 quilos durante torneio em Minas Gerais
Confinamento para último trimestre tem margens positivas mesmo diante de pressão nos preços da arroba