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Tecnologias fazem da Bahia o quarto produtor de café do Brasil

Publicado em 20/12/2012 07:23 466 exibições
Nos últimos anos, a Bahia não só agregou o café à sua produção agrícola, como também se tornou uma das grandes regiões produtoras do Brasil. Essa conquista é resultado da articulação de produtores, pesquisadores e demais segmentos do agronegócio café que, unidos, vêm obtendo resultados positivos nos índices de produção, produtividade e melhoria da qualidade. Como reflexo desse esforço conjunto, hoje a Bahia é o quarto maior produtor de café, atrás de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, alcançando em 2012 volume de 2.164,7 mil sacas (Conab, setembro de 2012), o que representa 5% da produção nacional.

O estado possui três regiões produtoras principais: Cerrado e Planalto (regiões que concentram café arábica) e Atlântico (especializada em robusta ou conilon). O crescimento mais expressivo ocorria até pouco tempo na região do Cerrado (alta tecnologia, totalmente irrigada), situando-se em torno de 20% ao ano. Recentemente esse crescimento vem se dando também na região do conillon, denominada “Atlântico”, onde alcança a cifra de crescimento de 10% ao ano. Nessa região, dada a proximidade e a troca de conhecimentos tecnológicos com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural - Incaper - instituição co-fundadora e participante do Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café, detentora de expertise em conilon - tem proporcionado importantes contribuições para o desenvolvimento da cultura. Na região do Planalto (mais tradicional), investe-se prioritariamente na aplicação de tecnologia para aumentar a produtividade e a qualidade, embora também haja expectativa de ampliação de área, pois o público é, em grande maioria, composto de pequenos agricultores e agricultores familiares.

Papel da pesquisa - Para fomentar a atividade cafeeira no Estado, a Secretaria de Agricultura - Seagri, por meio da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA (instituição co-fundadora e participante do Consórcio Pesquisa Café) implantou, nos últimos anos, aproximadamente 30 projetos de pesquisa na área de fertilidade do solo, fitossanidade de lavouras, densidade de plantios, competição de variedades e melhoramento da qualidade, por meio de técnicas de processamento. Os projetos foram instalados nas regiões Oeste, Chapada Diamantina, Planalto de Vitória da Conquista, Serrana de Itiruçu/Brejões. “Também foi e está sendo incentivado o desenvolvimento e aplicação de tecnologias voltadas para melhorar a produtividade, como a arborização, e a qualidade do café produzido, por meio da instalação de terreiro de cimento e/ou suspenso e de pequenas máquinas de despolpamento e beneficiamento voltadas para atender a pequena produção”, completa Ramiro do Amaral, coordenador do Programa Café da EBDA.

Também há o Programa do Café da Seagri, coordenado pela EBDA, que assiste anualmente cerca de sete mil produtores por meio de seminários, capacitações, palestras, dias de campo, treinamentos, excursões e visitas às unidades demonstrativas e orientação creditícia em parceria com agentes financeiros. “O principal foco do trabalho é a transferência de tecnologia e assistência técnica. Tecnologias utilizadas em outras regiões do País foram adaptadas para resolver gargalos da pequena produção no estado”, esclarece Ramiro do Amaral.

Além disso, a EBDA acompanha a safra cafeeira, com o levantamento dos dados da produção em 360 propriedades no Estado e começa a desenvolver, em paralelo, levantamento envolvendo 610 novas propriedades para unificar tecnologias em parceria com a Companhia de Abastecimento - Conab e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - Pnud. “A Empresa vem intensificando os trabalhos com os agricultores familiares, público-alvo, em parcerias com prefeituras. Os resultados já refletem nos índices de produtividade e na qualidade da produção. Os cafés de pequena propriedade produzidos na Chapada Diamantina (Planalto) têm se destacado em diversos concursos nacionais”, destaca.

Segundo o secretário de agricultura do estado, Eduardo Salles, a Bahia possui o maior contingente de agricultores familiares do Brasil (665 mil), e as pesquisas são fundamentais para que eles qualifiquem e aumentem a produtividade, alcançando os patamares dos grandes produtores. “Assim, nossa parceira com as instituições de pesquisa vai ganhar mais força nos próximos anos. Estamos trabalhando para isso, pois sabemos que esse é o caminho”, disse.

Estações experimentais e tecnologias validadas - Atualmente, a Embrapa Café alinhou com a Seagri-BA projetos de implantação de duas estações experimentais em Itabela (café conilon) e em Barra do Choça (café arábica). São pilares importantes para a pesquisa aplicada. “Agora só fica faltando uma estação experimental na região Oeste do Estado”, afirma Eduardo Salles. Ele explicou que a implantação das estações experimentais vai permitir a validação das pesquisas realizadas em outras regiões do País e a transferência de tecnologias, principalmente para a agricultura familiar.

