Arroba do boi gordo pode atingir R$ 400 em 2026: veja os fundamentos, por Lorenzo Junqueira

Publicado em 08/05/2026 08:22

A possibilidade de a arroba do boi gordo atingir R$ 400 até o final de 2026 começa a ganhar força entre produtores, analistas e participantes do mercado pecuário. Apesar da expectativa de um período de pressão baixista nos próximos meses, fatores econômicos, políticos e estruturais podem contribuir para uma retomada consistente dos preços no último trimestre do ano.

A tendência de baixa entre junho e agosto é atribuída, principalmente, ao término das cotas de exportação para a China, cenário que pode aumentar temporariamente a oferta de carne bovina no mercado interno e pressionar as cotações. No entanto, a avaliação de parte do setor é de que esse movimento seja pontual e não comprometa o ciclo de valorização esperado para o segundo semestre.

Entre os principais fatores que sustentam uma expectativa de alta para a arroba está o aumento da circulação de dinheiro na economia brasileira em função das eleições presidenciais de 2026. A expectativa é de fortalecimento do consumo interno de carne bovina a partir de setembro, período que antecede o primeiro turno das eleições, marcado para 04 de outubro, e o segundo turno, previsto para 25 de outubro.

Outro ponto observado pelo mercado é o ambiente político e econômico. Pesquisas eleitorais que apontam vantagem para candidatos ligados à direita vêm sendo interpretadas por parte dos investidores como um sinal de possível melhora na confiança econômica, o que pode estimular investimentos e consumo.

No cenário internacional, o Brasil também deve se beneficiar da ampliação de mercados compradores. O Mercosul avançou recentemente em acordos comerciais com a União Europeia e o Canadá, ampliando oportunidades para a carne bovina brasileira. Além disso, cresce a expectativa de abertura de mercado para exportações ao Japão e à Coreia do Sul, dois países considerados estratégicos pelo alto valor agregado e potencial de consumo.

As perspectivas de menor oferta de carne bovina em relação ao ano passado também reforçam o viés de valorização. A redução na disponibilidade de animais terminados tende a favorecer um mercado mais ajustado entre oferta e demanda no último trimestre do ano.

A demanda internacional segue como outro fator de sustentação. A China deve retomar as compras com maior intensidade nos meses finais de 2026, enquanto os Estados Unidos enfrentam preços recordes para a carne bovina, cenário que pode ampliar as importações da proteína brasileira. Além disso, diversos países compradores vêm aumentando gradativamente o volume de aquisição da carne bovina do Brasil.

O comportamento histórico do mercado também é levado em consideração nas análises. Em 2026, o pico da arroba foi registrado na primeira quinzena de abril, quando atingiu R$ 380. Tradicionalmente, o segundo semestre apresenta preços mais elevados, principalmente em períodos de ciclo pecuário de alta.

Diante desse conjunto de fatores — menor oferta, fortalecimento das exportações, possível aquecimento do consumo interno e sazonalidade positiva — cresce no mercado a expectativa de que a arroba do boi gordo possa atingir o patamar de R$ 400 até o final de 2026.

 

Fonte: Lorenzo Junqueira

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