Febre Aftosa: Mudança da classificação do RN deve ficar para 2011

Publicado em 22/09/2010 07:49
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A reclassificação do Rio Grande do Norte em relação à febre aftosa poderá virar realidade apenas no próximo ano. O anúncio da mudança, de área de risco médio para livre com vacinação, era esperado por criadores e órgãos ligados à atividade durante a Festa do Boi do ano passado.

Porém, até o momento, o Ministério da Agricultura não realizou a análise da sorologia do rebanho potiguar, necessária para determinar se o estado pode ser considerado livre da doença.

Apesar de a Secretaria de Estado da Agricultura da Pecuária e da Pesca (Sape) aguardar a mudança para este ano, a Associação Norte-riograndense de Criadores (Anorc) acredita que uma resolução definitiva só será possível em maio de 2011, durante a reunião anual da Organização Mundial da Saúde Animal. Atualmente, o território potiguar é considerado área de risco médio para a aftosa e para que animais sejam mandados daqui para estados com a classificação diferente, é preciso um período de quarentena. Ocorrendo a modificação no status, os criadores norte-riograndenses poderão negociar livremente, com criadores de todo o Brasil.

O secretário estadual de agricultura e pesca, Francisco das Chagas Azevedo, diz ter recebido do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a garantia de que a mudança na classificação seria anunciada até o final de 2010. Entretanto, não há uma definição acerca da data desse anúncio e os órgãos ligados à pecuária norte-riograndense aguardam - desde setembro de 2009 - a análise da sorologia do rebanho. A medida é essencial, por ser através dessa verificação que o ministério determina se há focos da doença no estado ou o território pode ser considerado livre da doença.
Para tanto, o Instituto de Defesa Agropecuária do RN (Idiarn) e órgãos com função semelhante na região Nordeste deverão coletar amostras dos seus rebanhos e enviá-las para análises do departamento de epidemiologia do Ministério de Agricultura. Após a conclusão do estudo por amostragem, deverá ser marcada uma data para que o ministério informe se os estados encontram-se livre da doença.

Festa do Boi
De acordo com a assessoria de comunicação da Anorc, a mudança só deverá ocorrer em maio do próximo ano e, caso fosse realizada hoje, só seria benéfica caso ocorresse em conjunto com os outros estados nordestinos. Estamos a menos de 20 dias da Festa do Boi e se apenas o Rio Grande do Norte passasse a ser considerado área livre, seria necessária uma quarentena para os animais que vêm de diferentes locais do Nordeste entrarem aqui. Isso inviabilizaria o evento, explica o criador e assessor da entidade, Marcelo Abdon.

A Festa do Boi deste ano será realizada entre os dias 9 e 16 de outubro, no Parque de Exposições Aristófanes Fernandes, em Parnamirim.

Volume de negócios crescerá com novo status

O pedido de reclassificação do Rio Grande do Norte foi realizado no início de setembro de 2009 e os criadores de todo o estado aguardavam o anúncio durante a Festa do Boi do ano passado. A mudança é esperada pelos criadores potiguares, porque reduz o risco de contaminação pela febre aftosa no rebanho do estado e abre as portas para expositores, aumentando a chance de serem realizados novos negócios pecuários.

Além disso, a reclassificação permitirá a promoção de um número maior de leilões virtuais, por agilizar o trânsito entre as unidades da federação. Isso ocorre pelos estados considerados livre da doença não serem obrigados a realizar a quarentena de animais envolvidos em eventos.

Exposições

Conseguindo passar da atual classificação de risco médio, para o status de área livre da doença, os pecuaristas do Rio Grande do Norte poderão levar seus animais para exposições e feiras, além de comercializar, enviando e recebendo gado a partir de criadores de todas as unidades da federação.

No Brasil, 14 estados e o Distrito Federal são classificados pela Organização Mundial da Saúde Animal como livres da febre aftosa, com vacinação, e somente Santa Catarina é considerado livre de aftosa sem vacinação. Em território nordestino, apenas Bahia e Sergipe recebem essa classificação e nos demais estados, o status é de médio risco para a doença. Já Roraima e o noroeste do Pará são regiões de alto risco, enquanto o Amazonas e Amapá, considerados risco desconhecido.
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Fonte: Tribuna do Norte

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