O Oeste da Bahia tem validado tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Cerrados no âmbito do Consórcio Pesquisa Café como o estresse hídrico controlado, o programa de monitoramento de irrigação, a aplicação de doses mais elevadas de fósforo na cultura e o cultivo da braquiária nas entrelinhas do cafeeiro. Com 904 hectares cultivados com café arábica irrigado por pivô central e gotejamento para produção de grãos especiais para exportação, a fazenda Lagoa do Oeste possui processo de produção do café irrigado certificado internacionalmente, o que permite à Adecoagro, proprietária da fazenda, manter clientes no Japão, EUA e na Europa.

Histórico da parceria - Em 2006, a Adecoagro iniciou as operações com café em uma área de 1.632 hectares envolvendo duas fazendas do grupo (Lagoa do Oeste e Rio de Janeiro, no mesmo município). Em 2011, na mesma área, a safra foi de 45 mil sacas e, para este ano, a estimativa é de 60.550 sacas. O potencial é de 65 mil sacas no ano que vem. “Buscamos estabilidade de produtividade entre 45 a 50 sacas de café por hectare em áreas maduras”, diz Rafael Ferreira, gerente de produção de café do grupo. “O resultado reflete o uso de tecnologias. Acreditamos que alcançamos voo de cruzeiro com a parceria com o Consórcio Pesquisa Café e a Embrapa, o que é uma satisfação”, afirmou Guy Carvalho, consultor técnico da Adecoagro. Ele lembrou as dificuldades enfrentadas até o estabelecimento do cafeeiro na região. “Quando viemos para o Oeste da Bahia, tivemos que rever vários paradigmas. E pedimos ajuda à Embrapa. Viemos para produzir café especial irrigado e vimos que no Cerrado onde o período seco é intenso, o manejo das irrigações tem que ser feito criteriosamente para obter sucesso”, finaliza.

A parceria da fazenda com a Embrapa começou em 2005 com o projeto Desenvolvimento e adaptação de técnicas de manejo de água na cafeicultura irrigada em solos arenosos do oeste baiano (Projeto Raioba), que levou à redução de 23% do consumo de água anual para o café irrigado. Mesmo que essa tecnologia tenha contribuído para racionalizar o uso de água de irrigação, ela por si só, não foi suficiente para solucionar muito dos problemas da cafeicultura irrigada do Oeste da Bahia. No mesmo ano, foi adotado o estresse hídrico controlado, que promoveu a redução de custos, das perdas na colheita, de pragas, da requeima e da alta incidência de flores tipo estrelinhas. A tecnologia permitiu ainda o controle sobre a floração do cafeeiro, a uniformização da maturação dos frutos, a oportunidade para fazer a manutenção de equipamentos, além de ter garantido repouso às plantas e apontado falhas no programa de fertilização até então utilizado.

Outra tecnologia da Embrapa adotada na fazenda foi a fosfatagem, a partir de 2006. Ela permitiu a revisão da quantidade de fósforo aplicada, propiciando mais energia, vigor e sanidade às plantas, reduzindo os efeitos da bienalidade de produção. Atualmente, o manejo da irrigação das propriedades utiliza a ferramenta online Monitoramento de Irrigação no Cerrado, da Embrapa Cerrados (participante do Consórcio), além de diversos controles de gerenciamento da produção. A adubação com nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) também é feita com base nos trabalhos da Embrapa. “Na parceria com a Embrapa, conseguimos solucionar diversos problemas que antes não resolvíamos”, disse Guy. “O consórcio de café com braquiária comprovou que esta não compete com o cafeeiro, além de contribuir para a ciclagem de nutrientes e a incorporação de carbono (matéria orgânica) para o solo. A braquiária consegue extrair fósforo que o café não acha”, diz o pesquisador Antonio Guerra, gerente de pesquisa da Embrapa Café. “Ela multiplica a micorriza nativa e estimula o sistema enzimático que está no solo, melhorando sua qualidade e fazendo-o funcionar melhor”, acrescenta.

Café com qualidade e sustentabilidade - O apoio de técnicos da EBDA no fortalecimento de cooperativa de cafeicultores familiares foi um dos principais resultados do Programa Pacto Federativo, no Território de Cidadania da Chapada Diamantina, na avaliação do coordenador territorial, Fábio Lúcio Martins Neto. Como técnico em desenvolvimento rural da EBDA e especialista em café, Fábio destaca a importância da introdução do sistema de controle interno para a melhoria da qualidade do café produzido na região. Essa medida permitiu aos produtores a certificação do produto no IBD Certificações, que, segundo ele, é a principal certificadora de produtos orgânicos do País. 

