Programa impulsiona a padronização e crescimento do Wagyu cruzado no Brasil

Publicado em 13/01/2026 12:56

Os dados mais recentes do Programa Carne Wagyu Certificada, conduzido e auditado pela Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Wagyu, apontam um crescimento expressivo no número de animais abatidos em 2025. No comparativo com o ano anterior, o volume total certificado, considerando Wagyu puro e Wagyu cruzado, avançou 30%. 

O Programa Carne Wagyu Certificada atua como instrumento de padronização, rastreabilidade e certificação, com dois selos distintos, um para Wagyu puro e outro para Wagyu cruzado, e é por meio dele que esses números são auditados e consolidados. No entanto, o crescimento observado especialmente no cruzamento industrial está diretamente ligado a uma iniciativa paralela, criada para resolver um gargalo histórico do setor.

Até poucos anos atrás, o Wagyu cruzado existia no mercado de forma pulverizada, sem padrão genético, critérios de manejo ou escala produtiva. A indústria de carnes Guidara, que historicamente sempre trabalhou com a criação de Wagyu puro, identificou que o mercado não estava conseguindo atender essa demanda de forma organizada e, a partir disso, estruturou o programa de cruzamento industrial.

De acordo com a médica-veterinária Tatiana Caruso, responsável técnica pelo programa, a iniciativa surgiu justamente da ausência de padronização. “A gente sempre focou na criação do puro, que é mais desafiadora, e acreditava que o mercado entregaria naturalmente o cruzado. Quando começamos a operar, vimos que isso não acontecia. O cruzado era completamente despadronizado, o que inviabilizava a construção de uma linha consistente de produto”, explica.

O programa de cruzamento industrial passou, então, a orientar tecnicamente outros produtores, definindo quais touros utilizar, a base de vacas, os manejos adequados e os critérios produtivos, com o objetivo de gerar volume e padronização dentro do Wagyu cruzado. Os animais resultantes desse programa, quando atendem aos critérios, passam a ser certificados pelo Programa Carne Wagyu Certificada, que audita e chancela o produto final.

É em 2025 que esse trabalho começa a aparecer de forma mais clara nos números. O ano marca o primeiro período de abate de animais cruzados efetivamente oriundos do programa de cruzamento industrial, já enquadrados nos padrões exigidos para certificação, o que explica o salto no volume de Wagyu cruzado certificado.

Além do crescimento em volume, a remuneração diferenciada é um dos pilares do programa. A bonificação é aplicada aos animais que se enquadram nas exigências e pode ocorrer em dois momentos. Nos animais cruzados recriados, com dente de leite, peso mínimo de 300 quilos e castração até a desmama, a remuneração pode chegar a até 25% sobre o valor da arroba. Já nos animais cruzados terminados, com até seis dentes, peso mínimo de 600 quilos vivos e castrados, a remuneração varia conforme o nível de marmoreio da carcaça, podendo alcançar até 100% de ágio sobre a arroba para animais com marmoreio acima de 7, dentro de uma tabela de classificação que vai até o nível 12.

Para Daniel Streinburch, CEO da Guidara, os dados mostram a importância de separar os papéis dentro da cadeia. “O Programa Carne Wagyu Certificada é fundamental porque ele audita, mede e dá credibilidade ao produto final. Já o programa de cruzamento industrial nasceu para organizar a produção do Wagyu cruzado, algo que o mercado sozinho não estava conseguindo fazer. Hoje detemos 85% do market share desses animais cruzados e os números mostram que quando esses dois modelos atuam de forma complementar, o resultado aparece em escala, padrão e previsibilidade”, pontua.

Diante do sucesso o programa ainda se desdobrou em outra iniciativa, o Wagyu On Dairy, que consiste no cruzamento de vacas leiteiras com touros de corte. “Com esse sistema conseguimos agregar valor nos bezerros que passam a ter melhor desempenho e ganho de peso, além de melhor rendimento de carcaça, sendo uma opção de integração entre os setores de leite e de carne, melhorando a rentabilidade do produtor”, finaliza Daniel.

Fonte: Programa Carne Wagyu Certificada

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