Maior porta de entrada do gado mexicano nos EUA retoma operações, mas fluxo ainda é limitado
A retomada da passagem de bovinos mexicanos pelo porto de Santa Teresa, no Novo México, abre um novo capítulo para a oferta de gado de reposição nos Estados Unidos. O movimento, porém, ainda está distante do observado antes do fechamento da unidade por causa da bicheira do Novo Mundo.
Com base em dados do USDA-AMS, Rodrigo Costa, analista da consultoria Pasto & Mercado, destaca que 400 animais cruzaram por Santa Teresa na quinta-feira (24) e 700 na sexta-feira (25). Antes da interrupção, o porto movimentava aproximadamente 2 mil cabeças por dia. Assim, o volume da sexta-feira corresponde a cerca de 35% daquele ritmo de referência.
Na semana encerrada em 25 de setembro, 6,4 mil bovinos mexicanos entraram nos EUA pelos portos de Douglas, no Arizona, e Santa Teresa, no Novo México, somados. Desse total, 1,1 mil passaram por Santa Teresa nos dois primeiros dias de operação; os demais cruzaram por Douglas. A distinção importa: os 6,4 mil animais não representam o fluxo de Santa Teresa isoladamente.
A unidade tem peso estratégico na pecuária norte-americana. Segundo os dados reunidos por Costa, Santa Teresa respondeu por cerca de 43% das importações de bovinos mexicanos pelos EUA nos últimos cinco anos e costuma movimentar aproximadamente 500 mil cabeças por ano. Depois de cerca de 16 meses sem receber esse gado, a reabertura devolve aos compradores americanos uma importante rota de abastecimento.
O USDA iniciou a retomada gradual das importações por Douglas em agosto e condicionou a abertura dos demais portos aos protocolos sanitários contra a bicheira. O órgão prevê inspeção dos animais que ingressam nos Estados Unidos. Santa Teresa voltou a receber bovinos em 24 de setembro. aphis.usda.gov
Para o mercado, o ponto decisivo agora é a velocidade da recuperação. Se as travessias crescerem de forma consistente, os confinadores americanos terão mais acesso a animais de reposição. Isso pode aliviar parte do aperto na oferta de gado para engorda, mas não aumenta imediatamente a disponibilidade de bois prontos para abate: esses animais ainda precisam passar pelo ciclo de terminação.
Para o Brasil, o acompanhamento também interessa. Uma recomposição sustentada do rebanho em engorda nos EUA pode, mais adiante, alterar a necessidade americana de comprar carne no exterior. Ainda é cedo para medir esse efeito sobre as exportações brasileiras. Os 700 animais de sexta-feira indicam que a rota voltou a funcionar; as próximas semanas mostrarão se Santa Teresa conseguirá se aproximar das 2 mil cabeças diárias anteriores ao fechamento.