Produção de café gera renda para mais de 650 mil agricultores familiares

Publicado em 15/04/2013 08:23 389 exibições
Ele é a segunda bebida mais consumida no País. Sozinho ou acompanhado, quente e até frio, agrada o paladar de milhões de brasileiros todos os dias. O poder de sua produção já ditou políticas e comportamentos. Por ser tão importante, possui um dia especial em todo o mundo: 14 de abril, Dia Internacional do Café. No Brasil, sua produção gera renda para mais de 650 mil agricultores familiares, que contam com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para estruturar suas propriedades e comercializar o grão. Juntos, esses agricultores são responsáveis pela produção de 38% de todo café nacional. Fatia que movimenta cerca de R$ 2,5 bilhões, por ano.

Os dados são do Censo Agropecuário mais recente, que revelam ainda a localização dos produtores brasileiros. O cultivo dos cafezais ocorre em quase 200 mil estabelecimentos da agricultura familiar, distribuídos em 1.468 municípios diferentes de todo o País. No entanto, a grande maioria da produção, cerca de 95%, está concentrada nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, São Paulo, Rondônia e Bahia.

O diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor do MDA, Nilton Pinho de Bem, explica que os produtores do grão são atendidos por diversas políticas estruturantes da agricultura familiar, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), o Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Seguro da Agricultura Familiar (Seaf) e o Selo da Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf). “Nossa estratégia se baseia especialmente na organização dos agricultores em cooperativas, para que eles possam ter mais força e espaço no mercado; na busca de um melhor padrão de produtividade, com os serviços de assistência técnica; e na diferenciação dos produtos ofertados, que já são distintos por serem da agricultura familiar, fruto antes de mais nada do trabalho da família, mas nós buscamos também cafés com melhor padrão de qualificação, atendendo a diferentes padrões e, prioritariamente, cafés orgânicos, que possuem um mercado com alto padrão de crescimento.”

Atualmente, o MDA possui 29 cooperativas com a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP Jurídica) – instrumento que identifica os agricultores familiares e os qualifica para acessar os programas do ministério – ligadas à cadeia produtiva do café. Uma delas é a Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam). Com sede no município de Poço Fundo (MG), o empreendimento é formado por 280 produtores, que produzem e exportam por ano cerca de 720 toneladas de café para países como os Estados Unidos, Inglaterra, Itália e Japão, além das vendas internas para os estados de Minas Gerais e São Paulo.

Há três anos, a cooperativa recorreu ao financiamento do Pronaf para investir na estruturação do empreendimento e expandir a produção.  O valor financiado pela linha Pronaf Agroindústria, R$ 340 mil, foi usado para criar e equipar o setor de torrefação, onde os grãos do café verde são aquecidos em cilindros rotatórios com elevadas temperaturas. É nesse processo que produto é industrializado. "Sem esse recurso não conseguiríamos montar a industrialização e, com isso, continuaríamos pagando essa parte do trabalho por fora, terceirizando o serviço, o que acabava saindo mais caro e também dificultava nosso trabalho em atender demandas maiores, porque a máquina não dava conta de atender tudo”, salienta o diretor da Coopfam, Luiz Carlos de Paiva.

Com o investimento, os cooperados esperam aumentar a comercialização, principalmente para o mercado interno. “Começamos a trabalhar com a nossa própria torrefação nesta semana e a expectativa é atender mais o mercado nacional, porque nosso café industrializado é todo vendido no Brasil”, acrescenta. A cooperativa participa também do programa Talentos do Brasil – iniciativa do MDA que insere produtos e serviços da agricultura familiar no mercado turístico, agregando valor à oferta turística brasileira –, do projeto de Fortalecimento da Agricultura Familiar Orgânica, Agroecológica e Agroextrativista e ainda possui o Sipaf, que identifica os produtos que tenham em sua composição a participação majoritária da agricultura familiar.

As condições especiais de financiamento do Pronaf oferecidas aos projetos coletivos também foram a alternativa encontrada pela Cooperativa Agropecuária dos Produtores Orgânicos de Nova Resende e Região (Coopervitae), de Nova Resende (MG), para organizar e modernizar o empreendimento. Em 2011, o grupo decidiu financiar R$ 64 mil. O recurso foi usado na aquisição de um programa de computador que melhor organizasse o gerenciamento e o controle de toda a movimentação da cooperativa. "Esse software atende todas as nossas necessidades, tanto no estoque quanto na área comercial, fiscal e financeira, e também deixa nossas informações e dados mais precisos", garante a representante da Coopervitae, Flaviane Carla Pereira.

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MDA

1 comentário

  • amarildo josé sartóri vargem alta - ES

    Conversa!!! Quando as despesas de produção é superior ao produto. Quando os preços pagos pela saca de café é uma verdadeira humilhação ao produtor, ele só consegue sobreviver através dos custeios e de renovar custeios, aumentando a cada ano seu endividamento. Além disso, produz menos, pois não consegue realizar os tratos culturais necessários em suas lavouras. Pessoas para fazer a colheita, não existem mais, estão amparados pela bolsa família e outras regalias do governo. Esses outros mecanismos criados pelo governo, beneficiam poucos produtores. Parem de se autopromoverem utilizando o chapéu dos outros e tratem a cafeicultura com o devido respeito, principalmente pelo o que ela representa na historia desse País.

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