Sediada em Seabra, a Cooperbio reúne cerca de 40 cafeicultores familiares dos municípios de Abaíra, Piatã e Seabra, que, juntos, produzem 300 sacas anuais. Outra importante contribuição dos técnicos da EBDA foi a habilitação da cooperativa no Programa Nacional da Agricultura Familiar. Além disso, a identificação de áreas potenciais do Estado para a cultura do café arábica no sistema arborizado é uma das metas do Pacto Federativo. Com o uso da tecnologia de georreferenciamento, foi produzido um mapa que indica onde há condições ambientais para o desenvolvimento da cultura.

Perspectivas - Para o futuro, segundo Eduardo Salles, há muitas visões, como produzir cafés de qualidade para agregar valor; melhorar a produção de café conilon na zona do Atlântico e incentivar a produção de cafés irrigados. E desafios: produzir com eficácia e sustentabilidade; desenvolver pesquisa tecnológica nas universidades; atender o mercado de consumo do Nordeste e do exterior e promover a instalação e modernização das torrefações de café. Para isso, o secretário acredita que algumas estratégias são essenciais, como a governança da cadeia e o desenvolvimento de inteligência competitiva e marketing institucional; estímulo à assistência técnica e extensão rural, ao associativismo e cooperativismo; melhoria da infraestrutura logística; desenvolvimento de programa de melhoria da qualidade do café; reestruturação da pesquisa cafeeira; zoneamento agro-ecológico e econômico das regiões produtoras e fomento à industrialização e exportação do café.

Café na Bahia – A área total de produção de café no estado é de pouco mais de 138 mil hectares, abrangendo 167 municípios, dos quais em 80 têm grande importância no cenário cafeeiro do estado. “Conforme estimativas da EBDA/Conab, a safra 2013/2014 deve alcançar 2,3 milhões de sacas/ano, refletindo os efeitos da seca ocorrida na região do Planalto em 2012, logo devendo se estabilizar num patamar 2,7 milhões de sacas, das quais o conillon cada vez mais terá crescente participação”, informa Ramiro do Amaral. Segundo ele, o setor é responsável pela geração de 150 mil empregos diretos, absorvendo mais 260 mil pessoas na colheita, entre maio a outubro. O estado conta com 24 mil propriedades cafeeiras (IBGE 2006), das quais 86% estão vinculadas a pequenos produtores e/ou agricultores. As demais são de médios e grandes proprietários, sendo que, desse número, somente 5% apresentam áreas superiores a 100 hectares, concentradas no Oeste, onde a atividade é empresarial.

Sobre o Consórcio Pesquisa Café - Fortalecer a economia e contribuir para o desenvolvimento da cadeia produtiva do café no Brasil. Estes são os principais objetivos do Consórcio Pesquisa Café, grupo que reúne instituições de pesquisa e ensino voltadas para a cafeicultura. Fundado em 1997, a atuação do grupo foi fundamental para as principais conquistas e melhoria no processo produtivo da qualidade do café no Brasil. A Bahia está representada no Consórcio pela EBDA, vinculada à Seagri, e pela Universidade Estadual do Sudoeste do Bahia - Uesb.

A importância do Consórcio vai muito além do desenvolvimento de tecnologias. A atuação desse arranjo de instituições de pesquisa e ensino brasileiras contribuiu para que o Brasil alcançasse o topo da produção mundial, abastecendo um terço da demanda de café, gerando mais desenvolvimento econômico e social para o País. Neste cenário, o Consórcio Pesquisa Café tem papel fundamental na manutenção da cadeia produtiva do café investindo no agronegócio e trazendo resultados para a agricultura brasileira.

Esse arranjo institucional atua em todos os segmentos da cadeia produtiva, tendo por base a sustentabilidade, a qualidade, a produtividade, a preservação ambiental, o desenvolvimento e o incentivo a pequenos e grandes produtores. Hoje reúne mais de 700 pesquisadores de cerca de 40 instituições, envolvidos em 74 projetos dos quais fazem parte 355 Planos de ação.

Criado por iniciativa de dez instituições ligadas à pesquisa e ao café: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig, Instituto Agronômico - IAC, Instituto Agronômico do Paraná - Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural - Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro – Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras - Ufla e Universidade Federal de Viçosa - UFV.

As pesquisas do Consórcio Pesquisa Café contam com apoio financeiro do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira - Funcafé, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa.
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Fonte:
Embrapa Café

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